Criminal Ways

17 17 - Seja Forte


Notas iniciais
É isso mesmo produção? Ainda estou viva e respirando? Eu tive todo tipo de problema que vocês puderem imaginar entre a postagem do ultimo capítulo e deste, só faltou me convidarem pra iniciativa vingadores, mas enfim tá aqui ! Muito obrigada por todos os comentários divos e lindos e seja bem vinda Mrs Salvatore. Tá, acho que querem mesmo é ler nê? Boa leitura amores ❤

Ele estava caído à frente do sofá. Havia uma garrafa quebrada no chão ao seu lado, vômito, e um filete de sangue que escorria de sua testa até manchar o piso ao redor da cabeça. O cabelo dele estava grudado na testa pelo suor acumulado.

– Elena! – Damon tentou chegar até mim antes que colasse os dedos trêmulos à pele fria do meu irmão. A voz dentro da minha cabeça gritava que eu estava errada, mas continuei apressada dando tapas leves por seu rosto – Ele não está... – A voz de Damon soou tão baixa como um sussurro – Não está respirando Elena... – Ignorei sua voz dizendo pra mim mesma que já havia visto aquilo um zilhão de vezes e que ele ficaria bem.

– Jeremy – Chamei-o afastando o cabelo de sua testa, eu sentia que devia estar chorando, mas as lágrimas estavam presas – Jer acorda!

Damon tentou tocar meu irmão, mas o empurrei. Eu podia cuidar dele sozinha! Sabia que podia! Sempre cuidei.

– Jeremy! – Minha voz se ergueu correndo os dedos pela pele pegajosa, era diferente dessa vez, ele estava distante, frio. Droga! Não, não, não. Abri sua blusa com as mãos trêmulas, sentia minha respiração falhar copiosamente. Eu não podia suportar aquilo, não podia. Precisava dele.

– Diz que ele está bem, Elena. Diz – Bonnie chorou nervosamente. Eu não conseguia olhar pra ela nem pensar direito, minhas mãos se moviam inconscientemente. Colei o ouvido ao seu peito e fechei os olhos com força tentando me concentrar. Pensei ouvir um ligeiro pulsar, e levei alguns segundos para ter certeza de que não era apenas o som da minha própria pulsação gritando em meus ouvidos.

– Ele está respirando – Minha voz estava tão baixa que eu tinha certeza de que ninguém mais havia ouvido – Jeremy fala comigo – Bati em seu rosto outra vez, empurrei seu peito com força, e só então um breve ruído escapou de seus lábios – Olha pra mim, Jer – Quase gritei enquanto fazia pressão em seu tórax.

Só quando seu peito começou a se mover suavemente e tive certeza de que estava respirando, soltei um longo suspiro voltando lentamente à consciência. Tive de me apoiar ao sofá para não cair, estava ainda mais tonta e com a visão completamente escura.

Damon se ajoelhou ao nosso lado e puxou Jeremy inclinando seu pescoço. Meu irmão ainda estava de olhos fechados e parecia inconsciente, Damon pressionou um ponto em seu pescoço e chacoalhou seus ombros batendo em suas costas. A última coisa que consegui registrar foi Jeremy tossir sem força enquanto um líquido pegajoso escorria por seus lábios e seu corpo começava a convulsionar.

Fiquei de pé ainda cambaleante e levei as mãos à cabeça tentando manter a respiração num ritmo constante. As lágrimas molharam meus olhos enquanto tentava andar desnorteada.

– Segura ela! Eu não posso cuidar dos dois! – cambaleei para trás, quase indo de encontro com a parede, mas Bonnie segurou meus braços antes disso. Enjoo, tontura, medo, adrenalina, seja lá o que eu estivesse sentindo, não estava “evitando o estresse” Suava frio enquanto tentava por minha respiração em ordem puxando o ar com força pelos lábios.

– Respira Lena, calma, respira – Bonnie não parecia alguém apto a acalmar outra pessoa enquanto tremia e chorava à minha frente. Levei as mãos ao cabelo e me curvei sentindo minhas pernas tremerem e visão escurecer. Eu tinha uma breve noção de Damon gritando alguma coisa pra Jeremy, ou Bonnie, ou pra mim, mas não tinha a mínima ideia do que era. Meus sentidos estavam parcialmente adormecidos numa névoa escura que não me permitia reagir por completo.

