Crossfire
33 Brinquedos - Parte 1
Notas iniciais
Cornwall — Connecticut — Final da tarde
Dean estacionou o Impala em frente ao hotel onde tinham acontecido duas mortes misteriosas recentemente. Natalie parou o Camaro logo atrás do Impala. Os dois olharam a placa pendurada na frente do estabelecimento que dizia "Hotel Pierpont — Desde 1930" antes de saírem de seus respectivos carros. Em seguida, eles abriram os porta-malas e pegaram suas bagagens, além de duas mochilas.
– Sabe, eu acho que eu nunca peguei um caso assim antes. — começou Natalie enquanto caminhava até Dean e observava o hotel grandioso e sombrio logo a frente.
– Assim como? — quis entender Dean pegando a mala de Natalie.
Enquanto os dois caminhavam lado a lado até o hotel, ela explicou visivelmente empolgada:
– Você sabe... Velhos hotéis assombrados, neblina, passagens secretas, sotaques refinados. Nós podemos até encontrar o Fred e a Daphne lá dentro!
– Uhh... A Daphne... Eu adoro ela. — deixou escapar Dean.
– Cala a boca. — cortou Natalie batendo no ombro dele fazendo o caçador rir do seu ciúme.
Em seguida, os dois subiram alguns degraus, mas antes que Dean empurrasse a porta de entrada do hotel, algo chamou a atenção de Natalie. Então ela indicou um enorme vaso na varanda e disse:
– Ei, Sr. Awesome. Dá uma olhada nisso.
Dean caminhou até o vaso e Natalie mostrou um símbolo gravado na borda interna do objeto. Era um X com cinco pontos destacados, um no centro e um em cada ponta. Então a loira explicou:
– É um quincunce. Ele é usado em alguns feitiços de hudu junto com algumas ervas.
– Você acha que isso pode ter alguma relação com as mortes? — indagou Dean.
– Bem, este é um símbolo usado em feitiços de proteção. Sei lá. Pode ser um começo. — respondeu Natalie.
Em seguida, ela e Dean caminharam até a porta, a empurraram e entraram. Dean foi até a recepção e Natalie ficou um pouco afastada examinando o lugar. Logo uma mulher de aparentemente trinta anos, bonita e com cabelos lisos até os ombros apareceu. Seu nome era Susan Thompson e ela era a dona do hotel que passou de geração em geração.
– No que eu posso ajudá-los? — perguntou a mulher entrando na parte de trás do balcão da recepção.
– Nós queremos um quarto. Por alguns dias. — explicou Dean tirando os documentos falsos de uma das mochilas e pegando um cartão de crédito também falso.
Em seguida ele os entregou para a mulher que disse:
– Parabéns. Vocês podem ser os nossos últimos hóspedes.
– Isso é meio agourento. — estranhou o Winchester.
– Desculpe. É que nós vamos fechar no fim do mês. — explicou Susan.
Enquanto ela preenchia as fichas e registrava o pagamento das diárias, sua filha Tyler, que tinha aproximadamente nove anos, passou correndo pela recepção fugindo de Maggie que corria atrás dela e que aparentava ter quase a mesma idade. Tyler acabou esbarrando em Natalie e logo sumiu do alcance de visão de todos.
– Desculpe por isso. — lamentou Susan.
– Está tudo bem. — tranquilizou Natalie e então começou a olhar tudo em volta de novo.
Em seguida, a loira se aproximou mais da recepção e ficou ao lado de Dean, mas continuou observando cada detalhe do hotel com interesse e se perguntando o que poderia explicar as recentes mortes que aconteceram no lugar. Em menos de três semanas, uma mulher se afogou na banheira e um homem caiu da escada e a sua cabeça virou para trás.
– Deixa eu adivinhar. Vocês estão aqui por causa das antiguidades. — supôs Susan.
– Como você sabe? — indagou Dean.
– Vocês fazem o tipo. — respondeu a dona do hotel. — Então, vocês querem uma cama bem grande?
– E bem resistente. — ressaltou o caçador.
Natalie pisou no pé dele e o repreendeu extremamente sem graça:
– Dean!
Susan riu levemente e perguntou:
– Recém-casados?
– Noivos. — esclareceu Natalie mostrando com certo orgulho o anel que usava na mão direita.
