Criminal Ways

23 23 - Depois das Sombras


Notas iniciais
Ei, vocês ainda lembram de mim? haha. Boa leitura ♥ Hoje é dia de Delena, bêbe. ps: Vou postar, mas só vou revisar amanhã, então não julguem.

Elena Gilbert

— Damon — Gritei sentindo o cheiro forte que vinha da cozinha — Que diabos você está fazendo?

Ouvi risos, acabei de me vestir às pressas e corri para a cozinha. Sara estava perfeitamente distraída sentada num dos sofás, enquanto
fitava a Tv, no outro, eu não tinha certeza, mas eu via duas garotas
louras sentadas lado a lado com expressões idênticas me fitando. Seus olhos me seguiram a cada passo, até que cheguei à cena:
Damon e Bonnie estavam rindo enquanto jogavam água em cima da bancada submersa por fuligem e fumaça.

— O que diabos vocês fizeram?

— Eu não fiz nada — Bonnie ergueu as mãos tentando parar de rir.

— Eu só estava fazendo panquecas — Damon me encarou tentando mostrar uma expressão inocente, a sujeira escura em seu rosto, fazia seus olhos parecerem mais azuis do que de costume, seu sorriso cresceu e eu ergui uma sobrancelha, tentando não reparar em como ele era bonito.
Principalmente nas manhãs.

— Qualquer dia desses, vão por fogo na casa! — Reclamei enquanto
observava os dois tentando limpar a bagunça que haviam feito.

— Nós estamos com fome — Me virei de repente e vi as duas garotas
louras paradas lá, era aquela mesma garota do hospital, fitei-as
cautelosamente e então sussurrei para Bonnie:
— Você também tá vendo elas, ou sou eu?

Damon riu e foi pra perto das garotas.

— Eu achei que você estaria curiosa pra conhecê-las — Ele esclareceu — Elena, essa é a Cindy, e essa aqui é a Lily. Filhas da Josette. Minhas sobrinhas. Gêmeas.

— Ai meu Deus — Encarei-o surpresa, e depois comecei a rir — Eu já estava começando a achar que era maluca.

Olha só, então elas não eram almas que assombravam hospitais!

— A gente termina de limpar e depois sai pra comer alguma coisa? — Damon perguntou, mas Bonnie interviu:

— Você acaba de limpar. Nós vamos vamos sair pra comprar comida! Vem Lena.

— Espera. Vocês não deviam sair sozinhas.

— E você não devia tentar queimar a casa! — Ela respondeu e me puxou pelo braço — Nós não vamos demorar.

— Dá pra levar as crianças?

— Não — Ela gritou antes de bater a porta.

*

— A Nancy falou que eu poderia trabalhar no hospital — Bonnie murmurou enquanto enchia o carrinho se baseando na lista de compras que Damon havia mandado por mensagem.

— Ela disse? — Perguntei distraída. Na verdade, não parava de olhar para os lados e para trás. Era estranho estar fora de casa outra vez. Nas últimas semanas, eu só ia de casa para o hospital e do hospital para casa, sempre acompanhada por Damon, Katherine, ou um todas
aquelas pessoas que eu mal conhecia, Estar sozinha com Bonnie outra vez me fazia sentir bem, mas me fazia sentir estranhamente insegura.

Antes, quando me sentia assim, ligava pro Tyler, mas agora, eu nem
sequer sabia onde ele estava. Nunca, desde os quatorze anos, estivemos longe um do outro por tanto tempo.

— O que você acha que a gente vai fazer quando isso acabar?

— Desculpe, o quê? — Perguntei me obrigando a recuperar o foco quando paramos na seção dos frios.

— O Inquérito da morte da Vic vai ser fechado um dia. O irmão dela provavelmente vai ser morto no caminho, e o Jeremy não ficar no
hospital para sempre. Eu não sei como eles cuidaram da morte do
Alaric, mas o fizeram e agora... É como se nossa vida girasse em torno dos Mikaelson-barra-Salvatore, mas não é assim que tem que ser. E qualquer hora dessas eles vão querer algo em troca.

— Você pensa demais — Disse passando os olhos por uma embalagem qualquer — Eu não sei. Não sei o que vamos fazer depois, nem sei o que estamos fazendo agora, Bonnie.

