Notas iniciais
Oi, gente! Tudo bem com vocês, criaturas do meu Brasil sil sil? Espero que sim! Bem, quero dedicar este capítulo para a menina Kichanny que fez uma recomendação PERFEITA para a fic! Muito obrigada, flor! Não sabe como fico feliz com as suas palavras meigas! Valeu, valeu, valeu e valeeeeuuuuuuuuu! Brigaduuuuuuuuuuuuuuu (sim, voz de Fábio Jr, ok?) Prosseguindo, hoje trago para vocês o penúltimo capítulo da fic. Snif... Já tá me dando uma nostalgia aqui... Nele teremos algumas respostas sobre o que o sangue do tio Crowley está fazendo com a Mia, e de certa forma, plantarei algumas sementinhas para a próxima fic. Este capítulo é basicamente Miastiel, mas também teremos Sam e Dean no melhor estilo Dr. Sexy (lembram deste episódio? kkkkkkkk) Depois de muita turbulência nos capítulos anteriores, trago um capítulo mais calmo e meigo que eu amei escrever. Espero que gostem! Lá vai... PRE-PA-RA!

Ilchester, Maryland — Hospital St. Mary's Duas horas da tarde

Mia começou a ouvir sons ao longe. Eram passos, ruídos, vozes, sirenes de ambulâncias e um autofalante que chamava um médico para examinar um determinado paciente.

A caçadora foi despertando aos poucos, enquanto aqueles sons se tornavam mais perceptiveis aos seus ouvidos.

Ela abriu os olhos devagar, se acostumando com o quarto completamente branco e com a luz natural que entrava por uma janela. Olhou para as suas mãos sobre o cobertor bege, que cobria o seu corpo da cintura para baixo. Viu que havia uma intravenosa em sua mão direita, lhe dando algum tipo de medicação, mas o anel que Castiel havia lhe dado tinha sumido misteriosamente do seu dedo.

Mia estranhou aquele detalhe, mas ainda estava se acostumando com o ambiente e com o fato de que tinha sobrevivido. Por isso, não deu tanta importância para aquilo naquele momento.

Lembrou de tudo que lhe aconteceu perto do convento e da última lembrança que tinha: ela no Impala com Castiel, enquanto duas pessoas, provavelmente Sam e Dean, estavam na parte da frente do veículo. Um deles dirigindo velozmente enquanto ela perdia a consciência, atordoada por todos os ferimentos e dores que acometiam o seu corpo naquele momento crítico.

Mia fechou os olhos tentando afastar aquelas memórias dolorosas e desesperadoras. Não queria mais pensar naquele pesadelo que viveu. Queria esquecer tudo aquilo. Afinal, o importante é que, milagrosamente, ela tinha sobrevivido. E estava muito feliz por isso.

Pensando assim, ela abriu os olhos de novo, respirou profundamente e soltou o ar com força. Ficou aliviada ao constatar que aquilo não lhe causou grande desconforto. Ainda sentia-se fraca e dolorida, mas definitivamente estava bem melhor do que quando chegou ali. Com certeza, o perigo maior já havia passado.

Ao ouvir um barulho, a garota olhou para o lado e viu Castiel se levantando rapidamente de uma poltrona que havia no canto do quarto. O seu coração disparou diante da presença dele. Novamente, se sentiu muito feliz por ter sobrevivido a tudo aquilo e por poder estar com ele de novo.

– Mia... – murmurou Castiel visivelmente emocionado.

O anjo se aproximou da cama profundamente aliviado por Mia ter acordado. Colocou a mão direita sobre as mãos da caçadora e, com a outra mão, tocou o rosto dela. O acariciou com cuidado. Tinha medo de que aquilo causasse alguma dor a ela.

Mas sentir o toque suave de Castiel fez Mia se sentir ainda mais viva e disposta, como se o seu corpo inteiro, sua alma e o seu coração precisassem urgentemente daquilo para acordar de vez, para voltar de vez.

Mia sorriu diante daquele gesto de carinho e daquele homem, na verdade anjo, que ela amava tanto. Sentia-se tão bem por estar perto dele de novo, que resolveu brincar:

– É muito clichê perguntar se por acaso eu morri e vim parar no céu?

