Crossfire

37 Pais e Filhos


Notas iniciais
Sou uma gota d'águaaaaaaaaaaaa, sou um grão de areiaaaaaaaaaaaaa, você me diz que seus pais não entendem, mas você não entende seus paiiiiiiiis, você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo, são crianças como vocêêêêêê, o que você vai ser quando você crescer... la la la laaaaaaaa Eitcha! E é ao som desta musiqueta emblemática e eterna da Legião Urbana que eu chego com mais um devaneio! Nem preciso explicar o título, este assunto (pais e filhos) é o foco do capítulo. Have fun!

Sam e Claire estavam no topo da escada observando Bobby sentado em uma das mesas mexendo em alguns livros. Um clima estranho tinha se instalado desde que ele flagrou Sam no quarto da filha há cerca de meia hora.

– Eu vou falar com ele. — anunciou o Winchester dando um passo para descer a escada.

No entanto, Claire segurou a mão dele e disse:

– Não. Está tudo bem, Sam. Eu falo.

Em seguida, a garota desceu os degraus, se aproximou da mesa onde Bobby estava de costas para ela e depois de tossir para chamar a sua atenção, ela perguntou:

– Posso conversar com o senhor?

Bobby olhou para trás, depois voltou a folhear os livros e respondeu:

– Pelo menos agora ela está vestida.

– Eu vou encarar como um "sim." — disse Claire depois de respirar fundo. Então, ela deu a volta na mesa, puxou uma cadeira e sentou de frente para o pai. Após um longo silêncio, Claire começou de fato — Eu sinto muito.

– Por ter mentido? — questionou ele sem tirar os olhos do livro.

– Por ter te decepcionado. Por não ser a filha que o senhor esperava que eu fosse. Mas o senhor também me decepcionou. — respondeu Claire.

– Como é? — indagou Bobby olhando para a filha pela primeira vez desde que ela sentou ali.

– Isso mesmo que o senhor ouviu. Eu também estou decepcionada com você. — reafirmou a garota sentindo um nó começar a crescer na sua garganta. — Você disse que ia tentar ser um bom pai, mas ultimamente, as únicas coisas que o senhor tem feito são me tratar como se eu fosse uma criança e me encher com essas pesquisas sobre armas contra Cavaleiros do Inferno. E veja bem, eu não estou dizendo que nós não temos que procurar outras formas de matar a Abaddon, mas nos últimos dias, estes tem sido os nossos únicos assuntos. O seu ciúme ridículo do meu relacionamento com o Sam e a Abaddon. E eu estou cansada disso.

– Onde exatamente você está querendo chegar, Claire? Do que você está me acusando? — quis entender Bobby um pouco irritado com o que a filha havia dito até ali.

Claire desviou o olhar do dele enquanto pensava numa forma mais delicada de dizer aquilo. Não queria discutir com o pai, mas ao mesmo tempo ela sentia que precisava esclarecer algumas coisas entre eles. Então respirou fundo tentando conter certo nervosismo que sentia e prosseguiu:

– O senhor disse que queria se aproximar mais de mim até o casamento, lembra? Mas desde então não perguntou mais nada sobre mim. Aliás, em nenhum momento, o senhor demostrou interesse em me conhecer de verdade, em saber do que eu gosto, como eu sou, como eu cresci sem você... E quer saber? O senhor também continua sendo um estranho pra mim. Eu não sei como te agradar... Eu não sei se eu devo te agradar... Eu não consigo me aproximar do senhor.... Aliás, eu nem sei se eu devo te chamar de pai, senhor, você ou Bobby...

– Se você não estivesse tão ocupada com o Sam, talvez eu tivesse mais tempo para me aproximar de você. — defendeu-se Bobby.

– Viu? É só isso que o senhor consegue falar. — ressaltou Claire suspirando incrédula. — Você está tentando me culpar e culpar o Sam, quando na verdade o problema é você. Você está tentando achar um culpado só para desviar a atenção do medo e da confusão que você está sentindo.

– Ah... Eu estou com medo? — questionou Bobby um pouco ofendido.

