Crossfire

50 St. Mary's Convent


Notas iniciais
GENTEEEEEEMMMMMMMMMMM, Vocês repararam que a fic agora tem uma capa de verdade e não uma imagem do Google? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Sim, sim, sim! Agora Crossfire está toda trabalhada no Photoshop! E isso tudo é graças a mishamiga e leitora Miss Queen que tomou esta baita iniciativa e me presenteou com esta coisita mais meiga do mundo! Adorei e mais uma vez obrigadaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!! Fiquei e ainda estou sem palavras para dizer o quanto estou happy! Sempre tive uma invejinha branca das fics que tem capa e eu não sei fazer esses paranauês, sociedade. Meu negócio é escrever mesmo kkkkkk Bem, agora algumas explicações. Eu gosto de deixar que os leitores imaginem as personagens do jeito que eles querem, sentem, enfim. O máximo que eu fiz até hoje foi descrever as meninas. Natalie loira, as outras morenas e tal. Eu também já disse algumas vezes, que na minha cabeça maluca, eu imagino a Mia como a Erica Durance (a Lois Lane de Smallville). A própria Mia é meio baseada na Lois (inclusive o vício por café). Então, a Miss Queen, colocou a Erica Durance na capa e eu amei! Finalmente a Mia ganhou um rostinho oficial! Já a Naty e a Claire, eu não consigo imaginar nenhuma atriz como elas. As muchachas só existem nas profundezas sem fim dos meus neurônios e isso sempre me deixou agoniada porque eu queria poder dizer: Pessoal, estas são oficialmente Natalie Jones e Claire Singer. E eu nunca pude fazer isso porque como eu disse, elas só existem no meu cérebro maluco. De qualquer forma, eu gostei muito da forma como a Miss Queen imagina as duas. A Naty como a Kristen Bell e a Claire como a Hillary Duff (morena). Então, as duas também ganharam seus rostinhos oficiais. Claro que nada disso (nada disso mesmo) impede que vocês imaginem as personagens como vocês acham que elas são, como vocês sentem que elas são, aí no fundo dos seus coraçõezinhos salientes. Mas eu confesso, que adorei brincar com isso e dar essas carinhas para elas kkkkkkkkkkk é como se elas realmente existissem. Só falta os produtores da série escalarem as muchachas e inserí-las na bagaça, né? Oi? Não deu para colocar Kevloe na capa (mesmo porque o Bobby e a Jody iam querer entrar também kkkkkkkkkk), mas a Chloe eu imagino como a Alisson Mack (Chloe Sullivan de Smallville). Esta sim, sempre teve esta carinha para mim: http://imageshack.com/a/img837/7566/t8ao.jpg Enfim, estou nas nuvens. Crossfire tem capa, personagens tem rostos e agora tem capítulo novo. E sobre o capítulo, eu só posso dizer uma coisa: complicações.

Era noite e Mia dirigia o Mustang por uma estrada em Nebraska rumo à Maryland. Ela e Castiel haviam saído do bunker naquela manhã, e estavam revezando a direção desde então. Claro que por ser um anjo, Castiel poderia dirigir até os dois chegarem ao destino final, sem ficar cansado por isso, mas Mia estava um tanto impaciente e dirigir a acalmava um pouco.

Castiel estava em silêncio, compenetrado, pensando em algumas coisas. Ele olhava ora para a paisagem do lado de fora, ora para Mia dirigindo. E em dado momento, enquanto a observava, acabou olhando para uma das mãos da caçadora sobre o volante. Riu discretamente ao ver o anel que brilhava em um dos seus dedos, e voltou a olhar para o lado de fora.

– O que foi? – perguntou Mia ao perceber que o anjo havia rido de alguma coisa.

Castiel voltou a olhar para ela e, com um leve sorriso de deboche, disse:

– Tendinite? Sério? Você não conseguiu pensar em nada melhor para dizer naquele momento, Mia? Em nada mesmo?

