Crossfire
4 Falando sobre o caso e sobre sexo
Notas iniciais
Dean e Natalie pararam os carros no estacionamento do hotel quase ao mesmo tempo. Saíram dos veículos e se olharam surpresos.
– Você também está hospedada aqui? — quis confirmar Dean.
– Sim. Eu passei o dia inteiro fora... Por isso, a gente não se esbarrou antes. — respondeu a loira.
– Eu também passei o dia inteiro fora. Praticamente, eu quero dizer. — contou ele.
– É, eu também. Praticamente. — acrescentou Natalie sem saber o que dizer naquele momento, mas sem querer encerrar a conversa.
O Winchester a encarou por alguns instantes até que começou a se afastar e encerrou:
– Boa noite, Natalie.
– Dean, espera! — pediu ela enquanto o seguia. — Vamos conversar.
Ele ignorou o pedido, caminhou até o hotel e subiu alguns degraus enquanto Natalie o seguia. Depois parou diante da porta de um dos quartos, voltou-se para a garota e tentou encerrar mais uma vez:
– Natalie, nós não temos mais nada para conversar. Pelo menos, não neste momento. Olha, eu estou feliz por você ter escapado e por estar bem, mas tenta entender o meu lado e...
– Eu deixei um recado! — lembrou ela o interrompendo e em seguida explicou rapidamente — Quando eu te liguei há três meses, eu deixei um recado com a tal mulherzinha que teve a audácia de atender o seu celular.
– Que recado? — interessou-se Dean.
Natalie ia responder, mas desistiu em seguida. Não tinha certeza se era uma boa ideia dizer para Dean que ela o mandou para o inferno naquela ocasião. Então limitou-se a responder:
– Não importa. O que importa é que eu disse o meu nome e, no fundo, eu acho que eu acreditei que ela passaria o recado. Digo... Pelo menos esta parte do recado... O meu nome.
Dean pensou por alguns instantes e enquanto colocava a chave na fechadura disse:
– Ok, isso te faz um pouco menos culpada, mas mesmo assim não apaga tudo que eu passei nos últimos meses. Então... Boa noite, Natalie.
– Espera! — pediu ela só então percebendo qual porta Dean estava abrindo. Olhou para uma porta quase ao lado daquela e perguntou só para confirmar — Você está no quarto 42?
– Por quê? Por acaso você está no 43? — indagou ele esperando uma resposta negativa, mas ao perceber que havia acertado, ficou visivelmente intrigado.
Natalie aproveitou que Dean tinha saído um pouco da defensiva, deu um passo a frente e insinuou:
– Você não percebe, Sr. Awesome? É o destino querendo nos unir de novo.
Dean a olhou de um jeito diferente. Era a primeira vez que Natalie o chamava daquele jeito desde que a reencontrou. Não podia negar que estava com saudade de ouvir ela o chamando por aquele apelido carinhoso.
Percebendo que Dean a olhava com certo carinho, Natalie aproximou-se mais e passou os braços em volta do pescoço dele antes de prosseguir com aquela tentativa de reconciliação:
– Então, quem somos nós para lutar contra isso?
No entanto, Dean lembrou do que tinha acontecido, voltou a olhá-la com certa mágoa, afastou os braços da garota do seu pescoço e repetiu:
– Boa noite, Natalie.
Em seguida, ele entrou no quarto, mas quando ia fechar a porta, Natalie colocou a mão na maçaneta e a forçou um pouco para dentro o impedindo de fechar a porta. Dean a olhou confuso.
– Ok, então vamos falar sobre o caso. — propôs a loira.
– Como assim? — indagou ele intrigado com a insistência da garota em cercá-lo de alguma forma.
– Olha, você está com raiva, Sr. Awesome. Magoado... E eu entendo. Mas... Pessoas estão morrendo nesta cidade e isto vai muito além dos nossos problemas pessoais. Então, eu acho que nós temos que fazer um esforço em nome disso, nos concentrar no caso e encontrar quem está convencendo alguns homens idiotas a matarem suas esposas dedicadas. Ah! E claro, matar o monstro e salvar o dia. — expôs Natalie.