– Está. — afirmou a garota sem se intimidar. — O senhor pode ser muito corajoso quando o assunto envolve demônios e monstros, mas quando o assunto sou eu... Nós, você não sabe como agir porque está assustado demais para isso. Você está assustado porque descobriu que tem uma filha, sempre conviveu mais com homens e agora não sabe como lidar comigo. Você está com medo porque essa filha cresceu sem você e se tornou uma mulher. E você está com medo também de me conhecer, de se aproximar de verdade e de me ver como eu realmente sou. Como a mulher e não como a sua princesinha. Medo porque você acha que eu não preciso mais de você. Mas adivinha? Você está errado. Eu preciso. Mas eu preciso de um pai e não de um general dizendo o que eu posso ou não fazer.

– Claire... — começou a dizer Bobby.

– Eu sei que eu não tenho sido um exemplo de filha, mas você também não tem sido o pai que eu sonhei. — interrompeu ela fazendo Bobby observá-la por um bom tempo. E sentindo aquele nó crescer ainda mais na sua garganta e os seus olhos arderem um pouco, ela acrescentou — E sim, eu sinto muito por ter mentido, mas eu só menti porque eu também estava com medo. De te decepcionar como, com certeza, eu te decepcionei agora. Eu estava com medo de te enfrentar, de mostrar que você está errado... Medo de acabar com qualquer afeição que a gente sequer conseguiu construir até agora! Eu realmente sinto muito por isso... Por ter estragado tudo com o meu medo, mas... Talvez eu tenha herdado isso do senhor.

Em seguida, Claire passou as mãos pelo rosto, levantou e começou a empilhar alguns livros.

– O que você está fazendo? — quis saber Bobby um tanto mexido com as coisas que havia ouvido da filha.

– Eu vou continuar a minha parte da pesquisa no meu quarto. Sozinha, não se preocupe.

Claire pegou os livros e saiu apressada. Passou por Sam perto da escada, mas evitou olhar para ele. Não estava com raiva dele, mas precisava ficar sozinha.

Depois de pensar um pouco, Sam se aproximou da mesa de Bobby e sentou de frente para ele que questionou:

– O quê? Você vai me dizer que eu sou um péssimo pai também?

– Não, isso é entre você e a Claire. — respondeu Sam. — Eu só queria dizer que eu sinto muito por ter mentido para você, Bobby. Mas eu amo a sua filha. De verdade. E quando se ama alguém assim, é impossível ficar longe desta pessoa. Então me desculpe, mas eu não consigo parar de amar a Claire. Nem por um segundo. E quando você nos proibiu de... Enfim... Você só intensificou a minha vontade de estar com ela. Foi por isso que eu menti. Mesmo assim, me desculpe.

Em seguida, Sam pegou um livro sobre a mesa e começou a folheá-lo enquanto Bobby pensava um pouco sobre tudo o que havia acontecido. Em seguida, ele tentou retomar a pesquisa, mas não conseguiu se concentrar. Fechou o livro e Sam o observou um pouco intrigado.

– Balls! — resmungou Bobby antes de se levantar.

– Ei, aonde você vai? — estranhou Sam.

No entanto, Bobby não respondeu e simplesmente se afastou. Antes de subir a escada, ele passou perto de um armário com algumas bebidas e pegou algo dentro. Sam encostou as costas na cadeira e suspirou antes de voltar-se para o livro. Mas em seguida o seu celular, que estava sobre a mesa, começou a tocar e ele atendeu:

– Dean?

Do outro lado, o Winchester mais velho estava apoiado no Impala, em frente a uma loja de conveniências, observando Natalie pegando algumas coisas nas prateleiras e colocando dentro de uma cesta.

– Ei, Sammy! Alguma novidade? Por favor, me diga que vocês encontraram outra arma para despachar a Abaddon e que não envolva a Naty.

– Eu sinto muito, Dean, mas até agora nós não encontramos nada. — respondeu Sam enquanto voltava a mexer nos livros sobre a mesa. — Eu acho que o Crowley disse mesmo a verdade. A nossa única esperança é a Primeira Espada. Você já conversou com a Natalie? Contou para ela sobre o feitiço para abrir o portal...?