Eu não queria chorar, não queria continuar chorando. Estava me sentindo boba e frágil, nos últimos dias tudo que eu fazia era chorar, e eu precisava ser forte. Era isso que dizia a pequena tatuagem em letras quadradas na minha costela esquerda. Seja. Forte

Ser forte. Era o que eu precisava fazer. Forte...

– Elena? Elena! – Meus olhos encontraram a luz por um segundo, mas o zumbido nos meus ouvidos me mantinha letárgica – Solta ela, porra. Hey gata, olha pra mim, você tá legal?

Quando voltei à realidade, Tyler estava inclinado sobre mim segurando meu rosto. Pisquei aturdida e ele me ergueu, que até então estava com as mãos apoiada aos joelhos.

– Porra, o que vocês fizeram com ela? – Ele grunhiu e ergueu meu queixo pressionando minha bochecha com o polegar pra manter-me atenta – Lena, você está bem? – Meus olhos correram por seu rosto, ainda estava tonta e confusa, tentando por meus pensamentos em ordem.

– Jeremy... – Suspirei pesadamente tentando manter o equilíbrio, enquanto me apoiava ao peito dele, corri os olhos pela sala e tive um breve vislumbre da porta aberta ao fundo, Damon e Bonnie pareciam carregar meu irmão pelo corredor – Jeremy! O Jeremy....

– Ei, shh. Ele vai ficar bem, olha pra mim. Bem aqui – Ele estalou os dedos como se chamasse a atenção de um cachorro, quando me obriguei a fitá-lo, seus olhos estavam perdidos, daquele jeito Tyler meio louco, meio concentrado. Eu não precisava de muito mais para saber que algo grave estava acontecendo.

– Tyler – Segurei seus ombros para olhar em volta e ele segurou meu rosto mantendo minha visão restrita – O que é que ta acontecendo, Ty? Eu... Eu...

– Shh. Ei você precisa mesmo se acalmar agora, tá gata? Olha pra mim. Respira ok? Assim, dá pra ficar de pé? – Respirei fundo e acenei. Ele deu um passo pra longe e me soltou. Um segundo olhar me deu a certeza de que havia algo muito ruim chegando. Seu cabelo estava molhado, e as roupas recém trocadas e ainda úmidas pelo banho recente, estava completamente “limpo” exceto pelas botas sujas de terra. E eu, sabia exatamente o que aquilo significava.

“Trabalho” era o que ele dizia. Mas naquele estado, limpo de provas, podia dar o nome que fosse, ficava claro o que era: Assassinato.

Eu não era capaz de lidar com os problemas de Tyler e Jeremy ao mesmo tempo. Na verdade, naquele momento eu me sentia como um espelho rachado que ao mais simples toque se quebraria em estilhaços.

– Eu vou ver meu irmão – Sussurrei afastando os olhos e senti as lágrimas que estava reprimindo pesaram na minha garganta. Destinei um ultimo olhar à Tyler parado, ele parecia quase... Amedrontado. Tyler com medo? Tyler? Congelei no lugar. Eu tinha vivido coisas o suficiente para saber que não havia coincidências naquela cidade, ou na minha vida – O que vocês dois fizeram?

– Lena... – Tyler comprimiu os lábios numa linha firme, apenas acenou negativamente, e baixou olhar. Porque ele estava recuando? Ele nunca recuava. Voltei a ir em sua direção assustada. Jeremy sempre se afundava nas drogas daquele jeito quando estava num conflito com o qual não sabia lidar, e Tyler só ficava tão “cuidadoso” comigo quando sabia que estava fodendo a última coisa com que me importava: Meu irmão. Nada me afetava tanto quanto Jeremy. E pensar nisso era estranho, já que há essa altura já devia estar cheia de novos sentimentos maternais.

– Eu achei que estivesse morto – Sussurrei para então encontrar seus olhos sem conseguir segurar as lágrimas – Ele estava caído bem ali e eu achei que estivesse morto – Solucei tentando limpar as lágrimas como se fossem uma marca de fraqueza ou vergonha – Diz pra mim que isso não foi culpa sua Ty, porque se foi... Eu juro Tyler, pode sair da minha vida de uma vez por todas.

– Não fala uma coisa dessas – Ele me encarava com súplica, mas havia ignorado minha pergunta – Nós precisamos um do outro Lena... – Dei as costas decidida a seguir o corredor e ele agarrou meu pulso – Elena!

