Criminal Ways

21 21 - Culpa


Notas iniciais
Hey, como vão? Perdi minha habilidade de postar rápido junto com a de fazer capítulos curtos, então sorry. Bem, o eu tenho pra dizer sobre esse capítulo antes de lerem é: OBRIGADA ODIN ! Ufa! eu já não aguentava mais esse lenga, lenga, imagino vocês. Não me taquem pedras, muito grandes. E não percam o ritmo do capítulo. Tem treta, tem flashback, tem Delena, e tudo quanto é revelação. Boa leitura :*

Pov Damon

— Não — Repeti resoluto, e nada do que ela dissesse poderia me persuadir — Não adianta insistir Katherine.

— Damon! — Ela reclamou e descruzou os braços soprando a mecha de cabelo que lhe caía sobre a face num gesto infantil, que me fez lembrar da Katherine de dezenove anos, talvez ela nunca houvesse saído da adolescência. Só faltava bater os pés no chão e fazer biquinho.

Pensar nisso me fez considerar aquela coisa que ela sempre repetia de que era só uma garotinha quando me conheceu e que por isso, não tinha culpa nenhuma sobre o que aconteceu depois — Você não pode fazer isso, ela é minha irmã!

— Ela não quer morar com você — Disse simplesmente. Não queria discutir com ela agora. Na verdade ainda não havia superado nossa ultima conversa — Pode ficar comigo e com a Sara na casa dos meus pais aqui perto.

— Você odeia aquela casa. E tem motivos. Dam, É injusto você usar a menina pra convencer ela, eu ia usar a Nadia!

— Nós pensamos do mesmo jeito —Assenti — Talvez não sejamos tão diferentes no fim das contas.

— Aprendi com você, Dam — Ela sorriu, mas não como fazia quando tentava me convencer, estava preocupada.

— O que foi? Você sabia que seria difícil, não esperava que ela chegasse encarnando o papel de irmãzinha feliz? Já tem irmãs que te odeiam, supere. A Elena ainda gosta de você.

— Tenho meias irmãs que me odeiam, mas a culpa não é minha se o papai traiu a mãe delas. E eu preciso da Elena.

— Elas não te odeiam por ser ilegítima. A Meredith te odeia, mas ela odeia por separar a família, a Hayley te odeia por ter roubado o noivo dela, e a Davina, bem, Adolescentes odeiam todo mundo.

— Então só a Hayley te um motivo para me odiar, mas isso não importa agora. Estou preocupada com a Elena, e com o Jeremy.

— Se ele morrer você está perdida — Ri, mesmo sabendo que havia acabado de dizer algo horrível, humor Salvatore às vezes é uma merda — Tanto trabalho pra encontrar o elo forte. O herdeiro Gilbert, para ele ser um menino perdido.

Cala a boca — Ela começou a mexer no cabelo nervosamente outra vez e voltei a rir ficando de pé — Argh. Você é insuportável! Ele não vai morrer.

— Ainda há a possibilidade de a Elena negar, estou apostando minhas fichas.

— Damon! — Ela me chamou quando alcancei a porta — Você está sorrindo muito ultimamente. Isso é ruim?

— Porque seria?

— Não está se apaixonando por ela não é? — Sua voz soou mais baixa e cautelosa — Elena não é uma boneca quebrada, Damon.

— Você pode ser um pouco mais clara? — Parei em frente a ele de baços cruzados e olhar estreito.

— Ela não é a Rebekah. Está cometendo o mesmo erro.

— Como você pode ter coragem de tocar no nome dela, depois do que fez? — Minha expressão se transformou numa máscara de nojo — A Rebekah não foi um erro.

— Ela foi o maior erro da sua vida!

Você foi o maior erro da minha vida, Katherine! — Meu tom havia se elevado, Katherine trincou os dentes e baixou o olhar.

— Você acha que amava ela? Foi você quem a destruiu, e isso não é culpa minha. Você queria a Rebekah só porque não podia ter, como um brinquedo caro, foi assim comigo também Damon. Ela ficou devastada quando a deixou de lado. E a culpa disso não é minha, você pode insistir até cansar. Não vou deixar fazer isso com a Elena também.

