Criminal Ways
14 14 - Estrada
Notas iniciais
Eu tenho certeza que nós teríamos batido se a estrada não estivesse tão vazia. Damon mantinha o olhar fixo e vidrado, enquanto dirigia numa velocidade muito acima do que se podia ser recomendável.
– Damon! – Gritei outra vez para ele que parecia quase em transe – Damon, fala comigo! O que vai acontecer agora? Pra onde você está me levando? Damon? – As placas na estrada indicavam uma distancia cada vez maior de casa – Por favor!
– Para de gritar Elena, fica calma.
– Ficar calma? Como você pode querer que eu fique calma? – Me retorci no banco olhando pelas janelas sentindo as lágrimas que banhavam meu rosto – Aquele cara no chão, ele estava morto? O que você fez? O Tyler vai vir atrás de mim!
– Elena, para – Damon repetiu trincando os dentes e apertando o volante com força. Se movendo o mínimo possível, sem nem piscar.
– Damon! Você está coberto de sangue! – Gritei pra ele e empurrei seu ombro. Ele teve um breve sobressalto e senti o carro derrapar um pouco antes de frear bruscamente.
– Que merda, Elena! Quer matar nós dois? – Ele gritou batendo com força as mãos em punho no volante, respirei fundo algumas vezes vendo as marcas d sange que pareciam maiores que antes.
– Você está bem? – Sussurrrei erguendo a manga de sua camisa para encarar um ferimento aberto e sangrando – Damon... – Minha voz fraquejou e voltei a encontrar seus olhos afetados.
– É só um corte de raspão tudo bem? Eu estoou bem, nós estamos bem.
– Aquelas pessoas feridas lá...
– O Nick deve cuidar daquilo... Eu... – Ele respirou fundo e afastou os olhos – Foi culpa minha...
– Damon? – Ele finalmente me encarou para depois esticar os dedos e tocar meu rosto. Cheguei a me assustar com a forma como seus olhos pareciam perdidos e ainda assim resolutos. Ele fechou os olhos e respirou fundo pelo menos duas vezes. Eu estava parada, congelada. Convivia com homens perigosos o sufiente para saber que quando se calavam daquele jeito, era melhor deixar acontecer.
– Vocês estão me deixando maluco – Ele disse por fim e me encarou trincando o maxilar para depois afastar meu cabelo do rosto. Eu geralmente ficava com medo ou me retraía quando faziam aquilo, mas de algum modo irracional, eu não me sentia amedrontada por ele. De algum modo que eu não podia explicar, mesmo ali, no meio da estrada, com o barulho dos carros zunindo ao nosso redor e ele coberto de sangue, Damon me fazia sentir estranhamente segura – Têm de parar com isso, está me ouvindo?
– De quê você está falando?
– Elena, Você... Droga! Ele suspirou e se endireitou no lugar – Vamos sair daqui antes que um caminhão passe por cima de nós.
– Está preocupado com isso?
– “Salvatore” não é uma boa marca para molho de tomate.
[...]
– Onde estamos? – Perguntei ao sair do banheiro vestida com minhas roupas recém compradas. Damon estava sentado na cama. O curativo em seu ombro já estava vermelho outra vez.
– Eu morei aqui há algum tempo – Ele esfregou os olhos parecendo terrivelmente cansado – Você está bem?
– Melhor que você – Disse correndo os dedos por sua pele ferida, ele contraiu a face e tocou meus dedos, nossos olhos se encontraram por um segundo e percebi que estava preocupado, ou triste. Talvez os dois.
– Elena – Seus olhos eram estranhamente magnéticos, me prendiam de um jeito que me incapacitava – Você está bem?
– Não, Damon. Não estou, mas vou ficar.
– Vem, vamos. Vocês precisam comer alguma coisa – A forma como ele disse “vocês” me intrigou. E só depois de alguns segundos o seguindo o fato de que estava grávida se acendeu na minha mente. Como eu podia ter esquecido? Talvez eu só estivesse tentando ignorar como me sentia sobre aquilo, mas o estranho era Damon estar tão atento ao fato.
– Você não vai me contar o que houve, vai?– Disse enquanto ele preparava sanduíches – Lá no hotel? – Como ele ignorou, entendi que não – Tyler vai enlouquecer se eu não der notícias... E eu preciso voltar pra casa, o Jeremy pode se meter em problemas...
– Você devia ficar longe dele – Damon sentou e empurrou o prato pra mim.
– Eu não posso. O Jer é meu irmão – Disse antes de começar a mastigar enquanto ele apenas me observava.
– Tyler. Ele não faz bem pra você. Você não precisa de alguém como ele.
– Diz isso como advogado?
– Digo isso como alguém que se importa – Ele tomou alguns pares de analgésicos e estreitou os olhos pra mim – O que o Nick te disse... O que quer que tenha sido, você não pode confiar nele.
– Você cresceu aqui? – Perguntei tentando não pensar em Nick, ou em tudo que havia acontecido. Era a única coisa naquilo tudo que eu não queria discutir.
– Por algum tempo – Ele limpou a garganta com uma expressão distante – Duas histórias sobre órfãos é demais para uma semana.
