Crossfire
9 Conselhos amorosos de Dean Winchester
Notas iniciais
Na manhã do dia seguinte do reencontro com Sam, Claire retomou a pesquisa sobre os antigos moradores daquela casa abandonada em Topeka. Precisava descobrir o que havia acontecido naquele lugar e qual tinha sido a motivação do espírito para matar Audrey Thompson e Joseph Gaye.
Claire estava sentada em uma cadeira de frente para uma mesa no quarto de hotel examinando o conteúdo da caixa que Sam encontrou na casa abandonada. Ela também pesquisava alguns detalhes usando o seu notebook.
Logo Claire descobriu que a antiga moradora se chamava Samara Lewis e que era casada com Oliver Lewis. Os dois tiveram um filho na década de 90. Segundo um dos documentos encontrados na caixa ele se chamava Alexander. Era o primeiro filho do casal. E foi o último.
De acordo com os dados que Claire conseguiu averiguar, Samara teve depressão pós-parto e numa noite quando o marido voltou do trabalho, ele encontrou o filho morto. Samara tinha o afogado na própria banheira.
Na mesma noite, Oliver procurou a polícia, mas quando os policiais chegaram na casa, Samara também tinha se matado. Cometido suicídio na mesma banheira que matou o próprio filho. Talvez por desespero, talvez por arrependimento, talvez pelas duas coisas.
Claire deduziu que foi por isso que o fantasma de Samara matou Audrey Thompson e Joseph Gaye. Porque os dois, de certa forma, também assassinaram o próprio filho, mas através de um aborto. E pelo visto, Samara havia se arrependido do que tinha feito, se tornou um espírito atormentado e agora perseguia aqueles que cometiam erros parecidos com o dela.
Claire parou um pouco a leitura e passou as mãos pelo rosto. Não sabia se teria um filho um dia, mas aquele caso estava mexendo com ela de uma forma que ela não entendia direito. Respirou fundo e decidiu continuar a pesquisa. Ainda precisava descobrir onde Samara Lewis tinha sido enterrada.
Enquanto ela voltava a mexer nos documentos e a ler algumas reportagens da época pela Internet, Sam abastecia o carro no posto de uma cidade vizinha. Em seguida, ele voltou para o veículo, mas quando ia dar partida, hesitou. Uma parte dele queria continuar a viagem e não ver Claire nunca mais, e a outra parte se perguntava se ele não tinha sido duro demais com a garota. Além disso, Sam não queria admitir, mas a ideia de que Claire estava caçando sozinha o preocupava um pouco. Na verdade, muito. Ele tinha medo de que alguma coisa acontecesse com ela.
Pensando em tudo isso, ele pegou o celular no porta-luvas e resolveu ligar para o irmão em busca de algum conselho.
– Oi, Dean... — começou ele.
– Ei! Sammy! Eu ia mesmo te ligar. — disse o irmão mais velho assim que atendeu. — Adivinha? Eu encontrei a Natalie! Awesome, não?
Por um momento Sam esqueceu os seus problemas e ficou feliz ao ouvir aquilo. Dean devia estar muito aliviado por finalmente ter encontrado a noiva e Sam estava feliz pelos dois.
– E como foi isso? A Natalie está bem? O que aconteceu com ela? — quis saber o mais novo.
– Ah! É uma longa história. Eu te conto tudo no bunker, ok? Mas o importante é que a minha baby está ótima. — respondeu Dean. — E você? Por que está ligando? Algum problema?
Sam pensou um pouco antes de responder:
– Digamos que eu também reencontrei uma pessoa. Ontem em Topeka.
Dean pensou um pouco e ao deduzir de quem o irmão estava falando perguntou:
– Como a Claire está?
– Bem e... Caçando. — respondeu Sam.
– E como você está? — tentou sondar Dean.
Sam pensou um pouco e respondeu:
– Eu não sei. Confuso e com raiva, eu acho. — e depois de uma pausa contou um tanto indignado — Ela... Deu a entender que quer que as coisas voltem a ser como eram antes, Dean.
– E qual é o problema, Sammy? Por acaso não é isso que você quer também? — argumentou o mais velho.
– A questão não é o que eu quero, Dean, mas sim o que ela fez. A Claire tomou uma decisão e foi embora. E então agora ela aparece do nada, diz que está arrependida e acha que isso resolve tudo? — contrapôs o mais novo.
– Pode não resolver tudo, mas já é um começo. — opinou o Winchester mais velho fazendo o irmão ficar pensativo. — As pessoas não são perfeitas, Sammy. Elas erram, às vezes. Mas se a Claire se mostrou arrependida e se você ainda arrasta aquele bonde por ela, então por que não dar uma segunda chance ao amor?
