Notas iniciais
Eu não ia postar este capítulo hoje. (Sempre falo isso, né?). Mas aí eu vi que Crossfire recebeu mais uma recomendação (vocês querem me matar do coraçaummmmmmm?) e não resisti. Genteemmm, eu tô tão feliz! A fic já tem 11 recomendações, ultrapassou 400 comentários e é de longe o meu maior sucesso aqui no Nyah! Fico até com medinho de decepcionar vocês em algum momento, na próxima fic, por exemplo, mas aí eu penso "Loki é maior!" e me animo de novo. Quero dizer que eu sempre vou tentar me superar e melhorar minha forma de escrever os paranauês, sempre vou tentar enlouquecer vocês com bastante humor, drama, romance e tragédia, sempre vou dar o melhor de mim (ui!) por vocês, viu? Muito obrigada a todos e em especial a diva McQueen que acompanha meus devaneios desde sempre e que fez a recomendação meiga que me levou a ligar o Loki (meu notebook) para postar este capítulo bem meigo... cof cof cof... Em que os personagens não se ferram nem um pouco... cof cof cof cof... E onde ninguém morre... cof cof cof cofffffffffffff. Portanto, capítulo dedicado para a McQueen. Ressalvas lá embaixo.

– Olá, irmão. – cumprimentou Castiel enquanto caminhava até Bartholomew com passos firmes. – Você parece fraco. – observou com escárnio. E depois de parar diante dele, se abaixou um pouco, segurou no colarinho da camisa de Bartholomew e completou – Deixa que eu te ajudo a levantar.

Com um movimento rápido e preciso, Castiel colocou o outro anjo de pé e o encarou com ódio antes de golpeá-lo no rosto com mais um soco violento que o fez cair no chão mais uma vez.

– Castiel... Que entrada triunfal... – murmurou Bartholomew atordoado pelos socos que levou. – É bom te ver também, irmão.

Em seguida, ele tentou se levantar, mas não precisou porque Castiel o colocou de pé novamente e o segurou com força pelo colarinho enquanto dizia:

– Eu soube que você estava me procurando. Até torturou uma pessoa por causa disso. Bem, aqui estou eu.

– Uma pessoa? – repetiu Bartholomew com cinismo. – Desculpe, mas você terá que ser mais específico. Eu torturei tantas pessoas, anjos e até demônios por tantos motivos diferentes nos últimos meses que...

– Mia! – gritou Castiel o interrompendo. – O nome dela é Mia!

Bartholomew fingiu que estava tentando se lembrar e em seguida disse com deboche:

– Oh... Certo. A Mia, a sua namoradinha humana, patética e esquisita, certo? Me diga uma coisa, ela não ficou com nenhuma sequela, ficou?

A expressão de Castiel tornou-se ainda mais feroz, seus olhos profundamente azuis se estreitaram com força transparecendo todo a raiva que ele sentia. Só de imaginar o que Mia devia ter passado por causa de Bartholomew, o seu sangue fervia e um aperto crescia em seu peito.

Então ele fechou a mão e acertou o rosto de Bartholomew mais uma vez. Com mais força. O segurando para que desta vez ele não despencasse no chão.

Em seguida, ele lhe deu outro soco. E outro. E mais um. Quando ia dar o próximo golpe, parou porque percebeu que mesmo com o rosto ensanguentado, Bartholomew esboçava um sorriso. Logo ele começou a rir para valer e Castiel perguntou confuso:

– Do que você está rindo? – e como Bartholomew continuou rindo até perder o fôlego, ele o empurrou contra a parede e refez a pergunta profundamente irritado – Eu perguntei do que você está rindo?