— Você me seduziu. Me usou. Eu estava apaixonado por você, e você me usou para chamar atenção do meu irmão. Como tudo o que aconteceu depois disso não foi sua culpa?

— Não foi! Eu era uma menina inconsequente e ingênua. Você sabia o que estava fazendo quando saiu de casa! Eu não pedi que largasse sua mulher. Pare de jogar a culpa em mim, nós dois sabemos que se não fosse um maldito covarde ela ainda estaria viva!

Eu queria gritar e amaldiçoar Katherine, e mais que tudo, queria ter uma resposta para aquilo, mas não tinha.

— Menina? — Perguntei dando um passo atrás — Ingênua? Não é assim que eu me lembro.

Flashback on

Se eu dissesse que já havia prestado alguma vez atenção em Katherine Pierce. Estaria mentindo. Pelo menos, até aquele dia.

A pobre órfã do Gilbert, que levava o nome da mãe, era pouco mais nova que o resto de nós, mas sempre se portou como se fosse uma mulher, e até aparentava ter mais idade que algumas das outras garotas da família.

Simon Gilbert e Mikael Mikaelson eram melhores amigos de infância. Logo, as filhas do Gilbert viviam circulando os jardins da casa. Não era como se já não houvesse muitos de nós ali, mas era como se aquela família fosse uma conta interminável. Principalmente com a inigualável porção de bastardos e ilegítimos.

Eu havia acabado de ter a maior das brigas com Rebekah, ela me chamara de irresponsável e imaturo. Disse que havia sido apenas um capricho que deixei de lado quando consegui ter, que iria embora para nunca mais me ver levando a Sara, que eu era péssimo pai e que nossa família estava certa em proibir nosso relacionamento.

Bem, estávamos casados há dois anos, e eu sempre achei que a amava, mas como poderia negar que não vivíamos aos suspiros como nos primeiros anos de romance? Eu me irritava com as crises emocionais dela, mas sempre achei que era normal, qualquer casal passa por esse tipo de crise, certo?

Sim, eu mal conseguia ouvir a voz dela sem ser atingido pela maior das dores de cabeça, então, acho que poderia tranquilamente chamar aquilo de crise. Era como se houvéssemos voltado a ser crianças briguentas.

– Problemas no paraíso, Salvatore? – Nick usou aquele tom debochado ao sentar ao meu lado no gramado. Tentei não prestar atenção nele que retalhava uma maça com uma faca afiada.

– Não é de sua conta Nicklaus – Mantive a voz ríspida quando meu olhar vagou adiante, Joset estava gritando com o moleque que atirava brinquedos na piscina enquanto a garota loira sentada na beira balançava as pernas com o olhar fixo em Nick, mais adiante, as três garotas Gilbert se alinhavam na borda.

A mais velha, Meredith, estava sentada de pernas cruzadas e rosto tapado por enormes óculos de sol, e sombrero de costas para a piscina como se não quisesse que nenhum pingo de água tocasse em si, a irmã do meio, Hayley, estava dentro da água com as mãos apoiadas à borda para manter o corpo erguido enquanto conversava com Elijah que estava de pé do lado de Meredith, e a terceira, eu não sabia bem o porquê, prendia meu olhar.

Katherine estava com as pernas dentro da água, mas estava sentada do lado de fora, tinha os braços apoiados no chão, mantendo o corpo inclinado como se apara aproveitar o sol enquanto tinha o olhar atencioso na conversa de sua meia irmã com Elijah.

Se não soubesse diria que estava tentando chamar atenção para sua pele bronzeada, e seios fartos. Não que eu estive olhando. E não a minha atenção.

– Eu a ouvi chorar ontem – Niklaus tinha assumido o tom sério o que quase me fez revirar os olhos – Se fizer mal à minha irmã, Salvatore, eu corto fora seu pau, está me ouvindo?

