Cronicas de Skyrim- Raed o Redguard.
8 Fort Amol- Part 2

Ele acordou com o toque em seu peito, e em reflexo, seus dedos se fecharam na adaga em baixo das peles.
-Não vai precisar disso bonitão. Pelo menos não para mim.
Relaxou ao reconhecer a voz de Aella. Seus olhos amarelados brilhavam na escuridão. Ele se ergueu dos mantos e sentou olhando a sua volta.
-O que está acontecendo?
Ao seu redor podia ver pessoas levantando, mas ainda sem entender aquela movimentação repentina. Ele notou que que todos os Companions estavam com armaduras e com as armas. Então, se levantou e começou a pegar o seu equipamento.
-Quem é Dorian? – Questionou Aela, curiosa.
-Você não respondeu minha pergunta. – Raed, a ignorou em quanto colocava a armadura dos punhos.
Aela, deu de ombros sobre ele a ignorar em quanto olhava ao redor.
-Ouvimos barulhos vindo do forte. Havia luzes e gritos. Estamos juntando alguns para ir verificar.
- E quanto aos comerciantes?
-Ficarão com os demais aqui. Seja lá o que esteja acontecendo não queremos que alcance aqui. Acreditamos até que já devem ter no visto. Não há como esconder a fumaça de fogueiras perto de um forte.
- Você quer que eu vá, presumo. –Questionou ele a olhando em quanto prendia a espada na cintura.
-Você dispensaria passar mais um tempo comigo antes de nos separarmos? –Provocou ela com um sorriso de malicia.
-Aela! – Chamou Vilkas. –Se já o chamou, venha se preparar.
Eles foram para meio do acampamento. Os comerciantes pareciam apreensivos ou irritados com a interrupção do seu sono.
-Ir até lá pode ser um erro. –Falou um dos comerciantes mais velhos que vestia um pijama verde, mas de boa qualidade.
-Não fazer nada é um erro pior ainda velhote – retrucou Fenris- Prefere que eles venham até nós? Sem saber o que nos espera?
-Nós vamos em um grupo pequeno. Iriamos apenas nos três, mas Aela insistiu no redguard. – Disse Vilkas sem olhar para Raed.
-Eu também gostaria de ir. – Falou com a voz típica reptiliana, o mercenário argoniano que seguia caravana com eles.
-E quem é você mesmo? Foi você que foi de batedor da última vez. – Questionou Aela.
-Me chamo Veezara. Estamos no mesmo caminho não vejo porque não ajudar.
Os outros deram de ombros.
-Então vamos. – Finalizou o Vilkas. -Aos demais fiquem atentos.
Os comerciantes e outros mercenários assentiram silenciosamente. Então partiram.
Seguiram o caminho descendo a estrada pela floresta. Parecia silencioso, mas ao se aproximarem começaram a escutar estranhos ruídos, que pareciam animalescos. Tomaram mais cautela com os passos a partir desse ponto. Raed lamentou não ter pego seu arco. Apenas Aela carregava o dela. Seguia apenas com sua espada, adaga e umas três facas de arremesso presas na sua armadura de couro. Aproximaram-se do muro e encostaram nele caminhando lentamente até chegar a porta. Raed verificou as suas facas de arremesso e eles seguiram atravessando os portões.
Eles imaginariam que não havia nada no pátio externo do forte, mas isso foi logo descartado, pois estavam ouvindo claramente o barulho de algo mastigando. A lua surgiu quando a nuvens do céu noturno se afastaram suficiente para isso, iluminando uma figura quadrupede curvada sobre o que parecia ser os restos de um corpo.
Por mais silencioso que pudessem ter sido, algo os denunciou. Ou apenas a criatura tivesse uma excelente audição e aí nada que eles tentassem, poderia ter escapado do seu radar.
A criatura se virou e rosnou. Seus olhos vermelhos brilharam na noite, seus dentes muito brancos se mostraram ao rosnar. Partiu para cima deles como um raio, puderam perceber de imediato que ele se parecia com um cachorro muito musculoso. A flecha lançada por Aela, assim que a criatura atacou, a obrigou a desviar e mudar a direção do alvo, que se tornou Raed.
Raed se preparou, vinha treinando ao longo do caminho para recuperar suas condições físicas. Deu resultado. Ele rodopiou para lado e girou atacando, sentiu a lamina cortar a carne da criatura, mas não parecia que ela sentiu o golpe. Derrapou no chão e se voltou para ele rosnando, mas demorou demais para atacar, Aela aproveitou esse pequeno momento e o acertou com duas flechas rápidas, o que fez tombar para o lado com o impacto. Um machado de duas mãos desceu e separou sua cabeça do corpo. Fenris tinha novamente dado o golpe de misericórdia.
-Mas que merda é essa? – Questionou ele removendo seu machado do corpo morto no chão.
- É um cachorro? Não cheira como um cachorro- Aela se aproximou com arco em uma mão e a flecha na outra.
Vilkas também se aproximou.
-Verdade. Tem cheiro de...
-...Vampíro. – Completou Aela.
