Croatoan
1 In the Beginning.
Notas iniciais

Carry on my wayward son
For there'll be peace when you are done
Lay your weary head to rest
Don't you cry no more
Londres, 2016.
A morena respirou aliviada ao sentir seus pés em solo novamente, se tinha algo que Nymphadora Tonks não conseguia suportar, essa coisa era voar. E só Deus sabia o motivo de ela ter aceitado o convite de Sirius para caçar em outro país, um anos atrás. Ela pôde sentir o ar gélido da Inglaterra bater em seu rosto e ouviu o primo resmungar por conta de algumas coisas de caça deixada nos Estados Unidos.
— Cale a boca, Sirius. — Tonks ralhou ao andar pelo aeroporto e tirar o celular do bolso, tentando em vão entrar em contato com sua mãe, mais uma vez. — Merda. — murmurou quando ouviu a mensagem da caixa postal.
— Mamãe não atende, criança? — Black perguntou em um falso tom gentil e a mulher revirou os olhos dando-lhe um tapa no ombro.
— Não se faça de idiota, Padfoot. Você sabe que papai sumiu, e eu quero saber por onde começar a procurar. — comentou quando chegaram na porta do aeroporto e suspirou irritada. — E não me chame de criança, você estaria morto se não fosse por mim. E temos a mesma idade.
O moreno revirou os olhos antes de passar sua mão direita pelos cabelos negros compridos, ele ajeitou a jaqueta de couro em seu corpo e a alça da mochila em seu ombro. Um ano em New Orleans e tudo o que eles traziam consigo eram duas mochilas de roupas e livros, tirando a pequena cicatriz que ele tinha perto de seu tórax, devido a uma bruxa louca.
— Estamos sem carro. — ele observou ao ver a prima começar a andar até o estacionamento.
— Não é hora da moral e bons costumes, precisamos começar a procurar papai e isso não vai ser feito enquanto estivermos a pé.
— New Orleans realmente não fez bem só a mim. — o rapaz falou ao andar ao lado dela e observar os carros.
— New Orleans quase te matou, Six.
— Eu não sei do que você está falando, Dora.
— Aquela bruxa quase te matou. — Nymphadora grunhiu.
— Nah, ela não conseguiria.
— Isso é realmente sério, Sirius Orion Black? — Tonks parou e colocou-se em frente ao primo, cutucando o peito do mesmo. — De onde eu vi, semana passada, ela estava em cima de você quase arrancando seu coração. — afastou-se dele com as mãos para cima e um sorriso sarcástico nos lábios. — Se não fosse por mim você não estaria aqui hoje.
— Cale a boca. — o moreno quase rugiu. — Eu tenho uma reputação a zelar.
A filha de Andrômeda e Edward riu sem acreditar no que ele dizia.
— De que? — perguntou cética ao cruzar os braços em frente ao corpo. — De o caçador que mais faz burrada no mundo e não consegue ver que a mulher bonita de uma loja de pedras e coisas SOBRENATURAIS é na verdade uma bruxa de quase cem anos?
— Eu devo repetir para você cala a boca, priminha?
Ela riu e observou um carro preto, deu um sorriso orgulhoso de seu achado e apontou para o veículo com a cabeça. Um Chevy Impala 1967, impecável. Sirius entendeu o que ela quis dizer e foi para o lado do passageiro. Com um grampo de cabelo e alguns minutos de trabalho ela abriu a porta do carro, sorriu satisfeita consigo mesma e jogou sua mochila no banco de trás, esticou-se e abriu a porta para o primo que antes de entrar no carro acendeu um cigarro, tragou e ofereceu para ela, ao lado de fora. Nymphadora deu os ombros e saiu de dentro do carro, ainda orgulhosa pelo do que havia feito, esticou seu braço por cima do teto do carro e pegou o cigarro da mão de Black, levou-o até a boca e deu um leve trago.
Assim que a fumaça começara a sair entre os lábios da morena, ela ouviu o barulho de uma arma sendo engatilhada e antes que pudesse fazer qualquer coisa sentiu seu corpo ser pressionado contra o carro escuro, o cigarro cair e suas mãos serem presas atrás de seu corpo.
— Se você tirar suas coisas do meu carro, ninguém se machuca. — a voz grossa murmurou.
