Crossfire
16 Os alienígenas
Notas iniciais
Kevin estava deitado de bruços ao lado de Chloe no dormitório que a garota dividia com uma colega. Mas naquele momento, eles estavam sozinhos.
Eles estavam lado a lado sobre a cama. Seus ombros se tocando levemente. Seus pés balançando no ar enquanto os dois olhavam algumas fotos da família de Chloe no notebook dela.
– O que você acha? Nós somos parecidas? — indagou Chloe mostrando uma foto da mãe.
Kevin olhou de relance para a foto e depois se concentrou na garota ao seu lado.
– É linda. — respondeu ele por fim.
Chloe riu e voltou-se para Kevin antes de dizer:
– Você nem estava olhando para a foto.
– Não é da sua mãe que eu estou falando. — esclareceu ele e depois de observar a foto por alguns instantes, voltou a encarar Chloe e completou — De qualquer forma, a sua mãe é muito bonita, Chloe. Com certeza, você herdou os melhores genes dela.
Chloe sorriu por alguns instantes enquanto encarava Kevin. Em seguida, seus rostos se aproximaram lentamente, Kevin segurou o rosto dela com carinho e seus lábios se envolveram com um beijo repleto de carinho.
Instantes depois, eles se afastaram e sorriram um para o outro até que Chloe recomeçou a conversa:
– E a sua mãe? Como ela é?
– Eu não sei como definí-la... Ela é a minha mãe, tem uma personalidade forte, é super protetora e eu a amo. — tentou explicar o profeta.
– E onde ela está agora? — interessou-se a garota.
– Em um lugar seguro. — respondeu Kevin automaticamente.
Ela franziu a testa e indagou:
– O quê? Como assim?
Kevin percebeu que falou demais e tentou contornar:
– Ela está de férias! Foi isso o que eu quis dizer!
Chloe o observou um pouco desconfiada por algum tempo antes de questionar:
– E o resto da sua família? Por que você nunca fala deles?
– Porque somos apenas eu e a minha mãe. — explicou ele.
– Não... Uma vez você deixou escapar que morava com uns caras... Sam e Dean. Quem são eles? Primos? — quis saber Chloe lembrando de uma noite em que ela e Kevin saíram, ele bebeu um pouco demais e acabou contando alguns detalhes da sua vida.
– É... Primos. Pode ser... Eu quero dizer, sim! Eles são meus primos. — atrapalhou-se Kevin que não sabia como explicar para a garota que na verdade Sam e Dean eram caçadores, mas que de alguma forma eles eram a sua família também.
Chloe percebeu que Kevin não estava sendo completamente sincero com ela. Na verdade, ela havia percebido isso desde que os dois começaram a sair há alguns meses. Então ela ficou um tanto séria e recomeçou:
– Por que você quase nunca fala deles? Ou da sua mãe? Ou mesmo de você? Eu nunca entendi por que você desistiu de Princeton. Sabe, Kev... Eu gosto de você e do que nós temos, mas... Você nunca compartilha nada da sua vida comigo...
– É que eu não tenho nada para compartilhar, Chloe, só isso. — desconversou ele soando pouco convivente para ela.
Chloe respirou fundo e por mais que odiasse mentiras e tivesse certeza de que Kevin escondia certas coisas dela, ela não queria discutir com ele. Preferia esperar que ele se sentisse à vontade para se abrir com ela um dia. Só não queria que esse dia demorasse tanto.
Pensando nessas coisas, ela resolveu ser mais paciente com ele e disse:
– Tudo bem, Kev. Eu não vou te pressionar. Você não quer falar agora, eu entendo. Mas se um dia você mudar de opinião e quiser me contar alguma coisa sobre você, sobre a sua família ou sobre qualquer coisa, eu estarei aqui, ok? Você pode confiar em mim e me contar qualquer coisa. Eu vou adorar te ouvir e te conhecer melhor.
Kevin assentiu com um meneio de cabeça enquanto se perguntava como Chloe iria reagir se ele lhe contasse toda a verdade. Que ele é um profeta e que o sobrenatural existe.