— Um dia, essa criança vai nascer — Bonnie disse baixando os olhos para o meu ventre.

Frequentemente eu me esquecia daquele detalhe. Eu não me sentia “grávida” Nunca quis aquilo, e a situação não era das
melhores.

— Ou não — Respondi e voltei a andar — Vou buscar o cereal, se comer panquecas queimadas outra vez acabo enlouquecendo.

Permanecemos em silêncio pelo resto das compras e depois, mandamos que entregassem no endereço. Bonnie disse que não queria passar o dia cuidado de crianças. Nós deveríamos almoçar e mais tarde ir visitar o Jeremy.

— Você sente falta dele, não sente? — Ela perguntou mexendo a salada com um garfo descartável — E antes que negue, nos últimos quinze minutos você checou o celular sete vezes.

— Eu só estou acostumada com a presença do Tyler — Dei de ombros e Bon ergueu uma sobrancelha;

— Bem, eu estava falando do Damon.

— Ah, sim, é claro. Damon — Repeti guardando o celular — O que tem ele?

— Elena... Todo mundo sabe o que está acontecendo, daqui a pouco a Sara vai estar por aí te chamando de mamãe.

— Eu não sou mãe de ninguém — Murmurei já sem fome — Não é estranho o Tyler está sem dar notícias? Ele tende a fazer besteiras e...
— Eu vi o Tyler e você se apaixonarem um pelo outro — Ela disse me fazendo calar — Vi ele fazer tudo que estava ao alcance para te fazer feliz. Vi ela abandonar a família e tudo que ela tinha por você. Depois vi ele se tornar agressivo, possessivo e doente. Você não precisa do Tyler, Elena.

— O Tyler me ama Bonn. Você não sabe do que está falando.

— Sei sim, e você não precisa do Damon também.

O quê? O que o Damon tem a ver com isso? — Já estava ficando irritada, Bonnie podia facilmente irritar alguém.

— Eu vejo como vocês se olham — Ela rolou os olhos — Ele pode parecer melhor que os outros, mas você sabe quem eles são. Todos eles. Não são confiáveis. E se sua irmã te ofereceu ajuda...

— É isso? A Katherine falou com você? Ela disse pra não confiar no Damon?

— Não. Mas se é pra ficar com a família....

— Eu não confio nela. Não confio em nenhum deles. Só quero que meu irmão esteja bem. Depois nós pensamos no que fazer... Vai ser mais fácil quando o Tyler voltar.

— Esquece o Tyler, Elena! Será que você é tão cega?

— Pra você é fácil falar, não está grávida dele — Disse um tom mais alto e depois de um longo silêncio, ela suspirou e me encarou:
— Você não sabe.
— Do quê?
— Se o Tyler é o pai. E além disso, não sabe se ele está vivo. Me dá um motivo pro Nick, o Elijah e o Damon, não o terem matado?

Até tentei encontrar uma resposta, mas não havia nada.

— Eu não quero ser mãe de um filho do Tyler — Afirmei com olhos
baixos — Também não quero ser mãe de um.... — Minha voz falhou e logo senti as lágrimas — O que eu deveria fazer então?

— Seja mãe de um filho seu, Elena. É isso que você deveria fazer.

[…]

Eu estava estressada, confusa e pensativa à noite. Bonnie havia
voltado para o Hospital, e Damon saiu para levar as meninas de volta
pra casa. Sara já estava dormindo.

Me recostei ao balcão encarando através das janelas amplas da
cozinha, e suspirei. Aquilo que a Bonnie disse sobre o Tyler poder não estar vivo.... Era perturbador.

— Hey — Damon cumprimentou-me quando chegou, passou direto por mim para abrir a geladeira — Onde está a Sara?

— Dormindo, ela estava cansada.

— As meninas também dormiram no carro antes de chegar lá... — Ele
bebeu a água, depois começou a reclamar de como as meninas estavam agitadas à tarde e de não ter talento para babá.

— Damon — Chamei mais baixo quando ele passou por mim voltando para a sala, fazendo com que parasse para me encarar.

— Está tudo bem? — Suas sobrancelhas franziram, quando parou bem à minha frente. Baixei os olhos e respirei fundo, depois passei as mãos pelo cabelo

— Elena?

— O Tyler não costuma ficar longe por tanto tempo.

