Criminal Ways
18 18 - Mantenha a Calma
Notas iniciais
Pov Damon
...
Estávamos todos tensos. Principalmente eu, que não conseguia manter o foco por mais de alguns segundos. Perdi-me nas palavras de Elijah para o homem à nossa frente pelos menos três vezes antes de um dos peritos chamar a minha atenção.
– Está ferido? – Indagou apontando para o sangue no meu braço, para depois correr o olhar pela sala – O que é que aconteceu aqui?
– Tentei brincar com um animal raivoso – Resmunguei pensando que talvez aquele ferimento pudesse estar doendo, se eu não estivesse tão atordoado e irritado – Sabe como são os cães de rua não é?
Ergui as sobrancelhas e o Lockwood sorriu pra mim enquanto brincava com o canivete entre os dedos. Minhas mãos ainda estavam coçando de vontade por estrangulá-lo.
– Isso tudo deve ser um grande engano Sr...?
– Martin. Frederick Martin – Respondeu cruzando os braços, e quase sorri quando avistei Katherine sacar o celular e sabia que estava iniciando uma busca. A garota Bennet parecia quase tão à beira de um colapso quanto eu ou Elena enquanto tentava manter a cabeça do menino Gilbert de pé enquanto ele resmungava.
Elijah deu um olhar preocupa à Jeremy e então para mim que apenas ergui os ombro, já que não podia fazer a ligação sendo ainda eram visíveis no chão as partes quebradas do celular que havia arremessado contra a parede. Então ele mesmo começou iniciou uma.
Elena pareceu quase ser varrida pelo alívio quando o tal Frederick Martin deu a causa da morte: Quatro tiros à queima roupa. Não precisei de mais do que o olhar impassível do marginal para entender o que havia acontecido.
Percebi que Elijah estava tendo algum trabalho em acabar com aquilo quando Katherine desfilou pela sala e começou a conversar com os policias que não tiravam os olhos de suas jogadas de cabelo e decote fundo. Era quase incrível como ela conseguia cativar a atenção. Poderia ficar impressionado se nunca houvesse visto aquilo antes, e se eu mesmo não houvesse sido “vítima” de seus efeitos.
Só consegui manter foco o suficiente para ouvir “E quase todos se foram, essa é minha única família agora” Sua voz chorosa devia estar partindo o coração daqueles homens que pareciam até ter-se esquecido de seu trabalho ali. Um deles lhe entregou um lenço, e olhou para mim como se esperasse uma resposta.
– É que ela é muito emotiva.
– Desculpe, foi exatamente assim quando a avó do Damon se foi... Pobre vovó Salvatore...Eu ainda sinto tanto...
– Prefiro não pensar na vovó – Que nunca havia conhecido na verdade, mas de qualquer modo, insultar a memória da “vovó Salvatore” era o menor dos meus pecados.
Vi quando Elijah desligou o celular e fez um breve sinal enquanto o mesmo perito de antes dizia que precisavam começar o trabalho, os outros ainda paparicavam Katherine, quando Elijah começou a consolá-la e dizer que eles haviam feito sua querida esposa reviver memórias ruins.
– Está tudo bem com ela? – Perguntei tentando por meus pensamentos em ordem – Não queremos mais problemas, não é Sr. Mikaelson?
Ouvi o tal Martin tossir, pigarrear e engolir a própria voz pelo menos cinco vezes antes de balbuciar: – Melhor todos esperarem lá fora.
[...]
Pov Elena
Eu estava congelando quando chegamos do lado de fora. Havia três carros parados à calçada. Um deles, um enorme SUV preto que parecia brilhar, de vidros completamente escuros, assim como toda a estrutura. Os outros dois eram carros de polícia. Um deles com as luzes piscando e dois policias recostados que se adiantaram em nossa direção.
– Porque está demorando tanto Elijah? – Damon parecia um estranho. Tudo bem que não nos conhecíamos por tanto tempo assim, mas eu com toda certeza nunca havia o visto tão transtornado. Talvez, excetuando Tyler, eu nunca houvesse visto um olhar tão perdido. E eu não fazia a menor ideia do que havia feito chegar àquele estado.