Ao ouvir aquilo, Castiel ficou sério e franziu o cenho antes de questionar:

– Por que você acha que eu estaria no céu, Mia? Eu perdi as minhas asas, lembra? O Metatron me expulsou de lá, ele fez isso com todos os anjos... Há quase um ano, aliás. – e visivelmente preocupado, ele completou – Ah, não... Não me diga que você perdeu a memória de novo?! Eu juro que desta vez, eu não tenho culpa...

Mia riu diante daquela pequena confusão e explicou:

– Era só uma cantada barata, anjo. Não se preocupe, nós já passamos da fase de perder a memória, ok? Eu me lembro de você. De nós. De tudo. E eu juro que nunca mais vou me esquecer. Mesmo que façam lobotomia em mim.

Apesar de não ter achado engraçada a parte da "lobotomia", Castiel respirou aliviado e, instintivamente, se curvou na direção de Mia, pensando em abraçá-la o mais forte que pudesse. Estava muito feliz por ela estar ali com ele, de volta e bem. Estava com muita saudade do som da sua voz, do seu sorriso, de tudo.

Mas, ao tentar abraçá-la, Castiel foi surpreendido por um gemido agudo da caçadora e se afastou rapidamente. Olhou para o rosto de Mia, que tinha franzido a testa, fechado os olhos e fazia uma careta de dor.

– Eu sinto muito... Mia, me desculpe. Eu esqueci que você fraturou algumas costelas. – lamentou ele envergonhado.

A dor foi passando e a garota abriu os olhos antes de perguntar:

– Algumas?

– Três, para ser mais preciso. – relatou o anjo.

Com certo receio, Mia passou uma das mãos sobre o tecido fino da camisola que usava. E percebeu que o seu tórax e parte do seu abdômen estavam cobertos por camadas e mais camadas de bandagens.

– E por conta disso, você teve uma perfuração em um dos pulmões e uma hemorragia interna. – contou Castiel com pesar. – Você perdeu muito sangue, Mia. Mas agora está tudo bem. Não completamente bem, mas você está se recuperando pouco a pouco. O pior já passou.

A caçadora assentiu com um meneio de cabeça e olhou em volta. Depois voltou a fitar o anjo e recomeçou:

– Mas eu estou um pouco confusa... O que eu estou fazendo em um hospital? Por que vocês me trouxeram para cá? Por que você não usou os seus poderes para me curar, anjo?

Castiel permaneceu em silêncio. Não sabia como explicar aquilo. Nem sabia se devia. Mia tinha passado a última semana inconsciente, sedada por conta dos graves ferimentos que sofreu. Então, naquela manhã, depois de apresentar uma melhora significativa, ela tinha sido transferida para o quarto. Os médicos suspenderam as medicações que a mantinham sedada e Mia havia acordado há menos de cinco minutos. Era tudo muito recente e o melhor era ir com calma para não assustá-la ou comprometer a sua recuperação.

Castiel pensava desta forma quando percebeu que Mia o encarava, esperando uma resposta. A conhecia muito bem para saber que a caçadora não iria sossegar enquanto ele não contasse o que tinha acontecido.

Então Castiel sentou na beira da cama, ficando de frente para Mia, colocou novamente uma das mãos sobre as dela, e resolveu dizer:

– Eu tentei.

– Tentou? – indagou ela sem entender.

– Eu tentei te curar, Mia. Mas eu não consegui. – esclareceu o anjo.

A caçadora o observou atônita e preocupada. Com certa cautela, ela perguntou:

– Tem alguma coisa errada com você? Eu quero dizer... Com a sua graça? Ou melhor, com a graça que você pegou emprestada?

Castiel escolheu as melhores palavras para dizer aquilo, esperando que Mia entendesse sem que ele precisasse entrar em detalhes, e então respondeu:

– Não. A graça do Theo não é a ideal para mim, e é por isso que eu preciso recuperar a minha o quanto antes, mas não é este o problema.

Mia franziu o cenho e questionou:

– Então?

