Crooked

13 Well you can try to sink down deeply and find the children lost at sea


Notas iniciais
AEEEEEEEE FINALMENTE, UM UPDATE! Desculpa gente, eu me enrolei um pouco com 3940394323774932 projetos que eu estou fazendo e, como notaram, agora eu tenho mais uma fanfic de Percy Jackson me atazanando pra ser acabada só que de solangelo. Bom... Sobre esse capi, achei que ficou ruim, sinceramente. Não por falta de revisão, mas é por que eu sai um pouco do clima da fic, o que é meio triste, mas acho que não vai ser assim no próximo capítulo, que também vai ser o último. Sim, exatamente. Você leu certo. O PRÓXIMO VAI SER O ÚLTIMO. Para preparar vocês, essa é a música do último: https://www.youtube.com/watch?v=jVJo1MldhQk Ele vai ser looooongo... Mas já decidi que ele vai ser o último e pronto e acabou. Ah, vai ter um epílogo mesmo, but whaterever -q Em fim, aproveitem.

"Find the children who discretely
Be killed in infancy
To stop them holding you and screaming
That you'll lose your wildest dreaming
Still reminding me what I feel
How he left without reasons"
– Lifeforms– Daughter



– Qual o problema dessa coisa? — Nico resmungou. — Eu estou me sentindo melhor.

Ethan revirou os olhos enquanto guardava a pequena injeção dentro da maleta novamente, fechando-a. Ele a colocou de baixo da cama, sendo observado por Nico que massageava a pele próxima à abertura. Ela queimava e pinicava, como se formigas estivessem passeando por ali e o mordendo, mas Nico já havia verificado mais de uma vez e tinha certeza que era só o seu psicológico destruído.

– Você realmente não devia estar reclamando. — Ethan finalmente respondeu, apertando os dedos uns contra os outros, sem querer encarar Nico. Nico crispou os lábios, ignorando as sensações ruins e tentando se focar nas boas. Não se sentia tão fraco fisicamente, estava quase num estado normal graças àquela medicação.

Não podia dizer o mesmo sobre a mente há muito tempo. Mas ele conviva com isso. Com um estado físico decente, pelo menos, o peso tornava-se mais fácil de se carregar — esse fácil continua na linha do difícil, só dizendo.

– Acho que não quero saber onde vocês arrumaram esse remédio. — Nico comentou. — Eu só fico preocupado com o que vocês fazem, acho que sempre foi assim.

Ethan arqueou a sobrancelha.

– O Percy disse alguma coisa?

– Qual o problema com ele? — Nico franziu o cenho. — Não! Eu estou dizendo isso por mim mesmo. Eu pareço com alguém influenciável para vocês?

– Engraçado dizer isso agora.

– Ethan. — Nico o forçou a olhar para si. — Isso não vai dar certo, okay? Eu preciso de você.

– Nico, você precisa entender uma coisa: Não pode dar sem receber. Eu não posso te ajudar em algo que eu não concordo.

– Você não sabe no que eu estou pensando.

– Sério? — Ethan deu um sorriso irônico e amargurado. — Está pensando em buscar Percy e falar com o seu pai pela a última vez antes de ir embora da cidade, fugir dessa história toda.

– O jeito que você fala é tão injusto. — Nico grunhiu. — Eu não sou obrigado a ouvir isso.

– Nem eu ver você fazendo a coisa errada! — Ethan exclamou, segurando o braço dele. — Você realmente não entende ou não quer entender?

Ethan e Nico caíram num silêncio tenso, o asiático fitando profundamente os olhos de Nico, com uma expressão dura e difícil de ler. Por mais que Nico entendesse seu ponto, ele não entendia seus pensamentos. Havia algo que Ethan não estava dizendo e ele tentou deduzir naquele momento, mas foi mais rápido do que esperava.

– Hey, as coisas pioraram. — Luke entrou no quarto como um rompante, com uma preocupação palpável expressada no rosto. — Parece que está tendo uma comoção na cidade. E que envolveram SFP nisso.

– Mas não existem SFP em Olímpia. — Ethan estava em pé num instante, o cenho franzido. Nico estava atrás dele, a mente tentando trabalhar rápido de mais. — Ah. Ah, caramba. A gente precisa ir agora. — ele olhou para Nico. — Precisamos ver o seu pai antes que a merda pare no ventilador.

– Por que?