– Tente manter a calma, essas coisas levam algum tempo. E, aliás, há um protocolo, eles não vão sair vasculhando como formigas.
– São peritos. Vasculhar como formigas é o que fazem!
– Desde quando a polícia é problema para sua gente? – Tyler grunhiu, mas não me dei ao trabalho de prestar atenção porque Jeremy parecia estar gradualmente caindo em si. Ou em mais devaneios.
– Lena... porra, Lena isso é ruim – El choramingou puxando o cobertor que estava sobre seus ombros com força – Eu não queria, Lena, não queria...
– Nós precisamos tomar nota para a ocorrência, depois encaminhar todos vocês para depor – Um dos policias disse, estava olhando para Tyler e soube que era um dos policias da cidade, claro que era. Só os policiais da cidade olhavam para Tyler daquele jeito.
– Tomar nota? – Perguntei extasiada. Não havia uma só forma de aquilo acabar bem. Não queria pensar em depor ou ir à delegacia outra vez.
– Suas botas estão sujas de lama – O outro policial apontou para os sapatos de Tyler – Como aquela moto logo ali. Ela é sua?
– Sua jurisdição cobre as rodovias? – Damon perguntou – Sou o advogado, e acho que pressionar meus clientes vai contra a ética investigativa à qual está sujeito.
– Eu... Eu só... Eu... – Qualquer par de palavras bem ditas tirava aquele tipo de guarda dos trilhos – Precisamos cobrir as... Evidências? – Ele disse e pareceu uma pergunta, tanto que não tirava os olhos do outro.
– Sabe de alguém que tivesse motivos para ferir seu padrasto? – O primeiro policial perguntou para mim ainda com os olhos em Tyler.
– Eu...
– Minha irmã só fala na presença do advogado – Katherine me interrompeu, quase dando um passo à minha frente.
– Pensei que esse aí fosse o advogado...
– Ah, sim – Ela estalou a língua antes de olhar para Damon – Está demitido, Salvatore.
– Vai ter que pagar direitos trabalhistas, horas extras, e tudo mais.
– Poderiam vir um segundo até aqui? – Elijah chamou a atenção dos policias que logo o seguiram. Fiquei imaginando o que ele estaria os dizendo tento em vista o medo como tratou Damon e Tyler mais cedo, e ainda havia a reação estranha de Frederick ao seu sobrenome. Quase tinha medo de descobrir que tipo de pessoa ele era. Eu sabia que havia alguma coisa bem clara às minhas vistas, mas eu só não conseguia perceber o que era.
– Pense em alguma coisa, Damon! – Eu estava ficando confusa com o quanto minha irmã podia mudar rápido de personalidade, era quase como o Tyler, ou pior – Leis de senhorio, não? A casa é alugada não precisam da autorização do dono? Protocolo, jurisdição, tem de haver alguma brecha.
– Contra uma ordem judicial? Não estamos na idade média Katherine, e além disso, tenho certeza de ter sido demito.
– É alugada, mas desmembrada – Bonnie explicou – Se bem que o contrato está em nome da vovó;
– Ótimo! Isso deve nos dar alguma coisa. E onde está a vovó, querida?
– No hospital... – Bonnie respondeu com a voz fraca e trocou um olhar com Damon.
– É só há dez minutos daqui – Tentei e Damon e ela me olharam de um jeito estranho...
– Ela não está mais lá – Ele disse por fim. Como assim? Onde estava a Sheila? Percebi que não teria mais respostas quando ele se voltou para Katherine – E isso não vai contra uma ordem judicial.
– Pode desacreditar as provas, Invalidar depoimentos, tudo isso conta mais tarde.
– Eles não vão chegar tão longe.
– Está contando com a sorte, então? Você precisa... – Ela fez menção em tocar seu braço, mas antes que o fizesse ele segurou seu punho com força e todos nos calamos.
– Não tente me dar ordens.