Dean observou a loira através da vitrine da loja de conveniência e respondeu:

– Não.

Houve um momento de silêncio até que Sam perguntou:

– E você pretende contar algum dia?

– Sammy, eu não posso mandar a Naty para o Inferno. — respondeu Dean um pouco nervoso.

– Eu não estou dizendo para você fazer isso, Dean, mas a Natalie tem o direito de saber o que o Bobby descobriu. E é melhor que seja por você. Vocês vão se casar, lembra? Então seja honesto com ela. — argumentou Sam. — Como você acha que a Natalie vai reagir se souber que você escondeu isso dela?

Dean arregalou os olhos e respondeu apavorado:

– Ela vai suspender a hora de brincar de novo!

– O quê? — não entendeu o mais novo.

– Você está certo, é melhor eu contar de uma vez, Sammy. — concordou Dean ainda apavorado com a ideia de que Natalie o colocasse de castigo de novo. — Ah! Só mais uma coisa. O que você acha de filhos? — perguntou depois que relaxou um pouco.

Um livro caiu das mãos de Sam ao ouvir aquela pergunta e ele se abaixou para pegar enquanto Dean franzia a testa do outro lado imaginando que o mais novo não esperava aquela pergunta. Em seguida, Sam indagou confuso e surpreso:

– O quê? Como assim?

– Você sabe, Sammy. Aquelas mini pessoas que os adultos geralmente fazem quando encontram o seu par perfeito. Bebês, filhos, crianças, prole... Você já pensou em ter algum desses? Em ter um filho com a Claire? Talvez uma garotinha? Com lindos e sedosos cabelos, hein?

– Dean... Você andou bebendo? — questionou Sam, embora no fundo tivesse ficado mexido com aquela possibilidade que o irmão levantou.

– Então você não pensou? — deduziu o mais velho.

Sam passou as mãos pelo cabelo e gaguejou um pouco ao responder:

– Eu... Eu não sei. Eu acho que... Não. Você sabe, seria loucura. Um filho de caçadores? Condenar uma criança a ter uma vida como a nossa? Eu não sei... Claro que... Seria... Maravilhoso... Se nós pudéssemos ter, mas... Como eu disse, seria loucura. — e após uma pausa, ele questionou preocupado — Por que você está perguntando isso? Dean, não me diga que a Natalie está...?

– Não! Claro que não. — respondeu Dean prontamente, mas ao olhar para dentro da loja novamente e ver Natalie com um bebê de aproximadamente um ano nos braços, ele arregalou os olhos e corrigiu — Eu não sei, Sammy... Na verdade, eu estou meio confuso. Eles crescem tão rápido...

– Dean? Como assim? Do que você está falando? — chamou o irmão sem entender o que tinha acontecido do outro lado.

– Sammy... Eu te ligo depois. — encerrou o outro desligando o celular e o guardando dentro do bolso da jaqueta.

Então Dean caminhou apressado até a loja e entrou. Natalie voltou-se para ele, sorriu e balançando a criança lentamente em seus braços começou:

– Ei, Sr. Awesome, ele não é uma gracinha?

– Natalie, de quem é essa criança? — perguntou Dean assustado enquanto o garotinho esboçava um sorriso para o caçador.

– Olha só, parece que ele gostou de você. — divertiu-se a loira percebendo que o menino sorria para Dean. — Bem, é compreensível... — e sussurrando no ouvido do bebê, mas para que Dean ouvisse, ela confidenciou — Eu também gosto.

Dean deu um meio sorriso ao ouvir aquilo, mas logo depois voltou a ficar tenso e retomou o assunto:

– Natalie, onde você conseguiu esta criança?

A caçadora olhou para o Winchester e sua expressão mudou um pouco. Natalie ficou um tanto confusa. Não entendia por que Dean estava tão nervoso. Então ela tentou tranquilizá-lo:

– Calma, Sr. Awesome. Eu não roubei este bebê. Nem o encontrei em uma das prateleiras, se é o que você vai perguntar em seguida.

