Crossfire
55 Quem é rei nunca perde a majestade
Notas iniciais
Os dois casais, presos contra a parede, encaravam Crowley apreensivos e sem entender o que ele planejava. Abaddon também estava confusa e começava a temer de fato por sua vida. Não era segredo para ninguém que ela e Crowley eram inimigos mortais, muito menos que ela tinha tomado o posto dele no Inferno. E agora ele estava em vantagem em relação a ela, tinha a Primeira Espada e a ruiva estava presa no próprio corpo, e com aquelas correntes e algemas, impossibilitada de lutar ou fugir.
Cansada daquele silêncio, e tentando, em vão, se desprender daquela força sobrenatural e demoníaca que a mantinha presa contra a parede, Claire questionou:
– E como você vai jogar, Crowley? Você disse que era a sua vez... O que você quer? O que você vai fazer?
– Bem lembrado, Sra. Moose. – disse o demônio.
Em seguida, ele caminhou lentamente até Abaddon e parou diante dela. A ruiva o encarava com um olhar petulante, porém era possível perceber algumas nuances de medo em seus olhos.
Enquanto Sam, Dean, Claire e Natalie observavam aquela cena, o demônio recomeçou:
– Aí está você, Aby. Exatamente onde eu quero. Finalmente.
– Você vai me matar ou vai ficar batendo papo? – indagou Abaddon tentando demonstrar indiferença.
Crowley observou a Primeira Espada por alguns instantes em sua mão e depois prosseguiu:
– Sabe... Eu espero, realmente, que você tenha se divertindo neste curto período de reinado. Eu vou levar algum tempo até arrumar a bagunça que você e a sua petulância fizeram com o Inferno, mas eu vou conseguir, porque ao contrário de você, eu governei aquele lugar com maestria, conquistando apoio com a minha simpatia e o meu sotaque charmoso, e não com o uso da força ou impondo o medo como você fez. Admita, querida, você não nasceu para liderar.
– E você nasceu? – rebateu a ruiva sorrindo com sarcasmo. – Por favor, Crowley... Você não era nada, ninguém. Ou melhor, era apenas um comerciante, um vendedor de pactos, um comprador de almas, um demônio de encruzilhada. Existem milhares, milhões como você por aí.
– Eu comecei de baixo sim. Mas veja aonde eu cheguei, sweetie. Eu estou prestes a retomar o controle do Inferno, enquanto você... Bem, você já esteve em situações melhores, não é, Aby? Você começou de cima, como um Cavaleiro do Inferno, mas agora esta aí. Prestes a morrer e pelas minhas mãos. Pelas mãos de um reles demônio de encruzilhada que virou Rei. Irônico não? – expôs o demônio.
Abaddon desviou o olhar dos olhos de Crowley por alguns instantes, incomodada com aquela dura realidade, enquanto os caçadores presos contra a parede se entreolhavam tensos. Em seguida, o demônio deu mais um passo a frente, empunhou a Primeira Espada na altura do coração da ruiva e anunciou:
– Isso é por você ter mexido com o Moose e sua turma. – então Crowley perfurou a carne de Abaddon, deixando que apenas uma parte da lâmina da espada entrasse ali.
Ela gritou de dor, jogando a cabeça para trás, enquanto as veias ao redor do ferimento emitiam um brilho avermelhado e intenso.
– Só eu posso mexer com eles. Nós temos uma história. Somos meio que... Amigos. – esclareceu o demônio. – E isso... Isso é por mim. Por você ter achado, que podia mesmo me substituir no Inferno. – ao terminar de dizer essas palavras, Crowley forçou a lâmina da Primeira Espada para frente, fazendo-a entrar ainda mais no coração da ruiva que gritou e tentou se mexer desesperada, enquanto as veias sob sua pele brilhavam ainda mais. – Eu espero que você tenha aprendido a lição, Aby. – desejou o demônio.
Mesmo atordoada pela dor, Abbadon ainda conseguiu reunir forças para olhar para Crowley e perguntar entredentes:
– Que lição, seu desgraçado?
Crowley a observou por alguns instantes, se divertindo com a dor excruciante que a Primeira Espada causava nela. Depois sorriu, inseriu a parte da lâmina que faltava na carne já ferida e a girou com força e impiedade.