– Parabéns. E vocês pensam em ter filhos? — perguntou Susan fazendo um silêncio aterrador se instalar em seguida.
Dean e Natalie se entreolharam um pouco atordoados com aquela pergunta e disseram ao mesmo tempo:
– Filhos?!
– Desculpe, isto não é da minha conta. Eu sinto muito. — lamentou Susan.
– Não, tudo bem. — tranquilizou Dean, embora ainda estivesse surpreso com aquela pergunta. — É que na verdade... Eu nunca tinha pensado nisso...
– Nem eu. — acrescentou Natalie. — Filhos? Não... Acho que não. Seria muita... Loucura. Você sabe, neste mundo perigoso em que vivemos.
– É uma pena. Um casal tão bonito com certeza teria filhos igualmente bonitos. — opinou Susan fazendo Dean e Natalie se entreolharem de novo um pouco incomodados.
Então a caçadora decidiu mudar de assunto rapidamente antes que aquilo ficasse ainda mais embaraçoso:
– Você tem um vaso bem interessante na varanda. Onde o conseguiu?
– Eu não faço ideia. Está lá há muito tempo. — respondeu Susan, depois entregou uma chave para Dean e disse — Aqui está. Quarto 237. Aproveitem a estadia. — em seguida olhou para um senhor de aproximadamente sessenta anos que se aproximava e que trabalhava no hotel e pediu — Sherwin, por favor, leve o casal até o quarto.
– Deixa eu adivinhar. Antiquários? — supôs o senhor observando Dean e Natalie com um sorriso simpático.
Instantes depois, os três subiram as escadas e começaram a caminhar por um enorme corredor em direção ao quarto. Sherwin fez questão de levar as malas e o casal se encarregou apenas das mochilas.
– Então o hotel vai fechar mesmo? — sondou Natalie.
– Sim, a Sra. Thompson tentou continuar, mas não tem mais hóspedes como antes. O que é uma pena. Pode até não parecer, mas este lugar era um palácio. Dois vice-presidentes deitaram as cabeças nos nossos travesseiros. Meus pais trabalharam aqui. Eu praticamente cresci aqui. Vou sentir falta. — respondeu Sherwin e depois de parar diante de uma porta anunciou — Este é o quarto de vocês.
Natalie entrou primeiro, depois Dean. O caçador colocou as malas em um canto e ficou parado na porta observando Sherwin que tinha estendido a mão esperando a gorjeta. Dean franziu a testa e encarou o homem por mais alguns instantes até que o senhor questionou:
– Você não vai ser sovina comigo, vai, rapaz?
Sem outra alternativa, Dean colocou a mão no bolso e deu algum dinheiro para o funcionário antes de sorrir sem graça e fechar a porta. Então ele observou Natalie abrindo a mochila e lembrou do que Susan disse há alguns minutos. A loira também pensava naquilo, mas nenhum dos dois teve coragem de fazer qualquer comentário sobre o assunto.
Ao invés disso, Natalie pegou o notebook dentro da mochila e sentou na cama enquanto Dean examinava o quarto minuciosamente. Em uma das paredes havia um vestido (sim um vestido) emoldurado. Provavelmente tinha sido deixado por algum hóspede importante.
– Que hotel esquisito. É difícil acreditar que eles tenham ficado neste ramo tanto tempo. — opinou o caçador antes de sentar em uma poltrona e quase cair dela quando o assento afundou mais do que ele imaginava.
Natalie riu da cena e em seguida voltou-se para o notebook enquanto Dean a olhava discretamente e voltava a pensar no assunto levantado por Susan. Sorriu levemente ao imaginar como seria um filho ou filha dele com a loira. Mas em seguida afastou aquele pensamento, pois sabia que não tinha fundamento cogitar algo assim. Natalie estava certa. Era loucura. Caçadores não podiam ter filhos. Era perigoso e egoísta. Eles já tinham muita sorte de ter um ao outro. Filhos estavam fora de cogitação.
– Escuta isso, Sr. Awesome. — anunciou Natalie fazendo Dean voltar a si. — Vítima número 1, Joan Edison, 43 anos, corretora. Cuidava da venda do hotel. E vítima número 2, Larry Williams. Transportava as coisas que foram doadas. — relatou ela depois de ler rapidamente sobre os acidentes em um site de um jornal local.