A garota suspirou, se sentindo meio idiota por ter inventado aquela desculpa ridícula no começo do dia, e respondeu derrotada:

– Tudo bem, eu mereço. Foi uma péssima desculpa. Eu admito.

Castiel a observou por alguns instantes e depois voltou a olhar para o lado de fora. Depois de um longo momento de silêncio, ele olhou para Mia novamente e recomeçou:

– Me diga uma coisa. Eu sou feio?

– O quê? – estranhou a garota olhando para ele por um instante antes de se concentrar na estrada de novo.

– Apenas responda a pergunta, Mia. Por favor. – pediu Castiel. – Eu sou feio?

– Não. – respondeu ela.

– Chato? – prosseguiu o anjo.

– Não. – repetiu a caçadora sem entender qual era o propósito daquelas perguntas.

– E você me ama, certo? – quis confirmar ele.

Mia franziu o cenho e questionou:

– Aonde você quer chegar com essa conversa, anjo?

– Ama ou não ama? – insistiu Castiel.

Mia suspirou, enquanto um sorriso bobo lutava para se formar no seu rosto, e em seguida respondeu:

– Amo. Muito.

– Então por que não? – quis saber o anjo.

– Por que não o quê? – não entendeu a caçadora. Mas ao olhar para Castiel pelo retrovisor e encará-lo por alguns instantes, ela entendeu o que ele estava querendo dizer e tentou se esquivar – Cas... Eu pensei que nós tínhamos combinado de falar sobre este assunto depois.

– Nós temos dois dias de viagem pela frente, Mia. Por que não falar sobre este assunto agora? – insistiu ele.

Neste momento, o celular de Castiel começou a tocar e Mia respirou aliviada antes de dizer:

– Salva pelo gongo.

– É o Bobby. – anunciou o anjo depois de pegar o celular e olhar para a tela do aparelho.

– Finalmente. – murmurou Mia, já que tanto ela como Castiel tinham tentando contatar o caçador durante todo o dia e sem sucesso.

– Bobby? – atendeu o anjo depois de colocar o aparelho no viva voz.

Do outro lado, o caçador entrou no bunker e fechou a porta enquanto dizia:

– Oi, Cas. Eu vi que você me ligou e a Mia também. Está tudo bem? Algum problema?

– Ei, onde você esteve? Por que não atendeu as nossas ligações? – questionou a caçadora.

– Oh... Olá, Mia. Tudo bem? Eu estou ótimo. Obrigado por perguntar. – rebateu Bobby com certa rabugice, enquanto tirava o terno que usou durante os casamentos e na festa e o colocava sobre uma poltrona.

– Você não respondeu a minha pergunta, Sr. Singer. – lembrou a garota.

– Eu estava... Por aí. – respondeu ele evasivamente.

– Com ela? – prosseguiu Mia sem conseguir disfarçar certo interesse.

– Ela quem? – perguntou Bobby se fazendo de desentendido.

– Com a Jody. – respondeu Mia prontamente diante da pergunta um tanto óbvia. – Eu vi que vocês passaram boa parte da festa juntos e ainda estavam assim quando eu saí de lá. E então?

– Então o quê? – indagou Bobby.

– Como foi? O que vocês fizeram depois da festa? Para onde foram? O que aconteceu? – quis saber a garota tomada por uma grande curiosidade.

Após um momento de silêncio, Bobby questionou:

– Cas, ela é sempre assim tão indiscreta e enxerida?

– Sim, mas piora quando ela está bancando o cupido. – respondeu o anjo.

– Você não vai responder as minhas perguntas, vai? – deduziu Mia.

– Não. – respondeu o caçador tentando disfarçar que ficou constrangido com aquele interrogatório. Em seguida, ele retomou o assunto inicial rapidamente – Então, por que vocês ligaram?

Mia e Castiel se entreolharam por um breve instante antes do anjo começar a explicar o que aconteceu.

