Crossfire

51 Welcome to the Hell


Notas iniciais
Oi! Eu de novo e em menos de 24 horas desde o último capítulo (bem menos). Bem, dedico este capítulo para a Luna Morales porque ela me fez ligar o Loki de novo (Loki é o nome do meu notebook) para postar mais este capítulo hoje. A moçoila alegou que ficou muito agoniada com o final do capítulo anterior e, por isso, não ia aguentar esperar até quarta-feira. Como sou muito boazinha... cof cof... Aqui está mais um capítulo meigo que vai te deixar agoniada do mesmo jeito. kkkkkk Brincadeiras à parte, o capítulo ficou meio grandinho (como a maioria dos capítulos desta fase final), mas eu não tinha como dividí-lo. E nele vocês poderão conferir como esta pessoa maluca que vos escreve imagina o inferno. Uma mistura do que foi mostrado no final da terceira temporada com alguns devaneios meus mesmo. Tenso. Muitas coisinhas vão acontecer agora e eu não vou dar nenhuma diquinha... Welcome to the Hell, people... Have fun!

Boa parte das pessoas acredita que o Inferno é um lugar tomado pelo fogo, por chamas impiedosas que nunca se apagam, nunca se esgotam, crepitam eternamente. Um lugar habitado por demônios e almas perturbadas de pessoas que não tiveram uma conduta louvável no mundo material e que, após a morte, foram enviadas para as profundezas, para passarem o resto da eternidade sofrendo de uma forma inimaginável. Sem esperança, sem paz, sem perdão. Apenas flagelo, tortura, sofrimento.

Por isso, quando Natalie abriu os olhos, sentou e olhou em volta, ela teve certeza de que estava naquele lugar. No inferno. Exceto pela parte do fogo. Porque havia sim, várias chamas altas e a perder de vista, mas elas ficavam em lugares específicos daquela imensidão desoladora. Uma imensidão tomada por uma fumaça infinita, densa e negra, cortada por várias nuances vermelhas e roxas, que se tornavam visíveis toda vez que relâmpagos sinistros iluminavam brevemente o lugar.

Depois dos relâmpagos, os sons de trovões assustadores se propagavam por toda a parte e tudo em volta tremia por alguns instantes. Como se não bastasse o cenário desolador, havia algo ainda mais perturbador no Inferno: os gritos das almas torturadas. Eles eram ouvidos o tempo todo, vinham de todas as direções, em intensidades imensuráveis e se uniam em um coral aterrorizante e ininterrupto que se misturava com as risadas diabólicas de milhares de demônios espalhados pelo lugar em forma de fumaça.

Diante daquele cenário, Natalie engoliu em seco e tentou respirar profundamente. Sentiu-se muito mal ao fazer isso. O ar (se é que podia-se chamar aquilo de ar) era quente, sufocante e o cheiro de enxofre era insuportável.

Natalie precisou de alguns instantes para se habituar ao ambiente. E só então viu onde estava sentada. Era uma espécie de rocha negra, sobre uma elevação montanhosa que dava uma visão panorâmica e assustadora do Inferno. Levantou devagar e olhou em volta com muito receio.

Seu coração acelerou quando ela entendeu a dimensão do que estava acontecendo. Natalie era uma caçadora e estava no Inferno, cercada por demônios que por algum motivo ainda não tinham percebido a sua presença ali, talvez por estarem ocupados demais torturando almas humanas que rastejavam por toda a parte tentando escapar de seus algozes. Mas era questão de tempo até que eles percebessem que tinham companhia.

Preocupada, Natalie pensou na quantidade de exorcismos que fez ao longo dos anos, em quantos demônios mandou para aquele lugar e em quantos lhe disseram que um dia voltariam para se vingar. E agora ela estava ali, facilitando o trabalho deles, completamente vulnerável e indefesa. Natalie não estava sendo covarde, se fosse preciso ela mandaria todos eles para aquele lugar de novo, mas estar no Inferno, sem nenhuma arma, sem nem um pouco de água benta ou sal, era desesperador.

– Não se preocupe. – a voz de Bartholomew fez a loira virar para trás bruscamente e o olhar sobressaltada. Ele estava em pé e aparentemente tinha surgido do nada. – Eles não podem nos ver. O feitiço que abriu o portal nos deixou invisíveis aos olhos dos demônios. Não por muito tempo, é claro. Só o tempo suficiente para pegarmos a Primeira Espada e voltarmos. – explicou o anjo.

