Crooked

14 Oh, send your rain.


Notas iniciais
OH SHIT OH SHIT OH SHIIIIIT! CHEGAMOS NO FINAL! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH ME DESCULPEM A DEMORA! Demorei em parte por que tava "trabaiando" e em parte por que não queria que a fanfic acabasse. Mas nada temam, tem epílogo que vai sair amanhã por que FÉÉÉÉÉRIAAAAS! E se eu não respondi nenhum review, shame on me, por que eu to super preguiçosa aqui no Nyah, maaas lerei todas as fics pendentes e farei tudo pendente e blá-blá-blá. Aproveitem esse capítulo enorme, sem revisão, mas feito com amor :'D

"Almost thought we made it home,
But we don't know this place at all,
That's enough now dry your tears
It's been a long eleven years


Nico bateu na porta de madeira tentando controlar os nervos. A real vontade que tinha era a de arrombar a porta, para que não perdessem tanto tempo. Mas não sabia pelo o que estava apressado. Uma sensação vaga e fria estava no fundo de sua mente lembrando-lhe de que tinha alguém para salvar, só que sinceramente? O que ele conseguiria fazer?

Nico queria salvar seu pai. Queria salvar Ethan e todos que foram jogados na teia de aranha causada pelo seu renascimento. O pior de tudo? Ele não tinha valor nenhum. Primeiro renascido? Que vantagem isso tinha? Ainda era melhor continuar morto, com Bianca viva.

Ele suspirou, perdendo a força no corpo. Ethan o cutucou, por que ele ainda estava lá e eles ainda tinham que fazer aquilo. Nico sentia-se num beco escuro, sem chances de sair. Mesmo que quisesse salvar as pessoas, só o sentimento não bastava. O medo de piorar era maior, de qualquer jeito.

De repente ele não tinha tanta certeza que poderia cumprir a promessa de Ethan. Era sempre assim. Ele continuava criando laços com as pessoas, apenas para desfazê-los depois. Primeiro com Bianca, Hazel. Depois Percy. Agora Ethan. E as consequências multiplicavam o medo que o comia agora.

Nico era basicamente medo. Dos pés à cabeça. Ethan o beliscou, arrancando uma reação dele, apenas por conta do susto.

– Pare com isso. — ele grunhiu. — Não temos tempo suficiente.

Nico mordeu o lábio, mas não disse. Com um esforço desumano, ele bateu alto na porta novamente. Ethan não conseguiria ficar mais ansioso em vida. Ele mudava o peso do corpo entre as pernas constantemente, apertando as mãos de forma quase mortal nos braços cruzados ou em qualquer lugar que tocasse.

Antes que a tortura se estendesse muito, a porta abriu sozinha. Nico arregalou os olhos, encarando a fresta estreita na entrada, mas sem conseguir definir nada dentro da casa. Então um barulho alto e rude ressoou pela a casa, agitando os garotos na entrada. Sem esperar mais nada, eles correram para dentro.

A casa era escura, mas não parecia anormal. Os móveis estavam no lugar, os cômodos preenchidos por um silêncio peculiar. Ethan segurou o ombro de Nico, chamando a atenção do garoto que virava o rosto em vários ângulos para ver alguma coisa.

– Se esconda. — Ethan murmurou, trazendo-o para perto. — Faça o mínimo de barulho possível. — Nico abriu a boca para retrucar, mas Ethan o interrompeu: — Eu não quero saber do seu desespero, entendeu? Pense no seu pai.

Sem dar tempo para Nico responder — mesmo que ele não fosse; Ethan o forçou a se abaixar atrás de uma poltrona enquanto ia até outra, mostrando que iria para cozinha. Nico tentou chamá-lo sem fazer muito barulho, o que era igual a se fazer de besta. Não gostava nada daquilo. Nico sabia muito bem ficar quieto e fazer simplesmente o que precisava, mas tudo era mais difícil com a mente correndo à mil e o sangue frio pesando na cabeça.

Ele não se lembrava de quando o sangue voltou a correr no corpo, mas estava lá. Nico o sentia pulsando fortemente, pronto para explodir por falta de costume, deixando o garoto tonto e perdido. Não havia jeito. Ethan seguiu para a cozinha e Nico arrastou seus músculos pesados para as escadas. Eles fariam menos barulho separados, e não podiam correr muitos riscos assim que não sabiam o que acontecia na casa.