– Lena eu não to bem, cara – Jeremy franziu os lábios e tremeu um pouco encolhendo os ombros – Eu sou um merda, eu não devia... Eu não devia... Você me odeia, né? Vocês todos me odeiam. Porra, eu acho que... – Ele fungou e começou a puxar o cabelo – Desculpa, porra, eu amo você, Lena, mas eu sou um merda.
– Fica calmo Jeremy, Eu não te odeio, você..
– Para de mentir pra mim, porra! – Ele gritou chamando atenção de todos – Você vive mentindo pra mim ! Todo mundo mente pra mim – Suas mãos estavam agitadas outra vez e tive de dar um passo atrás quando ele começou a andar de um lado para o outro.
– Jeremy, fica calmo – Bonnie puxou seu braço e quando a encarou ele voltou a chorar tudo em soluços e respirações entrecortadas – Ninguém aqui odeia você.
– Porra, Bonn. Você é tão linda... E eu sou um merda e a Elena, e nós... e... – Ele cambaleou para frente e espalmou uma das mãos no vidro do carro antes de começar a vomitar no meio fio.
– Que diabos vocês fizeram? – Vi Frederick Martin praticamente saltar as escadas da casa aos gritos sem entender os suspiros de alívio dos que estavam ao meu redor. Ele atravessou o curto espaço para por o dedo no peito de Elijah – Podem voltar para o inferno de onde vieram!
– Algum problema, senhor? – O policial perguntou intrigado e eu estava mais ainda, ao ver Damon e Tyler acomodarem Jer num dos bancos do Suv.
– Recebi uma ligação de cima, ordem de cancelamento da missão de busca.
– Melhor voltar para a Sra. Martin, não devia viajar para tão longe casa, Agente – Elijah falou despreocupado enquanto sinalizava para que o resto de nós seguisse Damon.
– Não deem isso por terminado! Está me ouvindo garota Gilbert? Ainda vou voltar para trancar todos vocês e jogar a chave fora.
Meu irmão estava convulsionando enquanto o homem gritava lá fora, meus olhos encontraram os do Bonnie por um momento e a ultima coisa que notei foram as cores fortes da lanterna policial voarem sobre nós seguidas da sirene alta e então meus sentidos foram tomados por uma névoa escura.
[...]
Pov Katherine
– Ei, como eles estão? E onde eles estão? – Josette me mediu com os olhos estreitos como se esperasse ver traços de falsidade, mas por fim suspirou.
– Eles estão bem. Quer dizer... Considerando os índices de...
– Sem a linguagem médica estranha, está bem? – Ele me olhou feio e suspirou antes de continuar:
– O garoto está mal, mas só vamos ter informações mais precisas quando terminarem os exames. Já a... Sua irmã? Foi só um desmaio causado por cansaço ou estresse, ela está bem, vamos mantê-la sedada por um tempo, talvez esteja um pouco fraca, mas no caso dela eu aconselharia repouso já que...
Assenti sem prestar muita atenção, eu nunca suportei os “conselhos medicinais” de Jo, aliás, conselhos nunca me fizeram muito sentido.
– Você e o Damon vão me explicar o que está acontecendo? Não quero que voltem a me enfiar nos seus problemas. Meu hospital não é lugar para essas falcatruas.
– O hospital não é seu Josette, é da família. Bem, agora é da Esther. E se pensar que eu sou casada com o herdeiro dela, bem... – Ri e meneei a cabeça e ela revirou os olhos, mas no fim sorriu pra mim.
– Só não envolve o Klaus nisso, da ultima vez que ele esteve aqui...
– Se o Nick estivesse aqui, eu não estaria – Ergui as sobrancelhas pra ela que caiu na risada e se recostou à parede.
– Você “não estaria aqui” porque o necrotério é no andar de baixo.
– Você é muito engraçada, não é? Onde estão os pirralhos?
– Com a Meredith, em algum lugar que eu não quero nem imaginar... Já viu como gritam quando estão juntos? Nós nunca fizemos tanta bagunça.
– Tem certeza disso?
