Criminal Ways

2 2- Não, obrigado.


Notas iniciais
Mais um cap novinho... [:

As paredes eram manchadas e descascadas, a água que caia sobre o meu corpo era fria e escura, vinda direto do rio mais próximo, esfreguei com força o sabonete pelo corpo mesmo sentindo fortes dores onde a pele estava ferida.

Eu nunca tomava banho no trabalho por motivos óbvios, mas eu não aguentaria nem mais um segundo sentindo o cheiro dele sobre a minha pele, minhas lágrimas eram mais fluídicas do que a água do chuveiro, eu tentava não fazer barulho enquanto chorava com medo de alguém ouvir, ou dele ouvir, aquilo estava acabando comigo.

Olhei meu reflexo no pequeno espelho pendurado na parede e quase surtei, comecei a passar os dedos pelo cabelo desesperadamente, não o devia ter molhado, não devia... Tentei fazê-lo cobrir o pescoço e os ombros. Depois passei as mãos incessantemente sobre o rosto tentando mandar as lágrimas para longe “Seja forte, Elena” eu repetia pra mim mesma como se realmente acreditasse que podia se tornar real.

Vesti minha roupa com pressa, eu precisava ir embora, mais do que qualquer coisa na vida, eu precisava sair dali.

Atravessei a cozinha já quase vazia. Haviam apenas duas mesas com clientes no bar suspirei quando April parou na minha frente.

– Dá pra me esperar só um pouquinho Elena? Está tarde e eu não quero ir sozinha...

– É que eu... – Balbuciei tentando não encarar Matt sentado na mesa ao lado, nos observando com um olhar vigilante.

– Está escuro lá fora, por favorzinho Lena... – Ela fez biquinho e acenei concordando.

Ela correu pra dentro prometendo voltar em dois minutos. Matt continuou me olhando e achei melhor olhar de volta.

– Eu posso dar uma carona – Ele disse, soando baixo e sério. Eu já estava quase negando quando uma voz que me causava ainda mais nojo, e calafrios soou atrás de mim.

– Olha se não é a Gilbert.

Me virei para encarar Vicky, irmã mais nova de Matt. Senti meu estômago embrulhar. Ela tinha a mesma aparência selvagem de sempre, o cabelo solto e revolto, uma blusa curta de alças finas e um conjunto de tatuagens malfeitas circulando seu piercing no umbigo.

– Victoria – Matt falou num tom de aviso mas não se moveu.

– Não se mete nessa porra. Essa puta me deve dinheiro.

– Não no meu bar – Ele disse simplesmente e andou até ela – Você não traz suas merdas aqui pra dentro.

– O prazo já era – Ela correu para o balcão e pegou uma garrafa qualquer virando o líquido – Devia ter me pago ontem, docinho.

– Eu não devo a você – Sibilei com raiva. Ela riu e tirou o celular do bolso largando a garrafa.

– Ótimo, então posso mandar o Nick cobrar pessoalmente.

– Porra Vicky, você sabe que é errado – Gritei pra ela indo pra perto – Essa merda toda não estaria acontecendo se você não tivesse vendido drogas pro meu irmão.

– Você quer falar sobre errado? – Ela riu – Seu irmãozinho que veio ame procurar. É só o meu trabalho.

– Trabalho? Mas que merda você tem na cabeça? Meu irmão Vicky, você sabe...

– Eu sei? Vai se foder Elena, você fica falando sobre o que é errado quando está dando pro meu irmão pra pagar as contas. Isso é errado. Você pode trepar com o chefe pra conseguir aumento e eu não posso cobrar as dívidas que você não paga?

– Vai se foder Donavan – Disse começando a me afastar – Vão se foder todos vocês.

Saí de lá correndo, sem conseguir olhar pra qualquer um deles. Assim que pisei na calçada Matt me alcançou.

– Espera Elena.

– Não – Disse sem olhar pra ele e então ele me segurou me obrigando a olhá-lo.

– Calma aí docinho.

– O que você quer Matthew? Já não teve o bastante?