– Já que você não quer falar de você no momento, então eu posso te contar uma coisa sobre mim? — propôs a garota.
– Claro. — assentiu ele.
– Promete que não vai rir? — pediu ela.
– É engraçado? Se for engraçado... Desculpe, mas eu vou rir sim. — disse ele sem conseguir conter um sorriso.
Chloe bateu no ombro dele, mas resolveu arriscar mesmo assim e revelou:
– Eu acredito em ETs.
Kevin ficou sério por alguns segundos se perguntando se havia ouvido direito, mas em seguida não conseguiu se segurar e começou a rir. Chloe bateu nele novamente enquanto protestava:
– Para de rir! Nem é tão engraçado assim! E nem absurdo demais... Muita gente acredita em ETs. Qual é o problema?
– Desculpe, Chloe... — lamentou Kevin tentando parar de rir. E quando finalmente conseguiu, ele questionou — Mas o que te faz acreditar nisso?
– Além do fato do universo ser um lugar muito grande, com outros planetas propícios para o desenvolvimento de vida e de ser muita pretensão da humanidade acreditar que nós estamos sozinhos no universo, uma coisa... Me fez ter certeza de que existe vida inteligente fora da Terra. — explicou Chloe.
– Que coisa? — interessou-se Kevin.
Chloe hesitou um pouco, mas em seguida voltou-se para o notebook, selecionou uma pasta particular e abriu um tipo de pesquisa. Ela havia salvado várias reportagens e copiado algumas imagens e vídeos. Ao perceber do que se tratava, Kevin ficou extremamente sério enquanto Chloe explicava empolgada:
– Ok... Há alguns meses, aconteceu um fenômeno astronômico que nem a Nasa conseguiu explicar e que o governo acabou acobertando para não gerar pânico entre a população. A imprensa divulgou como uma queda de meteoritos não prevista pelos institutos competentes, mas... Há relatos de pessoas que juram que não foram pedaços de rocha do espaço que caíram do céu naquela noite. Mas sim... Pessoas. Ou algo parecido com pessoas. Ou seja, alienígenas!
– Alienígenas...? — repetiu Kevin tentando manter a calma, mas no fundo desesperado com a ideia de que Chloe estivesse interessada na queda dos anjos, mesmo sem ela saber que era disso que se tratava.
– Exato! — confirmou a garota ainda mais empolgada. — E tem mais! Algumas pessoas conseguiram tirar fotos e tem até um vídeo amador. Olha! — acrescentou ela e então abriu um vídeo.
A qualidade do vídeo não era muito boa, mas mesmo assim era possível ver centenas, talvez milhares de luzes cortando o céu e se chocando contra o solo em uma área rural. E era possível distinguir o formato destas luzes. Nem era preciso um olhar muito clínico para perceber que elas não se pareciam com meteoritos disformes. As luzes tinham o formato de pessoas e isso ficava ainda mais perceptível quando elas se aproximam mais do solo. Mas Chloe estava enganada quando afirmou que eram alienígenas.
Ela reproduziu o vídeo mais uma vez e Kevin olhou para as outras janelas que ela havia minimizado. Chloe tinha uma quantidade absurda de imagens, artigos de sites de ufologia e vídeos. Todos relacionados aos "alienígenas". E isso começou a deixar Kevin preocupado. Se fossem alienígenas, ele não se preocuparia tanto, mas sem saber Chloe estava montando um completo dossiê sobre a queda dos anjos e mais cedo ou mais tarde aquilo poderia colocá-la em perigo.
Preocupado e sem perceber, Kevin murmurou:
– Não são alienígenas...
– O quê? — não entendeu a garota olhando para ele um tanto confusa.
– Não são alienígenas! — gritou Kevin levantando da cama visivelmente transtornado.
Chloe fechou o notebook e levantou da cama também antes de dizer:
– Como assim não são alienígenas? O que você sabe sobre isso?
