Criminal Ways
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Notas iniciais
Pov Elena
Eu estava desesperada. Era isso. Estava nervosa, assustada, com medo, tonta... desesperada.
Por mais que olhasse em volta, não conseguia acreditar no que estava vendo. Damon me encarava com um olhar apreensivo enquanto murmurava instruções e dizia que ficasse calma e que as coisas iam se resolver logo. Eu não sabia o que tornava aquelas palavras mais falsas: Primeiro, havia minha mais nova irmã sentada no sofá da minha casa com uma expressão mais séria e cautelosa do que eu já tinha visto antes, depois, Bonnie sentada logo ao lado com o rosto banhado em lágrimas e ainda trêmula.
O quadro ficava ainda mais bizarro com meu irmão ainda em estado de letargia, com o cabelo e as roupas molhadas respingando no outro sofá onde estava caído, E Tyler, sentado ao chão numa postura ameaçadora, descascando quase distraidamente uma laranja, com seu canivete suíço enquanto não tirava os olhos de cima de mim e Damon.
Pra finalizar, havia o tal marido da minha irmã, conversando com o oficial de justiça à minha porta enquanto eu não desgrudava os olhos das letras no papel que tinha em mãos, que dizia: Mandado de busca e apreensão.
Mas como pelos céus havíamos chegado aquilo?
Pov Damon
~Vinte e sete horas antes
Expulsá-los era a ideia mais educada que passava pela minha cabeça. Eu devia imaginar que eles me encontrariam, eram como maldições. Por mais que tentasse fugir daquele teatro disfuncional que chamavam de família, eles pareciam sentir cheiro de sangue. Sangue e problemas.
– O que vocês vieram fazer aqui?
– O que você veio fazer aqui? – Katherine riu passando os dedos na mesa empoeirada – É triste Damon. Até mesmo pra você.
– Vem cá, você não é o cara racional? – Ele estava com aquele seu olhar superior, de braços cruzados, apoiado à divisória da sala. Ela estava logo ao lado com aquele maldito sorriso nos lábios tingidos de vermelho. Era o inferno. Como ter vinte e poucos anos outra vez e estar amaldiçoado a uma vida fodida. Como um ciclo vicioso que sempre voltava a me atormentar – Eu mandei manter sua mulher longe, Elijah.
– E você dá as ordens desde...? – Ele sorriu cético e voltou o olhar para ela. Respirei fundo segurando a garrafa de whisky barato com mais força – Ah, sim. Você não dá.
– Ela vai surtar, vocês vão atrapalhar tudo e eu vou acabar morto. Isso é um desastre.
– Um desastre é você não conseguir controlar uma garotinha assustada. Vamos lá Damon, todos nós queremos a mesma coisa. Chama ela que eu resolvo – Ela ergueu os ombros e sorriu daquele jeito prepotente – Sabe como é a família e todas essas coisas sentimentais, Ela é minha irmã.
– Quando vocês aprimoraram esse truque? – Ri apontando de um para o outro – Eu ouço a sua voz, mas são as palavras dele.
– Essa conversa tem algum sentido de verdade, ou é só você sendo insuportavelmente amargo, Damon?
– Anda tão afastado da “família” que tanto presa, que começou a me confundir com o Nick?
– Niklaus procurou você?
– Ele procurou ela. Essa coisa que você faz de manter a família nos trilhos? Acho que não é muito bom nisso Elijah.
– Você é?
– O que diabos é isso? – Katherine arrastou ele para que sentasse ao seu lado – Não vão começar com isso de novo, não é? Precisamos focar no problema real aqui. Que é o Klaus. Eu quero ele longe da minha irmã.
– Ou quer ele longe de você? – Sorri para ela que perdeu a voz por alguns segundos e então olhou pra ele
– Isso é um problema. Precisa resolver isso por mim.
– Eu não acho que isso seja um problema, mas vou falar com ele.
– Você nunca acha que é um problema – Ergui a voz sentindo a raiva emergir – Talvez esse seja o problema.
– Mantenha a calma, Salvatore. Eu sei melhor que ninguém como cuidar da minha família. – Ele estava ficando irritado, e aquilo não devia me fazer sorrir, mas fazia. A forma desdenhosa como eles diziam meu nome, era como um lembrete sombrio do passado que me dava vontade de atirar em alguém.
