Crossfire

19 O caso - Parte 2


Notas iniciais
Oi, pessoas... Mais um capítulo para vocês...

Kate, a filha de Susan e Brian Carter, ainda gritava apavorada quando Mia e Castiel arrombaram a porta e surgiram na sala da família.

– Eu fui molestada por um Gasparzinho! — gritou a adolescente enquanto os pais tentavam acalmá-la e o irmão mais novo descia as escadas assustado com os gritos da garota.

De repente, todos olharam para os dois intrusos e Brian ordenou irritado:

– Ei! Fora da minha casa!

– Quem são vocês? — questionou a esposa um pouco mais calma do que o marido.

– Amigos, eu juro. Nós ouvimos gritos, só queremos ajudar... — tentou explicar Mia.

– Vocês podem confiar na gente. — acrescentou Castiel.

– O que aconteceu? — quis saber Mia.

Susan e Brian se entreolharam confusos, mas diante do que havia acontecido com a filha e dos estranhos ruídos que tinham ouvido durante todo o dia, resolveram dar um voto de confiança para aquele casal que surgiu do nada, mas que pareciam ser boas pessoas.

Ainda muito abalada, Kate tentou explicar:

– Eu estava no meu quarto, na minha cama e alguma coisa lambeu a minha mão. Eu pensei que fosse o Buster, o nosso cachorro, mas então... De repente, ele empurrou a porta e entrou. E... Quando eu olhei para o lado, a porta do meu armário bateu com força e a coisa que lambeu a minha mão desapareceu...

– Foi a garota que mora nas paredes! — revelou Danny, irmão de Kate.

– Que garota? — interessou-se Mia.

– Tem uma garota que mora nas paredes! Eu a vi! Ela disse que a minha família tinha que ir embora, mas que eu podia ficar. — explicou o garoto.

Os pais lembraram desta história que o filho tinha contado mais cedo quando eles leram "Vão embora" em uma das paredes da casa. À princípio, eles tinham pensado que o filho havia inventado aquilo e rabiscado a parede porque ele não queria ter se mudado para aquele lugar. Mas agora... Não sabiam o que pensar e no que acreditar.

– Isso não faz sentindo... — murmurou o pai confuso.

– Quem é esta garota? — indagou a mãe também confusa e assustada com tudo aquilo.

Um silêncio se instalou na sala enquanto Mia e Castiel se olhavam.

– Vocês sabem o que estão acontecendo. Vocês sabem o que esta coisa é. — deduziu Brian olhando para o casal.

– Quem é ela? Quem é esta garota? — pressionou Susan.

Mia suspirou e resolveu dizer de uma vez:

– Ok, isso vai ser meio chocante, mas... Ela é um fantasma.

– Um fantasma?! — repetiu Kate assustada.

– Correto. Mas não se preocupem, nós sabemos exatamente como lidar com ela. — tranquilizou Castiel.

– Quem diabos são vocês? — questionou Brian.

– Meu nome é Mia. — apresentou-se a garota e olhando para o anjo, completou — E ele é o Castiel. Nós...

– Vocês são caça-fantasmas? Como no Scooby-Doo? — indagou Danny um tanto empolgado.

– Pode-se dizer que sim. — respondeu Mia sem querer entrar em detalhes e explicar que na verdade Castiel era um anjo e não costumava caçar fantasmas, mas sim trabalhar em casos que envolviam anjos e demônios.

Depois de assimilar o que tinha ouvido, Susan perguntou:

– E o que este fantasma quer com a minha família?

– Ela assombra a casa e vocês são intrusos aos olhos dela. — explicou Castiel.

– Eu acredito que esta garota seja uma das antigas moradoras. Nós sabemos como despachá-la, mas é melhor vocês deixarem a casa enquanto nós cuidamos disso. Tem um hotel perto daqui. Vão para lá por enquanto. — orientou Mia.

A família se entreolhou assustada e por fim o pai disse olhando para a esposa e para os filhos:

– Tudo bem. Vamos.

Todos correram até a porta, mas pararam ao ouvirem os latidos do cachorro da família que tinha saído da casa momentos antes sem que ninguém percebesse.

