Crossfire
27 Pai e Filha
Notas iniciais
Ao ouvir um estrondo que parecia ter partido o bunker ao meio, Dean abriu os olhos assustado. Rapidamente pegou uma arma que mantinha embaixo da cama e saiu do quarto a tempo de ver Natalie saindo do quarto dela.
– O que foi isso? — indagou loira mais sonolenta do que assustada.
– Fique aqui. — pediu Dean dando alguns passos em direção à escada.
– O quê? Nem pensar. — recusou-se ela dando alguns passos e tomando a frente dele. — Eu vou com você, Sr. Awesome.
– Natalie, volta aqui. — pediu Dean preocupado enquanto a seguia e tomava a frente da loira.
Então os dois começaram a descer as escadas com certo cuidado e logo Mia, Castiel e Kevin também saíram dos seus respectivos quartos e se juntaram ao casal.
– Que barulho foi esse? — questionou Mia.
– Shiiiiii. — pediu Dean e ela entendeu que até saberem o que tinha acontecido era melhor eles serem cautelosos.
Instantes depois, os cinco chegaram na sala e viram um enorme buraco feito no teto e um homem de costas para eles no meio dos escombros. O homem estava de frente para Sam e Claire, que estavam na outra extremidade da sala e permaneciam atônitos diante daquela presença.
Dean e os outros deram a volta nos escombros e se aproximaram do casal. Olharam para o visitante e ficaram igualmente atônitos.
Bobby olhava para todos sem entender como tinha ido parar ali. As últimas coisas que ele lembrava era de Sam ter o resgatado do Inferno, de ter se despedido dele e de Dean e da sua alma ter ido para o Céu. Depois disso, tudo era um enorme branco.
Apesar de não entender o que estava acontecendo, Bobby tinha certeza de que aquilo era real. De alguma forma que não compreendia, ele havia voltado da morte. E embora não fizesse sentido estar ali, ele estava feliz por ter ganhado uma segunda chance e por rever os Winchester. Pensando nisso, ele olhou para Dean, sorriu e começou:
– Ei, idjit. Abaixa essa arma. Sou eu.
– Boa tentativa, mas por que eu acreditaria em você? — duvidou o Winchester mais velho e olhando para o irmão, pediu — Sammy, a água benta.
– Dean... — começou a dizer Castiel como se tivesse percebido algo.
– Agora não, Cas. — cortou ele.
Ainda atordoado, Sam caminhou até um armário e pegou uma garrafa com água benta. Se aproximou do homem nos escombros mantendo uma distância segura e hesitou um pouco.
– Tudo bem. Vamos fazer isso. — assentiu Bobby estendendo o braço para Sam que abriu a garrafa e jogou um pouco do líquido sobre a pele dele. E como a água benta não o queimou, Bobby disse — Viu? Sou eu.
Sam não estava completamente convencido. Ninguém estava, na verdade. Então ele pegou uma faca de prata em uma mochila em cima de uma cadeira e depois voltou. Bobby estendeu o braço de novo.
– Quantos testes forem necessários. Eu também não entendo como eu vim parar aqui, mas eu juro que sou eu. — garantiu o antigo caçador.
Sam segurou o braço dele e fez um corte. E como a prata também não reagiu em contato com a pele, o Winchester mais novo se afastou surpreso e confuso, mas convencido de que o homem falava a verdade.
– É o Bobby. — afirmou Castiel. — Eu sinto a alma dele.
Houve um longo momento de silêncio durante o qual todos se entreolharam até que Dean abaixou a arma. E após mais um longo silêncio, Dean finalmente se aproximou e abraçou o caçador.
– Bobby? — indagou o Winchester mais velho confuso e emocionado com aquele retorno.
– É o que eu estou tentando dizer, idjit. — respondeu Bobby.
– Son of a bitch, você voltou! — exclamou Dean se afastando um pouco e olhando para aquele rosto ainda sem acreditar.
Em seguida, foi a vez de Sam se aproximar e abraçar Bobby igualmente emocionado.
– Espera um pouco. — pediu Bobby se afastando, observando Sam atentamente e notando algo diferente nele. — Por acaso você cortou o cabelo?
Um pouco sem graça, o Winchester mais novo desconversou:
– É uma longa história.