Instintivamente, Natalie respirou aliviada. E tossiu sufocada quando aquele ar contaminado queimou as suas narinas e invadiu a sua garganta. Se abaixou um pouco, apoiando as mãos nos joelhos e olhou para Bartholomew. Ele parecia tão tranquilo e bem naquele lugar que Natalie se sentiu profundamente irritada. Com certeza, anjos não precisavam respirar e por isso ele estava aguentando tudo aquilo.

– Humanos... – murmurou o anjo com ar de superioridade. – Tão frágeis.

Para não dar aquele gostinho a ele, Natalie fez um esforço enorme e se endireitou. Respirou de leve filtrando uma quantidade mínima de ar e disse com determinação:

– Vamos acabar logo com isso. Onde é a jaula da ovelha negra da família?

– Me siga. – orientou Bartholomew virando de costas e dando alguns passos à frente.

Natalie o olhou com raiva, mas sentiu um certo alívio ao imaginar o que faria com aquele anjo idiota quando ela conseguisse pegar a Primeira Espada. Se aquela arma era capaz de matar Cavaleiros do Inferno, com certeza faria algum estrago nele. Pensando nisso, a loira o seguiu.

Bartholomew caminhava por aquele lugar com muita tranquilidade, enquanto a caçadora tropeçava a cada passo que dava, esbarrando nas pedras espalhadas pelo chão, quase caindo em alguns momentos. Atordoada pelos gritos desesperados e pelas gargalhadas macabras que eram ouvidas o tempo todo naquele lugar.

Mesmo assim ela persistiu e continuou andando até que finalmente os dois chegaram à base daquela montanha. Mas então Natalie ficou paralisada ao olhar para frente e se deparar com algo grandioso e bizarro, a alguns metros dela e de Bartholomew. Era uma enorme jaula, tanto em altura como em largura.

A caçadora olhou para cima e não teve certeza se estava olhando para o fim daquela estrutura ou se aquilo continuava até os limites do Inferno.

As grades possuíam um brilho incandescente, como se fossem feitas de fogo ou estivessem em uma constante combustão. Não era possível ver nada dentro da jaula porque aquele fogo que a envolvia impedia uma visão mais detalhada do seu interior. Mas apesar de não ver nada, Natalie ouvia sons vindos de dentro daquela prisão. Sons assustadores que pareciam gritos, gemidos agoniados e sussurros indecifráveis.

Bartholomew, que continuava caminhando até aquele momento, parou e olhou para trás ao perceber que a caçadora não o acompanhava. Ansioso para terminar logo com tudo aquilo, ele intimou:

– Está na hora de cumprir o seu destino, Natalie. Continue andando.

A loira desviou o olhar da jaula e fitou o anjo por alguns instantes antes de voltar a olhar para a prisão de Lúcifer (e também de Miguel e de Adam) e dar um passo para trás.

– Eu não vou chamar de novo. – avisou Bartholomew duramente demonstrando certa impaciência.

Natalie sentiu o seu coração acelerar e o seu corpo se contrair em um arrepio violento. Quando conversou com Dean sobre ir para o Inferno, ela não pensou de verdade em como aquilo iria funcionar. Em como seria difícil cumprir aquela missão. Só agora, Natalie tinha se dado conta de que não fazia ideia de como iria conseguir pegar a Primeira Espada. Não fazia ideia do significado de “ser a chave que ia levar até aquela arma”. E não tinha certeza se queria descobrir.

Tensa, ela deu mais um passo para trás, mas quando ia se afastar ainda mais, numa tentativa irracional de fugir dali, Bartholomew a alcançou e segurou no braço da caçadora com força, a puxando em seguida, obrigando Natalie a continuar caminhando, praticamente a arrastando em meio às pedras que cobriam aquela superfície diabólica.

– Me solta! – gritou Natalie tentando se desvencilhar daquele anjo maldito.

– Desculpe, mas isso não vai acontecer. Você tem um papel a desempenhar e eu vou garantir que você o desempenhe. – assegurou o anjo.

XXX

Enquanto isso, Dean estacionava o Impala nas proximidades do St. Mary’s Convent. Ficou observando o lugar a uma distância segura e viu alguns vultos através de uma janela revestida por um vitral antigo e mal conservado.