Depois de ouvir toda a história, Bobby ficou surpreso, muito preocupado e se dispôs a ajudá-los a ir atrás de Natalie e resolver aquela situação. Porém como o caçador ainda estava no bunker e, se pegasse a estrada naquele momento, chegaria muito atrasado ao St. Mary's Convent, Mia e Castiel acharam melhor que ele ficasse e pesquisasse mais sobre o portal para o Inferno, sobre a Primeira Espada e também sobre o exército de Abaddon, já que Mia também havia tido uma visão com aquilo. Quanto mais informações eles tivessem, melhor poderiam se preparar para o que estava por vir. Fosse o que fosse.

Bobby concordou e após encerrar a ligação foi até uma das salas do bunker e começou a trabalhar imediatamente. Como nos velhos tempos, quando Sam e Dean lhe ligavam para pedir ajuda com algum caso.

Ao longo da noite, Bobby tentou ligar para Dean, mas ele não atendeu. Devia estar dirigindo feito um louco para chegar o mais rápido possível em Maryland.

Então ele ligou para Sam e Claire, passou para os dois uma lista com alguns ingredientes para um feitiço, que os dois teriam que providenciar durante o caminho. Bobby não tinha certeza se aquilo seria útil em algum momento, mas diante daquela situação, era bom que eles estivessem preparados para tudo.

Em seguida, ele retomou a pesquisa, consultando vários livros e estudos dos Homens das Letras, enquanto tomava algumas doses de um uísque que encontrou em um armário da cozinha. E continuou pesquisando por toda a madrugada.

Dois dias depois...

St. Mary's Convent — Ilchester — Maryland — Final da Tarde

Enquanto os dois anjos, que o acompanharam até ali, se posicionavam em lugares estratégicos do convento, Bartholomew caminhava com Natalie por um corredor todo iluminado por velas dispostas em castiçais antigos. Isso fez a caçadora se convencer de que havia mais anjos naquele lugar, que deviam ter acendido aquelas velas pouco antes deles chegarem. Esta teoria se confirmou quando, ela e Bartholomew viraram em um corredor e a caçadora pôde contar uns seis anjos naquele local. Três de cada lado das paredes.

Quando Bartholomew passava bem próximo deles, um desses anjos deu um passo a frente e avisou:

– Está tudo pronto, senhor.

– Ótimo. Fiquem por perto. – respondeu Bartholomew, segurando com mais força no braço de Natalie ao seu lado enquanto apressava o passo.

– Ei! Você está me machucando! – reclamou a loira tentando se desvencilhar do anjo.

– Não se preocupe. Isso vai acabar logo. Quando eu tiver a Primeira Espada nas minhas mãos, eu solto você, Sra. Winchester. – assegurou Bartholomew enquanto ele e Natalie passavam ao lado de uma estátua de um anjo. Atrás dela havia uma janela empoeirada por onde a luz do pôr-do-sol entrava.

Natalie não sabia se podia acreditar em Bartholomew ou não. Mas sabia que não tinha muita escolha naquele momento. Então ela assentiu com um meneio de cabeça, dando a entender que não iria se opor a ajudá-lo, que tinha aceitado o que parecia ser o seu destino e continuou caminhando. Dando a entender, mas na verdade, Natalie tinha um plano. Um péssimo plano, mas ainda assim, um plano. Tudo o que ela precisava fazer era pegar a Primeira Espada.

Quando Bartholomew abriu uma enorme porta dupla de madeira, revelando o espaço que no passado abrigou a capela do convento, Natalie sentiu um arrepio percorrer o seu corpo. O que podia não fazer sentido quando você imaginava dezenas de freiras rezando ali, mas fazia todo o sentido quando você imaginava que foi ali que Azazel possuiu um padre, em meados da década de 70, e matou todas as freiras em um sacrifício para Lúcifer.

Natalie conhecia a história de ouvir Dean falando sobre aquilo, mas estar naquele lugar pessoalmente lhe dava uma dimensão maior dos fatos. Ainda mais porque foi também ali que Sam matou a Lilith e rompeu o último selo para libertar Lúcifer, dando início ao Apocalipse.

