Crossfire

7 Alguma coisa maligna


Notas iniciais
Oieeeeeeeeeeee!!!! Eu de novo e desta vez trazendo um capítulo um pouquinho maior. Pero antes, preciso dizer que estou muito happy por causa dos comentários do capítulo anterior... Ai meus feelings! Obrigada, sociedade! E depois de Deanalie, agora é a hora e a vez de Clammy! Gostei muito de escrever este capítulo porque... Sei lá, acho que ficou parecido com um episódio mesmo. Mas, ao contrário de Deanalie (que trabalhou no caso inspirado no episódio da sereia), o caso que unirá (ou não) o casal Clammy, eu tirei da minha cabeça mesmo. Well, Dana Scully e Fox Mulder são personagens da série Arquivo X (que eu amo), lá eles são agentes do FBI investigando paranauês sobrenaturais e até extraterrestres, se envolvem romanticamente em dado momento, e eu decidi pegar os nomes deles emprestados para este devaneio. Bem, é isso. Espero que gostem! E continuem comentando porque eu adoro as coisinhas meigas que vcs escrevem. Lá vai! PRE-PA-RA!

Claire estacionou a Pajero em frente ao IML de Topeka, desceu do carro e caminhou em direção ao prédio. Ela usava um vestido social preto até os joelhos, um longo casaco marrom escuro e um par de Scarpin preto. Os seus cabelos estavam devidamente presos em um coque, o que dava um ar ainda mais sério ao look. Claire odiava se vestir daquele jeito antiquado e formal, mas para se passar por uma agente do FBI era extremamente necessário.

Quando ela entrou no prédio, procurou pelo legista responsável pelas autópsias das vitimas que haviam morrido dias antes em circunstâncias inexplicáveis. Minutos depois, um homem de aproximadamente trinta anos se aproximou. Então Claire pegou a identificação falsa no bolso interno do casaco e mostrou para ele.

– Agente Dana Scully, FBI. — anunciou Claire, porém o homem mal olhou para a identificação que ela segurava.

Ele parecia muito impressionado com a bela mulher que estava na sua frente e deixou escapar:

– Eu não sabia que o FBI estava recrutando agentes tão bonitas.

– Como é? — indagou Claire franzindo a testa e guardando a identificação no bolso.

Rapidamente, o sujeito voltou a si e consertou um tanto atrapalhado:

– O que eu posso fazer por você, Srta. Scully?

– Eu vim por causa das mortes de Audrey Thompson e Joseph Gaye. Eu preciso ver os corpos. — explicou ela.

– Claro. Me siga, por favor. — respondeu o homem indicando um corredor atrás dos dois.

Claire seguiu o legista e minutos depois estava em uma sala relativamente fria e diante de dois corpos em cima de duas mesas. Então o legista pegou os laudos em um dos armários e enquanto Claire vestia luvas descartáveis e examinava os corpos em busca de alguma pista sobre o que podia ter matado aquelas pessoas, ele leu:

– Audrey Thompson, 23 anos, causa da morte: afogamento. Joseph Gaye, 24 anos, causa da morte: afogamento também. Exames preliminares indicaram que as vítimas tentaram reagir. — e após fechar os laudos, ele acrescentou — No entanto, a polícia não encontrou sinais de arrombamento na casa. As portas e janelas estavam intactas. Seja lá o que for que matou estes jovens, entrou e saiu como se fosse um fantasma.

Claire ergueu os olhos e sorriu levemente. Olhou para o crachá do legista e debochou:

– Fantasma? Por favor, Sr. White, não me diga que você acredita nessas coisas?

– Claro que não. Foi só uma força de expressão. Todo mundo sabe que fantasmas não existem. — explicou- se ele.

Claire assentiu e voltou a examinar os corpos. Tanto no pescoço de Audrey quanto no de Joseph havia marcas semelhantes às de estrangulamento. Claire supôs que o que atacou os dois, segurou em seus pescoços forçando as vítimas a ficarem submersas nas banheiras. As mesmas marcas podiam ser vistas em seus braços. Além disso, Audrey e Joseph deviam ter se debatido muito durante os ataques porque havia vários hematomas espalhados por várias partes de seus corpos.

De repente, algo chamou a atenção de Claire no corpo de Audrey. Então ela segurou o braço direito da vítima e forçou um pouco a visão observando que em um dos hematomas havia resquícios de um líquido preto e pastoso.