– Por que a única coisa que os malditos zumbis sabem fazer, — ele falava rápido de mais, indo até uma cadeira e pegando seu casaco e jogando o de aviador para Nico. — é sair comendo gente. Luke, você precisa ir para a cidade parar essa merda toda.

– Eu sei. — Luke suspirou. O peito dele subia e descia enquanto lutava para não perder o ar, exatamente como Nico fizera antes. Ethan puxou Nico para fora do quarto antes que ele pudesse pensar em mais alguma coisa e, quando notou, eles estavam entrando no bosque novamente. Lembrava-se de um caminho alternativo dos fundos da sua antiga casa que levava ao bosque, mas seu pai não morava mais lá.

Não fazia ideia para onde iam e qual motivo.

– Ethan, espera ai! O que está acontecendo?!

– Nico, olha. — Ethan virou para encará-lo, segurando os ombros dele. — Por enquanto, você precisa se acalmar e pensar em coisas mais importantes. Por que eu mesmo estou surtando. Então... Não importa o que você pretende fazer, precisa ir comigo.

Nico tirou a mão de Ethan do seu ombro, por que estava o incomodando. Mesmo com a pele protegida pelo casaco de aviador, ele podia sentir o toque fantasmagórico arrepiar seus pelos imaginários e desacelerar o ritmo do coração tão inexistente enquanto. Incomodava e ele não precisava daquilo.

Abriu a boca para fazer a pergunta mais óbvia no momento: "E Percy?" e se arrependeu. Ethan ainda era seu amigo, Nico precisava lembrar que aqueles relacionamentos ainda existiam, só ele que teimava em matá-los. Nunca iria enganar Nico ou afastá-lo do que ele realmente queria, por que amigos não agiam assim.

Se agissem, então tudo que acontecera até agora fora uma grande trapaça armada por ele. E Nico nunca acreditaria nisso. Por que, sinceramente, quem chegaria nesse ponto? E por qual motivo?

– Tá. — Nico concordou rapidamente, abraçando seu tronco e afundando dentro do seu casaco. Ethan assentiu, sem querer perder tempo, voltando a andar. Nico o acompanhou com o cenho franzido, um rebuliço formando-se dentro dele e deixando sua boca com um gosto azedo. — É a Comunidade.

Então ele finalmente notou. Seus olhos se arregalaram e Ethan o encarou surpreso, meio assustado, tal como um gato arisco — ainda perigoso e nada amigável. Nico tentou controlar a vontade que sentiu de correr quando os fatos se conectaram em sua mente e a situação ficou mais clara. Era como água que, quanto mais tempo ele passava tempo dela, mais enxergava procurando um meio de esvaziar.

– Se não existem SFP's em Olímpia, então é a Comunidade atrás de mim, querendo enganar as pessoas. Por que mandou o Luke falar com eles?! O que está acontecendo? — de repente ele estava gritando, mais nervoso como nunca. Ethan apertou os lábios, sem a força de responder.

– Você vai querer salvar o seu pai antes de querer respostas.

xx


Alguém segurou Percy por trás, colocando o cabo frio da pistola em sua têmpora e apertando o seu pescoço, forte o suficiente para deixar apenas a vontade do garoto de lutar e nenhum movimento. Não eram os soldados da FVH e nem cidadãos normais, por que a força era tremenda e Percy conhecia cada um dos garotos na FVH.

Kronos fez um movimento com o braço, afastando a multidão enlouquecida e mandando as outras armas serem abaixadas. Percy finalmente olhou ao redor, o ar começando a faltar. Eram soldados militares e eles vinham como brinde na vistoria do Governo. Havia algo extremamente errado ali. Não viu nenhum dos seus conhecidos, nem mesmo Reyna ou Lilo, não conseguindo se preocupar com muita coisa além da própria vida que parecia a diminuir naquele agarre de ferro em seu pescoço.

Um movimento e seu rosto era virado para trás, se o cara estivesse com humor para isso. Se não, ele poderia simplesmente esperar Percy morrer asfixiado.

– Que estúpido da sua parte me comparar com o seu pai. — Kronos disse, ganhando o espaço da multidão. Um sorriso vitorioso apareceu nos lábios dele, como se não se preocupasse com o neto em perigo à sua frente. — Ele não tinha nenhuma fé, nenhum motivo. Ele sim governou essa cidade da maneira errada, e se ela está desse jeito hoje, é por culpa dele.