– De você. – respondeu o outro tranquilamente. Ainda com um sorriso nos lábios, ele continuou – Você é tão patético, Castiel. Tão manipulável. Quer saber? Até hoje eu não acreditava que você era inocente, que não sabia o que o Metatron planejava, que foi enganado como todos nós. Mas agora, eu acredito em você. Ele te enganou mesmo. Ele te manipulou. Assim como essa garota, Mia, te manipula o tempo todo. Assim como aqueles caçadores te manipulam. Sempre te manipularam. Você acha que é um deles. Você quer desesperadamente ser um deles... Você deu as costas para os seus irmãos várias e várias vezes e colocou a humanidade acima de nós por causa deles.

– Isso não é verdade. – protestou Castiel. – Eles não me manipulam, eles apenas me mostraram que existem outras escolhas. E eu fiz as minhas. Algumas boas, outras ruins. Muitas delas pensando nos meus irmãos e no Céu, e outras pensando na humanidade sim. Porque é nosso trabalho protegê-la, lembra?

– Você está protegendo a humanidade quando vai para a cama com a Mia? Uau... Que ótimo trabalho você tem feito, Castiel! – debochou Bartholomew com um olhar malicioso. – Mas quer saber? Eu te entendo. Mesmo. Afinal, deve ser muito difícil de resistir, não é? A Mia é gostosa. Esquisita, com todos aqueles pesadelos e o sangue de demônio, mas parece ser muito gostosa. – provocou ele, levando mais um soco que atingiu certeiramente o seu nariz.

– Se você falar dela deste jeito mais uma vez, eu te mato. – avisou Castiel enquanto Bartholomew levava à mão ao nariz ensanguentado.

Depois de se recompor um pouco, ele disse:

– Você vai me matar de qualquer jeito. Eu só lamento que seja por causa de uma humana.

– Eu vou te matar porque você é um monstro. – corrigiu Castiel e em seguida acrescentou com certo pesar – Você não era, mas de alguma forma, em algum momento, se tornou um.

– E você é um fraco, Castiel. Uma vergonha para todo nós. Mas eu realmente acredito em você sobre o Metatron. Você não sabia o que ele planejava, assim como não sabe o que ele está planejando agora. – insinuou Bartholomew.

Castiel franziu o cenho e perguntou:

– Do que você está falando?

O outro sorriu satisfeito por ter acertado o palpite e respondeu:

– É uma longa história, mas resumindo, o Metatron está recrutando alguns anjos, prometendo lugares ao lado dele no Céu, formando um exército para impedir que os demônios de Abaddon matem mais anjos, aqueles que estão ao lado dele, é claro, e... Fazendo alguns milagres por aí. Ele quer ser o novo Deus. E não está medindo esforços para isso. Dizem até que ele já está sendo chamado de Marv por alguns humanos. – e ao notar certa confusão na expressão de Castiel, ele perguntou – Isso soa familiar para você? Novo Deus?

Um tanto envergonhado, ele respondeu:

– Eu cometi erros, eu sei disso, mas eu aprendi com eles e... Na medida do possível, eu tentei corrigí-los e me redimir.

– A Mia disse isso para você também? – adivinhou Bartholomew. – Porque se foi, ela só te disse isso para que você se sentisse melhor, Castiel. Menos culpado. Menos idiota. Funcionou?

Incomodado com aquele assunto, Castiel mudou o foco da conversa:

– Onde está a Natalie? O que você fez com ela?

– Eu a levei até o Inferno, ela conseguiu pegar a Primeira Espada, depois tentou me matar e eu resolvi deixá-la por lá. – contou Bartholomew com uma naturalidade absurda. – Mas não se preocupe, o Dean apareceu e, depois de matar os meus soldados, foi atrás dela. Você precisava ver. Foi lindo! Só faltou o cavalo branco. – completou com escárnio.

– Você deixou a Natalie no Inferno? – indagou Castiel sem conseguir acreditar que a maldade de Bartholomew tinha chegado a tanto.

