Criminal Ways
13 13 - Acerto de Contas
Notas iniciais
Eu estava realmente considerando um plano de fuga, mas eu sabia que não podia correr mais do que ele. Sabia que devia ele devia estar cheio de seus homens, e sabia que, provavelmente não sairia viva daquele lugar.
– Acho que a convivência com aqueles brutamontes pode tê-la deixado... Como se diz? As pessoas que não são simpáticas? Ah, Elena, você sabe que não precisa ter medo de mim.
– O que você quer de mim? – Consegui expulsar as palavras apenas para vê-lo rir. Era a primeira vez que eu falava de verdade com ele, eu sabia o monstro que vivia por trás dos seus sorrisos calorosos, mas por mais que tivesse medo por todas as histórias que ouvi sobre Nick, eu sabia que o melhor era agir racionalmente e ganhar tempo afinal, Damon estava chegando.
– “O que você quer de mim?” – Ele imitiu minha voz assustada ficando de pé com uma expressão contrariada – É sempre assim, não é? Deixe-me adivinhar: Você é a garota ferrada e eu sou o vilão, é assim, Elena? Sabe o nós vamos fazer? Recomeçar. Venha aqui.
Fiquei encarando sua mão estendida por algum tempo até que com uma ultima respiração a segurei. Ele sorriu e ergueu as sobrancelhas como quem diz “finalmente” me guiou até sentar na cama e sentou bem do meu lado.
– Pronto, Agora nós podemos agir como duas pessoas meramente civilizadas, sim? É só dizer “Olá Nick, não estava esperando uma visita, mas fico feliz que possamos conversar” Ou “Nick, é tão bom te ver, ouvi falar muito sobre você” Ou ainda “Fique à vontade”, mas “o que você quer de mim” não é um bom jeito de começar uma conversa.
– Veio me dar aulas de etiqueta?
– Não querida, isso se aprende em casa... Oh, desculpe. Citar família perto de uma órfã ainda é deseducado? Eu não sei. O que me diz?
– Tenho certeza de que a sua família deve ser bem melhor que a minha.
– Talvez você pudesse perguntar a algum deles, mas a maioria está morta. Então...
– O Damon te mandou aqui? – Ele estreitou o olhar e então abriu um grande sorriso.
– Salvatore? Um problema que vive escapando pelos meus dedos.
– Eu sou um problema? – Meus olhos correram para a tela do celular, descarregado e suspirei irritada.
– Quer fazer uma ligação, querida? Pode usar o meu – Ele me estendeu o aparelho, mas neguei com um aceno de cabeça. Ele suspirou fazendo uma careta de desagrado.
– “Não, obrigado por ser gentil” – Nick recitou fazendo um aceno para que eu repetisse. Senti lágrimas queimarem meus olhos enquanto ardia em raiva, seu sorriso orgulhosamente sustentado me fazia gelar.
– Não. Obrigado por ser gentil Nick – Minha voz falhou, ele estava conseguindo o que queria: aterrorizar-me. Para ele aquilo era um jogo, e era ele quem dava as cartas – Posso perguntar qual a real intenção da sua... Visita?
– Isso! Você aprende rápido! – Ele tateou o casaco pesado de couro marrom por dentro e por fora até sacar um lenço vermelho escuro e depois uma arma que começou a limpar vagarosamente – Nós temos um interesse em comum, Elena.
– Ah temos? – Onde diabos estava Damon? e Tyler? – Não consigo imaginar.
– Você tem causado muito problema na minha cidade, querida.
– Não vejo como alguém como eu, poderia causar problemas para um homem tão importante – Minha voz era puro desdém, e meus olhos estavam fixos em sua arma, o que só o fez rir.
– Lockwood, ele me deve. E você parece ser a única coisa valiosa que ele tem– Ele fez uma pausa dramática e revirou os olhos – Essa é a deixa pra ficar com medo! Droga, vocês são muito ruins nisso.
– Nick, é deseducado dar voltas e fazer uma dama esperar – Ele levou alguns segundos analisando minha expressão séria para só então continuar.
– Se eu pago você pra fazer uma coisa: Você faz! É simples. Lockwood se recusou a cuidar do pequeno Gilbert quando mandei que o fizesse. “Não posso fazer isso” E todas essas coisas de “Elena nunca me perdoaria”, mas sabe Elena? A garota Donavan estava atrapalhando os negócios, sabe quanto dinheiro eu perdi por causa dela e do seu irmão?