Era um lugar carregado de energia negativa que em poucas coisas lembrava o convento que um dia funcionou ali. Uma dessas poucas coisas era um altar de mármore no final daquela enorme sala.

Natalie estreitou o olhar e viu que sobre ele havia um recipiente feito de prata, com símbolos enoquianos incrustados na borda, algumas garrafas com óleos e outra com um líquido escuro que ela deduziu que fosse sangue. Natalie só não sabia do que ou de... Quem. Havia também um tipo de punhal e velas. Velas por toda a parte.

A loira engoliu em seco diante de tudo aquilo. Bartholomew fechou a porta atrás deles e puxou a caçadora na direção do altar enquanto anunciava:

– Tudo bem, hora do show. – depois de soltá-la com certa cautela, o anjo a encarou duramente e aconselhou – Não tente fugir. Você sabe que não iria muito longe.

– Eu não vou fugir. – garantiu Natalie e tentando transmitir o máximo de veracidade possível, acrescentou – Olha, eu não gostei da forma que você arquitetou as coisas para me trazer até este lugar, não me deixando escolha, mas já que nós estamos aqui, então vamos fazer isso de uma vez. Se você quer mesmo matar a Abaddon, tudo bem, eu te ajudo. Mas você vai ter que cumprir a sua parte e me deixar ir embora quando tudo isso acabar. E nunca mais ameace o Sr. Awesome ou qualquer pessoa daquela forma, ou eu juro que...

– Ok, entendi. – interrompeu Bartholomew assimilando o apelido que Natalie devia usar para se referir à Dean, e um tanto desconfiado por ela ter se mostrado tão compreensiva de repente. No entanto, ele se convenceu de que ela estava agindo daquele jeito porque sabia que não havia outra saída. Então, Bartholomew se voltou para os ingredientes sobre o altar e disse – Vamos fazer isso de uma vez.

Enquanto Bartholomew abria as garrafas com alguns tipos de óleos e enchia o grande recipiente de prata com eles, sob o olhar atento de Natalie, Mia dirigia em alta velocidade em uma estrada nas proximidades de Ilchester. Castiel, que estava ao seu lado, havia deixado a direção há cerca de dez minutos.

A caçadora mantinha os olhos fixos na estrada e sentia uma tensão crescente quando lembrava que ela e Castiel estavam quase chegando ao destino final, Sam e Claire estavam alguns quilômetros atrás deles e enquanto isso não havia qualquer sinal de Dean. Ele simplesmente não atendia o celular quando ela, Castiel ou mesmo o irmão tentavam localizá-lo. Em dado momento, o celular do Winchester mais velho até parou de chamar, provavelmente porque a bateria havia acabado. Dean tinha outros aparelhos, mas aparentemente eles estavam desligados.

Todos estavam com receio de que, por estar muito envolvido emocionalmente, Dean não estivesse raciocinando direito. Infelizmente, ninguém podia fazer nada por ele naquele momento, a não ser torcer para que Dean não se esquecesse de que era um excelente caçador e mantivesse a calma, apesar de um anjo ter sequestrado a sua esposa durante a lua de mel.

Mia ainda pensava em tudo isso, quando sentiu sua visão embaçar um pouco. Um mal estar repentino a fez esboçar uma careta de desconforto. Em seguida, uma leve dor de cabeça começou a surgir, fazendo a garota levar uma das mãos à têmpora direita.

– Mia? – chamou Castiel ao perceber que tinha alguma coisa errada. – Você está bem?

– Sim, eu estou... – começou a responder a garota, mas parou subitamente quando a leve dor de cabeça evoluiu para uma forte enxaqueca que a fez tirar a outra mão do volante, levá-la à cabeça e, com isso, o carro desviou bruscamente daquela faixa na estrada.

– Mia! – gritou o anjo ainda mais preocupado enquanto segurava o volante com uma das mãos tentando manter o veículo na estrada.