– Ela não era mais útil e... Fez por merecer, então sim. Eu a deixei para trás. E deixaria de novo se você quer saber. – confirmou Bartholomew enquanto uma das suas mãos descia discretamente pelo seu terno. – E quer saber do que mais? Eu espero que nem ela nem o Dean consigam sair de lá. O portal vai se fechar logo e depois disso é questão de tempo até que eles se tornem visíveis para os demônios e aí... Eu não quero estar no lugar deles quando...

De repente, Bartholomew parou de falar e partiu para cima de Castiel, o empurrando com o máximo de força que conseguiu enquanto retirava a Primeira Espada do bolso do terno e a empunhava na direção dele.

Castiel se desequilibrou um pouco e Bartholomew jogou o peso do seu corpo sobre o dele. Os dois caíram no chão, mas quando Bartholomew tentou atingir o peito do seu rival com a Primeira Espada, Castiel segurou a mão dele, o impedindo e mantendo uma distância segura.

Com a ajuda da outra mão, Bartholomew tentou forçar a espada para baixo, mas Castiel era mais forte, estava mais forte, e por isso conseguiu virar aquela arma na direção do seu oponente com certa facilidade.

Ao perceber que não tinha força suficiente para vencê-lo, Bartholomew o encarou com raiva e ao mesmo tempo com certo medo.

– Eu sinto muito. – lamentou Castiel antes de forçar a Primeira Espada para cima e perfurar o coração de Bartholomew certeiramente, o fazendo gritar atordoado pela dor enquanto seus olhos se iluminavam por uma forte e desconcertante luz branca.

Aos poucos aquela luz cessou, assim como o grito de Bartholomew que caiu desfalecido sobre Castiel. Instantes depois, ele empurrou o corpo de Bartholomew para o lado e olhou para o teto repleto de pinturas religiosas com um olhar vazio e distante.

Aquele anjo morto ao seu lado podia ser um monstro, mas mesmo assim era seu irmão. Castiel sentia-se profundamente infeliz quando tinha que fazer algo assim. Matar alguém da sua família, da sua antiga guarnição. Aquilo lhe lembrava as coisas terríveis que ele fez no Céu, quando estava sob a influência do poder dos Leviatãs.

No entanto, ao lembrar de tudo que Bartholomew fez com Mia, com Natalie e até com Dean, e principalmente, da forma natural e cruel com que ele tinha falado sobre todas aquelas coisas, Castiel conseguiu se perdoar. Sabia que tinha feito a coisa certa. Sabia que Bartholomew não lhe deu outra escolha.

Pensando nisso, ele se levantou devagar e retirou a Primeira Espada do peito do anjo morto antes de dizer:

– Adeus, Bartholomew.

– Já foi tarde, eu diria. – falou uma voz feminina com um ar um tanto diabólico.

O anjo olhou para o começo do corredor e viu uma mulher. Pela descrição que conhecia, ele deduziu que aquela mulher era Abaddon. Ela usava uma calça escura, botas de cano curto, uma camisa preta com alguma menção à Lúcifer na estampa e uma jaqueta de couro também preta. Seus cabelos ruivos estavam soltos, porém bem arrumados e sedosos. Uma maquiagem suave e um batom extremamente vermelho davam o toque final ao seu look maquiavélico.

Castiel a encarou duramente, segurou a Primeira Espada com mais força e deu um passo a frente, mas antes que ele desse o próximo passo, Abaddon ergueu a mão direita e a moveu levemente, arremessando Castiel contra a parede do final do corredor e o fazendo soltar a arma contra Cavaleiros do Inferno.

Quando o anjo ergueu a cabeça e tentou alcançar a espada, que tinha caído a cerca de um metro e meio dele, esta deslizou rapidamente pelo corredor, atraída por Abaddon que ainda mantinha a mão direita erguida, e parou embaixo de um dos pés dela.

Em seguida, a ruiva se curvou para pegar a Primeira Espada, depois se endireitou e a examinou por alguns instantes enquanto Castiel se levantava e se recompunha.

