Criminal
21 Capítulo 21
Edward Roberts estava concentrado enquanto retirava o intestino do corpo com pequenos tons azulados sobre sua mesa, não havia nenhum vestígio de nojo em sua feição, pelo contrário, ele observava a tudo com um brilho no olhar enquanto depositava o conteúdo na bacia que Carter segurava ao lado. Jack observava através da divisória de vidro com Hiccup ao seu lado, após uma semana de espera na sala refrigerada, na qual Jack a chamada de câmara dos mortos, não era de se esperar que o corpo ainda estivesse a mesma flacidez de antes e Edward parecia pressionar um pouco mais de força para cortar o restante dos órgãos. Ele levantou o olhar encarando os dois homens que o encaravam do outro lado, acenou para que entrassem.
Jack vestiu os protetores de sapato e um avental para proteger as roupas e entrou na sala extremamente iluminada. Embora tentasse evitar olhar para o corpo sobre a mesa, aquilo estava lá entre eles, impossível de ser ignorado. Se lembrava daquele corpo repleto de sangue estirado ao chão do restaurante, os cabelos longos agora soltos, caindo pelos cantos da mesa.
— Descobriram algo? — a pergunta ecoara pelo local enquanto o médico o encarava com olhos avaliadores.
— Fizemos um raio- x da arcaria dentária, assim como um estudo das células da pele – ele passou o braço na testa tentando tirar a fina linha de suor que se formava ali – A busca nos arquivos mandados para o FBI não me foram enviadas totalmente, apenas que o nome dele era Stefan Rabab, acho que recebeu os arquivos detetive – a afirmação sairá mais do que irônica e Jack trincou os dentes irritado.
Hiccup encarou Jack com o canto do olho, sabia que o amigo tinha uma tremenda antipatia por Edward e parecia que o sentimento era reciproco.
— Sei quem são e por que iniciaram o massacre – disse Jack, sua voz saindo mais firme que o normal – Minha única pergunta, é se foi encontrado alguma toxina no corpo deles.
Edward retirou as luvas, as colocando ao lado do corpo antes de seguir em direção a pia hospitalar lavando as mãos, Carter levou a bacia com formol a um canto da sala, deixando-a longe de todos.
— Os exames de sangue chegaram agora há pouco, não tive chance de vê-los, quando eu der uma olhada entro em contato com você.
Jack afirmou com a cabeça, dando aquele assunto como encerrado, queria ir embora daquele local o mais rápido possível.
— Se quiser posso enviar uma cópia para o senhor, Detetive – disse Carter, ele retirava as luvas com calma enquanto observava Jack atentamente.
— Pode enviar para meu e-mail – Hiccup falou enquanto desamarrava o avental o retirando, Jack já estava ao lado da porta pronto para ir embora.
— Detetive? – a voz de Edward os fez parar no mesmo local – Quando Elsa retorna? – sua voz soara mais calma, quase alegre.
Jack se virou o encarando, a pergunta o pegara de surpresa, claro que o relacionamento de ambos não era mais segredo, todos sabiam. Encarou Edward o estudando, talvez fosse coisa da sua cabeça, mas sabia que o médico sempre estava atrás de Elsa, se lembrava ainda no começo do relacionamento quando ele a chamava a cada autópsia, como se a sua companhia fizesse alguma diferença.
— Não está dando conta sozinho? – a voz junto ao sorriso de lado mostrava o quão irritado a pergunta o deixara.
— Não por isso, só estou preocupado.
— Minha mulher está ótima – disse Jack, ele preferira dar ênfase a resposta antes de dar as costas saindo do local.
Passou pelo corredor indo em direção a porta de metal, ansiando por ar puro, passou por Anna que o cumprimentou perguntando rapidamente de Elsa, parou em frente ao carro respirando fundo.
— Isso tudo é ciúmes? – a voz de Hiccup o tirou de seus pensamentos, o encarou vendo o sorriso maroto em seus lábios.
— Não gosto desse cara.
— Isso ficou óbvio.
Jack apenas o encarou antes de entrar no carro com Hiccup ainda rindo, ciúmes ou não, iria investigar Edward de perto.
(...)
Jack estava sentado à mesa da cozinha, uma fileira de papéis ao seu lado, lia e relia cada linha, embora tentasse se concentrar a dor de cabeça irritante não o deixava, voltou o olhar para a tela do laptop, onde o relógio marcava as três da manhã, deixara Elsa na cama após certificar-se de que ela dormia, passou a mão no rosto visivelmente cansado, retirou o pendrive da pasta que trouxera do serviço, inserindo-o no computador. Após um instante, uma série de miniaturas de fotografias apareceu no monitor. Ele clicou na primeira, revelando a imagem sinistra do corpo nu de uma mulher sobre a mesa de necropsia.
Minimizou a imagem abrindo uma nova pasta com o nome da vítima, pequenos documentos se espalharam pela tela, clicou no primeiro, lendo-o com cuidado, uma nova imagem, sendo enfatizada com pequenas observações, anotou em seu caderno as observações enquanto riscava as linhas de cima.
