Cronicas de Skyrim- Raed o Redguard.
16 Recrutamento

Raed relaxou com a visão de Delphine, e tirou a mão do cabo da espada. Ela avançou e estendeu o braço e então se cumprimentaram, assim como fez depois com Fenris, permitindo assim que se juntassem a eles na fogueira.
-Pensei que as arvores tinham sido uma boa ocultação para a fumaça da fogueira.
-Foi uma boa escolha. Mas senti um traço de magia no ar e quis investigar. Afinal ainda sou bretã.
Marcurio soltou um resmungo divertido e completou.
-Acho que devo melhorar minha técnica.
Delphine limitou-se a olhar para ele e se voltou a Raed fazendo sinal se poderia sentar. Raed guardou a espada e se sentou próximo a fogueira.
-Posso usar a fogueira de vocês? Facilita nosso jantar.
-Fique à vontade.
Delphine tirou da bolsa dois coelhos já tratados e jogou um pouco de vinho neles, antes de espetá-los em galhos que Raed e Marcurio tinham colhidos para o mesmo fim e os colocou no fogo.
-Encontrou seu irmão Raed? Se me lembro bem esse foi o motivo de parar de nos fornece carne em Riverwood.
Raed observou quando as chamas chiaram com som da gordura pingando nas brasas e aceitou um pouco do vinho que lhe era oferecido.
-Acabei de encontrá-lo em Riften. Ele está.... bem! Talvez até melhor do que se estivesse comigo.
-Bom, bom... família é importante.
Raed olhou para Fenris, ele parecia distraído olhando as estrelas.
-É uma grande surpresa vê-lo tão cedo Fenris, achei que demoraria em seu treinamento.
Ele soltou um resmungo. Raed não conseguiu identificar se seria de desdém ou outra coisa, mas sem olhar respondeu.
-Aprendi o suficiente. Delphine me tirou mais cedo do treinamento para uma certa missão. De toda forma prefiro o treinamento prático.
E sem motivo algum gargalhou. Depois sentou-se e começou a afiar seu machado, claramente em um sinal de que não gostaria de manter um diálogo. Raed olhou para Delphine que deu de ombros.
-Deve ser uma missão importante para fazer você sair de Riverwood.
-É sim. Ainda estou decidindo se devo lhe contar ou não. Pela manhã já terei decidido.
Raed entendeu. De toda forma não gosta de se meter em assuntos que não lhe pertencia ou atrapalharia seu caminho. Marcurio apenas observava tudo com curiosidade.
-Nesse caso devo voltar ao meu sono.
-Deveria. Graças a seu mago, todo mundo pode dormir sem precisar estar atento a qualquer barulho.
-O mago se chama Marcurio aliás. E obrigado! – Falou Marcurio escorregando do tronco para dormir.
Raed pode ouvir eles se alimentando e murmurando ante de irem dormir. Ela estava certa. O círculo de proteção alertava Marcurio de qualquer invasor. E agora sem os sonhos perturbadores e indecifráveis, Raed podia ter seus sentidos de sobrevivência alinhados mais uma vez.
Quando o primeiro raio de sol atravessou as arvores cheias de orvalho, eles já estavam de pé.
Recolheram seus pertences em silencio. Quando terminaram, o sol da manhã era um disco pálido e frio tentando romper a névoa de Eastmarch. Raed estava convencido que iriam apenas se despedir e seguir caminhos diferentes. Uma parte dele cobiçava isso, tanto quando a parte curiosa sobre aquele encontro. Delphine enfim se decidiu e não perdeu tempo com cortesias de estalajadeira; ela agora falava com a autoridade de quem estava acostumada com o comando.
— Não foi o destino que nos trouxe até aqui, Raed. Foi a necessidade — disse Delphine, aproximando-se da fogueira moribunda. —Mas prefiro acreditar que talvez desta vez seja. – Ela deu um longo suspiro. Estamos indo para o Bosque de Kynes. Meus mapas e as tábuas antigas indicam que um dos túmulos de dragão ali está prestes a... despertar.
Marcurio soltou uma risada nervosa, ajustando suas vestes amarelas. — "Despertar"? Você quer dizer que o boato de Whiterun é real? Que os dragões que estão relatando em Skyrim, na verdade estão voltando à vida? Por Azura, isso é grandioso.
— Você é um mago de aluguel que gosta de ouro, Marcurio. E eu tenho o suficiente para ver esse boato de perto — Delphine retrucou, antes de voltar os olhos para Raed. — Mas você, Redguard... eu vi como você lutou contra aquele dragão em Whiterun. Vi o que você fez em Riverwood. Você tem um instinto que não se aprende em livros. E Fenris...
Ela gesticulou para o guerreiro nórdico. Fenris, o Dragonborn, deu um passo à frente. O elmo de chifres lançava uma sombra intimidadora sobre seu rosto, mas seus olhos brilhavam com uma energia dourada e inquieta. Quando ele falou, o ar pareceu vibrar levemente, um eco de um poder que não pertencia a um mortal.
— Eu vi as chamas em Whiterun — a voz de Fenris era um trovão contido. — Vi o que acontece quando eles surgem sem aviso. Se Delphine estiver certa, um dragão será ressuscitado diante de nossos olhos. Eu posso matá-lo permanentemente, mesmo assim ela ainda é uma fera bestial e enorme. Preciso de uma lâmina que não trema. Entendo se estiverem com medo.
Raed sentiu o cabo da sua espada sob a mão. O pesadelo com o Vazio ainda sussurrava em sua mente: "ELE PERTENCE A MIM". Talvez enfrentar um dragão fosse a única forma de provar que sua alma ainda era sua, que ele não tenha um destino traçado ou disputado no Vazio.
— Investigar um túmulo de dragão — Raed murmurou, olhando de Delphine para Fenris. — E se ele já estiver fora da terra quando chegarmos?
— Então — Fenris respondeu, desembainhando o enorme machado de aço com uma calma aterradora — nós o mandamos de volta para o Vazio.
Aquela frase sem pensar fez Raed refletir. No final parece que tudo está ligado e deve existir um fio do destino que se entrelaça envolvendo várias pessoas. Ele tomou uma decisão em Riften. Marcurio o seguiu porque pressentiu que seria uma viagem interessante, e agora encontraram Delphine e o Fenris.
Uma parte dele queria apenas sair dali. Mas parece que ele já está no meio de algo muito maior que ele, e a curiosidade de entender gritava em seu ouvido.
-Acredito que tenha um plano. -Falou por fim.
-Posso contar no caminho. — respondeu Delphine.
Raed olhou para Marcurio que sorriu daquele jeito insolente dele.
-Estou ansioso para ver um dragão de perto.
Raed suspirou.
-Mostre o caminho.
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