Crossfire
41 O Casamento - Parte Final
Notas iniciais
Guiadas por Bobby, Claire e Natalie continuaram caminhando em direção ao altar enquanto os noivos as olhavam atentamente, visivelmente encantados com o que estavam vendo e ansiosos para que elas chegassem logo até eles.
Conforme Sam e Dean haviam previsto, Claire e Natalie ficaram emocionadas ao verem os arranjos com as fotos dos pais na primeira fileira de bancos. Sorriram sentindo que eles realmente estavam ali, com elas, presentes naquele dia tão importante de suas vidas e, instantes depois, voltaram a olhar para os noivos.
Quando o percurso até o altar finalmente terminou, Bobby soltou o braçode Claire delicadamente e a entregou oficialmente para Sam. Em seguida fez o mesmo com Natalie, a entregando para Dean. Depois cumprimentou os noivos, os xingou de "idjits" bem baixinho e se afastou.
Bobby já havia se posicionado ao lado de Mia, Castiel e Garth quando Sam não conseguiu mais resistir e decidiu fazer uma coisa. Então ele segurou o rosto de Claire entre as mãos e a beijou, fazendo os convidados vibrarem com o gesto.
O padre Philippe, um senhor de uns cinquenta e poucos anos e cabelos completamente grisalhos, observou a cena um tanto chocado eprotestou:
– Com licença... Filho... Desculpe, mas eu não disse que você podia beijar a noiva. Ainda não é o momento para isso. Com licença.
Os convidados começaram a rir quando o padre cruzou os braços e tossiu para chamar a atenção do casal.
Sam finalmente entendeu o recado, se afastou um pouco da noiva e disse com os olhos fixos nos dela:
– Desculpe, padre, mas... Eu não resisti.
Claire sorriu. Um pouco por ter ficado sem graça, mas principalmente por ter gostado muito daquela demonstração de amor de Sam. Nem parecia aquele homem fechado, sofrido e inseguro que ela reencontrou há alguns meses, quando ele invadiu a sua casa e ela quebrou um vaso na cabeça dele.
Mas no fim, talvez tenha sido isso que fez Sam mudar tanto. O caçador podia até não saber naquela época, mas a verdade é que ele precisava que alguém quebrasse um vaso na sua cabeça para que se desse conta de que ele é um homem maravilhoso, capaz de amar, apesar de tantas decepções que sofreu, e de ser amado. Foi por isso que Sam se apaixonou por Claire em primeiro lugar. Porque ela lhe mostrou tudo isso no instante em que quebrou aquele vaso em sua cabeça e entrou na sua vida de novo.
E então os dois finalmente tiveram a oportunidade de se conhecerem de verdade. E Sam se apaixonou por outras coisas em Claire. Por cada traço da sua personalidade, por cada centímetro do seu corpo, por cada sorriso, cada olhar, por tudo nela.
Como se estivesse pensando a mesma coisa em relação à Sam, Claire lhe lançou um olhar carinhoso e lhe estendeu a mão, que ele segurou prontamente enquanto Dean continuava olhando fixamente para uma das pernas de Natalie através de uma fenda do vestido.
Um pouco sem graça, porque os convidados estavam começando a notar aquele olhar indiscreto de Dean, Natalie tocou o queixo do caçador com a ponta do dedo para que ele fechasse a boca, e também para que erguesse a cabeça na direção do rosto dela, e avisou:
– Eu estou aqui em cima, Sr. Awesome.
– Eu sei... — respondeu ele abaixando a cabeça em seguida, dando mais uma olhada na perna exposta da loira, subindo o olhar pelo corpo dela, parando por alguns instantes no decote sensual e voltando a olhar para o rosto de Natalie no fim do percurso. — Você é a própria Sra. Awesome. — elogiou Dean antes de imitar o irmão e surpreender Natalie com um beijo apaixonado.
Os convidados vibraram mais uma vez enquanto Dean e Natalie se beijavam e se lembravam de tudo que viveram até ali. Desde o dia em que um jovem Dean Winchester encontrou uma pequena, órfã e assustada Natalie Jones embaixo da cama, até o dia em que ele percebeu que ela havia crescido. E como cresceu... Aquelas pernas eram as maiores provas disso.
