Guess who just got back today
Them wild-eyed boys that had been away
Haven't changed that much to say
But man, I still think them cats are crazy

Manchester, 2016.

Euphemia Potter olhava sem qualquer emoção para a mesa, isso sempre acontecia quando Fleamont sumia durante suas caçadas, mas desta vez ela tinha uma companheira: Andrômeda Tonks, se encontrava ao lado da amiga e encarava as pontas de suas unhas como se fossem a coisa mais interessante do mundo.

Sempre fora normal caçadores sumirem entre uma caça e outra, sua própria filha havia o feito diversas vezes (assim como a própria Andy fizera anos atrás antes que conhecer o marido), mas não ele. Edward nunca havia sumido, pelo menos não até aquele ano.

Elas esperavam por seus filhos.

A senhora Potter levantava-de a todo momento que ouvia um ronco de motor ao lado de fora da casa, e Andrômeda não sabia quando sua filha e o primo chegariam, esperava somente que logo.

Remus Lupin vivia com os Potter há vinte e um anos. Quando ele era apenas um menino de seis anos seus pais foram massacrados por um alcateia de lobos enormes e implacáveis, mesmo que os Lupin fossem antigos no ramo da caça, eles não conseguiram se proteger. E o único sobrevivente daquela fatidica noite fora morar com um antigo amigo de seu pai, Fleamont Potter, e assim ele não adotava o sobrenome, mas Remus era da família e aprendeu tudo o que James aprendeu, para evitar como ataques como aquele, que destruíram sua família, acontecessem novamente.

O jovem orfão acordou assustado ao sentir uma pequena mão em seu ombro, seus olhos castanhos foram abertos e logo ele a encarou. Nymphadora Tonks tinha um pequeno sorriso nos lábios ao ver o caçador despertar.

— Chegamos. — ela murmurou antes de virar-se e cutucar os outros dois, com o mesmo cuidado que cutucara Lupin que sorriu observando-a enquanto esfregava os próprios olhos.

Porque ele sabia dos sentimentos dela, desde quando a morena tinha quinze anos, ele sabia. Ted Tonks mesmo havia dito a ele, em sua primeira caça sozinho com os dois adultos: — Era difícil não perceber.

Só que ambos haviam decidido, há um tempo atrás, que era melhor se continuassem apenas com os casos, as ajudas... E intimamente, os olhares.

Lupin suspirou antes de abrir a porta do carro, viu a motocicleta dos Tonks e encarou a mais nova com a sobrancelha arqueada.

— Mamãe deve esta ai... Por um tempo elas foram tudo o que a outra teve.

Ele apenas concordou com a cabeça e observou a luz acesa em sua casa, passou a mão pelos cabelos castanho-escuros bagunçando-os e sentiu um pequeno tapa leve em seu ombro, olhou para o lado e viu James sorrir.

Os quatro passaram cuidadosamente pelo jardim cheio de flores, que mesmo com o escuro da noite Remus podia dizer que estavam bem cuidadas (como sempre), e assim que chegaram na porta o mais velho colocou sua chave ali e a girou, abrindo rapidamente a madeira que distanciava-os das mulheres mais velhas.

Em questão de alguns minutos, que levaram Andrômeda e Euphemia a andarem até o hall de entrada da casa e encontrarem com eles, Nymphadora e James estavam sendo abraçados primeiros, seguidos de Sirius e Remus. Elas estavam com um pouco de paz no coração, finalmente.

— Mamãe, a senhora sabe que estávamos bem. — Potter falou desconcertado ao ter um pedaço de torta de frango colocada em uma louça branca em sua frente, e referindo-se as ligações que ele e o irmão faziam todos os dias para a mãe.

— Seu pai ligava todos os dias para falar que estava bem, James. — a senhora ralhou com o filho e foi servir o mais velho, dando um sorriso terno para ele. — Esse ramo é muito perigoso, e tudo o que eu posso sentir é preocupação. — suspirou em derrota antes de ir até Nymphadora que encarava a mãe com um pequeno sorriso nos lábios.

— Vamos comer? — a mais velha dos Tonks se pronunciou ao ver que o mais novo dos Potter iria iniciar outra resposta à mãe. — Acho que precisamos de um momento de paz antes de qualquer coisa.