Nico realmente deveria ter ficado com aquele taco de metal para si da última vez que visitara a casa. Andando por dentro agora, Nico precisava se distrair para não surtar de aflição com a coisa toda e começou a pensar como era a cara do seu pai. Nada bagunçada, e não muito sombria. Tinha aquele ar velho proporcionado pelas cores apagadas e a mobília em sua maioria de madeira, sem muitos adornos ou enfeites.

Hades gostava de simplicidade. Coisa que nunca conseguiu no casarão daquele bairro antigo. Mas era horrível pensar que ele só tinha isso agora quando estava tão miserável e perdido. Nico chegou num corredor largo para os padrões do seu pai, principalmente por que só vira três portas — certeza que uma era o banheiro.

Afinal, Hazel costumava morar com ele.

Nico perdeu a capacidade de pensar quando viu a última porta do corredor aberta e gotas de sangue espalhadas na entrada, não sendo grandes o suficiente para formar uma poça. O grito que ia subindo pela garganta foi empurrado de volta com esforço, congelando o caminho. Mas foi a única coisa que Nico conseguiu controlar, por que ele ficou ereto num instante e correu até o quarto, encontrando seu pai desmaiado com um machucado ensaguentado na testa, ao pé da cama de casal.

Fire, fire, fire!
Fire from the tongues of liars,
You're ashamed of where you're from,
Crying 'cause your father's drunk
We can't die because we're young
At least that's what we heard in a song


– Hades! — ele exclamou, não se ouvindo completamente. Tudo que sentia era o corpo do homem, tirando-o do chão frio e duro para segurá-lo nos braços. Não podia, não queria, não... Hades não. A cota de pessoas que Nico poderia perder já havia se esgotado a muito tempo. Ele merecia sofrimento, mas não deveria envolver mais ninguém nisso! — Hades... Pai... — Nico soluçou, debruçando-se sobre o corpo. — Papa... Non andare via... Stammi vicino.


Afundando o rosto no peito do seu pai, como costumava fazer quando muito pequeno, Nico murmurou em italiano o que pareceu ser todo o seu coração. Ele só não queria ficar sozinho. Não queria ver mais ninguém sofrer, de um jeito ou de outro. Era sua culpa, afinal?

Entre dúvidas, Nico ouviu o batimento fraco do coração de Hades. Com um sobressalto, ele pegou os dois pulsos do homem e verificou: Vivo. Uma risada clandestina e quebrada saiu dos seus lábios, alívio intenso cobrindo seu corpo como uma coberta quentinha. Nico não quis demorar mais. Ele se levantou para olhar melhor o quarto e achar um jeito de colocar seu pai na cama, então ele tropeçou.

Nico rolou para longe do corpo de seu pai ao sentir algo pesado e perigoso passar no ar, exatamente onde estava. Ele teria levado uma pancada na cabeça como o pai se não tropeçasse por conta dos reflexos. Nem sabia que ainda existiam, mas não iria reclamar. Rapidamente tentou se colocar em pé, todo desajeitado, sendo acertado dessa vez por metal.

Nico grunhiu e se jogou para fora do quarto, correndo até o outro lado do corredor, na frente das escadas. Uma risada doente ecoou atrás dele.

– Yoo. A quanto tempo, hem? — Deimos sorriu com todos os dentes brancos, o taco de metal que praticamente quebrara o pulso de Nico apoiado sobre o ombro. — Gostou da surpresinha? Preciso dizer que finge seus sentimentos muito bem.

– Não se aproxima! — Nico berrou, esperando que Ethan o ouvisse. — Você não pode me matar.

– Ohh? — Deimos riu de novo, andando calmamente até ele, o taco batendo na palma de sua mão enluvada num ritmo distraído. — Então já lembrou, hem? O Profeta estava certo. Poucos dias, ele disse. Parece que o nosso timing é incrível, não é mesmo?

– Você fez isso. — Nico rosnou entre dentes, o sangue esquentando em segundos. — Você apagou as minhas memórias e me fez voltar para cá com o Percy.