– Nunca é o bastante – Ele fez menção de beijar, mas resisti o afastando – Eu posso dar algum dinheiro pra Victoria...

– Ah é? – Ri quase incrédula – E depois?

– Você sabe o que vem depois, docinho.

– Me larga Matt – O empurrei pra longe – Eu não sou a droga da sua vadia.

– Não mesmo? Você que sabe docinho – Ele riu enquanto eu me afastava – Só precisa pedir.

Comecei a andar muito rápido e depois a correr, eu não queria mais fazer nada daquilo. Não queria olhar pro Matt, não queria pensar na Vicky, ou nas dívidas, ou nas ameaças... Quando dei por mim, estava numa rua escura cercada por muitas árvores. Estava escuro e tarde no primeiro instante achei estar perdida, mas depois reconheci a rua, havia me distanciado dois quarteirões na direção errada.

Suspirei me recostando à um muro qualquer e procurei na minha bolsa pelo celular, disquei rápido para Bonnie sentindo meus dedos tremer, devia ter esperado April, mas nem sequer lembrei dela depois de meu encontro com Vicky... A ligação caiu na caixa postal então balbuciei nervosa “ Hey Bonnie Onde você está? Eu preciso de você desculpa, eu não... Não tenho como ir pra casa... Bonnie...”

Descartei a mensagem amargurada lembrando que ela ainda devia estar no hospital. Passei por minha lista de contatos, tentando achar alguém disposto à me dar carona pra casa. Então comecei a raciocinar, eu havia corrido, se voltasse o suficiente rápido podia achar April.

Não havia dado ao menos vinte passos, quando uma moto escura parou à minha frente, antes que ele tirasse o capacete o reconheci. Aquele dia podia ficar pior?

Ele desceu da moto se recostou a ela me encarando seriamente. Eu não tinha o que fazer, apenas encarei de volta sentindo a espinha gelar.

Não consegui sustentar seu olhar e logo desviei o meu paro o chão, Ele inclinou a cabeça de lado e estalou a língua. Suspirei o encarando.

– Me disseram – Ele falou lentamente com a sua voz baixa e rouca que eu conhecia bem – Que a minha garota está causando problemas.

– Eu não sou sua garota Tyler – Sussurrei numa voz cansada e sem emoção.

– Não é mais... Só porquê você não quer. Você sabe disso.

– Não quero – Confirmei e o encarei, ele cruzou os braços e sorriu minimamente.

– Me diz o que houve – Suspirou passando as costas da mão pelo nariz – Eles me mandaram resolver.

Estremeci ouvindo ele. Droga, eu estava tão ferrada. Quando a máfia da cidade te quer morta, você tem que agradecer pelo seu ex-namorado trabalhar para eles. Ou não.

– A Vicky voltou a vender drogas pro Jeremy, ele me passou a dívida.

Tyler passou a mão pelo cabelo franzindo as sobrancelhas numa expressão de raiva, e quando voltou a falar sua voz estava ainda mais devagar e letal que antes.

– Eu disse pra se livrarem daquela putinha desgraçada... Eu mesmo devia...

– Tyler...

– Eu dei dinheiro suficiente para ela não chegar perto dele.

– Isso não é da sua conta – Minha voz soou mais ríspida do que desejaria.

– Você é da minha conta caralho – Pisquei sentindo as lágrimas voltarem a rolar ele não recuou – Você sabe o que teria te acontecido se mandassem qualquer outro? Puta merda Elena, isso está fodido, eles podiam te machucar.

– Como você fez Tyler?

– Sério? Não foi culpa minha... – Ele chegou mais perto e segurou meu queixo me fazendo encará-lo – Volta pra casa comigo Lena, nós damos um jeito.

– Voltar a morar com você? Pra quê Tyler? Pra você me bater de novo?

– Eu estava chapado, e a situação fugiu do controle, você sabe que é a única Elena.

