Crossfire
28 Amor e Bebedeira
Notas iniciais
Era noite e Dean estava no quarto, dormindo na cama que havia comprado há cerca de duas semanas. Mas o barulho da porta abrindo e os passos de alguém que se aproximava o despertou. Logo Dean olhou para o lado e viu Natalie deitando perto dele. Ela ajeitou o travesseiro e se enrolou com o cobertor antes de explicar:
– Eu não consigo dormir.
Dean se aproximou, ficou deitado de lado e perguntou:
– Isso foi uma indireta?
– Eu estou falando sério, Sr. Awesome. — respondeu a loira enquanto olhava para o teto.
Depois de uma longa pausa, Dean quis confirmar:
– Então não foi uma indireta?
– O Crowley foi embora há dias e nós ainda não descobrimos nada concreto sobre a arma que ele falou. — prosseguiu Natalie.
– Não foi uma indireta. — deduziu Dean.
– Eu não consigo parar de pensar no que ele disse e no meu papel nisso tudo. — confessou ela.
Dean pensou um pouco e depois tentou tranquilizar a noiva:
– Olha, Naty, ser a chave que vai nos levar até a arma contra Abaddon não parece tão ruim. Mas eu não quero que você se preocupe com isso agora. Como você disse, nós ainda não sabemos muita coisa sobre a arma. Então vamos com calma, ok? Seja lá qual for o seu papel, você não está sozinha nisso. Eu estou aqui.
Por algum motivo, Natalie estava com um mau pressentimento sobre aquilo. Ser a tal chave, talvez envolvesse algum tipo de sacrifício, algum ritual, consequências. Ser o centro das atenções numa situação como aquela também não lhe agradava nem um pouco. Tudo o que ela queria era continuar caçando e casar com Dean. A ideia de que ela era importante para algum propósito grandioso a deixava um pouco tensa e preocupada.
Além disso, a Primeira Espada estava escondida perto da jaula do Lúcifer. Então e se alguma coisa desse errado quando eles fossem pegar a arma? E como eles chegariam tão perto da jaula? Será que ela teria que ir até o Inferno para buscar a arma ou existia alguma forma de tirá-la das profundezas sem muitas complicações? E se houvesse complicações? E se tudo desse errado?
Natalie respirou fundo e fechou os olhos por alguns instantes achando que estava ficando paranoica demais e que precisava parar de se sentir daquele jeito. Em seguida, ela virou, ficando de lado para Dean e concordou:
– Você está certo, Sr. Awesome. Eu estou me preocupando à toa. — em seguida, ela suspirou tentando relaxar um pouco e fechou os olhos. Instantes depois, os abriu e admitiu — Mesmo assim eu não consigo dormir.
– Agora é uma indireta? — quis saber Dean. — Porque se for, eu posso dar um jeito nisso.
Natalie sorriu deduzindo o que ele queria dizer, mas mesmo assim perguntou:
– Sério? Como?
– Te deixando bem cansada. — insinuou ele. — E já está na hora de estrear esta cama, você não acha?
– Eu pensei que nós tivéssemos concordado em só estreá-la depois do casamento. — lembrou a loira.
– Eu nunca concordei de verdade. — protestou o Winchester. — Além disso, nós vamos pegar a estrada depois do casamento e caçar wendigos na lua de mel. O que significa que vamos acabar passando a nossa primeira noite de casados em algum hotel de beira de estrada. É praticamente um crime não estrear a cama antes disso.
– Praticamente um crime? — repetiu Natalie rindo e depois de se virar e se apoiar nos cotovelos, perguntou — Você quer mesmo me deixar cansada, não é?
– Não me olhe assim. Eu estava quieto aqui. Você que veio para o meu quarto. — defendeu-se Dean e depois de um longo momento encarando Natalie, intimou — E então?
Natalie sorriu levemente enquanto o encarava e por fim respondeu:
– Ok.
– Ok? — repetiu Dean. — Agora é uma indireta direta, não é?
– Me deixe exausta, Sr. Awesome. — pediu a loira.
Ao ouvir isso, Dean se aproximou, segurou o rosto de Natalie e a beijou enquanto deitava sobre ela. Ela o abraçou e aos poucos... Os dois começaram a brincar.
XXX
Mia acordou e se mexeu na cama. Virou para o outro lado e viu Castiel sentado na poltrona a observando. Automaticamente o seu coração acelerou. Ele, que estava ali há algum tempo olhando a garota dormir, sorriu e perguntou:
– Tem lugar para mim nesta cama?
– Depende. Tem lugar para mim nesta poltrona? — rebateu ela mordendo o lábio inferior.
