Crossfire
32 Reconciliação, Nada e Celibato
Notas iniciais
Todos na sala permaneciam em silêncio olhando ora para Kevin ora para Chloe que se encaravam sem dizer uma palavra sequer um para o outro.
Os dois ainda estavam muito mexidos com aquele reencontro e não sabiam exatamente como agir ou mesmo por onde começar aquela conversa.
Foi Mia que resolveu intervir dizendo:
– Nossa... Sem ofensa, mas este silêncio está me matando. — e indicando as pessoas na sala, fez uma rápida apresentação — Bem, Chloe, estes são Sam, Dean, Claire, Natalie e o Bobby.
– Oi... — cumprimentou ela olhando rapidamente para eles e então voltou a olhar para Kevin. — Prazer em conhecê-los...
– O prazer é nosso. — respondeu Dean bem alto esperando que a garota voltasse a olhar para ele e para as outras pessoas ali, mas isso não aconteceu, o que fez todos eles se entreolharem um tanto confusos.
Então Mia resolveu interferir novamente:
– Tudo bem, vocês terão muito tempo para conhecer a Chloe e vice e versa, mas agora obviamente ela e o Kevin precisam conversar. Então por que nós não deixamos os dois sozinhos? Eu preciso de um café. Vocês não?
Aos poucos todos se retiraram e foram para a cozinha seguindo a sugestão de Mia. Finalmente sozinhos, Kevin e Chloe começaram a se aproximar devagar até que pararam de frente um para o outro.
Em seguida, Kevin jogou os papéis que segurava até então em uma poltrona perto dele, voltou a olhar para Chloe, respirou fundo e começou:
– Eu juro que eu posso explicar tudo e que vou responder tudo o que você quiser saber. Todas as suas perguntas, até o que você não quiser saber, eu respondo, tudo mesmo. E eu sinto muito por ter ido embora daquele jeito, Chloe. Mas eu só queria te proteger. Porque eu tive medo de que acontecesse exatamente o que aconteceu. Que você perdesse tudo como eu perdi.
Chloe observou Kevin por alguns instantes. Em seguida deu mais um passo a frente, tocou o rosto dele com as duas mãos o envolvendo carinhosamente, fechou os olhos e colou seus lábios nos dele de uma forma doce e sútil fazendo Kevin fechar os olhos um tanto surpreso e corresponder ao beijo instintivamente.
Momentos depois, Chloe se afastou devagar e, como se somente aquilo importasse, ela confessou enquanto olhava Kevin com carinho:
– Eu senti a sua falta.
– Eu sou um profeta. — revelou Kevin de uma vez, assim que ela terminou de falar, fazendo Chloe franzir a testa um pouco confusa e surpresa.
– Um profeta? — repetiu ela querendo entender melhor o que aquilo significava enquanto se afastava mais um pouco. — Como Elias?
– Não, exatamente. — respondeu Kevin, que se não estivesse tão tenso diante daquele reencontro, teria achado graça no comentário inocente da garota. — Teoricamente, eu posso traduzir a Palavra de Deus. A Tábua dos Anjos é uma delas. Mas na prática, foi você que conseguiu. — Kevin refletiu um pouco ao terminar de dizer aquilo e, sendo muito duro consigo mesmo, ele completou envergonhado — Ou seja, além de tudo, eu sou um profeta esquisito e fracassado...
– Não. — discordou Chloe prontamente se reaproximando e tocando o rosto dele fazendo Kevin a olhar nos olhos. — Você não é um esquisito, muito menos um fracassado. Você é uma das pessoas mais especiais que eu já conheci, Kev. Você é... Tudo. Você é tudo pra mim.
– Tudo pra você? Por minha culpa, a sua vida virou de cabeça para baixo, Chloe. Não se esqueça disso. — lembrou ele cheio de remorso. — Eu trouxe o sobrenatural para a sua vida... Eu... Arruinei tudo. Você está marcada para sempre. Por minha culpa.
