Criminal Ways
20 20 - Assuntos de família
Notas iniciais
Pov Elena
–x–
Não consigo contar o quanto fiquei agradecida ao acordar, por Damon não estar por perto. E não é que não estivesse feliz por ele cuidar de mim. Estava, mas esse era o problema. Eu sentia que não deveria estar. Ainda parecia estranha para mim, aquela sensação que tinha de que podia confiar nele, mas não devia. Parecia errado.
Eu ainda estava pensando em Tyler e Damon e Jeremy, e tudo que havia acontecido. Eu até queria pensar que as coisas ficariam bem, mas há tempos o otimismo deixara de ser uma prática para mim.
– Quantos anos disse que tem?
– Vinte e um – Respondi pra Nancy que lia alguns papeis que julguei serem exames.
– Se comesse direito não pareceria uma menina de dezessete – Franzi as sobrancelhas e me concentrei em beber a vitamina de frutas vermelhas que ela havia me trazido junto a uma porção de coockies de aveia. A comida de hospital não deveria ser ruim?
– Eu não pareço ter dezessete.
– Ah, não? E esses tornozelos finos?
– Eu não tenho tornozelos finos!
– Ela pode discutir com você por séculos, então é melhor concordar, Elena – Não percebi quando Katherine entrou no quarto, mas Nancy olhou feio pra ela que ergueu as sobrancelhas.
– O quê? Vai me obrigar a tomar sopa de pepino e injeções?
– Você teria morrido de gripe aos treze anos se eu não te desse sopas e injeções.
– Ninguém morre de gripe!
–Eu podia pedir que aconselhasse sua irmã, mas você também tem tornozelos finos, apesar dos seios falsos disfarçarem um pouco.
– São totalmente naturais – Katherine respondeu exasperada e puxou as alças do vestido decotado antes de se voltar para mim – Mas a Nancy está certa. Você precisa comer! E ter um daqueles bebes bonitos de comercial de pomada para assaduras.
– Comercial de pomada? – Meu riso fraco foi seguido de um erguer de mãos quando comecei a mastigar.
– Como vai o bebê, Nancy?
– Sim, a criança está bem. São fortes as mulheres da sua família para partos. Quer dizer, eu me lembro de você ter feito mais barulho do que uma briga de gatos de rua, e ter ameaçado a vida de três enfermeiras, mas...
– Você tem um filho? – Perguntei largando de vez a comida enquanto Katherine ria sentando do meu lado.
– Uma filha na verdade, a Nadia. Ela é um amor. Melhor treinar seus sorrisos de tia, vai precisar deles.
– Eu sinto que não sei nada sobre você. Sobre vocês – Disse pondo em prática minha mania de mexer no cabelo – Ainda é estranho ter uma irmã!
Nancy resmungou enquanto ainda assinava papéis.
– O importante é que estamos aqui agora, sim? Eu, você e o Jeremy precisamos ficar juntos agora.
– Eu acho que sim – Murmurei desviando o olhar com um breve sorriso, eu ainda não tinha ido ver o Jer, e estava sem nenhuma coragem para fazê-lo – Quando nós voltarmos para casa...
– Vocês não vão voltar para aquele lugar – Ela me interrompeu – Vão vir morar comigo!
– Eu não posso ir morar com você, eu tenho o Jer, e a Bonnie, e todo o resto. E estou grávida.
– Por isso mesmo, você precisa de acompanhamento médico. Não vamos discutir isso agora sim?
– Onde estão os outros? – Perguntei num fio de voz ignorando a pergunta que queria fazer de verdade. E tentando achar um modo de dizer que ninguém iria me arrastar “não sei para onde” Tyler não deixaria isso acontecer de qualquer modo.
– O Elijah e o Damon estão resolvendo assuntos de família, eu acho. E bem, sua amiga está no andar de baixo, o Dam trouxe a avó dela para cá também...
