Criminal Ways
26 26. De volta ao inferno
Notas iniciais
Damon Salvatore
*
— Entrem no carro — Disse para as garotas e então fiquei de pé assumindo uma postura tensa.
Elas obedeceram, mas assim que Tristan fez menção de entrar no carro Nik ergueu a voz.
— Ah, indo embora tão cedo? Acho melhor todos ficarmos bem calmos.
Mais dois carros chegaram fechando a rua, e quando dei por mim, haviam seis ou homens seguindo meu irmão.
— Tio Nik — Kai riu naquele tom que sempre usava apacificador e debochado — Eu estava justamente dizendo. “Não seria ótimo se o tio Nik aparecesse” E aqui está você, sonhos se realizam, afinal!
— Eu concordo — Klaus ergueu os ombros — Olha só pra Katherine. Ela queria ser uma vadia rica sem coração, e aqui está ela! Exatamente onde queria!
— Eu aprecio o elogio, e todas essa coisa familiar, mas preciso ir. Tenho que preparar o jantar.
— Quem diria que você tem talento para mãe de família! E depois de destruir tantas...
— Olha aqui, Niklaus...
— Shhhh.... Quietos! — Ele entoou parecendo cansado — Eu cansei de todos vocês se metendo nos meus negócios e dizendo como eu deveria fazer as coisas. É com ela que eu quero falar — E apontou para Elena.
— E-Eu?
— Você não vai tocar um dedo nela — Grunhi me pondo à frente de Elena — Katherine, entra na droga do carro, e tira as crianças daqui.
— Quando é que vocês vão aprender? — Nik fez um sinal para que Tristan entrasse no carro, e assim que o fez, ele agarrou o celular com uma mão enquanto dava partida com a outra. Um dos carros que seguiam Nik abriu passagem para ele e depois o seguiu — Eu não sou um cara violento. Mas precisam cooperar comigo!
— Eu estou cansado da porra dos seus jogos, Niklaus! Você prometeu que enfiaria uma faca no peito não foi? Estamos bem aqui, quer matar a esposa do seu irmão? — Apontei para Katherine — Quer fazer cena? Vá em frente.
— O Elijah não se importaria, eu acho; Aliás depois de todo esse tempo vocês ainda se encontram pelas costas dele?
— Na verdade, nós estávamos discutindo sobre a guarda do little Gilbert — Kai ficou entre nós — O tio Elijah sempre envia bons representantes.
— Vocês me cansam tanto — Klaus passou as mãos pelo cabelo — Elena querida, venha até aqui.
— Fique exatamente onde você está — Grunhi segurando seu braço.
— É, vocês nunca aprendem — Nik riu — Kai?
— Eu realmente não acho que não...
— Elena — Klaus abriu a porta do carro — Malachai.
Kai pareceu considerar por um segundo então sacou uma arma da cintura e apontou para a minha cabeça me encarando com um olhar vazio, que eu sabia que era um pedido de desculpas.
— Isso é ridículo, Klaus — Katherine gritou — Você me odeia? Ótimo! Quer mostrar pra todo mundo quem manda? Tudo bem. Deixa os outros fora disso.
— Marcel? — Ele chamou um dos homens atrás de si — Se alguém mais falar atire na vadia. Se o meu irmão tentar algo estúpido atire na amiga da Elena.
Um silêncio pairou na rua inteira, e só então Nik suspirou e voltou a sorrir.
— Eu não gostaria de precisar lembrar que tenho um atirador seguindo o carro com as suas filhas, então, faça um favor à todo mundo Elena, e entre na porra do carro.
Eu sabia que Kai não atiraria para matar, mas ele me deixaria bem ferrado se Nik mandasse. Eu estava sem saída.
— Tudo bem, eu vou ficar bem — Elena ergueu a voz enquanto caminhava até o carro — Eu confio no Nik, está bem? Ninguém precisa se machucar!
Elena Gilbert
— Eu estava morrendo de Saudades! — Nik disse num tom entusiasmada batendo as mãos no volante — Tudo bem, nosso último encontro não acabou muito bem, mas eu sou um otimista, sim? Acredito em recomeços.
Havia dois carros nos escoltando de perto a cada segundo. Eu estava atenta à rota indicada no gps enquanto tentava encontrar a calma. Até onde eu sabia, Nik não tinha motivo algum para me ferir.