Tonks procurou pelo primo que já não estava mais em seu campo de visão e bufou irritada, observou o jovem que se levantava do chão.
James Potter.
Ela deixou uma risada sair de seus lábios e cutucou o pulso daquele que tinha uma arma contra seus cabelos desarrumados.
— Sei que o tempo passou, Lupin, mas você não me reconhecer realmente me deixa chateada. — murmurou cuidadosamente e sorriu para James. — Oi Potter, como vão Euphemia e Fleamont?
— Espera… — a voz de Remus surgiu novamente e soltou os braços da mulher, ela virou-se e sorriu para o caçador. — Nymphadora? — perguntou cético minutos antes de ela se colocar nas pontas dos pés e beijar a bochecha do mais velho.
— Você esperava que outra pessoa conseguisse abrir a porta de Baby? — perguntou divertida ao começar a dar a volta no carro e ver Sirius jogado ao chão e alguns cacos de vidro ao lado dele, olhou para Potter e cruzou os braços em frente ao seu pequeno corpo. — Era necessário bater na cabeça dele mesmo? — indagou antes de ajoelhar-se e começar a dar leves tapas no rosto do primo.
— Na realidade… Eu não esperava que ninguém conseguisse abrir Baby. — o mais velho murmurou ao dar a volta no carro e encarar Black jogado ao chão. — Porra, Prongs. Você não viu que era o Sirius?
— Em minha defesa eu estou meio bêbado. — James começou a falar ao abaixar-se e encarar o rosto do outro caçador desacordado. — E ele fica melhor assim.
Remus deu uma risada em concordância e Nymphadora soltou um riso baixo, ainda batendo no rosto do primo.
— Você vai parar de me bater quando? — Padfoot perguntou irritado ao abrir os olhos com dificuldade.
— Quando você parar de ser mole, eu nem bati com tanta força, Black. — Potter deu os ombros encarando o moreno que levantou a mão e lhe mostrou o dedo do meio.
— Ainda não entendi quem lhe chamou para a conversa. — o moreno que se levantava com ajuda da prima comentou ácido e respirou fundo encarando os dois caçadores treinados por Fleamont. — Moony. Prongs. — ele olhou para a prima com uma sobrancelha levantada e um sorriso malicioso nos lábios após cumprimentar Remus.
— Vocês estavam em New Orleans, não estavam? — Lupin perguntou ao encostar-se em Baby.
— Caça às bruxas. — Tonks respondeu prontamente e suspirou. — Mas tivemos que voltar antes. Vocês estavam no Castelo de Glamis na Escócia, certo? — indagou ao buscar na memória algumas das últimas publicações dos dois no instagram.
— Estávamos. Iríamos para a Irlanda do Norte ontem, Crumlin Road. — o mais velho respondeu ao passar a mãos nos cabelos.
— O que lhes impediu? A presídio parece ser um lugar maravilhoso para James gritar de medo. — Black zombou, fazendo os outros três revirar olhos.
— Papai sumiu. — Potter falou sem emoção.
Os olhos do filho de Euphemia escureceram e a única caçadora presente pôde ver Remus suspirar cansado.
— Papai também sumiu. — ela murmurou ao morder o lábio, chamando a atenção dos outros dois, já que Sirius acendia outro cigarro. — Mamãe nos ligou anteontem, aparentemente Edward saiu em missão com Fleamont…
— E os dois desapareceram. — James completou e um suspiro frustrado saiu de seus lábios.
— Vocês querem uma carona? — o moreno antes encostado em Baby perguntou ao lado de Nymphadora
— Eles estavam roubando nosso carro, é claro que querem! — o mais novo esbravejou e andou até o lado do irmão. — Me deixe dirigir dessa vez, você está cansado e eu não quero morrer.
— Dora. — Remus a chamou ao pegar a chave de dentro do bolso de sua jaqueta de couro e estendeu a chave para ela.
— Isso é injusto. — Potter resmungou. — E eu fico onde?
— No banco de trás, com Black e as mochilas.
A jovem deu um pequeno sorriso para o mais velho antes de colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha e dar a volta no carro, com Sirius atrás de si.
— Então Reminho parece que está mais musculoso, uh? — perguntou em um murmúrio debochado para a prima. — E te deixou dirigir a Baby, talvez agora você tenha chance, Dorinha.