Meus olhos caíram na comida que eu já havia largado, e eu me forcei voltar a encará-la alguns segundos depois.
– Porque estão fazendo tudo isso por nós? Eu agradeço, agradeço mesmo, e muito; mas nós não temos como retribuir nada disso.
– Não precisam – Katherine afastou o cabelo do rosto antes de suspirar, e segurar minhas mãos juntas – Olha só. Você e o Jeremy são meus irmãos. Meu sangue. Não é mais do que minha obrigação.
– Tocante.
– Nancy, você faria o imenso favor de nos deixar a sós? – As duas se encaram por certo tempo antes da mais velha sair com uma expressão desdenhosa – Desculpe por isso. As pessoas mandam em você por aqui.
– Eu ainda estou tão confusa – Prendi o cabelo atrás das orelhas com impaciência – Eu passei quase toda a minha vida odiando o Nick, e agora, eu sou irmã da esposa do irmão dele? Isso não parece... Errado?
– Não precisa se preocupar com o Niklaus, sermos uma família não quer dizer exatamente que precisamos nos gostar. O ponto, é que no fim, sempre estaremos aqui um pelo outro.
– Não existe nenhuma possibilidade. Nenhuma. De eu ver aquele desgraçado como família! – Não percebi de imediato o quanto minha voz estava alterada – O que está acontecendo com o Jer agora, é culpa dele! O Tyler é o que é por culpa dele! Minha vida é um verdadeiro caos por culpa dele.
Katherine apenas me encarou por um tempo e por fim respirei fundo sentindo a raiva se dispersar vagarosamente, desviei o olhar e me desculpei tentando voltar a falar num tom de voz normal.
– Tudo bem. Você tem todo o direito de estar furiosa. Eu também estaria, e acredite, eu odeio admitir, mas o Klaus não tem culpa nenhuma nisso. A sua vida pode ser um caos, mas isso é culpa do papai. Ele não deixou as coisas fáceis pra nós.
– Tenho certeza de que você está bem melhor – Eu não queria que minha voz tivesse soado tão amargurada quanto parecia.
– Estou. Mas isso não muda os fatos. Ele deixou nossa mãe morrer. Abandonou você e o Jeremy com aquela gente, me deixou ser por sua esposa e filhas legítimas... De um jeito bem torto, você tem até sorte por ter estado longe. O Nick é o maior desgraçado, eu concordo, mas ele e os Mikaelson... E os Salvatore, me ensinaram o que é uma família de verdade.
– O Damon me disse que a... Nossa mãe se matou... E...
– A mamãe teve depressão pós-parto, depois do Jeremy e foi largada com três crianças.... Tem muita coisa que você não sabe! Isso envolve muita gente...
– Ah é? Então me conta! Porque sabe o que parece agora? Que é “bom demais pra ser verdade” entende? Sua versão das coisas é muito boa, mas eu só não consigo acreditar, é... Demais... Bom demais...
– Tudo que precisa saber sobre nosso pai, é que ele era um cretino. Eu tinha quinze anos e não senti quando ele morreu, e não sinto agora.
Eu tentei pensar numa resposta para aquilo; mas eu não tinha. Eu queria dizer que ela era uma pessoa horrível por dizer aquelas coisas sobre o nosso pai, mas no fundo eu não duvidava que fosse verdade e, além disso, eu havia dito quase a mesma coisa sobre Alaric na noite anterior. Apesar de ela aparentemente manter a calma, havia centelha de raiva no fundo do seu olhar que se intensificou quando seu celular começou a fazer barulho. Ela fechou os olhos, respirou fundo antes de ficar de pé e anteder.
“Sim, querida é a mamãe” E depois começou uma discussão que parecia ser sobre poder ou não ter o cabelo de uma monster high “Ah, você só pode estar brincando... Esmalte? Pelo amor de... Você não fez isso” ela desligou quase dois minutos depois e se voltou para mim.