– O quê Tyler? Vai me bater pra eu ficar quieta e ouvir você? Ou dizer que eu sou sua e não há nada que não faça por amor? – Eu só percebi que estava gritando quando minha garganta doeu e as lágrimas umedeceram meus lábios ressecados – Essas merdas que você faz comigo? Eu não ligo, eu posso lidar com isso, mas meu irmão? Meu irmão Tyler? Você me prometeu que ia me ajudar a cuidar dele, e agora... Agora...

– Fica calma, me deixa explicar tudo, Lena só... – Ele se interrompeu e tirou o celular que vibrava do bolso, mas apenas encarou a tela com um olhar raivoso, antes de trincar os dentes e passar direto por mim.

– Onde você vai? Tyler! – Segurei seu braço. Estava cansada de todas aquelas pessoas me deixando no escuro e contando as coisas pela metade. Eu queria respostas.

– Vou falar com o Jeremy.

– Não, não. Você vai ficar longe do meu irmão! – Eu deveria ter posto mais força na minha voz, mas ainda estava zonza e fraca.

– Elena, eu estou tentando...

Ele se interrompeu no meio da frase, e eu me virei quando Damon apontou no corredor, eu ainda chorava, seus olhos foram de mim à Tyler rapidamente. Ele suspirou, ainda com aquela postura tensa.

– Eu pus o garoto no chuveiro. Ainda está inconsciente. O que ele costuma usar?

– Depende do preço, do vendedor, e do humor – Tyler respondeu secamente – Ele consegue falar?

– Ele nem consegue abrir os olhos. Vou ter que levá-lo há um hospital logo. Pode haver danos internos – Damon limpou a garganta e passou as costas da mão pelo nariz como se precisasse de auxílio para respirar, então esfregou os olhos e os piscou algumas vezes como se para manter o foco.

– Analgésicos. Dos fortes. Você tem? Minha cabeça está...

– O Jer vai ficar bem? – Chorei me voltando para Tyler outra vez, ele e Damon se entreolharam – Tyler! Fala comigo. Tyler. Damon?

– Ele fez merda hoje. Muita merda. Eu não sei se consigo limpar tudo – Tyler sussurrou e limpou a garganta – Precisa me deixar tentar.

– E você matou alguém por isso? – O ar estava pesado em meus pulmões, como se tudo ao meu redor fosse insuportável demais para aguentar.

– Espera aí, mais uma morte? Mais que porra vocês tem na cabeça? – A voz de Damon soou como um estrondo. Estava carregada de raiva, como se houvesse atravessado algum limite – O quê? Isso é brincadeira pra vocês?

– É melhor ficar calminho – Eu podia perceber pelo tom ríspido que Tyler começava a se enraivecer. Damon estreitou os olhos e deu um passo para perto de nós. Eu não imagino o que teria acontecido se o toque estridente de seu celular não o interrompesse naquele instante. Ele levou o aparelho até o ouvido fechando os olhos com força.

– Eu espero que seja direto – Damon grunhiu – Eu não... Porra, não é uma boa hora... Oh, sim. Quer saber? Pouco me importa, que se fodam todos vocês – Um breve grito escapou por meus lábios pelo susto quando ele arremessou o aparelho com força contra a parede.

– Sua irmã está subindo – Disse entre os dentes. Mesmo que eu quisesse, não tinha mais como controlar as lágrimas que me escapavam dos olhos.

– O quê? Precisam de um recepção? A droga da porta está aberta – Tyler resmungou e céus, eu podia sentir o descontrole caindo sobre nós gradualmente. Aquele era o tipo de noite em que ninguém conseguia controlar seus humores.

Eu tive apenas um breve vislumbre da aparição da “minha irmã” surgindo à porta ladeada por seu marido antes de ouvir os gritos de Bonnie. Troquei um olhar com Tyler e segui as pressas paro o corredor. Antes que pudéssemos atravessá-lo a porta do banheiro foi empurrada com força e Bonnie e Jeremy cambalearem para fora, ela parecia tentar se desvencilhar enquanto ele a segurava.

– Para com isso Jer. Me larga! – Ela gritava e debatia, eu não conseguia entender uma só palavra do que eu irmão dizia, mas então ele a empurrou com força e ela teria se machucado muito se Tyler não a tivesse segurado no ultimo segundo e com o impacto do atrito chocado as próprias costas à parede.