– Então você quer que a gente trabalhe junto neste caso? Tipo, eu e você? Depois de tudo que aconteceu? — quis confirmar o Winchester um pouco indignado.
– Como eu disse, isto está muito além dos nossos problemas. Além disso, duas cabeças pensam melhor do que uma. E nós já formamos uma boa dupla uma vez. No caso do lobisomem, lembra? — ressaltou Natalie.
– Aquele em que você foi parar no hospital? É, definitivamente, nós formamos uma boa dupla. — disse ele com certo deboche.
– Isso não tem graça. Eu fui parar no hospital porque eu me arrisquei para salvar a sua pele, Sr. Awesome. — protestou Natalie.
– Eu estava me virando bem sozinho. Você não precisava intervir. — contrapôs o caçador.
Natalie riu levemente e lembrou cheia de si:
– O lobisomem quase te matou, Dean. Admita, sem mim, você estaria completamente perdido.
Dean revirou os olhos, respirou fundo e recomeçou dando-se por vencido:
– Ok, vamos falar sobre o caso.
Natalie sorriu levemente e perguntou:
– Isso significa que eu posso entrar?
Dean relutou mais um pouco, mas acabou consentindo:
– Sim, você pode... — ele parou de falar quando Natalie passou por ele e entrou no quarto rapidamente. — Entrar. — completou.
Natalie caminhou até o frigobar e perguntou:
– Você tem cerveja?
Dean fechou a porta e voltou-se para a garota. Ela estava de costas para ele e um pouco curvada enquanto procurava a cerveja. Inevitavelmente, Dean deu uma boa olhada no corpo dela e percebeu que trabalhar com Natalie, naquelas circunstâncias, ia ser mais difícil do que ele podia imaginar.
De repente, Dean começou a sentir um certo calor enquanto olhava para Natalie e lembrava do que eles viveram. E ela estava ainda mais bonita e... Incrivelmente sexy aquela noite...
– Você quer? — perguntou ela de repente fazendo Dean voltar a si.
– O quê? Se eu quero o quê? Como assim? — perguntou Dean gaguejando um pouco.
Natalie levantou e voltou-se para ele indicando duas garrafas que segurava. Então sorriu e respondeu:
– Uma cerveja.
– Ah... Uma cerveja... Claro! Eu quero! Uma cerveja... Só a cerveja... Porque... Foi isso que você perguntou, certo? — disse ele atrapalhando-se um pouco.
Natalie caminhou até Dean percebendo que ele estava mexido com a presença dela ali. Obviamente, ela estava gostando muito de saber disso. Então lhe entregou uma das garrafas, puxou uma cadeira e sentou em volta de uma pequena mesa que havia no quarto. Depois colocou os pés sobre a mesa, abriu a sua garrafa e começou a beber a cerveja fechando os olhos por alguns instantes.
Dean observou aquela cena atentamente. Respirou fundo e sugeriu:
– Talvez seja melhor você trocar de roupa primeiro.
Natalie parou de beber e olhou para ele antes de provocá-lo:
– Por quê? Qual o problema com essas? Ah! Certo... Eu estou te desconcentrando, não é? Minhas pernas, especialmente? Desculpe, não foi minha intenção, Sr. Awesome. Mas eu não tenho culpa se eu mexo com você desse jeito.
Ao dizer isso, a loira colocou os pés no chão e se ajeitou melhor na cadeira. Bebeu mais um gole da cerveja e bateu levemente na cadeira ao lado da sua indicando que era para Dean sentar ali.
– Convencida. — resmungou ele antes de sentar na cama já que achou melhor manter uma certa distância entre eles. — E então? Sobre o caso, o que você descobriu? — recomeçou enquanto abria a sua garrafa.
Natalie observou Dean um pouco decepcionada por ele ter sentado longe dela e mudado de assunto, mas resolveu se concentrar no trabalho e então perguntou:
– Você leu os exames toxicológicos dos maridos?
