Crossfire
14 A verdade machuca
Notas iniciais
Enquanto Mia e Castiel continuavam se olhando em silêncio, Sam pigarreou, levantou, olhou para a noiva e disse:
– Claire, vamos arrumar as coisas para a viagem? Nós temos um caso pela frente, lembra?
– Claro! Vamos. — concordou a garota se levantando também.
Os dois começaram a sair, mas Sam parou na porta, voltou-se para o irmão e o chamou:
– Dean. Você não tem outras coisas para fazer agora?
O Winchester mais velho deu uma mordida numa panqueca e respondeu de boca cheia:
– Não. Por quê?
– Dean. — repreendeu Sam fazendo o irmão entender que era melhor deixar Mia e Castiel sozinhos.
– Ah! Claro! Eu quase esqueci! Na verdade eu tenho que consertar a... Um móvel aí. — lembrou Dean.
Em seguida, ele engoliu a panqueca com um gole de café e levantou. Olhou para Natalie e perguntou:
– Você vem, baby?
– Sim! Só um minuto. — disse ela e então levantou, pegou algumas coisas para beliscar, um copo de suco e acompanhou Dean.
Finalmente sozinha com Castiel, Mia tomou coragem e começou:
– Eu sei que você deve estar com raiva de mim, mas por favor, me deixe explicar.
– Não se dê ao trabalho, Mia. — dispensou Castiel com certa indiferença. — Eu vi o seu carro lá fora, entrei e ouvi o começo da conversa. Eu sei por que você foi embora. No fundo, eu já desconfiava que você tinha ido atrás da minha graça. Sinto muito que a sua busca tenha sido em vão.
Mia apoiou as mãos na cadeira e olhou para o chão por alguns instantes antes de voltar a olhar para Castiel e dizer:
– Então aquelas coisas que eu sonhei... Aquelas coisas que fizeram com você... Já aconteceram?
– Sim. — confirmou ele. — Como eu disse, eu fiz o que precisava ser feito e consegui escapar. Eu... Peguei a graça do Theo, e ela tem servido bem ao seu propósito até agora. Eu voltei a ser um anjo, Mia. Ainda não é como antes, eu não tenho as minhas asas, mas já é um começo. — e depois de uma breve pausa, mudou um pouco de assunto — Mas eu estou curioso. Por que você não voltou para o bunker depois que o seu plano fracassou? Depois que o Metatron te enganou? Por onde você andou este tempo todo?
Mia deu alguns passos a frente. Muitas coisas tinham acontecido com ela desde que foi embora, mas ela achou melhor contar apenas a parte mais importante:
– Eu tentei voltar, Cas. Eu juro que eu tentei. Mas os anjos... Eles estão por toda a parte. Eles sabem sobre mim e você. Então toda vez que eu me aproximava um pouco, eles apareciam. Eles me rastrearam e me seguiram inúmeras vezes tentando encontrar você e eu tive que fugir e me esconder por uns tempos. Para te proteger, só por isso. Mas eu nunca desisti de voltar e depois do sonho que eu tive, eu precisava tentar mais uma vez. Eu fiz um trajeto quatro vezes maior do que o normal para estar aqui hoje, Cas. Eu encobri todos os rastros possíveis e finalmente consegui voltar. E durante este tempo em que eu fiquei afastada, eu tentei encontrar o Metatron de novo. Porque eu nunca desisti de recuperar a sua graça, Cas. De te ajudar. Eu sinto muito por não ter conseguido e por ter falhado com você. Por ter voltado de mãos vazias.
Castiel permaneceu em silêncio por algum tempo absorvendo as explicações da garota até que voltou a olhá-la e esclareceu:
– Eu não quero parecer ingrato, mas eu não lembro de ter pedido a sua ajuda, Mia. Recuperar a minha graça é um assunto meu. Mas se mesmo assim você queria me ajudar, então você devia ter me contado sobre os seus planos e nós teríamos pensado em alguma coisa. Juntos. Mas você preferiu agir sozinha mesmo quando o maior interessado era eu. Por que você fez aquilo, Mia? Você achou que eu só te atrapalharia, não é?
Mia deu mais um passo a frente e transparecendo certa preocupação argumentou:
– Cas... Você era humano, frágil, vulnerável. Os anjos estavam te caçando. Ainda estão, na verdade. Eu só quis te proteger. Eu achei que você não teria qualquer chance contra eles. E convenhamos, você não tinha mesmo.