– Quem é Rei nunca perde a majestade. – respondeu ele.
Abbadon gritou mais uma vez e jogou a cabeça para trás enquanto uma luz forte, e também avermelhada, saía de seus olhos e de sua boca. Enquanto ela agonizava daquela forma, Claire e Natalie desviaram o olhar daquela cena. Sam e Dean também pararam de olhar em dado momento e fitaram o próprio chão. O grito da ruiva ecoava por todo o convento enquanto Crowley a encarava com um olhar severo e vitorioso. Demoníaco.
Momentos depois, ele finalmente retirou a Primeira Espada do peito de Abaddon. A cabeça da ruiva tombou para o lado enquanto os seus olhos ficaram estáticos, fitando o vazio. Ela estava morta.
XXX
Perto dali, Mia tossiu, incomodada pela fumaça produzida pelas chamas que consumiam o Mustang impiedosamente. Alguns estilhaços e pedaços da lataria tinham sido arremessados e caído relativamente perto da caçadora, mas por sorte nem um deles tinha a acertado.
Com tristeza, Mia olhou para trás, na direção do incêndio, e lamentou:
– Meu carrinho...
Em seguida, ela olhou para o topo da ribanceira e voltou a se arrastar.
XXX
Crowley retirou um lenço do bolso do terno, perfeitamente alinhado que vestia, e limpou a lâmina da Primeira Espada com cuidado. Em seguida, guardou a espada em um bolso interno e jogou o lenço ensanguentado sobre o corpo inerte de Abaddon, com certo desdém.
Ao deduzir o que ele planejava, Sam tentou dissuadi-lo daquela ideia dizendo com certa inocência:
– Crowley, você tem a Primeira Espada e matou a Abaddon. Agora você pode por um fim naquele exército.
O demônio virou, para ficar de frente para os quatro caçadores, e questionou:
– E por que eu faria uma coisa dessas? Eu sempre quis ter um exército mesmo. Como o Squirrel diz, é awesome!
– Mas você disse que governar usando a força é errado. – lembrou Dean.
– Eu não pretendo usá-lo no Inferno. Aliás, eu não pretendo usá-lo de forma alguma, a menos, é claro, que seja necessário. É como dizem, um demônio prevenido vale por dois. – expôs Crowley.
– Como assim? O que você quer dizer com isso? – perguntou Natalie.
Crowley suspirou e se aproximou mais um pouco antes de explicar:
– Abbadon está morta, Bartholomew está morto, mas o Metatron continua lá fora. E ultimamente, eu tenho ouvido algumas coisas interessantes sobre ele. Vocês sabiam que o Marv quer ser o novo Deus? Que ele está recrutando anjos, aliados, soldados? Formando um exército? Vocês sabiam que ele planeja reconstruir o Céu, conquistar a Terra e destruir o Inferno? O meu Inferno? E agora vocês vem me dizer que eu tenho que me livrar daquele exército de demônios obedientes lá fora?
Os quatro se entreolharam preocupados. Eles sabiam que Metatron planejava alguma coisa, que ele era uma ameaça, mas não imaginavam que ele tinha algo naquelas proporções em mente. Se tudo aquilo fosse verdade e acontecesse de fato, seria uma grande guerra, envolvendo anjos e demônios, e com os humanos bem no meio do fogo cruzado.
– Viram? – recomeçou Crowley observando as expressões deles. – No fundo, vocês sabem que eu tenho razão. Eu tenho que me precaver.
Claro que os Winchester, Claire e Natalie não concordavam com aquilo, mas eles sabiam que não tinham como convencer Crowley do contrário. Ainda mais naquela situação em que eles mal podiam se mexer, que dirá lutar e matar aquele demônio que voltava a ser uma pedra nos sapatos deles, ressurgindo das cinzas, como uma fênix.
– Então como vai ser agora? – indagou Claire de repente, querendo esclarecer aquela situação de uma vez por todas. – Você vai nos matar? Porque nós não concordamos com os seus métodos e você sabe muito bem que nós vamos fazer de tudo para impedir que pessoas inocentes se machuquem enquanto você e aquele anjo idiota brigam por aí.
