Criminal Ways
22 Extra de Natal ::: Quer uma maçã?
Notas iniciais
Pov. Niklaus
Usei minha faca predileta para descascar uma maçã sentado sobre a mesa enquanto ouvia aos risos o relato detalhado de Damon sobre ter "acabado com a raça" De um dos guarda-costa, que segundo ele, estava olhando demais para a Rebekah.
Pra ser sincero, a relação dos dois nunca me pareceu saudável. Pra mim, Rebekah ia ser sempre minha irmãzinha, e Damon, meu irmão.
Elijah, era um tipo diferente de irmão. Mais responsável. Mais perto de uma figura paterna, mesmo que não fosso muito mais velho que o resto de nós, todos o ouviam e obedeciam cegamente. Nossa devoção a ele sempre foi inquestionável, tanto quanto nunca seria com nosso pai, a quem viámos mais nas coletivas de imprensa que no sofá de casa.
Com Damon era diferente, não havia receio em nossa fraternidade, nós fazíamos todo o tipo de merda juntos, sem medir consequências. E então, brigávamos como o inferno, e voltavámos à ser bons irmãos.
Certa vez, ele dormiu com uma garota, que era a namorada do cara mais popular da faculdade, alguns dias depois, quando estávamos num bar da cidade, o cara partiu pra cima. Estavam em bando, como sempre. Atletas e cães de rua nunca andam sós.
Nós surramos tanto os desgraçados, que além da ameaça de expulsão, houve um processo jurídico.
Que foi cancelado, porque aparentemente a família do rapaz decidiu se mudar pra um Estado mais seguro, depois de seus cachorros serem mortos, sua casa sofrer um assalto à níveis de cinema e as cabeças das bonecas da filha mais nova serem arrancadas.
Elijah jurou que não teve nada a ver com aquilo, com um sorriso cínico nos lábios.
E eu, ainda lembro das fotos nos jornais da garotinha chorando enquanto segurava uma boneca decapitada.
Não tenho culpa se vivemos num país violento. A alternativa é bem clara.
— Parece — Damon curvou os lábios — Que finalmente vamos comemorar o feriado — E soltou uma praga quando queimou os dedos tentando roubar biscoitos da forma recém saída do forno.
Agarrei outra maçã, e tive certeza que Nancy gritaria comigo, por sentar na mesa, por brincar com facas, e por roubar maçãs.
E foi exatamente o que ela fez. Eu e Damon rimos de sua reação, mesmo depois de ela dizer que tínhamos sorte por pelo menos alguém na família se importar com o feriado.
Papai e mamãe haviam viajado em campanha, como de costume. Elijah estava nos Gilbert com sua nova distração preferida — ou nem tanto — Hayley. Josete estava cumprindo plantão no hospital, então apenas restavam alguns de nós.
Nancy foi nossa sorte. Ela sempre era. Seus parentes mais próximos moravam fora da cidade, então ela aceitou passar o natal conosco.
Mas eu sabia, que por mais que ela amasse cada um de nós desgrçados como filhos, ela odiava o papai, odiava a política, e odiava todo o resto para o que os outros fechavam os olhos.
Nancy havia sido esposa de um primo de terceiro ou quarto grau do papai, depois da morte de seu marido, ela só não saiu do hospital, segundo eu havia ouvido numa conversa com mamãe " Pelas crianças "
Eu não soube dizer se era por nós, ou pelas novas crianças.
Eu posso insistir que Tia Nancy era o mais próximo de uma figura materna que tinhámos e, por isso havia implorado para ela passar o Natal conosco.
Mas não era bem isso.
— Quando ela chega? — Damon perguntou depois de Nancy ter saído levando as sextas de frutas nos ameaçando de morte.Meneei a cabeça em negativa, e ele riu.
— Quando Enzo, vir, eu acho. Se ele vir — Passei as mãos pelos braços num gesto impaciente quando Damon riu outra vez, guardei a faca, e olhei o relógio.
— Ele brigou com a Josete? Pensei que estivesse tudo bem desde o "Não quero você perto dos meus filhos seu desgraçado sem alma ".
— A Josete é nossa irmã. Eu amo ela. Mas porra. Ela exagera. O Enzo tem mente fraca — afirmei — Ainda é apaixonado pela Josie, e não aceita ter sido 'trocado' por uma garota.
Pra falar a verdade, todos meio que já esperavam aquilo, Josie sempre teve pridileção por meninas. Até conhecer Enzo, eu nunca soube muito bem como ele fez, mas ela caiu de amores por ele. Em três meses, foram morar juntos. Papai quase teve um AVC, e jurou deserdá-la. Mamãe fingiu se impotar por quase um mês, e seis meses desde então, Josie eatava grávida.