Castiel sorriu levemente ao ouvir aquilo e ficou encarando Mia de um jeito apaixonado sem dizer mais nada. Nada mesmo.
Então ela se desenrolou, levantou da cama, se aproximou e se posicionou em cima dele com os joelhos apoiados na poltrona. O beijou enquanto acariciava a nuca do anjo com as pontas dos dedos.
Castiel a abraçou, trazendo Mia para mais perto de si enquanto ela deixava o peso do seu corpo cair sobre ele. Com isso, a poltrona acabou tombando e os dois riram.
– Talvez seja melhor na cama mesmo. — sugeriu Mia.
– Eu acho que nós podemos começar aqui e depois ir pra lá. — propôs Castiel sorrindo.
– Você acha? — indagou Mia antes de beijá-lo de novo.
Castiel segurou o rosto dela com carinho e logo os dois começaram a se livrar das roupas ali mesmo.
XXX
Sam abriu a porta do quarto de Claire e viu que ela estava dormindo. Entrou, fechou a porta, se aproximou da cama e deitou perto da garota. Acariciou o rosto dela.
Logo Claire começou a acordar, sorriu ao reconhecer Sam e murmurou ainda sonolenta:
– Ei... Eu quase não te vi durante o dia.
– Pois é, desde que um certo caçador rabugento voltou, alguém tem me deixado meio de lado. — reclamou Sam fazendo uma cara que Claire classificava como "cãozinho abandonado."
– Isso não é verdade. — discordou ela. — Vem cá. — disse e puxou Sam para mais perto. O beijou e depois prosseguiu — Olha, me desculpe se eu fiz você se sentir em segundo plano nos últimos dias. Não foi a minha intenção. Mas o meu pai, que eu achei que nunca conheceria, voltou e finalmente eu tenho a chance de conhecê-lo melhor.
– Eu sei. Eu só estava brincando. — tranquilizou Sam e em seguida perguntou — Mas você ainda me ama, não é?
Claire riu antes de dizer:
– É claro que eu amo, bobo. Você quer que eu prove?
– Se você não estiver muito cansada. — respondeu Sam sorrindo de volta.
Então Claire o puxou para mais um beijo antes de se virar e ficar por cima de Sam. Jogou o cobertor sobre os dois e o beijou de novo enquanto suas mãos exploravam o corpo do caçador e ele o dela.
Algum tempo depois
Dean e Natalie olhavam fixamente para o teto enquanto recuperavam o fôlego e pensavam no que tinha acontecido. Ou melhor, no que não tinha acontecido. Foi Natalie que teve coragem para dizer:
– Ela não quebrou.
– Pois é. — disse Dean.
– Você acha que tem alguma coisa errada com a gente? — questionou a loira.
– Porque a cama não quebrou? Não. Não tem nada de errado com a gente, Naty. Isso só prova que a cama é resistente mesmo. Que bom. Valeu cada centavo que eu não vou pagar. — respondeu o caçador.
– Mas eu gostava quando ela quebrava... — confessou Natalie com certa saudade.
– É, eu também. — admitiu Dean. — Mas assustava um pouco.
– Mas era legal. — ressaltou Natalie.
– Ah, isso era. — concordou Dean e depois de um longo silêncio, sugeriu — Nós podemos tentar de novo. Até ela vir abaixo.
Natalie sorriu e olhou para ele antes de perguntar:
– E se ela não vier abaixo?
– Nós temos o resto das nossas vidas para vencer esta cama, Naty. Mais cedo ou mais tarde, ela vai ter que ceder. E até lá, nós vamos tentando. Persistindo. Tentando. Tentando de novo. E de novo. — respondeu Dean e depois de virar-se na direção da garota, perguntou — O que você acha?
Natalie voltou-se para ele, sorriu e respondeu:
– Eu acho que eu quero tentar agora mesmo.
– Agora? — repetiu Dean enquanto se aproximava mais da loira.
– Pra quê perder tempo? — indagou ela sorrindo. — Além disso, você disse que ia me deixar cansada, lembra? Mas eu estou muito longe de estar cansada, Sr. Awesome.
– Ah... Depois do que eu vou fazer, eu tenho certeza que você vai ficar. Exausta na verdade. Completamente sem fôlego. — provocou ele.
– Sério? E o que você vai fazer? — interessou-se Natalie passando os braços em volta do pescoço dele.
– Deixa eu te mostrar. — respondeu Dean a beijando em seguida enquanto os dois voltavam para debaixo do cobertor...
No dia seguinte
Mia abriu os olhos assustada e viu Castiel na sua frente. Ele a segurava nos ombros e parecia assustado também. Logo Mia deduziu que ela havia gritado ou se debatido, ou as duas coisas, e Castiel resolveu acordá-la.