Ainda mais nervoso, Kevin apoiou as mãos nos ombros dela e pediu:
– Chloe, você tem que me prometer que vai esquecer este assunto. Que vai parar de investigar, de pesquisar e que vai esquecer tudo isso. Me promete?!
– Kev, fica calmo... Você está me assustando... — disse ela sem entender por que o namorado havia ficado tão preocupado.
– Me promete! — gritou Kevin.
– Me dê um bom motivo para isso. — pediu ela ainda mais desconfiada de que Kevin lhe escondia alguma coisa.
Ele se acalmou um pouco e tentou explicar:
– Você é jovem, linda, inteligente, tem uma família legal, amigos, estuda aqui, tem um futuro promissor pela frente... Mas se você continuar investigando isso, Chloe... Você vai acabar como eu. E eu não quero isso. Então me prometa que você vai esquecer este assunto e que as únicas pesquisas que fará serão relacionadas a faculdade. Você faz Ciência da Computação! Por que esse súbito interesse em astronomia? E em alienígenas?!
Insatisfeita com aqueles argumentos, Chloe pressionou:
– O que você quis dizer com "Não são alienígenas"? E com "Acabar como você"? Kevin... O que está acontecendo? Você sabe o que são essas coisas? Essas pessoas? Se não são alienígenas... O que eles são? Você sabe o que eles são, não sabe? Me conta. — mas como Kevin permaneceu em silêncio nos momentos seguintes, Chloe respirou fundo e pediu — Por favor, me diga alguma coisa que seja verdade. Alguma coisa sobre você, pelo menos. Você sabe tudo sobre mim. Por que é tão difícil para você se abrir comigo também? Me conta alguma coisa, qualquer coisa. Por favor.
Kevin pensou um pouco e quase sem perceber confidenciou:
– Na primeira vez que a gente saiu, quando você foi ao toalete, eu... Coloquei água benta no seu suco e troquei os seus talheres por outros... De prata.
Chloe ficou ainda mais confusa, franziu a testa e questionou:
– Por que você fez isso?
– Porque eu sou paranoico! — exaltou-se o profeta. — E se você continuar investigando essas coisas, você vai ficar paranoica também, Chloe. Você vai correr perigo e com o tempo vai enxergar um inimigo em cada rosto também!
– Kevin... Eu não estou entendendo... — disse ela ainda mais perdida com aquela conversa.
– Eu preciso ir! — interrompeu ele de repente.
– Como assim você precisa ir? — indagou a garota enquanto Kevin pegava a sua mochila que estava em cima de uma cadeira. — Você vai voltar, não vai?
– Eu não sei... — respondeu ele caminhando em direção à porta.
Mas antes que ele pudesse alcançá-la, Chloe ficou na frente dele e perguntou:
– Pela última vez, o que está acontecendo? — e como Kevin não respondeu, ela indagou — Você vai para o seu hotel e amanhã vai voltar aqui como sempre ou... Você está indo embora de vez?
Kevin não sabia o que dizer. Os meses que passou com Chloe foram os mais felizes da sua vida, mas durante o tempo em que passaram juntos, ele acabou se esquecendo de quem era realmente. Um profeta. E, consequentemente, das suas obrigações.
Kevin se deixou levar por aquele sentimento e se permitiu ser feliz. Sem pensar nas consequências, no amanhã. Mas ouvir Chloe falando sobre aqueles "alienígenas" fez Kevin perceber que ele não podia ser tão irresponsável. Ele tinha que traduzir a Palavra de Deus e ajudar os Winchesters a mandarem os anjos de volta para o céu. Antes que Chloe se aprofundasse mais naquela pesquisa e descobrisse uma verdade que a colocaria em perigo. Antes que ela se envolvesse com aquele assunto, antes que outras pessoas se envolvessem também.
– Você não vai mais voltar, não é? Você está terminando comigo? É isso? — quis saber a garota transparecendo tristeza e arrependimento por ter contado aquelas coisas para Kevin, embora não entendesse por que ele havia ficado tão incomodado a ponto de querer ir embora daquele jeito.