Dessa vez, ele teve um Ataque cardíaco. Papai.
A frase mais comum nessa casa se tornou " Vocês querem jogar minha reputação no lixo" às vezes dava lugar à " Vão acabar com a minha carreira " Ou então " Devíamos telos trocado por uma causa sobre fome mundial, ou animais carentes. Animais carentes estão na moda, filhos não. Quem não tem filhos hoje em dia? Eles custam caro e dão trabalho. Isso peedeu a graça. "
Menos de um ano depois do nascimento da peste que atendia por Kai, Enzo e Josie se separaram, houve um breve rumor sobre traição, eles reataram, ela engravidou de novo, as gêmeas nasceram, eles se separaram. Se alguém aí está contando, vai mais uma dúzia de escândalos pros Mikaelson. E olha, que eu que sou o filho problemático.
Quase irônico a irmã caçula do Enzo andar tirando meu sono. Tanto quanto, eles serem sobrinhos da Nancy.
O deagraçado não esquecia minha irmã, e eu não tirava a dele da cabeça. A loira era colega de classe-barra-melhor-amiga de Katherine, que mantendo a irônia é irmã mais nova da Meredith, nova namorada da Josete.
Olhei mais uma vez para o relógio. Pelo visto aquela jantar ia acbar, no mínino, num homicídio. Ótimo.
Por incrível que pareça, isso me incomoda. Apesar do que dizem, Nunca gostei de conflitos. Evitava por isso às conversas com papai. A violência, nunca me pareceu a melhor saída. Sim, quando necessária, ela fazia milagres, mas se você mata todos que te desafiam, qual a graça? Sou muito mais adepto à uma boa, e longa, tortura psicológica.
Não sou de violência. Mas, de vingança. Sou um ótimo inimigo, mas melhor ainda vingador.
Se um garoto na escola puxa o cabelo da minha irmã, é violência. Se eu faço ele comer seus giz de cera por isso, Não é violência.
Se um filho da puta tropeça no cachorro da minha sobrinha e faz ela chorar, É violência. Se, depois de ele ter se negado a pedir desculpas, e posto em dúvida a honra de minha progenitora, eu o enforcar com a coleira do cachorro, Não é violência.
Se um imbecil rouba uma senhora gentil com cabelo de algodão doce e arranca seu colar de pérolas falsas ganhado no bingo da paróquia San Francisco. É violência. Se eu entrego o colar à Sra Patrice Hampson, que tem três netos, cinco gatos e sofre de Parkinson, ligeiramente sujo de sangue porque narizes sangram quando os socamos. Não é violência.
Não é claro, qeu eu não tinha feito essas coisas. Não.
Eu e meu irmão rimos, quando nosso olhar parou na torta de maçãs e canela sobre a mesa.
— Saiam da minha cozinha —Nancy ralhou — Vocês são umas pestes, eu não sei o que ainda estou fazendo aqui. Sinceramente, Damon....
— Ah, linda, você sabe que amamos você, não sabe? — A puxei para um abraço e beijei seu rosto, Damon riu quando ela me empurrou e nos mandou sair de vista.
— Ele está em campo? Eu soube que estão tentando fechar negócios hoje. No leste.
— Quem? O Enzo?— Ri, caindo no sofá — Eu sei que interceptaram ontem uma carga. O Turner acha que pode traficar nos nossos limites. O pessoal do Enzo apreendeu um par de lacaios dele.
—Turner? — Damon ergueu uma sobrancelha e riu, eu assenti.
Eu achava arriacasdo nutrir aquelas rivalidades, mas é claro que aqueles filhos da puta não iam foder nossos negócios sem consequências.
— Sim, dá pra acreditar?
— Estão deixando as coisas sairem dos trilhos. Deviámos tomar o controle.
— Controle? — Damon riu — Deviámos foder com os negócios dele. Ou melhor. A reputação.
— E o que você sugere?
— As facas não servem só pra descascar frutas, irmão.
— Eu ia adorar matar os filhos da puta, agora mesmo. Mas é Natal Damon — Ri — E a Nancy mataria nós dois se deixassemos as garotas sozinhas por um pouco de diversão. Depois do feriado, vamos ver quem sangra mais.
—E — Damon completou cético — Você quer comer a irmã do Enzo.
— Filho da puta — Meneei a cabeça sorrindo — Não é assim, A Caroline é sobrinha da Nancy, eu não faria algo estúpido. Ela provavelmente cortaria minhas bolas. A Nancy.
— Provavelmente — Damon sorriu e respirou fundo — Ele vem, o Enzo. A Josie proibiu ele de ver as crianças, disse que é "má influência", então, pelo menos hoje, ele vem, e sua garota também.