– Disse isso sobre me casar com ela Nick. E continuo inteiro e funcionando muito bem, obrigado – Nós nos entreolhamos e por um momento até pensei que ele ia me socar como fazia quando éramos crianças, mas em um segundo estávamos os dois rindo, como bons irmãos;

– Você é um grande filho da puta – Ele lançou um olhar para os outros – Quando a Joset e a Meredith ficaram tão amiguinhas? – Eu não entendi o tom que Klaus usou para fazer aquela pergunta, então simplesmente dei de ombros.

– As coisas vivem mudando por aqui. Rebekah e Katherine eram melhores amigas e agora nem se falam.

– Devia prestar mais atenção – Ele resmungou e outra vez fiquei perdido – Onde está minha irmã?

– Precisava de um tempo sozinha para pensar, não me disse onde foi – Vi quando Elijah agarrou ambas as mãos de Hayley e a tirou de dentro da água. Os dois atravessaram juntos o gramado para longe.

Meredith estava gritando com as crianças que lhe atiravam com armas de água e Katherine parecia quase distraída enquanto espalhava protetor solar pelo corpo e conversava com a loura que eu nunca havia visto – Nick, o que todas as garotas Gilbert estão fazendo aqui hoje?

– O Gilbert está conversando com papai estão numa reunião com outros homens do Senado e governo – Ele baixou a voz mesmo sabendo que não tinha ninguém nos ouvindo – Parece que vão abrir um novo cassino em Dallas. Ouvi falar da reforma de uma igreja.

– Estão lavando dinheiro pra máfia?

– Não é novidade é? – Ele riu, e meu sorriso se ergueu também. Toda uma fachada de famílias ricas metidas na política só para encobrir todo um esquema criminoso – Acho que o Gilbert quer se livrar das filhas, o Elijah está pensando em oficializar as coisas com a Hayley.

– Vocês não param de transar com as mesmas garotas nunca?

– Isso depende – Ele riu – Fica na sombra Salvatore, e liga pra Bekah, eu não estava brincando – Eu podia ouvir sua voz assumir a ameaça gradualmente – Você também é meu irmão, mas eu mato você se algo ruim acontecer a ela – Ele beijou a faca e jogou pra mim enquanto andava em direção à piscina. Agarrei a lâmina como sempre fazia encarando o reflexo dos meus olhos no aço polido. Precisava mesmo acertar as coisas com Rebekah, continuar naquela casa não estava ajudando, eu podia ver Nick cada vez afundado nos negócios da família, nos níveis mais perigosos e Elijah, seguia de perto os passos de papai. Aquilo estava perto do inferno. Principalmente agora que as Gilbert não saíam da casa.

Ouvi os gritos de Josie quando Klaus a agarrou pela cintura e todos os outros estavam rindo ou gritando, ele a segurou e girou jogando-a inteiramente vestida dentro da piscina. Eu mesmo tive de gargalhar vendo a cena. Ele ria segurando o estômago enquanto ela gritava e o ameaçava xingando-o das piores coisas, logo depois ele saiu correndo atrás de Meredith que em pouco tempo teve o mesmo destino.

– Parecem estar se divertindo, não é? – A voz repentinamente próxima me assustou, mas logo me deparei com Katherine sentando na espreguiçadeira à minha direita.

– E você, não? – Ela passou os dedos longos pelo cabelo molhado e mordeu o lábio inferior antes de me entregar o copo de que tinha em mãos.

– Você não parece estar se divertindo. Aqui, uma bebida sempre ajuda. Nem parece um Mikaelson, ai emburrado num canto.

– É Salvatore, e você sabe muito bem disso – Meus olhar captou um breve deslocamento quando Klaus fez questão de se curvar, agarrar e beijar a mão da garota loura antes de sentar ao seu lado, voltei a fitar Katherine que sorria e dei um gole na bebida que queimou minha garganta de bom grado – Porra, você tem idade pra beber essas coisas , menina?

– “Menina”? – Ela riu e ficou de pé ocupando meu campo de visão com seu corpo e estaria mentindo se dissesse que meu olhar não esquadrinhou cada uma de suas curvas muito bem colocadas. Ela se inclinou para pegar o copo das minhas mãos, umedeceu os lábios e sussurrou: – Tenho idade pra bastante coisa se quer mesmo saber, Salvatore...

