Crimson Day.

3 Capítulo 3.


May, 22th of 2019.

James’s P.O.V.

Até uns anos atrás, eu poderia assegurar que Molly II era só mais uma prima pra mim. A que eu mais amava irritar, mas dificilmente eu pensaria nela como algo mais do que isso. Fred II e Ted cismavam em dizer que eu sempre fora apaixonado por ela, mas cara, não sei não. Há uns dez meses, resolvi tomar vergonha na cara e contar pra ela que tava afim. Os garotos também enchiam o saco dizendo que ela era caída por mim e eu nunca acreditei, mas pra minha surpresa, ela aceitou ficar comigo. Beijo aqui, amasso ali... e nem demorei a pedí-la em namoro. Só que Molls, mesmo sendo toda certinha ainda era tímida e custou para que ela aceitasse transar comigo. Primeiro foi no dia das bruxas, escondidos na Torre de Astronomia. Depois, no Natal, porque daí era em casa, mais relaxado, festa grande e ninguém ia notar nossa ausência. E uma outra vez escondidos na escola. Ela era ótima, e com ela, eu era também mais controlado porque jamais machucaria a menina que eu mais amava. É, eu amava. Ainda amo, mesmo depois de ela ter terminado comigo dois meses atrás. E pior... tá andando quase que escoltada pelo Russo. Um garoto idiota e metido da Corvinal que diz ser melhor amigo dela. Não entendi porque ela terminou comigo, de primeira, mas logo fui notando... ela tá com esse cara. É óbvio. E o foda é que comecei a beber mais depois que me separei dela, pegar mais meninas — e fazendo questão de que chegasse aos ouvidos ou até mesmo olhos dela -, e criticá-la. Naquela tarde havia sido um exemplo. Eu estava encostado no corredor do sétimo andar, agarrado com Dianna — ou eu achava que esse era o nome dela -, uma lufana qualquer e tinha as mãos na bunda dela quando Molly passou. Eu dei uma risada, antes de chamá-la.

— E aí, Molls. Andou comendo muito pra se consolar? — Perguntei com um tom maléfico, fazendo a garota que estava comigo rir também e minha prima correr para dentro da Comunal Grifana. Terminei com a garota uma meia hora depois e mandei-a pra comunal dela porque eu tinha que dormir um pouco antes do jantar, e quando entrei na minha comunal, fui pego de surpresa por minha irmã, que me lascou um tapa na cara. A minha sorte é que era horário de aula e parecíamos ser os únicos no local.

— Você ficou louca, Lily? — Perguntei nervoso, com a mão sobre o lugar em que ela tinha batido.

— Eu é quem te pergunto! Que tipo de pessoa é você, James? Você é nojento e eu tenho vergonha de você! Você não entende? Molly está triste. NÃO SE FALA A UMA MULHER QUE ELA É GORDA, JAMES SIRIUS! — Gritou a ruivinha, e eu ri nasaladamente, mas acabei levando outro tapa, do lado oposto. — Eu estou falando sério!

E logo ouvimos uma terceira voz vinda de cima das escadas, e quando olhei, Molly tinha os olhos inchados e o rosto molhado.

— Lily, por favor, deixa ele em paz.. vem logo. — Pediu, e por um segundo, me senti a pior pessoa do mundo. Eu, que havia protegido Molly de tudo durante quase um ano, agora era o motivo de suas lágrimas. Ok, isso foi gay, mas me deixou mal. Ela voltou ao dormitório e Lily me pegou pela gola da camisa, a apertando.

— Para com isso, James. Eu estou falando sério. Ou você vai se arrepender muito de tudo isso. — Ela me soltou e eu revirei os olhos bufando, mas sabia que ela estava certa. Subi logo depois que elas e coloquei o ouvido na porta do dormitório feminino.

— … Por favor, Molls, esquece o James... vai fazer mal pro bebê. — Ouvi a voz de Lily dizer e arregalei os olhos. Como é que é? Bebê? É por isso, então. Me largou porque engravidou do Russo. Comecei a enxergar tudo preto de raiva, e aproveitei pra descer até o salão principal, onde os alunos costumavam se concentrar pra estudar e fazer lições. Rolei os olhos por ali e encontrei meu alvo, que ria e conversava com alguns de sua casa. Cheguei até atrás dele e o puxei pelo uniforme até que o levantasse, mas quando ele se virou, desvencilhou-se de minha mão e me encarou, enquanto um silêncio tomou conta dos que estavam mais próximos a nós.

— O que você está querendo comigo, garoto? — Perguntou Seth, ríspido. Só o que fiz foi dar-lhe um soco na boca, e quando seus olhos vieram até mim, notei que sangue escorria pelo canto de seus lábios. Dei uma risada, me distraindo, e Russo me deu um soco pelo menos três vezes mais forte, me fazendo cambalear. Senti meu rosto arder onde ele havia batido e então me recuperei indo pra cima do rapaz, que parecia arrumar forças daqueles músculos ridículos e bombados que possuía. Meus olhos escaparam enquanto eu tentava impedí-lo de me derrubar para a porta do salão principal, e tudo o que meu cérebro registrou foi uma Molly desesperada que corria pra interceder entre nós, enquanto Lily tentava pará-la. Minha distração que durou uma fração de segundo foi o suficiente para que o desgraçado me derrubasse, me imobilizando. Inclinei-me ao ouvido dele, e sussurrei:

— Parabéns, papai. — E ele me deu um tapa na cara.