O legista viu o que a agente estava observando e explicou:

– Nós não conseguimos identificar o que é isso, mas está em vários locais do corpo. E em Joseph Gaye também. De alguma forma, ficou impregnado nos corpos dos dois.

Claire soltou o braço de Audrey com cuidado e aproximou-se do corpo de Joseph. Rapidamente encontrou resquícios do mesmo líquido no pescoço dele.

O legista franziu a testa e perguntou um pouco intrigado:

– Alguma ideia do que possa ser isso, Srta. Scully?

Apesar de saber que aquele líquido preto era ectoplasma, Claire voltou-se para o legista e mentiu:

– Não, nenhuma ideia. — e depois de uma breve pausa pediu — Eu vou precisar de uma cópia dos laudos, por favor.

– Claro. — assentiu o legista e depois saiu da sala para providenciar as cópias deixando Claire sozinha com os corpos.

Ela aproveitou e os examinou mais uma vez e encontrou mais ectoplasma embaixo das unhas das vítimas. Definitivamente, tinha um espírito vingativo por trás daquelas mortes. Um espírito muito irado para produzir tanto ectoplasma.

Dez minutos depois, Claire saiu do prédio carregando uma pasta com as cópias das autópsias. Entrou no carro e deu partida. Enquanto ela virava à esquina, Sam estacionou o carro, que havia roubado no dia anterior, em frente ao prédio, no mesmo lugar onde a Pajero de Claire estava parada há alguns instantes. Logo ele desceu e Claire seguiu rumo à delegacia.

Enquanto ela dirigia, Sam entrou no IML também disfarçado de agente do FBI. Procurou pelo legista responsável e quando o Sr. White se aproximou, o caçador pegou a identificação falsa no bolso do terno e anunciou-se:

– Agente Fox Mulder, FBI. Eu fui designado para investigar as mortes de Audrey Thompson e Joseph Gaye.

O legista ficou visivelmente surpreso ao ver mais um agente do FBI interessado naquelas mortes e disse intrigado:

– Engraçado, deve estar havendo algum engano porque uma agente, também do FBI, acabou de sair daqui e ela veio investigar estes mesmos casos.

E ao ouvir isso, foi Sam que ficou um tanto surpreso. Mas imaginando que a agente que foi ao IML antes dele fosse realmente do FBI, ele tentou desconversar:

– Com certeza deve ter havido algum engano porque eu fui designado para estes casos. Eu tenho certeza que foi a outra agente que se enganou. Mas não se preocupe, eu vou pedir para que o meu superior entre em contato com o superior dela e esclareça o mal entendido. Agora, será que você poderia me mostrar os corpos?

– Claro. Por aqui, por favor. — assentiu o legista indicando um corredor.

Então os dois caminharam em direção à mesma sala onde Claire havia estado momentos antes. E depois de examinar os corpos de Joseph e Audrey, Sam também encontrou o ectoplasma sobre a pele deles. O legista percebeu que o agente parecia muito interessado naquele detalhe e disse:

– A agente Scully também ficou intrigada com esse líquido preto. Alguma ideia do que possa ser, agente Mulder?

Sam parou de olhar para os corpos e voltou-se para o legista. O fato da outra agente ter ficado interessada naqueles resquícios de ectoplasma nos corpos, deixou Sam desconfiado. Por um instante, chegou a pensar que fosse alguma caçadora. Mas logo descartou esta possibilidade porque quando o Garth ligava para falar de algum caso, geralmente não havia nenhum outro caçador envolvido. Pensando nisso, Sam respondeu:

– Não, nenhuma ideia. Mas eu vou precisar de uma cópia das autópsias, por favor.

– Claro. — assentiu o legista saindo da sala para providenciar mais cópias para mais um agente do FBI.

Quando Sam saiu do prédio, Claire deixou a delegacia carregando na pasta cópias dos dois inquéritos policiais. Neles havia uma lista com os nomes dos familiares e amigos das duas vítimas, bem como seus endereços. Então ela decidiu que iria primeiro na casa de Audrey Thompson, enquanto Sam se dirigia à casa de Joseph Gaye.