– O que está acontecendo aqui? Como o Bobby voltou? — questionou Natalie depois que Sam se afastou dele.
– É uma ótima pergunta. Como você voltou, Bobby? — questionou Dean.
– E vocês acham que eu sei? Em um minuto a minha alma estava indo para o Céu e no minuto seguinte eu estava caindo no meio desta sala. Por falar nisso que lugar é esse? — quis saber ele olhando tudo em volta.
– Bobby, esta é a sua última lembrança? A sua alma indo para o Céu? Porque isso aconteceu há meses. — lembrou Sam. — Não faz o menor sentido...
– Na verdade, faz. — opinou Castiel. — Ele voltou da morte. Na maioria das vezes, as pessoas não se lembram do outro lado. Não que as pessoas voltem da morte com muita frequência... Enfim, você entenderam.
– É, mas eu lembro. — intrometeu-se Mia e olhando para Bobby indagou — Ei, você não lembra de mim? Nós ficamos amigos da última vez em que eu bati as botas.
O caçador a observou por alguns instantes antes de responder:
– Eu sinto muito, mas... Esta é a primeira que eu estou te vendo, seja lá quem você for.
Mia franziu a testa um pouco decepcionada e ficou calada. Dean pensou um pouco e depois recomeçou:
– Bobby, alguma coisa te trouxe de volta. Em outros tempos, eu diria que foi o Cas, mas agora nem ele nem nenhum anjo tem poder para isso. Então o que aconteceu? Como você voltou?
– Eu não tenho ideia. — respondeu Bobby. — E quem são essas pessoas? — disse olhando para alguns rostos na sala.
Já que não se lembrava dela, Mia resolveu se reapresentar:
– Bem, eu sou a Mia. Eu tenho sangue de demônio no meu corpo, mas eu juro que não sou um deles. Eu sou caçadora, posso prever coisas, amo café e namoro um Anjo do Senhor. Legal, né?
– O quê? — surpreendeu-se Bobby.
- Mia. — repreendeu Castiel achando que a garota tinha falado demais.
– O quê? É melhor ele ficar sabendo de tudo de uma vez. — explicou-se ela e depois de se aproximar e abraçar o caçador, disse — É um prazer te conhecer de novo. Você parece bem mais simpático vivo do que morto.
– O prazer é meu. Eu acho. — respondeu Bobby ainda meio zonzo e depois caminhou em direção à próxima pessoa.
– Eu sou o Kevin. — apresentou-se o profeta apertando a mão do caçador e batendo levemente no seu ombro.
– Eu lembro de você. — disse Bobby. — Eu não te conheci quando era vivo, mas quando eu era um fantasma, eu te vi algumas vezes com o Sam e o Dean. Você é o profeta, certo? — e depois que Kevin assentiu, ele se aproximou da próxima pessoa e exclamou — Natalie Jones? A última vez que eu te vi, foi quando nós exorcizamos o demônio que matou os seus pais. O que você está fazendo aqui?
A loira sorriu, mostrou a aliança na mão direita e explicou:
– Good News! Eu e o Dean vamos nos casar. Awesome, não?
– Sério? Você e o Dean? — surpreendeu-se Bobby e olhando para o Winchester mais velho quis confirmar — Você vai mesmo casar?
– O que eu posso fazer se o cupido acertou o meu traseiro? — brincou Dean, embora no fundo ainda estivesse tenso e emocionado porque Bobby tinha voltado.
– Eu não sei se eu estou mais surpreso porque você vai se casar ou porque vai se casar com Natalie Jones. Eu nunca imaginaria isso. Vocês dois? Juntos? — prosseguiu Bobby.
– Eu sei, eu sou muita areia para o caminhãozinho dele. Mas o que eu posso fazer se o Sr. Awesome se apaixonou perdidamente por mim? Ele insistiu tanto que eu não tive como recusar. — explicou a loira.
– Ei! Menos, baby. — protestou Dean. — Você que é louca por mim.
– Tudo bem, eu admito. Eu sou mesmo. — assumiu ela fazendo Dean a olhar de canto e esboçar um leve sorriso. Em seguida, ela abraçou Bobby encerrando aquela questão e disse — Bem vindo de volta.
Bobby assentiu, depois cumprimentou Castiel também com um abraço e o anjo teve uma sensação estranha.
