Crossfire

38 Café em família


Notas iniciais
Oieeeeeeeeeeeeeeee!!! Deu a louca na Hunter Pri Rosen!!!! Por quê? Porque eu resolvi postar 2 DOIS TWO capítulos hoje!!! Lembra que eu falei que estava no penúltimo capítulo da fic? Pois é, escrevi demais e ele virou antepenúltimo kkkkkkk mas desta semana não passa, sociedade. Preciso terminar Crossfire porque a próxima história já está fervilhando nos meus neurônios. Bem, neste capítulo (que eu adorei escrever), plantei algumas sementinhas para a próxima fic (envolve a Tábua dos Anjos e o Metatron, só para constar), teremos Claire trêbada, diquinhas sobre a mini pessoa Clammy, Mia indiscreta, Mia da depressão e outros paranauês! Espero que gostem!

Sam olhava fixamente para o celular sobre a mesa enquanto lembrava das coisas que Dean havia falado quando ligou momentos antes. Ele ainda não entendia de onde o irmão tinha tirado aquela história de filhos, mas apesar de achar absurdo, por algum motivo Sam ficou mexido com aquela conversa.

O barulho de passos e risadas fez o caçador voltar a si e olhar na direção da escada, por onde Bobby e Claire desciam apoiando-se um no outro. Logo os dois se aproximaram da mesa onde Sam estava e ele disse admirado:

– Vocês fizeram as pazes... Que bom! Eu fico feliz que vocês tenham se entendido... — mas de repente Sam parou de falar ao notar que Bobby segurava uma garrafa vazia de uísque e Claire dois copos também vazios, que ela tentou esconder atrás do corpo, quando percebeu o olhar repreendedor do noivo. — Espera um pouco... Por acaso, vocês dois estão bêbados?- questionou ele.

– Claro que não, idjit. — resmungou Bobby franzindo a testa um pouco ofendido.

Por algum motivo Claire achou aquilo extremamente engraçado e riu de uma forma que denunciou o nível de álcool no seu sangue.

Sam olhou para ela um pouco assustado, depois para Bobby e questionou:

– Você embebedou a sua filha? A sua própria filha?

– Eu não a obriguei a beber, se é isso que você está insinuando. Mas... Nós tivemos um momento importante entre pai e filha e precisávamos celebrar de alguma forma. O uísque caiu muito bem. Mas eu não tenho culpa se ela bebeu demais e ficou assim. — explicou-se Bobby.

– Assim... Bêbada? — deduziu Sam.

– Ei! Eu não estou bêbada... — protestou Claire se afastando do pai e caminhando com certa dificuldade até a cadeira ao lado de Sam. — Mãe. — brincou ela depois que sentou ao lado dele e colocou os copos sobre a mesa.

O Winchester riu levemente ainda sem acreditar no que estava vendo, depois olhou para o relógio no pulso e ressaltou:

– São nove e meia da manhã.

Bobby abriu a boca para responder, mas Claire antecipou-se:

– É meia noite em algum lugar.

– Claire, você nem se alimentou hoje. Vai acabar passando mal. — preocupou-se o Winchester.

– Sobre isso, o Sam está certo. Você precisa se alimentar, Claire. — apoiou Bobby e enquanto se afastava, completou — Aliás, todos nós precisamos. É por isso que eu vou preparar aquele café reforçado que eu te falei antes. Vocês vem?

– Nós já vamos. — respondeu a garota enquanto acompanhava o pai com o olhar. E quando ele desapareceu do seu alcance de visão, Claire voltou-se para Sam e notou que ele a encarava intrigado. — O que foi?

– Sabe o que eu devia fazer com você? Te colocar embaixo do chuveiro e te dar um bom banho. — cogitou ele.

– Humm... Eu gosto dessa ideia. — animou-se ela sorrindo enquanto entrelaçava as mãos em um dos braços de Sam.

– Um bom banho frio. — esclareceu o caçador.

– Malvado... — murmurou Claire fazendo um biquinho.

Sam riu e acrescentou:

– Para curar esse porre.

– Droga, Sam! Eu não estou bêbada. — irritou-se Claire se afastando e cruzando os braços contra o peito. — Eu só estou... Feliz. — confidenciou calmamente enquanto sorria um pouco. — As coisas entre mim e o meu pai se resolveram, eu e você estamos bem e agora é uma questão de tempo até nós darmos um jeito na Abaddon. Aos poucos, tudo está dando certo e eu estou... Feliz por isso.

