Crossfire

18 O caso - Parte 1


Notas iniciais
Oi, gente. Estou meio sem inspiração para escrever as notas hoje, então só vou dizer duas coisas: Brennan e Booth são referências aos personagens da série Bones. Peguei os nomes deles emprestados para este capítulo, embora na série a Brennan não seja uma Agente do FBI, mas sim uma antropóloga forense. E sobre os vestidos, eu decidi deixar a votação aberta por mais alguns capítulos. Quem mandou mais de uma sugestão também pode votar, escolhendo um dos modelitos enviados. Agora o capítulo...

Mia estava sentada em volta de uma pequena mesa de um quarto de hotel em Stratton, Nebraska, depois de ter dirigido durante toda a noite, madrugada e metade do dia sem parar.

Ela estava sozinha no quarto já que Castiel tinha ido reabastecer a garrafa térmica dela numa lanchonete da região. Enquanto isso, Mia fazia uma pesquisa sobre a casa com a qual sonhou usando o seu notebook.

De repente, ela ouviu o barulho da maçaneta girando e olhou para trás a tempo de ver o anjo entrando no quarto. Mia voltou a ler algo na Internet enquanto ele fechava a porta. Em seguida, Castiel colocou a garrafa sobre a mesa.

Mia abriu a garrafa e tomou alguns goles do café. E por mais que estar ali com Castiel não lhe agradasse nem um pouco, achou melhor demonstrar certa educação e agradeceu:

– Obrigada.

– Não por isso. — respondeu ele. Depois olhou para a cama que havia no quarto, e que estava perfeitamente arrumada, e disse — Eu pensei que você fosse dormir um pouco.

– Eu não estou com sono. — explicou Mia um tanto seca sem tirar os olhos da tela.

– Você dirigiu umas quinze horas até chegar aqui. Deve estar cansada. — argumentou Castiel.

– Eu descanso depois que eu resolver este caso. — contrapôs a garota franzindo a testa enquanto lia uma reportagem numa página da Internet.

– O que foi? Descobriu alguma coisa? — quis saber o anjo.

– "Homem é agredido até a morte em um quarto trancado em uma casa trancada." — leu Mia. — Adivinha de qual casa eu estou falando?

– A casa do seu pesadelo. — deduziu ele.

– Bill Gibson era viúvo, morava sozinho há anos e não deixou filhos. O crime aconteceu há um mês. Parece que a imobiliária ocultou este detalhe dos novos moradores. — relatou a garota.

– Você está pensando em ir até a casa agora? — indagou Castiel.

Mia terminou de ler a reportagem, fechou o notebook e respondeu:

– Depois. Primeiro eu vou interrogar a testemunha que encontrou o corpo.

Então a garota levantou e caminhou até a cama onde havia uma mala com algumas roupas.

– Ótimo. Então eu vou com você. — disse Castiel enquanto Mia separava algumas peças.

Ao ouvir aquilo, ela parou, respirou fundo, voltou-se para ele e tentou fazê-lo desistir daquela ideia:

– Eu não acho que isso é necessário.

– Eu tenho certeza que é. — afirmou ele.

Mia pensou um pouco e tentando manter a calma continuou:

– O combinado era que você viria comigo, não que ficaria no meu pé o tempo todo.

– O combinado era que eu viria para te proteger. E para isso, eu preciso ficar no seu pé o tempo todo. — argumentou Castiel.

Mia colocou a roupa sobre a cama depois de apertar as peças com certa raiva e esclareceu duramente:

– Mas eu não quero que você vá.

Castiel ficou em silêncio por alguns instantes, em seguida caminhou até a porta e a abriu. Então ele voltou-se para Mia e avisou:

– Eu vou te esperar no carro.

Então ele saiu e fechou a porta. Mia fechou os olhos com raiva e sentou na cama em seguida. Odiava aquela situação na qual Dean a colocou. Odiava que Castiel se sentisse na obrigação de protegê-la mesmo depois das coisas que ele disse quando ela voltou para o bunker. Odiava que ele tivesse dito aquelas coisas. Odiava ter que olhar para ele depois de ter ouvido aquelas coisas. Odiava tudo aquilo.

Mas, infelizmente, Castiel parecia irredutível e iria mesmo ficar no pé dela até que aquele caso fosse resolvido. Então Mia respirou fundo e resolveu se concentrar apenas no caso. Quanto mais rápido ela resolvesse aquilo, mais rápido ela se livraria de Castiel.