— Elena... Não vai fazer disso uma viagem desagradável, vai?
— O que você exatamente você quer de mim, Niklaus? — Rebati tentando não desviar o olhar, pelo menos, eu já conseguia falar com ele sem tremer.
— Uh eles te ensinaram meu nome inteiro? — Ele riu, virando o pescoço para me encarar — Ah vamos lá, o que te disse da última vez?
— Faz algum tempo desde então — Suspirei — Eu tenho um compromisso às dez, Nik. Não seria educado me atrasar, não acha?
— Eu soube que estão com dificuldades no hospital, não vão sentir sua falta — Nik coçou a barba curta — Nós ainda temos um assunto pendente.
— Seus irmãos não vão ficar felizes com isso Nik — Me inclinei perto dele — Vamos lá, eu não quero causar problemas.
— Tudo bem, você está certa, eu posso dar um jeito nisso — Nik acionou uma ligação e depois de alguns bipes breves a voz de Damon soou do aparelho.
— Tão rápido?
— Você sabe como eu sou, Damon. Não gosto de deixá-los preocupados — Nik respondeu — A... Elena, acha que vocês podem estar nervosos, não sei bem o porquê.
— Eu não fico nervoso faz algum tempo, irmão.
— Vocês já ligaram para o Elijah? Aposto que já. O que ele disse?
— Que se encontrar a filha dele sequer assustada, vai ter contas a acertar com você.
— Ah, sempre — Nik riu — Danny, vamos fazer do jeito antigo. Nos encontramos amanhã.
— O Elijah acha que seria bom todos nós visitarmos a mamãe amanhã.
— Só se você também for, Danny. Estou com saudades.
— Você que manda, Niklaus — Damon fez uma pausa — Elena, você está bem?
— Eu estou bem, o Nik não machucaria uma mulher grávida, não é?
— Uh, conseguiu uma esperta dessa vez — Klaus riu antes de dar fim à ligação.
— Nik — Comecei a assumir que podia ficar preocupada — O que vamos fazer até amanhã?
— Surpresa — Ele riu antes de cobrir os olhos azul elétricos com óculos escuros.
…
Damon Salvatore
— Não precisava disso — Kai reclamou com um gemido, enquanto Bonnie pressionava uma compressa com gelo ao hematoma avermelhado que começava a tomar seu olho esquerdo — Vai ficar horrível de manhã.
— Não precisava disso? — Abri um sorriso cínico enquanto movia os dedos tentando ignorar a dor do impacto — Da próxima vez eu ligo pra sua mãe.
— Sinceramente, Malachai — Elijah estava de braços cruzados andando de um lado para o outro na sala — Eu esperava mais de você.
— Como o quê? Fazer as mesmas coisas que o Nic, mas usar um terno para disfarçar dignidade?
— Eu não sou o Damon, garoto — Elijah descansou as costas sobre a parede e alçou os olhos dele até mim — Continue falando assim, e vai perder mais do que alguns dentes.
— Ei, Elijah... — Katherine parou ao seu lado — Deixa o garoto em paz.
Todos nós olhamos para ela que se retraiu ao olhar dele.
— Espero que tenha conseguido o que veio buscar aqui — Respondeu ao se afastar dela — Todos vocês estão me dando mais dor de cabeça do que valem a pena, estou começando a pensar que nosso pai tinha razão.
— Sério? — Ri em desdém — Ele queria que fôssemos cães adestrados.
— Se fossemos cães adestrados, a Rebkah ainda estaria viva, e nada disso estaria acontecendo.
— Não Fala dela... Isso não é verdade... — Eu e Katherine dissemos ao mesmo tempo, então nos entreolhamos. Elijah suspirou.
— Ela está morta — Disse num tom ríspido — É ela está morta, e se vocês dois continuarem ignorando isso nunca vão conseguir lidar com a culpa. Odiar um ao outro não vai trazê-la de volta, porque ela está morta!
— Eu não tenho medo de você — Kai ficou de pé e jogou os restos do gelo no chão — “ela está morta” blá, blá, blá. Fica aí de pé dando ordens, como se fosse melhor que o resto de nós. Você não me assusta.
— Kai — Katherine advertiu.