– Ah, sim isso é inquestionável – Ri desdenhosamente tentando apagar as memórias que começavam a pintar na minha cabeça – Talvez devesse me ensinar não é Elijah?
Ele trincou o maxilar e estreitou os olhos inclinando o pescoço como fazia quando estava irritado.
– Eu devia... – Ela se inclinou para ele e passou as mãos em seus ombros tentando acalmá-lo. Ele se calou de imediato e um arrepio frio correu por minha espinha eu quase podia sentir a sensação exata de suas mãos em cima de mim.
– Vocês dois se preocupam demais – Mordi a língua antes de começar a dizer as coisas que ela merecia ouvir – E brigam, demais. O que aconteceu... Tudo que aconteceu não importa mais. Estamos aqui pra falar com a minha irmã.
– Vai chamar a garota, Salvatore – Ele me despachou com um sinal de cabeça, como se não passasse de um incomodo passageiro. Resmunguei incomodado e larguei o copo na mesinha de vidro. O barulho estridente fez Katherine se encolher e depois me encarar com raiva.
– Tudo bem, se é o que querem – Disse por fim me sentindo cansado – Só se comporte Katherine.
Eles me irritavam. Me irritavam tanto que sentia meu sangue ferver aos poucos. O modo superior e arrogante com que ele me olhava, A crítica nítida em seus olhos, aquilo era corrosivo. E ela. Ela era como o inferno vestido em seda e renda. Eu odiava tudo que ela ainda me fazia sentir, mas ainda assim não conseguia inibir nada daquilo. Katherine havia destruído minha vida de todas as formas cruéis que se pudesse imaginar, e ainda assim, me tinha ali. Preso à suas vontades como uma marionete.
Quando atravessei a cozinha encontrei Elena, imaginei que ela havia acabado de descer as escadas. Estava com um olhar meio dúbio, meio assustado, mas estava escuro e naquele instante, mas eu, sinceramente não me importei.
– Tem visita pra você – Disse estendendo a mão. Eu odiava o rumo que as coisas estavam tomando e odiava o quão dentro daquilo eu estava. Podia estar em casa, do outro lado do país bebendo no sofá de casa até cair no sono, só para resolver um caso com o qual eu não me importava no próximo dia, não era a vida que eu havia planejado, mas era a minha vida agora. E bastou uma ligação de Katherine e seus “argumentos” firmes para me convencer a voltar a tudo aquilo. Era o inferno na terra estar de volta à toda a merda que levei metade da minha vida tentando fugir, mas bastava sua voz melosa sussurrando no meu ouvido pra que voltasse de quatro me arrastando para tudo aquilo.
Elena olhou minha mão estendida por alguns instantes e então cruzou os braços.
– Eu quero ir pra casa. Quero ir pra casa agora!
– Ah você quer? – Ri com amargura, e franzi o cenho – Vamos resolver isso. Eu te levo pra casa depois. E você pode contar carneirinhos e dormir com os anjos, sendo vigiada por aquele assassino de estimação.
– E se eu quiser ir agora? – Eu não sabia se era a tensão acumulada, ou realmente se ela estava tentando me dizer o que fazer. Era melhor não estar.
– E se eu quiser ganhar na loteria? – Eu devia controlar a rispidez da minha voz, porque era bem claro que a raiva que eu sentia no momento não era culpa dela, mas controle não era uma das minhas melhores habilidades – Uma Ferrari novinha? Vodca de graça por um ano inteiro, ou uma massagem da Scarlet Johasson? Uh seria legal. Se as pessoas tivessem o que querem, Elena, eu não estaria parado aqui discutindo com você.
– Eu não estou discutindo com você – Ela sorriu do mesmo jeito que Katherine fazia quando sabia que estava certa – Estou mandando você me levar pra casa.
– Ah, você está? – Corri as unhas pela barba recente tentando me concentrar para não começar a descontar tudo que estava sentindo nela e falei bem devagar – Seja boazinha Elena.
– Tudo bem – Ela sorriu e descruzou os braços e depois de um longo suspirou agarrou o celular no bolso e levou ao ouvido.