— Qual é a missão? — Black perguntou sem humor, fazendo a outra família encará-los. — Qual é, Andy, eu e Dora te conhecemos muito bem para saber que tem algo te atormentando e não é só o sumiço de Ted ou de Fleamont.

— Nós não sabemos ainda. — Andrômeda deu de ombros e tomou um gole do líquido dourado que estava em seu copo. — Mas Alastor nos ligou anteontem...

— Aparentemente zumbis existem. — Senhora Potter completou o que a amiga queria falar e Remus encarou-a com uma sobrancelha arqueada.

— Em The Walking Dead, só se for. — o moreno mais velho comentou debochado.

— A informação que ele nos passou é de que alguns corpos adultos e até mesmo de crianças sumiram do pequeno mausoléu de Rye, algumas pessoas falaram que viram seus entes queridos em praças... E eles pareciam mortos-vivos. — Senhora Tonks começou a falar em um tom sério e encarou a filha de uma forma firme. — Precisamos que vocês investiguem.

— Rye é há cinco horas de Manchester. — Black reclamou batendo a mão na mesa e recebeu olhares reprovadores das duas mulheres mais velhas. — E nós acabamos de chegar.

— Nós podemos descansar hoje e pesquisar mais sobre amanhã. — Nymphadora começou a falar ao juntar as duas mãos e encarar o primo. — Não podemos ir sem nenhum conhecimento, mas também não podemos deixar a situação se agravar a ponto de nós não conseguirmos fazer o trabalho.

— Ah, e parece que tem algum fantasma da antiga escola do primário que Sirius e James estudaram. — Euphemia falou ao se sentar e sorrir para os outros.

— O certo seria nos dividir. — Sirius falou o óbvio.

— Dividir e conquistar. — James concordou sorrindo.

— Vamos cuidar do fantasma primeiro e depois iremos para Ray. — Lupin se pronunciou após terminar de comer o que tinha em seu prato. — Amanhã eu e Tonks iremos à escola para ver o que tem de errado e vocês pesquisem sobre o passado, e não James, vocês não podem ir. Estragaria o disfarce.

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Remus usava uma camisa azul escura quando Dora desceu as escadas da casa dos Potter em um vestido rodado e encarava a mãe irritada.

— Professora, sério? — perguntou para a mais velha. — Não tinha nenhum outro disfarce? Tipo... Zeladora? — sorriu forçadamente e recebeu um peteleco no nariz. — Mamãe!

— O único jeito de vocês conseguirem alguma informação por dentro é você se passando por professora minha filha, zeladores não tem acesso ao armário dos professores. — Andrômeda comentou risonha e olhou para Lupin. — Agora vão logo, a escola logo irá abrir e aparentemente as coisas estão ficando piores.

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James e Sirius olhavam nos livros que tinham disponíveis na casa dos Potter e alguns que a senhora Tonks trouxe naquela manhã, era possível existirem dois espíritos no mesmo local? Porque só assim para que eles tivessem tamanha diferença em acontecimentos na escola. Black suspirou irritado ao fechar o terceiro livro e tomar um gole do café em sua caneca.

— Eu simplesmente odeio a ideia de que não podemos entrar em ação. — comentou ao esfregar os olhos.

— Nós entraremos em ação, Padfoot. — Potter falou calmamente ao circular algo no jornal que lia. — Mas não podemos nos disfarçar, só isso.

— E ficamos aqui fazendo o que? Procurando coisas que não iremos achar!

— Pelo contrário, cara, eu acabei de achar algo. — murmurou ao encarar o jornal mais uma vez, confuso. — Esse nome é familiar para você? — indagou ao virar o jornal e mostrar a matéria marcada em amarelo há alguns segundos atrás.

— Peter... Nós estudamos com Peter Pettigrew, não foi?

— Ele faleceu na escola, quando estávamos no terceiro ano. Lembra? Papai nunca me contou o motivo, mas eu sempre achei que era algo relacionado ao trabalho dele... Ao nosso trabalho. — falou com as sobrancelhas arqueadas.

— Mas Peter... Ele... Não pode ser uma espírito vingativo, nada demais acontecia com ele. Nós o protegíamos. — Sirius falou após encarar o amigo.

— Pode ter acontecido algo que nós não sabemos, Six. — James suspirou e passou a mão pelos cabelos. — Vamos esperar até os outros chegarem para sabermos o que eles descobriram por lá.