Inevitavelmente, eles também se lembraram da noite em que se reencontraram em um bar de estrada em Kentucky, quando Natalie esbarrou "acidentalmente" em Dean. E de tudo que aconteceu depois daquela noite. De Dean descobrindo que Natalie tinha o seguido e estava ouvindo atrás da porta, das inúmeras brigas, das provocações, de Dean a chamando de insuportável e Natalie o chamando de idiota, da trégua, daquela forte sensação de déjà vú, da aproximação, dos momentos embaraçosos, da troca de olhares, da festa de aniversário da Mia e de que como as coisas mudaram a partir dali.
Porque foi ali que Dean e Natalie perceberam que um sentimento tinha surgido entre eles. Mais forte do que o ódio que aparentemente sentiam um pelo o outro, mas que... Convenhamos, eles nunca sentiram de fato.
É isso mesmo. Dean Winchester e Natalie Jones nunca se odiaram de verdade. O que eles odiavam era admitir que aquele sentimento estava crescendo sem que eles pudessem fazer nada para impedir. Ganhando espaço, força, vida, não importava o quanto eles negassem ou o quanto lutassem.
E quando eles finalmente perceberam que não podiam vencer aquele sentimento, ou melhor, que era inútil e um desperdício tentar, Dean e Natalie finalmente descobriram que aquele sentimento era amor. Amor com boas doses de luxúria, é claro. Afinal, não é à toa que os dois vivem quebrando camas por aí. Mas independente disso ou daquilo, o que une Dean e Natalie é um amor muito forte e verdadeiro. E disso, os dois e todos ali tinham certeza.
Aproveitando o embalo do irmão e de Natalie, Sam voltou a beijar Claire e, inevitavelmente, um filme também passou pela cabeça deles. Sam lembrou do medo que sentiu quando Claire lhe disse que queria ser caçadora. Do medo que ele sentiu de que alguma coisa pudesse machucá-la. Do medo que ele ainda sentia e sempre sentiria em relação à isso. Da vontade que ele tinha de protegê-la 24 horas por dia.
Mas ao mesmo tempo, Sam sabia que Claire era uma mulher muito forte e destemida. Tinha certeza que ela já era uma excelente caçadora e a admirava muito por isso. Admirava a mulher especial, forte e apaixonante que Claire era. A amava cada dia mais. E se um dia Sam quis que ela esquecesse o sobrenatural e voltasse a ter uma vida normal, hoje ele não saberia o que fazer se Claire fosse embora da sua vida. Ele precisava dela como precisava do ar para respirar. Claire deu um novo sentido para a vida de Sam. Agora ele podia dizer com todas as letras que era muito feliz. Apesar de todas as complicações que o sobrenatural trazia para a sua vida, Sam era feliz porque tinha Claire ao seu lado para passar por tudo aquilo com ele.
E para Claire, o caçador era muito mais do que um mentor que a ensinou a atirar. Sam era o homem que ela amava. Cada dia mais. Claire também não saberia mais como viver sem ele e ainda não entendia como um dia pensou que poderia e o abandonou. Se arrependia todos os dias por causa disso, mas tinha certeza de que Sam já tinha a perdoado por aquilo há muito tempo.
E Claire também o admirava muito. Ela nunca foi tão feliz quanto naquele momento. Sam também deu um novo sentido para a vida dela. E tudo que a caçadora queria era ser e fazê-lo ainda mais feliz durante cada dia das suas vidas.
E assim, os dois casais continuaram se beijando apaixonadamente e revivendo lembranças como se não houvesse mais ninguém em volta. Parecia que os quatro tinham se esquecido completamente o motivo pelo qual eles estavam ali. Mas de repente o padre tossiu e resolveu repreendê-los:
– Um pouco de compostura, por favor. Eu fui chamado para celebrar um casamento, dois na verdade, mas se continuar assim, eu vou acabar celebrando os batizados dos filhos que vocês certamente estão querendo conceber aqui mesmo.