Isso porque Sam havia passado na delegacia antes de ir ao IML e, portanto, antes de Claire. Ele também estava com as cópias dos inquéritos. E assim como Sam ficou sabendo da existência de outra agente quando foi ao IML, Claire também ficou surpresa quando um dos policiais na delegacia lhe disse que outro agente já havia estado lá mais cedo para investigar aquelas mortes. E assim como Sam, Claire também desconversou e respondeu que devia ter havido algum engano, uma falha na comunicação e por isso o FBI enviou dois agentes para a cidade.

Ela ainda pensava nessa estranha coincidência quando entrou no carro e deu partida.

Meia hora depois, Claire estava na sala de estar da casa de Sharon e James Thompson, os pais de Audrey. Obviamente, o casal estava muito abalado com o que havia acontecido, mas se comprometeu a colaborar com as investigações. Então, Claire perguntou:

– Sr. e Sra. Thompson, a Audrey tinha inimigos? Alguém que... Quisesse fazer mal a ela?

– Não. Audrey era uma boa garota. Todos a adoravam. — respondeu a mãe da vítima enquanto enxugava as lágrimas com um lenço.

O marido passou um braço em volta dos ombros da esposa a confortando e Claire prosseguiu:

– Ela mencionou algo estranho nos últimos dias? Teve algum comportamento suspeito? Como se ela estivesse com medo ou sendo perseguida por alguém ou... Alguma coisa? Ela comentou algo sobre ter ouvido vozes ou quedas na temperatura?

Sharon e James se entreolharam confusos com aquelas perguntas. Foi o marido que quebrou o silêncio dizendo:

– Que tipo de perguntas são essas? E como isso pode ajudar? A polícia disse que ninguém entrou na casa, muito menos naquele banheiro. Audrey estava sozinha quando... Tudo aconteceu.

– Por favor, apenas responda as perguntas. Qualquer detalhe pode ajudar. — insistiu Claire.

Sharon olhou para o marido por alguns instantes antes de voltar-se para a agente do FBI e responder:

– Na verdade, ela mencionou que ultimamente o quarto dela estava muito frio. Mas não disse nada sobre... Vozes.

– Eu posso ver o quarto dela, por favor? — pediu Claire.

Minutos depois, a caçadora abriu a porta do quarto de Audrey e entrou. Sharon e James ficaram no andar de baixo aguardando.

Enquanto isso, Sam entrava no quarto de Joseph Gaye e os pais da vítima aguardavam na sala de estar. Eles se chamavam Lauren e Richard Gaye e também estavam muito abalados com a morte inexplicável e trágica do filho. O casal também contou para o suposto agente do FBI que Joseph reclamou que ultimamente o seu quarto estava muito frio. O pai do rapaz não encontrou nenhum defeito no aquecedor que ficava no quarto e nem ele nem a mãe deram muita importância para aquilo. Mas para Sam aquele detalhe fazia toda a diferença. Estava cada vez mais claro que um espírito vingativo havia matado Joseph. A questão era: por quê? Além disso, por que aquela coisa foi atrás de Audrey Thompson também? Qual era a relação entre as duas vítimas?

Enquanto pensava nisso, Sam retirou o aparelho EMF do bolso do terno e começou a caminhar pelo quarto. O aparelho apitou e as luzes foram ficando vermelhas, mas em seguida, elas oscilaram e ficaram verdes de novo. Isso significava que o espírito que matou Joseph esteve naquele cômodo e a sua energia ainda influenciava o campo eletromagnético do lugar.

Segurando outro aparelho de EMF, Claire também examinava o quarto de Audrey Thompson caminhando lentamente pelo cômodo. E assim como aconteceu no quarto de Joseph Gaye, as luzes vermelhas e verdes oscilaram o tempo todo. O que matou a garota havia estado ali.

Algum tempo depois, Sam e Claire saíram dos quartos das vítimas e foram até os banheiros onde elas morreram. Ligaram o EMF e assim como aconteceu nos quartos, as luzes vermelhas também acenderam enquanto os aparelhos apitavam e depois voltaram a ficar verdes.

Em seguida, os dois guardaram os aparelhos, foram até as salas e fizeram mais algumas perguntas para os pais das vítimas. Apesar de não terem descoberto nenhuma outra pista, Sam e Claire perceberam que eles não estavam sendo totalmente sinceros quando disseram que Audrey e Joseph não se conheciam.