– Para com isso... – Dei um passo em sua direção e ela andou pra trás se esquivando – Elena!
– Alô, Tyler? – Seus olhos se afastaram dos meus e ela começou a subir a escada! Como pelos céus aquelas duas podiam me irritar tanto?
– Elena? – Quando eu achei que não podia ficar mais furioso... Virei-me para Katherine disposto a derramar toda a minha raiva em cima dela, mas vi um lampejo de sinceridade nos seus olhos quando Elena girou nos calcanhares para encará-la.
– E-eu... – Ela olhou do celular para a outra e em poucos segundos Katherine chegou até ela.
– Eu sou a Katherine. Katherine Mikaelson, sua irmã. – Ela balbuciou e um riso baixo escapou por seus lábios – Será que tem um segundo pra conversar com a sua irmã?
Flashback on
– Damon? – Ela chamou com um sorriso nos lábios – Damon... – Sua voz fazia meu coração disparar de um jeito que era totalmente novo – Damon, você está aí? Não está se esconde de mim, está?
– Estou aqui, Katie – Respondi sorrindo quando ela finalmente adentrou à cozinha. Seu sorriso se alastrou e ela praticamente se jogou em meus braços.
– Estava com saudades, é? – Passei os dedos por seu cabelo, ela ainda vestia a minha camisa, e seus olhos brilhavam de um jeito que me enchia de alegria – Acho que não consegue ficar sem mim.
– Não preciso, não é? É só não me chamar mais de Katie – Ela franziu as sobrancelhas e sorriu desafiadoramente – Katherine não é tão difícil, é?
– Eu já estava voltando pro quarto. Só vim buscar um pouco de café – Nós estávamos num lugar que eu costumava odiar. Aquela pequena e até aconchegante casa, só me trazia lembranças ruins, mas desde que comecei a me encontrar lá com Katherine... Desde então eu sabia que ela poderia me fazer esquecer as coisas ruins que haviam acontecido alí – Katie combina com você.
– Minha mãe me chamava assim... – Acariciei seu rosto entendendo completamente sua posição, afinal eu sentia a mesma coisa quando aqueles que nos cercavam me chamavam de “Dann”. Beijei seu rosto, totalmente encantado por tê-la ali comigo, mas hora ou outra acabei me lembrando da realidade inevitável. Eu não devia estar com ela, não devia fazer aquilo, não devia. Era egoísta e errado – Eu acordei sozinha e achei que tinha me abandonado.
Céus. Como eu poderia sequer pensar em abandoná-la?
– Não, nunca – Abracei-a com mais força beijando seus lábios calidamente – Você sabe que... Nossa, você me faz perder a cabeça, sabia?
– Ei, Damon – Ela sussurrou passando as mãos por meus ombros daquele jeito que me acalmava – Ouvi dizer que sua mãe está dando uma festa no fim de semana que vem, ou no próximo...
– Não, não está – Suspirei e depois do breve silêncio voltei temendo que minhas palavras a ofendessem – Ela não é “minha mãe” e não é uma festa a propósito. É um evento de caridade.
– Hm...
– O quê foi?
– Você vem? – Sua voz falhou e então reergueu-se – Sinto sua falta naquela casa...
– Katherine...
– Eu sei, é só que passar tempo com você me deixa feliz.
Suas palavras se repetiram na minha mente por algum tempo e por mais que soubesse que não devia fazer aquilo, as palavras saíram involuntariamente:
– Sabe de uma coisa? Ando ouvindo muito que devia passar um tempo com a família.
– Todos vão estar lá Damon... – Ela completou num tom fraco – Era só uma ideia boba. Desculpe, é que é estranho não estarmos todos juntos... Isso me entristece.
Pronto. Bastou aquela frase sutil para que pusesse tudo a perder. É claro que eu faria aquilo, que estragaria tudo, fazendo qualquer coisa que ela me pedisse.
– Ela tem mesmo falado em passar um tempo em casa, então...
– Não, Damon, se sua esposa...
– Ela não vai saber, já falei. Confie em mim, Katie. Vamos estar todos lá, como nos velhos tempos.
– Faria isso por mim baby? Mesmo?
– Faria tudo por você.