Ela se afastou e pelo resto da tarde o meu olhar não se desgrudou dela, mal sabia que naquela conversa inocente e curta, havia encontrado o caminho para a perdição, Katherine Mikaelson, seria o meu fim.

E não de uma forma literária e romântica, ela genuinamente, em menos de um ano, destruiria a minha vida. Me destruiria, até restarem estilhaços de quem eu já havia sido.

Flashback off

[...]

— Morar com você? Isso é... Absurdo.

— Eu sei que parece. Mas é só enquanto o Jeremy não melhora. A casa fica há dez minutos do hospital e a Bonnie pode ficar lá também.

A Sara não pode ficar muito tempo na casa da Joset. Ela precisa ficar comigo, e como seu caso ainda está em aberto, não podemos voltar pra casa por enquanto.

— Eu não sei — Ela mantinha os olhos nas mãos enquanto falava, meus dedos estavam coçando para tocar seu rosto, mas eu sabia que não devia.

— Por que eu não posso voltar pra casa?

— Matt...Tyler, Nicck, a polícia... Aqui em Atlanta é mais fácil cuidar de você. Nos limites da família.

— Eu... — Ela fitou as paredes evitando a todo custo meu olhar

— Elena?

— Eu não vejo o Matt desde... Aquele dia.

Com tudo o que havia acontecido eu havia esquecido de contar pra ela. E bem, se havia um lugar para fazer aquilo era num hospital.

— Então, sobre aquele dia... — Minha voz se perdeu e ela finalmente olhou pra mim — Ele fugiu da cidade. Está sendo procurando.

— Ele fugiu? Quer dizer que ele pode estar em qualquer lugar? Isso é... Assustador. Eu não vou com você! Preciso falar com o Tyler. Onde ele está?

— Ele fez isso antes, por isso o Nick caçou ele até a sua cidade, mas agora é diferente. Acho que ele fugiu porque me reconheceu — Ergui os ombros e respirei fundo — Você está segura agora. Não precisa se preocupar.

Mas é claro que precisava. E o fez. Ficando mortalmente inquieta, o resto do dia, e quando Joset anunciou que queriam acordar Jeremy só piorou.

Finalmente, meu acordo com a Bennet surtiu efeito e ela conseguiu me ajudar a convencer Elena de vir pra casa comigo. Demorou. E muito.

No começo até foi estranho, eu admito. Elena evitava falar comigo depois de quase termos nos beijado. Ela e Bonnie passaram os primeiros dias encantadas com Sara, Bonnie ia regularmente ao hospital, mas Elena estava mais resignada. E depois de ter saído de lá, não estava muito feliz com a ideia de voltar.

Era de cortar o coração. Eu costumava me esgueirar até o quarto dela de madrugada para vê-la dormir, e seu sono nunca era tranquilo.

Ela vivia repetindo frases desconexas e o nome do irmão, sempre. Eu tentei falar com ela sobre isso, mas ela se negava a acreditar que ele iria ficar bem por mais que Bonnie afirmasse que estava melhorando, e com todas os progressos que fazia, e isso, deixava todos nós angustiados.

Também havia aquela coisa com o Matt, eu me arrependia de tê-la contato que não tínhamos ideia de onde ele estava, agora, ela vivia checando os trincos, olhando pelas janelas e me olhava com ansiedade sempre que o telefone tocava. Isso tudo é claro, quando não era capturada por Sara para maratonas de desenho animado. E olha, eram intermináveis.

[...]

Duas semanas depois as coisas começaram a entrar nos eixos. Elena finalmente começou a visitar Jeremy, e logo os médico resolveram acordá-lo. Katherine continuava trabalhando no projeto “irmã” tentando ganhar a confiança de Elena, e uma parte de mim, se negava a me preocupar com aquilo.

Por menor que fosse minha confiança nela, eu sinceramente acreditava que, com todo aquele código de família Elijah não fosse deixa-la fazer mal a irmã...