– Tem uma ligação. Os dois estavam envolvidos no fechamento do hotel. — observou Dean.
– Vai ver que alguém não quer ir embora daqui. E está usando o hudu para isso. — cogitou a loira.
– Quem você acha que é o feiticeiro? A Susan? — questionou o caçador.
– Pouco provável já que é ela que está vendendo o hotel. — lembrou Natalie.
– Então quem? Sherwin? — prosseguiu Dean.
– Eu não sei. — respondeu a caçadora fechando o notebook e olhando para o noivo.
Dean encontrou o olhar dela e automaticamente os dois lembraram do que Susan havia dito na recepção. Em seguida, desviaram o olhar por alguns instantes e voltaram a se encarar em seguida.
– Nós não precisamos falar sobre aquilo. — disse Natalie de repente. — Eu quero dizer... É normal as pessoas fazerem este tipo de pergunta para um casal, mas a Susan não nos conhece de verdade, não sabe o que nós fazemos e por isso não sabe por que nós não podemos... Você sabe... Ter aquelas mini pessoas.
– Crianças? — corrigiu Dean.
– É. Isso aí. — confirmou Natalie um pouco incomodada com aquele assunto.
Após um momento de silêncio, Dean recomeçou:
– Mas você, alguma vez, pensou nisso?
– Dean, eu vou me casar com você. Isso pra mim já é mais do que suficiente. — desconversou a loira.
– Não foi isso o que eu perguntei. Você já pensou em filhos ou não? — insistiu o Winchester.
Depois de pensar um pouco, Natalie respondeu:
– Eu sempre evitei pensar nisso para não... Criar ilusões. — e depois de uma pausa acrescentou — Você sabe que ter um filho seria loucura, não sabe, Sr. Awesome? Um filho de caçadores? Que futuro ele teria? Virar caçador também? Ser a nossa fraqueza? Um alvo para demônios e para mais uma série de inimigos? Não... Isso seria loucura demais até para a gente. Casar tudo bem, eu caso. Caso feliz, aliás. Mas filhos... Filhos, não... Filhos... Nunca.
Dean pensou um pouco e depois concordou:
– Você está certa. Eu nem sei por que nós estamos conversando sobre isso se você disse que nós não precisávamos conversar sobre isso e quer saber? Você estava certa também. Nós não devíamos ter começado este assunto.
– Então vamos esquecer. — propôs Natalie.
– E nos concentrar no caso. — completou Dean se levantando.
– Ótima ideia! — apoiou a loira se levantando da cama. — Nós podemos dar uma olhada no hotel e ver se encontramos alguma pista ou mais daqueles símbolos de hudu.
– Tudo bem, vamos. — concordou Dean e em seguida os dois deixaram o quarto.
Depois de caminhar alguns metros, Natalie parou e mostrou para Dean um outro vaso que tinha o mesmo símbolo que eles viram no vaso da varanda. Em seguida, eles andaram mais um pouco e pararam diante de uma porta onde lia-se "Privado." Dean bateu algumas vezes e Susan abriu a porta instantes depois. Ficou surpresa ao ver o casal ali e perguntou:
– Está tudo bem com o quarto de vocês?
– Sim. Tudo perfeito. — respondeu Natalie.
Os três se entreolharam sem dizerem mais nenhuma palavra. Aquilo estava começando a ficar embaraçoso. De repente, Susan notou que Dean olhava para o interior do quarto e resolveu acabar com o silêncio:
– Eu estava arrumando umas coisas da mudança.
– Ei! Aquilo são bonecas antigas? — perguntou Dean de repente olhando para várias bonecas de porcelana espalhadas em prateleiras e armários. — Porque esta aqui é uma grande colecionadora de bonecas, não é, baby? — disse ele indicando Natalie ao seu lado.
Foi então que Dean notou que a noiva tinha ficado pálida e lembrou da fobia que ela sentia em relação à bonecas. Mas ao invés de se solidarizar, ele achou engraçado e ficou olhando para ela a obrigando a responder:
– Sim...
– Será que ela pode... Será que nós podemos entrar para ver? — perguntou Dean voltando-se para a dona do hotel.
– Eu não sei... — respondeu Susan um pouco hesitante.