Minutos depois, ela saiu do quarto vestindo uma calça social preta e uma camisa bege de botões com um terninho preto. Entrou no carro e deu partida.

Meia hora depois, ela parou o Mustang em frente a uma residência e saiu do carro junto com Castiel que tinha insistido em acompanhar o interrogatório.

Então os dois caminharam em silêncio até a casa, Mia tocou a campainha e uma mulher atendeu instantes depois. Ela aparentava uns quarenta e cinco anos, era branca, magra e tinha os cabelos castanhos e cacheados presos em um coque.

Mia pegou a identificação falsa do FBI no bolso do terninho e enquanto Castiel pegava a dele em um bolso interno do sobretudo, ela começou:

– Boa tarde, Sra. Curry. Eu sou a Agente Brennan do FBI. E este é... — Mia parou de falar ao olhar para o lado e ver que Castiel segurava a identificação do FBI de cabeça para baixo. Ela revirou os olhos, suspirou um tanto impaciente e depois de colocar a identificação na posição correta, completou — O Agente Booth. Nós queremos conversar sobre a morte do Sr. Bill Gibson. Podemos entrar?

– Claro. Entrem, por favor. — respondeu a senhora abrindo passagem para que eles entrassem. — Vocês aceitam um café? — ofereceu ela já na sala de estar.

– Não, obrigado. — dispensou Castiel.

– Um café seria ótimo. Eu quero. — aceitou Mia prontamente e com um sorriso.

– Tudo bem, eu volto em alguns minutos. Fiquem à vontade. Sentem-se. — disse a mulher e depois que Mia e Castiel se acomodaram no sofá de dois lugares, ela saiu da sala e foi até a cozinha.

– As pessoas oferecem café por educação, Mia. — repreendeu Castiel.

– Eu sei. E eu aceito por educação. — defendeu-se ela, mas na verdade ela aceitava porque não conseguia recusar a sua bebida favorita.

Os dois ficaram em silêncio até que a Sra. Curry voltou trazendo uma bandeja com uma xícara de café. Mia pegou e antes de beber o primeiro gole agradeceu:

– Obrigada. Eu amo café.

– Eu também. — confidenciou a mulher e em seguida sentou em um sofá de frente para eles. — E então? No que eu posso ajudar?

Mia tomou mais um gole do café e iniciou o interrogatório:

– A senhora fazia a limpeza na casa do Sr. Gibson, correto?

– Sim. — confirmou ela.

– E como ele era no dia a dia? — prosseguiu Mia.

– Reservado. Passava a maior parte do tempo na casa desde que perdeu o emprego há alguns meses. Ele era... Um pouco amargurado também. Mas não dava para condená-lo por isso. — respondeu a Sra. Curry.

– Como assim? — interessou-se Mia.

– A esposa dele morreu durante o parto e a filha Rebecca se enforcou na casa vinte anos depois. — relatou a mulher.

– A senhora sabe informar onde elas foram enterradas? — questionou Mia imaginando que Bill Gibson tinha sido morto pelo fantasma de alguma delas por algum motivo ainda desconhecido.

– As duas foram cremadas. — respondeu a Sra. Curry.

Mia pensou um pouco e depois continuou:

– O Sr. Gibson tinha algum inimigo? Alguém que tivesse acesso à casa e pudesse ter feito aquilo com ele?

– Não que eu saiba. Como eu disse, ele quase nunca saía. Eu não acho que ele tinha muitos amigos ou inimigos. É difícil imaginar quem seria capaz de fazer aquilo a um ser humano. Havia sangue por toda a parte. — respondeu a mulher.

– E onde o corpo estava exatamente? — indagou Mia tentando descobrir qualquer pista que explicasse aquela morte.

– Por toda a parte. — respondeu a mulher sentindo um arrepio ao lembrar daquilo.

Depois de um momento em silêncio, Mia disse:

– Só mais uma pergunta. Enquanto a senhora fazia a limpeza na casa, alguma vez notou algo estranho no lugar?

– Como o quê? — quis entender a Sra. Curry.

Antes que Mia pudesse explicar, Castiel se antecipou:

– Quedas na temperatura, luzes piscando, coisas fora do lugar.

Mia o fuzilou com o olhar por um instante enquanto a Sra. Curry pensava numa resposta, embora tivesse achado aquela pergunta um tanto estranha. Segundos depois, ela respondeu:

– Ah... Algumas vezes, eu ouvia ruídos que pareciam vir de dentro das paredes.

– Talvez fossem ratos. — supôs Castiel.

– Eu nunca encontrei nenhum por lá. — contrapôs a senhora.