– Eu sou adulta, curiosa e você me pediu para parar de investigar aquelas coisas. Eu não segui o seu conselho e tomei uma decisão completamente diferente. Então, nada disso é sua culpa. Na verdade, é minha. — argumentou Chloe com firmeza e depois de refletir um pouco, continuou — E sim, a minha vida virou mesmo de cabeça para baixo. Mas foi só porque você foi embora dela. Só por isso. O resto? Anjos? Alienígenas? Coelhinho da Páscoa? Eu não ligo, Kev. Eu tenho certeza que eu vou aprender a lidar com tudo isso assim como você aprendeu, assim como a Mia aprendeu. O que eu não posso mais é... O que eu não quero mais é ficar longe de você. Porque eu nunca vou aprender a viver sem você, Kev. Então, por favor, não me peça isso nunca mais. Nunca mais vai embora da minha vida daquele jeito nem de jeito algum. Nunca mais, entendeu?
Após um longo silêncio apenas encarando Chloe seriamente, Kevin deu um meio sorriso ao confirmar o que no fundo ele já sabia: ela não o culpava, tinha o perdoado por ter terminado com ela daquele jeito covarde e não guardava nenhuma mágoa dele.
Então, mais aliviado com a sua consciência e seguro do que queria fazer a partir dali, Kevin respondeu:
– Entendi.
– Ótimo. — comemorou Chloe também mais relaxada. — Porque, caso você não tenha percebido, foi para isso que eu vim até aqui. Foi para isso que eu atravessei o país. Para ficar com você. Não foi para ouvir você dizer que sente muito, que acha que tudo aquilo foi sua culpa, muito menos para ver você tentando me afastar de novo e inventando mais desculpas esfarrapadas para isso. Eu vim aqui, Kevin Tran, para ficar com você.
– Eu percebi. Tipo... Quando você me beijou. — lembrou ele falando pausadamente enquanto observava a reação de Chloe.
Logo um meio sorriso se formou no rosto da garota. Instantes depois e um pouco sem graça, ela desviou o olhar do profeta, colocou as mãos nos bolsos da calça jeans e o acusou:
– Você me beijou de volta.
– Sim. — confirmou Kevin como se aquilo fosse necessário. E depois de dar um passo na direção da garota e segurar o seu rosto com carinho, ele confessou — Porque eu também senti a sua falta, Chloe. Porque eu também não consigo viver sem você. Eu fui um idiota ao acreditar que eu conseguiria, mas eu simplesmente não consigo. A minha vida também virou de cabeça para baixo quando eu me afastei de você. Ou melhor... A minha vida já é bem complicada, mas o que eu quero dizer é que sem você ela é um porre, uma bagunça ainda maior, uma droga. E eu quero muito que a minha vida volte aos eixos, Chloe... E eu preciso de você para isso.
Chloe o olhou profundamente e sentindo que o seu coração acelerava a cada instante, ela respondeu:
– Eu estou aqui.
Kevin se aproximou ainda mais e prometeu:
– Eu não vou te afastar de novo, nem me afastar de novo, nem ser um idiota super protetor de novo. Nunca mais. Eu prometo.
Chloe se aproximou mais um pouco, passou a mão em volta da nuca do profeta e respondeu:
– Ótimo, porque eu não iria embora, nem deixaria você ir embora, nem...
Chloe se calou no instante em que sentiu os lábios de Kevin selarem os seus. Ela fechou os olhos instintivamente e sem pensar duas vezes, abriu espaço na boca do profeta enquanto acariciava a nuca dele entre os seus dedos.
As mãos de Kevin seguraram a cintura de Chloe, mas aos poucos subiram pelas costas dela e a envolveram com um abraço apertado enquanto o beijo se tornava mais intenso.
E assim, tanto a vida de Chloe, quanto a de Kevin, voltaram aos eixos naquele momento. Parecia que nada mais importava a não ser o fato de que eles estavam juntos de novo e finalmente podiam matar a saudade um do outro.
Não importava se o mundo que Chloe sempre acreditou que existia tinha mudado drasticamente nos últimos dias, se as coisas tinham se complicado na vida dela ou se ela tinha descoberto que o seu namorado era um profeta. O que importava é que Chloe tinha Kevin ao seu lado de novo. Ele ainda era o mesmo para ela. E com ele ao seu lado, ela era capaz de enfrentar qualquer coisa que viesse pela frente.