— Onde está a Sara? — Estava caído no sofá enquanto passava de canal em canal desatentamente quando Elena sentou ao meu lado. Nós ainda não havíamos conversado diretamente desde aquele outro dia.

— A Josie passou aqui indo para casa. Levou ela para ver a avó junto com os outros pirralhos.

— New Orlenas?

— Exatamente — larguei o controle e virei o pescoço para encará-la — Está com fome?

— Você não cozinha bem, melhor começa a aceitar — Ela sorriu puxando o controle das minhas mãos.

— Você Elena Gilbert, está reclamando da comida de um Salvatore?

— Exatamente — Ela riu quando peguei o controle de volta, mas logo desviou o olhar. Respirei fundo — O que costuma assistir?

— Eu?

— É, vamos lá. Não me diga que viciou em backyardiagans? Tenho certeza que assistia alguma coisa antes de vir pra cá.

— É — Ela afundou no sofá — Eu assistia o noticiário local com medo de o Tyler ter sido preso, ou de o Jer aparecer morto.

Suspirei assentindo e mudei para o noticiário, nós não trocamos mais muitas palavras até que percebi que ela estava me encarando. Seu olhar vagou pelo meu rosto e ela suspirou.

— Onde ele está? O Tyler.

— O Elijah mandou ele procurar o Matt. Ele e o Nick decidiram trabalhar juntos.

— E você?

— Eu cuido de você — Ergui os ombros abrindo um sorriso e ela me jogou uma almofada que agarrei no ar.

— Está me deixando morrer de fome, isso sim.

— Não vou te alimentar, você reclamou da minha comida. É pessoal. Aceite. — Ela sorriu e me seguiu, quando me desloquei para a cozinha e reclamou o tempo todo dizendo que eu fazia as coisas erradas e me ameaçando de morte quando lhe joguei farinha de trigo no cabelo.

Por fim, Elena me empurrou de lado dizendo que podia fazer tudo sozinha. E tenho que admitir, era adorável vê-la tão distraída.

— Você sabe que não pode fazer macarrão melhor que alguém com um sobrenome italiano.

— É com esse tipo de argumentos que você costuma ganhar casos? Acho que vou trocar de advogado.

— Okay, desisto — Ergui as mãos sentando em frente à bancada — Você conseguiu me magoar. Estou devastado Elena.

— Posso me desculpar? — Ela caiu na risada enquanto mordia pedacinhos de cenoura crua.

— Não Gilbert, nunca vai ganhar meu coração.

— E se eu te servir uma porção com muito molho?

— Esquece a mágoa, sou seu de novo — Ela riu junto comigo e gradualmente nós dois paramos e eu simplesmente não conseguia afastar meu olhar do seu, ela era tão... Eu não sei. Diferente.

As acusações de Katherine não eram verdadeiras. Não era como com Rebekah, eu nunca me apaixonei por ela. Nós crescemos juntos, não havia uma época da minha vida em que Rebekah não estivesse lá, eu havia crescido querendo ela, como os garotos que se apaixonavam pelas modelos californianas dos pôsteres de carros nas paredes.

Eu passei metade da vida sem olhos para mais ninguém. Ela era o tipo de garota que todos os caras queriam e eu tinha livre acesso. Eu devo ter dado uma dezena de surras nos garotos que se aproximavam dela, bem, não só eu, porque Nick sempre foi o mais selvagem. Nós fomos expulsos de um par de escolas por arrumar brigas.

Não demorou muito até todos perceberem que nosso relacionamento não era totalmente fraternal. Quando Niklaus percebeu que fugia para o quarto de sua irmã nas madrugadas, nós tivemos ma briga tão grande que caímos dois lances de escada, atravessamos uma janela e continuamos nos surrando. Quando tio Mikael percebeu, nós encobrimos dizendo que havíamos discordado sobre o placar de um jogo dos Yankes e acabamos enfrentando outra sessão de tapas.

Nós poderíamos ter escondido para sempre. Isso, se ela não houvesse ficado grávida. Foi quando soubemos que era hora de assumir e isso causou uma revolta ainda maior, fomos expulsos de casa, escondidos da mídia, e quando só quando Sara nasceu, a família começou a aceitar-nos outra vez.

