Crossfire

48 Lua de Mel - Parte Final


Notas iniciais
Oi gente! Esta é a parte final da lua de mel do povo, teremos alguns momentos fofos e românticos, teremos Miastiel e a despedida Kevloe. A fic está se aproximando do fim, iremos até o capítulo 57, então neste aqui, as coisas vão começar a se complicar um pouquinho. Bem pouquinho... Ressalvas lá embaixo...

Era manhã e Castiel estava em uma das salas do bunker, sentado de frente para uma mesa, olhando fixamente para o anel que ofereceu à Mia, no dia anterior, quando a pediu em casamento.

Ele girava o anel entre os dedos enquanto lembrava de tudo o que aconteceu depois que fez aquela fatídica pergunta para a caçadora. Inevitavelmente, sentiu-se triste e decepcionado ao lembrar que Mia recusou o seu pedido de casamento.

No entanto, depois dos acontecimentos da madrugada, quando Mia levantou da cama sonâmbula e o encontrou naquela mesma sala, depois de vê-la tão frágil e assustada, de ter a levado para o quarto e conversado com ela lhe dando todo o apoio que pôde, depois daquele beijo caloroso e repleto de sentimento e depois de ter ficado ao lado dela enquanto ela dormia, Castiel não estava mais com raiva pelo o que aconteceu na festa. Na verdade, as suas esperanças tinham sido renovadas e a sua paciência também.

Durante a viagem de volta ao bunker na noite anterior, por um momento, ele chegou a pensar que tinha sido precipitado quando pediu Mia em casamento. Mas agora não. Agora Castiel tinha certeza de que era aquilo mesmo que ele queria e, por isso, iria esperar pacientemente até que Mia quisesse aquilo também. Tanto quanto ele.

O barulho de passos e o som de risadas familiares fizeram o anjo voltar a si, guardar apressadamente o anel de volta na caixinha e colocá-la em uma gaveta da mesa.

Logo, Kevin e Chloe apareceram na porta, abraçados e visivelmente felizes. Castiel levantou da cadeira e sorriu para os dois antes de perguntar:

– Então vocês vão mesmo?

– Praticamente já estamos indo. — confirmou Kevin serenamente. — O Garth vai passar aqui daqui a pouco e nos dar uma carona até New Jersey. Ele está indo checar um caso por lá.

– E a Mia? Onde ela está? — perguntou Chloe. — Eu queria me despedir dela.

Castiel ia abrir a boca para responder que Mia havia se sentindo mal durante a madrugada e que até o momento não havia acordado, quando a caçadora surgiu atrás de Kevin e Chloe, ainda de pijama e com os cabelos um tanto bagunçados, mas visivelmente disposta.

– Ei, nerds! — cumprimentou ela ficando de frente para o casal que sorriu ao vê-la. — Eu ainda não acredito que vocês vão embora mesmo. Meu coração já está em frangalhos.

Chloe riu e brincou:

– Do jeito que você fala parece até que nós estamos indo para uma guerra.

– É, Mia. Não seja exagerada. E nós não estamos indo embora para sempre. Nós vamos voltar. Mais cedo do que vocês imaginam. — garantiu Kevin.

Mia observou os dois atentamente já com uma certa saudade, depois suspirou e disse:

– Bem, neste caso, boa viagem e vejo vocês em breve.

Em seguida, Mia se aproximou e abraçou Chloe bem forte. Depois abraçou Kevin igualmente emocionada. Sentiu seus olhos lacrimejarem e se afastou tentando disfarçar a emoção que estava sentindo. Odiava despedidas.

– Se cuidem. E mandem notícias. Todos os dias, ok? — pediu a caçadora fazendo-se de forte.

– Pode deixar. — assentiu Kevin.

– Obrigada por tudo, Mia. — agradeceu Chloe e olhando para Castiel, acrescentou. — Você também, Cas. Vocês dois salvaram a minha vida e me trouxeram até o Kev. Eu nunca vou saber como agradecer por tudo isso.