– Eu preciso mesmo ir pra casa agora – Ela suspirou.
– Parece ser urgente – Tinha a leve impressão de estar usando o mesmo tom de Damon, mas não prestei atenção.
– Eu volto à noite, ou amanhã cedo, para pegar vocês, e nos continuamos essa conversa. Sim?
– Katherine...?
– Sim?
– Quando você conheceu os... Eles?
– Bem, isso... – Ela deu um olhar à porta que me levou a pensar que iria dizer que explicaria mais tarde – Nosso pai, o pai do Damon e o do Elijah trabalhavam juntos... Eram amigos. A esposa do papai não gostava muito de me ter por perto, então eu passava muito tempo mesmo com os Mikaelson.
Assenti e ela suspirou, depois de alguns segundos apenas andou até mim e me envolveu num abraço que não consegui retribuir de imediato.
– Você é minha irmã – Ela disse por fim se separando de mim – E apesar de tudo estou muito feliz, por tê-la encontrado. Sim? Muito.
Depois de ela ter ido, repassei cem vezes aquela conversa mentalmente, e ainda parecia uma expectadora na vida de outras pessoas, eu sentia que devia parar de ser paranoica, e acreditar na boa vontade da minha irmã, mas não conseguia. Então apenas decidi juntar tudo e por na minha lista crescente de “perguntar ao Damon mais tarde”
As preocupações não se diluíram quando encontrei Bonnie mais tarde, ela estava feliz por sua avó estar melhorando, e eu também deveria estar, mas as coisas pareciam estar indo fácil demais, apesar de tudo é claro.
E havia a gravidez. Eu não estava certa do que sentia sobre aquilo, e ainda estava evitando pensar no que fazer, então fiquei perdida quando Bonnie me perguntou se estava pensando em fazer um teste de paternidade antes do parto. Aquilo ruiu com todas as minhas defesas mentais, eu não estava preparada para enfrentar as possibilidades assim tão cedo.
A sensação de que as coisas não estavam tão bem se intensificou quando meu olhar caiu na placa metálica parafusada à porta que li umas quinze vezes antes de acreditar nas palavras “Ala S4, 03 – Hospital Salvatore”
[...]
Damon
Meus olhos estavam no líquido âmbar, enquanto teimava em balançar o copo pra lá e pra cá, o barulho irritante que o gelo fazia nem me tocava tamanha era minha distração. Tinha que dar um jeito de tirar aquelas malditas lembranças da cabeça. E eu sabia exatamente o que as havia trazido de volta, e aquilo, era ainda mais assustador;
– Alaric Saltzman – Elijah repetiu para o homem sentado à mesa, e empurrou um mapa junto a uma porção de outras coisas sobre a superfície plana – Morava numa parada de trailers na fronteira da cidade, por isso os dois departamentos estão brigando pelo caso.
– O Martin está brigando pelo caso porque você o desafiou – Corrigi afundando na poltrona. Elijah estava de pé frente ao tal Oliver sentado à mesa. Tyler estava de braços cruzados apoiado à uma parede;
– E o que querem que eu diga?
– Isso é mais fácil – Elijah continuou – Ele jogava numa casa bem aqui – Elijah apontou o lugar no mapa antes de continuar – Era um bêbado qualquer, basta dizer que tinha uma dívida de pôquer com você que decidiu não pagar.
– Eu não jogo pôquer – O garoto ergueu os ombros – E o que eu ganho assumindo assassinato? Meu trabalho é...
– Seguir ordens – Elijah sorriu – Ou nesse caso, fazer um favor. E sobre o que você ganha, pense numa quantia generosa quando sair da cadeia. E a minha gratidão, é claro.
– Dez mil agora. Vinte depois?
– Cinquenta.