Mia pensou um pouco sobre tudo que havia ouvido, depois pegou um cartão no bolso e entregou para a mulher enquanto dizia:

– Eu acho que isso é tudo, mas se a senhora lembrar de mais algum detalhe, me ligue, por favor.

A mulher pegou o cartão e assentiu com um meneio de cabeça. Mia terminou o café e minutos depois ela e Castiel deixaram a casa. Enquanto caminhava com ele até o carro, a garota questionou irritada:

– O que diabos foi aquilo lá dentro?

– Aquilo o quê? — não entendeu Castiel.

– Você fazendo perguntas e se intrometendo no meu caso. — explicou Mia.

– Desculpe, eu só queria ajudar. — explicou-se o anjo dando a volta no carro e abrindo a porta.

Mia abriu a outra porta, olhou para ele e esclareceu:

– O problema é que eu não pedi a sua ajuda. Você que insistiu em vir até aqui, lembra? E eu até concordei que você entrasse comigo, mas não pense que nós estamos juntos nisso porque nós não estamos, entendeu? Você acha que precisa me proteger, tudo bem, mas faça isso de boca fechada. Por favor.

Então Mia entrou e bateu a porta. Castiel entrou em seguida, fechou a porta e para não entrar numa discussão apenas concordou:

– Tudo bem. Desculpe.

Mia deu partida e os dois pararam em um restaurante. Depois que almoçou, a garota aproveitou para conversar com alguns clientes e descobriu algumas informações sobre a família que comprou a casa do Sr. Gibson.

A família era formada por um casal de uns quarenta anos, Susan e Brian Carter. Os dois tinham uma filha de uns dezesseis anos chamada Kate e um filho de uns doze anos chamado Danny. A família tinha também um cachorro chamado Buster.

Algum tempo depois, Mia e Castiel voltaram para o hotel. Chegando lá, ela tomou um banho, trocou de roupa e pesquisou mais um pouco sobre o Sr. Gibson, sua esposa e filha.

Eles tinham sido os primeiros moradores da casa e Mia começava a se sentir meio perdida naquela investigação. Tudo indicava que um fantasma tinha matado o Sr. Gibson, mas ao mesmo tempo não fazia sentido porque a esposa e a filha tinham sido mesmo cremadas. Fora isso, não havia nenhuma pista, nenhum mistério cercando o Sr. Gibson, nenhum motivo, nada que explicasse a sua morte.

Enquanto isso, Castiel estava sentado na poltrona do quarto em silêncio já que Mia deixou bem claro que não queria a sua ajuda, muito menos que ele falasse com ela. E aquilo era irônico já que Mia odiava o silêncio. Mas, pelo visto, ela preferia o silêncio do que ter que ouvir a voz de Castiel.

Momentos depois, ela finalmente desligou o notebook, levantou, pegou a mochila em cima da mesa e anunciou sem olhar para o anjo:

– Hora de fazer uma visita para a família Carter.

Quarenta minutos depois, o Mustang parou a uma distância segura da casa. O imóvel tinha dois andares, um sótão e um grande quintal.

Mia e Castiel permaneceram em silêncio enquanto ela pensava numa forma de abordar a família. Tudo seria tão mais fácil se ela pudesse simplesmente dizer a verdade. Mas a maioria das pessoas ficaria chocada se alguém dissesse: "Ei! Eu acho que um fantasma matou o antigo morador e provavelmente ainda está na casa que você acabou de comprar."

Então ela achou melhor esperar e ver se algo atípico aconteceria na casa. Logo começou a anoitecer. As luzes da casa estavam acesas e era possível ver através das cortinas, as sombras dos moradores passando de um cômodo para o outro, provavelmente ainda arrumando a mudança.

Conforme ia ficando mais tarde, as luzes foram se apagando. Aparentemente, os filhos tinham ido dormir e o casal estava na cozinha.

Cansado daquele silêncio, Castiel perguntou:

– O que você está pensando em fazer?

– Eu não sei. Talvez entrar lá e contar a verdade. — respondeu Mia enquanto mantinha os olhos fixos na casa.

– Sério? — surpreendeu-se Castiel.

– Não. De jeito nenhum. — desmentiu a garota.

Após um momento de silêncio, o anjo resolveu começar outro assunto:

– Como andam as suas dores de cabeça?

Apesar de ter respondido as primeiras perguntas com certa educação, Mia não queria que aquela conversa evoluísse, aliás, ela não queria conversar com Castiel, ter que olhá-lo, ter que responder, ter que ouvir o som da sua voz. Por isso, acabou sendo ríspida:

– Não é da sua conta.