Castiel sorriu serenamente e Mia passou as mãos pelos olhos tentando conter aquela vontade de chorar, até que uma buzina foi ouvida e Kevin deduziu:

– É a nossa carona.

– Graças a Deus! — comemorou Mia. — Vão embora logo antes que eu comece a chorar feito um bebê. — pediu ela e os dois riram.

Em seguida, Castiel deu alguns passos na direção do casal e se ofereceu:

– Eu ajudo vocês com as malas.

– Valeu, Cas. — agradeceu Kevin se afastando com Chloe depois dos dois olharem uma última vez para Mia, que preferiu ficar ali do que prolongar aquela despedida do lado de fora do bunker.

Neste momento, Castiel voltou-se para ela um tanto preocupado e perguntou:

– Mia, como você está se sentindo?

A caçadora o olhou com carinho e respondeu com sinceridade:

– Eu me sinto ótima, anjo. Não se preocupe.

Castiel a observou ainda preocupado, lembrando de tudo o que aconteceu durante a madrugada, mas por fim assentiu com um meneio de cabeça e deixou a sala. Em seguida, ele pegou uma das malas que estava perto da escada e Kevin se encarregou da outra, enquanto Chloe pegava uma bolsa em um dos sofás e colocava no ombro.

– Então você e a Mia se acertaram? — quis saber Kevin enquanto caminhava com Castiel e a namorada até a porta.

O anjo sorriu levemente e respondeu:

– Não totalmente, mas algo me diz que em breve vocês vão receber o convite de um certo casamento.

Chloe sorriu animada com aquela possibilidade e Kevin bateu levemente no ombro do anjo, o incentivando a persistir naquela ideia.

Enquanto isso, Mia se aproximou da mesa onde Castiel estava momentos antes, puxou a cadeira e sentou. Passou as mãos pelos olhos mais uma vez e respirou fundo finalmente vencendo aquele nó que tinha se formado na sua garganta. No fundo, ela acreditava que Kevin e Chloe iriam voltar um dia, ou pelo menos que eles dariam notícias regularmente. Mas mesmo assim era difícil se despedir. Mesmo que fosse temporariamente. Eles fariam muita falta.

Pensando em tudo isso, Mia fechou os olhos e encostou as costas na cadeira por alguns instantes. Tentou transformar a saudade que já estava sentindo do casal em uma torcida para que tudo desse certo para eles em Princeton, e para que em breve eles pudessem ajudar com a tradução da Tábua dos Anjos, que ela e Castiel fariam de tudo para recuperar.

Momentos depois, e mais conformada, ela abriu os olhos decidida a se levantar e ir até a cozinha preparar um bom café. Mas parou quando viu a gaveta da mesa semiaberta. Algo em seu interior chamou a atenção de Mia e ela hesitou. Seus dedos se aproximaram do puxador e ela o segurou por alguns instantes antes de finalmente terminar de abrir a gaveta. Devagar. Revelando o seu conteúdo aos poucos.

E então Mia viu que entre alguns papéis e anotações, havia uma caixinha azul marinho. A reconheceu. Tinha a visto há pouco tempo. Mais precisamente no dia anterior quando Castiel lhe fez aquela fatídica pergunta. Uma pergunta que ela não estava esperando. Uma pergunta que a assustou. E de tão assustada que ficou quando Castiel lhe pediu em casamento, Mia não chegou a reparar de verdade no anel que aquela caixinha guardava. Estava ocupada demais sentindo que ia desmaiar no meio de uma festa.

De repente, uma certa curiosidade a dominou. Uma vontade irresistível de pegar aquela caixinha, abrí-la e dar uma boa examinada no anel que ela escondia. No entanto, Mia acabou fechando a gaveta, tentando conter aquela curiosidade.

Não conseguiu. Mordeu os lábios e abriu a gaveta mais uma vez. Pegou a caixinha. Abriu. Olhou para o anel. Sentiu o seu coração acelerar e inclinou a cabeça um tanto comovida enquanto os seus olhos percorriam a jóia com certo fascínio. O anel era lindo. Delicado, feito de prata, fino na espessura e com um pequeno diamante no centro.