Eu e Tyler nos entreolhamos e eu adorei ver as marcas pela briga do outro dia em seu rosto, mas ambos de nós ficamos calados enquanto Elijah acertava os detalhes com o nosso “novo culpado”
Eles apertaram as mãos e logo, nós três estávamos sozinhos. Elijah recostou-se à mesa e manteve o olhar fixo em mim, que me mantinha concentrado no uísque.
– Porque não fez isso com a Vicky? É uma merda eu ter de ir à delagacia quando...
– Prioridade – Elijah disse distraidamente – Afinal de contas, porque diabos não se livrou o corpo?
– Eu nem vi a porra do cadáver. Quando o Jeremy me ligou estava muito puto, e depois, estava chorado pra caralho. Acho que ele já tinha voltado pra casa quando cheguei lá e logo depois as viaturas chegaram. Eu quase afundei minha moto na lama tentando despistar aqueles filhos da puta.
– Onde ele conseguiu a arma?
– Talvez no mesmo lugar onde conseguiu as drogas.
– Tem certeza que o Nick não está nisso? – minha pergunta foi para Elijah que apenas devolveu o olhar questionativo à Tyler.
– Ele deu ordens pra ficarem longe do garoto.
– Damon, alguma ideia? – Bebi o que restava antes de encarar Tyler e depois Elijah com um sorriso.
– O Lockwood é a unia testemunha, matamos ele e encerramos o caso.
– Você pode tentar se quiser, Salvatore.
– Eu já pago gente demais para vocês foderem com tudo no fim do dia. Tenho que lidar com o desgraçado do Martin, então espero que lidem com isso vocês dois... Imagino, Sr. Lockwood, que já tenha os nomes que pedi.
– Nove deles. Pelo que ouvi há mais – Nove nomes? Nove traidores? Nick estava mesmo deixando as coisas desandar. Entre gente trabalhando para outras gangues, desviando dinheiro, fazendo negócios errados. Nunca havia ouvido um número ao alto.
– Acho que precisamos de uma reunião de família – Apenas assenti, sabendo que se falasse o que achava daquilo iria dar inicio a uma briga.
– Eu tenho que ir. Preciso ver a Elena – Eu e Elijah nos entreolhamos por alguns segundos enquanto Tyler esperava permissão pra sair, mas eu sabia que meu irmão ainda esperava uma retaliação pela briga. Não, por mais que enfiar a mão na cara do imbecil fosse me fazer bem, eu não tinha humor nem pra matar mosquitos.
– Você não vai ver a Elena – Disse, sabendo que aquilo o perturbaria mais que um par e socos – Vai ficar longe dela, ou eu acabo o que comecei ontem antes que você soletre “faca”
– Mikaelson – Tyler trincou o maxilar e encarou Elijah – Nós temos um acordo que envolvia eu trazer a Lena até vocês, mas ela ainda é minha. Não podem me afastar dela.
– Ah vocês tem um acordo? – Senti o sorriso se alastrar pelo meu rosto – Sabe, Tyler. Eu tenho um muito bom com a Bennet. Ela não gosta de você sabe? A Bonnie. Ela me disse um par de coisas valiosas sobre você.
– Está tentando me ameaçar, Salvatore? – Murmurou com raiva quando e Elijah continuou obsevando calmamente enquanto me aproximava.
– Ameaçar você? – Ri antes de chegar até ele e dar dois breves tapas empurrando seu ombro quase amigavelmente – Eu não estou ameaçando você, amigo.
– Não está? – Ele adotou uma postura quase ameaçadora, e achei que acabaríamos aos socos, mas de alguma forma assustadoramente incomum, eu estava mantendo a calma.
– Não estou, mas Tyler? Se você chegar perto da garota outra vez... – Baixei o tom de voz e empurrei seu peito – Se você chegar perto dela de novo. Eu meto duas balas bem aqui – Enfiei os dedos em seu peito e ele cambaleou para trás e outra vez depois toquei sua têmpora – E mais duas aqui, depois tiro uma foto e mando com um cartão de natal para sua mãe. Memphis, não é? É bem perto.