Mais tarde, eu perceberia o quão imbecil eu era sendo manipulado por ela daquele jeito. Tudo, todos os meses de fugas noturnas, juras de amor, perigo e traição. Tudo que ela queria era uma maldita brecha, e fui um tolo completo lhe dando todas as ferramentas que precisaria para destruir a minha vida.
Flashback Off
*
Pov Elena
– Vai me explicar onde estava esse tempo todo? Não fica aí parada olhando pra minha cara Elena! Sabe o quão eu fico nervoso quando não sei onde você tá?
Tyler e nervoso? Uma combinação que nunca acabava bem.
– Ei, vai com calma. Eu estou aqui agora, não estou? – Sentei no sofá já exausta. Tyler, Damon, Nick, Katherine, era demais pra um só fim de semana.
– É, mas... Droga Elena. Quantas vezes já te disse? Preciso saber onde você está o tempo todo. Quem vai cuidar de você se eu estiver longe?
Eu quase responde que podia me cuidar sozinha, mas então lembrei que era com Tyler que estava falando, e que ele, literalmente , cortaria o pescoço de alguém só para provar seu ponto de vista.
– Eu conhecia a tal “minha irmã” E pelo visto estão pagando muitas pessoas, para cuidar de mim, não é?
– Não. Ninguém pode fazer isso. Só eu. Você é minha.
Suspirei cansada demais para discutir. E até feliz, era incomum estar feliz apenas por estar em casa. Eu geralmente ficava louca pra sair do Bar e chegar em casa, mas era só porque queria dizer que Matt não podia mais tocar em mim, e isso por si me alegrava. Mas agora estar cercada por coisas que eu conhecia, até mesmo Tyler, me deixou simplesmente feliz.
– Eu estou aqui, com você. E estou bem – Sorri tentando soar convincente e ele respirou fundo.
– Está – Por fim ele sorriu e me aconchegou em seus braços de maneira possessiva enquanto afundava no sofá – Mas não faz mais isso tá? Eu fico nervoso longe de você. E você sabe que eu não penso direito quando estou nervoso.
– Ah, sim? – Ergui uma sobrancelha e me virei para encará-lo. Tudo bem que Tyler sempre fazia besteira, mas ele nunca admitia até alguém jogar na sua cara – O que você fez dessa vez, Tyler?
– Nada Elena – Ele disse num tom altamente defensivo sob meu olhar acusatório – Nada está bem? Eu me comportei, gata.
– Você nunca se comporta! – Estava falando sério, mas ele começou a rir, e em pouco tempo eu também, mas me assustei quando ele começou a acariciar meu rosto.
– Você fica linda rindo – Pisquei um pouco apreensiva... Aquilo era má ideia, má ideia, má ideia... Eu sabia que já tinha feito aquilo antes, me afastado de Tyler por saber que ele era problema dos grandes, mas naquele instante eu só queria estar cercada por um problema com o qual eu pelo menos soubesse lidar – Eu sinto sua falta, gata. Sinto falta de te ter comigo.
– Eu... – Eu quero que você vá embora. Era fácil dizer aquilo. Já tinha dito tantas vezes era só me esforçar um pouco que conseguiria de novo...
– E agora somos, eu você e o bebê Lockwood – Okay, por aquilo eu não esperava. O bebê! Céus, tremi só de pensar na outra opção, e sim, por tudo que é sagrado, eu só desejava que aquele fosse um bebê Lockwood. Só imaginar ter um filho do Matt... Não eu não podia sequer pensar naquilo. Mas e se...?
– Eu também senti sua falta – Disse as palavras sem pensar, e em resposta ele abriu um enorme sorriso feliz e se inclinou pra perto selando os lábios aos meus. Demorei algum tempo para corresponder, mas o fiz.
– E fico louco quando estou longe de você – Ele comentou, me envolvendo em outro abraço. Deixei meus olhos se fecharem. Eu lidaria com aquilo amanhã. Tyler não reagia bem a rejeições... Eu sabia bem disso, e discutir agora não adiantaria, já era madrugada e eu só precisava dormir.... A palavra madrugada se clareou na minha mente.
– Tyler!? Onde está o Jer?
– O Jer?
– É Tyler. O Jeremy. Meu irmão Jeremy. Onde ele está?
– Ah, sim. O Jeremy, seu irmão.