Sam entendeu o que a noiva quis dizer, o que ela estava sentindo e resolveu ser mais compreensivo:

– Tudo bem, me desculpe. Mas... Da próxima vez que você pensar em tomar um porre para celebrar a felicidade... Me chama, ok?

– Combinado. — assentiu a garota sorrindo para ele. Mas ao perceber que Sam tinha ficado sério e pensativo logo em seguida, Claire questionou — O que foi? Algum problema?

Sam desviou o olhar do dela e hesitou enquanto observava os livros sobre a mesa. Depois de pensar um pouco, ele respondeu:

– Se você não estivesse tão bêbada... Digo, feliz, eu ia te fazer uma pergunta. Mas diante de toda essa... Felicidade, eu acho melhor esquecer esse assunto.

– Que assunto? — quis entender Claire e ao perceber que Sam não tinha intenção de contar, ela insistiu — Ah, não! Você começou, agora vai terminar. O que é? Que assunto? Fala logo. Agora eu fiquei curiosa.

Sam suspirou pesadamente e depois de olhar bem para o rosto da noiva, para se certificar de que apesar do álcool, ela era capaz de entender o que ele ia dizer, perguntou por fim:

– Ok... Claire, você já pensou em ter... Filhos?

Logo Sam se arrependeu profundamente de ter feito aquela pergunta ao ver a cor sumir do rosto de Claire imediatamente. Por um momento, ele pensou que ela fosse desmaiar. A caçadora estava paralisada pelo susto e pelo choque que aquela pergunta lhe causou. Apenas os seus olhos esboçavam algum sinal de vida. Eles se moviam de um lado para o outro mostrando a confusão que aquele assunto causou dentro dela.

Quando Claire finalmente sentiu que era capaz de falar, perguntou gaguejando um pouco:

– O quê? Como... Como assim? Filhos...? Você quer... Ter filhos? É isso?

– Não! — respondeu Sam prontamente soando muito direto. E ao perceber que isso também tinha assustado Claire, ele indagou com certo cuidado — Por quê? Você quer?

– Não! Claro que não! — respondeu Claire também soando direta demais, o que de certa forma, intrigou Sam. Então ela passou as mãos pelo rosto, pelos cabelos e questionou — Que pergunta é essa agora? De onde você tirou esse assunto? Eu não entendo...

– Eu também não entendo por que eu perguntei isso, mas... Por algum motivo, que eu não sei te explicar, eu preciso saber. Eu só quero saber... Por favor, é uma pergunta simples. — insistiu ele.

– Uma pergunta simples? — repetiu Claire mostrando que não concordava com aquilo. — Não tem nada de simples nesta pergunta. Sam... Nós não podemos ter filhos. Caçadores não podem ter filhos.

– O Bobby teve. — lembrou ele.

– É diferente. Eu fui um... Acidente, ele não sabia, não planejou. — expôs ela.

– Tudo bem, eu entendi. Caçadores não podem ter filhos. Certo. Mas não foi isso que eu perguntei. Eu perguntei se... Apenas se, você já pensou, apenas pensou, em algum momento, nesta possibilidade... Em ter um filho. — prosseguiu o Winchester.

– Sam... — começou a dizer ela.

– Claire. — interrompeu ele. — Apenas responda a pergunta. Pensou ou não pensou? Sim ou não?

Claire ficou em silêncio e passou as mãos pelo rosto de novo. Olhou os copos vazios sobre a mesa e por um momento desejou que eles estivessem cheios de uísque. Ela beberia tudo de uma vez para quem sabe assim conseguir responder aquela pergunta. Ou para fugir daquele assunto de uma vez.

Aliás, de onde Sam tinha tirado aquele assunto? Por que perguntar aquilo agora? Que importância aquilo tinha se os dois concordavam que caçadores não podiam ter filhos?

– Claire... — chamou Sam pensando em refazer a pergunta.

Mas ele não precisou, porque ela tomou coragem e resolveu responder de uma vez:

– Sim. Eu já pensei. — e depois de uma pausa explicou — Antes de reencontrar você, eu ia me casar com o David, lembra? Nós conversávamos sobre tudo, inclusive filhos. Eu imagino que você também deve ter pensado nisso, em algum momento, quando estava com a Jessica. Quando pensou em pedí-la em casamento e ter uma vida normal com ela. — o silêncio de Sam fez Claire entender que ela estava certa. Então, depois de uma longa pausa, ela recomeçou — Mas depois do que aconteceu... Depois que eu te reencontrei, que a minha mãe morreu, que eu decidi ser caçadora... Depois que eu e você nos apaixonamos, depois que eu te pedi em casamento naquele hotel, eu... Eu entendi que não dá para ter tudo na vida, Sam. Eu entendi que escolhendo viver assim, eu teria que abrir mão de muitas coisas. Filhos é uma delas.