– Matar vocês? – repetiu Crowley enquanto pensava um pouco no assunto. – Não, na verdade, eu acho que vocês podem ser até bem úteis no futuro. Nós só não concordamos com os termos, mas ambos queremos derrotar o Metatron, não é?
– Então? – quis entender Sam.
Depois de um longo silêncio, gostando de manter o suspense, Crowley respondeu:
– Bem, eu vou deixar vocês viverem. Por enquanto. Mesmo porque eu quero que vocês levem pessoalmente o meu agradecimento ao Bobby. Eu estava mesmo perdido, passando por uma fase complicada, viciado em... Sangue humano, eu não era o mesmo, eu admito. Mas então, depois que ele me disse aquelas palavras de apoio ao telefone, eu acordei. E percebi que estava no caminho errado. Mas agora... Crowley is back. Espalhem esta notícia. – após uma breve pausa, ele encerrou – Vida longa ao Rei.
Crowley encarou os quatro por um bom tempo até que ergueu a mão direita e estalou os dedos. Com isso, os caçadores sentiram aquela força, que os prendia até então, se extinguir completamente e caíram no chão. Se levantaram rapidamente e olharam em volta. Mas, obviamente, Crowley não estava mais lá. O jogo havia terminado.
XXX
Mia respirava com dificuldade, tentando conter o instinto de gritar e de chorar por causa de toda a dor que sentia. Todo o seu corpo gritava por socorro. Mesmo as poucas partes que não estavam machucadas, estavam doloridas de alguma forma. Fora isso, ainda tinha aquele enjoo e aquela sensação vertiginosa. Era difícil reunir forças para continuar, mas Mia sabia que não tinha outra escolha. Além disso, ela estava quase no topo da ribanceira. De lá, com certeza alguém a veria e poderia socorrê-la.
Mia se arrastou mais um pouco, fazendo bastante esforço, e por fim conseguiu chegar ao topo. Mas logo percebeu que isso não era uma vantagem naquele momento. Isso porque o exército de Abaddon estava dando a volta no antigo convento e vindo na direção dela em alta velocidade. O barulho de milhares de demônios cortando o ar era assustador e fez o coração da caçadora acelerar sentindo o perigo crescente.
Eles se aproximavam cada vez mais de onde Mia estava e ela recuou um pouco, fazendo da ribanceira uma espécie de trincheira para se proteger de um possível ataque.
Segundos depois, os demônios passaram por cima da cabeça de Mia numa velocidade imensurável e ela se abaixou mais um pouco. A cortina de fumaça vermelha não deixava que a caçadora enxergasse um palmo diante do nariz e produziam um vento forte que bagunçou ainda mais os seus cabelos.
Mas por algum motivo, eles não a atacaram. Talvez não tivessem visto Mia ali ou talvez só atacassem quando tinham ordens para isso ou quando viam um carro no meio do caminho e tinham que passar por ele, como tinha acontecido antes.
De qualquer forma, ver aqueles demônios passando por ela, fez Mia se perguntar o que tinha acontecido no convento. Aquilo não devia ser um bom sinal. Ao se perguntar isso, ela ficou extremamente preocupada, sem saber o que pensar, muito aflita.
Segurou a vegetação em volta de si com a força que conseguiu extrair do seu corpo debilitado, mas mesmo assim não foi suficiente, e Mia sentiu que estava deslizando cada vez mais pela ribanceira à medida que o exército passava por ela produzindo aquela forte ventania. Mia pensou em desistir, mas afastou aquele pensamento imediatamente e se manteve firme.
Por fim, os últimos demônios passaram por ela e seguiram com os outros para algum lugar além do horizonte. Desapareceram da mesma forma que tinham chegado. Abruptamente.
Mia respirou aliviada, mas ao fazer isso sentiu as suas costas e o seu tórax doerem profundamente. Olhou o Mustang destruído a alguns metros à frente e sentiu-se muito triste. Mais uma vez o exército tinha arrastado o veículo quando passou por ele. As chamas estavam quase extintas, mas a fumaça e o cheiro de queimado ainda era insuportável e iam até onde Mia estava.