– Eu estou bem. – mentiu a caçadora tentando não pensar naquela dor e voltando a segurar no volante, enquanto Castiel afastava a mão um tanto receoso.

Depois de observá-la durante algum tempo e percebendo que Mia estava mentindo para não preocupá-lo, Castiel soltou um leve suspiro e pediu:

– Pare o carro.

– O quê? – surpreendeu-se a garota olhando de relance para o anjo.

– Pare o carro, Mia. Agora. – reforçou ele.

Depois de hesitar um pouco, a caçadora se deu por vencida, diminuiu a velocidade e foi se aproximando do acostamento. Parou o carro instantes depois e ficou olhando para o horizonte enquanto aquela dor se intensificava. Mia fechou os olhos e uma nova careta se formou no seu rosto pálido.

Preocupado, Castiel se aproximou um pouco dela e perguntou:

– O que está acontecendo? O que você está sentindo? Por favor, fale comigo e não minta mais.

Com certo esforço, a garota abriu os olhos e voltou-se para Castiel ao responder:

– Está acontecendo de novo. Eu vou ter outra visão. E pela intensidade da enxaqueca, eu acho que será ainda mais clara do que a última.

Angustiado, Castiel se aproximou mais um pouco, segurou uma das mãos de Mia e prosseguiu:

– Eu sinto muito por... Não poder te ajudar, mas eu estou aqui. E vai passar. Eu vou ficar com você até tudo isso passar.

– Não. – discordou ela soltando a mão do anjo. – Cas... Você precisa continuar sem mim.

– O quê? – não entendeu ele.

Mia passou as mãos pelos cabelos e franziu o cenho quando a enxaqueca se tornou mais forte. Por conta da incômoda claridade, dos últimos raios de sol que brilhavam do lado de fora, ela estreitou o olhar antes de explicar:

– Cas, nós estamos relativamente perto do convento. Você precisa ir até lá. Sem mim e impedir o Bartholomew de fazer o que ele está planejando.

– Eu não vou sem você. – rebateu ele firmemente.

– São só uns vinte minutos andando... – calculou a caçadora ignorando o que Castiel havia dito.

– Eu não posso te deixar aqui, Mia. – reforçou o anjo.

– Você precisa. – insistiu ela.

– Não me peça isso. – disse Castiel.

– Eu vou ficar bem. – afirmou Mia.

Castiel suspirou incrédulo e contrapôs:

– Nós não temos certeza disso e eu não vou pagar para ver. Eu não vou te deixar aqui sozinha, Mia. Eu não me perdoaria se alguma coisa acontecesse com você e...

– E eu não vou me perdoar se alguma coisa acontecer com a Natalie porque você está se recusando a fazer o que é certo. – interrompeu a garota com uma determinação que deixou Castiel sem reação. Depois de uma pausa, ela continuou mais calma – Você sabe que isso é o certo a se fazer agora, anjo. Você é um soldado, lembra? Então seja um soldado, vá até aquele convento e salve o dia como você sempre faz. Você não pode me ajudar agora, ninguém pode, mas você pode ajudar a Natalie, o Dean e os outros. Então vá e faça o que você sabe fazer de melhor. Por favor.

– Mas... – começou a dizer Castiel ainda relutante.

– Eu vou ficar bem. – interrompeu Mia mais uma vez e, em seguida, acrescentou de uma forma serena, tentando passar veracidade – Eu sempre fico bem e agora não vai ser diferente. Acredite nisso e vá. Por favor.

– Tudo bem, eu vou. Mas você vem comigo. – sugeriu o anjo.

– Eu não posso dirigir, Cas. E mesmo que você dirija por mim, eu vou acabar te atrapalhando. E eu não quero isso. – argumentou Mia enquanto a enxaqueca aumentava. – Por favor, não se preocupe tanto comigo. Eu já disse, eu vou ficar bem. É só mais uma daquelas visões. Eu sei que vai passar, mas se você ficar me olhando deste jeito, como se eu fosse um cristal prestes a quebrar, eu vou me sentir cada vez pior. Eu não quero te atrapalhar...