E Kevin estava feliz de novo. Sentia-se completo mais uma vez. Não importava se a sua vida era uma droga e se o mundo era um lugar cada vez mais perigoso. O que importava é que tudo tinha ganhado sentido de novo. Porque Chloe estava ali, de volta, com ele dando o sentido para a sua vida e a força que Kevin precisava para continuar acreditando em si mesmo e que no fim tudo daria certo. Chloe despertava o melhor nele e fazia Kevin se sentir especial. Feliz no sentido mais intenso daquela palavra.
XXX
Ao longo do dia, Kevin e Chloe conversaram bastante sobre tudo o que aconteceu. O profeta deu algumas explicações para a namorada e Chloe contou para ele como ela conseguiu traduzir a Tábua dos Anjos.
Os dois concordaram que era mesmo estranho o Metatron ter exigido que a Mia entregasse o artefato, há alguns meses, sendo que o feitiço da queda dos anjos era irreversível. Aquilo não fazia o menor sentido.
Então os dois combinaram que iriam unir forças para traduzir o artefato novamente e descobrir se Chloe tinha deixado passar algum detalhe importante que justificasse o interesse de Metatron em recuperar o objeto.
Ao longo do dia Chloe também teve a oportunidade de conversar com os outros moradores do bunker e conhecê-los melhor. Depois Mia a acomodou em um dos quartos e Dean e Natalie se despediram e pegaram a estrada.
À noite
Depois de tomar um dos seus banhos demorados, Mia saiu do banheiro vestindo um roupão branco e caminhou até o quarto enquanto secava os longos cabelos castanhos com uma toalha.
Logo, ela entrou no cômodo e fechou a porta atrás de si. Mas ao voltar-se para o interior do quarto, teve um pequeno sobressalto ao ver Castiel deitado na sua cama com as costas apoiadas na cabeceira. E o seu coração acelerou subitamente quando ele esboçou um leve sorriso para ela como se estivesse a esperando ali por algum motivo que Mia queria muito saber qual era.
A caçadora suspirou enquanto observava aquela cena por mais alguns instantes, depois colocou a toalha sobre a cômoda e brincou:
– Um anjo em minha cama. O que eu fiz para merecer isso, meu Deus?
Castiel não disse nada. Nada mesmo. Apenas continuou observando Mia que mordeu o lábio inferior antes de dar os primeiros passos na direção da cama.
– Você não vai se vestir? — perguntou Castiel inexplicavelmente tenso quando percebeu que Mia se aproximava ainda mais.
– Por quê? Você quer que eu me vista? — rebateu ela apoiando os joelhos no colchão e subindo na cama devagar, porém muito determinada.
Logo ela se posicionou em cima de Castiel, com as pernas envolta do seu quadril, fazendo o anjo se esquecer de responder a pergunta que ela havia feito momentos antes.
Em seguida, Mia se aproximou mais dele e passou as mãos pelo sobretudo, subindo em direção aos ombros, pescoço e parando no rosto de Castiel. Se aproximou mais um pouco fazendo a ponta do seu nariz tocar o nariz dele, roçando o seu rosto no dele como se fosse beijá-lo a qualquer momento.
O anjo sentia a respiração descompassada de Mia em seu rosto e começava a entrar no clima, se esquecendo de que estava ali por um motivo bem diferente daquele que a garota estava imaginando.
Mas diante dela assim... Tão próxima do seu corpo, se esfregando sutilmente nele e lhe causando certas sensações, o anjo achou melhor deixar a conversa para depois e apenas fechou os olhos aguardando o que estava por vir.
Logo Castiel sentiu os lábios úmidos, quentes e macios de Mia tocarem os seus, que àquela altura já estavam sedentos pelos dela.
Como se suas mãos tivessem ganhado vida própria, ele segurou na cintura da garota a trazendo um pouco mais para perto do seu corpo e Mia deixou o seu peso cair sobre Castiel.
Ela sentiu uma onda de calor percorrer o seu corpo quando abriu mais a boca e encontrou a língua de Castiel que também parecia estar procurando pela sua. Segurou o rosto dele com certa força e aprofundou o beijo explorando cada centímetro da boca do anjo. Mordeu o lábio inferior dele antes de afastar um pouco o rosto.