Mia sentiu que ouvir aquilo machucou Castiel de alguma forma e se arrependeu por não ter medido melhor as palavras. Talvez por isso ele demorou um pouco para continuar:
– Eu sei que como humano, eu era vulnerável, mas... Mesmo vulnerável, eu consegui enganar o Malachi, o Theo e virar o jogo ao meu favor, Mia. Eu só queria que você tivesse tido um pouco mais de fé em mim. Na minha capacidade de lidar com esta guerra. Portanto, você não falhou comigo quando não conseguiu recuperar a minha graça. Você falhou quando decidiu procurá-la sem mim. Quando foi embora daquele jeito, decidindo o que era melhor para mim, como se eu não pudesse tomar as minhas próprias decisões e lidar com elas. Mas como você pôde ver, eu sou capaz disso, Mia. Eu sobrevivi, estou bem e você não precisava ter se preocupado tanto. — os dois se olharam por alguns instantes até que Castiel tentou encerrar — Eu acho que nós terminamos.
Então ele começou a se afastar, mas Mia o seguiu insatisfeita com o rumo que aquela conversa tomou. Pensando nisso, ela recomeçou:
– Cas, espera! Olha, você tem razão, ok? Eu devia ter confiado mais em você e ter dito a verdade. E eu sei que eu feri o seu orgulho e que você está com raiva, mas...
Castiel parou, se virou e a interrompeu:
– Você acha que é disso que se trata? Raiva? Tudo bem, eu admito, até há alguns minutos eu estava com raiva de você, mas agora... Eu não sei, Mia. Olha, eu não te odeio, nem te quero mal, mas a verdade é que eu estou cansado disso tudo. Cansado de você, de tentar entender o que se passa na sua cabeça e por que você faz essas coisas. E eu não quero parecer pretensioso, mas já que você finalmente resolveu voltar, eu me sinto na obrigação de deixar uma coisa bem clara. Eu e você... Acabou.
– Acabou? — repetiu Mia sentindo um nó crescer na sua garganta. — Você quer dizer que... Vai precisar de um tempo? É isso? Um tempo para conseguir me perdoar e... Recomeçar de onde a gente parou?
Castiel a olhou com certa compaixão. No fundo, por mais que estivesse decepcionado com Mia, ele não queria magoá-la. Mas precisava ser sincero e então respondeu com cuidado:
– Não. Não é isso o que eu quero dizer. Sabe... Você sempre me cobrou honestidade, Mia. Lembra quando eu não te contei que o Crowley estava aqui? Foi difícil te convencer a me perdoar, por mais que eu só quisesse te poupar de um estresse desnecessário. E então... Você me fez prometer que nós dois só diríamos a verdade, que não teríamos mais segredos um com o outro. Mas então... Quando era a sua vez de ser honesta, você preferiu agir pelas minhas costas. As regras que você cria nunca se aplicam a você, Mia, só a mim. E eu estou realmente cansado disso. Pra mim não dá mais. Eu sinto muito...
– Mas... Eu fiz o que eu fiz, por amor. Eu errei por amor. — argumentou ela sem saber mais o que dizer para reverter aquela situação.
– Eu acho que nós temos que parar de colocar a culpa no amor, Mia. Porque ele não é tudo e, portanto, não pode justificar todos os nossos erros. O amor é só uma parte. Uma parte que não sobrevive sem confiança e sinceridade. — expôs Castiel.
Mia o olhou um tanto confusa e questionou:
– Então você está dizendo que... Não me ama mais?
– Eu estaria mentindo se dissesse isso. Eu ainda te amo. — confessou Castiel, mas em seguida ponderou — Mas como eu disse, o amor não é tudo. E a verdade é que... Eu não confio mais em você, Mia. Porque se você entregou a Tábua dos Anjos para o Metatron pensando que estava me ajudando, quem sabe o que fará da próxima vez? Desculpe, mas eu não quero pagar para ver. Eu não quero que você tente me salvar de novo, porque eu não preciso que você me salve. Eu também não quero que você coloque esse amor acima de qualquer coisa. Eu só quero que você seja feliz e me deixe ser o soldado que eu sempre fui. Com ou sem a minha graça, você acreditando ou não na minha capacidade, eu sou um soldado, Mia. Em uma guerra. Eu sou um anjo e... Isso me lembra que... Nós também fomos longe demais com esta relação. No fim, é melhor assim. Parar por aqui antes que alguém se machuque ainda mais.