— Por que está vendo isso ? – a voz de Elsa o tirara de seus devaneios, se levantou da cadeira com tão rapidez que essa quase caiu, viu o semblante preocupada de Elsa enquanto ela ainda mantinha os olhos fixos na tela do computador, sabia o que era aquela imagem, o que Jack estava estudando, afinal, fora ela quem fizera aquelas anotações na necropsia de Ariel.
Ele voltou para o computador, fechou a janela, e a foto tirada no necrotério desapareceu. Rapidamente, recolheu todas as pastas do caso e as pôs sobre o balcão, se virando em direção a mulher que ainda o encarava.
— Achei que estava dormindo – ele falou, calmo, enquanto se aproximava dela.
— Acordei assustada.
Subitamente, a cozinha pareceu ter ficado mais fria, como se um fantasma tivesse entrado pela porta e agora pairasse ao seu lado. Ele a encarou mais uma vez, ele se aproximou abraçando-a, ela permitiu-se esconder o rosto em seu peito.
— Vamos para a cama — falou ele, beijou-lhe a cabeça com carinho, enquanto acariciava os cabelos dourados .
— Não consigo dormir. — Ela balançou a cabeça.
Ele suspirou enquanto segurava sua mão a arrastando em direção a sala, nesse tempo não existia mais Elsa, a rainha dos mortos, a mulher que agora vivia com ele sempre estava cabisbaixa, preocupada e assustada, ele tentava se manter firme a sua frente, mas há dias não sabia o que era dormir, vivia preocupado com Elsa e seus filhos, agora a investigação havia sido levada há um nível mais pessoal.
Jack se sentou no sofá a trazendo para perto, sentando-a em seu colo, ligou a televisão colocando em um filme qualquer, apenas para que o silêncio não preenchesse o local.
— Você precisa dormir, querida – ele sussurrou enquanto acariciava a barriga pontuda dela, já se encontrava com suas 17 semanas, os dias afastada do Instituto apenas fizera a barriga ficar mais visível.
— Ando tendo pesadelos – ele a abraçou, pousando o rosto na curva de seu pescoço, aspirando seu perfume.
— A que sonhos se refere? – seu sussurro foi quente, não era como se não soubesse de fato ao que ela falava, mas queria estar ali para ela. Elsa sentiu a pele arder e fechou os olhos, fazia tanto tempo que não se entregavam um ao outro, tudo parecia ter sumido após o presente deixado a sua porta.
— No meu sonho, sei que algo terrível aconteceu, mas não consigo me mover, não consigo falar. Sinto sangue no meu rosto, posso sentir o gosto. Eu tento gritar, mas então parece que não tenho voz, escuto choros de bebê, olho pro lado e tudo que vejo é sangue, e tenho medo que... — ela inspira profundamente — morro de medo que seja o seu sangue, ou deles.
Elsa acariciou a barriga pousando a mão sobre a de Jack, o aperto em seu peito voltara, queria gritar até aquela dor sumir.
— Vamos superar isso.
Ela levantou a cabeça, olhou para os olhos cansados e o rosto emoldurado pela barba, que ele adquirirá. — Também tem tido pesadelos?
— Todos os dias, você, os bebês... — Ele parou de falar e desviou o olhar dela. — Não é algo que eu deseje falar a respeito.
Ficaram em silêncio um instante, nenhum dos dois olhando para o outro, Jack suspirou.
— Vamos voltar para cama.
O pedido baixo a fez se levantar de seu colo, andaram de mãos dadas até o quarto, cada um perdido em seus pensamentos, Jack se deitou ao seu lado , as luzes do abajur ao lado da cama iluminava metade do rosto de Elsa, procuraram o corpo um do outro enquanto os lábios se juntavam em um beijo repleto de amor e medo, nem que fosse por alguns minutos pretendiam esquecer-se da realidade.
Ela agarrou os fios loiros perdendo os dedos nos cabelos de Jack, segurou a nuca de Elsa tomando-lhe a boca de modo dominador, sugava sua língua enquanto as mãos acariciavam a lateral de seu corpo, descendo em direção a coxa descoberta pela camisola, Elsa podia sentir o corpo corresponder aos toques de Jack, separaram-se e ela sorriu aproximando os lábios novamente, a gravidez lhe trouxe mais sensibilidade em seu corpo. Ele acariciou a coxa dela enquanto puxava o tecido da camisola para cima, a tirando com a ajuda de Elsa.
Arranhou as costas de Jack traçando os contornos de músculos que conhecia tão bem, Jack gemeu quando ela encontrou uma área sensível. Ele fechou os olhos, com os braços suportando seu peso acima dela, permitindo que ela o explorasse como quisesse. Sua ereção ficou maior. Gemendo ele abaixou a cabeça e seus cabelos sedosos rasparam nos seios dela.
— Elsa- ele sussurrou contra a pele pálida de seu pescoço enquanto aspirava seu cheiro, os dedos foram de encontro a sua intimidade, ela arfou prendendo a respiração quando os dedos de Jack passearam seu sexo, escutou uma risada baixa e sentiu a respiração ainda em sua pele, antes que ela falasse algo ele capturou seus lábios em um beijo urgente. – Eu te amo, nunca se esqueça disso. – Sussurrou, enquanto um sorriso brotava em seus lábios.