– Mia, você não me atrapalha. – assegurou Castiel sentindo-se incomodado por a garota pensar daquele jeito.

– Então prove. – desafiou ela. – Eu não estou em condições de lutar agora, Cas. Eu admito, eu não estou bem. Mas como você mesmo disse, não há nada que você possa fazer por mim agora. Nada mesmo. Então vá até aquele convento e faça o que precisa ser feito. O que você pode fazer.

– Mia... – relutou ele.

– Por favor. – insistiu a garota controlando a vontade que tinha de fechar os olhos, por conta da dor que se tornava insuportável.

Castiel franziu o cenho ainda preocupado e hesitante. Uma parte dele não queria deixar Mia ali, mas a outra parte sabia que ela estava certa. Ele precisava continuar. Precisava deter Bartholomew de uma vez por todas. Não só por ele ter sequestrado Natalie, mas também por tudo o que ele fez à Mia.

Pensando em tudo isso, ele respirou fundo e respondeu:

– Tudo bem. Eu vou.

Mia, que até então estava tentando convencer Castiel a seguir para aquela missão sem ela, sentiu uma ponta de medo ao se dar conta de que ficaria sozinha ali. Mas ela sabia que aquilo era o certo a se fazer, não queria ser um peso para o anjo naquele momento e realmente acreditava que ficaria tudo bem.

– Ótimo. – murmurou ela disfarçando o medo que sentia. – Então vai. Não se preocupe, eu vou estar aqui quando você voltar. E diga para aquele monstro que Mia Clarke mandou lembranças, ok?

Castiel encarou Mia por alguns instantes. Em seguida, segurou o rosto dela delicadamente entre suas mãos e colou seus lábios nos dela de uma forma carinhosa. Ela ficou aliviada por poder fechar os olhos, já que a enxaqueca parecia melhorar um pouco quando ela fazia isso.

Momentos depois, Castiel afastou o rosto e ela foi obrigada a abrir os olhos. O anjo a olhou profundamente. Ainda preocupado, ele se afastou e saiu do carro enquanto Mia o acompanhava com o olhar, esboçando um leve sorriso.

O anjo deu alguns passos e olhou para trás. Mia acenou discretamente querendo tranquilizá-lo. No entanto, à medida que Castiel se afastava, a visão dela voltou a ficar embaçada até um ponto em que Mia não conseguia enxergar um palmo diante do nariz. Então ela encostou a cabeça no volante e fechou os olhos sentindo a enxaqueca se tornar mais intensa e desconcertante.

O que nem ela nem Castiel sabiam naquele momento era que Dean estava mais adiantado no percurso. O caçador estava bem perto de chegar ao St. Mary's Convent.

XXX

Depois de misturar todos os ingredientes em um grande recipiente sobre o altar, inclusive o sangue de um cordeiro, Bartholomew pegou um punhal sobre a mesa, segurou uma das mãos de Natalie com força e sem hesitar, fez um corte na palma da mão da caçadora, que gritou de dor e instintivamente se contorceu e tentou se soltar.

– Son a of a bitch! – xingou ela com muita raiva.

– Desculpe, eu esqueci de avisar que o seu sangue é necessário para abrir o portal. – disse o anjo com certa frieza enquanto Natalie via o seu sangue escorrer dentro do recipiente. Segundos depois, Bartholomew soltou a mão da caçadora e ressaltou – Você é a chave para chegar até a Primeira Espada, lembra?

Natalie segurou a mão ferida e a fechou contra o peito antes de responder com raiva:

– E você é um doente. Um anjo que não honra as asas que tem. Oops... Desculpe, eu esqueci que você perdeu as suas quando caiu lá de cima.