Pensando nisso, Sam decidiu ir até a casa dos pais de Audrey e interrogá-los também. E Claire decidiu ir até a casa dos pais de Joseph. E assim, vinte minutos depois, Sam entrava na casa que Claire havia estado momentos antes e ela entrava na casa onde ele havia estado há pouco tempo. Durante o caminho, seus carros passaram bem próximos um do outro, mas eles não se viram.

Ao se anunciarem como agentes do FBI, tanto os Thompson como os Gaye ficaram um pouco confusos, pois já haviam conversado com outros agentes naquele mesmo dia e sobre aquele mesmo e doloroso assunto. Sam e Claire ficaram intrigados com aquela situação, mas rapidamente explicaram que devia ser algum engano e que iriam falar com seus superiores para esclarecer o mal entendido.

Então os Thompson receberam Sam e os Gaye receberam Claire. E talvez por ser o segundo interrogatório, os pais das duas vítimas foram mais sinceros desta vez. Eles acabaram contando que Joseph e Audrey não só se conheceram como saíram algumas vezes quando eles tinham dezoito e dezessete anos. Algum tempo depois, Audrey descobriu que estava grávida e as famílias ficaram transtornadas com a notícia. Os dois eram muito jovens, não tinham um relacionamento estável, estavam prestes a entrar para a faculdade e os pais não aceitavam o que havia acontecido.

O detalhe que mais chamou a atenção de Sam e Claire, foi que depois de muitos desentendimentos entre as famílias, Joseph e Audrey decidiram que não teriam aquela criança. E então a garota fez um aborto. E depois disso, as famílias cortaram relações, assim como Joseph e Audrey. Os dois não se falavam há alguns anos, mas aparentemente haviam se reencontrado dias antes de morrerem.

Depois de ouvirem toda a história, Sam e Claire deixaram as casas e foram interrogar os amigos das duas vítimas. No final do dia, eles tinham o endereço do lugar onde Audrey e Joseph se encontraram pela última vez. Era uma casa abandonada num bairro afastado do centro de Topeka.

Antes de ir até lá, Claire passou no hotel onde estava hospedada e tomou um banho. Sam também passou no hotel e ao ver uma Pajero estacionada em frente ao lugar lembrou automaticamente de Claire. Mas logo afastou a antiga namorada do seu pensamento, afinal existem muitos carros iguais àquele por aí e com certeza aquele não devia ser o dela. Então ele abriu a porta do quarto e entrou. Tomou um banho e trocou de roupa, deixando o disfarce de agente do FBI para trás e saindo com uma calça jeans e uma das suas camisas xadrez.

Logo ele deu partida e dirigiu até o endereço que havia conseguido com uma amiga de Audrey. Enquanto isso, Claire fazia uma rápida pesquisa sobre o passado da casa no seu notebook e começou a juntar os pontos.

Em seguida, ela desligou o notebook que estava sobre uma pequena mesa no quarto, afastou a cortina e olhou pela janela. Havia anoitecido. Então Claire pegou o celular sobre a mesa e viu que eram oito horas. Em seguida, levantou da cadeira onde estava sentada até então e caminhou até a cama. Abriu a mala e pegou uma calça jeans escura, uma regata branca e uma camisa azul marinho de botões. Tirou o roupão que vestia desde que saiu do banho e vestiu-se enquanto Sam parava o carro em frente a casa abandonada.

O imóvel tinha dois andares e devia estar abandonado há muitos anos porque a pintura externa estava muito desgastada. Além disso, a casa estava completamente escura, os vidros quebrados, as portas estavam muito danificadas e mesmo do carro era possível ver marcas de infiltrações por toda a parte.

Enquanto Sam pegava uma mochila no banco detrás do carro, abria a porta e descia, Claire entrava na Pajero e dava partida.

Então Sam caminhou até a casa e olhou tudo em volta por alguns instantes. Aquela parte do bairro era completamente deserta. Provavelmente ninguém queria morar perto de uma casa como aquela. E com certeza, Joseph e Audrey só foram até ali porque as suas famílias estavam dificultando um encontro entre eles. Do contrário, eles não teriam escolhido um cenário tão desolador para se verem.

Enquanto pensava nessas coisas, Sam empurrou um pequeno portão enferrujado que rangeu ao ser aberto. Em seguida, ele caminhou por um jardim, ou melhor, pelo o que um dia foi um jardim e logo subiu alguns degraus de madeira que também rangeram diante dos passos do caçador. Depois disso, Sam retirou uma lanterna de dentro da mochila, assim como uma arma carregada de sal. Só então girou a maçaneta e empurrou a porta entrando em seguida.