E então eu conheci a Katherine, com ela eu também não um romance gradual, era instintivo, físico. Eu não pensava quando estava com ela. Só não conseguia resistir. Ela tinha o que queria de mim, quando queria.

Com Elena não era assim. Eu podia sentir o quão diferente era. Eu tinha aquela necessidade quase urgente de saber que ela estava bem.

Era uma coisa que me doía o peito até ter posto os olhos nela e que me fazia perder a cabeça só de pensar em tudo que já sofreu. Eu não tinha ideia de quando exatamente havia começado, mas eu não conseguia mais me imaginar longe dela. Precisava cuidar dela, protegê-la.

— Eu disse que ia ficar bom — Elena me deu um olhar convencido enquanto eu guardava os pratos.

— Até que não estava tãaao ruim — Apoiei os cotovelos no balcão fitando-a com um sorriso — Se algo der errado, tem um hospital aqui do lado.

— Pelo menos eu não queimo panquecas!

— Você está insinuando que eu não sei fazer panquecas, Elena? Há seis anos eu faço panquecas perfeitas para a Sara.

— E há duas semanas eu ouço a Sara reclamar delas — Ela riu enrolando uma mecha do cabelo entre os dedos, e eu, estava hipnotizado por cada um de seus movimentos.

— Vocês estão conspirado contra mim, é isso?

— é tão bonito... — Elena me encarou com uma expressão encantada — O modo como você sorri quando fala dela. Da Sara.

— É sim. A Sara é... A melhor parte de mim. É impossível descrever o quanto a amo...

— Ela é linda, e amável. Você fez um ótimo trabalho.

— Ela gosta de você, muito... Assim como eu — Contornei o balcão e puxei uma cadeira para sentar em frente a ela que se retraiu um pouco, mas meu olhar foi tão insistente no seu, que ela acabou cedendo. Céus, como ela podia ser tão linda?

Elena suspirou com um sorriso calmo nos lábios e eu, me inclinei mais perto para descansar a palma sobre seu rosto...

— Damon... Eu... — Ela fechou os olhos e reclinou o rosto sob meu toque. O sorriso que tomou meu rosto foi tão pleno, que tive vontade de puxá-la para meus braços naquele instante.

Elena tocou minha mão sobre seu rosto e respirou fundo, então tomei seu rosto entre as mãos e beijei sua testa, acariciando seu roso com os polegares. Quando nosso olhar se encontrou outra vez pude sentir uma breve centelha de reciprocidade queimar.

Agarrei sua mão e a beijei também, soltando ela.

— Como você está? Com tudo?

— Preocupada, mas... — Ela suspirou, e seus olhos pararam em nossos dedos cruzados — Estranhamente calma. E com um pouco de medo...

— Você não precisa ter medo enquanto estiver comigo — acariciei sua mão intensificando o aperto — Eu cuido de você.

— Eu... eu sei.

— Vem, eu sei que deve ter algo glorioso na Cartoon, ou na Nickelodeon — Nós voltamos ao sofá, mas não demos muita atenção a programação. Continuamos com aquela conversa branda trocando olhares, até ela fez a pergunta que eu estava evitando ouvir.

— O que houve com a mãe da Sara? — Um sorriso triste traçou meu rosto quando desviei o olhar do seu.

Senti, com um susto, ela tocar meu rosto.

— Você pode... — Sua voz falhou, mas dessa vez não afastou os olhos dos meus — Pode confiar em mim.

— Lembra quando o Nick disse que iria te ajudar pelo que houve com a irmã dele? — Disse com um olhar vago, ela assntiu com um olhar confuso — Eu fui casado com a Rebekah.

Ela respirou duas vezes e percebi que estava um tanto tonta enquanto tentava encontrar palavras. A fitei cautelosamente, eu sabia que era quase surreal um só imbecial como o Matt, ter fodido com a vida de tantas pessoas.

— Você casou com irmã do Nick? Isso é... E o que aconteceu entre você e a Katherine?

Encarei-a por um tempo pensando em dizer que esquecesse, então limpei a garganta e fiquei de pé tentando manter a calma enquanto passava as mãos pelo cabelo.