Mia se perguntou onde Castiel tinha conseguido um anel daquele e deduziu que ele devia ter comprado com o cartão de crédito falso de Sam ou de Dean. De qualquer forma, foi uma excelente aquisição. O anel era realmente lindo. Capaz de quebrar o gelo de qualquer coração. Capaz de fazer a solteira mais convicta querer entrar na primeira igreja e se casar imediatamente.

De repente, uma nova onda de curiosidade tomou conta de Mia. Ela sentiu uma vontade incontrolável de experimentar o anel. Só para ver como ficaria no seu dedo. Hesitou um pouco antes de retirá-lo cuidadosamente da caixinha que colocou sobre a mesa. O olhou mais de perto e mais uma vez constatou que ele era lindo. O girou algumas vezes entre os dedos e mordeu os lábios de novo antes de finalmente aproximá-lo do dedo anelar direito. O anel deslizou suavemente por sua pele até parar na base do seu dedo.

Mia sentiu o seu coração acelerar novamente ao ver que o anel tinha ficado lindo no seu dedo. Perfeito. Esticou a mão e o observou a certa distância enquanto um leve sorriso se formava no seu rosto. Parecia que aquele anel tinha sido feito para ela.

Mia ficou assim, curtindo aquela sensação agradável de ter algo em seu dedo que lhe lembrava o quanto ela amava Castiel, o quanto ele a amava e o quanto as coisas entre eles estavam ficando mais sérias e o sentimento mais forte a cada dia. Mas então, a ideia de que as coisas ficassem tão sérias à ponto deles se casarem voltou a assustá-la. Todas as suas dúvidas, medos, insegurança, tudo que a impedia de aceitar aquele pedido de casamento, fizeram Mia desmanchar o sorriso e voltar a si.

Então ela aproximou a mão do peito e tirou o anel. Bem, na verdade, ela tentou tirá-lo. Tentou de novo. E de novo. E se desesperou quando percebeu que ele não saía de jeito algum. Definitivamente, aquele anel não tinha sido feito para ela. No mínimo, Castiel havia errado o tamanho.

– Droga... — resmungou Mia ainda mais nervosa fazendo certa força para arrancar aquela coisa do seu dedo. — Saí daí! Saí logo! — ordenou como se o anel pudesse ouví-la e obedecê-la. — Maldição! Droga! Droga! — xingou em seguida.

Mia se calou e parou de tentar tirar o anel do dedo quando percebeu que acabaria se machucando. Seu coração acelerava a cada instante. Mas desta vez não era devido à emoção que sentiu quando colocou o anel no dedo, mas sim ao desespero de não conseguir tirá-lo dali.

Começou a se perguntar o que ela falaria para as pessoas? Pior, o que ela falaria para Castiel quando ele visse aquilo? O que ele pensaria quando visse aquele anel no seu dedo? Que ela tinha aceitado o seu pedido de casamento? E como ela explicaria que não era nada disso? Nada mesmo. Como ela explicaria que só experimentou o anel por curiosidade? Como ela explicaria a curiosidade que sentiu? Por que ela sentiu aquela vontade irresistível de colocar aquele anel no dedo? Por que gostou da sensação? O que estava acontecendo com ela?

Mia se perguntava todas essas coisas enquanto tentava tirar o anel de novo, não se importando mais se acabaria se machucando, arrancando parte do dedo ou coisa pior. O que seria pior do que arrancar uma parte do dedo?

Mia sentiu um arrepio percorrer o seu corpo ao imaginar algo assim e olhou na direção da porta quando ouviu passos. Rapidamente devolveu a caixinha para o seu lugar de origem e fechou a gaveta.

Quando Castiel entrou na sala, Mia já havia se levantado da cadeira, se afastado da mesa e escondido a mão direita atrás da nuca enquanto o outro braço estava em volta da sua barriga. Tentou disfarçar o nervosismo que estava sentindo, mas o anjo percebeu que ela estava muito tensa e perguntou:

– O que aconteceu?