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Nymphadora olhava para o leitor de atividades fantasmagóricas com tédio, era horário do intervalo e ela aproveitou que os alunos e professores estavam descansando para andar pela escola com aquilo em mãos. Caminhava olhando para baixo e quando três luzes acenderam-se no item que estava em sua mão, ela sorriu e trombou com alguém.

— Pelo amor de Deus, olhe por onde.... Ah, o que você está fazendo aqui? — ele encarou-a com uma sobrancelha arqueada.

— Para sabermos se é algum espírito ou não precisamos ler as atividades, uh? — perguntou divertida ao observar Remus lhe dar um pequeno sorriso.

— Você conseguiu alguma coisa? — o moreno perguntou curioso.

— Essa sala. — apontou com a cabeça para a porta que levava à uma sala de primeiro ano. — É provável que tenha algo aqui.

Lupin concordou com a cabeça e deixou seu pulso a uma altura onde ele conseguiria ler a hora no relógio.

— Temos que fazer isso rápido, o intervalo já vai acabar. — informou a andar até a porta.

— Recreio. — Tonks riu ao ver o olhar confuso dele. — Nos primeiros anos as pessoas chamam isso de recreio, Rem.

— Você vai querer conversar sobre o que é chamado, agora? — perguntou ao abrir a porta, fazendo a mulher revirar os olhos e entrou na sala de aula infantil.

— Eu sempre esqueço o quão sem humor você é nas caçadas.

— Eu tenho senso de humor, Nymphadora. — o mais velho respondeu ao entrar atrás dela, ouvi-la reclamar sobre o nome e observar a sala. — Mas talvez não seja um boa ter senso de humor em um lugar que um espírito pode possuir um de nós e até mesmo nos jogar contra a parede.

A morena deu de ombros e aproximou-se da lousa para ler o que estava escrito ali, se em um segundo ela estava caminhando calmamente, no outro o corpo pequeno de Tonks era pressionado contra a parede por uma força invisível o que fez Lupin retirar a arma escondida no cós de sua calça e apontar para ela, medindo seus passos o homem andou até que a arma não estivesse mais apontada para a mulher e sim para o que segurava seu pescoço. Ele podia ver algum tipo de áurea cinza e apertou o gatilho da arma.

O corpo de Dora escorregou pela parede e Remus foi até ela, lhe deu um pequeno sorriso antes de ajudá-la a se levantar. Eles precisavam saber o que os outros dois descobriram.

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Os quatro se encaravam quando James contou que o espírito era benevolente, e era de Peter Pettigrew.

— Nunca que um benevolente tentaria me matar, James. — Nymphadora falou ao dar um gole em sua cerveja.

— Ele podia estar tentando lhe avisar alguma coisa. — Sirius comentou ao dar de ombros.

— Apertando a garganta de Dora e quase matando-a? Acho que o aviso dele era: caí fora. — Lupin falou debochado.

— Precisamos voltar a escola, a noite. — Potter disse fazendo-os encará-lo. — Se for Peter... Nós podemos tentar entender, mas pode ser algo a mais.

— Não tinha nada no diário de papai? — Tonks perguntou.

— Em nenhum deles. — Black respondeu comendo uma batata frita . — Eu mesmo li.

A mulher suspirou e tentou relaxar o corpo no estofado da cadeira.

— Exceto às quartas a noite a escola oferece cursos para a comunidade, podemos ir depois de amanhã e ver o que descobrimos. — Remus falou ao bloquear o celular.

Cambridge, 2016.

As duas colegas de quarto se encaravam assustadas após fecharem a porta no dormitório que dividiam, não era a primeira vez que elas encontravam-se naquele estado: assustadas, ofegantes e pensando o pior. Voltavam da última aula da noite quando ouviram um barulho na mata um pouco distante de onde estavam naquele momento, e com os constantes ataques de animais, Lily e Marlene não pensaram duas vezes antes de correr como se suas vidas dependessem disso — porque elas dependiam. E aquela não seria a última vez que o estados de ambas era assim, tão deplorável.

Notas finais
Eai, gostou? Me diz o que achou - e o que você acha que atacou no final do capítulo a estudante. Não esquece de me seguir no twitter: @prongkins! See ya, vanprongs.