Mia sentiu que sua visão estava um pouco embaçada por causa das lágrimas que queriam sair dos seus olhos. Não tinha certeza se havia entendido direito, mas a parte em que Castiel disse que não confiava mais nela, a machucou profundamente. Com raiva, ela controlou aquela vontade de chorar, arrancou um colar que usava, empurrou contra o peito de Castiel e gritou:
– Tudo bem! Já que é assim, não faz sentido continuar usando esta porcaria brega!
Castiel segurou o colar e o reconheceu. O pingente formava as palavras Miastiel Forever. Mia se afastou com raiva e depressa indo em direção à porta.
– Porcaria brega? — repetiu Castiel um tanto ofendido e depois de se virar, questionou — Ei! Aonde você vai? Fugir de novo?
Mia parou na porta e se virou antes de responder ainda mais irritada:
– Você esperava que eu ficasse depois de ter ouvido essas coisas?!
– Você esperava que eu te recebesse de braços abertos depois do que você fez?! — exaltou-se Castiel perdendo a calma que tentou manter até aquele momento.
– Não! — gritou ela e depois de se acalmar um pouco, completou — Eu não sei o que eu esperava, mas com certeza não era isso. Talvez um pouco mais de compreensão. Mas tudo bem... Você está certo. Talvez seja melhor assim. Para falar a verdade, eu já me sinto bem mais leve. Eu não sei se por ter tirado esse colar ridículo do pescoço ou se por finalmente poder parar de preocupar com você. E eu não estou fugindo de novo, Cas. Mas já que você está bem e que nada mais me prende aqui, eu acho melhor eu ir embora de vez.
Mia se virou e enxugou os olhos com a manga da blusa antes que as lágrimas escorressem pelo seu rosto. Deu um passo em direção à porta, mas Castiel a alcançou e segurou o seu braço a fazendo voltar. Ela respirou fundo tentando não chorar e ele recomeçou com calma:
– Você não precisa ir embora assim, Mia. Depois de tudo que você passou para chegar aqui... E se os anjos continuam me procurando e te usando para isso, é mais seguro você ficar. Independente da nossa relação ter acabado, eu não quero que você se machuque por minha causa. Então fique.
Mia se desvencilhou dele e disse com raiva:
– Qual é o problema? Você acha que eu não sou capaz de sobreviver lá fora? De cuidar de mim mesma e de despistar uns anjos idiotas? Sabe, Cas, eu adoraria que você também tivesse um pouco mais de fé em mim e na minha capacidade de lidar com esta guerra!
– Não distorça as coisas que eu falei. São situações completamente diferentes. — argumentou o anjo.
– Não, você está enganado. São exatamente iguais. — afirmou a garota.
Castiel franziu a testa confuso sentindo que Mia estava escondendo alguma coisa e questionou:
– O que você quer dizer com isso?
E então Mia decidiu contar a outra parte da história:
– Você quer sinceridade? Você quer a verdade? Pois a verdade é que eu também fui capturada por anjos, Cas! Torturada por eles! Mas assim como você, eu também consegui escapar. Surpreendente, não?! Você não quer que eu me machuque por sua causa? Tarde demais. Isso já aconteceu! Quando o Metatron me enganou e me deixou desacordada no meio do nada, adivinha aonde eu acordei? Em um calabouço de tortura parecido com aquele em que você esteve! Os anjos que estavam rastreando o Metatron me encontraram e me levaram para lá!
– O Malachi te torturou também? E por minha causa? — indagou Castiel sentindo certa culpa por Mia ter passado por aquelas coisas para protegê-lo.
Arrependida por ter contado aquilo, ela hesitou um pouco. Não queria que Castiel se sentisse culpado e no fundo só queria esquecer que aquilo tinha acontecido com ela. Mesmo porque aquilo não tinha nada a ver com Castiel, mas sim com o fato de que ela foi burra e confiou no Metatron. Mas já que havia começado, agora ela iria até o fim e por isso respondeu:
– Não foi o Malachi. Foi outro anjo... Bartholomew. E na verdade não foi ele que me torturou porque ele não é o tipo que suja as mãos. Mas ele estava lá... Assistindo. Não o tempo todo também.