– Anjos... – deduziu ele antes de pegar um celular no porta-luvas e ligar para o irmão. Ele queria saber se teria cobertura ou se teria que entrar naquele lugar sozinho mesmo.

– Dean?! – atendeu Sam com uma mistura de desespero e alívio por finalmente o mais velho ter entrado em contado. – O que deu em você? Por que não atendeu as minhas ligações? Onde você está?

– Eu estou nos fundos do antigo convento, Sammy. – respondeu Dean ignorando as outras perguntas. – E você?

– Eu e a Claire estamos quase chegando. Nós já estamos bem perto. Eu acho que mais uns trinta minutos e nós estaremos aí. – respondeu o caçula enquanto Claire dirigia ao lado dele. – A Mia e o Cas estão mais adiantados. A qualquer momento, eles vão...

– Eu não posso esperar, Sammy. – interrompeu o mais velho.

Assustado com a postura do irmão, o Winchester mais novo demorou um pouco para recomeçar:

– Dean, o convento deve estar cheio de anjos.

– Daqui eu contei uns cinco, talvez seis. – relatou o mais velho com uma calma superficial porque no fundo ele estava desesperado para resgatar Natalie, mesmo que isso o colocasse em risco iminente.

– Dean, você não pode entrar lá sozinho. – insistiu Sam enquanto Claire acelerava o carro ao deduzir que o cunhado estava disposto a fazer qualquer coisa e a não esperar por ninguém.

– Eu sinto muito, Sammy, mas eu não tenho escolha. – argumentou o Winchester mais velho antes de desligar.

– Dean? Dean?! – chamou o mais novo em vão antes de se dar por vencido e afastar o celular da orelha.

Visivelmente preocupado e tenso, Sam olhou para Claire e ela acelerou ainda mais enquanto Dean saía do Impala. Ele deu a volta no veículo e abriu o porta-malas. Pegou duas espadas contra anjos (duas das dezenas que Castiel havia recolhido em várias cenas de crimes decorrentes de lutas entre anjos), uma espécie de galão com óleo santo, usado em armadilhas contra anjos, e uma mochila que colocou em um dos ombros.

– Ok, hora do show. – anunciou Dean antes de fechar o porta-malas e começar a caminhar decidido na direção do convento.

XXX

Enquanto isso no Inferno, Bartholomew soltou o braço de Natalie sem qualquer cuidado e ela caiu de joelhos em frente a jaula de Lúcifer. Assustada, a caçadora recuou, tentou levantar e caiu sentada apoiando as mãos no chão.

– Comece a procurar. – ordenou Bartholomew.

Natalie franziu a testa sem entender e questionou:

– Onde?

– Na jaula. Onde mais? – rebateu Bartholomew suspirando irritado diante de uma pergunta que para ele tinha uma resposta muito óbvia. – Eu não sei exatamente o que você descobriu sobre a localização da Primeira Espada, mas o que nós anjos sabemos é que ela está dentro da jaula, em algum lugar próximo da base. Então pare de fazer perguntas idiotas e procure de uma vez.

Natalie estreitou o olhar com muita raiva enquanto encarava o anjo. Sentiu o seu sangue ferver quando ele disse aquelas coisas.

– Sabe... – começou ela. – Eu mandaria você para o Inferno, mas olha só! Aqui estamos nós.

– Procure. – ordenou Bartholomew ignorando a provocação.

Natalie sentiu mais raiva ainda, porém ao lembrar o que faria com Bartholomew quando encontrasse a Primeira Espada, respondeu de uma forma cínica:

– Ah... Eu vou procurar. Pode ter certeza disso.

Sem esperar mais nem um segundo, Natalie levantou e começou a caminhar em volta da jaula, olhando para baixo, procurando qualquer sinal da arma que estava tentando encontrar enquanto novos gritos e ruídos assustadores eram ouvidos dentro da prisão do diabo.

A jaula tinha a largura de um prédio comercial e Natalie demoraria bastante para completar uma volta completa porque tinha que examinar cada centímetro daquela estrutura.

Enquanto caminhava, Natalie sentia toda a impaciência dos passos de Bartholomew atrás dela...

XXX

O que nem Natalie nem Bartholomew imaginavam era que naquele momento, Dean estava dentro do convento. Ele havia encontrado uma entrada no fundo do lugar e teve tempo de esconder a mochila, o galão com óleo santo e de "preparar o terreno", antes de ser surpreendido por um dos aliados de Bartholomew em um dos corredores iluminados por dezenas de velas.