— Eu era jovem, irresponsável, e principalmente ambicioso... Talvez ainda seja, mas era ainda mais... Bem, se vou contar isso pra você, preciso começar do início.

Eu me sentia tonto, falar sobre tudo aquilo me deixava doente. E eu não queria parecer fraco pra ela, não queria parecer alguém que precisa de consolo. Ela que não tinha ninguém, e eu queria ser o alguém dela, queria ser o ponto de apoio pra onde corria quando as coisas ficavam difíceis.

— Você sabe que fui adotado pelos Mikaelson... — Suspirei deixando as lembranças correrem para quando era só um garoto assustado nos cantos daquela casa — Quando tinha quatro anos e vivia aqui, meu pai matou a minha mãe. Alí, no chão da cozinha onde estávamos. Ele... Achou que ela estivesse o traindo.

— Isso é... Terrível.

— é, eu sei. A Esther era irmã da minha mãe, e meu pai trabalhava para o Mikael. Quando ele foi preso, os Mikaelson estava evitando uma crise política, então resolveram adotar a Josie e eu, espalhando a fama de benfeitores por todo o país. Mas a verdade é que eles nem criavam os próprios filhos. Você sabe, só éramos uma família unida nas fotos de revistas.

Nós vivíamos brigando. Eramos crianças insuportáveis — Sorri fracamente — Eu e Rebekah sempre estivemos juntos, só escondiaos isso dos outros. E eu me sentia malditamente culpado por estar apaixonado por ela, já que no fim das contas, devíamos ser como “irmãos”

Elijah me disse várias vezes que eu devia me afastar dela, que era um erro, que as coisas acabariam mal, mas eu estava cego.

Tudo se complicou quando começamos a entender os negócios da família, e o Nick estava cada vez mais envolvido no crime, o único problema, é que o Elijah é o filho mais velho, e responsável por assumir o legado...

Bem, o importante é que o Nick não ficou nada feliz quando soube de Rebekah e eu, e foram alguns anos bem difíceis, até vir a Sara. Você sabe, ela consegue encantar qualquer um. Quando voltamos a nos reunir, a vida era um caos.

— Eu consigo imaginar — Ouvi escapar sofregamente por seus lábios. Demorei a fitá-la, mas quando o fiz estava serena, com um olhar lúcido e calmo — É estranho ver você como um deles.

Sentei ao seu lado, procurado conforto pela angústia que ia crescendo em mim em seus olhos calorosos.

— Não sou bom o suficiente para um Mikaelson?

— Você é integro demais para um deles — Ela estendeu a mão e repousou sobre meu rosto outra vez. Meus olhos se fecharam instantaneamente. Eu não tinha mais porque negar. Estava irreversivelmente apaixonado por Elena.

— Tudo estava entrando nos eixos, o Nick e o Elijah trabalhavam juntos, a família havia parado de nos renegar, os negócios iam bem, até que...

— Até que conheceu minha irmã?

— Até que conheci sua irmã — Suspirei pesadamente — Famílias próximas e tudo isso. No inicio, eu insistia que éramos só amigos, apesar dos ciúmes de Rebekah. Mas não era asssim de verdade. Eu estava louco por Katherine, e deixava isso bem claro.

Me afastei de Rebekah e aos poucos a deixei de lado. Eu passava dias fora de casa sem dar notícias, e quando voltava só tinha olhos para sua irmã. Tudo piorou quando seu pai morreu, a esposa dele não queria Katherine em casa, e então ela passou a morar conosco. O que eu posso dizer? Já havia conseguido Rebekah, ela era como um novo desafio pra mim, e sejamos sinceros quando sua irmã quer seduzir um homem, ela consegue.

Meses depois ela e Elijah assumiram o relacionamento. No fim das contas, ela só havia me usado para chegar a ele, ele era o filho mais velho, o herdeiro. Com a morte de seu pai, Katherine precisava de uma família de nome na qual se apoiar e eu fui o caminho perfeito que ela encontrou, não só para entrar para a família, como para acabar com paz ente o resto de nós. Elijah nunca havia dado atenção a Katherine, até que eu dei, e então ele resolveu que também a queria.