– Não... Eu não quero que... Você se vista. — respondeu Castiel por fim visivelmente atordoado.
– Ótimo porque... Eu tenho outras intenções e roupas atrapalhariam um pouco. — respondeu Mia como se Castiel não soubesse de nada daquilo. Nada mesmo.
Mas então, quando ela ia beijá-lo novamente, o anjo se deu conta de que aquilo era errado. Não aquilo que eles estavam prestes a fazer, mas sim fazer aquilo naquele momento quando na verdade ele queria conversar com Mia sobre uma coisa que tinha descoberto e que estava o preocupando muito. Então, o anjo reuniu forças sabe-se lá da onde, segurou nos braços da caçadora a afastando um pouco e pediu:
– Mia... Espera.
Surpresa e um tanto confusa, a caçadora obedeceu e sentou sobre os joelhos enquanto Castiel se afastava mais um pouco e se apoiava melhor na cabeceira da cama.
– O que foi? — indagou ela querendo entender o motivo daquela infeliz interrupção.
– Nós precisamos conversar. — avisou Castiel.
Mia ergueu as sobrancelhas incrédula e questionou:
– Você quer conversar? Tipo... Agora?
– Quero. — confirmou o anjo.
– Sobre o quê? Como cortar o clima e deixar uma mulher frustrada? — sugeriu ela rindo um tanto nervosa.
– Não. Sobre isso. — esclareceu Castiel retirando algo do bolso do sobretudo e colocando sobre a cama, entre ele e Mia.
Ela olhou para a cartela de analgésicos e a reconheceu. Mesmo assim, por impulso, acabou perguntando o óbvio:
– O que é isso?
– Eu esperava que você me dissesse. — respondeu Castiel.
– Você está me espionando? — questionou Mia visivelmente decepcionada.
– Por quê? Você está me escondendo alguma coisa? — rebateu Castiel.
– Não. — respondeu a caçadora. Mas ao perceber que o anjo não tinha acreditado e que aquela cartela de remédio dizia algo diferente, ela admitiu — Talvez.
Castiel pegou a cartela novamente e intimou:
– Mia, o que é isso?
– Uma cartela de analgésicos. Vazia. Que eu devo ter esquecido de jogar fora, deixei em algum lugar e você encontrou. — explicou ela.
– Eu sei o que é isso, mas eu estou perguntando o que significa exatamente. — insistiu Castiel. — Porque aqui diz que este é um medicamento bem forte, para enxaqueca crônica. E eu vi quando você comprou este remédio, Mia. Foi há dois dias. Você tomou dez comprimidos para enxaqueca em dois dias.
– Então você está mesmo me espionando? — deduziu a caçadora sentindo uma raiva crescer dentro de si ao descobrir aquela invasão de privacidade.
– Eu não precisaria te espionar, se você simplesmente me dissesse a verdade. — defendeu-se Castiel. — Droga, Mia... Nós já brigamos tanto por causa disso. Por que você ainda acha que tem que me esconder certas coisas?
– Porque... — começou ela um tanto exaltada, mas em seguida achou melhor manter a calma e ser o mais sincera possível. — Porque eu não queria te preocupar. É isso. Porque eu sabia que você ia ficar assim se eu contasse. E eu não gosto de te ver assim, sofrendo por minha causa. — e depois de uma pausa, Mia acrescentou — Sim, Cas. As minhas dores de cabeça pioraram. Mas eu já passei por tantas coisas piores que eu acho que eu posso lidar com um pouco de enxaqueca numa boa. Muitas pessoas por aí tem enxaqueca e seguem com as suas vidas normalmente, não é?
– Quantas destas pessoas tem sangue de demônio no corpo, Mia? Quantas enxaquecas são causadas por isso? Por algo sobrenatural? Por algo demoníaco? — questionou Castiel fazendo Mia olhar para as próprias mãos tentando disfarçar certa tristeza que sentiu ao lembrar daquele detalhe. — Nós dois sabemos o que isso significa. — recomeçou Castiel fazendo ela erguer o olhar na direção dele. — Você voltou para o bunker porque teve um pesadelo com algo que já tinha acontecido há dias. Mas as suas duas últimas premonições foram mais claras. O que me leva a crer que você está ficando mais forte, Mia. O sangue de demônio está intensificando o seu dom de prever as coisas. Você está mudando. Ficando mais poderosa.