– Em outras palavras... Você abriu mão do sonho de ser mãe por minha causa. — disse Sam com certo pesar.

– Não. — discordou Claire prontamente. E depois de se aproximar um pouco caçador, esclareceu — Não por sua causa, mas por minha causa. Por causa do que eu decidi fazer com a minha vida. Nós já conversamos sobre isso tantas vezes, Sam, que eu pensei que você tivesse entendido. Com ou sem você, eu ia ser caçadora. Eu fiz uma escolha independente de você. E sendo uma caçadora, eu aceitei correr alguns riscos e abri mão de certas coisas. Mas não pense que isso me entristece, que eu me sinto frustrada ou infeliz. Ter filhos seria... Com certeza, seria algo maravilhoso, mas para mim, o mais importante é ajudar as outras pessoas, salvar o mundo como eu puder e ter você ao meu lado enquanto eu faço isso. Enquanto nós fazemos isso. — e acariciando o rosto de Sam, completou de forma carinhosa — Eu sou feliz assim. Eu não preciso de mais nada, de mais ninguém, porque eu tenho você. Porque eu te amo, Sam. Isso pra mim é mais do que o suficiente para ser feliz para o resto da vida. Nós temos um ao outro e eu tenho certeza que ainda faremos coisas lendárias juntos. Esse será o nosso legado, a nossa... Semente no mundo. As coisas que nós faremos por ele e pelas pessoas. Não uma filha.

– Filha? — repetiu Sam um pouco confuso enquanto Claire também parecia surpresa por ter usado aquele termo.

– Eu quis dizer... Filhos, filho, de uma forma geral. — tentou explicar ela, embora não estivesse convencida das próprias palavras.

Sam sorriu levemente e deduziu:

– Então você acha que seria uma menina? Que nome você daria?

– Isso não importa. E eu não acho nada. — esquivou-se Claire.

– Por favor, responda a pergunta. — pediu Sam tomado por uma curiosidade que não entendia. — Eu concordo com você, caçadores não podem ter filhos. E ter você ao meu lado também é o suficiente para mim, Claire. Eu sou feliz com você. Mas mesmo não sendo possível ter filhos, eu quero saber que nome você daria.

– Por quê? Que importância tem isso? — questionou Claire, mas ao perceber que Sam insistiria de novo, ela suspirou vencida e respondeu — Rachel. Eu acho que eu a chamaria de Rachel.

– Uma menina. — ressaltou Sam achando curioso que mais uma vez Claire definisse o sexo da criança daquele jeito. — Sabe... No fundo, eu também acho que será uma menina.

– Seria. — corrigiu Claire. — Ou talvez não. Bem, na verdade, nós nunca vamos saber.

– Nunca diga nunca. — aconselhou o caçador.

– Sam. — repreendeu Claire.

– Eu só estava brincando. — tranquilizou ele voltando a si e percebendo como aquele assunto era absurdo e surreal.

– É bom mesmo. — disse ela o segurando pela mão enquanto se levantava. — Agora vamos para a cozinha ajudar o meu pai com o café.

Sam levantou ao mesmo tempo em que Mia aparecia na sala seguida por Castiel.

– Café?! — repetiu Mia empolgada. — Onde?

– Na cozinha. — respondeu Claire achando engraçado o jeito que os olhos da garota brilharam diante da palavra mágica.

– E como ninguém me acordou? — reclamou ela.

– Mia, você não estava dormindo. — lembrou Castiel insinuando algo que Sam e Claire entenderam perfeitamente.

– Calado, anjo. Ninguém precisa saber. — repreendeu Mia um pouco sem graça.

– Na verdade, o café ainda não está pronto. — explicou Sam.

– Nós vamos para a cozinha ajudar o meu pai a prepará-lo. Não só o café, mas a refeição toda. — completou Claire animada.

– E o que nós estamos esperando? — questionou Mia tomando a frente deles e seguindo pelo corredor que levava à cozinha ao lado de Castiel.

