Crossfire
6 Sexual Healing
Notas iniciais
Natalie tirou o cinto de segurança, olhou para Dean no banco do motorista e desejou:
– Boa noite, Sr. Awesome.
– Boa noite, Natalie. — retribuiu ele a olhando de volta.
Houve um breve momento de silêncio durante o qual os dois se encararam e em seguida a loira desceu do Impala. Eles não tinham coragem para dizer adeus, mas sabiam que aquilo era o fim. No dia seguinte, os dois deixariam Bedford para trás e cada um iria para um lado.
Dean ficou pensando nisso enquanto observava Natalie caminhando até o hotel. E a loira ainda pensava nisso quando abriu a porta do quarto e entrou. Ficou apoiada na porta por algum tempo pensando em como Dean era teimoso. Tudo bem, ela havia errado, mas passar uma semana num cativeiro com Abaddon, ouvindo todo o tipo de provocação e sendo torturada quase o tempo todo, a deixou fragilizada e até um pouco burra. E então quando ela consegue escapar, liga para Dean e uma mulherzinha atende? O que ele queria que ela pensasse?
Ao lembrar daquele incidente, Natalie ficou com raiva de novo. E com muito ciúme. Mas em seguida, respirou fundo e lembrou que tudo não passou de um grande mal entendido. Dean não teve culpa e ela o julgou mal. Ponto final.
O que Natalie não conseguia entender era que ela já havia reconhecido o erro e pediu desculpas para Dean. Mais de uma vez, aliás, o que para ela era um verdadeiro progresso já que também era muito orgulhosa. E no entanto, ele permanecia irredutível. O que era ridículo diante da quantidade de indiretas que ele mandou para ela enquanto os dois trabalhavam no caso da sereia. Além disso, teve aquele beijo entre eles mais cedo. Não qualquer beijo, mas AQUELE beijo.
Natalie sentiu suas pernas ficarem trêmulas ao lembrar daquele beijo e caminhou até a cama. Sentou e ficou olhando para o par de All Star nos seus pés enquanto voltava a pensar naquele beijo. E tinha ficado bem claro que Dean também havia gostado muito daquilo. E estava na cara que ele queria fazer as pazes tanto quanto ela. Mas parecia que a mágoa que ele sentia era maior do que a vontade de colocar um fim naquela discussão.
Cansada de pensar naquelas coisas, Natalie deitou na cama e roçando os pés um no outro tirou o tênis. Depois soltou os cabelos e ficou olhando para o teto.
Enquanto isso, Dean parou de olhar para a janela do quarto de Natalie. Sem ânimo para voltar para o seu quarto, ele olhou para o rádio do Impala. Viu que havia um CD no display, mas não lembrava de que cantor era. Então apertou o botão para reproduzir e começou a tocar Sexual Healing do Marvin Gaye. Aquele era um dos CDs da Natalie. O mesmo que os dois ouviram no quarto dela, no bunker, há alguns meses.
Dean sorriu ao lembrar das coisas que eles fizeram enquanto o CD tocava. No fim, a cama tinha ido abaixo. Ele suspirou ao lembrar daquilo com saudade. Mas em seguida, lembrou que Natalie passou os últimos meses caçando por aí enquanto ele a procurava feito louco. Feito um idiota.
Com raiva, Dean desligou o rádio e desceu do carro. Minutos depois, entrou no quarto e bateu a porta. Jogou as chaves do Impala em cima da mesa e decidiu tomar um banho rápido. Vestiu-se e estava decidido a deixar o hotel imediatamente. Mas, por algum motivo, Dean hesitou e sentou na cama. Deitou em seguida e acabou esbarrando na mochila que havia deixado perto do travesseiro. Ao afastá-la alguma coisa escorregou de um dos bolsos e caiu no chão. Dean sentou na cama e olhou para baixo. Logo viu onde o objeto tinha caído. Perto do criado-mudo. Esticou o braço e pegou uma caixinha.
Ele sabia muito bem o que havia guardado dentro dela, mas não pôde evitar e abriu mesmo assim. E ao fazer isso, olhou com carinho para o anel que estava guardado ali. O anel que ele deu para Natalie quando a pediu em casamento naquele galpão em Lawrence.