– Damon... – Minha voz falhou – Eu não posso ficar aqui.
– Não, não pode. Eu vou levar você pra casa assim que estiver bem.
– Eu estou bem agora.
– Você precisa descansar, e nós precisamos conversar, e agora falo como advogado. Se quiser eu ligo pro seu cão de guarda.
– Você está bem envolvido nisso não é? Até onde Damon? – Mesmo contra a minha vontade lembrei de sua interação com Nick, e da forma que falaram um com o outro. Aquilo era muito estranho.
– Dormir Elena – Ele me deu as costas – Pode escolher qualquer um dos quartos lá em cima.
– Onde você vai?
– Preciso comprar uma bebida de verdade.
Eu bem queria contestar e discutir, mas ele parecia tão sério e afetado, tão diferente do Damon que tinha conhecido que chegava a assustar um pouco. Fiz exatamente o que ele me mandou fazer, afinal de contas estava mortalmente cansada. Terminei de comer e subi as escadas baixas para cair no mesmo quarto de antes, e em pouco tempo estava dormindo.
[...]
Estava bem escuro quando acordei, eu ainda estava terrrivelmente cansada. Tentei repassar os últimos dias mentalmente. Como as coisas podiam ter mudado tanto tão rápido? Por mais encrecada que eu estivesse, e por maior que fosse o medo que eu tinha de como as coisas fossem acabar, eu estava feliz por ter as mãos de Matt longe de mim.
Achei meu celular e finalmente o liguei. Duas noites fora de casa, sem notícias de Tyler, Bonnie, Jeremy ou qualquer traço da minha vida. Por mais que doesse pensar desse jeito, aquilo era reconfortante.
A explosão de mensagens de Tyler não me surpreendeu, e no fim, até me fez sorrir. Resolvi ouvir a primeira mensagem de voz e logo me deparei com seu tom nervoso e preocupado “Elena? Onde diabos você está? Porque não está me atendendo? Eu juro que vou até o inferno buscar você e o meu filho, não seja idiota e... porra, Elena. O que você está fazendo? Atende a droga do telefone”
Decidi que era o sufiiente para eu não querer ouvir as outras mensagens, o que diabos eu diria ao Tyler? Meus olhos correram pelas outras coisas sem muito ânimo até ler uma mensagem de Bonnie que exigia noticias e diziam que estava passando mais tempo no hospital, agora que estava desempregada e sua avó havia piorado outra vez.
Aquilo era loucura! Eu não podia ficar longe. Precisava cuidar da minha “família”. Por maior que fossem nossos problemas, Jeremy, Bonnie, e até mesmo Tyler eram como família pra mim. Eles me mantiveram segura e feliz quando eu não tinha mais ninguém. Eles cuidavam de mim, e eu deles. Precisava voltar para minha vida.
Desci as escadas apressada. Agora pensando melhor, não era uma ideia nada legal ficar naquele lugar com Damon, eu não o conhecia de verdade e me incomodava ele saber tanto sobre mim, e eu não saber nada sobre ele. Talvez não devesse confiar tanto nele, as outras pessoas em que confiei me ensinaram que não devia repetir facilmente aquele “erro”
Era isso. Um ultimato. Ou ele me falava tudo que queria saber e me levava pra casa, ou eu fazia uma ligação curta para Tyler e o problema estaria resolvido. Quando atravessava a cozinha escura escutei vozes, então desacelerei os passos. Será que Nick havia voltado? Percebi que era mais de uma voz e andei mais devagar para ter a certeza de que não me veriam.
“Eu não acho que isso seja um problema, mas vou falar com ele” Foi a primeira frase completa que consegui entender. A voz era desconhecida e grave, mas ele parecia estar calmo, quem quer que fosse.
“Você nunca acha que é um problema, talvez esse seja o problema” Damon estava irritado, sua voz estava distorcida pela raiva e algo mais que não pude identificar.
“Mantenha a calma Salvatore, eu sei melhor que ninguém como cuidar da minha família” Dessa vez o homem estava mais irritado. Dei dois passos adiante e me reclinei à parede para ter uma visão parcial deles. Só conseguia ver o homem estranho, ou parte dele, os ombros largos, a vestimenta formal, o cabelo escuro... Mas ele estava de costas, sentado na extremidade do sofá.
“Ah isso é inquestionável” Damon riu com desdém “Talvez devesse me ensinar”
“Eu devia...” Percebi mãos correndo pelos ombros do homem e ele se calou então uma terceira voz soou. Uma voz feminina, sutil, ardilosa e perigosamente parecida com a minha.
“Vocês dois se preocupam demais” Damon ia começar a falar algo mas ela interrompeu “E brigam demais. O que aconteceu... Tudo o que aconteceu não importa mais, sim? Estamos aqui pra falar com a minha irmã”
“ Vai chamar a garota, Salvatore” O homem fez um sinal com a cabeça e depois Damon resmungou em desagrado e um barulho estridente, como um copo batendo contra uma mesa me fez encolher.
“Tudo bem, se é o que querem” Damon soou vencido “Só se comporte, Katherine”
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