Percy quis gritar que ele mudaria tudo para pior com as suas teorias religiosas malucas, mas estava devidamente preso e perdendo no processo. Ele tentou se debater mais uma vez, recebendo em resposta a perca total da respiração que estava sendo muito difícil de manter.

Kronos continuou falando, mas Percy estava perdendo a consciência junto dos sentidos. Ele via os lábios do velho movendo-se lentamente, mas não conseguia entender nada e, aos poucos, sua visão ia escurecendo com vários pontos pretos dançando na frente dos olhos até se unirem. Ele finalmente ia entender como seria morrer. Mesmo tendo tentado, Percy não estava feliz com aquele final.

Morrer daquele jeito era injusto e tinha certeza que não receberia a paz que desejara. Tinha medo, raiva, desespero, agonia, todos misturados dentro dele, apertando seu coração por todos os lados por não conseguirem serem demonstrados fisicamente. Percy estava morrendo na loucura que era a derrota, e ele nem havia começado a fazer nada.

Não fizera mais nada na vida além de correr e, quando finalmente tenta, é isso que acontece.

Então Percy foi solto. Ele caiu no chão bruscamente e rolou, por puro instinto, quando o corpo do homem desabou em cima dele. A primeira coisa que fez foi ofegar por ar freneticamente e piscar os olhos, tentando forçar a visão retornar; conseguindo ver o céu pateticamente nublado cobrindo Olímpia. Seus músculos estavam moles, sua cabeça doía e seu pescoço encontrava-se duro como uma pedra, enviando ondas de dor por todo o seu corpo.

Mas ele estava vivo. E a cena ainda se desenrolava ao redor dele. Não acreditando na própria sorte, Percy tentou entender o que acontecia: A multidão havia se agitado novamente e começara a se afastar com medo. Procurou a causa e encontrou Reyna com a besta em mãos, Rachel com seu facão, Annabeth, Charles, Chris e Dakota lutando para não morrerem. Por algum motivo que Percy desconhecia, aqueles soldados agiam de forma agressiva e pouco expressiva, oprimindo até os outros cidadãos.

Olhou para o cara que havia lhe segurado; ele estava caído no mesmo lugar, com uma flecha no joelho que o imobilizava e o fazia se contorcer em meio à dor. Percy virou o rosto mais uma vez, vendo Kronos no meio daquela bagunça, obviamente intimidado agora.

Ele sabia que Reyna iria conseguir fazer alguma coisa. Não era do feitio dela deixar alguém morrer de forma tão covarde. Os outros da FVH não eram muito diferentes, mesmo sendo crianças perigosas, nunca machucariam um inocente.

Diferente das pessoas na sua família.

Percy se levantou desajeitado, o corpo pesando toneladas. Andou até o soldado caído no chão e arrancou a flecha no seu joelho sem misericórdia, ouvindo seu guincho enquanto o sangue escorria. Ele tentou agarrá-lo, porém Percy foi mais rápido se desvencilhando. Chutou a barriga dele apenas por precaução, imobilizando-o de verdade agora.

Todos ali precisavam de uma boa ajuda, por que você não pode brigar com soldados militares esperando que vai ganhar sem nenhum treinamento, porém Percy só tinha um alvo na cabeça e ninguém iria impedi-lo. Apertou a flecha entre os dedos, passando tudo para ela. Toda a dor que sentia, a raiva, o medo, a inconformação de que aquilo realmente estava acontecendo.

Como ele chegara ali? O que havia feito de errado para que tanta gente morresse e sofresse? Ele sabia que desde o Genocídio deveria ter se preocupado, mas como prevenir? Afinal, a situação era uma obra dos vivos e não dos mortos. Não têm como parar as pessoas de serem fanáticas, fechadas, apaixonadas. Elas iriam mentir e matar de novo e de novo, por que esse é a única certeza que se pode ter sobre todos os humanos do Mundo.

Percy fincou a flecha na perna de Kronos, fazendo-o gritar. Isso chamou a atenção de praticamente todos. Teve gritos de horror, com certeza. Gente correndo ou tentando lhe afastar, mas Percy não viu e sentiu mais nada. Só tinha o rosto contorcido de Kronos à sua frente, tão parecido com o do pai que nunca conseguira entender ou agradar.

Um acumulo de frustrações, isso definia todos os seus relacionamentos. Aquilo não tinha nada haver com os SFP, com a cidade ou com Nico. Aquilo tinha haver com ele e como ele havia fugido dos seus problemas, que viraram demônios e os encaravam agora, grandes de mais para serem enfrentados.