– Booom... — ele deu de ombros. — Eu planejei, Fobos fez o resto. A minha irmã é bastante talentosa com drogas e sistemas mortos... Se surpreenderia com o que ela ensinou a Luke.

– O que?

Aquele nome fez tantas emoções ruins submergirem em Nico que ele começou a passar mal. Apertou as mãos escorregadias cheias do sangue de Hades. Deimos não parava de rir. O som massacrava os ouvidos de Nico e fazia a pouca sanidade que ainda tinha dançar. Era como se as larvas dentro dele gritassem, querendo transformá-lo em hidrofobo.

Nico queria arrancar a boca de Deimos fora com seus próprios dentes. Sentir a carne quebrando sobre os caninos e ouvir os últimos gritos de vida. Aquilo deveria ser raiva. Toda a raiva que um SFP podia sentir, por estar morto, por ter perdido tudo que tinha, por ter que expor seus machucados para que rissem dele.

– Ele queria prender você e esperar até o fim da tarde. Por que sabe, é o horário que a mágica acontece. — Deimos afastou as mãos espalmadas no ar com um olhar maluco. — Mas quem iria ver você pela a última vez seria eu, e não o vivinho estúpido querendo pagar de morto. Achei que as coisas iam ser mais difíceis, sabe, por estar com Perseu e tudo. Garoto de ferro aquele. Mas vocês dois foram previsíveis, mesmo que não do jeito que esperássemos. Foi preciso um ou dois passarinhos de informações para que eu estivesse aqui... No lugar certo e na hora certa. Sem contar que apagar seu popô foi tão fácil que chegou a ser ofensivo.

Fire, fire, fire!
Fire from the tongues of liars,
Fire, fire, fire!
Fire from the tongues of liars


Deimos por inteiro já era um ato violento contra Nico. O jeito despreocupado, a voz, a risada, o sorriso... Ele era a loucura que Nico tentava conter dentro de si. Era assim com todas as suas vítimas. Ele gostava de atiçá-las para que morressem bem atentas ao fato que era o fim, por mais que não quisessem. Era disso que ele gostava e vivia: Do escândalo. Da histeria antes dos cinco minutos que encerrariam uma história.

História essa que ele manipulou desde o começo. Da morte de Sally até ali. Tudo se encaixava tão bem que era extremamente ridículo que ninguém havia notado ou conversado sobre isso. No fim foi a ingenuidade azeda que todos os humanos possuem de que "consequências não existem e não são extremas" que permitiu a desgraça de continuar.

– Mataram Poseidon também? Luke sabe que foram vocês que causaram a morte do Ethan e da mãe dele? — Nico rosnou. Ele encarava Deimos próximo à si fixamente como um animal encara a sua presa.

Mas Deimos era tão predador quanto ele.

– Quem disse que somos assassinos, Nico? — ele debochou. Nico desejou com todas as forças que Ethan aparecesse ali logo, antes que fizesse uma besteira. Os nós dos seus dedos encontravam-se brancos de tanto que os apertava, afogado na impotência.

Aquele era o Diabo que brincara com a vida frágil de Nico. Era o ser que o destruí-la e o reconstruí-la com as peças erradas, e Nico não poderia fazer nada.

– A lei da ação e da reação é muito divertida de se entender. Você também acha que os vivos a ignoram muito, não é? Um dia eles pegam uma arma e tiram em alguém que nunca viram. Outro eles pegam uma faca e enfiam no olho da criança que são supostos a amar. O pior de tudo? Não existe motivo. Simplesmente não existe. Eles tem mãos coloridas com veias e pulsos barulhentos, pernas saudáveis que podem levá-los a qualquer lugar e a qualquer momento. E o que fazem? Eles tiram isso dos outros humanos, por motivos de razões. — Deimous soltou uma risada. — Eles não sabem o que é serem obrigados a matar. Matamos pela a sobrevivência. E isso, Nico, isso conta. Isso é um motivo. Por esse mesmo motivo nós quisemos mudar, revolucionar! Mas nesse processo... Você precisa destruir. Só que essa destruição, Nico, essa coisinha de nada... É como uma fênix, que renasce das cinzas. Uma fênix torta, o que não muda o ideal. Eles vão voltar no Segundo Renascimento! Não é maravilhoso?