Sam franziu a testa e riu levemente antes de dizer:
– Obrigado pelo conselho, Dean... Mas eu não devia ter ligado. Você está sob o efeito Natalie Jones e é claro que vai me dizer para dar uma segunda chance ao amor.
– O conselho de verdade vem agora, Sammy. — anunciou Dean. — Sabe do que você e a Claire precisam? De sexo.
Sam riu incrédulo e ressaltou:
– Como eu disse, efeito Natalie Jones.
– E por que você não se deixa levar pelo efeito Claire Singer também? — desafiou Dean. — Acredite, Sammy, o sexo tem poder, ele pode curar qualquer crise e ainda faz bem para a pele, para o corpo, para os cabelos...
– Dean... Você ouviu o que eu disse? Que eu estou com raiva da Claire? — salientou o mais novo.
– Então coloque a raiva para fora, Sammy. Diga para a Claire tudo que está engasgado, tudo que está guardado aí até não restar mais nada para se dizer. E então... Depois que a raiva tiver passado completamente... Bem, depois você sabe o que deve fazer, garotão. — aconselhou Dean.
– Sabe... Eu acho melhor eu desligar. — tentou encerrar Sam.
– Ah! Só mais uma coisa. — anunciou Dean. — Conselhos à parte, Sammy, o que você tem que se perguntar é o seguinte: O que é mais fácil? Perdoar a Claire ou esquecê-la para sempre?
Depois que os dois desligaram, Sam ficou pensando sobre aquela pergunta. E por mais que ele ainda estivesse com raiva e magoado, era óbvio que ele não conseguiria esquecer Claire. Ela não era uma mulher para ser esquecida, ela era a mulher da sua vida. Então se ele não era capaz de esquecer Claire, que opção restava?
Enquanto Sam pensava sobre isso, Natalie estava deitada numa cama de um hotel folheando uma revista. Ao perceber que Dean havia desligado o celular, ela abaixou a revista e olhou para ele antes de dizer:
– O sexo tem poder? O sexo cura? Sério, Sr. Awesome, que tipo de conselhos você tem dado para o meu futuro cunhado ultimamente?
Dean colocou o celular sobre a cômoda e enquanto se aproximava da cama respondeu com certa malícia:
– Ah... Com a gente funcionou.
Natalie sorriu e concordou:
– Isso é verdade. Funcionou muito bem, aliás.
Dean deitou ao lado da loira e passou um braço em volta dela antes de perguntar:
– Eu posso saber o que você está vendo nesta revista?
Natalie entregou a revista para ele e respondeu:
– Vestidos de noiva. — e enquanto Dean folheava as páginas e olhava os modelos, ela perguntou — Isso vai mesmo acontecer? Eu quero dizer... Eu e você numa igreja, alianças, padre, chuva de arroz, latas penduradas na traseira do Camaro?
– Do Impala. — corrigiu Dean prontamente.
Natalie o encarou e sugeriu:
– Ok, depois nós discutimos este detalhe. — e após uma pausa retomou o assunto — Mas o que eu preciso saber é se isso está mesmo acontecendo ou se é algum tipo de sonho, Dean. Nós vamos mesmo casar?
– Você disse SIM, lembra? Agora não tem como voltar atrás, baby. Você vai ser minha para sempre. Se conforma. — respondeu Dean sorrindo para ela. E voltando a folhear a revista, perguntou — Mas então? Você gostou de algum vestido?
– Na verdade... Não. — confessou Natalie. E quando Dean olhou para ela de novo, a loira explicou — É que... Eu achei eles muito tradicionais, sabe? Não tem muito a ver comigo. — e depois de uma breve pausa, acrescentou — O problema é que eu nunca pensei em como eu queria que fosse o meu vestido de noiva, porque eu nunca pensei que eu fosse casar um dia. Por causa dessa vida de caçar coisas, você sabe. Mas já que você insistiu tanto e quer casar comigo de qualquer jeito e mais do que tudo no mundo, então eu acho que eu tenho que estar no mínimo... Sensacional no meu grande dia. E para isso eu preciso de um vestido decente. Mas está muito difícil encontrar algum modelo que preste...
Dean observou Natalie por alguns instantes antes de protestar:
– Eu não insisti muito, você que aceitou rápido demais. Mas tudo bem, Naty, eu entendo. Quando Dean Winchester te pede em casamento, não dá para ficar pensando por muito tempo.
– Convencido. — xingou ela dando um leve tapa no ombro dele.