Logo depois a loira levantou um chocalho que segurava na mão direita e balançou perto do rosto do bebê que sorriu e tentou pegar o brinquedo. Natalie riu daquilo e Dean sorriu diante daquela cena.

De repente, ele e Natalie se olharam e foram ficando sérios. O caçador ia perguntar novamente de quem era aquele bebê quando uma mulher que estava logo a frente de Natalie, e que havia acabado de passar as compras no caixa, voltou-se para ela ainda guardando a carteira na bolsa e agradeceu:

– Obrigada.

Natalie assentiu sorrindo e entregou a criança para a mãe.

– Você precisa de ajuda? — ofereceu-se Natalie enquanto a mulher pegava duas sacolas sobre o balcão.

– Não, está tudo bem, querida. Muito obrigada. — e olhando para o filho, ela encerrou — Dá tchau para a moça, meu amor.

– Tchau... — despediu-se Natalie vendo a mulher se afastar com a criança no colo e deixar a loja.

Em seguida, ela e Dean ficaram pensativos. Não sabiam explicar exatamente o que estavam sentindo, mas definitivamente, eles sentiram alguma coisa.

– Próximo. — chamou uma funcionária no caixa fazendo o casal voltar a si.

– Cadê as suas compras? — perguntou Dean.

– Estão aqui. — respondeu Natalie se abaixando para pegar uma cesta no chão com alguns suprimentos.

Em seguida, ela passou no caixa, pagou as compras com o cartão de crédito falso e saiu da loja acompanhada por Dean. Só então Natalie notou que ainda segurava o chocalho do bebê e parou no meio do estacionamento.

Dean parou também e ao olhar para a mão dela, entendeu o que tinha acontecido. Logo depois os dois observaram o carro da mãe daquele bebê seguindo pela estrada.

– Eu posso ficar com ele? — questionou a loira observando o brinquedo com uma expressão serena.

– Claro. — assentiu Dean e enquanto caminhava e levava as compras até o Camaro, disse baixinho — Ladra de chocalhos.

Então ele colocou as compras em um dos bancos e voltou-se para Natalie que se aproximava do carro ainda olhando o brinquedo em suas mãos.

– Naty, eu posso falar com você? — recomeçou Dean.

– Sim... — respondeu ela.

No entanto, Dean percebeu que a loira ainda estava distraída. Delicadamente ele pegou o chocalho da mão dela e o colocou dentro do carro perto das sacolas. Então se apoiou no veículo e Natalie fez o mesmo antes de perguntar:

– Aconteceu alguma coisa?

Dean pensou um pouco e resolveu começar:

– Tem uma coisa que eu preciso te contar. Uma coisa que o Bobby descobriu e que eu não te contei antes porque eu fiquei preocupado, mas... Eu acho que você deve saber.

– O que é? — interessou-se ela ficando um pouco preocupada e ansiosa.

XXX

Enquanto isso, Bobby batia na porta do quarto de Claire e segundos depois ela avisou:

– Pode entrar.

O caçador abriu a porta e encontrou a filha sobre a cama. Os livros, que a caçadora havia pegado há pouco, estavam espalhados por ela. Claire ergueu o olhar na direção do pai e viu que ele trazia uma garrafa e dois copos. Mas o que mais a surpreendeu foi o fato dele ter ido até ali. Há poucos minutos, eles haviam tido uma conversa difícil. Uma conversa onde praticamente apenas ela falou. Mas talvez fosse isso... Talvez Bobby estivesse ali porque era a vez dele falar. Mas por que a bebida?

Sem explicar nada, ele se aproximou, entregou um dos copos para Claire e sentou na cama. Colocou o outro copo no colo e serviu uma dose para si e outra para a garota.

– O que significa isso? — questionou ela um tanto confusa.

Bobby colocou a garrafa no chão e ergueu o copo antes de dizer:

– Olá, meu nome é Bobby Singer. Você pode me chamar de pai e de você. Por favor, não me chame de senhor porque eu me sinto mais velho do que já sou. Ah! E eu gosto de uísque.