Nico esticou o braço mais rápido do que esperava, alcançando o metal frio do taco. Ele colocou toda a força nos braços para puxar o taco, mesmo que não conseguisse retirá-lo das mãos de Deimos poderia abaixá-lo. Finalmente, aquele sorriso nojento foi apagado do seu rosto enquanto ele lutava contra a força de Nico, empurrando-o para trás e o prendendo na parede com o taco à centímetros de distância do pescoço de Nico.

– Pare de tentar fingir. Você não sente falta da Bianca, do popô ou seja lá quem for. Você é melhor que tudo isso, Nico Di Angelo. É o Primeiro Renascido! Exatamente como nós.

Nico não demorou para chutar a barriga dele. Na primeira vez, Deimos não se afetou e Nico não conseguiu força necessária para afastá-lo. Porém, a adrenalina controlou seu corpo e Nico começou a chutá-lo freneticamente, finalmente o empurrando para trás. Seus dedos se agarraram no cabo do taco antes que fosse muito tarde, arrancando-o das mãos de Deimos.

Ele estava a um passo de cair na escada. Nico não pensou duas vezes. Não se importou em arrumar o taco ou coisa parecida. Simplesmente o segurou firme nas mãos machucadas e atingiu a cabeça de Deimos com brutalidade, fazendo-o perder o equilíbrio e rolar escada abaixo. Nico ofegava. Algo incomodava suas costelas, esmurrando-as.

Não quis saber de nada disso.

Desceu as escadas ainda alto na adrenalina, por que se Nico não morria com um tiro no peito, Deimos não morreria naquela queda boba. Mas ele estava inconsciente. Seu pescoço encontrava-se torcido e sangue jorrava da boca. Os olhos estavam bem abertos, mas nenhum sinal de espírito neles. Olhando-o melhor agora — de cima — Nico percebeu como ele era magrelo e franzino, provavelmente cinco centímetros maior do que si.

Ele não era um lutador e não estava ali para fazer isso.

Melhor para Nico. O italiano se deixou sorrir por um instante antes de estender o taco no alto, pronto para esmagar a cabeça de Deimos quando o abaixasse. Não tinha o menor remorso, culpa, nada. Uma parte da mente encontrava-se branca e a outra vermelha, querendo escurecer cada vez mais. Mas algo o atingiu. Um grunhido alto, na direção da cozinha.

Algo estralou na parte branca da mente de Nico. Ethan!

Quando chegou na cozinha, não achou nada de anormal. Fez o caminho até a garagem e os grunhidos foram ficando mais altos. Eram barulhos roucos, como o de um animal raivoso em péssimas condições enlouquecido. Nico foi atingido por um forte medo — este que desaparecera mais cedo; mas não podia recuar. Aquela era a vida de Ethan em jogo, não a sua.

E além do mais, desde quando um zumbi tem medo de outro?

Nico escancarou a porta da garagem, paralisando ao entender o que acontecia lá dentro.

You're ashamed of what you've done,
Crying 'cause your father's wrong
Trying to be something new,
You'll feel that you were something to prove


– Ethan? — Nico murmurou recuando um passo, o taco de metal caindo no chão. Um extremo nojo foi engatinhando do seu estômago até a sua garganta, mas ele o engoliu de volta e perdeu o equilíbrio no processo.

Ethan era uma bagunça coberta de sangue, carne, músculos e pele apodrecida. Grunhindo, ele afastou o corpo de outro SFP que devorava e se levantou, a cabeça pendendo para o lado. Encarava Nico sem ver mais nada além de carne fresca, os olhos de SFP mais vazios do que nunca, a ponto da pupila ir desaparecendo no branco da retina.

Ele avançou, mais rápido que os zumbis normais, lançando seus braços sobre o Nico para segurá-lo e devorar o seu pescoço. Em nenhum momento ele parou. Em nenhum momento ele reconheceu quem Nico era. E Nico tinha que se proteger, pois não teria nenhum jeito de trazer Ethan de volta.