Ao contrário do que Castiel desejava, ela não havia entendido aonde ele queria chegar. O anjo teria que ser mais claro. Então ele revelou com cuidado:

– Eu tentei te curar e não consegui, Mia, porque... Aparentemente, tem alguma coisa... Diferente em você. – a caçadora não esboçou nenhuma reação, não tinha certeza se tinha entendido o que aquilo significava e Castiel resolveu ser ainda mais claro – Parece que você desenvolveu algum tipo de... Imunidade aos meus poderes.

Automaticamente, Mia se lembrou da conversa com Crowley e desviou do olhar de Castiel. Sua cabeça girava e ela lembrou de algo que o demônio lhe disse. No meio de todas àquelas palavras sem nexo e em meio às inúmeras provocações, ele tinha dito algo sobre novas habilidades que ela poderia desenvolver se sobrevivesse.

Mia voltou a olhar para Castiel que prosseguiu:

– Eu sei que imunidade a anjos pode assustar um pouco. Para falar a verdade, isso me assusta também porque eu não poderei mais te ajudar quando for preciso, Mia, mas... Talvez isso não seja totalmente ruim. Se você, por algum motivo, se tornou imune ao poder de cura dos anjos, talvez tenha se tornado imune a outras coisas também. Talvez você esteja desenvolvendo algum mecanismo de defesa contra anjos. Eu não sei, mas talvez você... Esteja mesmo mudando... Talvez você não precise mais que alguém te cure porque o seu corpo está ficando mais forte e...

– O Crowley disse que isso ia acontecer. – falou Mia de repente interrompendo o anjo.

Castiel a encarou surpreso e perguntou:

– Você viu o Crowley?

– Sim. – confirmou a garota.

Em seguida, ela viu uma nuance de ódio e revolta surgir no olhar de Castiel, que perguntou num tom extremamente sério:

– Ele fez isso com você? Provocou o seu acidente?

– Não! – respondeu Mia prontamente. Crowley podia ser um demônio, mas não era justo que ele levasse a culpa por algo que não fez. – Foi o exército de Abaddon. Eu tentei fugir, mas não deu tempo... Eles eram tantos... E... Viraram o Mustang antes que eu conseguisse sair... Foi horrível...

De repente a caçadora parou de falar ao perceber que ouvir aquele relato machucou Castiel de alguma forma. O sentimento de culpa era perceptível em seu rosto. Mia se deu conta de que o anjo não sabia quais tinham sido as circunstâncias do acidente. Quando ele a encontrou deve ter visto apenas o que sobrou do Mustang e o que sobrou dela mesma.

– Eu não devia ter te deixado para trás. – arrependeu-se Castiel.

– A ideia foi minha. – lembrou Mia.

Castiel não parecia ter ouvido. Seus olhos percorreram o cobertor que cobria Mia e ele continuou se martirizando:

– Eu te deixei sozinha... O que aconteceu com você foi... Foi minha culpa...

– Pode parar por aí. – avisou Mia firmemente fazendo Castiel olhar para ela um pouco assustado. – Vamos esclarecer uma coisa? Não tinha outro jeito e você sabe muito bem disso. Vamos esclarecer outra coisa? Você não me deixou para trás, você teve que me deixar para trás. E porque eu pedi que fosse assim. Vamos esclarecer mais uma coisa? Eu sobrevivi. E é isso o que importa. Então, pode parar com o drama. Eu estou bem, ok?

Castiel ficou em silêncio pensando no que Mia havia dito. No fundo, ele sabia que ela tinha razão, mas mesmo assim, sentia-se péssimo por tudo aquilo ter acontecido a ela. Mas também estava profundamente aliviado por Mia ter sobrevivido. Mais uma vez. E ela estava certa também quando afirmou que era isso o que mais importava.

Pensando nessas coisas, Castiel confidenciou:

– Eu não sei o que eu faria se você não tivesse acordado, Mia. Por um momento, eu pensei que você não fosse... Voltar. Que eu tinha te perdido para sempre.

Mia olhou o anjo com carinho e segurou a mão dele entre as suas antes de dizer:

– Eu estou aqui e não vou a lugar algum. Eu prometo que você não vai se livrar de mim, Cas. Pelo menos, não tão cedo.