Ao ouvir aquilo Sam e Claire se afastaram um tanto assustados, assim como Dean e Natalie. E então a loira esclareceu rapidamente:
– Não! Filhos não... Nunca. Seria...
– Loucura. — completou Dean.
O padre Philippe os encarou um pouco intrigado e em seguida voltou-se para o outro casal como se quisesse saber a opinião deles também. Foi Claire que resolveu esclarecer:
– Filhos estão fora de cogitação, padre. Eu tenho certeza que o senhor entende os motivos.
– Entendo sim, mas é uma pena. — lamentou o sacerdote. — Os pais sendo caçadores ou não, colocar uma criança no mundo é sempre uma loucura. Mas também é uma dádiva.
– Será que nós podemos prosseguir com a cerimônia? — questionou Sam educadamente, mas no fundo sentindo-se um pouco desconfortável com aquele assunto.
– Claro. — respondeu o padre e depois de abrir um livro com o rito da cerimônia, começou de fato — Caros noivos, viestes à casa do Senhor para que o vosso propósito de matrimônio seja firmado com o sagrado selo de Deus perante a comunidade cristã. Cristo vai abençoar o vosso amor conjugal e...
Desta vez foi Dean que tossiu para interromper o padre Philippe e quando o sacerdote ergueu o olhar confuso na direção dele, o caçador explicou com certo cuidado:
– Ah... Padre, me desculpe por interrompê-lo assim, mas... Vamos ser honestos? Ninguém aqui é muito religioso e eu tenho certeza que o senhor também entende os nossos motivos. Então com todo o respeito a sua fé, batina e a Deus que... Teoricamente trouxe o Bobby de volta, mas será que nós podemos acelerar um pouco as coisas? Pular as partes entediantes e ir para o que realmente interessa? — e olhando para Natalie, para o irmão e para Claire, perguntou — A não ser, é claro, que vocês tenham alguma objeção.
– Não, por mim tudo bem, vamos ao que interessa. — concordou Claire.
– Eu também acho que nós podemos cortar algumas partes. — opinou Sam.
Natalie olhou para Dean e respondeu:
– É, padre. Eu quero me casar logo com este idiota. — e voltando a olhar para o sacerdote, pediu — Então, agiliza aí.
Um pouco atordoado diante do que tinha ouvido daqueles quatro, mas entendendo que como caçadores, eles tinham uma visão diferente da religião e dos sacramentos, o padre resolveu acatar o pedido:
– Tudo bem. Vejamos... — então ele folheou o livro com o cerimonial, depois olhou na direção de todos os convidados e recomeçou — Se existe alguém aqui que é contra estes casamentos...
– Ah... Não dá para pular esta parte também? — interrompeu Natalie lembrando-se do pesadelo que teve e fazendo Claire se lembrar daquilo.
O padre demorou alguns instantes para entender que Natalie estava falando sério e então explicou:
– Desculpe, querida, mas esta é uma pergunta que eu preciso fazer.
– Tudo bem, então vai em frente. — assentiu ela de um jeito despojado para disfarçar que no fundo estava tensa com a possibilidade de que o seu pesadelo se concretizasse.
Dean olhou a noiva sem entender nada e segurou a sua mão com mais força ao perceber que ela estava um pouco gelada. Natalie o olhou de volta e esboçou um sorriso, enquanto segurava a mão do caçador com mais força também tentando aquecê-la. Sam e Claire se entreolharam e, embora ele não soubesse que Natalie teve um pesadelo sobre aquele momento do casamento, Sam notou que Claire estava tensa. E acabou ficando preocupado também, assim como Dean.
Os quatro só relaxaram mesmo quando o padre refez a pergunta e o silêncio permaneceu na capela, indicando que não existia ninguém ali que queria impedir aqueles casamentos. Então Natalie olhou para Claire e respirou aliviada, enquanto a amiga entendia o que a loira quis dizer e sorria para ela.
Em seguida, o padre folheou mais algumas páginas do livro e perguntou:
– Onde estão as alianças?
Automaticamente, os casais olharam para Mia que abriu a bolsa e retirou de dentro dela duas caixinhas contendo as alianças.