Depois disso ele deu a entender que queria brindar com Claire. No entanto, ela ainda estava surpresa por ele ter ido procurá-la e hesitou enquanto o encarava. Mas no fundo, Claire o admirava por ter tomado aquela atitude. Definitivamente, Bobby queria fazer as pazes e isso era algo bom porque Claire nunca quis discutir com ele de verdade. O que ela queria mesmo era esquecer aquela discussão, recomeçar e fazer as pazes com o pai.

Mesmo assim ela achou meio estranho beber àquela hora e achou melhor lembrá-lo:

– São nove horas da manhã.

– É meia-noite em algum lugar. — contrapôs ele.

Claire sorriu. Após pensar um pouco, resolveu entrar na brincadeira e finalmente brindou com ele.

Bobby deu o primeiro gole, mas parou e ficou olhando para Claire estarrecido. Isso porque, sem hesitar, ela simplesmente virou o copo e tomou tudo de uma vez. Depois pegou a garrafa no chão e serviu outra dose.

– Você é mesmo filha da Rachel, não é? — insinuou o caçador e depois terminou a primeira dose.

Claire serviu mais um pouco de uísque para ele, depois ergueu o seu copo e imitou o pai:

– Olá, o meu nome é Claire Davis, mas há alguns meses, eu decidi ser caçadora e resolvi pegar o sobrenome do meu pai emprestado. Espero que ele não se importe. Bem, você pode me chamar de Claire, de você e de filha. Por favor, não me chame de princesinha ou filhinha... Pelo menos, não na frente de outras pessoas. É meio constrangedor. Ah! E eu também gosto de uísque. E sim, eu sou filha de Rachel Davis e ela também gostava de beber de vez em quando.

Os dois tomaram a segunda dose e só depois de um momento em silêncio, Bobby começou a explicar de fato a sua presença ali:

– Você está certa. Eu estou com medo. — e enquanto Claire servia mais uma dose, ele continuou — Mas eu não estou com medo de perceber que você não precisa mais de mim. Eu estou com medo de você precisar e eu... Não saber como corresponder a isso. Você está certa, Claire. Eu não sei como ser pai de uma mulher. E isso... Me assusta.

– Bem, eu também não sei como ser filha de um caçador. Na verdade, eu cresci sem pai e, portanto, isso tudo também é algo novo para mim. — confidenciou a garota e depois de uma longa pausa, acrescentou — Mas uma coisa eu sei: eu quero aprender a ser uma boa filha para o senhor... Digo, para você. Eu acho que nós merecemos uma segunda chance. Então vamos fazer dar certo desta vez, ok? Sem cobranças e sem medo de decepcionar o outro.

– Eu concordo. Eu também quero aprender a ser um bom pai. O pai que você sonhou, Claire. — afirmou Bobby olhando a filha com carinho. — Minha princesinha...

Claire riu levemente e enquanto servia a próxima dose (eles já tinham perdido a conta de qual dose era aquela), ela indagou:

– Então, o que nós vamos fazer?

Bobby olhou os livros espalhados sobre a cama e a bandeja com o café que tinha preparado para Claire e que estava intocada. Então, assim que tomou o uísque e começou a servir a próxima dose, ele sugeriu:

– Bem, depois que acabarmos com esta garrafa, nós podemos esquecer essa maldita pesquisa, pelo menos por hoje, e preparar um café da manhã de verdade. E então nós podemos sentar à mesa e conversar sobre o seu casamento. Por falar nisso... Me desculpe por ter pedido para você e o Sam... Você sabe... Aquilo.

Claire percebeu que o pai tinha ficado um tanto constrangido ao dizer aquela última parte e resolveu tranquilizá-lo:

– Está tudo bem. E... Eu prometo que eu vou ser mais discreta daqui para a frente. Eu sei que não é fácil para um pai ver o que você viu, então me desculpe.

– Está tudo bem. — respondeu Bobby querendo colocar uma pedra naquele assunto. — Eu estou feliz por termos esclarecido as coisas.

– É... Eu também estou. — afirmou Claire sentindo-se mais leve.

Então os dois brindaram de novo, sorriram e prosseguiram com a missão de acabar com o uísque.