Os dois sorriram e se olharam profundamente por alguns instantes. Em seguida foram ficando sérios até que Dean quebrou o silêncio:
– Sabe de uma coisa? Eu acho que o vestido pode esperar um pouco. Não é tão urgente. Depois você pensa nele.
– Depois? — repetiu Natalie.
– É, depois. Porque existem coisas mais importantes que nós temos que fazer até o grande dia. — argumentou Dean.
– Como o quê? — interessou-se Natalie.
– Como... Ensaiar a nossa lua de mel, por exemplo. Isso sim é importante, Naty. Aliás, eu acho que nós temos que ensaiar todos os dias e em todo o tempo livre que tivermos até lá. O que você acha? — propôs Dean.
Natalie sorriu, pegou a revista das mãos dele e a jogou no chão. Em seguida, foi para cima de Dean ficando com as pernas em volta da cintura do caçador. Então, se aproximou mais deixando seus rostos bem próximos um do outro, antes de responder:
– Eu acho que é uma ótima ideia.
– Eu sabia que você ia gostar, futura Sra. Awesome. — respondeu ele.
Então Dean segurou o rosto de Natalie e o trouxe para perto do seu. Beijaram-se apaixonadamente e rolaram pela cama abraçados...
Depois de namorarem a manhã inteira, os dois deixaram o hotel, foram até uma lanchonete, almoçaram e retomaram a viagem rumo a Lebanon.
XXX
Era madrugada e Claire estava em um dos cemitérios de Topeka terminando de cavar o túmulo de Samara Lewis. Ainda de manhã, a caçadora havia descoberto que Samara tinha sido enterrada ali, mas achou mais prudente ir até o cemitério naquele horário para não ser vista. Era assim que os caçadores faziam geralmente e foi isso que Sam lhe ensinou também.
Assim que tirou o máximo de terra possível, Claire usou a pá para abrir a tampa do caixão revelando os restos mortais de Samara. Em seguida, ela passou a mão pela testa que estava um pouco suada e saiu da cova. Deu alguns passos e se abaixou para pegar querosene, sal e um isqueiro dentro de uma mochila que havia deixado ao lado do túmulo momentos antes.
Ao se levantar, Claire sentiu um vento passar por ela e um forte arrepio percorrer o seu corpo. Olhou em volta e respirou fundo. Quando soltou o ar, uma fumaça branca saiu de sua boca como se aquela fosse uma severa noite de inverno. Só que não era. E mesmo assim, havia ficado muito frio de repente.
Claire sabia exatamente o que aquilo significava e por isso resolveu se apressar. Começou a despejar o líquido inflamável dentro do caixão e depois jogou o sal. Mas quando ia acender o isqueiro, o fantasma de Samara Lewis apareceu a alguns metros e se aproximou rapidamente dela.
A caçadora conseguiu acender o isqueiro, mas quando ia jogá-lo na cova, o fantasma chegou mais perto e empurrou a garota violentamente. Com isso, Claire bateu as costas em um dos túmulos perto daquele caindo sentada. Gemeu devido a dor do impacto com o mármore e viu que o isqueiro tinha se apagado e caído próximo dos seus pés.
Claire olhou para o objeto e para o fantasma vindo rapidamente na sua direção e seu coração acelerou devido à adrenalina daquele momento. Se esticou para pegar o isqueiro, mas antes que conseguisse alcançá-lo, um disparo ecoou pelo cemitério e acertou o fantasma certeiramente.
O espectro se dissipou e Claire olhou para alguns túmulos mais adiante de onde o barulho do disparo parecia ter vindo. Logo Sam surgiu detrás de um deles e começou a se aproximar enquanto abaixava a arma e olhava para Claire com certa preocupação.
Claire o olhou confusa e surpresa ao mesmo tempo. Estava feliz por ver que Sam havia voltado, mas não entendia o que poderia ter feito o caçador mudar de opinião. O que ele estava fazendo ali? Ele tinha sido bem claro no dia anterior. Sobre não conseguir perdoá-la. Sobre não existir nenhuma possiblidade de reconciliação, de um recomeço entre eles.
Claire pensava nessas coisas quando o fantasma reapareceu entre os dois. Sam parou de caminhar e ela pegou o isqueiro rapidamente. Ele ia atirar contra o fantasma novamente, mas não foi necessário porque Claire jogou o isqueiro aceso dentro da cova antes disso.
O fantasma gritou e ergueu as mãos enquanto queimava até desaparecer por completo diante de Sam e Claire. E então, sem mais nada entre eles, os dois se olharam profundamente enquanto o fogo crepitava dentro do túmulo de Samara Lewis.
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