Cronicas de Skyrim- Raed o Redguard.
9 O Ataque a Caravana

O vento cortava o ar como uma faca gelada, o assovio entre as montanhas e as arvores silenciosas demais. A caravana, composta por mercadores e suas valiosas especiarias, serpenteava pelos flancos da Eastmarch, um lugar conhecido tanto pela beleza selvagem quanto pelos perigos que espreitavam em suas terras. Raed mantinha um escudo a frente do rosto para tentar diminuir o impacto em si. Mesmo assim estremecia por baixo das peles. Seus companheiros, um grupo seleto de espadas de aluguel, estavam igualmente em alerta. A montanha estava muito silenciosa.
-Devia ter ficado naquelas fontes termais.
Liv, que estava na carroça olhando suas anotações gargalhou olhando para Raed que cavalgava ao seu lado.
-Acostume-se com o frio meu amigo. Agora você vai se aventurar muito por nosso território. E ele é bastante extremo as vezes. – Ele fechou o pesado livro que levava consigo. — Ah menos é claro, que fique em Riften com seu irmão. Lá tem um ambiente mais quente e agradável.
-Aquelas fontes é um achado em meio a todo esse frio.
-Assim como alvo fácil para bandidos.
A mata começava a ficar mais fechada à medida que avançavam e algumas pessoas começaram a ficar inquietas por estar entrando em uma passagem onde as paredes das montanhas e as arvores os forçavam a ficarem em um corredor estreito.
-Não estou gostando desse clima. –Falou sombreamento Jenassa cavalgando do outro lado da carroça.
A verdade é que desde se separaram dos companions alguns comerciantes ficaram mais tensos e temerosos. A experiência em batalha dos mercenários de elite mantinha o clima calmo.
-Liv. Você devia se proteger na carroça. – Falou Raed.
-Eu aquento o frio melhor do que você.
-Não é pelo frio. Tem algo estranho. Se proteja até passarmos desse caminho fechado.
Liv sorriu. Mas vendo as expressões serias de Raed e Jenassa, se recolheu para baixo da lona da carroça.
A caravana seguiu em silencio. Parecia que todos os mercenários esperavam algo. A atenção na floresta e os olhos atentos ao alto. Foram finalmente atacados quando sol se escondeu na parede de pedra acima. Então o caos começou.
De repente, um grito agudo rasgou o ar. Flechas choveram de entre as carroças. Raed que vinha com escudo no braço o ergueu assim que ouviu o primeiro impacto. Uma flecha acertou a madeira protegendo seu rosto.
-SE PROTEJAM. ATAQUE!!
Ouviu alguém gritar. Ele achou que seria um erro cavalgar em meio ao ataque e além do mais tinha que proteger Liv. Então desmontou rapidamente e bateu no cavalo para correr. Se protegendo contra a carroça. Sem hesitar, Kael berrou ordens, sua voz rouca ecoando sobre o pandemônio.
- PROTEJAM OS MERCADORES! PARA AS ÁRVORES, AGORA!
Ordenou sem saber se alguém seguiria seu conselho. Pela lateral da carroça puxou Liv pelo braço o derrubando pesadamente no chão.
-Janessa leve ele. E volte se puder.
A mercenária Elfa agarrou o gordo nórdico e o guiou pelas arvores desaparecendo em seguida. Ele continuou protegido ouvindo as flechas bater nos carros e acertando os lentos demais.
Com escuta atenta esperou ver som de batalha na floresta, mas o silencio reinou. Logo alguns mercenários voltaram se escondendo nas arvores próximas. As flechas pararam e algumas rochas começaram a rolar morro acima. Estavam descendo.
-Raed. –Sussurou Janessa- Não há bandidos na floresta. Protegemos os comerciantes e deixamos mercenários lá. Estou com mais cinco guerreiros aqui.
-Não creio que sejam muitos. Acho que ele queria que fugíssemos para a floresta para que eles pudessem roubar rapidamente as carroças. Eles evitaram os cavalos.