Ela tentou se mexer para continuar a sua "peregrinação" rumo ao topo da ribanceira, mas cada músculo do seu corpo doía mais do que antes. Mia não aguentou e começou a chorar sentindo o desespero crescer dentro de si, mas isso só agravou a dor física que ela sentia. Então ela tentou se manter calma e respirou ofegante, puxando um pouco de ar por vez e contendo o choro.
Em seguida, passou uma das mãos pelo rosto e afastou as mechas de cabelo que tinham grudado na sua face suada e ensanguentada. Fechou os olhos por um instante, voltando a reunir forças. Depois abriu os olhos, arrastou a perna quebrada como pôde e se impulsionou em direção ao topo.
Cada impulso era um martírio, cada trecho percorrido era uma vitória. Quando estava quase chegando, Mia olhou para cima e viu um par de sapatos pretos de alguém que tinha acabado de chegar ali. Sentiu o seu coração dar um salto, se arrastou mais uma vez e começou a dizer:
– Cas... Graças a...
No entanto, logo a caçadora percebeu que aqueles não eram os sapatos do anjo. Aliás, aquele não era o seu anjo.
Mia fitou o rosto odioso logo acima do corpo robusto e imponente que o homem possuía e sentiu o seu coração gelar diante do susto de revê-lo.
Então Crowley flexionou os joelhos, se abaixando de frente para Mia, e ficou olhando para a caçadora um tanto intrigado antes de dizer:
– Nossa, Mia... Você está com uma aparência horrível. Dia complicado?
Com o pouco de força que ainda lhe restava, ela respondeu seca:
– Vai para o Inferno.
– Oh... Eu estou a caminho de lá. Obrigado por se preocupar. – respondeu o demônio tranquilamente e depois de observar o carro destruído logo adiante, explicou – Mas antes eu precisava descobrir exatamente o que tinha acontecido por aqui. Eu notei que você não estava no convento com os outros, vi fumaça para esses lados, e onde há fumaça, há fogo, não é? Eu só não esperava te encontrar nesta situação tão deplorável. Prestes a morrer. De novo. Sério, Mia... Você não se cansa disso? Sabe, se você sobreviver desta vez, eu acho que você devia pelo menos fazer um seguro de vida.
Mia tossiu um tanto sufocada pela fumaça que tinha inalado e, quando retomou o fôlego, perguntou com dificuldade:
– O que você fez com eles? Onde está o Cas e os outros? O que aconteceu?
– Você está quase morrendo e é com eles que se preocupa? – questionou o demônio. – Você devia poupar as suas forças, Mia. Suas energias. Não falar tanto.
– Me deixa em paz! – gritou a caçadora, engasgando em seguida.
Ela tossiu perdendo o ar e colocou a mão sobre a boca. Ao afastá-la dali, percebeu que tinha um pouco de sangue na palma da sua mão e entrou em pânico. Aquilo não era um bom sinal.
– Você está péssima mesmo. – constatou Crowley fazendo Mia fuzilá-lo com o olhar enquanto limpava a mão na calça. – Algo me diz que se você não for para um hospital nos próximos minutos, não vai aguentar por muito mais tempo. Você está morrendo, Mia.
– Jura? – ironizou a caçadora.
– Tem alguma coisa que eu possa fazer por você? Um último desejo? Talvez uma xícara de café? Continua sendo a sua bebida favorita, não é? – provocou ele.
Mia não respondeu. Não conseguia, não tinha forças. Além disso, a sua visão estava ficando um tanto embaçada e a voz do demônio tornava-se cada vez mais distante. Respirou lentamente tentando se manter firme, mas era cada vez mais difícil sequer manter os olhos abertos. Mesmo assim, ela resistiu. Não daria aquele gostinho para o Crowley. Não iria morrer na frente dele, sob os seus pés. Então o encarou com ódio e resistiu o quanto pôde.
Ele sorriu diante do esforço da caçadora e disse:
– Não se preocupe, Mia. Eu só estava me divertindo um pouco. Você não vai morrer. Você é uma sobrevivente, lembra?
A caçadora franziu o cenho sem entender porque o demônio estava lhe dizendo aquelas coisas. Crowley estava tripudiando em cima do sofrimento dela ou estava querendo confortá-la?