– Tyler... – Ele estva sorrindo daquela forma nada confiável.
– Ele está no hospital com a Bonnie – Afirmou, mas não me convenci – Acha que eu mentiria pra você? Se quiser pode ligar pra ela, mas sério, não é educado acordar as pessoas, principalmente as que passam a noite no hospital. E de qualquer jeito eles devem estar dormindo de conchinha numa maca abandonada no corredor.
– Não faz piada Tyler! A Shirley está melhor?
– Na mesma... Ei, Lena. O Jeremy sabe sobre a irmã de vocês?
– Não sei... – Minha voz falhou pensando naquele encontro estranho – Eu preciso falar com ele sobre um montão de coisas.
– O que ela queria com você hoje? – Porque ele estava tão interessado naquela conversa?
– Ah, eu não sei... Eu disse que estava confusa e precisava vir pra cas... Você está tentando me distrair não está? Onde está o Jeremy?
– Eu já disse, não foi? – Ele ergueu os ombros e me puxou pela mão – Vem, vou por você na cama. E a irmã?
– Ela disse que vem aqui amanhã – Suspirei e o silêncio que se seguiu foi uma grata surpresa. Eu só precisava dormir em vez de remoendo tudo aquilo. Precisava acreditar que sim as coisas iam se resolver, e Tyler iria me manter segura, e Sheila ia melhorar, e depois tudo fiaria bem.
E eu não podia estar mais errada sobre aquilo. Confirmação disso,foi que no dia seguinte, enquanto vasculhava meu correio de voz procurando algum sinal do meu irmão que não respondia minhas mensagens encontrei uma de número desconhecido. Primeiro fiquei apreensiva, lembrando as ligações que já havia recebido dos homens de Nick com ameaças ou cobranças de dídivas de Jeremy, mas aquela não era uma dessas.
“Escuta aqui, menina” sua voz desdenhosa e amarga, um tanto bêbada me fez enrijecer na mesma hora “Quem você pensa que é? Ouvi falar que meu garoto meteu um filho na sua barriga. Se quer o dinheiro do Tyler esquece ouviu? Não vou bancar golpe de puta nenhuma dessa cidade fodida” Sua fala enrolada provava que estava bêbada, o que não era novidade “Você tirou meu filho de mim, mas não vai me tirar dinheiro. Vai ser sempre a putinha fodida que sua mãe era, porque essas merdas estão no sangue me ouviu? E você nunca vai se livrar disso”
Depois de uma sequência de sons de coisas caindo e vidro quebrando a mensagem acabava, mas fiquei ali, parada e imóvel escutando os bipes que seguiam o fim da ligação. Lentamente, toda aquela sensação de segurança se dissipou enquanto lentamente me lembrava de todos os motivos pelos quais havia me afastado de Tyler.
Flashback on
Estava cansada de tudo aquilo, e ir pra casa, não era uma das melhores partes do meu dia. Continuei caminhando pelo acostamento, enquanto fazia planos de ir dormir na casa de Bonnie, afinal era sexta feira. E sextas feiras significavam problemas.
– Ei, gata – Virei e vi Tyler se aproximando a passos largos. No mesmo instante um sorriso cresceu em meu rosto. Ele acelerou mais um pouco, e quando chegou mais perto me ergueu dando um giro breve antes de me beijar.
– Para com isso – Disse aos risos. Três meses desde que eu havia começado a sair com Tyler, e tinha quase certeza que era daquelas coisas que duram pra sempre Ele não era como os outros caras da cidade, rudes, agressivos e mal educados. Eu sabia que Tyler era diferente, e me amava.
[...]
Quase um ano havia se passado desde a morte de Jenna. Apesar das brigas com Tyler, eu continuava acreditando que as coisas iam acabar bem, enquanto ele cuidasse de mim, e me ajudasse com o Jer. E estava errada.
– Você precisa se acalmar, tá? Para com isso Tyler.
– Me acalmar? Eu vou matar aquele desgraçado, vou voltar lá e acabar com a vida dele – Ele estava gritando enquanto caminhava de um lado para o outro. Eu nem sequer sabia como ele havia ficado tão irritado, havia começado com uma briga por causa de uma maldita vaga no estacionamento com um cara qualquer – Onde está? Você escondeu, não é?