– Buster? — chamou Danny.

Todos saíram da casa enquanto os latidos davam lugar a grunhidos de dor como se algo terrível estivesse acontecendo ao cachorro.

– Buster! — chamou Brian.

Enquanto todos olhavam em volta procurando o cachorro, Mia viu uma mancha de sangue no gramado e começou a seguir o rastro. Os grunhidos do animal finalmente cessaram e Castiel e a família Carter seguiram a garota até que ela parou.

Em uma das paredes laterais da casa, escrito com sangue, uma frase dizia "Tarde demais".

– Buster... — murmurou Danny com tristeza.

– Eu sinto muito. — lamentou Mia olhando para o garoto. Depois voltou-se para o resto da família e disse — Vocês precisam ir agora.

No entanto, ao se aproximarem do carro da família, eles constataram que os pneus tinham sido furados. Mia correu até o Mustang e viu que o mesmo tinha acontecido com os pneus do seu veículo. Além disso, ao abrir o porta-malas, ela percebeu que todas as armas tinham sumido.

Olhou em volta e indagou com raiva:

– Que tipo de fantasma mexe com o carro de uma garota?!

Kate também olhou em volta e avistou algo atrás de um arbusto. Era a imagem fantasmagórica de uma garota.

Assustada, a adolescente soltou um grito, apontou o dedo na direção do fantasma e indicou:

– Ali! Ali! Ela está ali!

– Onde? — perguntou Mia olhando para o arbusto e não vendo nada.

– Ela estava ali! Eu juro! — gritou Kate.

– O que diabos está acontecendo aqui? — questionou Brian nervoso e preocupado com a sua família.

Mia olhou para todos eles e respondeu:

– Aquele fantasma... Está nos caçando.

– O quê? — indagou Susan com medo.

– Vamos voltar para a casa. — orientou Castiel e todos correram até lá.

Mas antes que eles entrassem na casa, Brian olhou para a esposa, para a filha, para Mia e para Castiel antes de perguntar:

– Cadê o Danny?

Susan olhou em volta e ao constatar que o filho não estava com eles, chamou desesperada:

– Danny? Danny?!

– Vai ficar tudo bem. Nós vamos encontrá-lo. — garantiu Mia tentando acalmá-la.

– Eu quero o meu filho... Danny! — disse Susan aos prantos.

– Ela disse que ele podia ficar, lembra? Ela não vai machucá-lo. — tranquilizou Castiel.

A família relutou um pouco antes de finalmente entrar na casa. Castiel fechou a porta enquanto Mia abria a sua mochila em cima de uma mesa. Em seguida, ela pegou alguns pacotes de sal dentro dela. Então Mia orientou a família a ficar no centro da sala e fez um círculo em volta deles.

– Isso vai funcionar? — questionou Kate abraçada com a mãe.

– Sim. Os fantasmas não podem cruzar o círculo. Então, aconteça o que acontecer não saíam de dentro do círculo, ok?

Enquanto despejava mais um pacote de sal, Mia notou que Castiel estava um tanto distante. Então o olhou de canto e perguntou sem muita paciência:

– O que foi?

– Eu não tenho certeza se o que levou o Danny era mesmo um fantasma. — respondeu Castiel que sendo um anjo podia sentir a presença de fantasmas ou demônios em um ambiente.

E ele não estava sentindo a presença nem de uma coisa nem de outra.

– Como assim? Do que você está falando? É um fantasma. Eu tenho certeza. — argumentou Mia, embora no fundo não estivesse convencida disso.

– As antigas moradoras foram cremadas. — lembrou Castiel.

– Então talvez uma delas tenha se apegado a algo na casa. — supôs a caçadora.

– Se é isso, então como a Kate viu o fantasma fora da casa? Fantasmas ficam presos a um lugar, não costumam sair por aí roubando armas e esvaziando pneus. — contrapôs o anjo.