O cheiro de mofo invadiu suas narinas e o som de goteiras era ouvido por toda a parte. Havia alguns móveis antigos espalhados pelo lugar. Alguns deles estavam quebrados e outros apenas empoeirados e desgastados por anos de abandono.

De repente, algo passou sobre os pés de Sam e ele abaixou a lanterna para ver o que era. Um rato passou por ele rapidamente e se escondeu embaixo de uma antiga cristaleira.

– Odeio ratos. — resmungou o Winchester antes de deixar a sala de estar e caminhar até a antiga cozinha da casa.

Um morcego voou na direção de Sam quando a luz da lanterna atingiu um canto do cômodo. O caçador se assustou um pouco e resmungou novamente:

– Odeio morcegos.

Em seguida, Sam passou por um corredor e continuou explorando a casa. Pegou o EMF na mochila e ao contrário do que aconteceu na casa das vítimas, as luzes não oscilaram tanto. Ficaram continuamente vermelhas enquanto o aparelho apitava freneticamente indicando que havia alguma coisa muito maligna naquela casa.

Minutos depois, Sam voltou para a sala e subiu uma escada em direção ao andar superior. Caminhou por um corredor cercado por algumas portas. Empurrou cada uma delas enquanto continuava medindo o campo eletromagnético com o EMF.

A primeira porta era de um banheiro. Sam entrou e o EMF apitou ainda mais quando ele o aproximou de uma banheira muito suja. Em seguida, ele saiu de lá e caminhou até a segunda porta. E o que ele viu, o fez parar por alguns instantes. Aquele era um quarto de criança. Mais especificamente de um bebê, pois havia um berço repleto de pó e teias de aranha em um dos cantos do cômodo. Sam aproximou-se e passou o EMF perto do móvel. As luzes vermelhas prevaleceram e o aparelho fez um ruído contínuo.

– Está por toda a parte. — murmurou Sam antes de deixar o cômodo.

Instantes depois, ele empurrou mais uma porta e entrou em um antigo quarto de casal. A cama estava jogada em um canto e o que sobrou do colchão exalava um cheiro horrível e forte de mofo.

Enquanto o EMF apitava continuamente, Sam abriu um antigo guarda-roupa e o iluminou com a lanterna. Ainda havia algumas roupas dentro dele, mas estavam repletas de teias de aranha e a maioria das peças estava com buracos provocados possivelmente por insetos. Então ele fechou o guarda-roupa e caminhou até uma cômoda.

Sam abriu a primeira gaveta e iluminou o seu interior com a lanterna. Estava vazia. Então ele abriu a segunda, a terceira e a quarta gaveta. Elas também estavam vazias. Quando chegou na última gaveta, ela emperrou um pouco e Sam a forçou para abrí-la. Iluminou o seu interior e pegou uma caixa de madeira de dentro dela. Colocou o EMF e a lanterna sobre a cômoda. Depois colocou a caixa sobre o móvel e passou a mão sobre ela para tirar um pouco do pó. Em seguida, a abriu e começou a examinar alguns papéis que estavam guardados ali. Eram documentos da casa e dos antigos moradores. Datavam da década de 90.

Havia também algumas fotos e apesar de estarem bem apagadas, em uma delas, Sam conseguiu distinguir um casal e a casa ao fundo. A mulher aparentava uns vinte e poucos anos e o homem uns trinta anos. Ela usava um vestido branco longo e seus cabelos eram escuros e longos. Sua expressão era um pouco triste enquanto o homem parecia feliz.

Sam forçou um pouco a visão e viu que na verdade, havia uma terceira pessoa na foto. Um bebê que o homem segurava.

Enquanto olhava para a foto, Sam sentiu um leve arrepio e o EMF fez um ruído mais alto. Sam olhou em volta bem a tempo de ver alguém passando perto da porta.

– Olá! — chamou ele, mas como não obteve resposta, segurou o EMF e a lanterna com uma das mãos, pegou a arma na cintura com a outra e começou a caminhar na direção da porta apontando a arma para o que quer que aparecesse na sua frente.