Ele continuou me encarando por algum tempo depois chegou mais perto, e como já havia virado um costume, afastou o cabelo do meu rosto.

— Ele não vai te fazer mal, não precisa ter medo do...

— Eu não tenho medo do Tyler. Eu estou preocupada com ele — Falei, seus olhos escanearam os meus, e permaneceram assim, conectados, pelos próximos segundos. Decidi não afastar o olhar. Se ele sabia de algo, precisava me contar.

— Você está insinuando alguma coisa? — Ele manteve o olhar no meu e eu quase não percebi quando respondi:

— Coisas ruins acontecem com pessoas que se envolvem com a sua família.

Seu olhar foi tomado por surpresa, então algo como mágoa e por fim raiva.

— Boa sorte, então — Falou antes de se afastar e subir as escadas.

Ótimo, as coisas já não estavam ruins o suficiente, eu tinha de
piorá-las... Suspirei e pelos próximos minutos, apenas andei de um lado para o outro na sala e cozinha, sem nada o que fazer e acabei me dando conta de que Bonnie estava certa. O que faríamos depois de tudo aquilo acabar? O que estávamos fazendo era nos meter em problemas cada
vez maiores.

A casa estava imersa num silêncio perturbador. Eu realmente comecei a me sentir mal pelo que havia dito ao Damon, ele estava me ajudando
desde que nos conhecemos, o mínimo que eu podia fazer era agradecer, mas mesmo assim, preferi não procurá-lo. Era mais fácil me isolar com meus próprios medos e preocupações.

Fui até o jardim e me sentei lá, sentindo a brisa fresca, até que a
calmaria daquele lugar me tocou. Deitei na grama, e tentei manter a
respiração branda tentando contar as estrelas como uma distração. Mas havia tanta coisa, que eu simplesmente não conseguia me manter firme.

Senti as lágrimas escorrerem pelos cantos dos olhos e os fechei,
deixando que escorressem sem sequer fazer barulho, senti aquela
queimação conhecida na garganta e a sensação de aperto no estômago.

Ofeguei soltando o ar devagar enquanto tentava derramar tudo o que sentia pelas lágrimas que vertia. Eram pesadas e densas, e levavam tudo o que eu havia sofrido nos últimos anos... Lembrei de Jenna e Alaric, depois Jeremy, Tyler... E Matt...

Automaticamente minha mão direita escorregou por meu abdômen até se por sobre meu ventre. Foi a primeira vez em que fiz aquilo, abri os olhos voltando a fitar o céu e um curto sorriso brotou em meus lábios.

Era um sorriso triste, amargo. Tudo que podia dar errado, já havia
dado errado, o que mais podia acontecer? Não havia coisa que pudesse ser pior do algo pelo qual eu já havia passado. Tentei ser otimista, e pensar que, as coisas não podiam piorar ainda mais, então elas teriam que melhorar.

Percebi quando Damon sentou ao meu lado, mas não disse nada. Ele
também não. Por muito tempo ficamos ali, parados. Ele olhando um ponto fixo à sua frente, e eu, olhando o céu. Cedo ou tarde, ele virou pra mim e com um sorriso discreto disse num tom baixo:

— Eu não gosto de te ver chorando;

— Então olhe para o outro lado — Sussurrei em resposta e então sorri,
e ele fez o mesmo.

— Você me deixa tão confuso, Elena... — Ele olhou para o lado, para baixo e então para mim outra vez — É inquietante... Às vezes você me irrita tanto... Mas aí eu olho pra você e... E eu te vejo. E é tão... Confuso.

— Por quê? — Perguntei voltando a fechar os olhos — É porque eu pareço com a Katherine?

Eu não posso fingir que a Bonnie também não estava certa sobre isso.
O Damon era.. Eu não sei, estar com ele era diferente, só de olhar pra
ele eu me sentia bem. O Tyler me fazia sentir segura, o Damon me fazia sentir feliz.

Mas, muito além de tudo o havia entre nós, sua história com a minha mais nova irmã mais velha me incomodava um pouco.
Ele me encarou por um tempo, e então estendeu as mãos e quando as aceitei, ele me puxou para que sentasse onde estava. Sentada bem à sua frente, eu podia ver seus olhos claramente, emoldurados pelo escuro da noite que contrapunha sua pele pálida, estava perto o suficiente para sentir seu hálito quente banhar meu rosto, e para perceber, o quanto já era dependente daquele cheiro que só Damon tinha.