Enquanto caminhava com Claire, seguindo o primeiro casal, Sam segurou a mão da noiva, lembrou de algo que ela disse durante a conversa entre eles momentos antes e sussurrou:

– Eu também te amo.

Ela sorriu e apoiou a cabeça no ombro dele. Mia olhou para trás e brincou:

– Ai que casal mais fofo!

– Cala a boca. — resmungou Sam fazendo Claire rir.

Castiel sorriu levemente e passou um dos braços em volta de Mia enquanto os dois caminhavam lado a lado até que ela perguntou:

– Por falar em casal fofo, cadê aquelas duas coisinhas nerds e harmônicas?

– Você está falando do Kevin e da Chloe? — quis confirmar o Winchester.

– Eu não os vejo desde ontem à noite. — disse Claire um pouco intrigada.

– Nós estamos aqui. — respondeu Kevin surgindo logo atrás dela e de Sam, seguido por Chloe que trazia uma imagem da Tábua dos Anjos nas mãos.

– O Kev e eu descobrimos uma coisa. — anunciou a loira um tanto ansiosa, fazendo todos pararem no corredor e voltaram-se para ela e o profeta.

Mas quando Chloe ia contar, Mia reparou em algo no casal e questionou desconfiada:

– Espera um pouco, por que vocês dois estão com a mesma roupa de ontem? E por que elas estão meio... Amassadas?

Chloe e Kevin se olharam visivelmente constrangidos enquanto o rosto de Mia se iluminava ao imaginar a resposta para aquela pergunta.

– O que aconteceu? — pressionou ela com um leve sorriso.

– Nada. — respondeu Chloe.

– O quê?! — indagou Mia arregalando os olhos.

– Não aconteceu nada do que você está pensando. — garantiu Kevin depois de olhar para Chloe por alguns instantes. — E mesmo que tivesse acontecido, com todo o respeito, isso não é da sua conta.

– Ai. — reclamou Mia fazendo cara de ofendida.

– Sem ofensa. — desculpou-se Kevin lembrando que Mia gostava de usar aquela expressão. E depois de uma breve pausa, esclareceu — Olha, eu sempre serei grato à você e ao Cas, por terem trazido a Chloe para cá, sã e salva. Mas isso não te dá o direito de ser indiscreta deste jeito, Mia. Então se controla.

– Tudo bem, desculpe, você está certo. Eu prometo que não vou dizer mais... Nada. Nada mesmo. — desculpou-se Mia.

– Sei... — duvidou Kevin.

– Então o que vocês descobriram? — quis saber Castiel retomando o assunto inicial. — É sobre a Tábua dos Anjos? A tradução estava errada? Tem um jeito de reverter o feitiço do Metatron?

– Ei, vai com calma, anjo. — interrompeu Mia. E lembrando do café, propôs — Será que nós podemos conversar sobre... Seja lá o que for que vocês descobriram, na cozinha?

– Claro. — concordaram Kevin e Chloe ao mesmo tempo.

Então todos voltaram a caminhar em direção ao cômodo e Claire disse:

– Engraçado... O meu pai queria deixar os assuntos sobrenaturais de lado, só por hoje, e conversar sobre os casamentos. Não foi desta vez.

– Sobre os casamentos, não se preocupem. Eu tenho tudo sobre controle. — tranquilizou Mia.

– É isso o que me preocupa. — confessou Sam.

Todos entraram na cozinha, onde Bobby coava o café. Mia se aproximou da pia e ficou observando aquela cena como um cachorro de rua olhando aquelas máquinas de assar frangos. Sentiu o aroma do café invadir as suas narinas. Engoliu em seco.

– Eu preciso disso. — confessou Mia não aguentando mais aquela tortura.

– E eu preciso de ajuda com os waffles, panquecas, suco, torradas... — respondeu Bobby afastando o café do alcance da garota.

Mia suspirou derrotada e se afastou. Logo ela e os outros começaram a ajudar o Bobby a preparar as outras coisas e a arrumar a mesa. Algum tempo depois, eles se sentaram e enquanto todos começavam a refeição, Castiel voltou-se para Chloe e Kevin e perguntou:

– E então? O que vocês descobriram sobre a Tábua dos Anjos?

