Cronicas da Morte
5 As pílulas do Medo
Notas iniciais
As pílulas. Por que ele as toma, se só servem para seu sofrimento continuar? Aquelas cores alegres, aquelas vozes doces e cheias de si que as receitam não passam de mentira, de alguém que apenas quer manter seu trabalho. Apenas Lucas não percebe isso.
Com o corpo já doendo, reclamando da rotina diária de pílulas que deveriam fazer com que ele fique melhor, ele levanta de manhã e já toma a primeira pílula.
A primeira de muitas que é obrigado a tomar no decorrer do dia.
A doença que tinha já está num estágio avançado, foi o que lhe disseram antes de receitarem os remédios que eles juraram que curaria e que diminuiria as dores. Só que o corpo já não reage às doses exageradas da substância, que acaba apenas por intoxicar o corpo do garoto mais um pouco. Aos dezessete anos já conhecia melhor do que ninguém o efeito da droga no corpo.
A dor também já se tornou sua amiga, assim como as pílulas. Com todo o corpo e toda a mente a reclamar, faz sua rotina diária na esperança de viver um pouco mais. Mas viver um pouco mais de que? De dor? Ou de sofrimento por parte de sua família?
Pergunto-me todos os dias, o porquê de pessoas como Lucas ter tanto medo em me ver. Não sou a mais cruel das criaturas que ronda os humanos sem eles saberem. Posso até dizer que sou a mais delicada, aquela que tem a responsabilidade de salvar as pessoas de seus sofrimentos.
Mas há sofrimentos causados pelas próprias pessoas e que eu não posso lutar contra eles. As pílulas é um belo exemplo. Elas podem o afastar de mim, mas dos sofrimentos que os libertaria não.
Por isso eu apenas espero e observo.
Principalmente a aqueles que têm medo de mim.
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