Com dificuldade, Nico colocou sua força contra a mortal de Ethan para que ele não se aproximasse de mais. Tentou chutá-lo, mas não tinha a menor capacidade no momento. Ethan conseguiu se aproximar do seu pescoço, abrindo bem a boca para morder a carne. Nico tentou abaixar os seus braços, sem se ajudar muito. Ethan começou a se debater e empurrar Nico para trás, com o intuito de derrubá-lo.

Nico não iria conseguir aquilo por mais tempo. Ele soltou Ethan e se abaixou, escapando da mordida do zumbi por pouco. Rolou e se colocou em pé de novo, correndo até a bancada mais próxima. Ethan grunhiu alto, mostrando os dentes. Nico pegou a primeira afiada que sentiu, desviando de Ethan quando ele correu para cima. Derrubou a bancada na direção do asiático, mas ele não foi acertado.

Ethan encurralou Nico na parede, segurando a sua blusa com tanta força que seria questão de segundos até que a rasgasse. Ethan iria arrancar as feições do seu rosto se Nico não o bloqueasse com uma mão e cravasse a chave de fenda que pegara na bancada na testa dele com a outra. Ethan continuou reagindo e o empurrando contra a parede, fazendo Nico entrar num frenesi para sobreviver. Ele retirou a chave de fenda e a cravou mais vezes no mesmo ponto na testa de Ethan, cortando mais e mais camadas, dilacerando a carne morta.

Então Ethan parou de reagir. Com um buraco profundo e horrível um pouco acima das sobrancelhas, ele soltou Nico e deu três passos para trás antes de começar a convulsionar e cair de costas no chão. Nico começou a gritar em desespero, respingos de sangue sujando a sua pele e muito mais pingando nas mãos.

What you confuse for glory's fire
Is fire from the tongues of liars.
What you confuse for glory's fire
Is fire from the tongues of liars.
Oh send your rain


– ETHAN! — ele berrou, largando a chave de fenda e se jogando ao lado corpo que ainda convulsionava. Nico continuou berrando, abraçando Ethan como abraçou o pai um pouco antes, se deixando chorar lágrimas invisíveis. — Ethan... Me desculpa... Me desculpa... Eu não posso acreditar... Por que...?

Flashes passaram na mente de Nico.

"Estava escrito que haveria mais um Renascimento. E para isso acontecer, o Primeiro dos Renascidos teria que ser morto numa determinada data. Depois que o Segundo morresse, por que o Segundo seria a besta que tentaria o primeiro."

Nico procurou algo que mostrasse os horários, achando um relógio pendurado na parede. O dia estava decididamente acabando.

"Ele queria prender você e esperar até o fim da tarde."

“Seu idiota, só faça isso. Eu gosto de mais de você para continuar bravo por muito tempo, então me escuta. Não faça com que eu me arrependa. Eu preciso que prometa que não importa o que tenha que fazer, você vai até o fim e vai ficar vivo."

– Você sabia... Você sempre soube... Por que você levantou depois de mim. — Nico murmurou num fio de voz dolorida. Ele tinha espasmos e soluçava. — E não me disse... Não me disse por que eu nunca teria te matado. Você teria me mordido e isso terminaria...

Se não fosse Deimos... Pensou enquanto chorava mais sobre o corpo do seu melhor amigo. Esperou que a alma dele sentisse as suas lágrimas, para que soubesse o quanto Nico sentia. Sentia tudo por ele.

Em alguma parte racional da sua mente que não havia quebrado ainda, Nico percebeu que Deimos não aparecera até agora. Provavelmente por que não estava mais na casa.

Fire, fire, fire!
Fire from the tongues of liars,
(oh send your rain)
Fire, fire, fire!
Fire from the tongues of liars
(oh send your rain)


Provavelmente não fora nem um minuto. Não demorou metade daquilo para que os zumbis atacassem. Percy perguntou-se seriamente se Kronos não sabia sobre aquele ataque ou estava por trás dele. Ele não entendia mentes fanáticas e nem queria começar. De qualquer forma, os pecados de Kronos se voltaram com suas consequências assim que um dos zumbis pulou sobre o corpo paralisado dele no chão e o mordeu.