– O que foi? — indagou Bobby.
– Parece que a sua alma foi tocada por uma coisa muito forte e poderosa. E... Pura. Muito pura. — relatou o anjo tentando entender o que poderia justificar aquela sensação que teve.
– Isso é bom, não é? Significa que quem chutou o Bobby para este lado é um dos mocinhos, certo? — supôs Dean, mas Castiel não respondeu e apenas continuou pensativo.
Mia observou algo e resolveu dizer:
– Sabe, para quem abriu um buraco no telhado e caiu em um monte de escombros, você está bem limpinho. E inteiro.
Bobby olhou para as roupas que vestia e para si mesmo. Percebeu que Mia tinha razão. Pensou um pouco tentando lembrar do que tinha acontecido e depois explicou:
– Na verdade, pouco antes de cair no meio da sala, eu senti como se algo estivesse me envolvendo. Eu não sei... Parecia que tinha alguma coisa em volta de mim, me protegendo. Uma espécie de luz, de calor. E foi essa coisa que quebrou o telhado, não eu.
Todos se olharam enquanto pensavam nas palavras de Bobby. Castiel parecia chegar a uma conclusão sobre aquela coisa que envolveu o caçador, mas não tinha certeza se era o que estava pensando e também não sabia se devia tocar naquele assunto naquele momento. Não depois de ter perdido completamente a fé naquela coisa que poderia ter trazido Bobby de volta da morte.
Enquanto o anjo pensava nisso, Bobby olhou para a garota ao lado de Sam e viu que o caçador segurava a mão dela.
– Não me diga que você vai casar também, Sam? — quis saber ele.
– Na verdade, eu vou sim. — confirmou o Winchester mais novo.
– Eu estou chocado. Eu nunca pensei que vocês fossem se arranjar um dia. — confessou Bobby olhando para os Winchester.
– Oh... Obrigado. — disse Sam um pouco ofendido.
– É muita gentileza sua. — completou Dean com ironia.
– Vocês sabem o que eu quero dizer. Geralmente, caçadores não se casam. Mas eu estou feliz por vocês. — explicou Bobby olhando para os dois, e depois de voltar-se para a noiva do mais novo, perguntou — Ela tem um nome?
– Claire. — respondeu a garota um tanto tensa diante daquele encontro pelo qual esperou durante toda a sua vida e já tinha perdido a esperança de que um dia aconteceria.
– É um bonito nome. — elogiou Bobby.
Sam percebeu que a mão de Claire estava suando e a segurou com mais força. No entanto, ela se soltou em seguida e, para surpresa de todos, principalmente de Bobby, deu um passo na direção dele e o abraçou.
Surpreso com aquele gesto, Bobby demorou alguns instantes para abraçá-la de volta.
– Por que você está tremendo? — notou ele. E como Claire não conseguiu responder e apenas o abraçou mais forte e começou a chorar em seu ombro, Bobby tentou tranquilizá-la — Ei, está tudo bem, querida.
Todos se entreolharam até que Mia opinou:
– Ok, isso é estranho. Alguém tem que dizer pra ele que ela...
– Mia! — interrompeu Castiel antes que a garota falasse demais.
Claire se afastou constrangida e pediu:
– Me desculpe.
– Está tudo bem. — tranquilizou Bobby, embora no fundo tivesse ficado intrigado com a atitude da noiva de Sam. E depois de um longo momento de silêncio, ele olhou para todos e intimou — Certo, eu sei que teoricamente sou eu quem deve explicações, mas o que diabos está acontecendo aqui?
Sam e Dean se entreolharam enquanto Claire enxugava os olhos e Bobby observava tudo sem entender. Por fim, Dean recomeçou:
– Bobby, nós não sabemos o que ou quem te trouxe de volta, mas vamos ter muito tempo para descobrir. Agora uma coisa eu sei e isso não pode esperar. Você e a Claire precisam conversar.
– Por quê? — estranhou Bobby.
– Acredite em mim. — pediu Dean, depois olhou para os outros e disse — Vamos deixar os dois sozinhos, ok?