Depois de assimilar aquela grosseria, o anjo disse calmamente:

– Mia, até quando você vai me tratar assim? Parece que você quer brigar o tempo todo.

A garota olhou para ele e indagou com ironia:

– Não me diga que você quer fazer as pazes?

– Não, eu não quero. — esclareceu o anjo fazendo um silêncio se instalar em seguida.

– Então? — quis saber ela quebrando o silêncio.

– Mas eu também não quero que fique um clima pesado entre a gente. — respondeu Castiel. — Nós não estamos mais... Juntos, mas isso não significa que nós não podemos ser...

– Por favor, não diga amigos. — pediu a garota.

– Por que não? — questionou o anjo.

Mia suspirou incrédula e olhou para a casa da família Carter por um tempo enquanto se acalmava e pensava em uma resposta para aquela pergunta idiota. Fechou os olhos por um instante, respirou fundo, depois voltou-se para Castiel e decidiu ser extremamente sincera na resposta:

– Porque eu te amo.

Castiel ficou visivelmente desconcertado com aquela resposta. No fundo, ele esperava que Mia dissesse qualquer outra coisa ou até que o mandasse ir para o inferno, mas não que ela dissesse aquilo. E nem daquela forma tão direta e carregada de uma emoção perceptível em sua voz e no jeito que ela olhava para ele.

Sem conseguir encará-la, porque no fundo também a amava, Castiel desviou o olhar. Mas voltou a olhá-la quando Mia continuou:

– Porque eu te amo mais do que como um amigo. E ao mesmo tempo, eu te odeio. Eu te odeio por ter tomado aquela decisão. Eu te odeio porque no fundo você teve razão. Eu me odeio por ter magoado você, mesmo quando eu tinha boas intenções. Eu me odeio por ter errado e ao mesmo tempo eu não acho que eu errei tanto assim, afinal eu tinha boas intenções... E eu te odeio porque você também me magoou. Muito. E eu estou com esse ódio, e ao mesmo tempo eu tenho esse amor dentro de mim e eu não sei o que fazer com ele... Eu só sei que eu estou confusa, tentando encontrar uma forma de lidar com tudo isso e eu sei que é uma péssima maneira de lidar com tudo isso, mas eu tenho que lidar de alguma forma, não é? Então, por favor... Não me confunda ainda mais com esse papo de bons amigos. Só... Me deixe em paz.

Com os olhos um tanto vermelhos, Mia voltou a olhar para a casa enquanto Castiel tentava assimilar tudo o que tinha ouvido. Ele acabou se dando conta de que queria dizer uma porção de coisas para Mia, mas não sabia como ou mesmo se deveria.

Castiel queria explicar novamente os seus motivos para ter terminado com ela. Queria dizer que sentia muito por tê-la magoado quando ele tomou aquela decisão e por agora ter proposto que os dois fossem amigos. Queria dizer que no fundo, ele também não iria conseguir ser apenas um amigo dela, mas que só propôs aquilo para que eles não discutissem mais. Queria dizer que não tinha mais certeza se tomou a decisão certa sobre o fim daquele relacionamento porque ele também estava sofrendo com aquela separação, mas que, por outro lado, ele não achava certo voltar atrás porque foi por causa daquele relacionamento que Mia foi presa e torturada depois de ter sido enganada pelo Metatron também por causa dele. Queria dizer que sentiu a falta dela quando ela foi embora. Que sofreu muito e que depois ficou com raiva por causa do sofrimento que ela causou quando resolveu partir e deixar aquela maldita carta. Queria dizer que sabia que ela errou tentando acertar, mas que ele ficou magoado mesmo assim porque como humano ele se sentia inferior e vulnerável. E que ao tentar ajudá-lo, Mia exaltou essas fraquezas dele e aquilo também o machucou. Mas queria dizer também que ele não a odiava por isso e nem quis magoá-la... E queria dizer que também estava confuso e que a única certeza que tinha era que...

Castiel olhou para a garota e sem saber se era certo ou errado dizer aquilo, ele resolveu ser igualmente sincero com ela:

– Mia... Eu também te...

A garota olhou para ele, mas antes que Castiel terminasse a frase, um grito feminino foi ouvido e vinha da casa. Os dois se olharam apreensivos. Rapidamente Mia pegou uma mochila no banco detrás e saiu do carro seguida pelo anjo. Os dois correram até a casa. E sem pensar duas vezes, empurraram a porta violentamente...

Notas finais
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