E ela aceitou. Natalie aceitou se casar com Dean mesmo ele não tendo muito a oferecer para ela. Apenas aquela vida maluca que vivia e o amor que sentia. Que ainda sente por ela. E Natalie não parecia querer mais do que isso. Ela estava satisfeita com o que Dean podia oferecer porque era exatamente o que ela tinha a oferecer também. E estava tudo certo, tudo perfeito entre eles até Abaddon separá-los daquela forma. E jogar aquele anel para Dean como uma forma de provocá-lo, de tripudiar em cima da angústia dele.
Mas agora... Natalie estava de volta. Independente do mal entendido que aconteceu entre os dois, ela estava de volta. No quarto ao lado.
Quantas vezes, durante estes três meses, Dean quis que Natalie estivesse assim? Perto dele. Ao seu alcance. E agora que ela estava ali, bem ali, ao lado, ele não conseguia perdoá-la? Não conseguia perdoá-la por ela ter ficado com ciúmes dele e por ter se sentido insegura?
E foi ao pensar nessas coisas que Dean se deu conta de algo muito óbvio. Algo que qualquer pessoa que estava vendo tudo aquilo de fora, teria percebido facilmente. Mas foi só ao ver aquele anel que Dean entendeu tudo. Entendeu que Natalie errou sim, mas foi porque... Porque ela era doida por ele. Porque o amava... Porque sentiu ciúme. E quando amor e ciúme se esbarram, as pessoas tendem a fazer coisas estúpidas. Como se sentirem traídas e sumirem por três meses. Ainda mais quando esta pessoa passou uma semana presa em um cativeiro sendo torturada por um demônio. Ou seja, Natalie estava abalada, fragilizada, não estava raciocinando direito quando cometeu aquele erro.
Mas agora Natalie estava ali. No quarto ao lado. Ao alcance dele. Então Dean olhou mais uma vez para o anel e finalmente tomou uma decisão.
XXX
Natalie ainda estava deitada na cama, com os olhos fechados e repetindo para si mesma:
– Para de pensar nele. Para de pensar nele. Para de pensar... Nele.
Mas quando ouviu o barulho de alguém batendo na porta, Natalie parou de dizer aquelas coisas, abriu os olhos e sentou na cama um pouco sobressaltada. Levantou e enquanto caminhava até a porta perguntou:
– Quem é?
– É o Batman. — respondeu Dean do outro lado e ela riu levemente.
Natalie abriu a porta, se apoiou nela e perguntou:
– Ei, Batman... Algum problema?
Dean ficou alguns instantes sem reação. Parecia que Natalie estava ainda mais bonita do que há alguns minutos. Descalça e com os longos cabelos loiros caindo pelos ombros formando alguns cachos. Sem falar naquela maldita meia arrastão...
Dean parou de olhar para as pernas dela, voltou a si e perguntou:
– Eu posso entrar?
– Pra quê? — quis saber a loira, mas ao perceber que independente do motivo, Dean estava ali e era isso o que mais importava, se afastou um pouco abrindo passagem e respondeu — Claro. Entra.
Dean passou por ela e parou no meio do quarto. Natalie fechou a porta e caminhou até ele. Ficaram frente a frente se olhando por alguns instantes até que ela quebrou o silêncio:
– E então? O que te traz aqui... Batman?
– Você esqueceu uma coisa no meu quarto. — respondeu Dean.
– É mesmo? Que coisa? — estranhou Natalie que não havia dado por falta de nada.
Houve um breve momento de silêncio durante o qual ela percebeu que Dean estava a olhando de um jeito diferente. Parecia que ele não estava mais com raiva e ela notou até certo carinho naquele olhar. Automaticamente o coração da loira acelerou e ela passou uma das mãos pela nuca tentando disfarçar o nervosismo.
– Feche os olhos, Natalie Jones. — pediu Dean sem responder a pergunta que a garota havia feito.
– Por quê? — quis saber ela, mas ao lembrar que o importante era que Dean estava ali, resolveu não discutir e fechou os olhos em seguida.
Então Dean deu um passo a frente e segurou a mão direita de Natalie. Depois colocou a mão no bolso da jaqueta e retirou o anel de noivado. E então o colocou delicadamente no dedo anelar da garota. Para finalizar, trouxe a mão dela até os seus lábios e a beijou suavemente.
Dean sentiu que Natalie havia estremecido com aquele gesto e a ouviu respirar fundo por um instante antes de soltar a mão dela com cuidado e dizer:
– Pronto. Agora pode abrir os olhos.