XXX

Depois de ouvir o que Dean tinha a contar, Natalie ficou em silêncio pensando por alguns instantes. Ela nem estava tão surpresa com a questão de ter que ir até o Inferno para pegar a Primeira Espada porque, de certa forma, Natalie já havia imaginado que isso seria necessário em algum momento. Afinal, se a Primeira Espada estava no Inferno e se ela era a tal chave, então nada mais natural do que Maomé ir até a montanha, certo?

No fundo, todos já tinham imaginado isso também. Apenas não disseram nada porque não tinham muitas informações sobre a Primeira Espada e como a chave para chegar até ela funcionaria. Mas desde que o Bobby encontrou o ritual capaz de abrir um portal para o Inferno, as coisas mudaram um pouco. Agora eles sabiam que para conseguir a arma, Natalie precisaria enfrentar aquele desafio, aquela missão, o seu destino.

No entanto, Dean não concordava com aquilo. Ainda tinha esperança de encontrar outra arma ou outra forma de conseguir a Primeira Espada. A ideia de que Natalie se arriscasse daquela maneira o desagradava profundamente.

– Tudo bem, eu topo. — disse a loira de repente.

– Você o quê? — indagou Dean chocado. — Naty, você não pode ir para o Inferno.

– Eu preciso. Nós precisamos acabar com a Abaddon e se essa é a única forma, então... Que assim seja. Eu vou. — argumentou ela e em seguida brincou — Eu sempre quis conhecer o Inferno mesmo. Inclusive dizem que nesta época do ano o clima é ótimo.

– Não tem graça. — repreendeu o caçador um tanto sério.

– Qual é o problema, Sr. Awesome? Você não quer matar a Abaddon e acabar de uma vez por todas com aquele exército maldito? — questionou a loira.

– Eu quero, é claro que eu quero, mas se isso significa que você vai ter que correr esse risco... Então o melhor que nós podemos fazer é esquecer essa ideia maluca e encontrar outra forma de despachar aquela vadia. — respondeu Dean.

– Você disse que até agora o Bobby, o Sam e os outros não encontraram outra forma de fazer isso. — lembrou Natalie.

– Mas nós ainda temos tempo. — argumentou ele.

– Não... Quanto mais o tempo passa, mais a Abaddon se torna perigosa. Ela está matando anjos e também os demônios que são fieis ao Crowley. Ela está conquistando espaço, poder, destruindo quem aparece no caminho dela... Nós precisamos pará-la, Sr. Awesome. Antes que seja tarde... — contrapôs a caçadora.

Nervoso, Dean se afastou um pouco do Camaro e ficou andando em círculos enquanto Natalie o observava.

– Eu não entendo... — murmurou ele.

– O quê? — questionou ela.

– Você morre de medo de bonecas, mas não está com medo de ir para o andar de baixo. — respondeu Dean parando diante dela.

– Eu não disse que eu não estou com medo. Mas é isso o que nós fazemos todos os dias, não é? Colocar os nossos medos de lado em nome do bem maior. E se eu posso deter a Abaddon, então por que não tentar?

– Por que nós estamos falando do Inferno! É perigoso, Natalie! — lembrou Dean um pouco alterado.

– Eu sei. — respondeu ela sem saber mais o que dizer para acalmá-lo.

– Não vale a pena se arriscar por isso, não vale a pena... Morrer por isso. — acrescentou Dean e ao perceber algo no olhar da loira, ele reafirmou — Não vale a pena morrer por isso, Natalie.

– Eu sei. — concordou ela e para tranquilizá-lo de uma vez, assegurou — E eu não pretendo morrer. Não se preocupe.

Dean se aproximou e se apoiou no Camaro de novo. Depois de se acalmar um pouco, ele recomeçou:

– Me dê mais um tempo.

– Dean...

– Por favor, me dê só mais um tempo, Naty. — interrompeu o caçador. — Só para me certificar de que não existe outro jeito de fazer isso. Só até o casamento... A lua de mel... Enfim. Então, se não houver outra forma de matar a Abaddon, nós fazemos do seu jeito.