— O quê? É verdade, você é só mais um desses covardes que ligam para outras pessoas quando as coisas ficam difíceis, eu não tenho medo de você!
Kai parou de pé à poucos centímetros de Elijah, que continuava o encarando calmamente sem se mover.
— Já chega, Kai — Katherine tentou puxá-lo, mas ele continuou lá — Está passando dos limites.
— Para com isso, Kai — Ergui a voz — Não precisa provar que é um babaca.
— Um babaca como o resto de vocês?
Elijah começou a rir encarando o chão, e meneou a cabeça negativamente duas vezes.
— Do que está rindo? — Kai gritou e quando não Elijah não respondeu, empurrou seu ombro — Eu perguntei do...
Suas palavras foram interrompidas quando Elijah alçou um dos braços, enroscando os dedos em sua garganta. Kai tentou escapar, mas logo Elijah tinha as duas mãos em seu pescoço. Ele começou a tossir e engasgar, enquanto seu rosto assumia um tom vermelho, mas não fez grandes esforços para escapar.
— Está machucando ele! — Bonnie gritou — para com isso.
— Elijah! Mas que droga, para com essa porra!
— Elijah? Elijah! — Katherine gritou, mas ainda assim ele anão afastou os olhos de Kai que começava a se debater pela falta de ar.
— Vai acabar matando ele, Elijah, para! — Damon! Faz alguma coisa.
As duas continuavam gritando, e eu, estava parado, vendo tudo como uma cena em câmera lenta. O tempo se arrastou letargicamente até que eu tomasse uma decisão que jurei nunca mais tomar na vida.
Quando dei por mim, a faca já tinha escapado dos meus dedos, e em sua tragetória até se fixar à parede, rasgou tanto o ombro de Kai quanto o de Elijah.
Kai caiu no chão quando Elijah o largou e Kath correu até onde ele que se contorcia de dor enquanto tentava recuperar o fôlego.
— Você perdeu o juízo de vez? — Ela gritou, mas logo deixou de lado o garoto quando percebeu que Elijah também estava sangrando. Foi até ele com o olhar fixo na abertura que a lâmina havia feito nas roupas agora manchadas de vermelho — Está tudo bem?
— Foi de raspão.
— Nós não machucamos a família, esqueceu? — Grunhi, quando fui até lá buscar minha faca, e então olhei para Kai que estava sentado com as mãos no ombro e marcas de dedos se formando na garganta — Espero que isso tenha servido de lição.
— Serviu para um de nós — Ele respondeu e abriu um sorriso — Funcinamos melhor sem brigar entre si. Vamos ser uma grande e disfuncional família feliz.
….
Elena Gilbert
*
— Onde diabos nós estamos, Nic? — Olhei em volta, encarando as paredes de vidro, as de granizo adornada com obras de arte e os lustres.
— Achei que estivesse familiarizada com o lugar — Ele riu — Chamam de restaurante.
— Eu sei o que é, só não sei o que está tentando fazer — Disse aborrecida, quando um garçom metido num terno cor de vinho encimando roupas leves trouxe-nos algo para o que não dei atenção.
— A Katherine já deve ter te trazido aqui, é claro — Ele ergueu os ombros usando um tom desanimado. Enquanto bebericava o chá de ervas que agora impregnava o ar à nossa volta.
— Sabia que eu nasci na Inglaterra? — Ele disse de repente, enquanto eu permanecia calada de braços cruzados o encarando. A mesa era de vidro translúcido. A louça tinha um toque antigo e raro, como aquelas coisas que deviam estar em museus, mas complementavam muito bem a decoração dando um toque de “casa de vó” que faz qualquer um se sentir em casa — O Elijah, na Grécia. Mamãe viajava muito enquanto papai estava em campanha.
— Por que perguntou da Katherine? — Ergui uma sobrancelha — Não me diga que também foi apaixonado por ela.
— Ah, e quem nessa cidade não foi? — Ele riu — Vocês devem estar se dando muito bem.
— Eu me “ dou muito bem” com as pessoas que me ajudam, que me protegem.
— Até o Tyler?
— Até o Tyler — Confirmei sentindo minha voz tremer.
— Nic? — Uma mulher parou bem ao lado da nossa mesa o encarando com alguma surpresa — Eu... Deus, já faz tempo.
