A caravana se arrastou até os portões de Windhelm, uma fila serpenteando na entrada fora da cidade, diminuindo o ritmo ao encontrar a fila de pessoas que esperavam entrar na cidade. O frio cortante e o ar pesado pareciam apenas acentuar a tensão. Liv resmungava e olhava ao redor.

-Isso vai demorar. –Disse coçando sua protuberante barba.

-Parece que sim. – Concordou Raed se apertando mais no casaco de pele que Liv tinha lhe dado.

Olhando ao redor Liv viu a fumaça que saia do que parecia ser uma taberna.

-Venham, vamos esperar lá dentro. – Disse ele pulando da carroça. E puxando um empregado lhe disse para chama-lo assim que estivessem próximo do portão.

Deixaram os cavalos nos estábulos que se estendiam fora da cidade e subiram o morro que levava a taberna passando por todo tipo de habitantes de Skyrim. Lá dentro, o vapor das bebidas quentes e o burburinho de vozes ásperas, deu um ar reconfortante em meio ao frio lá fora. Se aproximaram do balcão para pega bebidas, pois a taberna estava lota.

-Que fila maldita para entrar nessa cidade de pedra e Gelo.

O taberneiro sorriu.

-Fique tranquilo meu amigo. Metade não deve entrar.

-Por que? – Liv perguntou intrigado.

-Eles precisam do visto para entrar.

Liv pareceu lembrar de algo e então pegou em sua bolsa um pedaço de pergaminho carimbado.

-Essa porcaria que nos deram quanto saímos da cidade na estação passada?

O taberneiro após colocar as bebidas no balcão se inclinou para olhar o pergaminho. Olhou o carimbo na carta e então voltou a posição normal.

-Esse serve. Eles deram alguns desses a quem passava pela cidade. Quem não tem precisa pagar um valor alto por um e nem sabe se será aceito. Alguns nem são, por puro preconceito. Manutenção da guerra dizem. – Cuspiu no chão ao dizer isso.

Pegaram as bebidas. Raed ficou no Hidromel, bebericava em quanto Liv coçava a barba.

-Isso complica as coisas.

-Eu tenho um visto desses. – Falou Jenassa. – Cortesia por proteção.

-Fica faltando apenas o Raed. Preciso ver quanto custa um visto.

-Talvez eu tenha uma solução – Sibilou o Veezara

Todos se voltaram para ele.

-Os portos de Windhelm são restritos para Argonianos. Não nos permitem entrar na cidade através do portão principal. Mas se você estiver disposto, podemos arranjar um barco e entrar por lá. É um risco menor do que tentar forçar a entrada pelo portão principal sem um visto, ou gastar dinheiro comparando um que não sabe se será aceito. Apenas eu e ele, não deve levantar suspeitas.

Raed permaneceu calado, avaliava a situação, mas sabia que era a melhor escolha.

-Então vamos. Onde o encontro dentro da cidade Liv?

-Na estalagem do centro da cidade. Vou tentarei conseguir quartos lá. Mas vamos beber esperando a fila caminhar.

Continuaram bebendo até um dos empregados de Liv sinalizar que já estavam chegando ao portão. Saíram para o frio com um Raed resmungando e pegaram caminhos distintos.

Desceram até a margem do mar. As bordas estavam congeladas, e ao longe no muro podiam ver um porto. Veezara fez um gesto discreto e um barulho distinto. Passados alguns momentos em silencio, um argoniano que trabalhava no porto se aproximou, oferecendo um pequeno barco. Veezara deu algumas moedas não mão dele e trocaram algumas palavras em sua língua natal. Entraram no barco e remaram em silêncio pelas águas escuras do mar de Fantasmas, Raed sentia a tensão em seus ombros. A proposta de Veezara era arriscada, mas a única alternativa para entrar em Windhelm sem o visto necessário. Confiou que o Argoniano sabia o que estava fazendo.

De repente, o argoniano parou de remar. Raed olhou de relance em volta e levou a mão ao cabo da espada que estava em seu colo desde o começo da viagem. Veezara levantou uma mão sinalizando que não era necessário. Sua voz sibilante se tornou séria, carregada de uma revelação inesperada.

-Eu o conheço, Raed. Eu conheço seu pai, Nazir."

A menção do nome de seu pai, fez Raed gelar. O silêncio da noite foi quebrado apenas pelo som da água contra o barco e o bater de seu próprio coração.

-Ele fez parte da Irmandade Sombria,- Veezara continuou, — e desejava que você seguisse seus passos. Há um lugar para você, Raed. Mas para provar seu valor, você deve cumprir uma tarefa para nós.

Raed apenas o encarou, sem dizer absolutamente nada. Veezara tomou isso como uma ponderação. Então continuou a falar.

-Em Windhelm..- Veezara começou com sua voz baixa e conspiratória, levemente abaixada pelo vento frio que percorria o mar. — Há uma criança chamada Aventus Aretino. Ele está invocando a Irmandade Sombria. Seu ritual foi ouvido. Ele nos invocou, e agora você deve ser a resposta.

Veezara parou, seus olhos fixos em Raed.

-Para provar seu valor e mostrar que você está disposto a seguir os passos de seu pai, você deve aceitar este contrato. A Irmandade tem regras, e o primeiro passo é sempre o mais crucial. Aceite este contrato, cumpra-o, e então você poderá ver seu pai e aceitar novas missões. Só então seu caminho com a Irmandade Sombria será aberto.

Raed suspirou olhando o Argoniano em sua frente.

-Vamos supor que isso seja verdade. E que por algum motivo aparente eu queria seguir os passos de um pai ausente. Que prova eu tenho?

O Argoniano sorriu.

-Ele falou que você podia duvidar.

Erguendo as mãos para mostrar que não tentaria nada de estranho. Ele abriu lentamente a bolsa e tirou um embrulho dela. Raed por nenhum momento soltou o cabo da espada, mas afrouxou o aperto assim que viu o que era.

Em um tecido grosseiro estava uma adaga de punho dourado e lamina de cristal. A luz fraca e nublada do sol fazia a lamina brilhar com uma certa aura. Ele suspirou.

-É a adaga do meu pai.

O argoniano sorriu.

- Acredita em mim agora?