– Mas eu preciso dizer, a sua situação agora é bem difícil. Ninguém pode te ajudar. Nem o seu amado anjo, que está meio... Indisponível neste momento.
Mia sentiu o seu coração ficar apertado, mas não tinha força para formular as palavras e perguntar o que Crowley tinha feito com Castiel.
– Ninguém pode te ajudar, Mia. – repetiu o demônio. – Só você. Agora tudo depende de você. – ao perceber o olhar interrogativo da caçadora, Crowley continuou – As suas dores de cabeça pioraram, não foi? E as visões e os pesadelos estão cada vez mais claros, não é? Bem... Ponto para mim. Ou melhor, para o meu sangue que corre nas suas veias. – após uma breve pausa observando a garota, ele prosseguiu – Eu sei que você sabe o que tudo isso significa, Mia, mas eu vou te dizer mesmo assim. Você está ficando mais forte. E vai ficar cada vez mais. Talvez você ganhe até outros poderes de brinde... Mas tudo depende de como você vai passar por este momento. Como o seu corpo vai reagir ao que está acontecendo agora.
Mia ainda encarava Crowley sem entender aonde ele queria chegar com aquela conversa, quando o demônio se levantou dando a entender que iria embora. Ela ergueu a cabeça para fitá-lo e Crowley disse com certo mistério:
– Não se preocupe, Mia. Eu tenho certeza que desta vez tudo vai ser diferente. Isso tudo vai ser como... Como um divisor de águas na sua patética existência. Você vai ver.
A caçadora percebeu que Crowley iria se afastar e conseguiu reunir forças para dizer entredentes:
– Se eu sobreviver... – o demônio se deteve e a encarou interessado. – Na próxima vez que eu te encontrar, eu vou matar você. Eu juro que vou.
Crowley colocou as mãos nos bolsos da calça enquanto pensava um pouco e olhava um ponto qualquer do horizonte. Momentos depois, voltou a olhar para a garota aos seus pés e discordou:
– Não, você não vai. E sabe por quê? Porque na próxima vez em que me encontrar, você vai querer algumas respostas, Mia. Por que eu te dei o meu sangue? Por que eu não te matei hoje? Agora mesmo? Bem... Eu vou estar lá. Pronto para responder essas e outras perguntas que estiverem te perturbando. – antes de se afastar, Crowley desejou – Por agora eu só posso te desejar boa sorte. Você vai precisar.
Mia fechou os olhos por um instante e quando deu por si, o demônio havia desaparecido no ar, a deixando mais perdida e confusa do que nunca. Que conversa tinha sido aquela? O que Crowley quis dizer com aquelas coisas? O que o sangue daquele desgraçado estava fazendo com ela?
A caçadora ainda se perguntava tudo isso quando sentiu sua visão ficando turva e os sons em volta se distanciando pouco a pouco. Fechou os olhos e deixou sua cabeça tombar sobre a grama... Não aguentava mais.
XXX
Mia não saberia dizer por quanto tempo ficou desacordada, mas quando abriu os olhos novamente parecia que havia se passado um século.
Zonza, ela olhou em volta, ainda com a visão embaçada, e reconheceu o banco traseiro do Impala. Sentiu que o carro estava em movimento e percebeu vultos na parte da frente.
Alguém estava com ela no banco traseiro. Mia estava com a cabeça no colo deste alguém. E este alguém estava acariciando os seus cabelos. Ela não precisava enxergar para saber quem era. Reconhecia o seu toque.
Mia só não entendia o que Castiel estava esperando? Por que ele não usava os seus poderes para curá-la? Será que tinha acontecido alguma coisa com ele? Será que tinha alguma coisa errada com a sua graça? O que Crowley tinha feito com Castiel? E para onde o Impala estava levando-a?
Mia sentiu vontade de falar, de perguntar coisas, de responder a pergunta que Castiel havia lhe feito há poucos dias. Mas quando abriu a boca, a sua voz não saiu.
A caçadora ouviu o anjo pedindo que ela não se esforçasse e fechou os olhos, sentindo que ia desmaiar a qualquer momento. E então perdeu a consciência mais uma vez...
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