Ela não devia ser muito mais velha que eu, vinte e três, e cinco no máximo. A pele era pálida e os olhos verde água, com um não muito longo cabelo castanho avermelhado.
— Hayley — Ele abriu ainda mais o sorriso — Não quer se juntar a nós?
Ela o encarou por mais algum tempo até se dar conta da minha presença, então seus olhos se prenderam em mim.
Ela voltou a encarar Nic como se fosse perguntar algo, mas antes um homem veio até nós e repousou a mão em seu ombro.
— Hay, os Foster estão aqui, você precisa falar com eles — Ele apontou para uma mesa com cheia de pessoas vestidas com roupas que deviam ser mais caras do que o aluguel da casa onde eu vivia com Bonnie e Jer.
— É claro, Jack — Ela suspirou — É claro... — E antes de se afastar encarou Nic com um “ Eu volto logo ”
O cara esperou até ela estar conversando com os recém chegados e se inclinou perto de Nic.
— Eu vou precisar chamar os seguranças?
— Você pode tentar— Nic mostrou os dentes outra vez, e olhou para mim — Todo mundo tem um Tyler afinal de contas.
— Espero que isso não seja um sequestro — Ele respondeu antes de se afastar seguindo Hayley.
— Não vai comer Elena? — Nic empurrou o prato de salada para mim — O bebê precisa crescer forte.
— O que você que, Niklaus? — Descansei os cotovelos sobre a mesa — O que você quer de verdade? Acho que ninguém chegou a perguntar isso, você não é só um garoto triste atormentando os outros para se divertir, é?
— É da família — Ele disse voltando a beber o chá — O restaurante: Class.
— Eu não estou interessada em...
— Foi seu pai quem comprou, para a esposa dele. Sua mãe trabalhava aqui, foi assim que tudo começou. Ela foi demitida quando Clarisse descobriu o caso dos dois, depois, quando a família começou a falir e seu pai morreu, ela vendeu para investidores.
— Me trouxe aqui para falar sobre minha família morta que eu nem cheguei a conhecer? — Ri afastando o cabelo do rosto — Você é mesmo mais louco do que todos dizem, não é?
— Está surpresa que não nos mantemos apenas no cenário não ilícito? — Ele tilintou os dedos na mesa, os olhos azul esverdeados adquirindo uma tristeza amarga — O Elijah comprou ele, pouco antes do casamento com a Katherine. Então ela passou a trabalhar aqui, junto com a Rebkah e a Hayley. Ele se sentiu extremamente culpado quando quando rompeu o noivado com a Hayley para ficar com a meia irmã vadia, você deve conhecer a história de como a Katherine usou o Damon para chamar a atenção dele, sim?
— Onde você está querendo chegar?
— Depois do casamento o Elijah passou o restaurante para a sua meia irmã alí, ela conhecceu o Jackon aqui, é quase um final feliz não é?
— Nic — Hayley voltou à mesa sentando numa das cadeiras — Não é uma visita social, é?
— Ah, Hayley! Eu estava esperando que se juntasse a nós. Já conhece a Elena?
Ela me encarou por um tempo, e então franziu o cenho.
— Você é irmã da Katherine, não é? — Ela tentou um sorriso — Nossa irmã?
— É. Eu acho — Me remechi na cadeira incomodada e e voltei a encarar Nic — O Nic estava me contando uma história.
— Ah, eu estava — Ele cruzou os braços sobre a mesa — A Hayley estava com muita raiva da Katherine quando foi largada pelo Elijah então se tornou muito próxima da Rebekah. Como um tipo de aliança entre garotas traídas, sabe?
— Klaus — Hayley desviu os olhos, e percebi que estavam cheios de lágrimas. Voltei a encará-lo enquanto ele terminava num tom raivoso:
— E então a Hayley achou que o melhor caminho para ajudar a Rebekah a esquecer o Damon era apresentarar a ela um cara novo, daí ela contratou um novo gerente. Um dos caras do time de futebol da faculdade com quem tinha dividido a turma. Você pode dizer o nome dele para a Elena, Hayley?
— Eu não posso fazer isso — Ela tentou ficar de pé, já com lágrimas rolando pelo rosto, mas Nic a impediu, com um olhar gélido.
