Criminal Ways

4 4- Sangue Fresco


Notas iniciais
Bem, A partir de agora, a história começa de verdade. Todos prontos?

Senti suas mãos em meus ombros. Ela me balançou quase gentilmente, mas apressada, como em todas as manhas, ou melhor, tardes.

– Lena, nós estamos atrasadas – Ela me empurrou mais forte e eu, apertei os olhos com força desejando ainda estar adormecida.

Minha pele estava dolorida e meus músculos se tencionavam dolorosamente sob ela, eu sabia que estava febril, exausta e resignada.

Sentei-me na cama, me sentindo tonta, olhei para Bonnie à minha frente já vestida para o trabalho e fiquei automaticamente enjoada.

– Que horas são? – Perguntei ainda sonolenta. Bonnie me olhou com uma cota de pena que me fazia tremer. Como minha vida havia se tornado isso? Um misto constante de dor, pena e desprezo.

Tentei me lembrar do que era a felicidade, do que era ser feliz. Por mais difícil que fosse conceber a ideia nos últimos meses, eu já havia sido feliz. Muito feliz.

As lembranças da minha infância eram borradas, eu não lembrava dos meus pais biológicos, não de verdade, haviam algumas situações dispersas, lembrava de uma mulher grávida, e de um homem sorridente segurando um bebê. Eu não sei se lembraria seus rostos não fosse uma única foto que tinha comigo desde sempre. Pelo que me disseram, era de algumas semanas antes do incidente que os matou.

Eu não sei se fui feliz com meus pais, mas uma criança é sempre feliz, não? Depois, quando passamos a morar com Jenna, que foi a única mãe que Jeremy realmente conheceu, nós realmente vivíamos bem, pelo menos até as crises de Rick começarem, mas até com Rick, lembro de tempos bons. E com Tyler, achei que havia finalmente encontrado a felicidade plena. Até tudo ruir em cinzas.

– Elena? – a voz de Bonnie me despertou de repente.

– Desculpa, não estava ouvindo.

– Duas. Quase duas horas, precisamos ir.

– Sim, precisamos – Me levantei e corri para um banho rápido, Bonnie entregou-me minha bolsa usual quando chegamos à sala e comecei a mastigar uma maçã enquanto andávamos para o Bar.

– Qual nosso turno hoje?

– Hmm... Hoje é sábado, abre às cinco, as novas limpam a cozinha, nós limpamos fora.

– Você não está... Preocupada, com o....Matt?

– Hm? – Olhei para ela exasperada – O que...? Nós não conversamos muito sobre isso.

– É, mas está cada dia pior. No começo ele só te chamava pra sair ás vezes, agora ele faz coisa terríveis. Contra sua vontade.

– Eu não quero falar sobre isso

– Não? Elena, ele devia pagar pelo que...

– Eu não quero falar sobre isso! Mas que droga Bonnie.

– Então vamos falar sobre você ter chego em casa com o Tyler ontem – Ela usou um tom amargo, e parou de andar me encarando. Dei meia volta pra ficar de frente para ela.

– Bonnie...

– Ele foi um idiota com você.

– Ele é um idiota – Respondi franzindo o cenho.

– O Matt ser um desgraçado, não faz o Tyler ser melhor. Você não precisa de nenhum dos dois.

– Não preciso?

– Vamos Elena. Você sabe o que quero dizer. Tyler é um problema com o qual não precisamos lidar agora.

– O Tyler não tem nada a ver com isso. Ele só me deu uma carona. Não é problema seu.

Ela fechou a cara. E nós duas, irritadas voltamos a andar em direção ao Bar. Uma esquina antes de chegar notei o quanto a rua estava vazia. Geralmente, à tarde, era cheio de pessoas indo e vindo, mas não tinha ninguém.

– Charlie está confuso – Disse Bonnie sem realmente se direcionar à mim. Charles era o xerife da cidade, ele sempre ia almoçar no Donavan’s na semana, mas toda a cidade sabia que aos sábados, o Bar só abria à noite. Mesmo assim, a viatura dele, estava parada em frente ao Bar. Eu só percebi que havia algo realmente errado quando dois homens vestindo ternos caros saíram lá de dentro. Ninguém que se vestia daquele jeito frequentava o Donavan’s...

Eles entraram num carro do outro lado da rua, um no motorista, o outro no banco de trás e seguiram em nossa direção.

Quando o carro passou do nosso lado senti até minha alma gelar. O vidro fumê ainda estava fechando, e quando olhei lá dentro, no bando do carona, Nick olhou de volta pra mim. Foram apenas alguns segundos, mas seu olhar me queimou tão fundo que senti como se houvesse sido atingida por um carro veloz.

– É assim que o Tyler não é problema? – A voz de Bonnie sou trêmula. Andamos mais rápido até o Bar.

Foi tudo muito rápido.

Primeiro eu percebi as garrafas quebradas e as coisas jogadas ao chão, Senti alguém segurar meu braço e me puxar para trás, e então o vi. Matt se virou e me encarou com um olhar furioso. Ouvi um grito agudo, e então Bonnie começou a chorar. Só depois, meu olhar caiu. Lá, no chão, estava estendido o corpo inerte de Vicky Donavan com um corte profundo no pescoço que derramava sangue pelo chão.

– Oh deus, Ela está morta – Sussurrei me sentindo tonta.

Um policial tentou nos empurrar para fora, mas Matt gritou apontando para mim.

– Foi ela – Ele começou a andar em minha direção – Essa puta desgraçada fez isso.

– Melhor ter calma – Um dos policiais segurou Matt, mas ele se desvencilhou dando-lhe uma cotovelada. O policial que me segurava tomou um susto e tentou sacar a arma, mas Matt acertou um soco bem no seu queixo e ele cambaleou pra trás.

– Não, Matt. Eu juro, eu não...

Ele nem sequer se deu ao trabalho de falar, apenas rosnou antes de agarrar meu pescoço com as duas mãos. Me senti engasgar e segurei suas mãos mesmo sem força o suficiente para afastá-lo. Comecei a ficar tonta, eu não conseguia falar, ou pensar ou respirar, minha visão começou a escurecer gradativamente enquanto sentia-o apertar com mais força.

Meu corpo caiu pra trás, e o seu corpo caiu sobre o meu. Fiquei confusa no início, sentido as dores do contato contra o chão. Mas logo percebi pelos gritos. Um dos policias o tinha atingido com um tiro no ombro.

Tentei recuperar o ar rastejando pelo chão. Bonnie estava estática e pálida. O cheiro de ferrugem encheu minhas narinas e quando olhei para o lado estava caída ao lado do corpo de Vicky, minhas mãos estavam sujas do seu sangue, e só consegui encarar o corte em sua garganta.

Um traço preciso, profundo e estreito, com o sangue correndo pelas laterais. Já tinha visto aquele corte mil vezes. Era a marca registrada de Tyler.

Notas finais
E aí?