– Jeremy! O que você está fazendo? Jer? – Ele respirou com força, suas roupas ainda estavam molhadas e pingando, quando olhou pra mim parecia qualquer coisa, menos o meu irmão, estava transfigurado pela raiva ou por qualquer outra coisa que o dominava quando estava tão alto.

– Foi por sua causa – Ele disse numa voz enrolada enquanto se aproximava de mim – Foi por você! Tá me ouvindo Lena?!

– Calma Jer, fica calmo tá? – Ele começou a andarem minha direção, e Tyler gritou alguma coisa que não consegui entender.

– A culpa dessa merda toda é sua Elena! – Ele berrou e puxou meu braço gritando coisas que eu não conseguia entender enquanto me sacudia – Você sabe o que eu fiz? Sabe? Você não sabe de porra nenhuma!

– Damon faz alguma coisa! – Katherine gritou atrás de nós. Eu estava me debatendo, tentando tirar as mãos de Jeremy de cima de mim, e entender o que ele dizia quando Tyler o puxou pra longe e empurrou contra a parede, eu também me desequilibrei, mas alguém me aparou. Aquela casa estava ficando muito cheia, Toda aquela gente num corredor estreito, aquilo me deixava ainda mais tonta e ansiosa.Todas aquelas vozes e gritos que eu não conseguia discernir estavam me matando!

Tyler estava gritando com Jeremy, enquanto o empurrava contra a parede, meu irmão estava gritando e volta e se debatendo como um cachorro raivoso. Em um segundo estava lá jogando os punhos contra as costas de Tyler com força enquanto o puxava.

– Para Tyler! Para, deixa ele! Tyler! – Piscava com força tentando ver através das lágrimas, enquanto o empurrava – Vai machucar ele, Tyler!

– Elena! Pelo amor de Deus! – Quase não consegui ouvir Bonnie no meio de todos os outros que gritavam há minha volta, então um par de mãos agarrou meus ombros com força me puxando pra trás. Olhei Damon com raiva e tentei empurrá-lo, mas Katherine chamou minha atenção falando coisas que eu não conseguia ouvir enquanto segura meus pulsos.

– Já chega Lockwood – Damon empurrou Tyler com força, que deu três passos para trás antes de voltar pra cima dele com tudo e acertá-lo no queixo. Céus, Aquilo era o inferno! Corri até Jeremy que agora parecia assustado, com os olhos muito abertos e apertando os punhos com força contra a parede, percebi pelo canto do olho quando Damon e Tyler começaram a se estapear no curto espaço do corredor e voltei os olhos para o meu irmão apenas por um segundo.

– Eu ferrei tudo Lena – Ele começou a chorar – Tudo.

– Jer, o que você fez?

– Elena! – Bonnie gritou de novo e dessa vez me puxou, antes que o corpo de Tyler me atingisse, percebi tarde demais que Damon o havia acertado com um gancho de direita, e o ar fugiu completamente dos meus pulmões quando Tyler se ergueu menos de dois segundos e sacou o canivete. Porra. Aquilo era ruim.

– Tyler! – Gritei, mas ele continuou avançando, e então eu Katherine e Bonnie estávamos gritando num coro agudo que foi interrompido por um grito contínuo rouco, duro e pesado:

– Parem já com isso todos vocês – A voz do marido da minha irmã fez todos pararem no lugar, na mesma hora, tamanha foi a força de sua entonação – Que porra vocês estão fazendo?

Acho que naquele instante nem as moscas zumbiam. Só conseguia ouvir a respiração descompassada de Tyler e Damon e as batidas firmes do meu coração.

– Elijah, eu... – A voz de Damon parecia um rugido desfigurando. Então todos nós começamos a resmungar outra vez e logo estávamos gritando.

– Já chega! Calem a boca! – Quando percebeu que não ousaríamos nos mover, sua postura relaxou um pouco ainda que forte e ameaçadora. Ele andou até Tyler em passos firmes e parou perigosamente perto dele seus olhos estavam ainda mais duros que sua voz, e seu maxilar trincado enquanto movia o queixo de uma maneira agressiva e contida.

– Eu sugiro que guarde a porra da faca e fique longe do meu irmão– Tyler rangeu os dentes e pareceu ter a intenção de responder, mas o outro apenas estreitou os olhos e continuou – Agora.

Eu tremi feito gelatina. Tinha certeza de que Tyler ia pular em cima dele e lhe dar um belo corte no pescoço, mas ele apenas assentiu desgostoso deu um passo pra trás e guardou a faca. Como assim? Que tipo de força no universo fazia Tyler se calar e obedecer?