— Sente — Ele ordenou descansando a arma sobre a mesa, apenas por tempo necessário para que víssemos — Agora, diga para a Elena o nome do seu melhor amigo que você teve o maior prazer em apresentar para a Rebekah.
— Donavan — Ela sussurrou — Matthew Donavan.
Meu olhar ficou preso nela, minha voz havia sumido por completo, tudo fora a mulher à minha frente parecia turvo e confuso, eu sentia a agonia apertar meu estômago de um jeito novo enquanto tentava lembrar de como respirar.
— A Hayley veio me procurar duas semanas atrás — Nic continuou — Ela viu o Matt como foragido no noticiário e resolveu me contar toda essa merda. Quer contar o fim da história para a Elena Hayley?
— O Matt me procurou... Depois de atacar a Rebekah. Eu não sabia que ele tinha feito aquilo, eu... Quem iria imaginar? Ele foi na minha casa, me pediu algum dinheiro emprestado, e então sumiu... Eu, nunca imaginaria que ele iria fazer aquelas coisas, eu não...
— Fale sobre antes, querida. Seu amigo está ficando impaciente.
Hayley olhou para trás, Jackson ainda estava sentando com os caras ricos, mas seus olhos estavam em nós.
— No ultimo ano da escola, estávamos todos numa festa, e havia música e bebida... Eu estava muito bêbada e... O Matt me levou para um quarto e... Bem, eu não sei o que eu teria feito se a Carol não tivesse me tirado de lá.
— A Carol — Nic ecoou — É minha esposa. Ela e a Hayley decidiram guardar segredo, e nenhum de nós nunca ficou sabendo, ou é claro, o Matt estaria morto naquele instante. Você vê o ponto? Eu não posso continuar culpando o Damon e Katherine sem ter de por a culpa na minha própria esposa. E nós não machucamos a família, Elena.
— Por que me trouxe aqui Nic? — Perguntei sem conseguir encarar nenhum dos dois. Eu já havia chegado ao limite de toda aquela história.
— Eu tenho um presente para vocês duas — Ele ficou de pé — Acha que pode vir comigo, Hayley?
Ela assentiu e depois de uma trica rápida de palavras para a qual não dei ouvidos, se afastou para falar falar com Jackson e num segundo estava de volta.
Saímos do Class já no fim da tarde. Nenhum de nós falou qualquer coisa depois de entrar no carro. E Nic parecia mergulhado numa raiva introspectiva. Nos distanciamos cada vez mais da rota conhecida, até o carro tremular sobre um terreno irregular e alcançar a areia.
Já era noite quando ele estacionou perto de dois outros carros em frente à um galpão solitário em algum lugar no meio da estrada.
Eu não fazia a menor ideia de onde estava e não sabia o que aconteceria em seguida, Eu me sentia exatamente da mesma forma como quando descobri a gravidez. Perdida. Sem nenhuma pretensão ou direção.
O vento jogou um punhado de areia sobre nós e Hayley abraçou o próprio corpo tremendo de leve. Nic fez sinal para dois dos homens metidos em ternos com jeito de segurança de shopping e eles deslizaram as portas do galpão. Assim que as portas abriram, ou gritos e gemidos de dor chegaram até mim. Nic tomou a frente e fez com que o seguíssemos.
Não era um galpão “ normal” haviam divisórias como um labirinto e uma luz vermelha fraca por todo o ambiente.
— Oh meu Deus — Hayley cobriu a boca com as mãos afastando o olhar, antes que pudesse perceber. E então Nic parou de andar e indicou a direção em que ela evitava olhar. O segui ainda receosa, então meus olhos voaram para o fim o recinto.
Havia um homem amarrado à uma cadeira de madeira. Seu rosto estava coberto de sangue, e hematomas. O peito cheio de ferimentos e sangue novo ainda fluindo. Ela estava tossindo os dentes fora enquanto dois caras o espancavam sem intervalos.
O ar fugiu completamente de meus pulmões e tive que me segurar à Nic ou cairia no chão.
Mesmo coberto de sangue e feridas ele percebeu nossa presença, e quando me viu abriu um largo sorriso.
Eu reconheceria aquele desgraçado em qualquer lugar.
— Matt — Sussurrei para me convencer de que era verdade.
Nic confirmou:
— E não precisa agradecer, querida.
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