— Ela ainda não é minha garota. E porra, a Josie tá de brincadeira? Se aquele projeto de traficante é má influência, Eu sou o diabo.
— E eu? — Damon perguntou depois de uma longa risada.
— Algo pior — Respondi pouco antes de Rebekah descer as escadas com Sara nos braços.
Assim que pôs os pequenos olhos em Damon a menina passou a chorar e não parou até estar nos braços do pai. Aquele olhar bobo surgiu no rosto de Damon, e a bebê começou a balbuciar alegremente.
Quando aquele rascunho de gente começasse a falar de verdade, seria pior que a mãe.
— Nick, Você veio!!! — Minha irmã me envolveu num grande abraço entre risos.
— E porque não viria? — Sorri de volta — Somos uma família, no fim, ou não?
— Ah, irmão. Se todos tivessem sua devoção à família... — Tentei não dar atenção ao seu tom crítico, quando pousou os olhos em Damon.
Aquilo me deixava puto. Então era melhor me manter indiferente, na ultima vez em que falamos sobre o assunto, eu e Damon acabamos com cicatrizes.
O quê? Não tenho culpa se meus irmãos são porcos violentos. Eu prezo por diálogos civilizados. Todos sabem.
[...]
Rebekah estava tentando convencer Josie a vir pra casa numa ligação interminável, Nancy havia Dado uma bronca no Enzo por vir pra casa armado. Com toda a razão.
Sempre odiei armas. Elijah gostava de armas. Era melhor com as facas, melhor até do que eu, mas coleciava armas de fogo devotamente... Damon, nunca demontrou preferências, na verdade o desgraçado sempre gostou mesmo, é de sair na mão. Brigas limpas. Eu já havia visto ele ganhar brigas nos socos, contra adversários armados.
Mas dentro de casa? Com as crianças? Armas podiam causar acidentes. E como eu sempre digo. A violência não leva a nada.
Damon, Katherine e Enzo estavam bebendo do lado de fora, junto a Caroline, que chegara a pouco da sala onde fazia tranças no cabelo das meninas.
Convidei-a para um passeio pelo jardim. Achei que havia notado algo como, Damon e Enzo disputando a atenção da Gilbert, ou Pierce, que seja. Mas talvez eu só estivesse imaginando, já que, Enzo tinha algum parentenco con a falecida mãe da garota... E Damon, bem... Foda-se. Essa família era complicada demais.
Talvez, as crianças da nova geração, precisassem de alguns anos de terapia pra entender de onde vieram.
—É estranho — Caroline mantinha os olhos baixos, o que me fazia roer as pontas dos dedos. Gente tímida sempre me deixou nervoso, ficar nervoso nunca era bom, mas as facas me acalmavam, e se eu empunhasse faca, ela podia ficar mais receosa — Não é?
— Desculpe, o quê? — Estava apenas apreciando seu rosto sem dar sentido as palavras.
— Vocês. Nós. Somos una grande família. Quero dizer, se importa se eu me incluir? É que a Tia Nancy fala de vocês como se... Eu não sei. Mas meu irmão tem filhos com a sua irmã, então...
— Não, eu não me importo — Abri um sorriso, que depois de algum tempo de silêncio, ela retribuiu e baixou os olhos.
— Então posso ser inclusa na sua interminável lista de irmãos, ou não?
—Não — Respondi ignorando o humor de suas palavras ao parar de pé a sua frente. Dessa vez, consegui prender seu olhar.
— Pelo menos amigos? — Meneei a cabeça negativamente. Então sorri e voltei a caminhar. Dessa vez, saquei a faca com a desculpa de colher um par de flores do arbusto. Caroline agrdeceu, e eu disse, que combinavam com seu tom de pele. Ela me respondeu que eram iguais as que levou ao túmulo de sua mãe. Houve mais um longo silêncio.
— Não fique desconfortável — falou depois de alguns minutos — Ela era horrivél — Sorri e disse que tinhámos algo em comum. Ela me beijou. Fiquei surpreso, então se desculpou. Eu a beijei.
Eu não lembro de um jantar mais feliz que aquele por toda a minha vida. Damon e Rebekah não brigaram. Josete chegou a tempo, junto à Meredith. Ela e Enzo não brigaram. Meredith e Katherine sim.
Mais de uma vez iniciaram discussões. A mais grave foi logo apaziguada por Damon. Duas coisas que eu nunca havia visto: Damon promovendo a paz e Katherine ouvindo alguém, e melhor, calando a boca.
Kath havia sido acolhida por nós indiretamente já que nunca o foi em sua 'familia' E pra ser sincero eu nunca suportei o nariz em pé das outras. E, todos nós parecíamos gostar dela. Afinal de contas, se há algo com o que sempre soubemos lidar foram filhos desgarrados, bastardos e problemáticos....