– Por favor. — insistiu Dean enquanto Natalie o fuzilava com o olhar. — Ela adora. Ela não vai admitir, mas ela sempre troca as roupinhas das bonecas. E ela ia adorar dar uma olhada nessas, não ia, baby? — disse ele voltando-se para a noiva.
Natalie entendeu que era importante para o caso que ela e Dean entrassem e checassem as bonecas, mas por Deus! Eram bonecas! Ela morria de medo daquelas coisas e Dean não só sabia como estava achando aquilo engraçado. Mas, como era importante para o caso, ela acabou fazendo um esforço e respondendo:
– É verdade. Eu ia... Adorar.
– Tudo bem, entrem. — assentiu Susan abrindo espaço para que os dois passassem.
Natalie cruzou os braços e evitou olhar para as bonecas. Mas acabou percebendo que Susan estava estranhando o seu comportamento e tentou relaxar. Se concentrou em uma prateleira qualquer e fingiu interesse enquanto o seu coração acelerava cada vez mais e as suas mãos ficavam suadas a cada instante.
– Uau! São muitas bonecas. — observou Dean caminhando pelo quarto e olhando tudo em volta. — E elas são lindas. Não são estranhas nem nada.
– Eu acho que elas são meio estranhas. Mas estão na família há anos. Tem muito valor sentimental. — explicou Susan.
Natalie caminhou um pouco e olhou para todas aquelas bonecas espalhadas pelo quarto. Parou um tanto assustada. Parecia que todas, todas as bonecas, estavam olhando para ela. A loira sentiu um arrepio percorrer o seu corpo e uma vontade de gritar e sair dali correndo. Mas Natalie sabia que ela e Dean tinham que encontrar mais pistas. E bonecas eram usadas em vários feitiços de vodu e hudu. Além disso, ela não podia fugir dali como uma criança assustada, embora se sentisse exatamente como uma naquele exato momento.
Respirou fundo e procurou outra coisa para se concentrar. Acabou encontrando algo no centro do quarto que lhe intrigou e fez o medo em relação às bonecas se dissipar um pouco.
– O que é isto? O hotel? — perguntou ela diante de uma enorme réplica do estabelecimento.
– Sim. É uma réplica exata feita por encomenda. — esclareceu Susan.
Natalie andou em volta da réplica prestando atenção em cada detalhe e tentando se esquecer de que o quarto estava cercado de bonecas que olhavam constantemente para ela. Mas para seu desespero, ela acabou descobrindo que a réplica do hotel também tinha vários bonecos e bonecas espalhados pelo seu interior. Eram de outro tipo, mas mesmo assim eram aquelas coisas macabras.
De repente, ela viu algo em uma parte da réplica, que simulava a escada e o hall, e pegou um boneco que estava caído. Mostrou para Dean e Susan e ainda sem acreditar que tinha mesmo pegado naquela coisa disse:
– A cabeça dele está torta.
Dean se aproximou e pegou o boneco antes que Susan pudesse notar que as mãos da loira estavam tremendo muito. Então ele perguntou:
– O que aconteceu com ele?
– Deve ter sido a Tyler. — supôs Susan.
Neste momento a filha dela entrou no quarto reclamando:
– Mãe, a Maggie é muito má.
– Tyler, diga para ela ser boazinha, está bem? — sugeriu a mãe.
– Oi, Tyler. Você quebrou o seu boneco. Quer que eu conserte? — indagou Dean.
– Eu não quebrei. Eu encontrei assim. — esclareceu a garotinha.
– Talvez tenha sido a Maggie? — sugeriu o caçador.
– Não. Não foi nenhuma de nós. A vovó ia brigar se a gente quebrasse. — respondeu a menina.
– Tyler, ela não ia brigar. — discordou Susan.
– Vovó? — repetiu Dean interessado enquanto Natalie voltava a olhar para as dezenas de bonecas espalhadas e a ficar incomodada com aqueles olhares em cima dela.
– Vovó Rose. Os brinquedos são dela. — explicou Tyler.
– É mesmo? E onde a vovó Rose está? — quis saber Dean.
– No quarto dela. — respondeu Tyler.
– Sabe, eu ia adorar falar com a Sra. Rose sobre estas bonecas incríveis. — insinuou Dean.