Ela soltou uma risada ao abaixar a cabeça e estendeu sua mão até o braço do primo, puxou um pedaço de pele (e com isso de pelos) dele formando um beliscão dolorido e aproximou sua boca do ouvido do mesmo.
— Abra a boca para falar algo assim dentro desse carro Sirius e eu vou terminar o serviço da bruxa.
— Você está muito agressiva. — ele comunicou após entrar no carro, observou a prima entrar e fechar a porta de Baby, levar a chave até o contato e ligar o veículo.
Tonks fechou os olhos ao ouvir o ronco do motor e um sorriso tomou conta de seus lábios, James olhou sem humor para o vidro enquanto Remus encarava a morena ao seu lado, um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
— Sabe o que te faria bem, priminha? — Black perguntou, fazendo-a o encarar pelo retrovisor com a sobrancelha arqueada. — Uma noite de prazer. Isso sempre acalma, certo Prongs?
— Isso é verdade. — Potter concordou prontamente.
— Sabe o que seria o prazer da minha vida toda, Padfoot? — ela perguntou ao acelerar o carro e começar a sair do estacionamento do aeroporto. — Você sem tentar encher a minha paciência.
— Eu tenho outra ideia do que seria o seu prazer, doce. — o moreno respondeu risonho e recebeu um olhar feio dela. — Dirija, Tonks, eu estou com pressa de chegar em casa.
— Se puder, me acorde quando chegarmos em Manchester, sim? — Lupin cochichou para ela que o encarou com um sorriso e concordou com a cabeça. — Realmente preciso tentar dormir um pouco.
— Fique tranquilo, Reminho, minha prima te acordará. Você pode até escolher o jeito. — Sirius comentou debochado ao ajeitar seu corpo no banco traseiro e cruzar os braços em frente ao corpo.
— Por que você não imita o Remus e dorme, priminho?
— É, Six, ninguém mais aguenta te ouvir falando. — James comentou enquanto mexia freneticamente em seu celular.
— Outch. Ninguém me quer acordado?
— Não, Sirius. — as vozes da motorista e do outro passageiro no banco de trás soaram em uníssono.
Os olhos escuros de Sirius foram revirados e então sua cabeça fora encostada no vidro do carro e em questão de segundos ele havia pego no sono, tão rapidamente quanto Lupin havia feito naquele mesmo momento, deixando os outros dois praticamente sozinhos no carro.
— Nós vamos achá-los, você sabe, né James?
— Eu briguei com meu pai antes de ele sair nessa caçada, tentei entrar em uma faculdade mês passado e ele descobriu, esbravejou comigo. Eu me sinto de certa forma culpado. — ele murmurou olhando para o breu da estrada.
— Você não tem culpa, Jay. — Nymphadora suspirou e aumentou um pouco o volume do rádio quando percebeu que era a música favorita do menino ainda acordado. — And if I claim to be a wise man, it surely means that I don't know... On a stormy sea of moving emotion. — cantarolou e ouviu a leve risada dele.
— Eles cantavam essa música todos os natais.
— Eles cantam essa música todos os natais. — a morena falou com a voz embargada. — Nós vamos encontrá-los, Potter, você precisa me ajudar.
— Eu vou. — ele suspirou e ajeitou os óculos redondos em seu rosto. — Como foi nos Estados Unidos?
— Foi tranquilo, Sirius quase morreu por conta de uma bruxa e eu quase tive um infarto por causa do avião. — riu sem graça e sorriu. — E eu senti falta de dirigir do lado correto.
— Americanos são loucos. — o rapaz de pele escura no banco de trás constatou.
— Mas fazem carros maravilhosos. — ela murmurou e eles riram.
Cambrige, 2016.
A ruiva soltou um suspiro aliviado ao entrar em seu dormitório e ver sua rommie desempacotando algumas peças de roupa da mala, a loira a encarou com uma sobrancelha arqueada e um jornal fora jogado ao lado da mala, em cima da cama com lençol roxo. Em letras com caixa alta na manchete estava escrito:
CORPO DE ALUNA ENCONTRADO ESQUARTEJADO PERTO DO PRÉDIO VERMELHO E DOURADO DA GRYFFINDOR.
Nas letras miúdas era possível ler: sem coração.
Fale com o autor