– Sozinhos? Mas eu quero ouvir a conversa. Talvez eu possa intermediar, eu sou boa nessas coisas e... — protestou Mia, mas Castiel a puxou pela mão e os dois começaram a deixar a sala. Vencida, ela resolveu mudar de assunto — Sabe de uma coisa? Eu vou preparar um café. Um cara que estava morto caiu do céu e ninguém oferece um café para o coitado? Sabe do que mais? Eu vou fazer café para todo mundo. Nós precisamos relaxar para conseguir entender o que está acontecendo aqui. E nada melhor do que um café para... Você sabe que quando eu disse “nada”, eu quis dizer nada mesmo, não é, anjo?
– Sim, Mia. Eu sei. — respondeu Castiel.
Depois que ele, Mia, Dean, Natalie e Kevin saíram, Sam voltou-se para Claire e perguntou:
– Você quer que eu fique?
– Não, está tudo bem, Sam. Pode ir. — respondeu Claire.
– O que está acontecendo? — questionou Bobby impaciente com todo aquele mistério.
– Como o Dean disse, vocês dois precisam conversar. — ressaltou Sam e então saiu da sala.
Bobby e Claire se olharam por alguns instantes. O caçador percebeu que ela parecia mais calma e, embora não soubesse que tipo de assunto teria para tratar com a noiva de Sam, ele assentiu:
– Tudo bem, então vamos conversar.
– Primeiro eu vou cuidar disso. Você está sangrando. — avisou Claire indicando o corte no braço do caçador que tinha sido feito pela faca de prata.
Bobby ia dizer que não achava aquilo necessário, mas intrigado com aquela garota, achou melhor concordar, seguí-la até a mesa e descobrir de uma vez por todas o que estava acontecendo.
Enquanto Bobby puxava uma cadeira e sentava, Claire foi até um dos armários e pegou uma caixa de primeiros socorros. Antes que ela voltasse, o caçador reconheceu o seu diário em cima da mesa e uma foto dele sobre a página aberta. Estranhou aquilo.
Claire sentou ao lado do caçador, estendeu o braço dele sobre a mesa, abriu a caixa, pegou uma gaze, um antisséptico e começou a limpar o ferimento.
– Você é médica, enfermeira ou algo do tipo? — quis saber ele cortando o silêncio.
– Na verdade, eu abandonei a faculdade de medicina há anos. — contou ela.
– Por quê? — interessou-se Bobby.
– Eu estava procurando por uma pessoa, brigava muito com a minha mãe por causa disso e não estava conseguindo me focar nos estudos. Então, eu achei melhor deixar a medicina para trás e me concentrar na minha busca pessoal. — contou ela e depois de uma pausa, prosseguiu — Então há alguns meses, aconteceu uma coisa e... Eu me tornei caçadora. O Sam me ajudou e tem me ajudado bastante com isso. Ele é o meu mentor particular, além de... Ser o homem que eu amo.
Bobby queria perguntar o que foi a tal coisa que tinha acontecido e que levou uma garota tão doce a escolher aquela vida tão amarga. Mas logo ele deduziu que devia ter sido alguma tragédia envolvendo a família, provavelmente a mãe. Era assim que geralmente as pessoas decidiam entrar para aquele ramo. Depois de uma tragédia familiar envolvendo algo sobrenatural.
Então Bobby resolveu perguntar outra coisa:
– Foi assim que você conheceu o Sam?
– Não. Na verdade, nós nos conhecemos em Stanford há oito anos. Mas só nos reencontramos recentemente.
– E ele concordou que você entrasse nesse negócio de salvar pessoas e caçar coisas? — estranhou Bobby.
Claire sorriu e enquanto fazia o curativo, respondeu:
– Ele ainda está se acostumando, mas respeita a minha decisão. Pelo menos ele tenta respeitar.
Após um momento de silêncio, o caçador observou o rosto da garota e confessou:
– Você me lembra alguém.
Claire hesitou um pouco antes de tomar coragem para sugerir:
– Rachel Davis?
Ouvir aquele nome, fez Bobby se lembrar de um caso de possessão demoníaca que ele investigou há muitos anos. E de uma mulher que ele conheceu durante o caso e que se chamava Rachel Davis.
– Você a conhece? — estranhou ele.
– Você lembra dela? — surpreendeu-se Claire que sempre pensou que talvez o seu pai tivesse esquecido aquele nome.