– Não vão se livrar de mim – Ele grunhiu, e fiquei surpreso que não me atacasse, já estava repensando meus planos de não bater nele – Eu sei mais do qualquer um dos seus homens, ou dos do Nick, eu posso foder todo seu esquema sujo. Eu posso contar tudo para a Elena, e estragar a porra da história de família feliz. Acha que eu sou idiota? Posso ir agora na delegacia e assumir a morte da Vicky, e depois entregar todos vocês para os federais, eles iriam adorar investigar políticos corruptos que financiam metade das gangues do Sul – Ele rangeu os dentes e então me encarou – Se falar da minha outra vez, eu vou esquecer a porra da hierarquia. Eu não trabalho pra você, Salvatore.
– Você acabou de me ameaçar, na minha casa, garoto? Acabou de ameaçar minha família?
Dei um passo para trás para encarar Elijah, e mesmo depois de alguns segundos ainda parecia ser possível ouvir sua voz vibrar. Tyler não respondeu, mas sua postura também não cedeu.
– Some das minhas vistas, Lockwood. Antes que eu tome uma decisão ruim, e você não quer me ver tomar uma decisão ruim – No mesmo instante Tyler se direcionou à porta, mas Elijah continuou fazendo-o parar no lugar – Eu não quero ter notícias suas por umas boas semanas e se pensar em chegar perto da garota, deixo meu irmão cuidar do caso.
Quando Tyler saiu, bateu a porta com força. Depois de uma longa respiração encarei Elijah.
– Agradeço a honra – Ironizei agarrando o copo outra vez antes de cair na poltrona – Mas acho eu que já havia dito isso.
– Eu não estava falando de você. Niklaus não perdoa traidores.
– Eu ainda estou vivo.
– Por enquanto – Elijah sorriu e eu assenti enquanto ele se afastava.
– Pra onde você está indo?
– Lembrar algumas coisas sobre como funciona família, ao nosso querido irmão.
[...]
ELENA
O hospital era bem maior do que eu esperava. Dava pra ver de longe que qualquer coisa ali devia custar a maior grana. Pelo que Bonnie havia me contado seu acordo com Damon envolvia um bom tratamento para sua avó, por algumas informações sobre Tyler. Isso me soava assustadoramente ruim.
Eu estava tentando me lembrar do caminho para o quarto já que passei o dia juntando argumentos contra a ideia absurda de Katherine de me levar para morar com ela quando encontrei com Damon num corredor.
– Damon, eu... Preciso falar com você.
– Vem comigo – Damon segurou minha mão com força enquanto me guiava pelo corredor até uma sala menor com aquele cheiro de hospital me deixando tonta. Não tinha ninguém lá. Havia algumas cadeiras acolchoadas junto à parede, prateleiras, escrivaninhas mesas...
Estava preocupada com Jeremy... Estava me sentindo culpada por tudo que aconteceu , e por ainda não ter tido coragem de visitar meu irmão.
E foi o que eu disse a ele, chegando às lágrimas, eu não conseguia encarar Jeremy, ou pensar no que estava acontecendo com ele, e isso me matava. Respirei fundo depois de Damon ter me consolado e pensei em como ainda era estranho ficar tão aliviada em falar com Damon. Principalmente por ter ignorado as coisas que precisava perguntar para ele.
– Hospital Salvatore, então?
– É, soa bem – Ele sorriu – Já foi da minha família, mas agora as ações estão fatiadas por todos os lados. Só tem nosso nome. Pdia ter um M brilhante lá fora.
– Eu tenho algumas perguntas, mas não sei se quero ouvir as respostas.
– Não precisa ter pressa – Eu queria pensar que era verdade, mas eu tinha aquela sensação de a qualquer momento tudo entrara em combustão.