Kevin a olhou com certo pesar. E sem poder contar toda a verdade para Chloe, mas incapaz de continuar mentindo para ela, ele achou melhor se afastar dela e respondeu:
– Sim. É isso. Eu sinto muito, Chloe... Agora eu preciso ir. E por favor, esqueça os alienígenas.
Kevin não permaneceu nem mais um segundo no dormitório. Passou por Chloe, abriu a porta e saiu rapidamente. Não tinha coragem de encarar a garota porque sabia que ela não havia entendido nada e com certeza estava muito magoada com ele e com aquele rompimento tão repentino.
No entanto, Chloe estava mais intrigada do que magoada. E querendo uma explicação para tudo aquilo, ela saiu do quarto também, alcançou o corredor e chamou:
– Kevin! Espera!
Mas ele continuou andando apressado no meio de outros estudantes que passavam por ali e logo desapareceu do alcance dela ao virar para um corredor que levava à saída.
No entanto, algo caiu da mochila dele antes disso e Chloe caminhou alguns metros refazendo os passos de Kevin. Parou diante da tal coisa. Era uma imagem impressa em papel fotográfico.
Chloe se abaixou e pegou a foto. Levantou e ficou olhando para ela.
Ela não sabia, mas aquela era uma das imagens que a Mia enviou para o Kevin antes de ir embora do bunker. Aquela era uma imagem da Tábua dos Anjos.
Kevin mantinha algumas imagens como aquela com ele, mas já tinha desistido de traduzir aquilo há muito tempo. Em parte porque achava que a Tábua dos Anjos era indecifrável, mas principalmente porque nos últimos tempos o seu único interesse era ficar com Chloe.
Ela voltou para o quarto sem tirar os olhos daquela imagem intrigante. Fechou a porta.
– Quem é você, Kevin Tran? — perguntou-se ela ainda mais desconfiada de que o ex-namorado escondia um grande segredo e que estava relacionado aos alienígenas, que não eram alienígenas, e àquela imagem.
E era estranho, mas... Por algum motivo, Chloe não conseguia parar de olhar para ela. Para aqueles símbolos. De alguma forma, era como se uma parte dela soubesse do que se tratava, o que significava. Mas ao mesmo tempo, ela não era capaz de ler, de traduzir aquilo. Não estava pronta para isso.
Aos poucos, ela finalmente abaixou a foto. Em seguida, pegou o notebook sobre a cama, o colocou em cima de uma escrivaninha, puxou uma cadeira, sentou e começou uma pesquisa.
Desta vez não era sobre os supostos alienígenas, embora Chloe sentisse que de alguma forma aquele artefato retratado na foto estava relacionado à eles. Agora a pesquisa era sobre hieróglifos e escritas antigas.
E enquanto ela pesquisava essas coisas, Kevin deixou Princeton para trás e logo chegou no hotel onde estava hospedado. Arrumou suas roupas e pertences pessoais dentro de uma mala e estava pronto para deixar o quarto quando o seu celular tocou.
– Alô? — atendeu ele.
– Oi, Kev. É a Mia. — começou a garota.
Surpreso, Kevin perguntou:
– Mia? Onde você estava esse tempo todo? O que aconteceu? Onde você está agora? Por que você foi embora daquele jeito? E por que...
– Ei! Ei! Vai com calma, Sr. Tran. São muitas perguntas. Eu fiquei um pouco tonta agora... — interrompeu ela.
– Desculpe... — disse ele. — Como você está?
– Bem, eu acho. E... Na verdade, eu voltei para o bunker. É uma longa história, Kevin, e eu vou te explicar tudo, mas para isso você precisa voltar também.
– Claro. Eu estou à caminho. — respondeu o profeta e então abriu a porta e saiu do quarto.
Após um momento de silêncio, Mia indagou incrédula:
– Jura? Fácil assim?
– Sim. Eu estou indo, Mia. Agora eu tenho que desligar porque eu preciso encerrar a minha conta. Te vejo em alguns dias, tudo bem? E eu fico feliz que você tenha voltado. — disse ele.