– Hein? Como assim? Não... Não aconteceu nada... Digo, nada mesmo. — atrapalhou-se a garota rindo de um jeito nervoso.

Castiel franziu o cenho desconfiado e insistiu:

– Tem certeza que está tudo bem, Mia? Porque vendo daqui parece que você está bem nervosa.

– Eu? Nervosa? — indagou ela como se Castiel tivesse dito algo absurdo. — Não, eu não estou nervosa. É só que... Bem, você me conhece, eu não sou eu mesma enquanto não tomo minha primeira xícara de café do dia. — disfarçou ela e ao lembrar de uma forma de tirar aquele anel do dedo, começou a caminhar até a porta e olhando para Castiel pediu — Por falar nisso, será que você poderia preparar o café enquanto eu tomo um banho?

– Claro. — assentiu o anjo a seguindo com o olhar enquanto ela deixava a sala.

Rapidamente, Mia tirou a mão da nuca e cruzou os braços contra o peito sem que Castiel percebesse o que ela usava em um dos dedos. Subiu a escada às pressas e foi até o banheiro. Abriu a torneira da pia e ensaboou as mãos. Esfregou uma na outra se concentrando no anelar direito.

No entanto, por mais que o anel se movesse um pouco e parecesse que finalmente iria sair dali, isso não acontecia e ele se mantinha firme. Estava realmente preso no dedo de Mia como se quisesse afrontá-la, desafiá-la, enlouquecê-la.

Depois de mais algumas tentativas, Mia sentou no assento do vaso sanitário e lembrou de algo que o Stefan lhe disse na festa. Sobre o universo conspirar para que ela e Castiel sempre ficassem juntos.

Mentalmente, ela xingou o universo por tentar conspirar naquele momento. Mantendo aquele anel no seu dedo, a obrigando a olhar para ele constantemente e se perguntar por que não parava de lutar contra o que realmente queria e aceitava aquele pedido de casamento de uma vez.

Sentindo-se confusa, Mia levantou, se despiu e tomou um banho. Tentou tirar o anel mais algumas vezes, mas acabou desistindo porque todo o esforço que fazia era inútil.

Meia hora depois, ela desceu a escada vestindo uma calça jeans escura, uma blusinha azul e uma blusa de frio bege. Colocou as mãos nos bolsos e entrou na cozinha.

Castiel tinha preparado o café e terminava de arrumar a mesa. Em silêncio e ainda tensa, Mia se aproximou, puxou uma cadeira com a mão esquerda e sentou. Gelou quando Castiel puxou outra cadeira e sentou de frente para ela.

O anjo a observou atentamente, intrigado, sentindo que tinha alguma coisa errada com Mia. Alguma coisa que ela estava escondendo dele por algum motivo. Ao notar que a garota servia o café na xícara e colocava uma panqueca no prato com a mão esquerda, ele questionou:

– Desde quando você é canhota?

– Eu não sou. — respondeu ela no susto. E evitando olhar diretamente para o anjo, inventou uma desculpa — É que eu estou com tendinite na outra mão.

– Desde quando você tem tendinite? — estranhou Castiel.

– Desde agora... Eu acho. — atrapalhou-se Mia se xingando mentalmente por não ter pensado em uma resposta melhor.

– Você quer que eu dê uma olhada? Eu ainda não encontrei uma forma de por um fim nas suas enxaquecas, mas eu posso dar um jeito no seu pulso, aliviar a dor, a inflamação. — propôs Castiel.

– Não. Está tudo bem, House. — dispensou Mia tomando um pouco do café enquanto Castiel franzia a testa sem entender a referência mencionada pela garota. — Já está passando, na verdade. — mentiu ela tentando cortar um pedaço da panqueca com os talheres e encontrando muita dificuldade em fazer isso com a mão esquerda.

O anjo a encarou desconfiado, mas por hora, preferiu não insistir. Ao invés disso, apenas propôs:

– Então deixa que eu te ajudo com isso.

Mia empurrou o prato para ele e lhe entregou os talhares. Castiel começou a cortar a panqueca enquanto, ainda tensa, Mia passava a mão esquerda pela nuca e mantinha a direita bem escondida no bolso da blusa.