Foi o profeta que começou a explicar:

– Bem, nós traduzimos tudo novamente. Caractere por caractere. A Chloe recriou o programa usando o meu notebook mas, assim como da primeira vez, o programa não conseguiu traduzir tudo. Por sorte, os trechos que faltavam eram justamente aqueles que eu tinha conseguido decifrar. Então nós unimos as duas traduções, a minha e a dela, e conseguimos uma tradução completa do que o Metatron escreveu.

– Humm... Então foi isso o que vocês ficaram fazendo até tarde... Traduzindo. Unindo traduções, textos, caracteres. Sei. — insinuou Mia fazendo Chloe e Kevin a olharem um pouco sem graça.

Claire decidiu salvá-los daquele momento embaraçoso e perguntou:

– Então o que o Metatron diz exatamente no texto?

– Ele fala sobre o feitiço que fez todos os anjos caírem e que fechou os portões do Céu. E repete várias vezes que o tal feitiço é irreversível. — explicou Chloe.

– Sem ofensa, mas eu não entendi por que isso é relevante. — confessou Mia.

– Nem eu. — disse Bobby.

– Eu pensei que vocês tivessem feito uma nova descoberta, algo que pudesse ajudar a reverter o feitiço. Mas vocês apenas confirmaram o que nós já sabíamos. — completou Castiel confuso assim como os outros.

– Na verdade, nós não temos certeza se o feitiço é irreversível mesmo ou se o Metatron apenas quis que nós acreditássemos que ele é. — respondeu Kevin.

– Como assim? — quis entender Claire.

Kevin e Chloe se entreolharam e a garota resolveu ser mais clara:

– Bem, o que acontece é que o Metatron repete várias e várias vezes que o feitiço é irreversível. Mas, o meu sexto sentido diz que quando alguém afirma uma coisa muitas vezes, pode ser um sinal de que, na verdade, esta pessoa está...

– Mentindo. — completou Bobby.

– Exato. — confirmou Chloe.

– Sem ofensa, de novo, mas isso é só um palpite. Nada disso... Nada mesmo... Explica por que aquele desgraçado exigiu a Tábua dos Anjos em troca da graça do Cas. Que ele não me deu, só para constar. — expôs Mia sentindo certa raiva ao lembrar daquela troca que nunca aconteceu de verdade.

– A Mia está certa. Se o que o Metatron escreveu é mesmo mentira, então por que ele pediria para ela entregar o artefato? Qual a importância dele? — questionou Sam.

– Bem, é aí que entra o meu palpite mais forte. Eu acho que o Metatron quis esconder a verdade usando uma mentira. Literalmente. — respondeu Chloe.

– Como assim? — indagou Bobby.

Chloe pegou a imagem da Tábua dos Anjos que tinha levado para a mesa e antes de entregá-la para Bobby, pediu:

– Repare numa fissura na sétima linha, no lado esquerdo.

Bobby aproximou a imagem do rosto e franziu o cenho procurando o detalhe que a garota queria mostrar. Logo ele viu que realmente havia uma fissura no artefato.

Em seguida, o caçador passou a imagem para Claire que também procurou pelo detalhe e depois repassou a imagem para Sam. Depois Castiel e Mia seguraram a imagem ao mesmo tempo e, assim como os outros, eles entenderam o que Chloe queria dizer.

Não era apenas uma fissura. Era uma rachadura profunda onde era possível ver algo na camada inferior. Quase imperceptível, mas que parecia ser parte de um símbolo.

– Viram? — recomeçou Chloe. — Tem algo escondido embaixo da primeira camada. Eu sei que é só mais um palpite, mas eu acho que o verdadeiro texto, aquele que nós temos que traduzir e que vai nos dizer como reverter o feitiço, está embaixo da primeira camada.

– Foi por isso que o Metatron exigiu que você entregasse a Tábua dos Anjos, Mia. Porque ele sabia que era só uma questão de tempo para nós percebemos isso. — completou o profeta.

Sam pensou um pouco e questionou:

– Kevin... A Tábua dos Anjos ficou no bunker por meses. Como você não notou este detalhe antes?

– Bem, eu acho que eu não estava muito empenhado na minha missão naquela época. — respondeu Kevin visivelmente envergonhado.

– Ou talvez você só precisasse de um olhar feminino e clínico como o meu para te ajudar a enxergar os detalhes. — sugeriu Chloe segurando a mão dele sobre a mesa. E quando ele olhou para ela com carinho, Chloe acrescentou — Não se sinta culpado por isso, Kev. Eu vi esta imagem durante semanas, dias, horas, praticamente em cada minuto do meu dia, e só prestei atenção neste detalhe depois que eu vim pra cá.