Determinado, Dean cravou uma das espadas contra anjos certeiramente no coração daquele receptáculo. O anjo gritou enquanto seus olhos se iluminavam com uma forte luz branca, bem como o interior de sua boca.

Por fim, Dean retirou a espada do peito do anjo e este caiu no chão. Morto. Mas ao olhar para o final do corredor, Dean percebeu que o grito daquele anjo havia chamado a atenção de mais dois aliados de Bartholomew que, ao verem o irmão morto no chão, encararam o caçador com um ódio profundo e uma sede de vingança perigosa.

Dean não se intimidou e desafiou:

– Quem é o próximo?

Enquanto os dois anjos se aproximavam a passos largos, Dean seguiu na direção oposta encenando certo arrependimento por ter os provocado, já que ele era minoria.

No entanto, quando os anjos viraram em um corredor, seguindo o caçador, descobriram que Dean tinha os atraído para uma armadilha. O Winchester segurava um isqueiro com uma das mãos e os aliados de Bartholomew não tiveram tempo de fugir dali. Antes disso, Dean jogou o isqueiro no chão e chamas altas se formaram em volta deles. Em um círculo. Uma armadilha de fogo e óleo santo. Mortal para anjos. Eles não podiam cruzar aquelas chamas ou certamente morreriam de uma forma no mínimo dolorosa.

Os dois anjos, que haviam trazido Natalie e Bartholomew até ali, encararam Dean ainda com mais raiva até que ele perguntou com firmeza:

– Onde está a Natalie?

Um dos anjos sorriu ao responder com satisfação:

– No inferno.

Dean recebeu aquelas palavras como um enorme golpe. Sentiu o seu coração ficar apertado e doer profundamente. Lhe faltou o ar. Por um momento que pareceu uma eternidade, ele sentiu que o chão tinha sumido embaixo dos seus pés.

Então era isso? Ele não tinha chegado a tempo? Bartholomew tinha mesmo feito aquilo? Ele tinha arrastado Natalie para aquele lugar horrível de onde Dean ainda guardava lembranças extremamente dolorosas? Natalie estava no Inferno?

Atordoado, Dean voltou a olhar para os anjos e percebeu que eles observavam algo por cima do seu ombro.

Ao ouvir passos atrás de si, o Winchester se virou rapidamente enquanto erguia a espada contra anjos na direção de um dos aliados de Bartholomew que se aproximava. Sem hesitar, perfurou a garganta dele de baixo para cima e rapidamente pegou, com a outra mão, a segunda espada que trazia consigo em um dos bolsos da jaqueta. Acertou o outro anjo que acompanhava aquele e fechou um pouco os olhos, incomodado com a luz cegante que os anjos produziram ao serem atingidos.

Quando Dean retirou as espadas, os dois caíram no chão. Mortos...

Os anjos que estavam presos na armadilha engoliram em seco e observaram, apreensivos, Dean se virando devagar para encará-los enquanto segurava firmemente as espadas em cada uma das mãos.

– Quantos são? – indagou o caçador com a voz extremamente grave e um olhar determinado e feroz.

Assustados, os anjos hesitaram e não conseguiram responder. Nem se quer tinham entendido aquela pergunta. Mas quando viram Dean caminhando até uma mochila no meio do corredor e voltando com um galão em uma das mãos, enquanto segurava as duas espadas com a outra, eles gritaram ao mesmo tempo:

– Espera!

Dean parou diante deles e intimou:

– Quantos anjos tem aqui? Quantos vocês são? – e como eles hesitaram de novo, Dean abriu a tampa do galão de óleo santo e anunciou com deboche – Ótimo! Anjos fritos é o que teremos para o jantar.

– Não! – gritou um deles enquanto o outro ainda questionava se devia ou não trair Bartholomew.

Dean se deteve e disse impaciente:

– Eu estou esperando.

– Nove com o Bartholomew. – respondeu o anjo. – Mas ele não está aqui no momento. Bartholomew foi ao Inferno com a Natalie. Vai voltar a qualquer momento.

– E onde estão os outros? – questionou o caçador enquanto os dois anjos se entreolhavam atônitos. – Tudo bem... – murmurou Dean jogando a tampa do galão no chão ao perceber que eles não iam dizer mais nada.

– Espera! – gritou o outro anjo convencido de que não tinha outra escolha a não ser trair Bartholomew e seus irmãos que estavam espalhados pelo convento.