Natalie o olhou desconfiada e quis confirmar:

– Sério?

– Sério. — respondeu Dean sem soar muito convincente e então acrescentou — Claro que, neste caso, eu vou com você.

– O quê?! Não... Fora de cogitação. Você não vai comigo, Sr. Awesome. Você não precisa se arriscar deste jeito, eu sim. — discordou Natalie prontamente.

– Ou eu vou com você ou você não vai. — insistiu ele.

– Esta é uma decisão minha, não sua. — contrapôs a loira.

– Nós estamos juntos, vamos nos casar e, portanto, a decisão é nossa. — argumentou Dean. — É como o padre diz, Baby... Na alegria, na tristeza, na saúde, na doença, na Terra, no Céu e no Inferno. — Natalie franziu a testa achando aquilo engraçado e Dean esclareceu — Tudo bem, a última parte, eu inventei agora, mas é a mais pura verdade. Nós estamos juntos, Natalie. Então se você for para o Inferno, eu vou com você. Está decidido.

A loira suspirou um pouco cansada daquela discussão. Consciente de que não conseguiria convencer Dean a desistir daquela ideia, ela sorriu levemente e disse:

– Você é um idiota teimoso, sabia?

– A recíproca é verdadeira. — provocou Dean e em troca ganhou um soco no braço. — Ai... — reclamou por causa da dor. — E então? Nós temos um acordo? — quis saber ele enquanto esfregava o braço e ficava de frente para Natalie.

Ela pensou um pouco e por fim respondeu:

– Sim.

– Então vamos selar isso. — anunciou Dean se aproximando mais.

Natalie riu ao perceber qual era a intenção de Dean e ressaltou:

– Nós não estamos em uma encruzilhada, nenhum de nós é um demônio e isso não é um pacto daquele tipo.

– Meros detalhes... — balbuciou Dean enquanto se aproximava mais um pouco. — Que não mudam em nada a minha vontade de te beijar... Tipo agora.

Natalie sorriu dando-se por vencida, segurou o rosto de Dean e colou os seus lábios nos dele. Os explorou pouco a pouco, calmamente enquanto Dean se aproximava mais um pouco e encurralava a loira entre ele e o carro.

Momentos depois, Natalie afastou o rosto e disse:

– Pronto. Acordo selado.

– Eu acho que nós ainda temos que negociar alguns termos... — insinuou Dean tentando reaproximar o rosto.

– E eu acho que nós temos que pegar a estrada... Romeu. — contrapôs Natalie rindo um pouco enquanto se desvencilhava dele e dava a volta para entrar no carro.

Depois que ela entrou no veículo, Dean se conformou. Sorriu, no fundo tentando disfarçar a preocupação que ainda sentia.

Ele caminhou até o Impala e entrou enquanto Natalie abria uma das sacolas das compras e pegava um pacote de Skittles. Sua mão acabou esbarrando no chocalho e Natalie o segurou por alguns instantes antes de sorrir levemente e guardar o brinquedo no porta-luvas. Só então ela deu partida e seguiu o Impala.

Notas finais
E aí??? Gostaram??? Riram? Choraram? Eu meio que fiquei com meus olhinhos marejados quando escrevi a discussão entre Bobby e Claire e ri com o Dean achando que já era pai kkkkkkkkkkkk Muito bem, alguns conflitos resolvidos e outras questões levantadas, tipo: Natalie vai para o Inferno ou não? Além disso, nós vimos que o Sam ficou mexido quando o Dean perguntou se ele já pensou em ter filhos... No próximo capítulo, o moçoilo cabeludo terá uma conversa emblemática com a Claire (bêbada) sobre este assunto... Pessoal, atualmente estou escrevendo o penúltimo capítulo da fic (SURTANDO). Está ficando bem legal, mas eu sinto que em alguns momentos vocês vão querer me matar, então já estou providenciando minhas passagens para a Terra do Nunca, ok? Eu tinha mais coisas para falar nas notas (não me diga, tagarela?), mas agora não lembro kkkkkkkkkk Bem, reviews? Próximo capítulo: quarta-feira...