– Por falar nisso, por que você ficou tão interessada neste artefato mesmo? — quis entender Bobby.

– Bem, eu queria entender por que o Kev tinha ido embora daquele jeito. Ele era sempre tão misterioso que eu achei que a resposta estava na imagem daquele artefato. Além disso, tinha a história dos "alienígenas" e eu também imaginei que uma coisa estava ligada a outra. Eu sou muito curiosa, adoro um bom mistério, teorias de conspiração... — de repente Chloe parou de falar ao perceber que estava se empolgando com aquela explicação e resolveu encerrar dizendo — Mas o que mais despertou o meu interesse na Tábua dos Anjos foi algo que até hoje eu não sei explicar direito. Eu senti uma coisa muito forte quando olhei para aqueles símbolos. Uma coisa dentro de mim que me dizia para sentar e começar a trabalhar naquela tradução o mais rápido possível. Uma espécie de... Instinto.

Ao ouvir aquilo, Castiel franziu o cenho um tanto intrigado e não percebeu que Mia estava calada, pensativa, mais do que isso, ela parecia triste e desapontada.

Após um momento de silêncio, Sam decidiu retomar o assunto inicial:

– Então... Com base na descoberta que vocês fizeram, ainda existe uma chance de reverter o feitiço do Metatron. Isso é bom.

– E significa que nós temos que recuperar a Tábua dos Anjos. — salientou Claire enquanto tomava um pouco de café.

– Tudo seria tão mais simples se eu não tivesse sido tão burra e confiado no vilão da história. — refletiu Mia com tristeza fazendo todos olharem para ela de repente. — Vocês sabem que isso tudo é minha culpa, não sabem?

– Ninguém está dizendo isso. — esclareceu Sam.

– Ninguém precisa dizer. Eu sei. — respondeu ela apoiando as costas na cadeira enquanto olhava um ponto qualquer da cozinha. — Eu sei que eu estraguei tudo.

– Pelo o que eu entendi, você estava tentando ajudar o Cas. — ressaltou Bobby.

– É, e o Metatron te enganou, Mia. Você não teve culpa. — acrescentou Claire solidária.

– Me enganou porque eu sou uma burra. — insistiu ela sendo ainda mais dura consigo mesma. — Eu sou ótima para prever o que vai acontecer com as outras pessoas, para ajudá-las, mas quando o assunto sou eu... Eu sou um completo fiasco. Eu não sei como eu consegui sobreviver assim, sabe? Só fazendo besteira. Uma atrás da outra...

Todos pararam de tomar o café e ficaram olhando para Mia sem entender por que ela estava desabafando daquele jeito e sem saber o que dizer para ela se sentir melhor ou menos culpada.

– Mia, por que você está dizendo essas coisas? — indagou Castiel.

– Porque é a verdade e alguém tem que dizê-la. — respondeu ela antes de se levantar e deixar a cozinha.

– Não foi esse o café em família que eu imaginei. — deixou escapar Bobby.

– O que deu nela? — indagou Sam.

– Eu não sei, mas ela quase não tocou no café. E em se tratando da Mia, isso é... Estranho. — disse Castiel observando a xícara cheia de café que a caçadora deixou para trás. Em seguida, ele levantou e anunciou — Eu vou falar com ela.

Instantes depois, o anjo saiu do bunker e caminhou até o Mustang, onde Mia estava sentada no banco do motorista, com a cabeça baixa apoiada no volante. Castiel abriu a porta e sentou ao lado dela antes de perguntar:

– Por acaso você está pensando em me abandonar de novo?

– Não. Claro que não. Eu só queria ficar um pouco sozinha e pensei que você não viria aqui. — respondeu Mia ainda de cabeça baixa.

– Então você quer eu vá embora? — questionou ele.

– Não, pode ficar. — respondeu ela um tanto indiferente.

Após um momento em silêncio, Castiel recomeçou:

– Mia, o que foi aquilo lá dentro? O que está acontecendo?

– Nada. — respondeu a caçadora e depois de alguns instantes, finalmente ergueu a cabeça e sugeriu sem graça — Eu acho que nós temos que encontrar uma palavra para substituir nada.

– Eu também acho. — concordou Castiel dando um meio sorriso.

Mia sorriu de volta e apoiou as costas no banco. Depois de pensar um pouco, ela indagou:

– Por que eu sou tão estúpida e burra?