– Você e a Katherine, falaram sobre política, mas só me dei conta depois. Quando dizem Mikaelson, estão falando do ex-governador Mikaelson, sim? Seu pai adotivo?
– É, eu achei que você perceberia antes, aliás, quando falei sobre seu pai. Senador Gilbert.
– Isso é tão... – Meus olhos dançaram pela sala, mas minha voz se perdeu.
– Eu volto num segundo – Ele sorriu gentilmente para mim antes de deixar a sala e voltou poucos minutos depois com um copo de café em mãos – Vai se sentir melhor.
– Obrigada – Sussurrei e afastei o olhar. Fitei o copo por algun tempo sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.
– Ei, ei... Olha pra mim, ele vai ficar bem – Tentei assenti, mas as lágrimas correram por meu rosto quando respirei fundo.
– Ele costumava ser tão forte... O Jer...
– Ele ainda é – Ele me puxou para perto e me abraçou se inclinando para beijar meu rosto e testa de uma maneira tranquilizadora – E você também é. Não é todo mundo que passa por tantas coisas e ainda consegue ficar de pé... Ei, não chora...
– É só que eu não consigo lidar com essas coisas, sabe? O resto todo sim... Gritos e tapas e confrontos, mas isso?Isso eu não aguento. Hospitais e espera e...
– Eu queria poder dizer que vai ficar tudo bem, Elena, mas ei... – Ele segurou meu rosto entre as mãos afagando minhas bochechas com os polegares – Eu só posso te prometer que vou estar aqui. Sempre que você precisar... Sempre que quiser.
Assenti um pouco zonza, era estranho eu me sentir tão confiante perto dele não era? Talvez fosse apenas... Meus olhos pararam nos seus por alguns segundos. Não, não podia ser... Eu não podia sentir aquilo. Era errado!
– Damon... – Eu queria perguntar por que ele estava me ajudando tanto, ou... Havia muitas coisas que e queria perguntar, mas o modo como ele me olhava simplesmente fez minha respiração parar. Seus olhos brilharam mais escuros e os meus desceram para seus lábios, ele chegou mais perto e seu hálito quente soprou minha pele fazendo um breve arrepio descer por meu pescoço, meus olhos se fecharam ao senti-lo tão próximo e quando seus dedos acariciaram meu rosto me trazendo mais pra perto e seus lábios cálidos finalmente roçaram os meus... O som da porta abrindo fez que nos separássemos bruscamente. Pisquei tão aturdida quanto a mulher que entrou na sala e que nos encarava meio boba, meio envergonhada com a mesma expressão que devia estar em meu rosto naquele momento. Abaixei a cabeça sem coragem para encarar alguém ou pensar sobre aquilo que havia acabado de acontecer. Era simplesmente... Atordoante. O que diabos eu tinha acabado de quase fazer? Onde estavam aqueles sedativos quando se precisava deles?
– Damon?! – Sua voz estava assustada, mas baixa, ela limpou a garganta e continuou – Eu... Ér, você invadiu minha sala Dam?
– Oi pra você também – Ele sorriu, mas sua tentativa de humor dessa vez foi completamente falha – Deveria checar suas trancas.
Finalmente me dei ao trabalho de erguer os olhos. Ela era alta, cabelo preto olhos brilhantes e azuis... Damon levantou para abraçá-la e sorriu meio sem graça. Quando se virou pra mim que não consegui encará-lo de volta então mantive o olhar na mulher enquanto minha cabeça zumbia.
– Elena, essa é a Joset, minha irmã... Que está cuidando do seu irmão.
– Ah, Oi... Eu... Como ele está? – Eu já havia parado de ficar surpresa com a conta de irmãos aumentando, assim como deixei passar sem questionamentos a menção de Katherine sobre “filhas legítimas” de nosso pai.
– Estável por enquanto, mas não há garantias levando em conta todo o caso até agora. Eu... Acredito que vá dar tudo... certo.