– Então eu resolvo vir à missa e é assim que eu sou recebida? – questionou ela com sarcasmo.

– Não! Na verdade, é assim! – gritou Claire surgindo em um corredor lateral com Sam ao seu lado.

A caçadora, que junto com Sam tinha visto Abaddon chegar ao convento momentos antes, segurava uma arma e apontava na direção da ruiva.

Quando Abaddon voltou-se para ela, Claire puxou o gatilho com muita raiva e determinação, se lembrando da noite em que aquele monstro matou a sua mãe no hospital em St. Louis.

A bala, que possuía um entalhe com uma pequena Chave de Salomão, perfurou a testa da ruiva e se alojou dentro de sua cabeça. Com o impacto, Abaddon caiu para trás e soltou a Primeira Espada no chão, enquanto um fio de sangue escorria por seu rosto.

Rapidamente Sam pegou a espada, enquanto a ruiva abria os olhos. Ela estava decidida a matar Sam, Claire e Castiel, mas logo percebeu que seus poderes estavam bloqueados por aquela bala específica para demônios que a almejou. Ela também não podia fugir porque estava presa dentro do próprio corpo.

– Você deve estar muito desesperada para vir até aqui deste jeito. Onde está o seu exército, Abaddon? – questionou Sam de uma forma firme, se aproximando dela.

– Bem perto daqui. À caminho, na verdade. Não se preocupe, eles vão chegar no momento certo. – respondeu a ruiva lançando um sorriso para Claire que estava visivelmente abalada com aquele reencontro, mas tentava disfarçar.

Neste momento, o chão tremeu levemente e um barulho indecifrável foi ouvido do lado de fora, como se uma tempestade estivesse se aproximando... Ou um exército de demônios.

XXX

Mia, que estava relativamente perto do convento, dentro do Mustang e se recuperando do desconforto horrível que a última visão lhe causara, achou que o tremor que sentiu não era algo externo, mas sim um reflexo do mal estar que ainda sentia.

Ela levou uma das mãos à cabeça e olhou para o lado, observando a linha do horizonte através da janela do carro. Sua visão ainda estava um tanto embaçada, mas à medida que ela voltava ao normal, a caçadora percebeu que alguma coisa tinha se movido ao longe. Uma espécie de nuvem com uma cor avermelhada e muito densa.

Mia arregalou os olhos assustada e o seu coração disparou quando ela lembrou da visão que teve há poucos dias. Teve certeza de que aquela visão estava se concretizando. Teve certeza de que aquilo não era uma nuvem, mas sim o exército de Abaddon. Se aproximando, cortando o céu, em alta velocidade. Na direção do convento. E o Mustang estava bem no meio do caminho.

– Ah não... – reclamou ela atordoada, sem saber o que fazer.

Voltando a si, Mia olhou para o painel do carro e os seus dedos trêmulos esbarraram na chave que estava na ignição, mas acabaram a derrubando no chão do Mustang. Nervosa, Mia se abaixou para procurar pela chave ao mesmo tempo em que pegava o celular no bolso da jaqueta. Precisava avisar Castiel, Sam e Claire.

Conseguiu encontrar a chave, se endireitou no banco e a colocou na ignição enquanto selecionava o número de Castiel na agenda. Iria falar com ele e então ele poderia avisar os outros.

O barulho do exército de demônios se aproximando, semelhante ao ruído de uma nuvem de gafanhotos prestes a atacar uma plantação, e um tremor mais forte que balançou o Mustang chamaram a atenção de Mia e ela olhou pela janela lateral do veículo ainda mais nervosa. Ficou paralisada diante da enorme nuvem de fumaça vermelha que se espalhava em centenas de ramificações à medida que se aproximava mais e mais do seu destino.

Ao perceber que não conseguiria ir muito longe com o carro, porque aqueles demônios já estavam muito perto dali, Mia tentou tirar o cinto de segurança. Mas, para seu desespero, ele estava emperrado.