– Eu deveria saber?
– Acho que não querida, mas não deve interromper quando eu falo – Ele assumiu um tom ligeiramente irritado – No fim das contas Tyler ter cuidado dela por mim foi um alívio. Você consegue ver o ponto querida?
– Você tem um?
– É obvio – Ele disse erguendo os braços ainda empunhando a arma que apontava para todos os lados enquanto ele gesticulava – Eu estou te devendo um favor! – Ele disse apontando pra mim, meus olhos caíram na arma e voltaram pra ele.
– Como é que é?
– Vicky Donavan era um problema. Tyler acabou com ela, não por ser muito genial, mas por você. Logo, eu te devo uma dor de cabeça a menos. Já deveria Ser capaz de raciocinar sozinha a partir de agora querida.
– Você veio me oferecer ajuda?
– Eu tenho cara de quem faz caridade? – Ele franziu o cenho e guardou a arma – É um acerto de contas. Não gosto de dever favores.
– Eu não preciso “acertar as contas” fale com o Tyler sobre isso. Ele é quem trabalha pra você.
– Meu assunto é com você, querida.
– Porque? – Me levantei da cama repentinamente tomada por uma irritação que estava crescendo em mim – Eu estou cansada de todos você me dizendo o que fazer. Espero que vão todos por inferno e queimem lá pra sempre!
– Matthew Donavan – Ele disse devagar caminhando até mim lentamente. Parei onde estava encarando seus olhos correndo por mim e então ele parou tão perto que sentia sua respiração na minha pele – Ele é um problema.
– Pensei que o Tyler matasse pra você.
– Eu não o quero morto – Ele ergueu os ombros – Seria fácil. Essa história com a caçula: isso me diverte. Ele está perdido, tão perdido que poderia até me pedir ajuda.
– O que o Matt tem a ver com isso?
– Ele fez isso com você? – As mãos de Nick foram para o meu pescoço onde uma ponta do hematoma teimava em aparecer debaixo da blusa. Me retraí ao seu toque o fazendo franzir os lábios numa expressão de raiva – Isso me incomoda. Muito.
– Por quê?
– Ele fez a mesma coisa com alguém que era importante pra mim, há muito, muito tempo atrás.
Meus olhos correram pelo seu rosto procurando algum traço de brincadeira, mas, ele estava falando sério.
– Você devia ter matado ele – Senti as lágrimas correrem pelo meu rosto – Teria acabado com isso, você...
– Shh, querida – Ele estendeu os dedos pra limpar minhas lágrimas – Não seria o melhor. Ele feriu minha irmã. Eu feri a dele. Victória era uma boa garota quando a conheci. Você sabe, ela tinha essas ilusões de toda adolescente, se apaixonou... Pobre Vicky, Tive que usá-la pra suprir os erros do irmão.
Caí na risada e ele me encarou confuso dando um passo atrás.
– Desculpe, é só que... – Não conseguia parar de rir enquanto as lágrimas corriam por meu rosto – Tudo que está me dizendo é que toda a merda que aconteceu comigo é culpa sua.
– Mas que inferno Elena! Você não ouviu uma palavra do que eu disse?
– Eu ouvi muito bem! Matt, Vicky, Tyler, tudo isso é culpa sua – Percebi tarde demais que estava gritando – Se não fosse essa porra de vingança imbecil eu estaria bem... Eu não estaria... Pro inferno com você e seu senso deturpado de justiça. Deveria ter matado ele!
– Você não faz a menor ideia Elena – Ele ergueu a voz pra sobrepor a minha e me encolhi no lugar – Minha irmã? Ela era... Radiante, jovem e bondosa. Você já estava fodida com toda a história dos Saltzman, ela era diferente, promissora. E o que o Matthew fez? Acabou com ela. – Sua voz caiu até quase um sussurro – Quando a encontraram nem sequer podíamos reconhecê-la! Você deve saber melhor do que eu que ele não gosta de garotas que resistem e ela lutou até o ultimo segundo, mas nunca voltou a ser a mesma.
– Quer que eu mostre as cicatrizes, Nick? – Minha voz amarga fez um breve sorriso triste aparecer em seu rosto.
– Eu só queria que ele visse a irmã dele tão degradada quanto eu vi a minha. Por isso ainda não tinha me livrado dela... – Ele suspirou – Mas aconteceu da melhor forma possível: foi causado por ele.
– Sua lógica é incontestável. Quer fazer algo por mim porque sua irmã foi estuprada pelo mesmo desgraçado que eu? Você é maluco.