Depois de um momento em silêncio, absorvendo aquelas palavras, Castiel resolveu mudar um pouco o rumo da conversa:

– Eu estou aliviado que você esteja bem, Mia, mas... Eu preciso te contar uma coisa.

– O quê? – quis saber a garota.

– Os médicos não sabem como explicar a sua recuperação. – contou Castiel visivelmente intrigado. – Você chegou aqui praticamente... Enfim, você sabe. Os médicos foram bem honestos e chegaram a dizer que não havia esperança, mas então... Bem, pelo visto eles se enganaram. E pelo visto você ficou mais forte mesmo. Sobrenaturalmente mais forte.

Novamente, Mia se lembrou da conversa com Crowley e supôs:

– Bem, o meu palpite é que isso tenha a ver com o sangue de demônio. Talvez ele esteja mesmo mexendo comigo, com o meu corpo. – e após uma pausa, prosseguiu – Sabe, quando o Crowley me encontrou depois do acidente, ele disse que eu não ia morrer, que eu sou uma sobrevivente e que passar por tudo isso seria um divisor de águas para mim. Que depois disso, tudo seria diferente. Talvez ele soubesse exatamente do que estava falando.

– Mia... – começou a dizer o anjo incomodado com a ideia de que a garota desse ouvidos para qualquer coisa que Crowley tivesse dito, mas no fundo, ele estava tão intrigado quanto ela.

– Eu odeio admitir, mas ele disse que eu teria um monte de perguntas e eu tenho, Cas. – interrompeu a garota um tanto aflita. – E eu sinto que só o Crowley pode respondê-las. Ele podia ter me matado, terminado o serviço que aqueles demônios começaram e acabado comigo, mas por algum motivo ele não fez isso. Ele quis que eu sobrevivesse. O Crowley quer me mostrar alguma coisa. Eu sinto.

– Você não está pensando em ir atrás dele, está? – temeu Castiel.

Mia pensou um pouco, suspirou e depois respondeu:

– Não. Pelo menos, não por enquanto. Eu não vou dar esse gostinho para o Crowley. De agir exatamente como ele espera que eu aja. Eu acabei de acordar, então eu vou ir com calma. Mas não se preocupe, anjo. Se eu for atrás dele, algum dia, eu quero fazer isso com você ao meu lado. Mas agora nós temos outra prioridade e é nisso que eu quero me concentrar.

– Que prioridade? – indagou Castiel.

– O idiota do Metatron. – lembrou a garota. – Nós ainda vamos caçá-lo, não vamos?

– Mia, no momento, a prioridade é a sua recuperação. – salientou Castiel.

– Mas eu tive uma visão, anjo. – contou ela um tanto ansiosa. – Quando eu estava no carro, depois que você saiu e pouco antes do exército de demônios aparecer, eu tive uma visão com o Metatron. Eu o vi em um bar, conversando com alguém, com outro anjo, eu acho.

– Tudo bem, ótimo. Eu vou querer saber os detalhes desta visão depois, mas se nós vamos caçá-lo juntos, como tínhamos combinado antes, primeiro você precisa se recuperar totalmente, Mia. – argumentou Castiel.

– Anjo, eu estou ótima. – assegurou ela.

Castiel ergueu as sobrancelhas sem acreditar naquilo e resolveu mostrar uma coisa para a garota. Então ele afastou um pouco o cobertor, revelando o gesso que revestia a perna direita de Mia (de um pouco acima do joelho até o pé), e perguntou:

– Tem certeza que você lembra de tudo o que aconteceu?

– Oh... Droga... – murmurou Mia se lembrando daquele pequeno detalhe e lembrando que há alguns segundos, ela tentou mexer a perna e não conseguiu.

Castiel a cobriu novamente e ressaltou:

– Como eu disse, a prioridade é a sua recuperação.

A caçadora suspirou derrotada e resolveu mudar de assunto:

– Ok, então o que eu perdi?

– O Bartholomew está morto. – revelou o anjo e de alguma forma, Mia entendeu que Castiel era o responsável por aquilo.