Com a mão trêmula ela se preparou para apertar a tecla do celular e ligar para Castiel, mas antes disso o aparelho caiu da sua mão quando um novo tremor sacudiu o Mustang violentamente.

Mia fechou os olhos e disse sozinha:

– Eu te amo, anjo.

Em seguida, ela sentiu como se estivesse sendo levada para dentro do olho de um furacão, mas na verdade era o exército de Abaddon virando o veículo, o envolvendo e o arrastando para fora da estrada numa velocidade imensurável.

O carro capotou várias e várias vezes em meio àquela fumaça vermelha e diabólica que o envolvia e o cobria por completo. Mais demônios se aproximaram e se juntaram aos primeiros. Logo, todo o exército estava unido e continuava atacando o veículo por todos os lados, o virando repetidas vezes, o danificando de uma forma digna de filmes de ação, estilhaçando os seus vidros.

Até que, algum tempo depois, o veículo finalmente foi abandonado pelos demônios, no final de uma ribanceira, e o exército seguiu seu destino, rumo ao convento, deixando o carro de Mia para trás... Completamente destruído.

XXX

No convento, Sam abaixou-se de frente para Abaddon, mantendo uma distância segura, e enquanto erguia a Primeira Espada na direção do peito da ruiva, disse duramente:

– Mais um motivo para eu te matar e colocar um fim em tudo isso.

– Não! – gritou Claire fazendo o Winchester parar a espada no meio do ar e voltar-se para ela completamente confuso, enquanto Castiel se aproximava deles também sem entender. – Esta vadia matou a minha mãe, o David, me usou para libertar um exército, prendeu e torturou a Natalie. Ela não merece uma morte rápida. Ela merece sofrer. Muito. – explicou a caçadora com uma mistura de raiva e tristeza.

– Humm... Parece que nós vamos nos divertir um pouco então? – provocou Abaddon sem se intimidar, fazendo Claire a encarar com um ódio profundo.

Sam se levantou e disse para a esposa em um tom sério:

– Claire, nós temos que matá-la. E logo. Aqueles demônios vão chegar aqui a qualquer momento.

– Eu sei... – murmurou a caçadora passando as mãos pelo rosto. – Mas o meu pai disse para esperar ele ligar de novo antes de fazer qualquer coisa.

– Que bela hora você escolheu para dar ouvidos ao Bobby. – observou o Winchester um tanto nervoso e tenso.

– Eu preciso da minha vingança, Sam. – confessou Claire sentindo o seu coração ficar apertado ao lembrar de tudo que Abaddon fez à ela e à pessoas que ela amava.

– Então a mate. – ordenou ele lhe estendendo a Primeira Espada.

– Ainda não. – recusou-se Claire e neste momento o seu celular tocou. Rapidamente, ela pegou o aparelho no bolso da jaqueta e atendeu – Pai?

Do outro lado, na sala principal do bunker, em meio à dezenas de livros espalhados sobre a mesa e sentado em uma cadeira, Bobby despejou rapidamente:

– Aquele que tiver a Primeira Espada pode controlar o exército! Você não pode mandá-lo para o Inferno, só depois de matar o Cavaleiro que o libertou, também não pode obrigar o exército a ferir Abaddon, mas você pode manter aqueles desgraçados a uma distância segura. Claire? Você me ouviu?

O chão tremeu novamente e os castiçais com algumas velas caíram no chão e estas se apagaram rapidamente quando um forte vento percorreu os corredores do convento.

– Sim. Obrigada, pai. – agradeceu Claire antes de desligar.

Sam a olhava completamente confuso, bem como Castiel. Sem explicar nada, Claire pegou a Primeira Espada das mãos do marido e correu em direção à saída do convento.

– Ei! Claire! O que você está fazendo?! – gritou Sam enquanto corria atrás dela.

Claire não respondeu, apenas continuou correndo enquanto Castiel ficou para trás para se certificar de que Abaddon não tentaria fugir.