Percy poderia ter assistido e comemorar a morte daquele verme desprezível sem ter que sujar as mãos. Ele realmente queria fazer isso. Kronos merecia aquilo mais do que ninguém. Um ser humano como aquele vivo só causaria mais e mais guerra, deixando o ciclo pior do que já estava.

Mas antes que notasse estava se mexendo sozinho. Agarrou as costas do zumbi e o jogou para o lado, pegando a flecha fincada na perna de Kronos para enfiá-la na garganta do zumbi várias vezes até que ele morresse. Ele se levantou antes que muito sangue o atingisse, pois Percy odiava a sensação.

Então ele notou que havia matado alguém. Uma pessoa, assim como Nico era. Nico. Céus, Nico. Como ele pode ter se esquecido completamente, e por conta de Kronos?!

Percy não poderia ser realmente culpado. Olhou para os outros garotos do FVH fazendo o mesmo com os outros zumbis. Como se nunca tivesse existido uma lei que os obrigasse a protegê-los. Percy cutucou o corpo do zumbi que matara com o pé, rolando-o até que ficasse de costas. Na abertura que todo SFP tinha, havia restos de um pó azul por toda a parte que a regata não cobria do zumbi.

Então, ele virou por que quis. Qualquer um que tomasse aquela droga — seja lá quais sejam os meios — sabia muito bem que iria ativar o seu lado mais primitivo. Que ele iria voltar a grunhir por carne. Percy só estava se defendendo, assim como seus amigos.

Uma mão agarrou a sua canela. Com os seus reflexos acordados novamente, a primeira coisa que Percy quis fazer foi chutar a cara de qualquer zumbi que fosse, mas quando olhou para baixo viu Kronos com a expressão contorcida de dor. Percy se abaixou, mostrando que o escutaria. Ele odiava o velho. Era melhor que queimasse no Inferno.

Mas Percy não queria ser que nem o seu pai. Queria continuar com o mínimo de humanidade que pudesse, a mais estúpida que fosse. Era algo tão automático dentro de si que vencia a sua raiva aguda, aquela que era maior do que si mesmo.

A FVH não tinha fama à toa. Com eles ali, Percy mal conseguia se preocupar com a sua segurança. Eram poucos zumbis e a multidão assustada os distraíam.

– Não pode... Parar... O Segundo Renascimento... Ele é o Herdeiro de Hades... — Kronos cuspiu e ofegou. Percy deu um sorrisinho e revirou os olhos.

– É, a coincidência de nomes diz muita coisa. — respondeu amargo. — Não tem nada melhor a dizer? Você vai morrer. Vai perder a cidade, tudo. Não tem mais nada importante nesse momento?

Kronos sorriu.

– Sabe que eu nunca amei ninguém. — ele murmurou com os olhos nublados. — Rhea já está morta a tanto tempo... Ela nunca teve chance... — o sangue e a dor o interrompiam. A mordida em seu pescoço estava aberta e empapada de sangue escuro. Iria morrer a qualquer momento. — Com ela, o estúpido amor se foi. E Nico... Ele vai passar o mesmo com você. Mas não se importa, por que é como seu pai.

– Bem, ainda prefiro ser ele do que ser você. Ninguém vai sentir a sua falta, então pode ir para o Inferno agora.

Fire, fire, fire!
Fire from the tongues of liars,
(oh send your rain)
Fire, fire, fire!
Fire from the tongues of liars
You're afraid of who you are (you're ashamed of where you're from)
Crying 'cause your father's gone (fire from the tongues of liars)


Rachel cortou o pescoço do zumbi que tentou atacar uma garotinha burra de mais para correr de onde estava. Agia em seu modo automático, sem ter tempo para sentir culpa. Ela girou os calcanhares, pronta para tirar a garotinha dali, quando viu uma figura se aproximando que a assustou.

Antes mesmo de pensar, Rachel gritou:

– PERCY! PERCY, VEM AQUI AGORA!

Percy simplesmente obedeceu, aparecendo num instante do seu lado.

– Não, não, não, não... — ele passou a murmurar sem parar enquanto corria. Rachel matou outro zumbi que tentou tocá-lo, deixando o caminho de Percy livre.