– E como você escapou? — quis saber o anjo sentindo um ódio profundo por Metatron ter colocado Mia naquela situação e por Bartholomew ter a prendido em algum lugar e comandado a tortura.
Mia lembrou de como tudo havia acontecido e sentiu um arrepio percorrer o seu corpo. Lembrou dela amarrada sobre uma cama, com vários ferimentos no abdômen e de ter visto algo no bolso do casaco do anjo que se preparava para torturá-la mais uma vez.
De como foi difícil pegar a espada contra anjos que ele escondia ali porque as suas mãos estavam amarradas nas laterais da cama. E depois de como foi difícil manter o sangue frio para esperar o momento certo e só então golpeá-lo em uma das mãos, o deixando desnorteado.
E enquanto o anjo se recuperava do golpe e da surpresa, Mia soltou uma das mãos cortando as cordas com a espada e quando ele tentou se aproximar, ela o golpeou de novo e o anjo recuou.
Lembrou dela terminando de se soltar e de ter empurrado o anjo com força contra uma das paredes. E de que quando ele partiu para cima dela novamente ela...
– Eu também fiz o que precisava ser feito. — respondeu Mia por fim sem querer entrar em detalhes.
Depois de ter matado aquele anjo, e apesar de ferida, Mia ainda encontrou forças e auto controle para fazer um sigilo enoquiano em uma das paredes e mandar os anjos que apareceram em seguida para bem longe.
Depois que saiu daquele lugar, ela procurou um hospital para cuidar dos ferimentos, mas não ficou muito tempo por lá porque tinha medo que os anjos fossem atrás dela de novo. Então terminou de se recuperar em um quarto de um hotel com alguns medicamentos que roubou do hospital antes de fugir.
– Mia... Eu sinto muito. — lamentou Castiel dando mais um passo na direção da garota, mas ela recuou.
– Eu não quero que você fique com pena de mim. — esclareceu ela na defensiva. — E nem que se sinta a última Coca-Cola no deserto porque eu não estava protegendo só você, gênio. Os anjos estavam procurando por outra pessoa também e eu não entendi muito bem por que, mas...
– Que pessoa? — questionou Castiel.
Neste momento, Dean desceu as escadas, se aproximou dos dois e indagou:
– E então? Já fizeram as pazes? Por que vocês ainda estão vestidos? — mas ao sentir certa tensão entre Mia e Castiel, ele reformulou — O que aconteceu?
– A Mia foi torturada por anjos. — revelou Castiel achando aquilo mais importante do que contar que ele e a garota haviam terminado.
– Você o quê?! — surpreendeu-se o caçador olhando preocupado para Mia.
– Não importa. Eu já estava de saída, Dean. Mas tem uma coisa que você precisa saber. — anunciou Mia e então explicou rapidamente porque queria sair dali o mais rápido possível. — Por algum motivo, um anjo chamado Bartholomew está procurando pela Natalie. Enquanto eu estava... Presa, ele me disse que tinha enviado um anjo para resgatá-la das mãos de Abaddon, mas que na confusão, a Natalie sumiu e o anjo foi morto. E desde então o Bartholomew tem tentado encontrá-la. Eu não sei por que, mas se tem alguma coisa a ver com esta maldita guerra, eu acho que logo o Malachi e os aliados dele irão procurar a Natalie também. Então... Você já sabe. Proteja a sua baby. Agora eu preciso ir.
Mia deu as costas e caminhou em direção a porta, mas Castiel tomou a sua frente e Dean disse:
– Como assim você precisa ir? E como assim esses anjos estão atrás da Naty? Por quê? E vai calma aí, Mia. Você acabou de voltar e já quer ir embora? Além disso, se os anjos te pegaram uma vez, com certeza eles vão tentar de novo. Você está em perigo e é melhor ficar aqui.
– É isso que eu estou tentando dizer para ela. Mas por algum motivo ela não quer me ouvir. — disse Castiel.
– Por algum motivo?! — repetiu a garota indignada. — Eu mal consigo olhar para a sua cara e você ainda quer que eu te dê ouvidos?! Já não basta ter partido o meu coração? Agora você quer que eu fique? Pra quê? Para tripudiar em cima dele? Não, obrigada!