–Minha dívida com você está quitada. O Delegado cuidando do caso é um amigo de longa data. E agora... – Ele sorriu abertamente – Agora eu estou no comando outra vez.
– É aqui que eu agradeço? – Ergui uma sobrancelha pensando em como aquele “delegado” agia estranho.
Ele sorriu e me encarou com toda raiva e tristeza de quando falou sobre a irmã se dissipando. Eu me negava a me Sentir grata por aquilo tudo.
– E quanto ao advogado? – Perguntei lembrando toda aquela cena de Damon falando sobre minha família. Era atuação?
– Nós precisamos ficar perto da família Elena. Sempre. Eu devia ter imaginado que estaria nisso, embora fique curioso de como tenham chego até você. Pelo visto tudo gira em torno de mim não é? Pergunte a ele sobre Rebekah.
Assenti esperando que na melhor das hipóteses ele fosse embora, então ouvimos gritos, seguidos de um turbilhão de pancadas.
– Acho que é minha deixa – Ele riu dando um passo pra trás.
– Espera – Gritei assustada – E o Jeremy, vai deixar ele em paz?
– Isso não é mais da minha conta – Ele assentiu e quase pude sentir alívio, até que mais sons de briga nos alcançaram e Damon apareceu na porta com a respiração entrecortada e a camisa e o rosto manchados com respingos de sangue. Levei alguns segundos de pânico até perceber que ele não estava realmente ferido.
– Ei, cara – Ele disse ainda recuperando a respiração descompassada – Acho que acabei de acertar alguns de seus amigos. Um ou dois, talvez.
– Não brinca! Não me diga que eles te trataram mal?
– Pois é – Damon sorriu com os olhos tomados por sombras, e então jogou uma faca que não tinha percebido que segurava, para Nick que a agarrou no ar – Espero que não se importe – Damon tinha os olhos fixos em mim como se para assegurar que eu estava bem.
– Não era o grandão com sotaque russo era? – Nick perguntou como se perguntasse o resultado de um jogo de baseball.
– Desculpe – Damon ergueu os ombros fazendo o outro praguejar enquanto estalava a língua – Mas não se preocupe, tem um hospital aqui bem perto.
– Era um dos bons – Ele meneou a cabeça – Bem, eu posso conseguir um melhor não é? Oh, sim... Loockwod! Está vendo Elena, seu namorado acaba de ser promovido. Agradeça ao Danny... Elena? Disse para agradecer ao Damon por dar um novo emprego ao Tyler, querida.
– Obrigada Damon.
– De nada Elena, é um prazer ajudar – O tom que Damon usou me fazia pensar que já sabia muito bem como lidar com Nick.
– Outra deixa, estou indo agora. Nosso tempo foi muito produtivo Elena.
– Obrigada pela visita, Nick. Volte sempre que achar necessário.
– Ah, tão doce Elena – Ele sorriu e veio até mim estendendo a mão. Damon trincou os dentes fazendo esforço pra não se mover. Nick beijou minha mão e sorriu então saiu em direção à porta.
– Talvez tenha mais sorte com essa, irmão – Ele riu apontando pro rosto de Damon, que para minha surpresa deu um tapa na mão dele e o empurrou contra a parede.
– Que merda está fazendo agora? – Damon riu baixo e o empurrou com mais força – É isso “Nick”? Melhor avisar a mamãe que vai se atrasar para o jantar.
– Vai ficar agressivo Salvatore? Na frente da garota?
Percebi no tom de Nick que Damon o tinha tirado do sério.
– E o que vai fazer sobre isso? – Damon abriu um grande sorriso e se afastou um pouco – Vai me prender num quarto escuro e esperar todos esqueçam?
Nick levou alguns segundos parado fitando Damon com tanta raiva que pensei que o veria fritar no lugar. Um homem também sujo de sangue, e com o rosto ferido apareceu na entrada e Nick fez um gesto para que se afastasse.
– Você não muda nunca não é, Salvatore?
– Posso dizer o mesmo, Niklaus.
Nick saiu de lá e menos de dois segundos depois Damon estava na minha frente com um olhar quase desesperado. Ele segurou meu rosto me fazendo encará-lo e depois suspirou “Você está bem? Ele te machucou?” Neguei, pouco antes de começar a chorar, e apesar de o cheiro de sangue me deixar enjoada, fiquei agradecida quando ele me abraçou forte me mantendo o mais perto possível.
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