– Claro, por quê? — quis saber Dean.
– E não achou nada de anormal neles? — prosseguiu a caçadora.
– Você encontrou? — rebateu o Winchester.
Natalie riu e deduziu:
– Você não leu os exames, não é?
– Ok, talvez eu tenha lido... Por alto. — admitiu Dean e então retomou o assunto — Você encontrou alguma coisa ou não?
– Sim, uma anomalia no sangue. Ocitocina em níveis elevados. — relatou ela.
– Ocitocina? — repetiu Dean sem entender o que aquilo significava.
Então Natalie explicou:
– É um hormônio produzido no parto, na lactação e...
– E? — indagou ele sem entender por que a loira ficou em silêncio de repente.
Natalie pigarreou antes de acrescentar um pouco sem graça:
– E no sexo.
Dean também ficou um pouco sem graça ao ouvir aquilo e sem perceber olhou para as pernas da garota mais uma vez. Estavam ainda mais lindas com aquelas meias arrastão. Malditas meias...
Ele começou a sentir aquele calor de novo. Então bebeu mais um pouco da cerveja e disse sem perceber:
– Ah... No sexo.
– Exato. A ocitocina é conhecida como o hormônio do amor. — completou Natalie.
Dean pensou um pouco e começou a especular:
– Os maridos saíram com três strippers, certo? Então elas devem ter contaminado os caras, de alguma forma, com essa tal... Ocitocina.
– De alguma forma? — repetiu Natalie e em seguida, esclareceu com um sorriso malicioso — Você quer dizer através do sexo, não é?
– Sim. Eu só... Não queria dizer... Esta palavra. — explicou Dean um pouco incomodado.
– O quê? Sexo? Por quê? — perguntou a loira se fazendo de desentendida. Mas ao encarar Dean, ela também ficou um pouco sem graça e decidiu recomeçar — Bem, eu diria que os maridos foram envenenados, enfeitiçados, sei lá, e convencidos a matarem as esposas. O que significa que eles não saíram com simples strippers.
– Então o que elas são? — indagou Dean.
– Sereias. — respondeu Natalie.
Dean franziu a testa e perguntou:
– Sereias? Como de A Odisseia? — e ao ver que Natalie tinha ficado surpresa com aquela referência, ele disse cheio de si — O que foi? Eu leio.
Natalie riu levemente e depois prosseguiu:
– Bem, segundo a lenda, as sereias são criaturas de grande beleza que matam os homens seduzindo-os com o seu canto de amor. Antigamente, elas viviam em ilhas. Os marinheiros as seguiam, ignorando os litorais rochosos e se chocavam contra eles. Então se você fosse uma sereia hoje em dia e quisesse ferrar alguns idiotas, onde você iria?
– Num bar de strippers. — respondeu Dean.
– Ah! Muito importante! Elas leem mentes e podem se moldar de acordo com o gosto do freguês. — acrescentou Natalie.
– Isso quer dizer que as três strippers podem ser uma só? — deduziu Dean.
– Exato, Watson. — confirmou a loira. — Eu sou o Sherlock.
– Como nós a matamos? — quis saber ele ignorando a brincadeira de Natalie.
– Com uma adaga de bronze suja com o sangue do marinheiro enfeitiçado pela canção. — revelou a loira prontamente deixando Dean visivelmente admirado.
– Natalie, como você sabe de tudo isso? — questionou ele.
– Bem, provavelmente eu cheguei aqui antes de você e por isso tive mais tempo para investigar, pesquisar, ler textos antigos e especular à respeito. Além disso, ao contrário de certas pessoas, eu li os exames dos maridos atentamente e não... Por alto. — explicou a garota.
Dean pensou um pouco, levantou da cama, colocou a garrafa vazia em cima da mesa e disse:
– Natalie, eu acho que você não precisa de mim para solucionar este caso.