Então Mia sentou na cama ainda atordoada devido ao pesadelo que havia acabado de ter e Castiel sentou perto dela antes de perguntar:
– Mia, o que aconteceu? Com o que você estava sonhando? O que você viu?
A garota passou as mãos pelos cabelos e fechou os olhos por alguns instantes tentando lembrar de cada detalhe do pesadelo. Depois esticou o braço até o criado-mudo, abriu a gaveta e pegou uma cartela de analgésicos. Tomou alguns deles com um copo de água que estava sobre o móvel enquanto Castiel a olhava preocupado.
Depois de respirar fundo algumas vezes para se acalmar completamente daquela sensação ruim que o pesadelo lhe deixou, Mia olhou para o anjo e disse:
– Cas, eu preciso da sua ajuda.
Algum tempo depois
Enquanto Natalie, Sam e Claire estavam em uma sala do bunker tentando encontrar mais informações sobre a Primeira Espada em alguns livros que falavam sobre Caim e Abel, Dean caminhava com Bobby na direção do quarto de Kevin.
– Eu bati na porta várias vezes, mas tudo que ele fez foi me xingar e aumentar o volume. E eu acho que ele está meio bêbado. — explicou Bobby.
À medida que se aproximava da porta, Dean ouvia a música que estava tocando no quarto do profeta.
– Sério? — disse Dean ao perceber que era Total Eclipse of the Heart da Bonnie Tyler. E depois de bater algumas vezes na porta, pediu — Kevin, abra a porta. Kevin!
– Vão embora! — gritou o profeta de dentro do cômodo.
Dean bateu mais algumas vezes e repetiu:
– Kevin, abra a porta!
E como pareceu que Kevin não estava nem um pouco disposto a atender o pedido e apenas aumentou ainda mais o volume do rádio, Dean pensou por alguns segundos, se afastou um pouco e depois chutou a porta com força. Ela abriu na segunda tentativa e Bobby resmungou:
– Se fosse para arrombar a porta, eu não teria pedido a sua ajuda, idjit.
Dean franziu a testa um pouco ofendido, mas resolveu não dizer nada e o dois entraram no quarto.
Eles se depararam com Kevin sentado no chão, com as costas apoiadas na cama e segurando uma garrafa de uísque que estava pela metade. Havia mais duas garrafas em cima da cômoda e o quarto estava todo bagunçado.
Kevin mantinha os olhos fechados enquanto tomava alguns goles e se balançava de um lado para o outro à medida que a música tocava.
– Kevin! — gritou Dean, mas ele não ouviu.
– There's nothing I can do. A total eclipse of the heart... — cantou o profeta.
– Tudo bem, já chega. — irritou-se Dean e então caminhou até o rádio que estava no chão em cima da cômoda e parou a música.
Só então Kevin percebeu que tinha companhia e abriu os olhos. Tomou mais um gole de uísque e pediu:
– Me deixem em paz! Eu quero ficar sozinho! Vão embora!
– Bom dia pra você também. — ironizou Dean. — Desde quando você está bebendo? Desde ontem à noite? O que diabos está acontecendo com você? — questionou ele enquanto se aproximava e tirava a garrafa das mãos trêmulas do profeta.
– Eu quero a Chloe! Eu preciso da Chloe! — gritou Kevin visivelmente abalado não só pelo álcool, mas também por uma grande saudade que sentia da ex-namorada.
Dean o observou por algum tempo, em seguida puxou uma cadeira que ficava em frente a uma escrivaninha e sentou de frente para o profeta. Sentiu uma certa compaixão por ele e resolveu recomeçar com mais calma:
– Kev, olha... Eu sei que não foi fácil para você abrir mão da garota e eu sinto muito que tenha terminado assim. Mas você tomou uma decisão. Porque você entendeu que era arriscado para a Chloe continuar com você. Você resolveu deixá-la livre. Livre de toda essa droga sobrenatural. E você estava indo bem, estava concentrado no seu trabalho e fazendo alguns progressos com aquela tradução. Mas agora você está aí. No chão e bêbado... Por quê? O que aconteceu?
– O que aconteceu é que... Eu não consigo, Dean. — respondeu Kevin com a voz um pouco enrolada por causa da bebida. — Eu pensei que eu ia conseguir viver sem a Chloe, mas eu não consigo. Ela é a minha garota. Eu preciso dela. Eu quero a Chloe, Dean... Eu preciso da Chloe...
– Ok, entendi. — disse Dean se levantando e enquanto se aproximava do profeta e o ajudava a se levantar, continuou — Mas agora o que você precisa é de um banho frio e de um café bem forte para curar esse porre.