– Damon, vai parar de agir como um animal, ou preciso lembrá-lo de como se comportar? – Ele perguntou ainda com os olhos em Tyler, mas passou por ele pra chegar até mim, dois passos atrás. O advogado respondeu estalando a língua, Elijah inclinou a cabeça e fechou os olhos. Céus. Estava começando a achar, que aquela nova “família” era ainda mais perigosa do que a que eu tinha, e como assim “meu irmão”?

– Eu fiz uma pergunta.

– Você manda – Damon resmungou como se as palavras o fossem nocivas, meus olhos encontraram os seus, azuis e tempestuosos, cheios de raiva e sombras, seu cabelo estava despenteado e úmido caído sobre a testa, ele olhou pra mim de volta e sorriu, o que pareceu a coisa mais sombria e infernal que eu já havia visto.

– Você – Seus olhos se suavizaram um pouco, quando olhou pra mim, o que me assustou, e só não dei um passo para trás, porque provavelmente não conseguia me mexer. Elijah ergueu meu queixo com os dedos e eu tremi ouvindo um rugido da parte de Tyler – Você. Não desmaie.

Não desmaiar? Como se “não desmaia”?

– Katherine cuide da sua irmã. Damon leve o garoto pra sala. Tyler, eu quero nomes! E você... – Ele parou até ficar bom perto de Bonnie, tirou um lenço do paletó e entregou a ela – Pare de chorar.

– Vai se foder – Ela sibilou e deu um tapa em sua mão. Todos pararam outra vez até que ele riu.

– Eu gosto de você – Ele acentuou e deu as costas indo pra sala – Ainda estão parados?

– O que você vai fazer? – Damon perguntou enquanto tentava arrastar Jeremy com a ajuda de Tyler. Espera, eles não estavam brigando há um minuto?

– Café ou chá... Vocês precisam todos ficar calmos.

Eu até pensei que fosse sarcasmo até vê-lo ir para a cozinha e começara remecher os armários.

– Se quer ervas pode procurar no quarto do Jeremy – Tyler resmungou, antes de jogarem meu irmão no sofá.

Katherine veio até mim um tanto receosa, mas então respirou fundo.

– Você está bem? Quero dizer, fisicamente? – Respondi com um breve aceno, Ela curvou os lábios e respirou falhamente, afastou meu cabelo dos ombros e encarou meus olhos. Era aterrorizante o modo como nós duas éramos parecidas, salvo que seus olhos eram mais claros, o cabelo todo trabalhado em ondas e seu rosto era um tanto mais oblíquo, o que marcava que ela era uns poucos anos mais velha – Ótimo. Precisa respirar e ficar calma, sim? Esquece eles e fica bem. Consegue fazer isso?

Depois de tranquilizar a mim e Bonnie, como uma avó preocupada, coisa que não combinava nem um pouco com seu olhar de águia, ela nos encaminhou para a sala. Tyler estava de costas resmungando-barra-ameçando alguém raivosamente pelo telefone enquanto Elijah estava de braços cruzados à frente de Damon sentado numa das cadeiras da cozinha, que parecia explicar tudo que aconteceu.

Olhei para Jeremy que parecia ter voltado ao estado de demência sentado no sofá, babando como um zumbi.

– Seu braço está sangrando – Ouvi Bonnie dizer e percebi que Damon estava segurando o ombro onde uma mancha aparecia no tecido.

– Céus! Você está bem? – Preocupei-me indo pra perto.

– Esse imbecil me acertou a ferida. Reabriu o curativo, deve ter arrebentado os pontos.

– Onde diabos você conseguiu esse ferimento, Salvatore?

– Presente do seu irmão.

– Ei, aqui. Essa coisa de irmão. Está me enlouquecendo. Se expliquem.

– Você não contou pra ela? – Elijah assumiu um tom mais irritado e olhou de Damon pra mim e então pra Katherine.

– Sou pago para conversar ou resolver seus problemas?

– Para obedecer.

– Eu... – Me senti tonta outra vez, mas estava com raiva demais para ceder – Eu estou cansada de todos vocês! É melhor começarem a falar a verdade.

– Esse humor de vadia é adorável na Katherine, mas para de gritar que não combina com você – Damon disse rispidamente e Elijah cerrou o olhar, eu até achei que ele fosse fazer algo, mas no fim percebi que eu mesma havia acabado de estapear Damon.