Era verdade. Não ouviu nenhum som de animal fora o susto pelas flechas e gritaria. Eles permaneceram agitados, mas presos as carroças. Os experientes cavalos de Liv levantaram as patas, mas se acalmaram assim que as flechas pararam.
-Espere eles se aproximarem.
-Vejo pelo menos oito deles. Três lá em cima. Mas pode existir mais – Falou alguém entre as arvores.
-Atenção! — Sussurrou Janessa.
Vultos sombrios, armados com machados e espadas de ferro, desceram a encosta como uma avalanche. Bandidos da montanha. Tirou a adaga do cinto e esperou, fazendo sinal para os mercenários nas arvores. Quando primeiro mercenário pisou pé ao seu lado, girou pulso e fez um movimento de baixo enterrando a adaga na garganta do seu inimigo. Se levantou em quanto ele caia se engasgando em seu sangue e ouviu os outros saírem das arvores atrás de si.
Ele sacou sua espada de aço, o metal polido reluzindo. Um dos bandidos, um gigante com uma barba emaranhada, avançou com um rugido. Raed girou, bloqueando o machado com um clangor ensurdecedor, e respondeu com um golpe rápido que encontrou seu alvo. Ao seu redor, a batalha irrompeu em uma cacofonia de aço contra aço, gritos de guerra e o lamento dos feridos. Os mercenários, embora em menor número, lutavam com a ferocidade de quem conhecia a morte de perto e tinham experiência.
Enquanto seus companheiros seguravam a linha, Raed abria caminho, empunhando sua espada e bloqueando com seu escudo para repelir qualquer um que tentasse impedi-los.
Raed sabia que a vantagem numérica dos bandidos poderia ser um problema se permitissem que todos descessem, mas contava com a experiência dos mercenários. Olhou para seu lado e viu Janessa e Veezara.
. –Janessa, Veezara -ele rugiu, apontando para a encosta. — Comigo! Vamos cortar a linha deles antes que cheguem à estrada!
Ele e os dois mercenários avançaram. Veezara, era rápido e empunhava duas espadas e Janessa, estava também com um escudo. Raed, liderou o ataque, movendo-se com uma ferocidade calculada. Eles não estavam apenas lutando; estavam quebrando a formação inimiga que descia a encosta. Raed focava nos bandidos que desciam mais rápido, usando o seu escudo para desequilibrá-los e criar aberturas para Veezara, que se movia como uma sombra, desferindo golpes precisos nos flancos expostos.
Enquanto isso, Janessa atacava, com a agilidade de uma pantera, encontrava posições estratégicas usando as rochas e árvores caídas do cenário em seu bale da morte. Dois dos mercenários estava com arcos e miravam nos bandidos acima. Suas flechas zuniam, não apenas atingindo os bandidos que se aproximavam, mas também visando os arqueiros inimigos que ainda estavam nas alturas. Eles mirava nas mãos, nos braços, em qualquer parte exposta que pudesse desarmar ou distrair os atiradores, forçando-os a se esconder e interrompendo seu fluxo de flechas.
-VAMOS..- Raed gritava, sua voz rouca de esforço. Ele notou um grupo de bandidos tentando flanquear pela direita. Com um movimento rápido, ele se virou, interceptando o líder do grupo com um golpe brutal que o fez cambalear tentando estancar o sangue quer deixava seu corpo em jatos intensos.
A tática era simples: não deixar que os bandidos se organizassem na estrada. Os mercenários restantes, formavam uma linha defensiva mais próxima da floresta, agindo como uma barreira final caso algum bandido conseguisse passar pela investida inicial de Raed. Eles usavam seus escudos para desviar as flechas que ainda vinham da montanha, enquanto seus machados e espadas trabalhavam incansavelmente contra qualquer um que se aproximasse demais e seus arqueiros seguiam atirando sem parar.
A cada bandido que caía, a moral dos atacantes parecia diminuir. A descida que antes parecia um avanço implacável, agora se tornava um caos desorganizado. Os arqueiros na montanha, sob a mira constante dos arqueiros, começavam a hesitar, suas flechas perdendo a precisão.