– Ok... — respondeu Mia ainda confusa porque Dean tinha dito que ele tinha tentado inúmeras vezes fazer o Kevin voltar e não tinha conseguido.
Os dois desligaram, Mia caminhou até a sala principal onde Dean continuava trabalhando em uma certa pesquisa e pigarreou antes de insinuar:
– Nunca foi tão fácil ganhar um café.
Dean voltou-se para ela e ficou visivelmente surpreso quando entendeu do que Mia estava falando.
– Você conseguiu? O Kevin vai voltar? — indagou ele ainda sem acreditar.
– Ele já está à caminho. — relatou ela cheia de si.
– E como você conseguiu isso? — quis saber Dean.
– Ah... Eu não vou revelar as minhas técnicas de persuasão, mas eu preciso dizer que o Kevin deu muito trabalho no começo. Foi uma conversa muito desgastante, sabe... Mas no fim, eu o convenci. — respondeu ela.
– E ele mencionou algo sobre a garota? A Chloe? — perguntou Dean estranhando que Kevin fosse deixá-la para trás.
– Não. Nenhuma palavra. — respondeu Mia e em seguida sorriu e cobrou — Agora eu quero o meu café. — mas ao ver Natalie entrando na sala e imaginando que ela e Dean precisassem conversar, ela disse — Tudo bem, pode ficar para mais tarde. Mas eu vou querer um litro só para começar, ok?
Dean sorriu e Mia deixou a sala. Natalie puxou uma cadeira e sentou, mas permaneceu em silêncio olhando os livros espalhados pela mesa até que Dean começou:
– Está tudo bem?
– Fora o fato de que tem um anjo psicopata atrás de mim, sim. Tudo perfeito. — respondeu a loira com um olhar distante.
Dean lembrou da conversa que eles tiveram mais cedo e de como Natalie ficou chateada quando ele disse que ela não poderia sair do bunker por enquanto e pediu que ela passasse o caso de Oklahoma para o Garth investigar. Ele sabia que ela não tinha ficado nem um pouco satisfeita com aquilo e foi até um pouco seca com ele. Então Dean resolveu sondar:
– E você ainda está chateada?
Natalie pensou um pouco antes de sorrir levemente para ele e dizer:
– Por você tentar me proteger do anjo psicopata que está atrás de mim? Não. Com o fato de que tem um anjo psicopata atrás de mim? Sim. Por não poder caçar enquanto este anjo psicopata estiver atrás de mim? Sim, muito. Profundamente chateada. P da vida. Revoltada.
Dean pensou um pouco e prosseguiu:
– Naty, eu sei que essa situação é uma droga e que você deve estar com... Medo...
– O quê? — interrompeu ela um tanto ofendida. — Não! Eu não estou com medo. Aliás, Natalie Jones não tem medo de nada, Sr. Awesome.
– Eu acho que a Barbie não concordaria com isso. — zombou ele.
Natalie fechou a cara e levantou dizendo:
– Sério? Você vai falar da minha fobia de bonecas? Agora?
– Ei! Desculpe! — pediu Dean segurando a mão da loira e a impedindo de se afastar. — Tudo bem, vamos deixar a Barbie fora disso, ok? De qualquer forma, não tem nenhum problema em sentir medo, Naty. Nem de bonecas, nem de anjos psicopatas, nem...
– Nem de avião? — sugeriu ela sorrindo ao lembrar que Dean tinha medo daquilo.
Ele respirou fundo e fechou os olhos por um instante antes de dizer:
– Nem de avião. Aviões caem. É totalmente natural ter medo de voar naquelas coisas.
Natalie riu diante da fobia de Dean e sentou antes de recomeçar:
– Tudo bem, eu admito. Eu estou com medo. Mas não do anjo psicopata que está atrás de mim. Eu estou com medo do que ele quer comigo, Dean. E para piorar tudo, eu não posso nem caçar para relaxar um pouco?
– Ah! Sobre isso. Eu tive uma ideia. — anunciou ele.
– Como assim? — quis entender ela.