Dean parou novamente...

XXX

A impaciência de Bartholomew estava deixando Natalie cada vez mais nervosa. Ele achava que era fácil encontrar a Primeira Espada? Aquilo era pior do que procurar a tal agulha em um palheiro. Natalie estava no Inferno, diante de uma jaula de fogo que comprometia a sua visão e fazia o suor escorrer por sua testa. Não era uma missão fácil.

A loira estava um pouco curvada, olhando para baixo, dando pequenos passos e percorrendo com os olhos cada centímetro daquela prisão, enquanto a tensão crescia a cada instante junto com a impaciência daquele anjo atrás dela.

Foi então que Natalie parou ao ver algo entre as chamas da jaula e seu interior fumegante. Era algo no formato de uma espada, mas com um design no mínimo rústico. A lâmina, na verdade, possuía dentes animalescos e a bainha parecia ser feita de um couro antigo. Era uma arma feita com uma mandíbula de um animal pré-histórico. E devia ter algo sobrenatural nela porque o fogo em volta não a danificava nem um pouco.

Natalie teve certeza. Aquela era a Primeira Espada.

– Por que você parou? – questionou Bartholomew.

– Porque eu a encontrei. – esclareceu a loira apontando o dedo indicador na direção do achado.

Os olhos de Bartholomew brilharam ao verem o que ela via e prontamente ele ordenou:

– Pegue-a.

– Como? – quis saber a loira. – Eu vou me queimar.

– Não, não vai. – assegurou o anjo. – Qualquer um se queimaria, mas você não. Você é a escolhida, Natalie. Só você pode fazer isso. É o seu destino.

– Eu... Eu não sei... Se acredito nisso... – titubeou ela dando alguns passos para trás enquanto balançava a cabeça negativamente.

Bartholomew a segurou nos ombros e Natalie ficou imóvel. Estava tão atordoada diante de tudo que estava acontecendo e por ter encontrado a Primeira Espada que não se opôs aquela proximidade.

Em seguida, o anjo disse calmamente:

– É verdade, Natalie. Está escrito que o espelho do receptáculo de Miguel é a chave para a Primeira Espada. Então se você ama mesmo o Dean e se acredita que ele te ama, você não tem motivo para duvidar de que é capaz de fazer isso. Então faça. Pegue aquela arma, Natalie. Agora.

Voltando a si, a caçadora se afastou rapidamente de Bartholomew. O olhou com ódio e respondeu entredentes:

– Pode deixar. Mas não encosta essas mãos imundas em mim.

Então a loira se aproximou da jaula de Lúcifer e se abaixou diante dela. Ficou olhando para a Primeira Espada enquanto o seu coração acelerava. Um pouco por estar diante de uma arma que testaria em Bartholomew assim que tivesse a oportunidade, mas principalmente por tudo que aquilo significava. Se ela conseguisse pegar a Primeira Espada, isso provaria que ela é mesmo o espelho do receptáculo de Miguel, ou seja, em palavras mais românticas, a alma gêmea de Dean Winchester.

A loira suspirou e fechou os olhos por um breve instante ao perceber que não precisava provar absolutamente nada para ninguém. No fundo do seu coração, ela sabia que aquilo era verdade. Dean era o homem que ela amava. Que a tirava do sério algumas vezes por ser tão idiota, mas que ela amava incondicionalmente. Loucamente. Para sempre.

Pensando nisso, a caçadora respirou fundo, sem se incomodar com o cheiro de enxofre daquele lugar, esticou o braço e aproximou a mão direita das grades incandescentes da jaula de Lúcifer. As chamas crepitavam na base dela e novos sussurros e gritos foram ouvidos em seu interior.

Natalie hesitou, Bartholomew entendeu o motivo e explicou:

– Eles não podem te tocar. Não podem te ver assim como os demônios deste lugar. Mas não por muito tempo. Então se apresse.

Natalie fixou o olhar na Primeira Espada e esticou mais a mão. Fechou os olhos e sussurrou para que Bartholomew não ouvisse:

– Eu te amo, Sr. Awesome. E eu estou colocando a minha mão no fogo, literalmente, porque eu sei que a recíproca é verdadeira.

Natalie sentia o seu coração bater freneticamente dentro do peito à medida que lembrava de alguns momentos que passou com Dean e do que sentia por ele.