Não era exatamente mentira, eu estava com Tyler desde o fim do colégio, ficamos juntos por quase três anos, e quando minha mãe adotiva morreu e seu marido alcoólatra levou tudo o que tínhamos, Tyler me ajudou mais que qualquer um. Eu fiquei com ele durante as crises, e quando ele foi preso, e até mesmo quando começou a trabalhar para o Nick. Mas então numa noite ele estava tão fora de si que me bateu até meu rosto sangrar.

Depois que alguns meses eu o perdoei, e acabou acontecendo outra vez então decidi me virar sozinha, cuidar do meu irmão e nunca mais olhar pra trás.

Não estava indo bem, mas eu não tinha escolha alguma.

– Quanto eu devo?

– Mais do que eu ganho em um ano – Ele suspirou – Você sabe que eu posso ajudar.

– Não precisa.

– Não mesmo? Eu sei o que aquele filho da puta está fazendo com você Lena. É isso que você quer? Está tudo bem pra você?

– Parece estar tudo bem Tyler? Você não devia se preocupar comigo, qualquer dia um dos seus amigos vai acabar me matando.

Ele respirou algumas vezes tentando controlar a raiva que surgiu em seus olhos. Ele me segurou pelos ombros e falou olhando dentro dos meus olhos:

– Ninguém toca na minha garota. Eu... – Ele se interrompeu quando seus olhos caíram sobre meu pescoço, ele estreitou os olhos e afastou meu cabelo levando-o pra longe, e então puxou um pouco a manga da minha blusa exibindo toda a mancha do hematoma que Matt havia me deixado.

Seus olhos assumiram o mesmo ar de fúria da noite na qual havia me espancado. Ele se afastou de mim e chutou a moto com força. Me encolhi onde estava e mais uma vez meu rosto se cobriu por lágrimas.

– Eu vou matar aquele desgraçado, agora mesmo. Eu vou socar a cara dele até não restar nada.

– Tyler...

Ele andou até min e segurou meu braço apontando com raiva para o hematoma. – Como o que eu fiz pode ser pior que essa merda?

Desviei o olhar. Era pior. Eu sentia nojo de Matt, toda vez que ele me tocava à força eu tentava pensar no quanto precisava fazer aquilo, o quanto precisava pagar sua irmã, e os outros caras, mas com Tyler era diferente. Eu o amava, ele era tudo o que eu tinha e ele me magoou das piores formas.

– Com que frequência ele...?

Pisquei aturdida e desviei olhar, ele me segurou com força tentando fazer com que o olhasse. Fechei os olhos com força, Tyler me assustava. Ainda me assustava, e apesar de saber que fui a única mulher com quem ele já houveram se importado o suficiente na vida, mas ainda assim, ele estava sendo pago para me bater, ou coisa pior.

– Responde. Olha pra mim porra.

– Quase todos os dias – solucei entre as lágrimas. Ele me deu as costas abruptamente e ligou a moto.

– Sobe – Rugiu entredentes – Agora.

– Pra onde você vai me levar Tyler?

– Pra casa.

– Eu não quero ir pra sua casa.

– Pra sua casa – Sua voz estava lenta novamente e aquilo me aterrorizava – Você não deve estar perto de mim quando essa merda acontecer Elena.

Fiquei calada durante todo o caminho até estar em casa. Desci da moto e ele fez mesmo.

– Entra – Ordenou sem me olhar direito

– Tyler, eu... – Suspirei confusa – O que dirá ao Nick?

– Não pense nisso, eu posso pagar uma parte, tenho algum crédito.

– Você não precisa.

– Eu te devo isso Elena... Sim? Devo ainda mais que isso.

Assenti lentamente me sentindo tonta.

– Entra. Amanhã estará tudo bem.

– Mas...

– Manda o merdinha do seu irmão me procurar – Ele beijou minha testa e subiu na moto, ligou o motor e disse:

– Ele não vai mais tocar em você... Você é minha. Agora entra logo na porra dessa casa.

Entrei sem dizer uma só palavras ouvindo a moto se afastar quando a porta se fechou. Puta Merda. Aquilo ia acabar mal

Notas finais
E então?