— Não vou, meu amor – sua voz sairá mais baixa do que pretendia, mas mesmo assim o sorriso nos lábios de Jack foi encantador, capturou seus lábios novamente, enquanto um dos dedos adentrava a intimidade quente e úmida a fazendo fechar os olhos e gemer entre o beijo, ela abriu um pouco mais as pernas involuntariamente, Jack introduziu mais um dedo e ela arqueou o quadril como resposta. Retirou o shorts que usava para dormir, percebia a respiração acelerada de Elsa, como havia sentido saudades daquele corpo em tão pouco tempo.
Se posicionou entre as pernas de Elsa roçando o membro na intimidade sensível e a viu fechar os olhos enquanto uma das mãos se agarrava ao lençol já bagunçado, a invadiu com calma, tentava se segurar com medo da situação da mulher, a sentindo, quente, apertada e molhada, um gemido rouco saiu de seus lábios queimando sua garganta, as estocadas firmes, ela soltou o lençol rodeando as pernas ao redor de Jack se agarrando a ele, as unhas pressionaram a pele clara quando os movimentos foram mais rápidos, os corpos se chocavam com intensidade, os gemidos de Elsa eram cada vez mais altos, ele por sua vez apertava cada vez mais a pele macia das nádegas de Elsa, enquanto seu membro a invadia em movimentos constantes.
Ele gemeu de uma forma rouca quando sentiu a intimidade dela se contrair ao redor de seu membro, intensificando as estocadas, o orgasmo de Elsa, a fez gemer ainda mais alto, mordeu o ombro de Jack tentando conter mais um gemido, ele continuou se movendo, e logo a invadiu com jatos quentes, ele abaixou o rosto o escondendo na curva do pescoço de Elsa enquanto respirava fundo, os braços tremendo para se manter sobre ela, saiu de dentro dela sentindo seu membro ser envolvido pelo vento frio, se deitou ao lado de ela, e a observou, Elsa respirava fundo com uma das mãos sobre o seio, Frost a puxou a trazendo para seu lado, ela apoiou a cabeça sobre seu peito, da melhor forma que conseguira enquanto ele acariciava seus cabelos.
Jack pousou a mão na barriga de Elsa fazendo círculos com os dedos na pele branca, ela levantou a cabeça o encarando com um sorriso, este que a muito ele não via.
— Vou tomar um banho – ela falou e ele concordou com a cabeça, preferira deixa-la tomar banho sozinha, afinal se a acompanhasse iriam fazer amor novamente. Ela se afastou dele com calma, se levantando. Parou em frente a cama, nua, os cabelos longos bagunçados e a barriga já visível.
Jack apoiou os cotovelos na cama se levantando um pouco enquanto observava Elsa prender o cabelo em um coque frouxo. Quando olhava para Elsa, agora, tinha certeza de que nunca antes amara assim tão profundamente nenhuma mulher. O que ele não sabia, o que não poderia saber, era que os piores dias estavam por vir.
(...)
A manhã já estava alta no céu, eu podia ver o sol quente castigando as pessoas que passavam na calçada abaixo, era um bom lugar, pequeno e ótimo para uma pessoa morar sozinha, voltei o olhar para as paredes claras, o vendedor me encarava, sabia que ele estava ansioso para minha resposta, afinal, eu estava oferecendo um valor maior do que o esperado por aquele imóvel. Voltei o olhar para ele deixando as pessoas da rua de lado.
— Quem era o antigo proprietário?
— Era um apartamento alugado, não podemos informar o nome do antigo proprietário, faz parte da norma – ele olhou para o relógio, estava com pressa, sorri de lado.
— Estou curioso, meu amigo comentou que morou por aqui – falei enquanto retirava o talão de cheque do meu bolso, percebi o olhar dele brilhar, quase ri – Achei que seria legal se fosse no mesmo local. Por isso quis comprar.
Parei a caneta sobre a folha, sabia que fazer esse pequeno suspense o irritaria, e pude perceber seu olhar mudar.
— Não pode mesmo me falar?
— Tudo bem – ele respirou fundo enquanto remexia no celular – Ele era um bom inquilino, sempre pagava o aluguel, deve conhecê-lo, é policial...
— Eu o conheço, irei avisar a Jack que fiquei com o apartamento – falei sorrindo.
— Ele mesmo, são amigos há muito tempo? – sua pergunta soou distante, como se a fizesse apenas para manter uma conversa.
— Não muito, mas estamos ficando cada vez mais próximos – assinei o cheque arrancando a folha e lhe entregando, ele sorriu me agradecendo falando que eu iria adorar o local, concordei apertando sua mão, a porta fechou atrás de si, voltei em direção a sala olhando o velho sofá que estava a um canto, podia quase imaginar, Elsa deitada nele, os cabelos loiros espalhados enquanto assistia a televisão, me sentei sentindo a maciez, quase imaginando como seria tê-la ali ao meu lado. Apenas esse pensamento me fazia fervilhar de ansiedade.
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