Em seguida, pegou uma mochila que Sam havia largado no meio do caminho, a abriu e retirou uma algema com pequenas Chaves de Salomão gravadas no metal.

– Humm... Eu sempre soube que você era um pervertido, Castiel. – provocou a ruiva com um sorriso malicioso. – Eu gosto disso, sabia? Me excita.

O anjo franziu a testa com asco e esclareceu:

– Eu tenho namorada. E além disso, você não faz o meu tipo... Bitch.

Abaddon desmanchou o sorriso que sustentava até então e ficou em silêncio enquanto Castiel prendia os seus pulsos com aquela algema.

XXX

Enquanto isso, Claire alcançou a parte externa do convento e Sam parou na porta, atordoado com o que estava vendo. O exército se aproximando, há poucos metros deles.

– Claire! – gritou ele enquanto corria até ela.

A caçadora parou no meio do jardim completamente abandonado que circundava o convento, ergueu a Primeira Espada, fechou os olhos e enquanto sentia o chão tremer embaixo dos seus pés e o vento bagunçar os seus cabelos, ordenou em alto e bom tom:

– Fiquem onde vocês estão!

Sam parou no exato instante em que centenas de demônios, em forma de fumaça vermelha, se detiveram ao ouvirem aquele comando.

– Fiquem onde vocês estão, seus vermes imundos, e não se mexam até que eu diga para vocês se mexerem! – reforçou Claire entredentes e em seguida, ela abriu os olhos devagar e observou aquela enorme fumaça completamente imóvel e silenciosa nos limites do muro que protegia o convento, envolvendo todo o lugar.

A forte ventania também tinha passado e Sam olhou para Claire incrédulo quando ela se virou e abaixou a Primeira Espada. Ele estava confuso. Sabia que a esposa alimentava um ódio profundo em relação à Abaddon e não tirava a sua razão. Mas o que Claire estava fazendo era arriscado, egoísta, era pura vingança. E, aparentemente, Bobby sabia e não tinha se oposto. Pior, ele tinha a ajudado.

– Nós precisamos conversar. – avisou Sam seriamente enquanto pensava nessas coisas.

– Eu sei. Mas não agora. – respondeu ela olhando por cima do ombro dele e vendo Castiel surgindo na porta, segurando Abaddon pelo braço.

A ruiva olhava para o seu exército em pânico. Não foi isso que ela tinha planejado quando resolveu ir até ali. Ela sabia que Bartholomew estava procurando pela Primeira Espada, sabia que ele tinha conseguido localizar Natalie e queria impedir que os dois chegassem até a única arma que podia matá-la.

Mas, no auge de sua petulância, Abaddon resolveu ir sozinha enquanto o seu exército exterminava alguns aliados de Bartholomew que estavam naquelas proximidades. Este foi o seu erro. Achar que poderia vencer assim. Que seria fácil assim.

Abaddon não sabia que Mia tinha tido visões sobre o que iria acontecer e que todos estavam relativamente precavidos sobre isso. Não sabia que Dean também tinha ido para o convento, depois de ouvir o relato de Mia sobre a sua visão. Abaddon ficou um tanto surpresa até quando viu Castiel naquele lugar, e claro, Sam e Claire. Mas agora, tudo começava a fazer sentido e uma dura verdade começava a assombrar a ruiva: ela estava em um beco sem saída.

– A Claire está certa. Vocês terão que conversar depois. – opinou Castiel fazendo Sam se voltar na sua direção. – Primeiro, nós temos que prender esta aqui até vocês decidirem o que vão fazer com ela, e depois... Tem uma outra coisa que nós precisamos discutir.

– Que outra coisa? – questionou Claire enquanto se aproximava e era observada pelo olhar de Sam.