A loira levantou, ficando de frente para ele, e argumentou:
– É claro que eu preciso, Dean. Eu ainda não descobri quem é a sereia. E você estragou o meu disfarce, lembra? Eu não posso entrar lá de novo, muitos menos você, depois daquela cena de ciúme.
– Que cena de ciúme? — protestou Dean, mas antes que Natalie respondesse, ele propôs — Ok, vamos nos concentrar no caso.
– Então este é o plano: nós voltamos para a boate e ficamos de olho. Qualquer stripper que sair acompanhada é uma suspeita. E então, nós seguimos o casal. — expôs a loira.
Dean pensou um pouco lembrando de algo e perguntou com certo receio:
– Mas você disse que os homens são envenenados durante o... Sexo, não é? E que nós precisamos de um pouco do sangue do idiota da vez. Então como nós vamos fazer para...?
– É, eu sei, isso vai ser embaraçoso, mas não tem outro jeito, Sr. Awesome. Nós vamos ter que esperar eles... Terminarem e a sereia convencer o idiota a matar a esposa. Aí nós vamos ter certeza de que é ela. — disse Natalie.
Dean respirou fundo e concordou:
– Você está certa. Será embaraçoso. — e ao olhar sem perceber para o sutiã que Natalie usava, ele se afastou um pouco, abriu a mochila em cima da cama, retirou uma camisa e jogou para a caçadora antes de pedir — Pelo menos, vista alguma coisa decente.
– Minha camisa! — vibrou a garota ao reconhecer a camisa do Led Zeppelin. — Você guardou... — disse ela olhando para Dean com carinho.
– Eu não podia jogar fora uma camisa do Led Zeppelin. — desconversou ele.
Apesar disso, Natalie sorriu levemente para ele e em seguida vestiu a camisa. Depois caminhou até o banheiro e ficou nas pontas dos pés para checar o look. Camisa preta do Led Zeppelin, minissaia preta e meias arrastão. Antes de dar partida no Camaro e voltar para o hotel, Natalie havia trocado as sandálias por um par de All Star preto. Eles eram mais confortáveis para dirigir e se ela e Dean iriam caçar, seriam mais confortáveis para correr numa situação de emergência.
– Humm.. Até que ficou legal. — disse ela observando o look mais uma vez e depois prendeu os cabelos em um rabo de cavalo.
Ao se virar, viu que Dean a observava. Ele estava com a boca ligeiramente aberta enquanto percorria as pernas da garota com o olhar. Natalie estalou os dedos e indicou o próprio rosto antes de dizer sorrindo:
– Ei! Eu estou aqui, Sr. Awesome. Aqui em cima.
Dean olhou para o rosto dela visivelmente constrangido e retomou o assunto rapidamente:
– Ok, chega de papo. Vamos logo despachar esta maldita sereia.
Natalie caminhou em direção à saída e Dean fez o mesmo abrindo a porta logo em seguida.
– No meu carro ou no seu? — perguntou ela enquanto passava pela porta.
– O quê? Como assim? — indagou Dean um tanto assustado com aquela pergunta.
– Eu perguntei se nós vamos no meu carro ou no seu. Você sabe, até a boate. — esclareceu a loira voltando-se para ele e ao perceber certa confusão no rosto de Dean, indagou — O que você pensou que eu tinha perguntado, Sr. Awesome?
– Nada. — mentiu ele e em seguida fechou a porta. Desceu os degraus e caminhou até o Impala seguido por Natalie. — Eu não sei por que, mas de repente eu lembrei do Cas e da Mia. — contou ele.
– Por falar nisso, como eles estão? — interessou-se Natalie parando ao lado do carro, próxima a uma das portas.
– É uma longa história. Eu te explico no caminho. — disse Dean e depois abriu a porta e entrou.
Natalie fez o mesmo e depois ficou olhando para Dean por algum tempo até que ele perguntou:
– O que foi?
A loira não sabia se aquele era o melhor momento para levantar aquela questão, mas não estava aguentando mais aquele clima estranho entre eles. Então se encheu de coragem e perguntou com cuidado:
– Como vai ser, Dean? Quando nós resolvermos o caso da sereia? Você sabe... Entre a gente? Você vai me mandar embora e ir embora também ou... Nós vamos fazer as pazes?