XXX

Dean acordou com o barulho da porta do banheiro sendo aberta e viu Natalie saindo de lá enrolada em uma toalha. Abriu bem os olhos para dar uma boa olhada nas pernas dela e se acomodou melhor na cama.

– Bom dia, Sunshine! — cumprimentou ela lhe abrindo um enorme sorriso.

– Bom dia, Sra. Awesome... — respondeu ele ainda sonolento enquanto a loira caminhava até uma das malas e procurava algumas roupas para vestir. — Eu não acredito que você não me acordou para tomar banho. Nós podíamos fazer um remake do banho de ontem. — sugeriu com certa malícia enquanto apoiava as costas na cabeceira e observava Natalie dos pés a cabeça.

Ela olhou na direção dele, ergueu as sobrancelhas e explicou com um meio sorriso:

– Eu tentei te acordar. Eu juro que tentei. Mas você tem um sono muito pesado, Sr. Awesome. Ou vai ver que... Ficou muito cansado por causa das nossas brincadeiras noturnas.

– Eu? Cansado? Por favor. — resmungou Dean um pouco ofendido. — Me deixa tomar um banho, tomar o meu café da manhã e então você vai ver só quem está cansado aqui. — insinuou em seguida.

– Tudo bem, mas então o que você está esperando para levantar desta cama? — questionou Natalie já que Dean não tinha dado qualquer sinal de que iria se levantar.

– Eu estou esperando você se vestir. — avisou ele enquanto dava mais uma "secada" no corpo da esposa.

Natalie balançou a cabeça em sinal de desaprovação e enquanto colocava algumas roupas sobre a cama, resmungou:

– Você é um tarado, Dean Winchester.

– Para de enrolar e tira logo esta toalha. — intimou ele, ficando um pouco de lado para ter uma visão melhor.

– Um tarado mandão. — ressaltou ela rindo.

– Não me faça ir aí. — aconselhou Dean de forma sugestiva e ameaçadora.

Natalie ficou em silêncio, pensando enquanto mordia o lábio inferior. Depois de hesitar mais um pouco, ela segurou na parte superior da toalha e a abriu enquanto encarava Dean de um jeito maroto. Tirou a toalha por completo e viu que uma chama se acendeu no olhar dele.

Dean engoliu em seco, se mexeu um pouco na cama e passou os olhos por todo o corpo da loira enquanto um sorriso cretino se formava nos seus lábios.

Natalie riu e jogou a toalha no rosto dele. Dean segurou a toalha e continuou olhando para Natalie enquanto ela vestia um conjunto de lingerie preto.

– Sabe... — recomeçou o Winchester com os olhos fixos na loira. — Eu acho que o café da manhã pode esperar um pouco.

– De jeito nenhum. Eu estou faminta e o hotel serve a refeição só até às dez horas. Ou seja, você tem menos de meia hora para tomar banho e se arrumar ou vai perder uma boca livre. — expôs Natalie.

Dean suspirou derrotado. Tinha esquecido que aquele hotel, ao contrário das espeluncas onde ele costumava ficar durante algum trabalho, servia o café da manhã para os hóspedes.

E como ele estava faminto, não poderia perder aquela oportunidade. Seria complicado procurar outro lugar para comer com a fome que estava sentindo. Natalie tinha mesmo roubado as suas energias durante a noite que só terminou altas horas da madrugada. Mesmo assim, Dean mal podia esperar para fazer tudo aquilo com ela de novo. Se envolver naquele corpo escultural, beijar aquela boca deliciosa, perder a cabeça... Agarrar aquelas pernas e...

– Anda! Se apressa. — ordenou a loira depois de vestir uma calça jeans e perceber que Dean ainda a olhava com a mesma cara de cachorro pidão.

Voltando a si, ele afastou o lençol que o cobria até então e levantou da cama rapidamente. Completamente nu. Encarou Natalie, que parou antes de terminar de vestir uma blusinha.