A investida dos mercenários começou a surtir efeito. A hesitação crescia nas fileiras inimigas no alto da montanha. O fluxo constante de projéteis, que antes era uma chuva mortal, agora se tornava esporádico e desesperado.
Um grito de frustração ecoou de um dos pontos mais altos. Um dos líderes dos bandidos, visivelmente um dos arqueiros mais experientes, gesticulava freneticamente, mas era inútil. A pressão era insustentável. Um a um, os arqueiros da montanha começaram a se retrair, desaparecendo por trás das rochas e das saliências, suas silhuetas diminuindo à medida que recuavam mais fundo.
Com a ameaça de cima diminuindo, o foco total de Raed e sua equipe se voltou para os bandidos que ainda tentavam a descida. Apenas três de todo aquele grupo que atacara de maneira voraz.
Os bandidos, antes tão confiantes, agora pareciam perdidos e desesperados. Alguns tentaram se virar e fugir montanha acima e foram rapidamente subjugados. O som de aço contra aço foi substituído pelos gemidos dos feridos e o silêncio crescente da estrada.
Raed baixou a espada soltando um suspiro pesado, o cheiro de suor e sangue pairando no ar. Guardou sua espada, o som do metal deslizando na bainha parecendo estranhamente alto na quietude que se seguia à batalha.
Um dos mercenários, dirigiu-se para a orla da floresta, chamando os mercadores com uma voz calma, porém firme.
- Podem sair agora! O perigo passou, por enquanto!
Os mercadores, pálidos e trêmulos, começaram a emergir de entre as árvores, seus rostos aliviados, mas ainda marcados pelo terror. Alguns tinham arranhões de espinhos e folhas, mas a valiosa carga e, mais importante, suas vidas, estavam intactas graças à rápida ação dos mercenários. Liv se aproximou de Raed e Janessa.
-Fiz bem em contrata-los. Nunca tinha visto vocês em ação, e se demonstraram extremamente valiosos.
-Skyrim é sempre assim imprevisível Liv? Vampiros, bandidos, guerras.
-Não muito diferente de Hammefell acredito.
-Lá. Sabíamos o que esperar do deserto.
-Aqui também meu amigo. Mas veio a guerra…e dragões.
Raed suspirou mais uma vez olhando os céus. Enquanto os comerciantes e seus empregados trabalhavam rapidamente para reorganizar a caravana. Os cavalos, antes dispersos pelo ataque, estavam sendo reunidos e suas cargas, embora um pouco desalinhadas, pareciam seguras. As carroças foram verificadas quanto a danos, e os poucos pertences caídos na estrada, resgatados.
- Temos que sair daqui antes do anoitecer. Jenassa afirmou, sua voz séria enquanto olhava para o sol que começava a descer no horizonte. — Eles podem voltar, e desta vez, com mais reforços. Não queremos ser pegos no escuro.
Com a caravana reagrupada e os mercadores com suas cargas ajustadas, começaram a se mover novamente, seus passos ritmados ecoando na estrada poeirenta. O sol já começava a tingir o céu de tons alaranjados e roxos, lançando longas sombras das árvores e das rochas.
Os mercenários, alertas, posicionaram-se estrategicamente. Seus olhos varrendo constantemente as encostas. Raed, ao lado de Liv, observava tudo, uma mão repousada no punho de sua espada. O silêncio que se seguiu à batalha era preenchido apenas pelo rangido das rodas das carroças e o ruído abafado dos cascos no chão.
A estrada serpenteava para fora das montanhas onde o ataque ocorrera. Cada curva, cada elevação, era observada com redobrada atenção, mas o caminho permaneceu tranquilo. Os bandidos, aparentemente, haviam desistido da perseguição, decidindo que o risco de enfrentar os mercenários novamente não valia a pena. Enquanto a noite caía por completo, a caravana seguia em frente, determinada a colocar o máximo de distância possível entre eles e o perigo.
Passando mais um dia. No horizonte, uma tênue luz começava a despontar, um sinal bem-vindo de civilização: as primeiras luzes de Windhelm.
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