– Ótimo. – disse ela lembrando de tudo que passou por causa daquele anjo maldito e sentindo um alívio profundo.

– Dean e Natalie foram parar no Inferno por causa dele, mas nós conseguimos tirá-los de lá, não se preocupe, eles estão bem. Todos estão bem, aliás. – relatou Castiel. – Exceto, Abaddon. O Crowley a matou, usando a Primeira Espada.

– Humm... Eu o odeio menos por isso. – refletiu a garota.

– Mas ele se apoderou do exército de demônios. – ressaltou Castiel.

– Mudei de ideia. Eu continuo odiando o Crowley com todas as minhas forças. – corrigiu Mia se lembrando de quando aqueles demônios passaram por ela e de que em seguida Crowley apareceu. – O que mais?

– O Kevin e a Chloe ligaram, eles chegaram em Princeton e está tudo bem por lá e com eles. – relatou o anjo e Mia sorriu levemente, feliz por ouvir aquilo. – A Claire e a Natalie estão à caminho do bunker. Mas antes elas foram buscar o Camaro da Natalie, em um dos hotéis da lua de mel, e...

– Meu carro! – lembrou Mia o interrompendo.

Castiel balançou a cabeça negativamente e disse com tristeza:

– Eu sinto muito, Mia. Foi perda total.

– Tudo bem... Eu já imaginava. – disse ela com pesar. – Não tem problema. Eu posso roubar outro mesmo. Quem sabe outro Mustang? Mais bonito e mais turbinado! – animou-se ela. – Ah! E os meninos? – quis saber em seguida enquanto Castiel a olhava um pouco assustado por Mia ter se mostrado tão animada com a ideia de roubar um carro.

O anjo ia responder a última pergunta feita por ela, quando a porta do quarto se abriu e Sam e Dean entraram. O mais novo empurrava uma cadeira de rodas e o mais velho fechou a porta depois que eles passaram. Eles estavam disfarçados de médicos e, por um momento, Mia quase não os reconheceu.

Ao ver que a garota estava consciente e conversando com o anjo, os irmãos ficaram visivelmente felizes, surpresos e aliviados. Foi Dean que começou:

– Mia, você acordou! Nossa... Ainda bem... Por um momento, eu achei que desta vez você não fosse conseguir.

– É, eu já ouvi isso hoje. – respondeu ela lembrando que Castiel também tinha aquele mesmo receio.

– Como você está se sentindo? – quis saber Sam, se aproximando da cama com o irmão.

– Como se milhares de demônios tivessem virado o meu carro inúmeras vezes. Comigo dentro. – debochou Mia. – E vocês?

– Eu me sinto como se eu tivesse ido e voltado do Inferno. – disse Dean entrando na brincadeira.

– Eu estou bem, obrigado. – respondeu Sam. – E que bom que você acordou, Mia. Nós temos muito o que conversar, mas primeiro temos que sair daqui. Agora mesmo. – completou um pouco tenso.

A caçadora franziu o cenho sem entender o motivo da urgência e Castiel levantou da cama preocupado. Ele olhou para os dois caçadores e Dean explicou:

– Um caçador amigo nosso ligou e relatou alguns incidentes na cidade vizinha e... Bem, parece que alguns anjos estão vindo para cá. Eles descobriram que você está por aqui, Cas. E continuam te culpando pela queda de todos os anjos, então...

– Tudo bem, nós temos que ir. – concordou Castiel preocupado não consigo, mas com o bem estar de Mia e das pessoas inocentes que estavam naquele hospital.

Preocupada com Castiel e com uma possível batalha dentro de um hospital, Mia se sentou na cama e retirou a intravenosa da sua mão rapidamente. Castiel retirou um lenço do bolso e entregou para a garota, que estancou o pequeno sangramento deixado pela agulha.

Mia sabia que eles não podiam perder tempo. Precisavam ser rápidos. Agora entendia porque Sam e Dean estavam vestidos daquele jeito. Ela não tinha recebido alta e eles teriam que tirá-la dali usando aqueles disfarces ridículos, mas bem apropriados para a ocasião.