A alguns metros deles, Nico Di Angelo estava em pé com muita dificuldade, o rosto distorcido em tantos sentimentos que era difícil de entender. Talvez por que nem ele entendesse. Não seria tão assustador se ele não estivesse coberto dos pés ao pescoço de sangue escuro, girando uma chave de fenda no pulso, enquanto o outro sangrava terrivelmente.

– Não, Nico, Nico, olha pra mim! — Percy começou a berrar se aproximando cada vez mais dele. Como um animal assustado, Nico levantou o rosto, tentando se afastar de Percy. Quando Percy notou que a chave de fenda ia afundando na pele frágil de Nico, ele parou de andar imediatamente. — Nico... Para qualquer coisa que esteja pensando. Está tudo bem. Você não quer fazer isso.

Nico gritou, completamente destruído.

– É só um pulso, Percy!

O som da voz dele era como pedra roçando contra pedra. Doeu, e muito.

– Só um e então as pessoas vão voltar ao normal. Então essa merda vai acabar! Você vai estar livre e Ethan... Luke... — ele não tinha fôlego ou coerência suficiente para falar. Só corria com as palavras. Nem sabia o que elas significavam.

– Não, Nico... Isso não é um maldito conto de fada que tudo se resolve com um ato! Esses zumbis? Eles já morreram. Não vai ter nenhum pó mágico que vai fazê-los voltar. — Percy gritou de volta, encarando Nico seriamente nos olhos, tentando resgatar qualquer resquício de alma que houvesse na bagunça que ele havia virado. Nico quis fugir. — NICO! Se você morrer agora, tudo isso aqui... Todas as coisas que aconteceram vão ser inúteis. Não pode fazer isso conosco. Comigo. COM BIANCA!

Nico gritou de volta, mas nada inteligível. Ele tampou os ouvidos por um instante, sujando ainda mais o rosto com o sangue vermelho vivo que escorria do corte não muito profundo num dos pulsos. Percy aproveitou que Nico fechara os olhos para começar a correr o mais rápido que podia, sem se importar com os barulhos. Se ele chegasse a tempo iria conseguir impedir.

Nico notou isso e se apressou a esticar o pulso, enterrando a chave de fenda na pele até que as camadas se rompessem e a carne fosse violada, sangue tomando seu caminho para fora.

Dreaming 'til you hit the truth (we can't die because we're young)
You'll find that you've nothing to lose (fire from the tongues of liars)
You'll find that you've nothing to prove."


Nico foi atingido pelo peso de Percy, mas não caiu para trás. Sua barriga foi abraçada com força, sem nenhum indício que iria ser solto, pelo contrário. Demorou alguns instantes para Nico perceber que Percy fora mais rápido e tirara o pulso de Nico do caminho da chave de fenda, mas sua barriga não fora tão sortuda.

– Percy? — Nico murmurou completamente cego de sentidos e raciocínio. Percy levantou o rosto, passando a mão na bochecha de Nico e tirando os cabelos negros dos seus olhos.

– Você me perguntou por que eu não me matei. — Percy murmurou levantando-se e deixando o rosto bem próximo de Nico. — Foi por que você me salvou, e era só o que eu queria.

Percy retirou a chave de fenda da barriga de Nico, que finalmente sentiu os danos feitos. As pernas tremeram e ele iria cair no chão se Percy não o segurasse nos braços. Nico foi perdendo a consciência lentamente, sendo tragado para um sono exausto.

– Agora eu preciso salvar você. — Percy sussurrou para Nico adormecido, beijando a testa dele. Ele estavam vivos, e era só o que importava.

– Fire Fire — Flyleaf

Notas finais
E É ISSO AI GALERA! Eu preciso ocupar esse espaço pra agradecer MUITO MUITO MUITO a todos que acompanharam e comentaram e gostaram e odiaram secretamente, por que o feedback de vocês me emocionou muito e provavelmente essa foi a minha primeira fanfic tão bem vista. Por mais que tenha vários erros e tudo mais. Coisas que eu vou corrigir agora, falando nisso. Se algum dia quiserem reler essa bagaça, vocês vão achá-la melhor que a versão original, yay! Bom, obrigada por tudo, nós vemos no epílogo, yaaahul.