– Eu não queria te magoar, Mia. Mas não pense que está sendo fácil para mim. Você também partiu o meu coração. Como você acha que eu fiquei quando você foi embora?! E o como você esperava que eu fosse reagir quando te visse de novo?! — defendeu-se Castiel se exaltando um pouco.
– Eu já disse que eu não sei o que eu esperava! E também não sei por que eu voltei! — gritou Mia. — Se arrependimento matasse...
– Ei! Ei! O que aconteceu com vocês? — interveio Dean. — Vocês são os coelhos, lembram? Então ou vocês fazem as pazes logo e param com essa discussão ou eu vou trancar os dois em um quarto e jogar a chave fora, entenderam?!
Mia cruzou os braços e olhou Castiel com certa mágoa antes de voltar-se para o Winchester e dizer um pouco mais calma:
– Desculpe, mas eu não posso ficar nem mais um minuto aqui, Dean. Eu não consigo. Eu realmente preciso ir.
Então Mia se virou na direção de Castiel, mas ao tentar passar por ele e alcançar a porta, o anjo tocou a testa da garota com a ponta do dedo indicador. Mia fechou os olhos automaticamente e Dean a segurou antes que ela caísse no chão.
– Que diabos, Cas! — resmungou ele. — Você sabe mesmo como convencer uma garota a ficar, hein?
– Ela não me deu escolha. — justificou-se Castiel e depois de pegá-la no colo, olhou para Dean e pediu — Pegue as malas dela no carro. Eu vou levá-la para o quarto.
– Eu não quero ser você quando ela acordar. — disse Dean andando até a porta.
Momentos depois, Castiel entrou no quarto que costumava dividir com Mia e a deitou com cuidado sobre a cama. Depois pegou a chave do carro que estava no bolso da jaqueta dela e a guardou no bolso do seu sobretudo.
Castiel queria se certificar de que Mia não tentaria ir embora de novo quando acordasse, embora entendesse os motivos dela para querer fazer isso. Ele tinha lhe dito coisas no mínimo duras de se ouvir.
Mas por outro lado, ela mereceu ouvir cada palavra. Aquela conversa foi necessária para esclarecer as coisas entre eles de uma vez por todas. E agora tudo o que ele queria era colocar uma pedra naquele assunto e naquela relação.
Ele lamentava profundamente que Mia tivesse sido torturada por causa dele, mas não conseguia esquecer o quanto sofreu quando ela foi embora daquele jeito. A falta de fé que ela teve nele também o machucou.
Castiel ficou pensando nessas coisas enquanto via Mia dormir e mexia no bolso do sobretudo sentindo ora a chave do Mustang ora o colar que havia dado para ela no último aniversário da garota.
De repente, Dean entrou no quarto carregando uma mala grande e Castiel se afastou da cama. Depois de colocar a mala em um canto do quarto, Dean perguntou:
– Por quanto tempo ela vai dormir?
– Eu não sei. Ela dirigiu por dois dias e algo me diz que não parou para descansar. Deve estar exausta. — supôs o anjo.
Depois de um momento em silêncio, Dean disse:
– Cas, eu não sei o que vocês dois conversaram exatamente, mas você ainda gosta da Mia e ela com certeza ainda gosta de você. Eu não estava brincando quando falei em trancá-los até vocês se entenderem. Mas eu vou dar uma chance para vocês fazerem isso de livre e espontânea vontade. Então quando ela acordar...
– Dean. — interrompeu Castiel. — Acabou. E eu não estou dizendo isso por causa do que a Mia fez. Mas por tudo. Eu não quero que ela se preocupe comigo, que se arrisque por minha causa, muito menos que se machuque de novo. Eu sei que eu disse coisas que a magoaram, mas eu disse a verdade. E a verdade é que Mia e Castiel não dão certo juntos. Essa relação não faz bem para ela nem para mim. Acabou. É melhor assim.
Então Castiel olhou mais uma vez para a garota na cama e em seguida deixou o quarto. Instantes depois, Dean também saiu e fechou a porta. Vincent, que estava escondido embaixo da cama, saiu de lá e se acomodou perto de Mia, que continuou dormindo profundamente.
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