Antes que Mia pedisse, Castiel já estava na sua frente e a ajudou a se levantar da cama com cautela. Mia se apoiou nele, mantendo a perna engessada longe do chão.

Como estava só com uma camisola do hospital, ela se encolheu um pouco, ao sentir a baixa temperatura do ambiente arrepiar os pêlos dos seus braços, e reclamou:

– Nossa... Está frio.

– Usa o meu sobretudo. – ofereceu Castiel.

Mia se apoiou na cama enquanto ele retirava a peça. Em seguida, o anjo vestiu o sobretudo nela com certa rapidez e agilidade. Depois disso, Castiel ficou imóvel, olhando para Mia de um jeito carinhoso e apaixonado, como se só houvesse os dois ali naquele quarto ou como se ele tivesse acabado de conhecê-la.

A garota sorriu sem graça e perguntou:

– O que foi?

– É tão bom ter você de volta, Mia. E você está ainda mais linda. – elogiou Castiel fazendo a garota sorrir ainda mais.

Dean olhou bem para a amiga e ergueu as sobrancelhas sem acreditar na última frase de Castiel.

Mia estava descalça, descabelada, com uma cara péssima, pálida, com um gesso em uma das pernas, vestia uma camisola azul do hospital, tinha escoriações e hematomas pelo corpo, um curativo na testa e, para arrematar o look, um sobretudo que ficava enorme nela.

– Bem que dizem que o amor é cego. – zombou o Winchester mais velho, caminhando até a porta para abrí-la.

– Muito cego. – concordou Sam que também tinha reparado na aparência da garota quando Castiel disse aquilo.

Mia revirou os olhos e Castiel achou melhor ignorar os comentários. Não esperava que Sam e Dean entendessem que ele achava Mia linda de qualquer jeito. Mesmo quando ela não estava nos seus melhores dias.

Em seguida, o anjo a guiou até a cadeira de rodas. A caçadora sentou e se acomodou melhor. Então Sam começou a empurrar a cadeira na direção da porta.

Castiel se afastou um pouco, tomando a frente deles. E logo, os quatro alcançaram o corredor. De vez em quando, alguns médicos e enfermeiros que passavam por ali, olhavam para os quatro com certa desconfiança, mas ninguém os abordou ou questionou o que estavam fazendo.

Sam e Dean estavam vestidos de médicos e dezenas de médicos trabalhavam ali, se revezando em diferentes turnos. Era impossível gravar os rostos de todos eles. Também não era possível adivinhar que aqueles dois "médicos" estavam levando a paciente para o estacionamento. Quem passava por eles, imaginava que era apenas uma mudança de quarto ou que talvez a paciente fosse realizar alguns exames. Também imaginavam que Castiel fosse um parente, acompanhando a garota que estava na cadeira de rodas e que mantinha a cabeça baixa, para não chamar muita atenção para o seu estado deplorável.

Momentos depois, os quatro alcançaram uma saída de emergência nos fundos do prédio, empurraram a porta dupla e desceram por uma rampa.

Mia avistou o Impala no estacionamento destinado aos funcionários do hospital. Logo estava acomodada no banco traseiro com Castiel. Ela apoiou as costas em uma das portas e o anjo segurou as pernas dela sobre o seu colo. A posição era um pouco desconfortável, mas ao mesmo tempo, Mia gostava daquela proximidade entre eles. E como gostava.

Sam e Dean entraram na parte da frente e enquanto o mais velho dava partida, o mais novo pegou uma sacola, virou para trás e a entregou para Mia ao explicar:

– São alguns medicamentos que nós roubamos na enfermaria, com base na sua ficha médica que o Dean conseguiu pegar, produtos de higiene pessoal e alguns pertences.

Mia assentiu com um meneio de cabeça, abriu a sacola e olhou para o seu interior enquanto Sam voltava-se para a frente.

Ela viu algumas caixas de remédios, uma garrafa de água para tomar os comprimidos quando fosse o momento, escova e creme dental, um sabonete, shampoo, condicionador, desodorante, um pente e a sua jaqueta. A peça estava limpa, mas o restante das roupas que usava quando sofreu o acidente não estavam lá.