Abri um breve sorriso, mas ainda estava, de verdade, preocupada com a Elena. E com o Jeremy. E claro, com o Damon. Porque precisava de todos eles ou ia ter de começar a ficar preocupada comigo. Estremeci só de lembrar do olhar de Damon mais cedo, era como um flashback vívido de alguns anos atrás.
– Eu estou sendo bipada – Ela franziu o cenho e olhou pra mim com um sorriso ameno – Parece cansada. Tem uma cafeteria lá embaixo se quiser ficar, mas eu duvido viver parar ver Katherine Mikaelson passar a noite em um hospital.
– Ah, cala a boca. Eu nunca pareço cansada!... Josie? – Minha voz falhou um pouco, mas tive coragem de perguntar – Onde está seu irmão?
Ela piscou algumas vezes antes de suspirar e torcer os lábios para só então falar com a voz fraca, como todos nós ficávamos quando aquelas coisas voltavam à tona.
– Ele não quis os calmantes, por mais que eu insistisse, também não quis ir pra casa. Acho que foi toda essa coisa com o garoto que não o fez bem. Não vejo o Damon tão atordoado desde... dela.
– Eu sei, mas preciso falar com ele, eu acho.
– Está num dos dormitórios lá em cima – Ela disse com uma ponta de indecisão – Acha que consegue encontrar por si o caminho, herdeira?
– Ah, cala a boca, Salvatore! – Ela se afastou e comecei a rir, enquanto seguia o corredor contrário. Precisava manter a calma, porque sabia que o que viria a seguir não podia ser fácil.
[...]
Pov Damon
~Î~
– Damon! Você precisa se acalmar! – Katherine gritava e eu até sabia que ela estava certa, mas eu não conseguia. Não depois de tudo aquilo, estava á beira de um ataque de nervos sentindo um turbilhão de coisas antes empilhadas dentro de mim as quais estava tentando resistir nos últimos dias, mas depois de desencadeadas, era quase impossível conter.
– Eu não consigo fazer isso Katie, não consigo mais – Grunhi enquanto meus olhos corriam pelas paredes claras e pelo piso de madeira lisa. Eu só queria estar longe dali, queria estar em casa, queria esquecer, queria abraçar minha garota e fingir que todo o passado havia ficado enterrado em um canto escuro da minha mente, mas era mentira. E quando ela me contou sobre sua irmã, pedindo minha ajuda, eu deveria ter ficado longe. Não deveria me importar, não deveria ter ido parar naquele inferno no meio do nada. E principalmente, não deveria ter posto os olhos em Matthew Donavan outra vez – Porque me trouxe aqui? Podia resolver isso sem mim! Passei as mãos pelo cabelo irritado enquanto ia e vinha no curto espaço.
– Não podia, Damon.. Eu precisava de você! E preciso que se controle.
– Me controlar? Porra, eu não vou me controlar. Minha cabeça está queimando. Eu não quero estar nisso – Afirmei resoluto – Eu vou embora, pode brincar de família com a sua irmãzinha, mas não conte comigo!
– Está louco, é isso? Perdeu de vez o juízo? – Ela atravessou o curto espaço esbarrando na mesinha com o abajur que já tinha virado antes de chegar até mim – Estamos todos juntos nisso, e principalmente agora. O Nick logo, logo vai começar a dar as caras por aqui.
– Que se foda o Nick, e toda essa gente! Eu não me importo – Aquele maldito hospital me enchia de tantas lembranças ruis, que eu mal conseguia manter os olhos abertos. Quanto mais controlar o tom de voz.
– Damon... – Ela pareceu hesitar por um instante, mas então tocou meu rosto com cautela – Eu sei que é difícil, sei o quão difícil é. Mas tem que começar a separar o passado do que está acontecendo agora.
– Eu não consigo... Eu não posso, eu não... – Eu não conseguia pensar direito, as lágrimas começaram a correr pelo meu rosto enquanto minha memória ganhava vida – Eu me lembrei delas. E foi tão difícil... Eu quase...