Susan, Brian e Kate se entreolharam assustados dentro do círculo. Mia, que até então estava abaixada enquanto despejava o sal no chão, levantou, se aproximou de Castiel e disse num volume baixo, porém com firmeza:

– Você não está ajudando, só está deixando eles ainda mais assustados. Além disso, caso você não se lembre, nós não estamos juntos neste caso. Então pare de agir como se eu tivesse pedido a sua ajuda. Agora me deixe fazer o meu trabalho.

– Mia... — começou a dizer o anjo.

– Ei! Vocês estão discutindo a relação enquanto o meu filho está desaparecido? — protestou Brian.

Mia olhou Castiel nos olhos por alguns instantes e esclareceu:

– Nós não somos um casal. — e depois de caminhar até a mesa, acrescentou olhando para Brian — E não se preocupe, o seu filho vai ficar bem, eu prometo.

Em seguida, Mia olhou o conteúdo da mochila e constatou que só havia pacotes de sal dentro dela. Se xingou mentalmente por ter esquecido de colocar arma e munição ali. E culpou Castiel por isso já que a presença dele a deixava um tanto desnorteada.

Mia não estava raciocinando direito desde que saiu do bunker com ele e começou a investigar aquele caso. Ela pensou que tinha colocado tudo o que precisava na mochila, mas se enganou. E aquele era um péssimo momento para ter se enganado assim. Podia ser fatal. Tanto para ela quanto para as pessoas que ela tentava salvar naquela noite.

Mia olhou para trás e viu Castiel se afastando até desaparecer ao virar em um corredor. Pensou em chamá-lo, em perguntar para onde ele estava indo e o que estava pensando em fazer ou mesmo em ir atrás dele, mas ela não podia deixar a família Carter sozinha e logo desistiu.

Além disso, Mia estava aliviada por ele ter se afastado um pouco. Estava difícil se concentrar no trabalho com Castiel o tempo todo perto dela a fazendo lembrar das coisas que ele havia dito quando terminou com ela. Lembrar daquelas coisas fazia a sua cabeça doer ainda mais e um aperto crescer em seu peito.

A caçadora ficou pensando nessas coisas e no que faria a seguir. Precisava encontrar o Danny, mas ao mesmo tempo não podia deixar a família dele ali sozinha. Isso porque por mais que ela tivesse dito para eles ficarem dentro do círculo, as pessoas tendem a ignorar esta ordem quando veem um fantasma se aproximando.

Mia acabou percebendo que seria bom se Castiel não tivesse desaparecido. Por mais que aquilo a desagradasse, seria bom contar com a ajuda dele. Castiel poderia ficar com a família enquanto ela procurava o filho do casal.

Ela respirou fundo irritada com a ideia de que precisava dele. Mais do que isso. Ela queria que ele estivesse ali. E não saber para onde ele tinha ido e o que planejava a deixava ainda mais irritada.

De repente, as luzes da sala piscaram e se apagaram completamente fazendo a garota parar de pensar nessas coisas.

– O que está acontecendo? — temeu Kate abraçando a mãe com mais força enquanto Brian abraçava as duas.

– Ninguém saí do círculo. — ordenou Mia entrando nele também e se posicionando na frente da família Carter.

Um barulho de uma porta rangendo fez com que os quatro olhassem na mesma direção. Uma porta de um escritório logo a frente deles começou a abrir, aparentemente sozinha, até que uma figura fantasmagórica surgiu na soleira e começou a entrar na sala lentamente segurando uma navalha em uma das mãos.

– Ninguém saí do círculo. — repetiu Mia enquanto observava o fantasma da garota que se aproximava.

O espírito continuou se aproximando enquanto olhava com ódio para aquelas pessoas. Instantes depois, seus pés tocaram a linha de sal e, surpreendentemente, cruzaram a linha e entraram no círculo.

– Você disse que os fantasmas não podiam cruzar o sal. — lembrou Susan desesperada assim como os outros.

– Eu sei. Mas ela não é um fantasma... Ela é humana. — deduziu Mia.

Notas finais
Gostaram? Sexta-feira tem a parte final do caso e no outro capítulo os shippers de Miastiel irão suspirar um pouquinho. Reviews? Inté.