– Eu não tenho ideia. — respondeu Castiel dando de ombros.

Mia o encarou perplexa e protestou:

– Sabe, este seria aquele momento em que você diria "Não, Mia, você não é estúpida, muito menos burra. Você é inteligente, linda e sexy."

– Se você está se referindo ao que disse lá dentro, sobre ter confiado no Metatron, me desculpe, mas você foi burra e estúpida mesmo. — argumentou Castiel.

– Eu mudei de ideia. Eu quero que você vá embora. — avisou ela antes de esconder o rosto no volante de novo. Mas ao perceber que Castiel não só continuava ali, como também tinha começado a acariciar os seus cabelos suavemente, Mia perguntou — O que você está fazendo?

– Nada. — respondeu o anjo fazendo a caçadora sorrir e erguer a cabeça de novo. — Você é inteligente, linda e sexy. — elogiou ele.

– Mas? — indagou Mia apoiando as costas no banco mais uma vez.

– Mas ter confiado no Metatron não foi muito inteligente da sua parte, Mia. Admita. — respondeu Castiel fazendo a caçadora ficar pensativa. — No entanto, eu entendo que você tinha boas intenções e que fez aquilo por mim. Você não estava raciocinando direito porque não estava se guiando pela razão e sim pela emoção. E todo mundo comete erros. Você não está livre disso.

– Isso é verdade. — concordou Mia e depois de uma pausa, perguntou — Mas então o que você sugere? O que eu devo fazer?

– Primeiro, pare de se lamentar. — aconselhou Castiel. — Esta não é você, Mia. Você é mais do que inteligente, linda e sexy, você é uma guerreira. Então o Metatron te enganou e você vai ficar choramingando pelo bunker? Ou no carro?

– Você está certo. Esta não sou eu. E aquele Transformer maldito não vai me fazer esquecer disso de novo. — concordou Mia respirando fundo e se arrumando melhor no banco ficando com uma postura mais ereta. — Eu sou inteligente, linda e sexy. E uma guerreira! Uma guerreira inteligente, linda e sexy. E poderosa... Uma caçadora poderosa! Eu sou a própria garota sobrenatural...

– Mia. — chamou Castiel percebendo que ela havia se empolgado com tantos elogios a si mesma.

– Ok, qual é o segundo passo, anjo? — indagou Mia lembrando da existência de algo chamado "modéstia" e voltando a si.

– Consertar o seu erro. Recuperando a Tábua dos Anjos. — respondeu Castiel.

– Tudo bem, eu sou inteligente, mas nem tanto. Como eu vou fazer isso, gênio? — quis saber Mia.

– A pergunta correta é "como nós vamos fazer isso"? — corrigiu Castiel.

– Nós? — repetiu a caçadora.

– O Metatron também me enganou, Mia. Eu também fui burro, estúpido e confiei nele. E em troca ele me usou para fazer aquele feitiço. E também pegou uma coisa que eu quero de volta. — lembrou Castiel.

– O que exatamente você está propondo, anjo? — perguntou Mia um pouco confusa.

Após um longo silêncio que estava torturando a garota, Castiel revelou:

– Caçar o Metatron. Eu e você. Juntos. — e após um momento observando a expressão de Mia, ele completou — Eu sei que não será uma caçada fácil, mas se você quer consertar as coisas, assim como eu quero, então chegou a hora de caçar aquele desgraçado, Mia. De recuperar a Tábua dos Anjos, a minha graça e fazê-lo pagar por tudo o que ele fez. O que você me diz?

Mia ficou em silêncio encarando o anjo enquanto pensava sobre o que ele havia sugerido...

Notas finais
Reviews???? Já já o próximo capítulo... O que será que a Mia vai responder para o Cas? Mini pessoa Clammy: uma garotinha de cabelos sedosos chamada Rachel. Oi? Kevloe: Por que será que as roupas deles estavam ligeiramente amassadas? Prefiro não comentar kkkkkkkkk Sobre a Tábua dos Anjos, estou me distanciando bastante da mitologia da série. Se lá ela é uma fonte de poder do Metatron (era, melhor dizendo), aqui eu vou explorar a tradução dela (pra valer, já que a primeira camada era só uma camuflagem barata) e a reversão do feitiço. Mas isso é assunto para a próxima fic, desenvolverei a coisa por lá, ok? Mas guardem esta sementinha aí com vocês. Bem, nada como um café em família para começar o dia! Bjs!