As crianças também estavam felizes, Nancy gritou conosco por toda a noite, e eu, em nenhun momento consegui tirar os olhos de Caroline.
— Então, Klaus. O que eu sou pra você? — Perguntou ainda em relação à nossa conversa interminada no jardim.
— A única — Respondi sorrindo.
[...]
Aquele Natal em família, e feliz parecia há uma eternidade agora. Era como uma imagem distorcida de pessoas que deixram de existir.
Josie perdoou Enzo, ele parou de trabalhar conosco, deixou o crime, abriu um restaurante italiano em Nova York, e foi morto num assalto ao metrô.
Eu, Elijah e Damon matamos os assaltantes três dias depois.
Agora, Elijah e Damon não se falavam. A Hayley, jurou nunca mais ter contato com a nossa família. Do mesmo jeito que Katherine jurou que estava grávida de Elijah, apesar de numa briga intensa que envolvia Meredith e Hayley, a paternidade ter sido arduamente posta em dúvida.
Assim, as irmãs Gilbert deixaram declararam inumizade pública, que já havia sido iniciada com a morte de seu pai. Parece, que o Sr. Gilbert havia dado tantos golpes na bolsa e no estado, que não teve problemas em fazer o mesmo com a herança dos filhos. Nunca entendi bem como. Mas desde então viviam se engalfinhando por controle acionário e essas merdas.
Papai desistiu da carreira na política, pela carreira se afogando no alcool, até deixar todos nós livres de sua presença. Ou contávamos assim.
Na ultima vez em que vi Damon, dei um tiro nele. Elijah tentou impedir. Eu errei. Então o esfaqueei. Três cortes firmes. Ele me acertou um gancho de direita que deslocou meu maxilar, também fraturei a clavícula e passei por duas cirurgias simples.
Nancy nos obrigou a ficar no mesmo quarto de hospital.
Jurei que o mataria. Ele, disse que estava livre pra tentar.
Tive naquela noite a maior conversa da minha vida com Nancy. Estava preocupada com a sobrinha-neta. Ou melhor, com nosso casamento.
— Eu sei que estão juntos — Disse num ponto — Até que a cerimônia foi bonita. A Carol está feliz, Nick. Eu sei, mas ela não sabe quem você é.
Entendi de imediato. Nancy nunca me chamava de Nick. Mas não vacilei.
—Eu a amo. Ela me ama. Eu nunca...
— A machucaria? Eu sei, mas ela não sabe quem você é. E te ama. Não quero que isso mude.
— Não vai.
Mamãe proibiu todos nós de entar em casa. Exceto Josie e as crianças. Elijah me disse que se erguesse um dedo contra família, teria o mesmo fim de papai.
E havia Rebekah. Minha irmã. A quem sempre amei mais que todos. Sempre doce e radiante.
Minha irmã, agora era um corpo inerte, eu não podia olhar em seu rosto. Não podia. Meus olhos se fixavam não ao cadáver. mas à dois cortes vermelhos que pareciam mais brilhantes sob a luz que a janela refletia nos estilhaços de espelho no chão.
Depois de ver aqueles cortes, nunca mais consegui empunhar uma faca.
Na manhã seguinte, dirigi pra casa. Chegando lá, beijei Caroline e disse o quanto a amava. Ela sorriu, sempre tímida.
— Visitou sua mãe? — Perguntou e respondi que sim, então comentei o quanto viagens de negócios eram cansativas.
— Devia trabalhar em algo que ama — Ela deu as costas acariaciando a barriga de seis meses — Sempre digo isso.
— Gosto de trabalhar com arte, amor. E vendas — sorri — Apesar de ser difícil viajar procurando novos artistas... Relíquias... Eu gosto.
— mas não ama — Ela apontou ao sentar na cama.
—Eu amo você — Observei o brilho incente no seu olhar e imaginei o motivo pelo qual Deus destinaria um anjo como ela, à uma alma condenada como a minha. Quase contei toda a verdade.
— Só faltam três meses — Sua voz soou um tanto assustada enquato acriciava a barriga.
Assenti, algum tempo depois Caroline me perguntou se eu havia visto Rebekah.
— Rebekah? Ela está bem —Respondi sem remorso — Disse que está com saudades de você.
—Diga a ela que sinto sua falta.
— Vou dizer.
— Klaus?
— Sim? "
— Aconteceu alguma coisa? —
Eu só estava pensando. Deviámos morar numa cidade mais tranquila. Pelo bebê.
— Você acha? — Ela franziu o cenho.
—Sim. A violência nunca é o caminho, e Caroline?
— Sim?
—Feliz Natal .
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