Crossfire

20 O caso - Parte final


Notas iniciais
Olá, sociedade! Primeiramente, um esclarecimento: eu mudei a classificação da fic para 16 anos porque desde que o Nyah colocou este paranauê de Controle Parental, as visualizações da fic caíram drasticamente e meu coração ficou em frangalhos... Não acho justo as fics +18 não aparecerem. Além disso, nem todo mundo sabe que tem que mudar aquela configuração para elas aparecerem. Então a impressão que dava era que Crossfire não existia mais. Fiquei com raiva e decidi fazer isso. No entanto, as saliências e afins vão continuar aparecendo em Crossfire. E convenhamos, tenho certeza que poucas pessoas que leem a fic tem mais de 18 anos kkkkkkkkkkk Eu mesma tenho 15... cof cof... Não vou falar a minha idade, mas já passei dos 18 há muito tempo... Outra coisa: esses dias eu estava meio triste e por isso as notas dos capítulos estavam curtas. Não é nada (nada mesmo) que valha a pena contar e uma hora passa. Já está passando na verdade... Aproveitando o embalo aqui, ontem eu assisti o episódio 9X16 e fiz uma review no meu blog. Quem quiser conferir tá aqui: http://dswinchesterblog.blogspot.com.br/2014/03/review-episodio-9x16-blade-runners.html Well, lá vai o capítulo de hoje...

A garota que morava nas paredes da casa da família Carter deu mais alguns passos dentro do círculo de sal enquanto Mia e os outros davam alguns passos para trás. Mas antes que a caçadora fizesse qualquer coisa para detê-la, Castiel apareceu na sala, jogou a luz da lanterna no rosto do "fantasma" e gritou:

– Ei!

Assustada e desnorteada pelo contato da luz com os seus olhos extremamente sensíveis, a garota gritou, levou as mãos ao rosto e correu na direção do escritório.

– Esperem aqui. — pediu Mia olhando para a família Carter que estava ainda mais apavorada e confusa com aquela situação.

Em seguida, Mia correu até o escritório há tempo de ver a porta de um armário se fechando. Se aproximou e abriu a porta, mas o "fantasma" já havia desaparecido dentro do armário.

Enquanto a caçadora passava as mãos pelo o que parecia ser um fundo falso, Castiel entrou no escritório e anunciou:

– Mia, nós precisamos conversar.

Ela respirou fundo e voltou-se na direção dele antes de dizer:

– Sobre o quê?

– Eu sei que você não pediu a minha ajuda, mas eu acho que encontrei uma coisa importante. — anunciou Castiel mostrando um diário que tinha encontrado no porão da casa.

– Eu estou ouvindo. — assentiu Mia se aproximando e parando de frente para ele.

Castiel entregou o diário para Mia e enquanto ela folheava, o anjo explicou:

– Aquela garota que apareceu na sala, eu tenho quase certeza de que é filha da Rebecca Gibson.

– A Rebecca teve uma filha? — surpreendeu-se Mia.

– É só do que ela falava neste diário. De estar grávida, de estar com vergonha da gravidez. — relatou Castiel.

– Nossa... Alugue Juno e supere. Qual o problema de ter um bebê? — questionou a caçadora.

– É um problema quando o pai do bebê é também o pai da... Mãe do bebê. O que faz o bebê ser neto do próprio pai. — tentou explicar Castiel.

Mia ficou alguns instantes em silêncio pensando no que tinha ouvido e se perguntando se tinha entendido direito. Acabou chegando a conclusão de que infelizmente não havia entendido errado. Castiel estava dizendo que Bill Gibson abusava da filha Rebecca, que ela teve um filho com o próprio pai e que se enforcou depois que a criança nasceu. E que a tal criança passou a vida inteira presa atrás das paredes da casa até que escapou em uma noite, matou o pai/avô e agora estava perseguindo os novos moradores.

– Bill Gibson era um monstro. — disse Mia por fim.

– Eu sei. E apesar de ter sido uma vítima de toda esta situação, a filha... Neta dele também é. Ela é perigosa, Mia. Você viu os olhos dela, como eles reagiram em contato com a luz. Ela passou a vida inteira presa, quase não se parece com um ser humano. Não sente qualquer remorso, não tem valores, não sabe o que é certo ou errado, levou o Danny e vai matar toda esta família sem pensar duas vezes. — expôs Castiel.