– Não parece tão ruim. — refletiu a caçadora.
– Mas é, Mia. Porque ao mesmo tempo isso está acabando com você. O seu corpo não está aguentando tanto poder. Ontem eram dores de cabeça, agora evoluiu para enxaqueca, mas e amanhã? Aonde isso vai parar e qual o preço disso, Mia? — preocupou-se Castiel e diante do silêncio da garota, ficou em silêncio também. Pensando sem encontrar nenhuma resposta, nenhuma solução, se torturando diante daquela sensação de impotência. Algum tempo depois, ele suspirou, colocou a cartela vazia em cima do criado-mudo e acrescentou — Mas você está certa. Eu não devia ter te espionado. Me desculpe.
– Me desculpe por não ter contado. — pediu Mia arrependida por ter escondido aquilo dele.
Castiel ficou em silêncio por algum tempo, depois suspirou um tanto frustrado e confessou:
– Eu me sinto péssimo. Péssimo por não poder te ajudar. Por não poder fazer nada para te ajudar, Mia, por não saber como ou por onde começar... Eu sinto muito. — de repente Castiel parou de falar ao perceber que a caçadora o olhava de uma forma diferente e deduziu que isso tinha a ver com uma certa palavra que ele havia dito. Então ele perguntou — O que foi?
– Eu acabei de lembrar de uma coisa. — respondeu Mia sorrindo maliciosamente enquanto levantava da cama e se ajoelhava perto de Castiel. — De uma coisa que você pode fazer para me ajudar...
Castiel franziu a testa um pouco intrigado enquanto observava a garota tirando os sapatos e as meias dele com calma.
– Mia... — murmurou o anjo entendendo o que ela pretendia. — Eu pensei que eu tinha cortado o clima.
Ignorando o que ele havia dito, Mia levantou e segurou as mãos de Castiel fazendo ele se levantar da cama e ficar de frente para ela. Então Mia começou a tirar o sobretudo dele e logo jogou a peça em cima da poltrona atrás dela.
– Eu posso saber o que você está fazendo? Porque eu estou me sentindo como... Um homem objeto agora.
– Anjo objeto. — corrigiu Mia rindo um pouco enquanto abria os botões da camisa de Castiel. Mas ela parou quando ele segurou as suas mãos e a encarou esperando uma explicação. — Tudo bem. Eu tenho uma confissão a fazer. — anunciou ela e sem mais rodeios, explicou — Cas, quando eu estou com você, nos seus braços, fazendo certas coisas, eu não sinto mais dor, nenhuma dor, aliás. Ela simplesmente se dissipa e vai embora como se você fosse o analgésico mais potente do mundo. Como se o meu corpo precisasse do seu mais do que eu consigo compreender. Você me faz bem, Cas. Seu toque... Seus beijos e... Outras coisas afastavam toda a dor que eu sinto. Sentir que você me ama é o melhor remédio que eu posso ter e o melhor que você pode me dar. Eu não quero mais nada. — Castiel sorriu levemente ao ouvir uma certa palavra e Mia esclareceu — Bem... Na verdade, é exatamente isso que eu quero e preciso. Nada.
– Neste caso... Eu acho que eu posso te ajudar. — insinuou Castiel que apesar de ainda estar preocupado com Mia, tinha gostado muito de saber que havia uma forma de fazê-la se sentir melhor.
Pensando nisso, o anjo soltou as mãos da caçadora permitindo assim que ela voltasse a abrir os botões da sua camisa. E foi o que Mia fez. Mas quando ela ia retirar a peça, Castiel segurou as suas mãos novamente e pediu:
– Espera.
– Não me diga que você quer conversar de novo? — temeu Mia.
Fazendo certo mistério, Castiel se afastou e Mia o seguiu com o olhar sem entender mais nada. Nada mesmo.
Então ele se aproximou do criado-mudo e acendeu a luz do abajur. Depois caminhou até a porta e apagou a luz do quarto pelo interruptor que ficava naquela parede. Só então, ele caminhou até Mia e explicou:
– Eu sempre achei que à meia luz é mais romântico.