Esticou mais a mão e lentamente ela atravessou as grades da prisão de Lúcifer e alcançou a Primeira Espada. Natalie abriu os olhos e ficou boquiaberta ao perceber que as chamas não a incomodavam, não a queimavam.

Com a respiração acelerada, ela segurou aquela arma entre os dedos e retirou a mão de dentro da jaula. Aproximou aquela espada do seu rosto e a observou meticulosamente.

– Eu consegui... – murmurou ela.

– Entregue para mim. – ordenou Bartholomew.

O coração de Natalie deu um salto quando ela lembrou do que precisava fazer. A emoção de comprovar que a profecia era verdade e que ela e Dean eram mesmo feitos um para o outro, deu lugar a raiva novamente.

– Claro. – acatou ela enquanto segurava a Primeira Espada com mais força e se levantava devagar.

Então tudo aconteceu muito rápido...

Com uma expressão raivosa e decidida, Natalie se virou empunhando aquela arma na direção de Bartholomew. Mas quando ela ia golpeá-lo no coração, ele segurou o seu pulso com uma força que a fez gritar de dor e soltar a Primeira Espada, que caiu próxima aos pés do anjo.

Com a outra mão, Bartholomew acertou o rosto de Natalie com um tapa violento e a soltou em um impulso, fazendo a loira cair no chão e bater a cabeça em uma das pedras daquela superfície, que era iluminada pelas chamas da jaula de Lúcifer e pelos relâmpagos que cortavam a fumaça negra que cobria o Inferno.

Zonza, sentindo um forte enjoo e assustada diante daquela agressão, Natalie tentou se recompor e se arrastou um pouco em meio à terra escura embaixo do seu corpo. Olhou na direção de Bartholomew e observou ele se abaixando, pegando a Primeira Espada e se erguendo de novo. Ela passou a mão pela testa e seus dedos ficaram molhados e tingidos de sangue.

Então o anjo a olhou friamente e disse:

– Eu imaginei que fosse tentar fazer isso. Me trair desta forma.

– Te trair? – repetiu Natalie sem acreditar no que estava ouvindo. – Você me sequestrou e me trouxe para o Inferno!

– Exato. E agora eu vou te deixar aqui. No Inferno, que é o lugar de traidores. – anunciou Bartholomew, fazendo Natalie arregalar os olhos surpresa e ainda mais assustada.

– Você não pode... – começou a dizer a loira, mas parou sentindo sua voz oscilar.

– Eu posso e vou. – afirmou o anjo. – Mas não pense que isso me deixa feliz, Natalie. Não era isso que eu planejava. Eu realmente ia te tirar daqui comigo e você poderia voltar para a sua vida, para o seu... Sr. Awesome. Mas agora... Diante disso.. Eu sinto muito. Mudança de planos.

Ao terminar de dizer isso, Bartholomew lhe deu as costas e começou a caminhar. Natalie tentou se levantar, mas ficou extremamente tonta e desistiu.

Uma fumaça negra passou por ela e a loira conteve a respiração. Sabia que os demônios não podiam vê-la, pelo menos não por enquanto, mas não tinha certeza se eles não podiam sentí-la de alguma forma.

Quando a fumaça sumiu em meio à uma chama a alguns metros dali, Natalie gritou desesperada tentando se levantar de novo:

– Bartholomew! Você não pode me deixar aqui! Seu desgraçado!

O anjo, que caminhava apressado em meio às sombras sinistras produzidas por tudo que havia no Inferno, gritou de volta sem olhar para trás:

– Aproveite a estadia! Eu tenho certeza que você vai encontrar velhos amigos por aqui, Natalie! Que estão com muita saudade de você!

Finalmente, Natalie conseguiu se erguer. Olhou em volta assustada. Assustada com todo aquele cenário demoníaco à sua volta, mas assustada principalmente porque ele estava desaparecendo diante dos seus olhos. Sua visão tornava-se turva a cada instante e aquela sensação de tontura fazia suas pernas cambalearem toda vez que ela tentava dar um passo. Colocou a mão na cabeça mais uma vez e a última coisa que viu foi mais sangue escorrendo pelos seus dedos trêmulos.

Natalie sentiu seu corpo tombar de encontro ao chão e o calor que emanava da jaula de Lúcifer se tornou algo distante. Assim como todo o resto. Perdeu a consciência enquanto ouvia ao longe sussurros sinistros vindos da prisão do diabo...