Dean ficou visivelmente surpreso e um pouco incomodado com aquelas perguntas. Não esperava que Natalie fosse tocar naquele assunto naquele momento. Não estava pronto para pensar no que aconteceria depois que eles resolvessem o caso.
A verdade é que Dean estava profundamente magoado por Natalie não ter dado notícias nos últimos meses e por ter deixado ele acreditar que ela ainda estava em perigo este tempo todo. Ter deixado um recado qualquer não mudava o fato de que ele continuou procurando por ela e sofrendo com isso. Por outro lado, ter deixado o recado mostrava que Natalie tentou avisá-lo, que ela tentou procurá-lo logo que saiu do cativeiro. Isso significava alguma coisa, não? Que ela se importava com ele? Que queria reencontrá-lo e continuar aquela relação de onde eles tinham parado?
Enquanto pensava nessas coisas, Dean foi ficando ainda mais confuso. Um parte dele sabia que tudo não havia passado de um mal entendido e que não dava para condenar Natalie por ter imaginado o pior dele quando ela lhe ligou e uma mulher atendeu. Mas a outra parte queria que Natalie tivesse confiado mais nele, nos sentimentos e no que eles viveram. Mas ela não lhe deu nem ao menos o benefício da dúvida. Preferiu tirar conclusões precipitadas. E por fim, uma terceira parte, queria muito responder a última pergunta da garota e fazer as pazes de uma vez. Mas isso não era possível com as outras partes brigando dentro dele.
Natalie aproveitou que Dean estava distraído pensando nessas coisas e se aproximou mais do banco dele. Colocou uma mão sobre a mão direita do caçador e apoiou o queixo em seu ombro.
Dean sentiu um arrepio, mas permaneceu relutante. No entanto, como se não tivesse mais controle sob o próprio corpo, ele fechou os olhos e entrelaçou os seus dedos nos de Natalie.
– Eu quero fazer as pazes, Dean. Por favor, vamos fazer as pazes. — sussurrou a loira no ouvido dele.
Dean ficou arrepiado de novo e em seguida sentiu a outra mão de Natalie tocando o seu rosto. O puxando sutilmente na direção dela. E mais uma vez não conseguiu controlar o próprio corpo e apenas se deixou guiar por ela.
Natalie beijou o pescoço, a bochecha e o queixo de Dean. E como viu que ele estava de olhos fechados, resolveu não perder tempo, fechou os olhos também e pressionou seus lábios contra os dele sem pensar duas vezes.
Dean ainda tentou relutar, mas não conseguiu se manter indiferente por muito tempo. Logo os lábios de Natalie começaram a explorar os seus e ele foi correspondendo instintivamente. Suas línguas se encontraram e aí qualquer relutância que Dean ainda insistia em ter desmoronou naquele momento.
Então ele passou um braço em volta da cintura de Natalie a puxando para mais perto dele, enquanto com a outra mão segurava o rosto dela carinhosamente. Natalie passou as mãos pelo rosto de Dean, entrelaçando os dedos no cabelo dele, acariciando sua nuca. Se aproximou mais um pouco sentindo o calor crescente do corpo dele colado ao seu.
A cada segundo o desejo entre eles crescia e o beijo se tornava ávido, urgente e ainda mais intenso. Dean não resistiu e acabou colocando uma das mãos na perna de Natalie, a acariciando por cima daquelas malditas meias. Depois subiu pelas costas dela e a segurou pela nuca fazendo seus rostos ficarem ainda mais próximos e o beijo mais profundo.
Ficaram algum tempo assim. Aproveitando aquele momento de carinho. Mas, de repente, no auge daquele beijo apaixonado, Dean lembrou de tudo que passou nos últimos três meses e sentiu-se um idiota por ter cedido tão facilmente aos encantos de Natalie. Então se afastou e esclareceu:
– Nós não estamos fazendo as pazes, Natalie Jones. Isso foi só um momento de fraqueza.