Mia sorriu enquanto o seu coração batia de um jeito acelerado ao ver Castiel tirando a camisa diante dela.
– Eu concordo. — assentiu ela passando os olhos pelo corpo dele.
Então Castiel se aproximou mais um pouco e segurou Mia pela cintura de um jeito firme e gentil ao mesmo tempo, deixando ela colada ao seu corpo. Em seguida, segurou na nuca da garota, enroscando sua mão nos cabelos ainda úmidos dela, procurou por seus lábios e os envolveu avidamente com os seus.
Mia passou os braços em volta do pescoço de Castiel enquanto os dois davam alguns passos em direção a cama. Caíram sobre ela logo em seguida e Mia o abraçou mais forte gostando daquela sensação do peso do corpo dele sobre o seu, gostando do calor que aquela aproximação despertava no seu próprio corpo, gostando de se sentir amada e protegida.
Ela deixou as suas mãos explorarem as costas do anjo o arranhando e o apertando ainda mais contra o seu corpo enquanto Castiel beijava o pescoço dela causando arrepios desconcertantes que faziam Mia querer se aconchegar ainda mais nos braços do anjo.
As mãos dele a acariciavam por cima do roupão como se quisesse fazer um reconhecimento prévio antes de se aprofundarem mais naquele território.
Mia estava gostando daquilo, mas ao mesmo tempo era torturante. Ela precisava de mais. Queria mais. Queria aquelas mãos tocando o seu corpo por completo e queria livrar Castiel logo daquela maldita calça que ele ainda vestia.
Então um tanto impaciente, Mia o empurrou para o lado e sentou na cama enquanto Castiel sentia suas costas se chocarem contra o colchão. A cama rangeu com o impacto e o anjo olhou para Mia um tanto assustado, mas cheio de um desejo que crescia cada vez mais.
– Desculpe. — lamentou Mia enquanto se aproximava e abria o cinto dele.
– Está tudo bem... — tranquilizou Castiel um tanto ofegante e ansioso vendo ela fazer aquilo.
Depois de retirar o cinto, Mia abriu o botão e o zíper da calça bem devagar enquanto mordia os lábios e olhava para Castiel de um jeito diferente, como se fosse devorá-lo a qualquer momento. E desta vez, foi ele que achou aquilo torturante.
Um pouco impaciente ele levantou e retirou a própria calça de uma vez. Então ficou observando Mia percorrer o seu corpo com um olhar capaz de incendiar uma floresta inteira e sorriu de um jeito maroto antes de tirar a única peça que ainda restava, o que fez Mia olhar ainda mais atentamente para o seu corpo nu.
Um tanto sem graça, ela desviou o olhar, passou a mão pela nuca e murmurou bem baixinho:
– E ainda dizem que anjo não tem sexo...
Então ela respirou fundo e procurou a faixa do roupão. Desatou o nó e abriu a peça devagar a retirando sob o olhar atento de Castiel.
Completamente nua, Mia se acomodou melhor na cama e apoiou a cabeça em um dos travesseiros antes de voltar a olhar para Castiel e para o seu corpo semi iluminado pela luz fraca do abajur.
– Vem. — chamou Mia por fim.
Castiel obedeceu se aproximando enquanto observava o peito da garota subir e descer diante da respiração ofegante que ela tentava em vão normalizar. Então ele deitou com certo cuidado sobre Mia. Passou uma mão sobre o rosto dela afastando algumas mechas de cabelo dali enquanto a outra mão subia por uma das coxas da caçadora e se fincava no quadril dela como se possuísse algum tipo de garra.
Mia arfou de desejo e segurou o rosto de Castiel o trazendo para mais perto do seu. Beijou seus lábios de uma forma sútil e provocante ao mesmo tempo aumentando a intensidade aos poucos.
Castiel deixou suas mãos percorrerem e explorarem o corpo embaixo do seu sem pressa e de uma forma intensa, fazendo Mia soltar alguns gemidos involuntários enquanto respirava com mais dificuldade.