– O que foi que você disse? – Tyler parecia ter perdido de vez o controle – É melhor eu não ter ouvido direito.

– Eu disse – Damon falou lentamente ficando de pé – Pra sua namorada parar de gritar e chorar feito uma vadia maluca.

Nem um segundo depois Tyler acertou o primeiro soco nele, e o segundo, e logo estavam se engalfinhando outra vez.

– Vocês só podem estar testando minha paciência – Elijah rugiu separando os dois com um empurrão e parou em meio a eles – Se eu vir um de vocês tocando no outra mais uma vez, vou eu mesmo surrá-los até que deem as mãos como cachorrinhos adestrados.

Damon passou as mãos pelo cabelo, parecia estar à beira de um ataque, seus olhos corriam pela sala sem muito foco, até que Katherine foi até ele e fez quase a mesma coisa que havia feito comigo, eu só não conseguia entender o que ela dizia, mas ele parecia estar se aclamando.

– Eu não posso lidar com isso Kath, você sabe, porra. Porque me meteu nessa merda? – Eu até achei que ele ia chorar, mas estava mais preocupada com o olhar insano e a postura tensa de Tyler. Ele já havia controlado até demais o humor naquela noite.

– Ty, por favor... Tyler... – Segurei seus ombros o fazendo olhar pra mim.

– Eu vou matar esse desgraçado.

– Não Tyler. Olha pra mim tá, eu estou bem olha, nós estamos juntos não é? É o que importa não é? Vai cuidar de mim, não vai Tyler? – Ele resistiu um pouco, mas por fim olhou pra mim e respirou fundo me puxando pra um abraço apertado, que não me tranquilizava em nada. Mas pelo menos o devia por nos trilhos.

– Eu não estou bem, cara – Jeremy resmungou – Eu to vendo duas Lenas, porra – Ele começou a rir – Se uma já é chata pra caralho...

Num segundo estávamos todos parados, naquela onda de tensão insuportável no outro o silêncio foi interrompido pelo soar de batidas firmes à porta. Que diabos?

– Liga pra tua irmã e resolve isso – Elijah disse pra Damon que pareci ter recobrado um tanto de controle – O garoto não está bem. Lockwood, espero que tenha os nomes. Elena vá atender a porta.

O que mais eu podia fazer? Pálida como um defunto. Fria, zonza e com as pernas bambas me encaminhei até a porta, ouvindo a chaleira apitar numa constante aguda. Abri a porta com receio, quem a havia fechado?

– Elena Louise Gilbert?

– Sim – Respondi fracamente já me dando conta do rumo que as coisas estavam levando quando um dos homens fardados me entregou aquela folha, que parecia pesar uma tonelada.

– Mandado de busca e apreensão.

Assisti paralisada, quando entraram na sala sendo interceptados por Damon e Elijah.

– Não, não. Nem pensar. Eu sou o advogado da moça.

– Vai descumprir uma ordem judicial, advogado?

– O processo do caso Donavan está quase fechado. De que se trata essa busca?

– Ah, vocês não sabem? – O homem alto, que havia me entregado os papéis sorriu – Alarick Saltzman, ex-padrasto da sua cliente, foi encontrado morto no fim da tarde.

Notas finais
Uau, MASOQ? Gente esse ritmo pesado tá bom de dar uma acalmada né? Antes que alguém, provavelmente eu, vá parar no hospital! Kkkk Já deu pra perceber que a Elena assim como vocês já cansou dos mistérios, não é? Temos revelações chegando pessoal! O que me dizem desse ataque irado de Damon e Tyler? E o que é esse Mikaelson pondo ordem na bagaça? O que vocês acham dessa dupla mais problemática da histótia: Tyler e Jer? Cêus é muita coisa pra pouco capítulo! Como já disse, amo quando desvendam o que tá rolando e a linda da Mrs Salvatote chegou divando no cap anterior já dizendo que o Damon era casado com a Rebekah, mas me digam como se ele Elijah e Nick se dizem irmãos? Uhh, próximo capítulo promete, espero que ainda estejam por aqui, beijos ❤ Ah, enquanto não sai o próximo podem dar uma lida em Original Sin:https://fanfiction.com.br/historia/633894/OriginalSin/ que também foi atualizada hoje! E ahhh? Desculpa pelo susto com Jer pra quem achou que ele tinha ido passear no além kk-