De repente, o Winchester mais novo lembrou de algo que viu dentro do convento. Anjos mortos. E um deles estava no corredor onde ele e Claire encontraram Castiel e Abaddon minutos antes. De alguma forma, Sam deduziu que aquele anjo era Bartholomew e que alguma coisa estava errada. Então ele perguntou preocupado:

– Onde está o meu irmão? E a Natalie?

Com pesar, Castiel respondeu:

– No Inferno.

Claire e Sam se olharam apreensivos e assustados, enquanto Abaddon dava um leve sorriso de satisfação. Ela podia até estar sem saída, numa situação muito complicada, podia até morrer, mas ela não estava sozinha. Dean e Natalie estavam em uma situação pior ou pelo menos tão ruim quanto à dela. Eles estavam no Inferno. Àquela hora, provavelmente, já deviam estar mortos ou pelo menos sofrendo as piores torturas que existiam no submundo.

Mais uma vez, Abaddon estava errada.

XXX

Natalie acordou com o som da sua própria tosse e abriu os olhos devagar. A sua cabeça girava e o seu estômago estava revirado por um forte enjoo, mas o sangramento em sua têmpora havia cessado.

Ao se lembrar de tudo que havia acontecido e de onde estava, ela sentou rapidamente e observou atônita uma fumaça demoníaca passar perto dela. Aparentemente, os demônios ainda não conseguiam vê-la e a loira respirou aliviada se engasgando com aquele ar contaminado em seguida.

Com certa dificuldade, ela levantou e olhou em volta. Pela primeira vez, desde que foi parar no Inferno, Natalie sentiu que tinha mais chances de morrer do que de sobreviver.

A pancada que levou na cabeça a tinha deixado muito desnorteada. Natalie não se lembrava onde ficava o portal para voltar para a Terra e não sabia se teria tempo suficiente para alcançá-lo e atravessá-lo.

Sem muita esperança, ela começou a caminhar por aquele cenário cada vez mais intimidador. Precisava pelo menos se afastar da jaula de Lúcifer e por isso continuou caminhando o mais rápido que pôde e sem olhar para trás.

Relativamente perto dali, Dean acordou numa espécie de vale coberto por uma terra escura e seca. De repente, ele sentiu um bafo quente no seu rosto e sentou com cuidado. Dean não podia ver o Cão do Inferno, mas podia sentir a sua presença maligna. Conhecia muito bem aquelas temíveis criaturas.

Mas, por ter passado pelo portal aberto por Bartholomew, o caçador também estava invisível aos olhos dos Cães do Inferno, dos demônios e das almas humanas que habitavam aquele lugar.

Dean se convenceu disso, quando percebeu que o Cão do Inferno tinha se afastado, o deixando para trás e completamente ileso. Algumas pedras adiante se moveram ao serem pisoteadas pelas patas daquela fera demoníaca e quando a distância entre eles se tornou bem segura, Dean respirou aliviado.

Tossiu ao sentir o cheiro insuportável de enxofre queimar as suas narinas e levantou devagar sentindo-se um pouco tonto.

O Winchester olhou tudo em volta e lembrou dos quarenta anos que passou no Inferno. Sendo torturado e torturando almas também. Sentiu-se profundamente mal e envergonhado ao lembrar das coisas que fez ali, das almas que torturou, de todo sofrimento que causou e também de todo o sofrimento ao qual foi submetido por Alasteir.

Aquele era um período da vida de Dean que ele lutava todos os dias para esquecer, mas cedo ou tarde, aquelas lembranças sempre o atormentavam. Como naquele momento.

Ele passou as mãos pela jaqueta e sentiu que as duas espadas contra anjos estavam ali. Só não sabia se elas teriam alguma utilidade no lugar onde estava. Por sorte, ele tinha trazido uma arma com algumas balas de sal. Aquilo sim poderia ser útil. No entanto, a faca contra demônios tinha ficado na mochila, no convento. Ele não teve muito tempo de se preparar para ir ao Inferno. Teve medo de que o portal se fechasse e resolveu dar aquele salto no escuro.