XXX

Quando Bartholomew atravessou o portal e surgiu no meio daquela sala, que no passado abrigou a capela do convento, a primeira coisa que ele viu foi um dos seus aliados caindo no chão. Morto com uma perfuração no peito.

Surpreso, ele se afastou do portal e deu alguns passos na direção do corpo desfalecido do anjo. Parou e ergueu o olhar na direção de um intruso parado diante da porta e que segurava uma espada ensanguentada em uma das mãos.

Bartholomew suspirou incrédulo e disse:

– Dean Winchester, justamente quem eu não queria ver agora.

O caçador estava visivelmente chocado com o que estava vendo. Havia uma luz branca extremamente forte no centro da sala. Muito parecida com a luz que emanou naquele mesmo lugar na noite em Lúcifer foi libertado.

– Você deve ser o Bartholomew, certo? – deduziu o Winchester voltando a si. – Ótimo... Porque só falta você.

O anjo olhou para o caçador um tanto impressionado e Dean esclareceu:

– Pois é, eu matei os seus anjos. Todos eles. Espero que você não se importe.

Bartholomew pensou um pouco e respondeu com desdém:

– Não, na verdade eu não me importo nem um pouco. Eles eram apenas soldados completamente descartáveis e substituíveis. Eu tenho outros aliados perto daqui, então...

– Onde está a Natalie?! – interrompeu Dean furioso ao ver que o anjo segurava algo que ele imaginava ser a Primeira Espada.

Após um longo silêncio, Bartholomew respondeu friamente:

– Ela não foi uma boa menina, então eu a deixei para trás.

– Você o quê...? – perguntou o Winchester enquanto segurava a espada contra anjos com mais força à medida que a raiva e o desespero cresciam dentro dele.

O anjo observou aquele gesto e começou a caminhar lentamente em círculos. Dean também passou a se mover daquela forma e ergueu a espada até a altura do peito enquanto encarava o anjo com muito ódio tentando disfarçar que no fundo estava desesperado por causa de Natalie.

– Qual é, Dean? Você não vai me matar. – recomeçou Bartholomew.

– Como você tem tanta certeza? – questionou ele em tom ameaçador.

– Porque você não pode me matar. Eu sou um anjo bem mais forte do que esses que você matou hoje. Pelo o que eu entendi, você os pegou desprevenidos, mas eu... Eu estou diante de você agora e eu também tenho uma arma. – disse o anjo mostrando a Primeira Espada. – Uma arma que eu não quero usar em você, Dean, mas eu vou, se você não sair do meu caminho. Se bem que... Talvez nem seja necessário usá-la. Eu posso simplesmente estalar meus dedos e fazer os seus pulmões desaparecerem. De qualquer forma, eu prefiro evitar tudo isso. Eu só quero sair daqui, ir atrás daquela vadia ruiva e matá-la. No fim, nós estamos do mesmo lado, Dean.

– Em primeiro lugar, eu não estou do seu lado nem nunca vou estar. Em segundo lugar, você não está evitando uma briga, você está fugindo dela. E o meu palpite é porque abrir este portal te enfraqueceu um pouco. – expôs Dean e ao perceber algo no olhar de Bartholomew, ele teve certeza que estava certo. – Você não pode estalar os dedos e acabar comigo porque os seus poderes foram enfraquecidos quando você abriu este portal e foi para o Inferno, não é? – provocou Dean parando de andar em círculos, o que levou o anjo a fazer o mesmo.

Os dois se encararam em silêncio. Suas posições tinham sido invertidas. Agora Bartholomew estava mais próximo da porta e Dean estava de costas para o portal.

A tensão crescia a cada instante até que de repente, Dean olhou rapidamente para trás, na direção da forte luz que envolvia o portal, e percebeu que ela oscilou um pouco.

– O que foi isso? – perguntou ele preocupado voltando-se para Bartholomew.

O anjo sorriu e respondeu:

– O portal está se fechando.

– O quê...? – perguntou Dean apavorado ao se lembrar de que a mulher que amava estava presa no Inferno. – Natalie... – murmurou o caçador com o coração apertado e com o olhar perdido.

– Você tem duas escolhas, Dean Winchester. – anunciou Bartholomew fazendo o caçador se concentrar nele. – Insistir nesta ideia de lutar comigo e perder ou... Ir atrás da sua adorável esposa enquanto eu deixo esta sala e desapareço da vida de vocês para sempre. – após uma pausa encarando Dean, Bartholomew intimou – Então? Como vai ser? O que é mais importante para você? Me matar ou salvar a Natalie? O portal não vai ficar aberto por muito mais tempo. Você precisa decidir...