A porta se abriu. Alguém saiu por ela arrastando um corpo displicentemente pela perna, dois cachorros daqueles saíram junto com ele e rosnaram assim que viu o grupo que estava formado em círculo sobre o cachorro infernal morto. Os olhos denunciaram o vampiro. Ele soltou o corpo, e se virou mostrando as garras, puxou uma adaga e ficou em posição de ataque. Todos se espalharam assumindo posições de combate.
-Foquem nos cachorros. Deixem o vampiro comigo e Aela. – Ordenou Vilkas sem qualquer hesitação.
Os cachorros atacaram e Raed, Veezara e Fenris partiram correndo chamando a atenção dos cachorros para si. Raed era mais rápido, manteve-se em linha reta com um dos animais esperando calcular certo momento exato de desviar. O cachorro saltou como ele esperava e ele escorregou em resposta dando um golpe rápido com a espada em sua barriga. Sentiu a lamina cortando a pele, sangue quente quase caiu em seu rosto, e quando a fera caiu em pé parecia não ter sentido o golpe, mesmo com gotas pesadas de sangue pingando no chão.
Fenris atacou com seu machado duplo, o demoníaco cachorro ferido desviou do golpe e atacou. Fenris se defendeu expondo o cabo da arma e o cachorro abocanhou tentando tirar a arma das mãos firmes do nórdico. Essa disputa de força abriu brecha que Raed precisava. Com um golpe vertical decapitou o cachorro.
O argoniano estava evitando ser mordido pelo o outro animal. Desviava habilmente, evitando principalmente que ele alcançasse sua calda. O cachorro se distraiu ao ver o seu companheiro morto e com um golpe preciso Veezara pôs fim ao seu oponente. Agora só restava o vampiro.
Havia combates que mereciam apena ser apreciados. Certamente esse era um deles. O vampiro empunhava uma adaga de metal escuro. Aela atacava com duas adagas de aço e Vilkas sua espada de aço e escudo. Eles desviavam e atacavam, Vilkas defendendo golpes mais do que esquivando, mas a Aela parecia um animal de tão ágil que era. O vampiro também com suas habilidades inumanas enfrentava os dois com uma velocidade surreal, mas os habilidosos guerreiros o cercavam de modo que o impedissem de fugir.
Os três ficaram olhando aquilo sem saber se interviam ou não. Talvez que o pensamento que os três tiveram era de que só atrapalhariam. Enfim o vampiro conseguiu uma brecha. Ele desviou de um golpe de Aela e puxou sua perna com seu pé esquerdo a desequilibrando fazendo rolar no chão. Jogou sua faca em Vilkas e ele defendeu com escudo e então recuou.
Aela se recuperou rápido, mas o vampiro já começava se dissolver em nuvem de morcegos, soltando um grito no processo. Raed imaginou que fosse dolorosa sua transformação, mas para sua surpresa o vampiro caiu de joelhos, uma seta em suas costas, outras quatro o acertaram logo em seguida e ele caiu sem vida no chão. Todos se voltaram com armas em punho para a direção que vieram as setas.
Das sombras surgiram formas, e essas formas se revelaram vários humanos vestidos com armaduras de couros e aço, e um deles com uma armadura total de placas como um paladino. Qualquer semelhança acaba por ai. Pois sua postura parecia mais ameaçadora do que reconfortante.
Aela foi a primeira a baixar as armas e sinalizar para os demais fazerem o mesmo. Os homens armados continuaram avançando com armas em punho, tendo o “paladino” na liderança.
-É a Dawnguard. – sussurrou Aela.
-Identifiquem-se. – Exigiu a voz rouca do homem de armadura que vinha ao centro. Alguém sussurrou algo para ele. Ele se inclinou para escutar e então voltou a postura inicial – Vocês ao que parece são Companions. Não sabia que vampiros tinham entrado em sua lista de caça.
-Não entrou. Se bem que se fosse nossa “caça” enfrentaríamos do mesmo jeito. – Respondeu Vilkas. – Apenas três de nós somos Companions. O redguard e o Argoniano são mercenários acompanhando comerciantes até Windhelm.
O homem com armadura completa tirou o capacete, revelando ser redguard com uma barba volumosa, mas bem aparada e com um rosto severo. Ele se virou para os soldados que os acompanhavam e deu algumas ordens. Depois se voltou sua atenção para os companions.
-Vocês poderiam me relatar o que houve aqui? – Disse ele indicando um canto mais afastado com a cabeça.
Vilkas e Aela assentiram. Raed então o abordou antes que saísse.
-Por acaso, você não teria entre seus homens, um nórdico chamando Erik, vindo de Rorikstead, teria? – E após ver a cara de desconfiança do homem acrescentou. – Ele foi com meu irmão até Riften.
O líder da Dawnguard o observou por um bom tempo antes de finalmente sinalizar com a cabeça que não.
Raed fez um gesto de agradecimento e recolheu suas armas, dando a volta para o acampamento com o Argoniano e o Nórdico “escolhido”, com a certeza que o “paladino’ mentia.
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