— Você, Elena... — Ele prendeu meu cabelo atrás da orelha, sorriu e
passou as costas da mãos por meu rosto limpando os rastros das
lágrimas que já haviam cessado — Não é nada parecida com a Katherine.

Suspirei e assenti baixando os olhos para o curto espaço de chão entre nós, ele continuou acariciando meu rosto e uma parte de mim queria não gostar tanto de seu toque.

— Mas você já a amou — Sussurrei ainda sem olhar para ele. Outro longo silêncio se fez até que ele usasse ambas as mãos para segurar meu rosto e me obrigar a fitá-lo.

— Achei que sim — Sussurrou — Mas o que eu sentia por ela, não chega nem perto do que eu sinto quando toco você.

Um sorriso tímido traçou meu rosto e mais para esconder minha reação do que qualquer outra coisa, o abracei. Joguei os braços ao redor de seu pescoço e escondi a cabeça em seu peito. Uma de suas mãos
acariciou minhas costas, a outra afagava meu cabelo de leve, sua
respiração quente soprava meu rosto, fazendo o vento da noite parecer menos frio. Damon respirou fundo e apoiou o queixo ao topo da minha cabeça, sussurrando meu nome bem baixinho.

— Eu devia te agradecer mais por tudo que tem feito por mim — Minha voz estava tão baixa que por um segundo tive medo de que ele não houvesse me ouvido, então ouvi sua resposta no mesmo tom.

— Eu tenho muita sorte por ter conhecido você, Elena Gilbert.

Nos afastamos depois de um tempo e seu olhar correu por meu rosto de um jeito tão entregue que senti meu coração parar por um tempo como se o ar fugisse de mim, e logo depois, foi como se tudo ao redor de nós derretesse.
Era assim, ser olhada por Damon Salvatore.

Suspirei e tentei memorizar o aspecto exato que seu rosto naquele
momento, quando o silêncio era tudo que nos cercava. Seus dedos
voltaram a correr meu rosto bem de leve e deslizaram até meu lábio,
contornando-o enquanto seu olhar seguia aquele movimento. Minhas
pálpebras pesaram de imediato, e suas carícias se tornaram mais
lentas, então senti-o mais perto, até que seus lábios estavam bem
perto da minha orelha.

— Me diz que eu posso te beijar — Sussurrou e sua voz causou arrepios em minha pele inteira.

Num primeiro instante ele ter pedido permissão me deixou confusa, mas logo percebi o que estava fazendo. Aquilo trazia muita carga pra ele e, principalmente, para mim. E era tão substancialmente importante saber
que levava em conta tudo pelo quê já havia sofrido....

Meu sorriso cresceu um pouco, e invés de simplesmente responder, o puxei mais perto e eu mesma colei meus lábios aos dele.

Ele pareceu surpreso no início, mas logo segurou meu rosto mais
firme, movendo os lábios junto aos meus numa lentidão acolhedora,
senti sua língua acariciar de leve a minha e arfei com a sensação de
ser conduzida por ele.

Quando por fim nossos lábios se separaram, senti uma calmaria tão
absoluta que era capaz de jurar que nunca mais os problemas iriam me
atingir. Damon colou a testa à minha e me encarou oura vez, sorrimos um para o outro e ele voltou a me beijar, enquanto eu corria os dedos pelo seu rosto sentindo a sensação de sua barba curta arranhando meus
dedos.

Algum tempo depois ele passou o braço ao redor dos meus ombros e me manteve bem perto. Olhei mais uma vez para as estrelas e então Damon beijou meu rosto depois minha testa e disse:

— Está frio, e tarde. Vamos, devíamos entrar.

Damon me levou até a porta do meu quarto e me beijou mais uma vez antes de ir. Nem sequer troquei de roupas, apenas deitei na cama, me cobri e adormeci ainda sentindo o sabor de seus lábios nos meus.

Notas finais
Tá bonitinho, curtinho, bem legal u.u Não tô muito bem, hoje, então resolvi postar, espero que gostem/comentem ♥ Então é isso. Obrigada por comentar o cap anterior (se não comentou. ainda há tempo) Sdds, beijos, Dusa. ♥ Comentem para por sorrisos no meu rostinho :3