– Eu não vou deixar isto acontecer. — garantiu Mia entregando o diário para Castiel e caminhando até o armário.

– Mia, aonde você vai? Você não está pensando em entrar nessas paredes, está? — preocupou-se o anjo seguindo a garota.

Mia voltou-se para o anjo, respirou fundo e disse com certa relutância:

– Cas... Olha, obrigada pela sua ajuda. Foi... Muito útil. — e depois de encará-lo por alguns instantes, pegou a lanterna da mão dele e esclareceu — Mas eu assumo daqui, ok? Então sim, eu vou entrar nestas malditas paredes. É a única forma de encontrar aquela garota e trazer o Danny de volta.

Mia ia se virar, mas Castiel segurou o seu braço e questionou ainda mais preocupado:

– Você está tentando se matar?

– Eu sou uma caçadora. Nós tentamos nos matar o tempo todo. Mas é assim que geralmente nós salvamos as pessoas. — respondeu ela.

– Por favor... Não faça isso. Talvez eu possa ajudar, com os meus poderes. — sugeriu ele.

Mia o observou por algum tempo enquanto travava uma luta interna consigo mesma. Se deu conta de que era inevitável: um anjo era muito útil numa situação como aquela e negar isso seria colocar o orgulho acima da vida daquelas pessoas.

Mas por outro lado, Mia sempre caçava sozinha e estava acostumada com aquilo. Tinha certeza de que podia resolver aquele caso sozinha também. Pelo menos a parte de encontrar a garota que morava nas paredes e resgatar o Danny.

Então Mia pesou os dois lados e tomou uma decisão:

– Olha... Se você quer ajudar, então proteja a família. Eles estão assustados e preocupados com o garoto. Deixa que eu cuido do resto, ok?

Castiel ainda relutou um pouco antes de soltar o braço de Mia e assentir com um meneio de cabeça. Então ela se aproximou do armário e empurrou algumas madeiras do fundo falso revelando um estreito corredor na parede.

Castiel estava na porta do escritório, pronto para ir para a sala, ficar com a família Carter e protegê-los caso algo desse errado, quando ouviu Mia resmungando alguma coisa e voltou-se na direção dela.

– Algum problema? — indagou o anjo.

– A passagem é muito estreita. Eu não vou conseguir passar. — respondeu ela e depois de pensar um pouco, caminhou até Castiel e continuou — Espera um pouco. Se Bill Gibson mantinha aquela garota presa atrás destas paredes, ele tinha que alimentá-la de alguma forma, certo? Por algum lugar?

Castiel entendeu o que Mia queria dizer com aquilo e minutos depois, os dois, Susan, Brian e Kate estavam na cozinha da família abrindo uma passagem na parede que havia sido fechada durante a última reforma da casa, pouco tempo depois da morte do Sr. Gibson.

Era uma entrada na parede com cerca de 60 centímetros em ambos os lados. Ela estava fechada por uma portinhola, embaixo de algumas madeiras e sob uma fina camada de cimento e tinta.

Ao terminarem de abrir a passagem, um cheiro muito forte e muito desagradável invadiu a cozinha fazendo a família Carter se afastar um pouco.

Instantes depois, Mia colocou a cabeça naquela abertura e olhou para baixo. Viu que tinha um túnel de aproximadamente seis metros de profundidade e no final dele uma outra abertura levava aos alicerces da casa.

– Aí vou eu. — anunciou ela se preparando para passar pela abertura.

No entanto, Castiel segurou o seu braço mais uma vez e pediu:

– Toma cuidado.

Pela primeira vez depois de dias, Mia conseguiu olhar para o anjo com certo carinho. Por um instante, reconheceu o velho Cas ali naquele olhar. E por mais que estivesse magoada, uma parte dela não queria mais brigar. Então Mia apenas assentiu com um meneio de cabeça e o tranquilizou:

– Eu vou ficar bem.

Castiel soltou o braço dela e Mia entrou na abertura da parede. Segurando em uma estrutura de madeira nas laterais, ela foi descendo lentamente pelo túnel. Quando chegou lá embaixo, hesitou diante da outra abertura.

– Por favor, que ninguém puxe a minha perna. Que ninguém puxe a minha perna. — disse para si mesma antes de entrar na abertura.

Logo Mia alcançou a parte subterrânea da casa onde a filha/neta de Bill Gibson parecia morar. O lugar era um conjunto de labirintos estreitos, fétidos e escuros.