Ela percorreu o corpo de Dean com os olhos, parando em certas partes, e sentiu suas pernas ficarem trêmulas e o seu rosto corar. Seu coração acelerou subitamente.

Cheio de si, Dean deu um meio sorriso e, enquanto caminhava até o banheiro, resmungou:

– E depois eu que sou o tarado.

Natalie suspirou e terminou de se vestir. Sentou na cama para calçar um par de coturnos marrons e ouviu o barulho do chuveiro sendo ligado. Sorriu ao lembrar do banho da noite anterior e suspirou de novo sem perceber. Balançou a cabeça negativamente afastando a vontade que tinha de entrar naquele banheiro e perder o café da manhã.

Em seguida, levantou da cama e caminhou até a porta. Parou na soleira e gritou para que Dean pudesse ouvir:

– Ei, Sr. Awesome! Eu vou indo na frente, tudo bem? Eu preciso comer alguma coisa logo ou vou acabar desmaiando de tanta fome.

– Tudo bem! — gritou Dean de volta.

Natalie ia sair do quarto, mas parou mais uma vez e acrescentou com um sorriso malicioso nos lábios:

– Mas depois nós podemos conversar sobre aquele remake!

– Uhh... Eu mal posso esperar, baby! — gritou Dean animado com a ideia.

Natalie sorriu e finalmente deixou o quarto fechando a porta atrás de si. Caminhou pela varanda em direção à recepção, sentindo-se muito feliz. Cumprimentou a recepcionista com um animado "Bom dia!" e continuou andando enquanto um sorriso inevitável se formava no seu rosto ao lembrar de Dean. Olhou a aliança na sua mão esquerda e suspirou antes de entrar em um salão onde alguns hóspedes tomavam o café da manhã, em várias mesas espalhadas pelo lugar.

Caminhou até o fundo do salão, onde havia um enorme balcão com garrafas térmicas cheias de café, leite, uma grande variedade de sucos, cestas com pães, bolos, frutas, vários tipos de queijos, geleias, creme de amendoim e... Natalie parou diante de uma suculenta torta de nozes. Infelizmente, ela já estava quase acabando. Restavam apenas dois pedaços.

Rapidamente a loira pegou um prato relativamente grande em uma pilha no canto do balcão e alguns talheres. Serviu o primeiro pedaço da torta. E teve que disputar o segundo com um sujeito que se aproximou.

Natalie argumentou dizendo que aquele pedaço já tinha dono, que era do seu marido e que ele já estava à caminho. O sujeito retrucou um pouco, mas se conformou quando Natalie afirmou, em tom ameaçador, que Dean tinha uma arma e que mataria qualquer um por um pedaço de torta. Por aquele pedaço de torta.

Então, depois que o sujeito se afastou assustado, Natalie colocou mais algumas guloseimas no prato e pegou um copo de suco. Em seguida, olhou em volta procurando uma mesa vazia e, quando avistou uma, caminhou até lá. Acomodou tudo em cima da mesa, puxou uma cadeira e sentou. Estava com tanta fome que não esperou mais nem um segundo e começou a refeição.

XXX

Enquanto isso, do outro lado do estado, Sam abria a porta do quarto do hotel com uma das mãos enquanto com a outra, ele equilibrava uma bandeja com o café da manhã.

Aquele hotel também oferecia a refeição aos hóspedes em um salão localizado nos fundos, mas Sam preferiu ir até lá, depois que tomou um banho e se vestiu, e montar uma bandeja generosa para ele e Claire que naquele momento saía do banho vestindo um roupão rosa.

– Ei, bom dia... — cumprimentou ela se aproximando, ficando nas pontas dos pés e dando um selinho carinhoso no marido.

– Bom dia, beautiful. — respondeu Sam depois que Claire afastou o rosto. — Dormiu bem? — perguntou ao lembrar que quando saiu do quarto, a garota ainda estava na cama.

– O sono dos justos. — respondeu ela abrindo um sorriso e, ao ver a bandeja que o Winchester segurava, acrescentou animada — Como você adivinhou que eu estou faminta?