Mesmo assim, Percy recusava-se a perder para eles.

Aquilo tinha haver com o que Percy deveria ter feito antes.

– Wow. — Percy conseguiu ouvir Rachel quando o forçaram a voltar a si. Kronos era segurado, sem força para tentar fugir. — Seria muito se me explicassem por que eles parecem estátuas. — ela apontou para os SFP que estavam na mesma posição desde o começo, a cabeça muito baixa para que Percy visse seus rostos. Havia algo de muito sombrio naquilo.

– Tirem logo os cidadãos daqui. — Reyna falou numa respiração, cansada. Fuzilava os soldados, por que conversa e negociação não funcionava com eles. — Essa merda vai ficar pior.

Percy notou, por um instante, que ele nunca havia visto aquelas pessoas na cidade antes.

xx


Nico observou a casa simples de madeira, escura como a sua antiga. Seu pai ainda preferia espaços desertos, assim que a antiga deles estava ligeiramente afastada das outras no bairro. Essa era basicamente o significado de "afastado". Ficava na frente de uma das conexões do bosque, sem outras moradias ou prédios por perto.

Não tivera muito tempo para analisar naquela noite, mas lembrava-se muito bem da caminhada longa que tivera com Percy até achar o departamento mais próximo. Aquele beco nem podia ser chamado de beco de verdade, porém na sua cabeça foi o primeiro nome que apareceu.

Nico ficou triste ao considerar que ele pode ter se mudado por não ser mais bem vindo na cidade. Isso seria culpa de quem? Claro, do nosso morto mais esperto, só que não. Ele olhou para Ethan, tão desconfortável que não aguentava nem a si mesmo, olhando para todos os lados e destruindo seu lábio com mordidas. Nico se perguntou se era assim que ficava quando estava nervoso.

Não tinha a menor vontade de conversar com o asiático, então deu o primeiro passo, tendo o braço segurando por Ethan novamente. Nico o encarou confuso, ainda incomodado com o seu toque. Ethan nem parecia ele mesmo.

– Nico, você tem razão. — isso o surpreendeu. — Não é um herói e eu simplesmente preciso respeitar isso. Só... Só me prometa que não importa o que tenha que fazer, você vai ir até o fim, okay?

– Ethan...

– Por favor! — ele o chacoalhou, mostrando desespero e necessidade pela a primeira vez. — Seu idiota, só faça isso. Eu gosto de mais de você para continuar bravo por muito tempo, então me escuta. Não faça com que eu me arrependa. Eu preciso que prometa que não importa o que tenha que fazer, você vai até o fim e vai ficar vivo.

As palavras de negação fugiram da boca de Nico. Como ele deveria responder aquilo? Seu lado emocional gritava para concordar e seguir em frente, se apoiar em quem se apoiava nele e diminuir o peso em suas costas. O outro lado, o que ele não conseguia denominar, sussurrava ofensas em seus ouvidos. A situação era tão confusa que irritava esse lado profundamente, que já estava às vessas desde o começo.

E Nico estava numa encruzilhada por que ambos os lados eram importantes. Eram ele.

Então Nico simplesmente assentiu.

– Eu... Tudo bem. Se acalma.

Provavelmente, aquela foi a primeira vez que Ethan o abraçou. Foi tão forte que Nico perdeu a capacidade de pensar. Ele preferiu sentir — um costume que estava tornando-se forte ultimamente — e devolver o abraço com a mesma intensidade, sentindo Ethan ali pela a primeira vez. Todo o desespero, depressão e tristeza que ele sentia. Tudo que ele era, de negativo e positivo, gritando para poder ter um momento de descanso.

Nico percebeu como ele sentia falta daquilo. De como ele sentia falta de Ethan de como ele era, de como os dois agiam.

Mas ele sabia bem de mais que um abraço não iria trazer nada de volta.

– Eu estou calmo para caralho. — ele murmurou, afastando-se delicadamente, como se não quisesse. — Eu realmente estou. — ele fez uma pausa, observando a expressão desconcertada de Nico. — Vem. É melhor terminamos isso de uma vez.

Nico apertou a camisa dele.

– Como sabe que é o fim?

– Eu sinto nos ossos mortos. — Ethan respondeu sarcástico, segurando o pulso dele com delicadeza, passando muita coisa naquele toque. Nico não ficou mais incomodado.

Ele o seguiu até a casa.