Depois de andar um pouco, iluminando o caminho com a luz da lanterna, Mia achou o que parecia ser os restos mortais do cachorro Buster e disse sozinha:

– Ótimo. Cachorro... É o que tem para o jantar.

Depois de adentrar mais o lugar, ela encontrou alguns ratos mortos, ou o que pareciam ser ratos mortos. Havia sangue por toda a parte e Mia teve a impressão de que os roedores tinham sido... Comidos. Por alguém com muita fome, diga-se.

Minutos depois, Mia entrou no vão de mais uma parede e encontrou uma espécie de câmara. Logo reconheceu o filho de Susan e Brian Carter na escuridão. Ele estava amarrado e amordaçado. Mia se aproximou rapidamente e começou a soltá-lo enquanto o acalmava:

– Não se preocupe, eu vou te tirar daqui. Vai ficar tudo bem.

De fato, Mia conseguiu desamarrar o garoto e ainda encontrar as armas dela em um dos cantos daquela câmara. Pegou uma delas e enquanto conferia se estava carregada, ouviu Danny dizer quase com um sussurro:

– Depressa! Ela está voltando.

E foi então que tudo aconteceu. Rápido demais. Tão rápido que Mia não conseguiu mirar a arma na direção da garota que morava naquelas paredes quando ela surgiu diante dela e do Danny.

Mia só conseguiu dizer para o garoto correr direto pelo corredor estreito de onde ela tinha vindo momentos antes. E então aquela assustadora garota partiu para cima da caçadora.

Com isso, Mia caiu no chão e a sua arma também. Longe dela. A caçadora não conseguia alcançá-la porque estava ocupada demais tentando evitar que aquela garota medonha a cortasse com uma navalha que segurava na direção do seu rosto.

A lanterna também tinha caído no chão, mas Mia conseguiu pegá-la de volta. Sem pensar duas vezes, ela jogou a luz na direção dos olhos da garota que gritou e se afastou um pouco. Mas num gesto impulsivo e raivoso, ela bateu na mão da caçadora em seguida e a lanterna rolou pelo chão.

Mia continuou lutando contra a garota e tentando manter aquela navalha longe de si enquanto Danny corria por um estreito labirinto que logo o levou ao lugar por onde o Sr. Gibson costumava alimentar a filha/neta e por onde Mia tinha descido momentos antes.

O garoto subiu pelo túnel segurando em várias cortinas que seus pais e sua irmã tinham amarrado improvisando uma corda. Castiel o ajudou a sair instantes depois. Logo Danny estava na cozinha. Seus pais e sua irmã o abraçaram aliviados e emocionados enquanto Castiel olhava o túnel e esperava que mais alguém subisse por ele. Mas isto não aconteceu. E ao ouvir os gritos que vinham lá debaixo, o anjo voltou-se para o garoto e questionou preocupado:

– Cadê a Mia?

Com esforço, Mia conseguiu empurrar a garota medonha que a atacava. Em seguida, a caçadora se esticou para pegar a arma, mas então a garota se aproximou de novo e fez um corte no braço dela com a navalha.

– Bitch! — xingou Mia encolhendo o braço com dor e usando a outra mão para dar um soco no rosto daquele monstro.

Com isso, a filha/neta do Sr. Gibson foi um pouco para trás e Mia aproveitou para empurrá-la com os pés. No entanto, antes que a caçadora pudesse se recompor e levantar, a garota partiu para cima dela mais uma vez e ainda com mais raiva. Mia tentou segurá-la pelos punhos, mas ela foi mais rápida e cravou a lâmina da navalha numa região entre um dos ombros e o coração da caçadora.

Mia gritou. E a dor foi tão forte que, por reflexo, ela movimentou a cabeça para frente e a bateu contra a cabeça daquela garota bizarra. Com isso, ela ficou um pouco zonza, finalmente se afastou de Mia e caiu para trás, próximo aos pés dela.

O problema é que a caçadora também ficou tonta com o impacto e demorou um pouco para se situar enquanto tudo em volta parecia girar.

A dor do ferimento era tão atordoante que Mia deduziu que a navalha tinha acertado alguma artéria importante. Pressionou o ferimento com a mão e ao afastar os dedos viu o sangue entre eles. Sentia o sangue encharcando a sua camiseta e certa dificuldade para respirar. Sua cabeça ainda girava e sua visão começava a ficar um pouco turva.