Dean deu um passo para trás na direção do portal no instante em que a luz se tornou mais fraca e respondeu:

– Eu posso não te matar agora, mas... Você não vai sair andando deste lugar. Isso eu te garanto.

Bartholomew franziu a testa confuso, mas logo entendeu que Dean estava insinuando que outras pessoas estavam à caminho dali. Sem perder a pose, e enquanto a luz do portal se tornava mais oscilante, ele encerrou secamente:

– Adeus, Dean. E boa sorte. Você vai precisar.

Rapidamente, Bartholomew lhe deu as costas e saiu daquela sala. Dean olhou para o centro do portal próximo dos seus pés e fechou os olhos. Pensou em Natalie e respirou fundo tentando conter o desespero que sentia. Era como se tivessem tirado uma parte dele e agora ele precisava desta parte de volta urgentemente. E iria até o Inferno para recuperá-la. E se não conseguisse voltar, pelo menos ele estaria com ela. Ficaria com ela.

– Eu te amo, baby... – sussurrou Dean antes de dar um passo a frente e pular dentro do portal.

E então a sala ficou vazia...

XXX

Enquanto isso, Bartholomew caminhava apressado pelos corredores do convento abandonado. Ao se deparar com os corpos dos seus aliados mortos, ele passou por cima deles como alguém que desvia de uma poça d'água.

Ele continuou caminhando enquanto guardava a Primeira Espada no bolso interno do terno e virava no próximo corredor em direção à saída. Foi então que algo aconteceu e surpreendeu o anjo.

Bartholomew não teve tempo de pensar, de entender o que estava acontecendo, muito menos de reagir. Antes disso, o soco de alguém que tinha acabado de chegar acertou o seu rosto em cheio o arremessando com uma força descomunal em direção ao final do corredor. Ele sentiu seu corpo deslizar pelo chão até se chocar violentamente contra a parede.

Atônito, o anjo ergueu a cabeça e viu um homem se aproximando a passos largos e decididos enquanto o sobretudo que ele usava balançava acompanhando os movimentos do seu corpo.

– Castiel... – balbuciou Bartholomew ao reconhecer o irmão que o encarava com um olhar cheio de ódio.

Notas finais
Nem sei o que dizer deste capítulo. Bem, vamos por partes. Deu um trabalho do cão, mas adorei. Capítulos com ação são meus martírios, e eu me ferrei porque em Crossfire, daqui pra frente, vai ter bastante ação. Oremos. Dean estava muito fodástico matando o que via pela frente para conseguir chegar até a Natalie. Pena que ele chegou tarde demais... Sobre este lance dele ir para o Inferno para salvá-la ou então para ficar com ela (ai que romântico) me inspirei em um filme chamado Amor além da vida (assistam). E a aparição do Cas no final... ai meus feelings, eu adoro quando ele aparece assim de repente e salva o dia. A questão é: ele vai conseguir salvar o dia? Bartholomew demorou para aparecer na fic, mas o que ele aprontou nestes últimos capítulos... Minha nossa senhora de Asgard! O Bartholomew é aquele típico anjo que vê os humanos como macacos. Ele queria só um motivo para deixar a Naty para trás e ela acabou dando este motivo para ele. Ou seja, ele não se importa nem um pouco com os humanos, só estava interessado porque a Naty podia ajudá-lo, mas sempre estava pensando nos interesses dele e em mais ninguém. Ou seja, é um son of a bitch. Apesar do Bartholomew, do Inferno e da tensão constante, eu achei este capítulo muito romântico! Deanalie Forever até no Hell! E é isso, espero que tenham gostado e não esqueçam de desabafarem nas reviews. Quero saber tudinho. Confiem em mim. (vou dizer isso em todas as notas de agora em diante porque vocês vão precisar confiar muito nesta louca aqui.) Luna Morales kkkkkkkkkkkkkkkkkk ficou mais agoniada agora? Em breve tem mais um capítulo, só não hoje, mas... quem sabe amanhã ou depois ou quarta kkkkkkkkkkkkkkkk Estou de férias, gente. Então tô aproveitando para rascunhar alguma coisinha da próxima fic. Fico por aqui. No próximo capítulo tem mais hell pra vocês!