Mia deduziu que quando ela chegou ao hospital, em péssimas condições, os médicos e enfermeiras devam ter cortado a sua blusinha e a sua calça, para poderem examiná-la, socorrê-la. Mia já tinha visto coisas assim em séries médicas, sabia como funcionava.

Quando ia fechar a sacola, ela hesitou. Viu que além daquelas coisas, havia ali dentro um pequeno saco plástico. Dentro dele, Mia reconheceu os brincos que usava quando foi surpreendida por aqueles demônios, uma pulseira delicada que tinha pertencido a sua mãe, e que ela quase nunca tirava do pulso, e o anel que Castiel lhe deu quando a pediu em casamento.

Mia fechou a sacola e a abraçou contra o corpo, enquanto sentia o seu coração disparar e o seu rosto ficando mais quente. Tinha certeza de que estava mais vermelha do que um tomate daqueles bem maduros.

Castiel franziu o cenho enquanto a observava preocupado e perguntou:

– Mia, você está sentindo alguma coisa? Está tudo bem?

– Eu acho que eu só estou com um pouco de febre.

– Deve ter um antitérmico na sacola. – imaginou o anjo esticando a mão na direção dela para confirmar aquilo.

Mia abraçou a sacola ainda mais e o anjo parou confuso. Colocou a mão sobre a perna da garota e ficou a olhando sem entender por que, de repente, Mia tinha começado a se comportar de uma forma estranha. Devia estar com febre mesmo.

– Se eu não melhorar, eu tomo o remédio, ok? – sugeriu Mia tentando soar natural.

– Ok. – concordou Castiel achando melhor não discutir aquela questão, Mia não parecia muito bem.

E assim, o Impala seguiu viagem, deixando o hospital para trás e uma cadeira de rodas abandonada no estacionamento.

Notas finais
Awnnnnnnnnnnntttt preciso dizer que eu amei escrever isso? Acho que não, mas mesmo assim eu vou dizer: eu amei escrever este capítulo! Miastiel fofuchos de mamãe! Ok, parei. Bem, conforme vocês viram aí, o casal ainda tem uma certa pendência envolvendo um certo anel e isso será resolvido no último e derradeiro capítulo final. Sobre o sangue de demônio, é isso que ele está fazendo com a Mia: a deixando mais forte e imune a alguns poderes angelicais. A recuperação milagrosa da moçoila também tem a ver com ele. No próximo capítulo, vocês verão que a coisa toda vai além disso. E na próxima fic também... O Crowley disse que a Mia poderia ganhar outros poderes de brinde, certo? Além de prever as coisas. E é isso o que está acontecendo com ela. Assim como o sangue do Azazel deu alguns poderes para o Sam no passado, o sangue do Crowley também está deixando a Mia mais sobrenatural. Mas, não se preocupem. Ela não vai virar um demônio, nem um monstro por causa disso. Ela só vai ficar mais poderosa mesmo, mas nunca vai deixar de ser a Miazita. Depois de ter sofrido tanto (minha culpa) achei legal ela desenvolver um mecanismo de auto defesa, entre outras coisinhas. Enfim, mais diquinhas sobre isso no próximo capítulo! Ah! Entenderam agora porque eu pedi inúmeras vezes para vocês confiarem em mim? A Mia sobreviveu, sociedade! Sofreu bastante, mas sobreviveu e conforme foi dito por ela mesma, é isso o que importa. Sobre o Mustang... Não fiquem tristes. Em Heaven and Hell, pensarei numa solução para isso. Quem sabe a Mia nem precise roubar outro? kkkkkkkkkkkkkkkk eu ri aqui da parte "Bem que dizem que o amor é cego." Well, well, well, está acabando... O que esperar do capítulo final? Romance, humor (muito humor), o assunto mini pessoas em alta, e um climinha gostoso de despedida. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii já estou com saudade de vocês! Antes que eu comece a ensopar o Loki com as minhas lágrimas (ok, não exagera), fico por aqui. Reviews? Bjs! Domingo tá bom para o capítulo final?