O correto seria que elas fossem levadas até o altar por uma dama de honra e um pajem, porém durante a organização dos casamentos, Mia não encontrou nenhuma criança, muito menos duas, que pudessem exercer aqueles papéis. Isso porque nenhum dos caçadores que os Winchester ou as noivas conheciam tinham filhos. Na verdade, a maioria tinha entrado para aquele ramo porque perdeu a família de alguma forma. Era triste, mas era uma realidade. Caçadores não tinham filhos, sobrinhos ou netos.
Imaginando que se tratava disso, o padre não fez nenhuma objeção quando Mia se aproximou e lhe entregou as alianças. Instantes depois ele as abençoou e deu sequência à cerimônia.
No fundo o padre Philippe entendia perfeitamente aquelas pessoas diante dele. Ele sabia da existência do sobrenatural porque o presenciou uma vez. Há muitos anos, ele testemunhou um caso de possessão demoníaca.
Na época, ele tinha acabado de se tornar padre e vivia nas dependências de uma igreja, em uma pequena cidade do interior da Virginia. O lugar que era conhecido por ser bem pacato, foi abalado pelo boato de que uma adolescente de quinze anos havia sido possuída. Boato que logo se confirmou e levou vários sacerdotes até lá.
Junto com o padre Philippe, eles trabalharam incessantemente no exorcismo da garota, porém não tiveram sucesso. Nenhum deles tinha se deparado com uma situação como aquela até então e não sabiam exatamente o que fazer para ajudar a garota.
Philippe estava prestes a pedir ajuda ao Vaticano, quando um caçador chamado John Winchester chegou à cidade e exorcizou o demônio, o mandando de volta para o inferno rapidamente. John salvou a garota que estava viva até hoje e por sorte não se lembrava de muita coisa daquele evento conturbado.
John acabou contando a sua história para Philippe, sobre a sua busca pelo demônio de olho amarelo que matou a sua esposa. E Philippe prometeu ajudá-lo, relatando outros casos de possessão que pudessem surgir, e também orando por John e por seus filhos, para que eles tivessem muita força e encontrassem alguma paz no meio de toda aquela jornada.
E agora, como padre, Philippe estava celebrando o casamento de Sam e Dean com aquelas adoráveis e destemidas mulheres. E tinha certeza de que John estaria muito orgulhoso deles se estivesse ali. Aliás, quem sabe ele estivesse?
De qualquer forma, a cerimônia de casamento prosseguiu calmamente. Noivos e noivas se olhavam de forma emocionada o tempo todo, embora aquela experiência fosse realmente estranha para eles. Estranha e boa ao mesmo tempo. Estar em uma capela, diante de um padre, vestidos daquele jeito, se casando. Quem diria que algo assim aconteceria na vida deles algum dia?
Contrariando todas as expectativas, que diziam que caçadores estavam condenados à solidão, lá estavam Dean, Natalie, Sam e Claire dizendo o famoso “sim”, fazendo os votos, trocando as alianças e sentindo uma emoção muito forte em relação à tudo aquilo.
Os quatro estavam realmente felizes. Como nunca imaginaram que poderiam ser um dia. E ficaram ainda mais felizes quando o padre os declarou maridos e mulheres.
Respiraram profundamente soltando o ar aos poucos ainda sem acreditar que aquilo tinha mesmo acontecido.
– Agora vocês podem beijar as... — começou a dizer o padre Philippe, mas parou e franziu a testa quando viu que Sam e Dean já estavam beijando as respectivas esposas.
Os convidados vibraram de novo e aplaudiram os dois casais. Felizes diante da felicidade contagiante deles. Mia foi mais além e assobiou ganhando um olhar repreensivo do padre Philippe logo em seguida. Então ela apontou para Garth colocando a culpa nele e Castiel balançou a cabeça negativamente enquanto disfarçava um sorriso.
Aos poucos, Sam foi afastando o rosto do de Claire e Dean fez o mesmo em relação à Natalie. Em seguida, os casais deram as mãos e caminharam em direção à saída da capela enquanto uma chuva de arroz caía sobre eles...
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