Natalie obedeceu. E ela não precisava olhar para a mão direita para saber o que Dean havia colocado ali, mas mesmo assim olhou e viu o anel no seu dedo. Sentiu uma emoção forte. Aquele gesto significava que Dean tinha a perdoado, certo?
O coração de Natalie acelerou ainda mais quando ela voltou-se para Dean e encontrou o olhar dele. Sorriu levemente para o caçador. Ele sorriu de volta e então Natalie teve certeza de que sim, Dean havia a perdoado.
A loira já estava doida para fazer uma coisa quando Dean abriu um pouco os braços e pediu:
– Eu estou implorando... Kiss me, baby.
E sem pensar duas vezes, Natalie se jogou nos braços dele, como uma abelha atrás de mel, e colou seus lábios nos de Dean. Ele se desequilibrou um pouco devido ao impulso do gesto da garota, mas logo a abraçou enquanto seus lábios e línguas se envolviam em um beijo apaixonado.
As mãos de Dean subiram pelas costas de Natalie até encontrarem os seus cabelos macios. Então ele a segurou na nuca e ela tirou a jaqueta que Dean vestia e a jogou no chão sem afastar os lábios dos dele. Em seguida, ele começou a caminhar guiando Natalie até uma das paredes onde a encostou instantes depois pressionando o seu corpo contra o dela.
Natalie afastou os lábios por um momento e começou a tirar a camisa de Dean. Ele a ajudou com esta parte enquanto os dois sorriam apaixonados e se olhavam com desejo.
Logo a camisa de Dean caiu próximo aos pés dos dois e Natalie passou as mãos pelo abdômen do caçador subindo por seu peitoral e por seus ombros largos. Em seguida, ela segurou no rosto de Dean o puxando para junto do seu e o beijou novamente. Ele passou as mãos pelo corpo da loira e se concentrou em um dos seus seios que acariciou por cima da roupa fazendo a garota suspirar com o seu toque.
Em seguida, Dean segurou em uma das pernas de Natalie subindo por sua coxa que apertou com muito desejo. Amava aquelas pernas e aquelas meias estavam mesmo mexendo com a imaginação dele. Mas o que Dean mais queria no momento era se livrar delas de uma vez, assim como de todas as outras peças que Natalie usava.
Os dois tinham passado mais de três meses separados e agora precisavam recuperar o tempo perdido, matar a saudade que sentiam e o desejo que os consumiam.
Pensando nisso, Dean colocou as mãos na cintura da garota e começou a erguer a camisa dela. Os dois pararam de se beijar e Natalie ergueu os braços para que Dean retirasse a peça. E foi o que ele fez. E depois de jogar a camisa no chão, Dean abaixou-se, segurou novamente na cintura de Natalie a apertando entre seus dedos e começou a beijar a sua barriga fazendo a loira estremecer com o efeito dos lábios e da língua dele sobre a sua pele quente e macia.
Natalie se encostou ainda mais na parede e fechou os olhos sentindo o seu corpo responder a cada carícia de Dean. Sua respiração estava ficando ofegante e o desejo crescia a cada segundo.
– Eu senti tanto a sua falta, Naty... — confessou Dean entre uma carícia e outra.
– Eu estou vendo... Monge. — respondeu ela rindo levemente e olhando para baixo confessou — Eu também senti a sua falta, Sr. Awesome... Você nem imagina o quanto...
Dean a olhou de volta e subiu as duas mãos pelas pernas da garota enquanto ela mordia o lábio inferior um tanto ansiosa. As mãos dele foram subindo, subindo, subindo... E subindo. Até pararem embaixo da minissaia de Natalie. Depois de alguns instantes, começaram a descer lentamente levando com elas aquela meia arrastão que a loira usava e que fez Dean pensar em tantas coisas impróprias desde que os dois se reencontraram.
Natalie sentia os dedos de Dean tocando suas pernas suavemente enquanto ele terminava de tirar a meia dela. Em seguida, ele levantou e Natalie o envolveu com um abraço apertado e com um beijo que fez uma parte do corpo de Dean reagir imediatamente. Mais do que nunca, ele precisava se livrar das roupas que os separavam.
Pensando nisso, Dean desceu as mãos até o zíper da minissaia de Natalie. O abriu com certa urgência enquanto roçava os pés um no outro para tirar os próprios sapatos. Logo conseguiu se livrar deles.