De repente, todos os seus pensamentos se voltaram para Natalie e ele decidiu que era hora de procurá-la. Então, Dean começou a caminhar por aquele enorme e desolador vale onde se encontrava, enquanto Natalie tropeçava em algumas pedras não muito longe dali.

Um nó se formou em sua garganta quando a loira se deu conta de que existia uma grande probabilidade dela não ver Dean nunca mais. De morrer ali. Daquilo ser o seu fim. O fim de tudo.

Ela enxugou o rosto quando uma lágrima teimosa resolveu escorrer por ele e continuou andando.

XXX

Quando Sam, Claire, Castiel e Abaddon entraram na antiga capela do convento, a luz do portal estava quase se extinguindo. E por fim, ela desapareceu por completo diante dos olhos deles.

Sam, Claire e Castiel se entreolharam apreensivos e Abaddon sorriu novamente.

– Do que você está rindo, sua desgraçada? – irritou-se Claire ao perceber o sorriso nos lábios da ruiva que ainda era segurada por Castiel. – Nós vamos abrir outro portal. – contou ela enquanto Sam abria a mochila onde trazia alguns ingredientes que Bobby havia listado, e pedido para ele e para a filha providenciarem no caminho até ali.

– Então é bom vocês se apressarem. – aconselhou a ruiva com desdém. – Algo me diz que aqueles dois não tem muito tempo.

Nisso, Abaddon estava certa.

Notas finais
Então, né? Fico por aqui... Mentira! Voltei para me explicar... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Não entrem em pânico! A Mia foi parar num liquidificador demoníaco e Deanalie está em maus lençóis, mas muita calma. Confiem em mim. Oi? E não se preocupem porque a coisa ainda vai piorar bastante, então é melhor não sofrer por antecedência. Vamos pensar pelo lado positivo. Barth morreu (depois de aprontar bastante e chamar a Mia de gostosa!!! Tava pedindo pra acordar com a boca cheia de formigas, o infeliz...) e a Abaddon apareceu, achando que estava abafando, mas ela não contava com a astúcia do povo. Claro que mesmo capturada, amordaçada e algemada (oi?) ela ainda vai destilar todo o seu veneno. E conforme vocês viram aí, a Claire quer vingança e o Sam não aprova esta postura da esposa e... É disso que Abaddon vai se aproveitar... Sobre a Mia ter sido atacada, sacudida, virada do avesso e pisoteada por milhares de demônios... Eu adorei escrever esta parte... muahhhhhhhhhhhhhhhhh Eu não sei se vocês repararam, mas eu adoro matar a Mia, né? Oi? Mas muita calma nesta hora porque nem tudo é o que parece ser, enquanto houver vida há esperança e ela já esteve em situações piores. Eu acho. Confiem em mim. Se conseguirem... muaaaaaaaaahhhhhhhhh E sobre Deanalie... O próximo capítulo é todinho deles. E sobre o lance de "quem possuir a Primeira Espada pode controlar o Exército"... Isso ainda vai dar merda... Bem, é isso. Gostaram do capítulo apesar dos pesares pesados e cabulosos? O que eu mais gostei no capítulo foi que o Cas matou o Barth. Eu adoro quando o Cas mata. Acha tão lindo... Ai ai... Ah! E saibam que a próxima fic (que ainda não tem nome porque eu não consigo pensar numa coisa decente. Sugestões?) está confirmada e que eu já até escrevi o capítulo 1. Mas depois que eu postar Crossfire todinha, vou fazer um pequeno hiatus, ok? Para adiantar mais capítulos. Bjs e a qualquer momento, mais um capítulo beeeeeeeeeeem meigo. PS: Coloquei algumas imagens feitas pela Miss Queen, nos capítulos 45, 46 e 47. Awwwnnnttt ficou tão lindio! Obrigada, mishamiga! PS2: Deem uma olhada! São os casais! Amei!