– Deve ser porque eu também estou. — confessou Sam enquanto se aproximava da cama. — Eu queria fazer uma coisa romântica, então pensei em te trazer o café na cama. — completou enquanto sentava e acomodava a bandeja no centro da cama.

Claire se aproximou e sentou de frente para ele. Sorriu antes de pegar uma rosa vermelha que estava sobre a bandeja, perto do suco de laranja e das torradas com geleia de morango. Olhou para Sam enquanto aproximava a rosa do rosto. Fechou os olhos e sentiu o aroma agradável que ela exalava. Depois voltou a encarar Sam e disse:

– Isso sim é romântico. Obrigada.

Em seguida, ela colocou a rosa próxima do seu corpo e voltou-se para a bandeja com muito interesse. Para começar bebeu um pouco do suco. Mas parou quando percebeu que Sam a observava com um olhar apaixonado.

– O que foi? — perguntou Claire um pouco sem graça.

– Sei lá... É que eu ainda não acredito que nós estamos mesmo casados. Parece... Um sonho. — respondeu o caçador.

Claire o encarou carinhosamente, se inclinou um pouco para frente para tocar o seu rosto e envolveu os seus lábios com um beijo suave. Depois afastou o rosto e afirmou:

– Isto é real, meu amor. Nós realmente casamos. — e em seguida, acrescentou em tom divertido — Então se conforma porque você vai ter que me aguentar para o resto da sua vida, entendeu?

– Nossa... Que sacrifício! — brincou ele rindo um pouco.

Em seguida, Claire voltou para o seu lugar e como Sam continuou olhando para ela daquele jeito sereno e distraído, ela indicou uma das xícaras de café com leite, que também havia sobre a bandeja, e avisou sorrindo:

– O seu café vai esfriar.

Sam riu de si mesmo e voltou a si. Pegou a xícara e tomou o primeiro gole. Mas, inevitavelmente voltou a olhar para a esposa. Tudo estava tão perfeito e Sam estava tão feliz que, por um momento, ele sentiu um pouco de medo de que aquilo acabasse. Em sua experiência de vida, quando as coisas estavam perfeitas demais, era sinal de que uma tempestade estava à caminho.

Incomodado com aquele pensamento pessimista, ele fez um esforço para afastá-lo de sua mente e resolveu se concentrar naquele sonho que estava vivendo com Claire. Sonho não, realidade.

No entanto, os dois ficariam apenas mais algumas horas naquele hotel e depois pegariam a estrada. Iriam caçar juntos. Assim como Dean e Natalie, já que os quatro eram caçadores e ficar curtindo a lua de mel como casais normais soava um pouco egoísta.

Infelizmente, o mundo não havia parado só porque eles estavam completamente apaixonados e tinham se casado. Havia trabalho lá fora, monstros para se caçar e vidas para se salvar.

XXX

Natalie saboreou o último pedaço da sua torta fechando os olhos e apoiando as costas na cadeira por alguns instantes. Estava uma delícia.

Quando ela terminou de engolir, abriu os olhos e observou atentamente o pedaço de torta que tinha reservado para Dean. Olhou em volta procurando por ele, mas pelo visto, o caçador ainda estava no banho ou terminando de se arrumar. Então, ela voltou a olhar para a torta e lambeu os lábios enquanto uma ideia tentadora passava pela sua cabeça. Se inclinou na direção do prato e pegou os talheres sobre a mesa. Hesitou.

Natalie ainda se perguntava se devia ou não pegar um pedacinho da torta de Dean quando alguém se aproximou, puxou a cadeira de frente para ela e sentou sem qualquer cerimônia.

– Ei! Este lugar está reservado, seu imbecil. — avisou ela irritada e surpresa com a falta de educação do homem de aparentemente quarenta anos, que tinha cabelos loiros e um rosto quadrado, mas com traços suaves. Ele vestia roupas formais e um terno escuro.