Então Natalie começou a tirar o cinto da calça de Dean e jogou o acessório no chão ao mesmo tempo em que a minissaia deslizou pelas pernas dela indo parar nos seus pés instantes depois.
Então o Winchester se afastou um pouco e observou Natalie abrindo o zíper da calça dele e descendo a peça lentamente enquanto se abaixava um pouco. À medida que a loira descia a peça, ela ia acariciando as pernas dele e o deixando arrepiado e ainda mais excitado com a carícia.
Logo Dean tirou os pés de dentro da calça e ficou apenas de cueca. Então Natalie começou a levantar e para provocá-lo passou a mão suavemente sobre o tecido da boxer preta que ele usava. Dean fechou os olhos estremecendo levemente e Natalie continuou com a carícia.
– Pelo visto não foi só você que sentiu a minha falta, Sr. Awesome... — insinuou a loira enquanto se aproximava mais de Dean e tocava seus lábios com um beijo envolvente.
Sem aguentar mais aquela tortura, Dean segurou Natalie com firmeza e a guiou até a cama enquanto tirava o sutiã dela e beijava seus ombros veementemente. Deitou por cima de Natalie na cama e começou a beijar e a morder o pescoço da garota enquanto suas mãos deslizavam por seu corpo a acariciando intensamente e por completo.
Natalie suspirava a cada carinho e apertava as costas de Dean o trazendo para mais perto dela. Ele acariciou os seus seios e ela suspirou arqueando a cabeça um pouco para trás. Em seguida, os dois voltaram a se beijar ardentemente enquanto suas pernas se tocavam o tempo todo e a sensação de peito nu contra peito nu aumentava aquela sensação de calor que havia entre eles.
As mãos de Dean desceram pela barriga de Natalie até chegarem em sua calcinha. Então ele a tocou intimamente por cima do tecido e a loira o abraçou mais forte enquanto seu corpo mergulhava em uma espécie de frenesi.
Algum tempo depois, Dean se afastou um pouco e retirou a peça íntima lentamente enquanto olhava profundamente para Natalie. Em seguida, Dean tirou a boxer que usava e voltou a deitar sobre o corpo da garota. A beijou mais uma vez.
E então seus corpos se envolveram ainda mais com carícias cada vez mais intensas e ousadas. Tanto que em dado momento, era difícil dizer onde terminava Dean e onde começava Natalie. Seus corpos ficaram ainda mais quentes, úmidos, suados, trêmulos, envolvidos.
Sem conseguir mais adiar aquele momento, Dean finalmente uniu o seu corpo ao dela. Natalie estremeceu e segurou mais forte nas costas dele. O envolveu com suas pernas enquanto Dean se movimentava vagarosamente dentro dela. Ele foi aumentando o ritmo gradualmente enquanto as suas mãos continuavam acariciando o corpo de Natalie e ela o seu. Os dois se beijavam o tempo todo e a loira arranhava as costas de Dean descendo e subindo por elas à medida que aquela sensação de prazer aumentava entre eles.
Carícias, suspiros, gemidos e os dois rolaram pela cama invertendo as posições várias e várias vezes.
Em dado momento, a cama não resistiu e veio abaixo. Mas nenhum dos dois pareceu se importar com o incidente e apenas riram antes de continuaram se amando ardentemente durante toda a madrugada até ficarem completamente exaustos e dormirem abraçados...
XXX
E no dia seguinte, quando os dois deixaram o hotel, a recepcionista não entendeu porque o casal insistiu tanto em pagar uma quantia a mais. Ela só entendeu o motivo quando foi arrumar o quarto e encontrou a cama quebrada. Além disso, o quarto estava completamente bagunçado como se um time de futebol tivesse dado uma festa ali.
Abismada com o cenário de destruição, a recepcionista se aproximou da janela e viu o casal se beijando apaixonadamente entre um Impala e um Camaro em frente ao hotel. Em seguida, os dois se afastaram e ao notarem que estavam sendo observados por ela, entraram em seus respectivos carros e saíram de lá o mais rápido possível achando aquela situação constrangedora e ao mesmo tempo engraçada.
E foi assim que Dean Winchester e Natalie Jones fizeram as pazes e começaram a viagem de volta ao bunker dos Homens das Letras.
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