Mia o abraçou mais forte quando sentiu que Castiel tentava afastar um pouco mais as suas pernas, procurando espaço para se acomodar entre elas, tentando invadir o seu corpo e... Finalmente conseguindo.
Uma onda de adrenalina tomou conta do corpo de Mia ao sentir Castiel assim tão perto, dentro dela, como se os dois fossem uma coisa só. E de fato, naquele momento, eles eram. E de fato qualquer dor que Mia ainda sentia quando entrou naquele quarto, se dissipou completamente naquele momento. Nos braços de Castiel...
XXX
Enquanto isso, Sam se virava de um lado para o outro na cama, sem conseguir dormir. Toda vez que ele fechava os olhos apenas uma imagem vinha na sua cabeça: Claire. E apenas uma coisa ele desejava naquele momento: que ela estivesse ali com ele.
Respirou fundo e fechou os olhos com mais força tentando se concentrar em qualquer outra coisa que não fosse na noiva no quarto ao lado. Então começou a lembrar de alguns casos que ele investigou nos últimos meses, no que comeu no café da manhã, na conversa com Dean e... Automaticamente lembrou de Claire mais uma vez já que ela tinha sido o assunto da conversa. Ela e aquele pedido absurdo do Bobby para que eles se comportassem até o casamento. Se comportar como, se eles não tinham feito nada de errado?
De repente, Sam parou de pensar nessas coisas e abriu os olhos ao ouvir o barulho da porta abrindo, fechando e passos discretos de alguém que se aproximava da cama.
Sentou com as costas apoiadas na cabeceira e reconheceu Claire subindo na cama. Ela estava descalça, provavelmente porque não queria fazer barulho e acordar o pai.
Claire vestia uma camisola de seda branca até os joelhos que deixou Sam meio boquiaberto por alguns instantes. Quando recuperou o ar, ele indagou aos sussurros:
– Claire, o que você está fazendo aqui?
– Eu não consegui dormir. — confessou ela.
– Nem eu. — confessou Sam enquanto Claire afastava o lençol e sentava em volta da cintura dele. Um pouco assustado ao deduzir o que a garota planejava, ele lembrou — Claire, olha, eu sei que é difícil fazer o que o Bobby nos pediu, mas nós temos que tentar. Esta é só a primeira noite. Se nós passarmos por ela, eu acho que... Vai ficar mais fácil depois.
– Você acredita mesmo que vai ficar mais fácil? Porque eu não acredito. — duvidou Claire e depois de uma breve pausa continuou — Sam... Eu sei que ele é o meu pai, mas o que ele pediu... É absurdo. E eu só concordei com isso para não discutir com ele naquele momento.
– Mas você concordou. Então o que você está fazendo aqui? O que mudou de lá pra cá? — questionou Sam.
Claire acariciou o rosto do caçador por alguns instantes antes de insinuar:
– Eu estava pensando... Ele não precisa saber que eu estou aqui.
– Você vai mentir para o Bobby? — surpreendeu-se o Winchester. — Claire, como você disse, ele é o seu pai.
– Sim, mas nós não estamos fazendo nada de errado, Sam. E no fundo, ele sabe disso. Eu não quero mentir, mas ele não me deixa outra escolha. Eu não quero magoá-lo, mas eu também não consigo ficar longe de você. Nem por uma noite, muito menos por duas semanas. — expôs Claire e depois de um breve momento em silêncio, perguntou — Você consegue? Porque se você consegue, tudo bem, eu volto para o meu quarto. Mas você quer mesmo quer que eu volte para lá?
Sam suspirou vencido e acariciou o rosto de Claire enquanto respondia:
– Não. É claro que não. Eu também não consigo ficar longe de você, Claire. Na verdade, eu estava me segurando para não ir até o seu quarto agora mesmo.
Claire sorriu feliz por ouvir aquilo, se aproximou mais um pouco e disse:
– Bem, eu não sou tão forte quanto você, Sam. Mas amanhã é a sua vez de me fazer uma visita noturna, combinado?
– Claire... Espera... — pediu Sam tentando manter uma distância segura e em seguida continuou — Apesar de tudo, eu acho que nós temos que tentar resistir. Só mais um pouco. Pelo Bobby... Mesmo ele estando errado em nos pedir isso, vamos fazer um esforço. Eu não quero mentir para ele e não quero que você minta também e...