– Desculpe a minha falta de etiqueta, mas tente me entender. — começou o estranho com os olhos fixos nos dela de uma forma um tanto intimidadora, porém fingindo certa empatia. — Eu venho procurando por você há tanto tempo, te rastreando há tantos meses, que quando finalmente eu consigo descobrir onde você está... Regras de etiqueta perdem totalmente a importância, você não acha... Natalie?

Imediatamente a loira sentiu o seu corpo ficar totalmente tenso e um arrepio percorreu a sua coluna. Desconfiada, ela foi um pouco para trás e as suas costas encostaram na cadeira novamente. Seu coração tinha acelerado subitamente. Seus sentidos estavam em alerta.

Na sua experiência como caçadora, ela atiraria primeiro e perguntaria depois. No entanto, ao lembrar que estava em um lugar público e que para piorar, havia deixado a sua arma dentro da mala no quarto, ela resolveu perguntar:

– Como você sabe o meu nome?

– Como eu disse, eu venho rastreando você há muito tempo. — respondeu o homem tranquilamente enquanto Natalie o encarava ainda mais desconfiada e apreensiva. Sem se intimidar, o sujeito continuou — E eu tenho certeza que se você pensar um pouquinho, só por alguns instantes, vai conseguir matar a charada. Por que eu te rastreei? Por que eu estou aqui? O que eu quero? Todas essas perguntas serão facilmente respondidas no instante em que você se perguntar o que realmente importa: quem sou eu?

Natalie sentiu aquele calafrio percorrer o seu corpo mais uma vez quando se fez aquela última pergunta. Ela estava tão feliz com o casamento que por um momento se esqueceu de que era procurada por um certo anjo. Por um anjo que arquitetou o seu resgate quando Abaddon a prendeu naquele cativeiro. Por um anjo que precisava dela para chegar até a Primeira Espada e destruir Abaddon. Por um anjo que tinha a encontrado.

– Bartholomew. — deduziu a caçadora sentindo a sua garganta ficar seca e o seu corpo gelar ao dizer aquele nome.

O anjo sorriu e disse com um sorriso artificial:

– É um prazer finalmente conhecer você, Natalie. Eu nem preciso dizer que nós temos muito o que conversar, não é mesmo? — enquanto a loira o encarava surpresa e apreensiva demais para esboçar qualquer reação, Bartholomew olhou na direção do prato e pegou os talheres das mãos dela antes de dizer animado — Nossa! Está com uma cara ótima! Na verdade, eu nem preciso me alimentar, mas eu espero que você não se importe se eu provar só um pedacinho.

Natalie respirou fundo, tentando conter a tensão que dominava os seus sentidos, e se encolheu um pouco na cadeira tentando ordenar os seus pensamentos e encontrar uma forma de sair daquela situação o mais rápido possível.

Mas, por mais que ela pensasse, não conseguia chegar a nenhuma conclusão. A cada segundo, Natalie sentia-se cada vez mais sem saída...

Notas finais
Pois é, sociedade. Bartholomew está na área e já chegou atrapalhando a lua de mel Deanalie... Este é só o primeiro degrau da escada de complicações e momentos tensos que vão marcar a reta final da fic. A cada capítulo a coisa vai ficar mais punk e outros personagens darão as caras... Sobre Miastiel... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk que anel teimoso! Bem, eu achei muito fofa e engraçada a parte deles no capítulo e sim... Logo logo o Cas vai perceber que o anel foi parar no dedo da Mia... Aiiiiimmm Kevloe, que saudade! Mas como eu disse numas notas aí, eles não iriam ter muita utilidade nos capítulos finais, então achei melhor tirá-los do olho do furacão. Mas na próxima fic, eles voltam, não se preocupem. Apesar da aparição do Bartholomew, achei este capítulo fofo. Deanalie e Clammy em clima de romance... awwnnnttt... Pena que... Não, é melhor eu não deixar escapar nenhum spoiler. Aguardem e verão! Agora quero reviews! Pleaseeeeeeeeeeeee, me façam happy! Pessoal que não comenta há um tempinho, ainda estão por aí? O que estão achando? O que acham que vai acontecer no próximo devaneio? Bjs e sexta-feira tem mais!