Logo Sam alcançou o corredor e depois de olhar para os dois lados e não encontrar ninguém, continuou caminhando por ele até chegar numa janela. Olhou por ela e reconheceu naquele pedaço do antigo jardim, o cenário da foto que tinha visto há pouco.

De repente, aquele arrepio que Sam havia sentido antes voltou com mais intensidade e ao abrir a boca, a sua respiração virou uma fumaça branca no ar. Em seguida, o EMF começou a fazer um ruído ensurdecedor enquanto a luz da lanterna falhava sem explicação aparente.

Sam virou-se e a lanterna foi praticamente arrancada da sua mão por algum tipo de força invisível e sobrenatural e caiu a alguns metros dele. Mas com a luz fraca que entrava pela janela atrás dele, o caçador conseguiu distinguir no outra extremidade do corredor, uma figura feminina. Ela era muito parecida com a imagem que Sam tinha visto naquela foto e não foi difícil deduzir que aquilo era o fantasma da antiga moradora. Os seus cabelos estavam molhados e grudavam sobre a sua pele extremamente branca. Ela usava um longo vestido branco e olhava para Sam com uma expressão de dor e ódio.

De repente, ela começou a se aproximar rapidamente na direção dele. Tomado por uma sensação de adrenalina, Sam apontou a arma na direção do espírito, mas quando ia puxar o gatilho, algo aconteceu e ele parou atônito.

Isso porque um disparo foi ouvido e atingiu o espírito certeiramente na cabeça. E com isso, o fantasma se dissipou diante de Sam. Então, ele olhou para o começo do corredor completamente confuso.

Mas logo a confusão, deu lugar à surpresa. E a surpresa de rever aquela pessoa fez o coração de Sam acelerar imediatamente e foi como se o chão sumisse embaixo dos seus pés.

Mesmo na escuridão, ele a reconheceu. E se ainda tinha alguma dúvida de que era ela, essa dúvida desapareceu quando a garota deu alguns passos a frente permitindo que a luz da Lua que entrava pela janela atrás de Sam iluminasse o seu rosto.

O Winchester não entendia como aquilo era possível, mas ela estava ainda mais bonita do que da última vez em que a viu. Há pouco mais de três meses. Quando ela terminou com ele e foi embora sem olhar para trás. E, no entanto, lá estava ela. De volta. Na sua frente. Dando mais alguns passos enquanto abaixava a arma ao reconhecê-lo também. Ela segurava uma lanterna com a outra mão e iluminou um pouco o rosto de Sam.

Ele abaixou a arma enquanto o coração da garota batia num ritmo frenético. Ela parou diante dele igualmente surpresa por revê-lo e os dois se encaram por alguns instantes antes do caçador dizer a única palavra que lhe veio à cabeça naquele momento:

– Claire...

– Sam... — disse ela esboçando um leve sorriso.

A caçadora sabia que a separação deles tinha sido algo muito doloroso e complicado, mas não conseguiu evitar e o seu sorriso se abriu ainda mais.

Sam franziu a testa um tanto confuso. Não entendia por que, mas Claire parecia feliz em reencontrá-lo. A sua expressão estava muito diferente daquela expressão triste e sofrida que ele viu naquela estrada em Lawrence.

Enquanto ele assimilava aquele reencontro e tentava inutilmente fazer o seu coração voltar ao ritmo normal, Claire deu mais um passo a frente acabando com a distância que ainda os separava e o abraçou impulsivamente.

– Sam! — repetiu ela emocionada o abraçando ainda mais forte.

No entanto, ele não retribuiu o abraço de Claire.

Notas finais
Vocês devem estar pensando "O que deu na Claire para abraçar o menino Sammy deste jeito depois de ter quebrado o coraçãozinho do moçoilo?" Bem, eu respondo: impulso, saudade e amor. E isso me lembra aquela música que é mais ou menos assim "É o amooooooooooor que mexe com a minha cabeça e me deixa assiiiiiiiiiiimmmm" Prosseguindo... Com o desenrolar dos devaneios, vocês vão entender o que está se passando com a cabeça da Claire... E isso me lembra outra música: "O que é que há? O que é que está se passando com essa cabeça? O que é que há?" Mas, conforme vocês viram aí no finalzinho, o Sam não correspondeu ao abraço e no próximo capítulo veremos como ele vai reagir... Well, this is it, povo! Comenta aí e faça uma hunter feliz! Agora vou assistir Arquivo X! Inté!