– Não! Eu preciso da Chloe! Eu quero a Chloe! — repetiu o profeta tentando se soltar, porém Dean era mais forte e começou a levá-lo para fora do quarto.
– Bobby, peça para a Mia fazer um café daqueles para o Kevin. — pediu Dean.
– A Mia não está. Nem ela, nem o Cas. — respondeu o caçador mais velho enquanto seguia Dean e via Kevin tropeçar nas próprias pernas.
– Onde eles foram? — quis saber Dean enquanto Kevin repetia que queria e precisava da Chloe.
– Eles não disseram, saíram apressados há meia hora. A Mia só disse que teve um pesadelo e que precisava da ajuda do Cas com um caso. — respondeu Bobby e antes de se afastar, encerrou — Mas não se preocupe, eu faço o café.
Dean parou na porta do banheiro com Kevin e ficou pensando no que Bobby havia contado até que o profeta avisou:
– Dean... Eu acho que eu vou vomitar.
– Não em cima de mim. — desesperou-se o caçador e em seguida levou o profeta para dentro do banheiro.
Enquanto isso em Princeton
Chloe cobriu o rosto com o cobertor quando a claridade invadiu o quarto que ela dividia com Ashley.
– Vamos, Chloe. Nós vamos nos atrasar para a aula. — disse a garota que já estava arrumada e tinha uma mochila nas costas.
Chloe virou para o lado, tirou o cobertor do rosto e respondeu:
– Eu não vou.
– Você vai faltar de novo? — surpreendeu-se Ashley. — Chloe, desse jeito você vai acabar perdendo o semestre. O que está acontecendo com você? Você está estranha desde que aquele garoto que eu não vou citar o nome te deu um pé na bunda.
– Obrigada por me lembrar, Ashley. Era tudo que eu precisava ouvir. — resmungou Chloe um tanto magoada.
– Desculpe. — lamentou a outra sentindo que tinha falado demais. E depois de perceber que Chloe estava tremendo, se aproximou, tocou a testa dela e disse preocupada — Você está com febre. Por favor... Não me diga que você está assim por causa dele?
– Ashley... Eu quero ficar sozinha. — tentou encerrar Chloe.
Ashley a observou ainda mais preocupada, mas resolveu deixá-la em paz. Então caminhou até a porta. Mas então lembrou de uma coisa e recomeçou:
– Ah! O professor Graysson perguntou por você. Perguntou sobre o programa que você estava criando para traduzir um manuscrito. Ele parecia bem interessado. O que eu digo se ele perguntar por você de novo?
– Eu preciso do Kevin... — murmurou Chloe antes de fechar os olhos.
Ashley achou que aquilo era efeito da febre e achou melhor deixar Chloe sozinha. Então ela saiu do quarto.
XXX
Enquanto isso, Mia dirigia o Mustang por uma estrada no Kansas com Castiel ao seu lado. A todo instante ela acelerava mais um pouco.
– Mia, você vai me contar com o que você sonhou ou não? — quis saber Castiel preocupado com o que a garota podia ter visto no sonho.
Depois que acordou atordoada, Mia apenas disse que precisava da ajuda do anjo, mas não explicou o por que.
– Cadê o meu café? — lembrou ela se virando na direção do banco traseiro.
Castiel segurou o volante assustado porque Mia havia simplesmente se esquecido da direção. Em seguida ela voltou-se para frente, já com a garrafa que tinha encontrado e bebeu alguns goles do café. Depois segurou no volante e Castiel o soltou.
– Obrigada. Eu sempre esqueço do volante. — admitiu ela.
– Mia, o que está acontecendo? O que você viu? — insistiu o anjo depois de alguns instantes em silêncio.
A garota pensou um pouco e resolveu contar:
– Cas, há alguns dias, o Kevin me mostrou uma foto da Chloe. E esta manhã, eu sonhei com ela. Ela estava em perigo.
– O que você viu exatamente? — quis saber Castiel.
Mia lembrou do pesadelo e respondeu:
– Eu vi um anjo. Ele dizia o nome do Bartholomew em dado momento. Eu vi a Chloe correndo. E eu vi... Eu não sei o que eu vi, era muito confuso. — e depois de uma pausa, acrescentou — Mas o fato é que a Chloe estava em perigo no sonho, Cas. Os anjos estão atrás dela. Eu não sei por que eles estão, mas nós temos que salvá-la antes que seja tarde demais.
Entendendo a gravidade do sonho que Mia havia tido, Castiel garantiu:
– Nós vamos.
E então os dois seguiram viagem rumo a New Jersey.
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