Ele começou abrir as gavetas e bater as portas dos móveis no quarto. Eu estava trêmula e assustada, enquanto Tyler não parava de atirar coisas ao chão.
– Fala porra, onde é que você escondeu? Meu canivete. Você pegou, eu sei que foi você!
– Eu não peguei Tyler, para com isso – Ele me fitou com raiva e começou a desforrar a cama, remexendo os travesseiros e então virou o colchão e chutou a escrivaninha num acesso de fúria – Por favor, para. Não está aqui, Ty...
Agarrei sua camisa tentando fazê-lo parar enquanto as lágrimas corriam por minha face. Eu odiava vê-lo tão fora de si. E nos últimos dias estava bem mais constante e intenso, como se toda aquela agressividade emergisse em explosões pequenas.
– Para com isso – Ele se desvencilhou de mim, me empurrando pra longe – Me diz onde está Elena!
– Eu não sei – Respondi chorosa enquanto andava pra trás vendo-o avançar em minha direção – Ty, para, eu não sei.
– Fala pra mim – Ele agarrou meu braço com força, segurando-me agressivamente – É melhor não brincar comigo, Lena.
– Não está comigo Tyler – Chorei me afastando dele, mas ele me prendeu contra a parede – Se acalma, por favor – Tentei segurar seu rosto fazendo-o olhar pra mim – Vai ficar tudo bem, Ty. Deixa aquilo pra lá.
– Não me diz o que fazer, porra! – Ele empurrou minhas mãos agressivamente e me deu as costas – Você não me dá ordens.
– Tudo bem, tudo bem, não estou. Vem aqui, Tyler... Tyler!
– Me deixa em paz, caralho – Tyler saiu batendo a porta com força e foi para o quarto de Jeremy – Se não foi você, foi ele.
– Não! Deixa meu irmão em paz! – Empurrei seus ombros tentando chamar sua atençã ,mas ele continuou impassível. Jeremy saltou da cadeira onde estava quando entramos no quarto aos gritos, ele tossiu antes de tirar o cigarro dos lábios e levantar às pressas.
– Que merda vocês estão fazendo? Saiam da porra do meu quarto.
– Faz esse merda se calar Lena, eu quero a porra da minha faca, onde está?
– Jeremy, sai daqui – Tratei de empurrá-lo para fora do quarto e logo e voltei para Tyler que começava arremessar as roupas de dentro do armário – Você está bêbado Tyler – Sacudi seus ombros tentando fazê-lo agir racionalmente – Por favor.
– Para de gritar, caralho! Eu não aguento mais ouvir a droga da sua voz – Ele agarrou meu cabelo com força me jogando contra a parede fria – Já mandei ficar quieta.
– Não Tyler não – Esperneei tentando fazê-lo me soltar – Me solta, Ty...
– Cala a boca, eu mandei ficar quieta!
– Me solta! Me deixa sair daqui! – Empurrei seu peito com força – Eu odeio você seu merda! Eu odeio você!
– O quê você disse? Repete isso sua vadia – Seus dedos repuxaram meu cabelo com força enquanto segurava meu rosto agressivamente me obrigando a fitá-lo.
– Eu te odeio Tyler! Eu vou embora – Repeti e em seguida cuspi em seu rosto. Ele fechou os olhos com força, e quando os reabriu estavam tomados por aquele calor insano. O silêncio que se seguiu era anúncio problemas e então senti o primeiro tapa queimar meu rosto, e minhas mãos voaram para a pele dolorida.
– Você não vai dizer essas merdas pra mim ouviu? Você é minha!
– Eu vou embora, e você nunca mais vai me ver – Ele desferiu outro tapa contra meu rosto e voltei a tentar empurrá-lo enquanto arranhava seus braços e rosto.
– Que merda você está fazendo? Larga a minha irmã – Jeremy tentou tirar Tyler de cima de mim, mas ele era forte o suficiente para atacar nós dois.
Os nossos gritos ecoavam na minha mente, Era certo que as lembranças daquela noite durariam mais que hematomas em minha pele. A única certeza que eu tinha, era de que Tyler era um erro, um assassino, desgraçado, agressivo e doente. E ele não mudaria nunca.
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