Eu... Me fechei, me afastei da minha mulher, e de toda a nossa família comprovando eu todos estavam certos em desaprovar nosso relacionamento. Eu saí de casa pouco tempo depois, vivia em bares e festas apesar de Rebekah me implorar para volta.

Depois que me tornei frio distante e infiel, Rebekah conheceu o Matt. Eu não tenho certeza de como, não sei se eles estavam juntos ou quanto tempo levou, só que ele dava atenção a ela, quando eu não dava, mas no fim das contas... Você sabe como a história acaba.

Quando a encontramos quase morta, eu tentei... Tentei tanto trazê-la de volta, mas a culpa... A culpa me matava, o jeito como ela olhava pra mim, deixava claro o que todos sabiam. Eu havia feito aquilo. Eu havia destruído ela... Se eu tivesse sido bom pra ela, como deveria ela nunca procuraria conforto com o Matt.

— Onde... Onde ela está agora?

— Depois de ter sido estuprada pelo Matt ela perdeu a cabeça, ela não podia viver com o isso. Não conseguia lidar com a dor. Então resolveu que deveria acabar.

— Sua esposa se matou?

— Ela tentou várias vezes, então o Nick a levou pra casa, e trancou ela lá para que não tivesse contato com nenhum de nós — Foi difícil, principalmente para Sara. Eu acho que uma parte dela ainda lembra... Dois meses depois a Rebekah cortou os pulsos com estilhaços de um espelho quebrado. O Nick jurou que mataria a mim e a Katherine por termos destruído a vida de sua irmã.

— E porque ainda não fez?

— Ele também jurou que pegaria o Matt primeiro, por isso rondava a sua cidade. Mas eu sinceramente acho que é pelas crianças, a Sara é filha da Rebekah. E bem, a Katherine parece ter dado uma filha o Elijah também não é?

Apesar de me jurar ódio eterno, eu devia admitir que Nick tinha alguma honra. Eu talvez não merecesse tanta condescendência.

— Eu...Damon, não foi culpa sua. Não foi.

— É claro que foi minha culpa, todos sabem disso. Eu acho que... — Limpei a garganta tentando controlar a respiração pesada — É melhor deixar você um tempo sozinha.

— Não — Elena veio até mim e limpou as lágrimas que não percebi ter derramado, e pôs seu olhar doce sobre mim antes de beijar meu rosto — Se eu ficar sozinha, como você vai cuidar de mim?

Esfreguei os olhos sorrindo pra ela, que apenas me abraçou e voltou para o sofá.

— Vamos, não queremos perder a maratona de “Os padrinhos mágicos”. Sim?

Notas finais
Sim, eu estava sem inspiração pro título, Sim podem ter passado errinhos pela narrativa corrida. Sorry. E aí? Apesar de ter revelado todo o passado do moço Salvatore, ainda temos algumas traços de mistérios né? Como por exemplo, o que a Katherine quer dos irmãos? há-ha. Isso não vão saber tão cedo. Nem adianta pedir u.u Na verdade adianta pq tenho coração mole, mas não vou dizer u.u kk Bem, eu acho que esse capítulo ficou com cara de manual, hehe, sim porque se notarem, o Damon repetiu muita coisa que já estava aí há séculos, e só a gente não viu né? feat Pitty. Bom, confirmação disso, são os diálogos anteriores do Damon com o Nick no hotel, ou do Damon com a Josie, e a Kat, e do Damon com qualquer pessoa, o caso é que a história tá cheia de spoilers, e se pensarem com cuidado até os mistérios em aberto já estão resolvidos. Vamos lá, preciso saber se gostaram, se odiaram, pq gostaram ou odiaram. Comentar sempre ajuda, né migxs? Estou insuportavelmente atarefada e provavelmente quando vir a postar os capítulos serão enormes mesmo, tá? Se estiver pensando em não comentar posso mandar o Nick atrás de você com uma faca afiada! Me digam o que acharam, beijos ♥