Sem saber se devia dizer aquilo e estranhando cada vez mais o rumo daquela conversa, Bobby resolveu arriscar:
– Foi uma antiga paixão. Rápida, mas verdadeira. Eu já era um caçador quando conheci a Rachel. Nós tivemos algo durante um caso. Mas eu achei melhor não envolvê-la nessa vida e fui embora. Eu nunca mais a procurei. Então... Você a conhece? E por que você me lembra ela? Vocês são parentes?
– Ela era a minha mãe. — revelou Claire.
– Era? — repetiu Bobby.
– Ela morreu há alguns meses. Um demônio a matou. — contou a garota com certa tristeza.
Bobby ficou profundamente triste ao ouvir aquilo e lamentou:
– Eu sinto muito.
– Obrigada. — agradeceu Claire e depois terminou o curativo.
– Obrigado. — agradeceu Bobby e ela assentiu com um meneio de cabeça.
Depois disso, Claire se ajeitou na cadeira e os dois ficaram em silêncio até que Bobby recomeçou:
– Foi por isso que você se tornou caçadora?
– Sim. — respondeu ela.
Bobby percebeu que Claire estava um pouco trêmula e que evitava olhar para ele como se tivesse medo de chorar de novo se o encarasse.
Aos poucos, ele começou a pensar sobre tudo o que ela havia contado até ali e sobre o clima de mistério que a cercava. Lembrou de Sam e Dean dizendo que os dois precisavam conversar. Por fim, começou a juntar os pontos e perguntou:
– Quantos anos você tem, querida?
– Vinte e cinco. — respondeu Claire.
– Você disse que abandonou a faculdade porque estava procurando alguém. Quem você estava procurando? — quis saber ele.
– O meu pai biológico. — contou a garota sentindo que Bobby começava a montar o quebra-cabeças.
Após um momento de silêncio, o caçador perguntou:
– E o que a sua mãe te contou sobre ele?
Claire pensou um pouco, lembrou das inúmeras conversas com a mãe sobre aquele assunto e de quantas vezes as duas brigaram por causa disso, antes de responder:
– Ela disse que o meu pai era um caçador. Que ele esteve na cidade dela, investigando coisas inexplicáveis e que os dois se envolveram. Que foi uma paixão. Rápida, mas... Verdadeira. E eu cresci querendo conhecê-lo, mas a minha mãe dizia que era melhor não, que era perigoso por causa da vida que ele levava. Ela só queria me proteger, mas eu insisti e continuei procurando por ele mesmo contra a vontade dela.
– E... Você o encontrou? O seu pai? — indagou Bobby sentindo uma emoção forte ao perguntar aquilo porque no fundo já sabia quem era aquela garota ao lado dele.
– Eu descobri que ele morreu há alguns anos. — contou Claire.
– Como? — quis saber o caçador.
– Segundo o Sam, ele morreu lutando. Foi algo envolvendo um leviatã. — contou Claire também sentindo uma emoção crescer em seu peito à medida que percebia que Bobby fazia perguntas das quais já sabia as respostas.
– Então o Sam conheceu o seu pai? — prosseguiu ele.
– Sim. — confirmou a garota.
– E o Dean?- indagou Bobby.
– Também. — respondeu Claire.
Após mais um momento de silêncio, Bobby anunciou:
– Claire, eu vou perguntar de novo. Você encontrou o seu pai?
A caçadora finalmente teve coragem de olhar para ele e então respondeu:
– Sim...
– Quando? — perguntou Bobby.
Claire sorriu, mas ao responder a sua voz saiu um pouco trêmula:
– Esta noite.
Sem querer parecer ridícula na frente daquele homem que admirava tanto, e sentindo que ia chorar a qualquer momento, Claire levantou e se afastou um pouco. Bobby levantou também e perguntou:
– Claire, você acha que eu sou este homem? O seu pai?
Ela parou e ficou imóvel por alguns instantes antes de voltar-se para ele e responder:
– Não, eu tenho certeza que você é.
Bobby permaneceu calado por um tempo enquanto pensava em tudo aquilo. E então ele confessou:
– Bem, então somos dois.
Claire sorriu emocionada, caminhou até Bobby e os dois se abraçaram.
Depois de algum tempo, eles se afastaram um pouco e ele se explicou:
– Eu não sabia... A Rachel nunca me contou que tinha ficado grávida, nunca me procurou. Eu fui embora sim, mas eu deixei o meu telefone se caso ela precisasse de alguma coisa. Eu sinto muito...