– Isso são termos técnicos? – Quando olhei para Damon foi ele quem desviou o olhar – Quando você voltou mesmo?
– Cheguei agora a pouco, e... Eu... Eu...
– É melhor eu ir ver meu irmão agora – Disse e ela assentiu, mas continuei parada no lugar tentando forçar minhas pernas a funcionar – Eu...
– Eu mostro o caminho – Eu e Damon nos entreolhamos por alguns segundos até que ele forçou um sorriso e estendeu a mão, que segurei ainda sem querer encarar o que estava acontecendo...
Pouco tempo depois de deixarmos a sala, Joset nos alcançou...
– Não... Droga, é melhor... É melhor que...
– O quê? Eu não vou me perder Josie – Damon abriu um sorriso e então começaram uma breve conversa confusa à qual não prestei atenção, meu olha correu para o outro lado do corredor de onde mais gente se aproximava.
Um garoto que não parecia ser mais velho do que Jeremy, que estava discutido com uma garotinha bem mais nova, que estava de mãos dadas com uma segunda ainda menor. Meu olhar voltou para a menina do meio quando com um susto percebi que a conhecia... Era a menina do hospital, do outro hospital. Como era mesmo o nome dela? Cindy?
O que diabos ela estava fazendo ali?
Meu olhar voou para Damon, mas ele estava voltado para as crianças com um sorriso no rosto.
– Pronto, pronto, já pode parar de chorar pirralha – O garoto mais velho disse desdenhoso, então a Cindy... Ou Lily? Olhou pra mim e soltou a mais nova.
– Ei princesa – Damon chamou se curvando, e seu sorriso aumentou quando a menor finalmente o encarou e seu rosto se iluminou, ala abriu o maior dos sorrisos e correu até ele se jogando em seus braços enquanto gritava “Papaaai”
– O papai, estava morrendo de saudades de você.
– A Sara estava com saudade do papai, também – A garotinha riu passando os dedos pequenos no rosto de Damon que afastava seu longo cabelo louro escuro da testa.
– Aposto que estava se divertindo e nem lembrou de mim, pequena.
– Mentira! Tava nada, não. Só saudades.
– Jura?
– Muito – Os dois sorriram um para o outro e a irmã médica olhava para mim como se esperasse um desmaio.
– Não chorou de saudades, certo princesa?
– Só quando o primo Kai chegou. Ele é mau.
– Ah, ele é? – Damon ergueu o olhar para o garoto que tinha os olhos em mim – O que foi que ele fez?
– Disse que ia me prender no forno, se não parasse de chorar!
– Ah, ele disse? – Damon distraiu a menina mexendo no cabelo dela e fitou a irmã – Josie, você percebeu que eu vou matar seu filho, não é?
– Kai – Ela grunhiu – Pelo amor dos céus, eu só pedi que cuidasse das crianças!
Josete se afastou com os outros dois, e só depois de algum tempo a Cindy, ou seja lá qual fosse o seu nome, tirou os olhos de mim.
– Elena – Damon chamou, e meu olhar se demorou no seu por instantes, ele tinha um sorriso amplo sustentava uma feição resoluta mesmo que seu olhar tenha vacilado por um instante e aquilo me arrancou um sorriso.
– Damon? – Respondi me surpreendendo com o fato de que conseguia manter a voz firme.
– Sara, essa é a Elena – A garota seguiu seu olhar, e sorriu timidamente para mim, voltando a enterrar a cabeça no peito de Damon e com o olhar cerrado voltou a encará-lo.
– Ela parece a tia Kath –Sussurrou e riu como se eu não estivesse ouvindo.
– Eu sei – Ele sorriu – Mas é a tia Elena.
– Você é muito, muito bonita – Sorri para ele ainda hesitante, mas ela me devolveu um grande sorriso antes de responder “Eu sei” com seus imensos olhos azuis brilhando.
– Elena, essa é a Sara Salvatore. Minha filha.
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