– Shhh Dam. Vai ficar tudo bem, tá? – Me obriguei a me calar quando ela me abraçou enquanto chorava como um garotinho sendo acalentada por uma mãe carinhosa. A diferença era que eu era um homem. Um maldito desgraçado que não era digno de pena. E ela, era uma serpente. Uma mulher ardilosa e incapaz de gentilezas. Mas no momento, eu estava tão perdido que não conseguia me lembrar disso – Mas precisamos ficar juntos, como uma família.
– Família – Cuspi as palavras com raiva e desdém – Quer falar sobre família? Porque está ajudando a garota? O que quer em troca?
– A Elena é minha irmã, estou só...
– Pare de mentir pra mim! Já não mentiu o bastante. Já não fodeu o bastante com a minha vida? Com a de todos nós.
– Então agora a culpa é só minha? – Ela se afastou, mas segurei seus pulsos a obrigado a olhar pra mim. Minhas mãos estavam trêmulas e o aperto fraco. Eu ainda estava nervoso e com uma puta dor de cabeça.
– Você não sente culpa? Não sente nada? Como pode estar tão calma?
– Eu estou calma porque sempre damos um jeito– Ela me pareceu ter raiva quando respondeu – E quanto à culpa... É claro que eu me sinto culpada, mas remoer o passado não vai nos levar a lugar nenhum!
– Mas...
– Sem “mas” Damon. Quer um motivo pra ajudar a Elena? Aí está. Culpa. Quem sabe não ajuda a dissipar parte dela?
– Eu não acho que posso fazer isso – Minha voz estava embargada, eu não sabia se estava falando de me livrar da culpa, ou de ajudar a Elena, os dois me pareciam terríveis no momento, procurei nos olhos de Katherine algum conforto, era assombroso sentir e ao mesmo tempo não sentir nada – Eu acho que estou quebrando de novo.
– Damon... – Ela tentou me afastar quando segurei seu rosto com ambas as mãos, mas me mantive firme.
– Eu acho que ainda amo você – Ela se calou e franziu as sobrancelhas. Quando se afastou dessa vez eu não resisti e a deixei ir. Quando Katherine ignorava a oportunidade de tirar vantagem de uma situação, era sinal de as coisas iam muito mal – E eu acho que...
– Não – Ela emitiu uma risada nervosa passando as mãos pelo cabelo – Você está confuso e irritado. Não sabe o que está dizendo. Vai dormir, precisa falar com a Elena amanhã, sim?.
– Fale você com ela!
– Ela ainda não confia em mim, mas em você sim. Precisa fazer isso por...
Antes que ela terminasse de falar a puxei para perto outra vez e selei meus lábios aos seus, ela resistiu um pouco antes de me deixar beijá-la por alguns segundos para então espalmar as mãos ao meu peito e me empurrar para bem longe.
– Enlouqueceu, Damon? Está tentando matar a nós dois?
– Eu nunca deixei de querer você. Eu me odeio por isso, mas é verdade.
– Céus, você só pode estar maluco. Pare de beber essas merdas e ponha a cabeça no lugar!! – Ela gritou e então suspirou ficando quieta. Ela tinha razão, por que eu a odiasse, ou amasse, ela tinha razão. Estava agindo como um imbecil deixando aquelas cicatrizes reabrirem dentro de mim – Se alguém ouvir você falar algo assim... O Elijah mataria nós dois, ou pior, ele esqueceria a condescendência e deixaria o Nick matar nós dois.
– Ele ama você. E é meu “irmão”. Somos uma bela família feliz – Terminei a frase dando uma ênfase irônica com a voz tomada pela amargura e ela me olhou feio.
– Dá um jeito de se concertar. E foca no problema da Elena – Mal ouvi-a e levei longos segundos para recobrar minha voz:
– Katherine... Como ela está? – Meus olhos estavam o chão quando ela me encarou e eu soube que ela entendeu que minha pergunta não era sobre Elena. Ela demorou algum tempo para responder e quando o fez, sua voz estava mais baixa e raivosa. Talvez estivesse tentando irritá-la de propósito.