– Eu sei. Está tudo bem. O importante é que você voltou. — tranquilizou a caçadora.
– Sim, mas eu preciso ser honesto. Claire, eu nem sei direito como eu voltei, e de repente eu descubro que tenho uma filha? Não me entenda mal, querida, mas eu vou precisar de um tempo para me acostumar com tudo isso. Mas eu prometo que vou tentar compensar a minha ausência e... Ser um bom pai. — expôs Bobby.
– Você começou bem. Foi uma entrada triunfal. — brincou Claire.
Os dois se olharam por um instante, Bobby acariciou o rosto da garota e depois a abraçou novamente.
– Ei, me explica melhor essa história de que você e o Sam vão se casar. — pediu Bobby e Claire riu percebendo que ele estava com ciúme.
XXX
Enquanto isso, os outros estavam na cozinha, sentados a mesa enquanto Mia distribuía xícaras de café entre eles. Depois ela colocou duas xícaras em uma bandeja e as encheu com a bebida enquanto repetia baixinho:
– Coffee, coffee, coffee...
Mas quando ela ia deixar a cozinha, Dean levantou, ficou na frente dela e perguntou:
– Pra onde você vai?
– Como assim "pra onde"? Não é óbvio? Levar um pouco de café para o zumbi e sua bela filha. — respondeu Mia tentando passar pelo Winchester.
Ele permaneceu na frente da garota e esclareceu:
– Em primeiro lugar, o Bobby não é um zumbi. E em segundo lugar, você não vai a lugar algum. Ele e a Claire tem muito para conversar. É melhor não interrompê-los.
Mia pensou um pouco, viu que Dean tinha razão, sentou com os outros e antes de pegar uma das xícaras, disse:
– Ok. É bom que sobra mais café pra mim.
Depois de tomar a primeira xícara, Mia percebeu que todos, com exceção de Castiel, a encaravam.
– O que foi? — estranhou ela.
– Tem alguma coisa muito errada com você, Mia. — observou Kevin.
– E não é o sangue de demônio. — completou Dean.
– Cas, ela é sempre assim? — quis saber Sam. E ao perceber que o anjo permaneceu em silêncio com o pensamento distante, insistiu — Cas?
O anjo voltou a si e olhou para todos antes de dizer:
– Eu acho que eu sei o que trouxe o Bobby de volta.
– Nós estamos ouvindo. — disse Natalie percebendo que o anjo estava hesitante se contava ou não.
Castiel olhou para todos antes de responder:
– Deus.
Mia engasgou com o café e todos se olharam em choque por alguns instantes. Enquanto dava alguns tapas nas costas de Mia, Dean questionou:
– Deus? Eu pensei que Ele estivesse no México comendo tortilhas.
– Eu já te disse isso, Dean. Deus não gosta de massas. — relembrou Castiel.
– Tudo bem, mas por que você acha que foi Deus que trouxe o Bobby de volta? — quis entender Sam.
– Porque eu senti uma coisa na alma do Bobby. Uma sensação forte que eu não tinha sentido antes. Algo bom, poderoso e puro. Algo que passou pela alma dele e deixou um pouco da sua energia. Se isso não foi Deus tocando a alma do Bobby e o mandando de volta para cá, eu não sei o que mais pode ser. — expôs o anjo.
Mia já tinha desengasgado e então perguntou:
– Bem, o Bobby voltou, legal. Mas por que Deus faria isso?
– Eu não sei. — admitiu o anjo. — Mas eu acho que com o tempo, nós vamos descobrir.
Todos ficaram em silêncio tentando encontrar uma explicação para aquilo, mas não chegaram a nenhuma conclusão... Nem naquela noite, nem no dia seguinte.
Por mais que Castiel afirmasse que Deus estava envolvido naquilo, era difícil para os outros, inclusive para o Bobby, acreditar que aquilo era verdade.
O caçador não se lembrava do que aconteceu no outro lado, não havia pistas, indícios, nada que pudesse comprovar aquela teoria.
Então, com o passar dos dias, todos pararam de se perguntar "como?" e acabaram aceitando o fato de que Bobby havia voltado. E isso parecia ser o mais importante. Bobby estava de volta.
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