– Não! — disse Susan de repente soando um tanto ríspida. Em seguida, ela explicou com mais cuidado — Eu sinto muito, mas não é possível. Minha mãe está muito doente e não recebe mais visitas.
– Com licença. — disse Natalie de repente saindo do quarto visivelmente atordoada.
Susan encarou Dean um pouco confusa e perguntou:
– Tem certeza que ela gosta mesmo de bonecas?
Dean sorriu sem graça e instantes depois deixou o quarto. Susan e Tyler caminharam até a porta e observaram o casal que seguia pelo corredor.
– Baby, espera. — chamou o Winchester.
A loira não parou e ele andou mais depressa. A alcançou e a segurou pelo braço fazendo Natalie voltar-se na direção dele. Ela se soltou e cruzou os braços contra o peito.
– Ei, o que aconteceu? — indagou o caçador fazendo-se de desentendido.
– O que aconteceu?! — gritou Natalie e em seguida falou mais baixo, porém igualmente indignada — Você sabe muito bem o que aconteceu. Então, achou divertido se aproveitar do meu medo daquelas coisas pavorosas?
– Coisas pavorosas? Eu achei elas tão fofinhas. — provocou Dean e segurando o riso, tentou consertar — Tudo bem... Me desculpe, ok?
Natalie franziu a testa e observou revoltada:
– Ai meu Deus, você está rindo. Você está rindo, seu desgraçado!
– Não... Não estou não. — disfarçou Dean respirando fundo em seguida. — Tudo bem, eu estou tentando não rir. — prosseguiu ele segurando o riso de novo. — Desculpe, Naty... Mas é tão... Engraçado... — falou e logo depois não aguentou mais conter a vontade de rir e riu de fato.
– Para de rir! — ordenou Natalie enquanto batia no peito dele.
Dean segurou os pulsos dela, fez um esforço enorme para parar de rir e quando conseguiu, ele pediu:
– Olha, me desculpe... Eu realmente, sinto... Muito...
Mas Dean não resistiu e voltou a rir. A gargalhar. Natalie se soltou e caminhou até o quarto com raiva. Entrou, mas antes que ela batesse a porta, Dean conseguiu entrar também e fechou a porta atrás de si.
– Mamãe, por que eles estão brigando? — perguntou Tyler olhando para cima para ver a mãe.
– Casais brigam de vez em quando, querida. — respondeu Susan.
Em seguida, ela voltou para o quarto com a filha e fechou a porta.
Dean caminhou até Natalie que estava de frente para a cama abrindo a mochila. Em seguida o caçador fez a loira se voltar para ele mais uma vez e pediu:
– Desculpe.
Natalie o observou atentamente e ao perceber que Dean tentava disfarçar um sorriso, o empurrou e voltou-se para a mochila. Guardou dentro dela o notebook que tinha deixado sobre o travesseiro momentos antes.
– Ei, o que você está fazendo? — indagou Dean enquanto Natalie fechava o zíper.
– O caso é seu. — avisou a loira colocando a mochila em um dos ombros e tentando passar por Dean.
– Como assim? — questionou ele ficando na frente dela e se movendo de um lado para o outro quando Natalie tentava escapar. — Eu não acredito que você vai embora só porque eu ri do seu medo de bonecas.
– Só porque você riu do meu medo de bonecas?! — repetiu ela com raiva, voltando a bater nele com força. Dean aproveitou o momento de distração e pegou a mochila no ombro dela. — Ei! Me devolve isso! Agora, Dean Winchester! — ordenou Natalie ainda mais nervosa.
– Uhh... Eu adoro quando você me chama assim, baby... Tão brava dizendo o meu nome. É excitante, sabia? — provocou ele enquanto afastava a mochila do alcance dela.
Natalie ficou ainda mais nervosa e tentou pegar a mochila de novo, mas toda vez que a loira tentava pegá-la, Dean a afastava mais um pouco dando um pequeno passo para trás. Natalie insistia e dava um passo para a frente em seguida, mas Dean continuava mantendo a mochila longe dela.
– Me dá isso aqui... — pediu Natalie um pouco cansada daquele impasse e ficando mais próxima de Dean a cada instante.
