Crimson Day.

2 Capítulo 2.


March, 19th of 2019.

Geral P.O.V.

Na manhã seguinte, uma terça-feira, Lily sacudiu a prima, algo que estranhou pois Molly sempre ficava pronta na hora. Molls abriu os olhos preguiçosamente e Lily a chamou.

— Molls! Anda logo, você tá atrasada pra aula de Poções! — Dissera a menina, e a mais velha suspirou, antes de se levantar e se aprontar rapidamente. Maldição. Por que tinha de ser do mesmo ano que James? Teria que olhar para ele durante a maior parte do seu dia, pelo resto do ano letivo. Carregava os livros abraçados na altura do peito, e na aula assentou-se no lugar de sempre, ao lado de seu melhor amigo Seth, um corvino maravilhoso. Durante a maior parte da aula, permaneceu com a cabeça deitada no ombro dele, e notava olhares furiosos vindos de James, que estava do outro lado da sala.

— Moll, tá tudo bem? — Perguntou Seth, num sussurro no ouvido dela. A ruiva negou com a cabeça e fez sinal de que depois da aula falaria com ele. A aula parecia não ter fim, e Molly estava nervosa, queria sair logo do campo de vista do ex-namorado. Quando o professor finalmente os dispensou, Seth ajudou Molly a se levantar e carregou os livros da amiga para ela. O loiro saiu na frente e a garota o seguia quando foi puxada pelo braço.

— Então foi por causa dele, Molly? — Perguntava James com uma voz baixa enquanto apertava seu braço.

— James, me larga.

— Me responde.

— Me larga! — Sibilou desvencilhando-se do aperto do moreno, correndo para Seth, que para seu alívio parecia não ter visto o que acontecera. Molly conhecia o amigo o suficiente para saber que ele bateria em James e que aquilo não acabaria bem. Segurou no braço livre de Seth e seguiu com ele para a Torre de Astronomia, que não tinha muito movimento àquela hora da manhã. Tomou a liberdade de jogar tudo o que estava nas mãos do rapaz no chão e se abraçar nele com uma força descomunal. E é claro, sentira as lágrimas descerem novamente.

— O que tá acontecendo, minha ruiva? — Perguntou o menino que olhara surpreso pros objetos por um segundo, mas que logo tratou se afagar-lhe os cabelos, como James fizera horas antes.

— Seth, eu fiz uma coisa péssima... eu... eu... — Não conseguira terminar, entretanto. Chorava alto, soluçava no mesmo tom. Depois de alguns minutos, parecia mais calma e o choro estava mais brando. Afastou-se o suficiente para olhar o loiro nos olhos, mordendo o lábio inferior com força. — Você precisa jurar pelo que mais ama no mundo que não vai contar isso a ninguém, nem às paredes. — Pediu Molly, com a voz embargada.

— Eu juro pela minha irmã que não vou contar a ninguém, nem às paredes. — Repetiu o menino, dando-lhe um sorriso doce. Molly engoliu em seco, e num sussurro mais do que baixo, contou.

— Seth, eu acho... eu acho que tô grávida. — Os olhos azuis encararam seus próprios pés, e o amigo levantou o rosto dela com o dedo sob seu queixo.

— Ahn... Olha, eu já... Acho que sabia. Você ficou igual as minhas tias e quando você senta já fica um volume. — A garota arregalou os olhos.

— Já fica o quê? Ai, santo Merlin! Por que não me disse nada, Seth Von Russell?

— Não disse nada porque preferia que você mesma me falasse. Sabe que isso vai te ferrar, né? Aquele cara lá... O James, sim. Ele não tem cara de quem está afim de ser papai. Só se não for filho dele, o que muda um pouco da coisa, mas ainda assim. — A menina negou com a cabeça, e sentiu o vento frio bater sobre a sua pele umedecida, e a mesma se arrepiar com isso. — Você será expulsa e vão começar a falar mal de você. E sua família? Merlin... Você vai ficar feia, gorda e cheia daquelas riscas na barriga. — Brincou o rapaz, afagando o rosto da amiga. Suspirou, e então continuou. — Bom, aconteceu e nada pode mudar isso, então... O que vamos fazer a respeito?

— Meu pai vai me matar, Seth. No mínimo. E James... — Molly suspirou e engoliu o choro mais uma vez ao se lembrar da madrugada passada. — Eu já dei um jeito com ele. — Fez um bico quando pensou em como ficaria, e então sorriu levemente. — Isso não é nada. toda mulher fica quando tá grávida. Eu não sei, Se. Vou ter que usar sempre o uniforme, que pelo menos é largo e esconde. Mas já estamos em março... não falta tanto tempo assim, não é? — Tentou se enganar, e Seth negou com a cabeça.

— Falta, sim. Nós temos que pensar em algo, Molls. Logo vão começar a reparar. — Retrucou o menino, que assentou-se no chão e puxou-a delicadamente para assentar-se a seu lado.

— O que eu vou fazer, Seth? Além de você, acho que ninguém mais vai me apoiar. James nem vai saber que é pai dessa criança, meus pais vão pirar e meu pai vai me matar. Eu vou ser o desgosto da família, e bem, ainda serei expulsa do colégio antes de me formar. Como eu vou criá-lo, Seth? — Desabafou, mordendo o lábio inferior e desviando os olhos para o teto para segurar as lágrimas que teimavam consigo.

— Não vai ser fácil, Moll. Não vai mesmo. Mas eu estarei do seu lado, e do neném também. Sempre. Você sabe disso, não sabe? — Dissera o rapaz, a puxando para um abraço, e a garota retribuiu de bom grado.

— Obrigada, Se. Você é o melhor amigo do mundo, sabe disso, né? — Respondeu com um sorriso leve. E então, quando se afastaram, Seth tomou a liberdade de levantar a blusa da ruiva, apenas o suficiente para deixar a barriga dela a mostra.

— Hey, neném! Tio Seth tá aqui, e ele não vai te deixar nunca. Nem a sua mãe. Tio Seth promete. — Sussurrou com a mão espalmada sobre o ventre dela. Molly revezava o olhar entre Seth e sua própria barriga, dando o primeiro sorriso sincero naquelas 12 horas.