Mas ao perceber que a garota macabra estava voltando a si, ela se arrastou e pegou a arma. Mirou na direção da garota que tinha acabado de se levantar e se preparava para golpeá-la novamente. Mas antes que ela conseguisse fazer isso e antes que Mia pudesse atirar, uma luz forte iluminou o lugar e alguém segurou a garota bizarra por um dos braços enquanto mantinha uma das mãos sobre a cabeça dela.

Os olhos da garota se iluminaram com uma luz branca enquanto ela gritava de dor. Até que Castiel a soltou e o seu corpo caiu no chão.

Mia olhou para a garota morta perto dela. Seus olhos tinham sido queimados. Em seguida, olhou para Castiel e abaixou a arma. Deixou sua cabeça tombar no chão gelado e fechou os olhos.

– Mia! — chamou o anjo enquanto se aproximava dela.

Então ele abaixou-se perto da garota, ergueu um pouco a sua cabeça e ela abriu os olhos.

– Eu estou bem... — murmurou Mia com certa dificuldade.

Castiel viu que ela pressionava um ferimento próximo ao ombro e afastou a mão dela dali. Depois de observar o corte por alguns instantes, ele voltou-se para ela ainda mais preocupado. E então sem dizer nada, Castiel tocou em sua testa e o ferimento simplesmente se fechou, cicatrizou, desapareceu. E com isso, a dor e a tontura se dissiparam imediatamente.

Mia o olhou um tanto confusa antes de sentar, afastar um pouco a camiseta e procurar pelo corte feito pela navalha. Mas ele realmente havia sumido, assim como o outro corte no braço. Então ela lembrou de quantas vezes Castiel fez aquilo por ela. De quantas vezes a ajudou e a salvou mesmo sem ela pedir que ele fizesse isso, mesmo ela recusando a sua proteção.

Ela percebeu que não importava se eles tinham ficado meses separados e se a relação tinha chegado ao fim. Castiel sempre estaria lá para apoiá-la, para protegê-la. E não importava se ele não tinha pedido a ajuda dela também. Mia decidiu ajudá-lo mesmo assim. Foi por isso que ela saiu do bunker e foi atrás do Metatron. No fim, Kevin estava certo. Os dois eram exatamente iguais. Certo ou errado, eles só queriam proteger um ao outro. Por amor.

Então, deixando o orgulho e a mágoa de lado, Mia simplesmente agradeceu:

– Obrigada.

– De nada. — respondeu Castiel.

Por algum motivo, ao ouvirem a palavra "nada", os dois ficaram um pouco constrangidos e desviaram o olhar um do outro. Então Castiel esclareceu:

– Você sabe que quando eu disse "De nada" eu quis dizer "Não por isso", "Não há de quê", "Sem problemas", certo?

– Sim, eu sei. Agora vamos sair daqui. — disse Mia enquanto se levantava e mesmo sem ela ter pedido, Castiel a ajudou com isso também.

Os dois se olharam por alguns instantes antes da garota se afastar e começar a recolher as armas que a filha/neta de Bill Gibson tinha tirado do Mustang e escondido ali.

Instantes depois, enquanto os dois saíam daquela câmara, Mia questionou:

– Eu estava pensando... Você acha que poderia usar os seus poderes para consertar os pneus que aquela garota furou?

Sem se vangloriar daquele discreto pedido de ajuda, Castiel apenas ficou feliz por Mia ter saído um pouco da defensiva e por poder ser útil de alguma forma.

– Eu posso tentar. — respondeu ele.

– Ótimo. — disse ela.

Notas finais
Gostaram? Como eu disse antes, eu me inspirei no episódio 4X11, mas a adaptação não foi totalmente igual porque na série a filha/neta do Sr. Gibson tinha um irmão que morava com ela nas paredes. Além disso, Susan tinha um irmão que morreu no episódio. Eu quis fazer uma coisa mais básica, mas mesmo assim gostei do resultado. E as coisas estão melhorando entre Miastiel, não é? Aos pouquinhos... O que será que vai acontecer no próximo capítulo? Para atiçar vocês, saibam que eu já escrevi o capítulo hot do casal e atualmente estou escrevendo o capítulo em que o Bobby reaparece. Aguentem aí kkkkkkkkkkkkk Bem, terça-feira tem mais um capítulo Miastiel. Bem meigo... Inté lá. Reviews?