De repente Sam se calou porque Claire conseguiu se reaproximar e colou seus lábios nos dele com ímpeto. Em seguida, ela se moveu um pouco mais para a frente, deixando os seus corpos bem próximos um do outro, colados um no outro, aquecidos um pelo outro.
Então Claire enroscou os seus dedos nos cabelos de Sam e envolveu os lábios e a língua dele com um beijo intenso que ele correspondeu instintivamente enquanto segurava na cintura dela a apertando com força contra o seu corpo.
De repente, Claire afastou o rosto e perguntou um tanto ofegante:
– O que você estava dizendo mesmo?
– Que se dane o Bobby. — respondeu Sam enquanto segurava o rosto de Claire e o trazia para junto do seu novamente.
Então Sam a beijou ainda mais apaixonadamente e deitou sobre ela enquanto suas mãos percorriam o corpo da garota por cima da camisola.
Ela começou a tirar a camisa do pijama de Sam e ele se afastou um pouco para se livrar da peça de uma vez. Em seguida se reaproximou e beijou o pescoço de Claire e os seus ombros enquanto afastava as alças da camisola.
Ela o abraçava e arranhava as costas de Sam enquanto ele continuava beijando o seu corpo fazendo Claire jogar a cabeça para trás e se afundar ainda mais nos lençóis. Em seguida suas mãos desceram até a calça do pijama do Winchester e começaram a abaixá-la. Mais uma vez Sam a ajudou e logo ele tirou a peça que caiu no chão.
Os dois voltaram a se beijar ardentemente enquanto Claire sentia as mãos de Sam entrando embaixo da sua camisola e retirando a sua calcinha bem devagar. Ele voltou a se afastar, ficando de joelhos sobre a cama enquanto terminava de retirar a lingerie da noiva.
Claire mordeu os lábios enquanto observava Sam retirando a cueca boxer e retirou a camisola enquanto ele também assistia a cena encantado e cheio de desejo. Logo ele voltou a deitar sobre ela e orientou:
– Claire, nós não podemos fazer muito barulho.
– Eu sei. Eu vou tentar... — prometeu ela puxando o rosto dele na direção do seu para mais um beijo e envolvendo Sam com as suas pernas enquanto as mãos dele percorriam todo o seu corpo.
Finalmente, ele a penetrou. Devagar, gentilmente, fazendo Claire e ele se acostumarem com aquela sensação primeiro antes de aumentar o ritmo das investidas. Aos poucos. Profundamente. Ouvindo Claire gemer e dizer o nome dele em seu ouvido enquanto ele beijava o pescoço dela e respirava de forma ofegante com os lábios na sua pele macia...
Algum tempo depois
Claire terminou de se vestir e Sam, que tinha acabado de vestir a cueca, a levou até a porta. Os dois caminharam até lá com cuidado tentando fazer o mínimo de barulho possível. Logo Claire girou a maçaneta abrindo a porta e deu uma olhada no corredor. Em seguida, voltou-se na direção de Sam e o beijou.
– Eu te amo. — declarou ela em seguida.
– Eu também te amo, Claire. Muito. — retribuiu Sam a beijando de novo.
Ela sorriu e desejou:
– Então... Boa noite.
Em seguida, ela deu um passo para fora do quarto, mas voltou quando Sam a puxou sutilmente pelo braço e a beijou mais uma vez.
– Boa noite. — desejou ele a olhando de um jeito apaixonado. — E não esquece de deixar a porta do seu quarto aberta amanhã.
– Combinado. — respondeu ela sorrindo e lhe dando um selinho antes de sair do quarto, desta vez para valer.
Sam fechou a porta e respirou fundo com uma expressão feliz. Caminhou até a cama e se jogou sobre ela. Ficou olhando para o teto e disse sozinho:
– Desculpe, Bobby, mas não deu para resistir. Eu amo a sua filha... Idjit.
Em seguida, Sam riu de si mesmo e pegou um dos travesseiros. O abraçou e sentiu o perfume de Claire na fronha.
– Eu amo a sua filha... — repetiu enquanto fechava os olhos.
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