– Eu mesma mato você, Damon. Não pense que não o faria.
– Kath...
– Nem mesmo comece! Você não tem o menor direito de tocar nesse assunto. Nenhum direito!
Fiquei olhando quando ela saiu batendo a porta do com força. Sozinho naquele lugar que odiava, afundei nas piores coias que alguém poderia sentir enquanto caía nas lágrimas e me obriguei a lembrar de onde tudo aquilo começou. Era melhor não tê-lo feito.
[...]
Flashback on
Ela empurrou de leve meu peito e em mais um passo eu estava fora do quarto no corredor. As luzes estavam baixas, ainda era bem cedo e naquela parte da mansão a casa era escura.
Sorri e puxei-a para fora do quarto também abraçando sua cintura enquanto tomava seus lábios pra mim.
– Shh, eu ouvi um barulho – Ela riu e esticou o pescoço para olhar para o fim do corredor.
– Impressão sua – Disse, mas também olhei para os lados – Ainda estão todos dormindo – Sorri acariciando suas costas e ela ficou na ponta dos pés para me beijar.
– Agora vai Damon! – Fui empurrado outra vez e ri baixinho, antes de empurrá-la contra a parede para descer beijos pelo seu pescoço antes de puxar seus lábios com os dentes – É sério – Ela sussurrou gemendo entre risinhos – Céus Damon, vai pro seu quarto!
– Eu estou indo – Tranquilizei-a, mas continuamos nos beijando – Volto à noite.
– E eu vou estar esperando, como em todos os dias – Ela escapou das minhas mãos e segurou a porta do quarto entreaberta – Vai Dan, se papai pegar você aqui, mata nós dois.
– Tudo bem – Com um enorme sorriso, estiquei os dedos para acariciar seu cabelo dourado, ela suspirou e enlaçou meu pescoço, só para depois me encarar com o mesmo olhar feliz e sorriso deslumbrado que eu devia ter – Eu amo você, Rebekah. Muito. Pra sempre.
– Sempre. Promete?
– Para sempre – Assenti, e estava tão feliz que não me importava com a possibilidade da nossa família estragar aquilo – Quando eu for embora dessa casa, você vem comigo? Ninguém precisa ficar sabendo.
– Claro, baby – Ela riu com alguma surpresa antes de puxar pra mais perto – Nós vamos ficar juntos não importa o que eles digam.
– Volto depois, linda. Nos vemos no café da manhã – Beijei sua testa antes de me afastar e ela sorriu. Fiquei a olhando enquanto me afasta de costas pelo corredor. Ela mandou um beijo e fechou a porta do quarto, ri e quando virei o corredor ainda desatento me choquei com ele. Gelei por alguns segundos, mas então suspirei. Dos males o menor.
– Irmão, o que você estava... – Elijah levou um segundo me observando e então ele percebeu – Seu idiota! Estava com a Rebekah? Você perdeu o juízo?
–Eu... – Balbuciei indeciso sobre o que fazer, mas no fim das contas, era inútil negar. Ele sabia, era o irmão preferido dela e meu melhor amigo, iria acabar tendo certeza cedo ou tarde – Isso é problema nosso.
– Está ficando louco? Já pensou no que papai vai fazer quando souber o que anda fazendo com nossa irmã?
– Sua irmã – Corrigi com raiva tentando passar por ele, mas fui interceptado – Eu a amo, e nossa família não pode mudar isso.
– Então eu sou seu irmão, e ela não? É assim? Seja racional, Salvatore! Ela tem dezesseis! Sabe o que mamãe vai fazer quando descobrir?
– Ela não vai descobrir, se você não contar. Elijah... Eu e a Bekah, nós sempre nos amamos, desde o berço! Não há nada que possa mudar isso! Quando for embora, vou levar ela comigo!
– Espero que tenha certeza que a ama. Porque isso vai acabar matando um de vocês. Só não diga que eu não avisei.
– Está me ameaçando, irmão? Pois saiba que, por ela, eu morreria feliz!
Fale com o autor