– Dean... Isso não tem nada a ver com fraqueza. Você sentiu a minha falta, eu senti a sua também. E isso é bom. — disse ela tentando beijá-lo de novo.
No entanto, Dean se esquivou dela e contrapôs:
– Isso não significa que eu posso esquecer o que aconteceu. Desculpe, mas eu não consigo.
– Consegue sim. Basta querer. Droga... Por que você tem que ser tão teimoso, Dean Winchester? Eu sei que você quer fazer as pazes também. Eu senti isso no seu beijo. Então vamos esquecer o que aconteceu e fazer as pazes... — insistiu Natalie tentando se reaproximar, mas como Dean voltou-se para a janela lateral e permaneceu em silêncio a ignorando, ela se afastou, encostou as costas no banco, cruzou os braços e disse irritada — Sabe de uma coisa? Se você quiser outro beijo desses, você vai ter que implorar. Você ouviu? Implorar! E mesmo assim, eu não sei se eu vou atender o seu pedido tão facilmente.
Dean riu e voltou-se para ela antes de dizer:
– Implorar? Por favor... É só eu dizer "Kiss me, baby" e você vai se jogar nos meus braços no instante seguinte. Como uma abelha atrás de mel.
– Convencido! — xingou ela e depois completou ainda mais nervosa — Mas eu sinto em informar que você está enganado, Sr. Awesome. Muito enganado! Você tem o seu orgulho e eu tenho o meu. E eu não vou te beijar de novo a não ser que você implore por isso! Implore muito por isso! Eu já me expliquei e pedi desculpas, mas você é orgulhoso demais e prefere continuar agindo como um idiota! Então, tudo bem. Seja um idiota! Eu não vou insistir mais. Agora quem não quer mais sou eu, entendeu?!
– Entendi. E isso é exatamente o que eu quero! Que você pare de insistir! — gritou ele também irritado.
– Que bom porque, caso você não tenha percebido, eu já parei! — ressaltou ela e em seguida fechou a cara e ficou olhando para o lado de fora pela janela lateral.
– Ótimo! — rebateu Dean e em seguida respirou fundo e deu partida no Impala.
Após um momento de silêncio, Natalie recomeçou:
– Vamos nos concentrar no caso, ok? Apenas no caso.
– Oh! Eu estava concentrado no caso até você me atacar. — lembrou Dean.
– Eu não te ataquei, você que é fácil demais. — disse a loira.
– Ah! Eu sou fácil demais? — indagou ele um tanto ofendido.
– Como uma abelha atrás do mel. Eu sou o mel. Você, a abelha. O zangão, no caso. — provocou a garota sorrindo levemente para ele.
Dean respirou fundo de novo e ordenou:
– Calada, Natalie Jones.
– Você primeiro. — devolveu ela.
– Eu estava quieto, você que começou a discussão de novo. — defendeu-se ele.
– Eu não comecei a discussão de novo, eu só disse que é melhor nós nos concentrarmos no caso. — explicou ela.
– Ok... Eu entendi, você quer que a última palavra seja sua. — deduziu o Winchester.
– Se você sabe disso, então por que continua falando? — indagou a loira.
– Isso é muito maduro, Natalie Jones. — zombou ele.
– Viu? Você fez de novo. — observou ela.
– Desculpe... — pediu ele e ao perceber que tinha falado por último, tentou enganá-la — Ok, no três, ninguém fala mais nada, tudo bem? Um, dois, três.
Houve um breve momento de silêncio até que Natalie protestou:
– Isso não vale. Você falou por último. — e depois de observar Dean por alguns instantes, percebeu que ele não ia falar mais nada e comemorou — Agora, eu falei por último. A última palavra foi minha, Sr. Awesome. Viu? Ótimo!
Dean respirou fundo novamente e acelerou o carro. Queria chegar logo na boate e resolver aquele caso da sereia de uma vez.
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