Dean levantou sem explicar nada e foi até a cozinha. Voltou trazendo um prato com um generoso pedaço de torta de morango. Ao passar perto de uma estante, ele ligou um rádio que ficava em uma das prateleiras e um CD começou a tocar Fast Car da Tracy Chapman. Então ele voltou para a mesa, colocou o prato perto de Natalie, que o olhava surpresa, sentou e explicou:
– Eu sei que você queria comer esta torta numa lanchonete de beira estrada, e ouvir essa música dirigindo e sentindo o vento no seu rosto, mas... Mesmo não sendo como você gostaria que fosse, nós ainda temos um trabalho aqui, Naty. Um trabalho importante. Nós ainda podemos caçar. O Bartholomew. Depois de descobrir exatamente o que ele quer com você.
Dean indicou os livros sobre a mesa e Natalie o olhou com carinho antes de dizer:
– Isso foi lindo, Sr. Awesome.
– Eu sei. E eu vou querer uma recompensa. — avisou ele com um olhar malicioso.
Natalie sorriu, levantou da cadeira, se aproximou de Dean, sentou no seu colo e o beijou sem pressa.
Momentos depois, afastou o rosto e perguntou:
– E então? É recompensa suficiente?
– Por agora, sim. Mas depois eu vou querer mais. — respondeu ele acariciando o rosto de Natalie.
Ela o beijou mais uma vez, depois levantou e voltou para o seu lugar. Terminou de comer a torta dando alguns pedaços para ele também. Depois começou a folhear os livros que haviam sobre a mesa e recomeçou:
– Muito bem. Vamos ver o que você andou pesquisando a tarde inteira. Humm... Interessante. Almas gêmeas? Que romântico, Sr. Awesome. Mas o que isso tem a ver com o anjo psicopata que está atrás de mim? Espera... Receptáculos? Miguel? Lúcifer? Espelhos dos Receptáculos? O que diabos... — Natalie parou de mexer nos livros, olhou para Dean um tanto confusa e assustada e disse — Ok, agora eu estou mesmo com medo. O que significa tudo isso?
Dean pensou um pouco tentando encontrar as melhores palavras antes de começar a explicar:
– Naty, eu tenho um palpite. Esse negócio do Bartholomew estar atrás de você, me fez lembrar da Abaddon e do Belial perseguindo a Claire há alguns meses. Eles precisavam dela para libertarem aquele exército de demônios, certo? Aparentemente porque a Claire é o espelho do receptáculo de Lúcifer. Em palavras mais românticas, ela é a alma gêmea do Sammy. Ou seja, a Claire é sobrenaturalmente especial. Pelo menos para os demônios. Então eu fiquei pensando em nós dois. Eu sou o receptáculo do idiota do Miguel. E eu não tenho dúvidas de que você é a mulher perfeita para mim, o que te torna... O espelho do receptáculo de Miguel. Então, de alguma forma, você também é sobrenaturalmente especial, Naty. Só que para os anjos. E assim como a Claire era a chave para libertar aqueles demônios, o meu palpite é que você seja a chave para libertar outra coisa.
Natalie ficou ainda mais assustada diante daquela teoria e questionou um tanto nervosa:
– Que coisa? Um exército de anjos? Não faz o menor sentido, Dean. Todos os anjos caíram. Bem ou mal, todos eles foram libertados. Dizem que até os prisioneiros caíram. Então... Como assim eu sou uma chave? Para libertar o quê? Ou... Quem?
Dean segurou a mão da garota sobre a mesa e a tranquilizou:
– Nós vamos descobrir. E seja lá o que for, nós vamos dar um jeito e o Bartholomew não vai conseguir o que ele quer. Eu prometo. Ninguém vai mexer com Natalie Jones. Não enquanto Dean Winchester for vivo. Agora fica calma e me ajuda a descobrir o que o anjo psicopata quer com você, tudo bem?
Natalie assentiu e os dois voltaram a folhear os livros, lendo atentamente e procurando por respostas para aquele intrigante mistério.
Fale com o autor