— Você é desprezível, Potter. — Ele cuspiu meu sobrenome, se levantando para ir abraçar Molly, que era contida por minha irmã e Lucy. Levantei-me ignorando a humilhação e para a minha surpresa, ela deu um sorriso de lado para Seth, sussurrando algo para Lucy que não decodifiquei, apenas a vi assentir e sair com o meu inimigo. Molly se aproximou de mim e eu dei um passo para trás, e ela, hesitante ao saber se eu permitiria ou não, tocou meu machucado. Logo afastou os dedos do mesmo e balançou a cabeça negativamente, me puxando para fora dali. Levou-me para a Enfermaria, onde Lucy estava com o maldito, mas pra uma cama muito mais afastada. Madame Pomfrey se aproximou de nós dois.

— Céus, está horrível. Vocês, rapazinhos, deveriam ter mais respeito a si próprios. Vai precisar de uma boa compressa de gelo e... — Começou a mulher, mas foi interrompida por Molly.

— Madame, eu posso fazer a compressa, o corte de Seth parece precisar mais da senhora. — Disse evitando olhar-me apontando com a cabeça para o amigo, e ela assentiu.

— Está certo. Vou trazer o gelo. Obrigada, senhorita Weasley. — Completou a senhora, que não demorou quase nada para trazer o gelo embrulhado nuns farrapos de pano branco encardido, e Molly a agradeceu docemente. Ela se movia de uma maneira sem igual. Balancei a cabeça para espantar esses pensamentos e a observei enquanto ela se aproximava.

— Desculpe, caso doa. É pra melhorar. — Sussurrou sem me olhar nos olhos, examinando o hematoma antes de colocar a compressa gelada. Gemi baixo com o toque forte do gelo contra minha pele contundida, mas logo suspirei engolindo qualquer sintoma de dor que pudesse emitir.

— Por que está me ajudando? — Perguntei, com o cenho franzido, e notei que ela deu uma rápida olhada em meus olhos e suas bochechas conseguiram ficar mais vermelhas do que já estavam por notar que eu a estava olhando.

— Não sei. — Respondeu, dando de ombros. — Talvez porque eu saiba como é ser machucada, e como é bom ter alguém pra ajudar a curar. — Disse, e eu sabia que ela estava se referindo ao episódio de instantes mais cedo. E ao maldito Russo e à minha irmã. — E como seus amigos não estão por perto, eu não quis deixá-lo sozinho.

— Hum. — Disse somente, e ela suspirou inaudivelmente, ou baixo demais, porque eu só notei pelo movimento mais lento que seu tórax tomou. — E como Russo reagirá depois?

— O nome dele é Seth Von Russell. E ele não duvida de mim, James. Seth me apoia em qualquer decisão.

— Entendo... tipo a de ter um filho. — Retruquei, e seus olhos subiram vorazes aos meus. Contudo, sua expressão tornou-se imediatamente mais branda e ela deu de ombros.

— Não sei do que você está falando. — Desconversou, e eu puxei seu rosto para cima com o queixo dela sobre meus dedos.

— Sabe, Molly. Sabe sim. — Dei um sorriso irônico, e ela suspirou pegando minha mão e a levando até a compressa, deixando-a sob meus cuidados.

— Acho que você está curado o suficiente. Não precisa de mim mais. Vejo você por aí, James. — Falou ao dar um sorriso leve se afastando em direção à maca de Seth, que tinha a mesma compressa que eu, porém no lábio inferior e seus farrapos estavam ensanguentados. Senti meu sangue pulsar de ódio quando a vi abraçá-lo, e eu senti que ela estava segurando o choro, havia visto segundos antes suas pálpebras inchadas e suas olheiras mais visíveis que ela tentara esconder com uma maquiagem. Desviei os olhos da cena da mais nova família patética quando notei minha irmã à minha frente.

— James, o que é que você fez? — Perguntou com uma voz desapontada e eu bufei.

— Arrumei uma boa briga, e perdi. Só isso, gnoma. — Respondi irônico.

— Jay, isso tudo é ciúme?

— Não, Lily. Eu ouvi você instruindo Molly a me esquecer porque isso faria mal ao bebê. Aquele filho da puta a fez me trair e a engravidou, como se não bastasse. Cretino. Ele ainda vai pagar por isso, escreva o que estou te dizendo. — Ameacei, e então vi Fred II e Louis adentrarem a Enfermaria e correrem até mim, ao mesmo tempo que Lily se afastava com o dedo nos lábios, como se pedisse que eu mantivesse segredo daquele assunto.