– Eu espero que a sua simpatia por mim não te faça desistir de me ajudar. Oops... Eu esqueci que você não tem outra escolha. – rebateu Bartholomew lhe lançando um sorriso soberbo.

– Você está certo. Eu não tenho escolha. Então vamos parar de papo furado e abre logo essa droga de portal. Eu soube que o clima no Inferno nesta época do ano é uma delícia. – devolveu Natalie sentindo uma raiva ainda maior.

– Tudo bem. – assentiu o anjo encerrando aquela discussão.

Então rapidamente ele empurrou a vasilha com todos os ingredientes do feitiço, fazendo todo o conteúdo dela cair no chão, próximo aos pés dele e de Natalie que, por não estar esperando que Bartholomew fosse fazer aquilo, teve um pequeno sobressalto e soltou um palavrão baixinho.

Ela ia perguntar se aquilo fazia parte do feitiço ou se ele era atrapalhado mesmo, quando o anjo abriu os braços, ergueu um pouco as mãos e começou a pronunciar palavras estranhas que Natalie deduziu se tratar de enoquiano.

No entanto, logo Natalie parou de prestar atenção no que ouvia e olhou para o chão. Deu alguns passos para trás ao perceber que o líquido avermelhado que foi derramado ali começava a se mover sozinho. A se espalhar em volta dela e de Bartholomew, os cercando, criando ramificações para depois se unirem em um enorme círculo.

Impressionada com aquilo e com o coração cada vez mais acelerado, ela demorou para notar que uma leve e inexplicável brisa percorria o ambiente. Mas percebeu que o chão sofreu um leve tremor. Um tremor que se repetiu, mais forte, quando Bartholomew acabou de pronunciar as palavras misteriosas.

O anjo olhou para ela com certa satisfação e só então Natalie entendeu que aquilo estava mesmo acontecendo. Ela iria para o Inferno. Literalmente. E logo. Sentiu medo, mas não demonstrou. Ou pelo menos, tentou disfarçar. Tudo o que ela precisava fazer era se manter firme, ir até as profundezas, pegar a Primeira Espada, matar Bartholomew e voltar. Só isso. Não seria fácil, mas ela não tinha outra escolha.

Natalie ainda pensava nisso quando o chão tremeu novamente, e o líquido que formava o círculo se iluminou, lançando um feixe de luz para cima. Logo, aquela luz esbranquiçada se espalhou ainda mais, ganhando força e intensidade, o que fez Natalie cobrir os olhos com uma das mãos.

Ela olhou para baixo e o chão inteiro estava iluminado por aquela luz sobrenatural e desconcertante. Não conseguia enxergar nada além daquela luz, nem mesmo Bartholomew. Mas Natalie sabia que ele estava por perto. Estreitou o olhar e com dificuldade conseguiu ver o vulto dele ao seu lado. Em seguida cobriu os olhos novamente.

O chão tremeu mais uma vez e Natalie achou que fosse cair. E de fato, ela caiu. Não só ela, mas Bartholomew também... E continuaram caindo... E caindo... Rumo ao Inferno...

Notas finais
Não me odeiem, eu mandei a Naty para o Inferno, mas não me odeiem. Please? A Mia não está bem, mas também não me odeiem. Please? Eitcha... A Mia ficou sozinha... Será que ela estará lá quando o Cas voltar? Será que o Cas vai voltar? E o Dean? Onde está? Eitcha again. Não me odeiem. Confiem em mim. E sim, eu me inspirei bastante no final da 4ª temporada para escrever este capítulo, com o lance do sangue formando ramificações no chão, com a luz forte saindo do chão e tal. Por falar nisso, a imagem da estátua do anjo, é do episódio em questão (4X22). Bem, reviews? PS: Será que o plano da Natalie de matar o Barth vai dar certo? PS2: "Eu vou ficar bem. Eu sempre fico bem e agora não vai ser diferente." Mia Clarke. Sabe de nada, inocente... Oi? A qualquer momento, se me der a louca, capítulo novo, ou então só na quarta-feira. Bjs!