Foi quando os seus olhares se encontraram. E permaneceram fixos um no outro por algum tempo. Um silêncio absoluto reinou no quarto e era cortado apenas pelas respirações ofegantes do casal.
Natalie pareceu se acalmar e sem perceber acabou olhando para a boca de Dean tão próxima do seu rosto. Instintivamente, ele também acabou olhando para os lábios dela. Semiabertos, como se esperassem por alguma coisa. Aos poucos, os dois voltaram a se olhar nos olhos. Profundamente. Como se aquela fosse a primeira vez que estavam se vendo.
Sem se afastar um centímetro sequer, Dean colocou a mochila sobre a cama com uma das mãos e com a outra segurou o rosto de Natalie. Voltou a olhar fixamente para os lábios da loira, fechou os olhos e a beijou com ímpeto. Logo segurou o rosto de Natalie com as duas mãos e ela também envolveu o rosto de Dean com as suas. O abraçou logo depois e Dean a fez deitar na cama caindo por cima da loira em seguida. Suas mãos subiram pelo corpo de Natalie com certa urgência. Voltaram a envolver o rosto dela com carinho. Dean a beijou ainda mais intensamente movido por um desejo que surgiu do nada, durante uma discussão e que ficava incontrolável a cada instante. Precisava dela. Precisava ficar mais e mais perto dela. Precisava fazer uma coisa com ela.
De repente, Natalie se virou e ficou por cima de Dean. Afastou o rosto e sentou em volta da cintura dele antes de dizer um tanto ofegante:
– Olha só. Parece que de repente alguém ficou com vontade de brincar.
– Ah! Você também ficou. Vem cá. — disse Dean um tanto impaciente tentando puxar Natalie para junto dele.
Mas a loira se esquivou e segurou os pulsos de Dean contra o colchão se curvando um pouco sobre o caçador. Então ela aproximou o seu rosto do dele e deixou que Dean ficasse olhando para a sua boca por algum tempo até que resolveu chamá-lo de volta para a realidade e ressaltou:
– Ficou com vontade de brincar depois de ter rido de mim.
– Qual é, Naty? Eu já pedi desculpas. — defendeu-se ele.
– Desculpas não são suficientes. Você merece um castigo. — opinou Natalie.
– Uhh... Você sabe que é exatamente o que eu quero, baby. — respondeu Dean sorrindo com malícia e gostando daquela ideia.
Natalie franziu a testa e esclareceu:
– Não este tipo de castigo, idiota. — e depois de se afastar, levantar da cama, passar as mãos pelos cabelos um tanto bagunçados e respirar fundo recuperando o fôlego roubado por Dean, ela completou — Mas sim este tipo de castigo.
Confuso, Dean observou a loira abrindo a mochila ao lado dele e pegando o notebook. Depois ela caminhou até uma mesinha no canto do quarto, colocou o computador sobre ela, puxou uma cadeira e sentou. Ligou o notebook.
– O que você está fazendo? — questionou Dean sentando na cama.
– Você está certo, Sr. Awesome. Eu não posso abandonar o caso só porque você é um idiota. Então eu vou ficar e nós vamos resolver isso. Mas até lá, a hora de brincar está suspensa. Este será o seu castigo. — respondeu Natalie enquanto pesquisava alguma coisa na Internet.
– Você está brincando, não é? — indagou Dean incrédulo. E quando Natalie olhou para ele o fazendo perceber que ela estava falando sério, o caçador argumentou — Você não aguenta, Natalie Jones!
– Sabe, por enquanto que eu pesquiso sobre o hudu, você podia ir conversar com o Sherwin. Ele trabalha aqui há tanto tempo, deve ter muitas histórias sobre a Sra. Rose. Por que você não tenta descobrir alguma coisa com ele? — sugeriu Natalie tranquilamente e em seguida voltou-se para o notebook.
Dean respirou fundo, levantou da cama e respondeu com raiva e frustração:
– Tudo bem! Se é mesmo o que você quer... Tudo bem! Mas primeiro eu vou tomar um banho frio. Eu preciso de um banho frio... E nada de me espiar pelo buraco da fechadura, entendeu?! Tarada...
Então ele caminhou até o banheiro, entrou e bateu a porta violentamente. Natalie sorriu satisfeita com aquele desfecho, embora a ideia de espiar Dean lhe agradasse muito.
Fale com o autor