Criminal

22 Capítulo 22


Jack observava o perfil de Elsa enquanto acariciava os fios loiros com calma, ela permanecia com um sorriso no rosto enquanto observava a tela onde continha suas informações.

— Ansiosa? – ele sussurrou e ela o encarou, estavam no consultório do obstetra e ginecologista de Elsa, estava ansioso assim como ela para ver os bebês novamente — as imagens da primeira ultrassonografia ainda estavam penduradas na porta da geladeira .

A entrada da Dra. Mulan os fez levantar o olhar, ela se postou ao lado de Elsa com um sorriso amplo, fazendo seus olhos parecerem ainda mais fechados.

— Como você está?

— Ansiosa.

— Imagino, já faz um tempo que não os vê, tem passado bem? Como andam os enjôos?

— Ocorrem com menos freqüência agora, me sinto bem melhor.

Jack a encarou em silêncio, a mulher ansiosa deitada na maca não parecia nada com a que compartilhara a cama na noite passada, mesmo abaixo do sorriso ele conseguia ver as bolsas abaixo dos olhos, o que indicava que após se saciarem um com o outro a noite de descanso havia sido pouca.

— Isso é ótimo, normalmente em gêmeos os enjôos são piores, sua barriga já cresceu, agora sim parece que está grávida.

E o simples comentário fez Elsa sorris ainda mais enquanto acariciava a barriga sobre a blusa.

— Vamos começar – Mulan se sentou na pequena cadeira ao lado de Elsa enquanto ela levantava a blusa deixando a barriga pálida exposta, a obstetra espalhou gel sobre a barriga, o que fez Elsa soltar um suspiro rápido. — Desculpe-me. Eu deveria tê-la avisado de que o gel estaria frio. Mas vamos ver como está esses bebês? Enquanto deslizava a sonda sobre a barriga de Elsa, pressionando-a ora com mais força, ora com suavidade, a moça explicava o que estava vendo. A imagem estava maior do que Elsa se lembrava o que queria dizer que seus filhos estavam crescendo bem apesar do seu estresse constante.

— É um casal mesmo, Dra. ? — perguntou Jack. Na última vez em que estiveram lá ela lhe assegurara que os bebês era uma menina e um menino. Mas Jack tivera dificuldade de entender a imagem e não se sentira à vontade para dizer nada.

— Tenho certeza. — movendo a sonda mais uma vez. Fazendo uma pausa, ela apontou para a tela. — Ah, aqui está uma boa imagem... vejam.

Jack semicerrou os olhos, enquanto Elsa o encarava com um sorriso de lado — Não tenho muita certeza do que estou vendo, não consigo distinguir direito...

— Aqui é o bumbum — explicou, apontando para a tela — e aqui estão as perninhas. É como se ela estivesse sentada.

— Não estou vendo nada.

— Exatamente — disse ela. — E é por isso que sabemos que é uma menina.

Elsa riu e Jack se inclinou na direção dela, sussurando: — Diga “olá!” à Charlotte.

— Desde quando? – ela perguntou erguendo uma sobrancelha.

— Eu sempre gostei desse nome.

— Agora vamos ver o garotão – a Dra voltou a falar o olhar fixo na tela – quer que eu mostre o porquê é um menino, papai? – enquanto falava ela moveu novamente a sonda sobre a barriga de Elsa. – Aqui está no meio das pernas desse rapaizinho tem algo.

— Já pensou no nome dele também? – Elsa perguntou apertando ainda mais sua mão.

— O dele você pode escolher, não quero ser injusto.

— Você já pensou em algo?

—Oliver – e o sorriso que ele deu a fez rir.

— Nomes escolhidos? – a médica brincou enquanto encarava o casal.

— Não ainda, vou pensar – Elsa respondeu enquanto voltava o olhar para a tela.

— Vou tirar algumas medidas, e assim poderemos ter certeza de que eles estão se desenvolvendo normalmente, ok? – ela começou as medidas , apertou um botão e depois outro — Todas as medidas estão de acordo com o que seria, eles estão ótimos, 18 semanas. – Ela retirou a sonda a colocando sobre a máquina – Parabéns Elsa, eles estão ótimos.

— Obrigada.

— Podem ficar a vontade, daqui a pouco volto com as fotos e o laudo.

Quando a médica saiu Jack se levantou pegando um punhado de papel passando-o pela barriga de Elsa com cuidado, ali estavam seus filhos, e a cada vez que os via ou escutava seus corações podia sentir algo encher em seu peito.

— Estava preocupada com eles – Elsa sussurrou e ele levantou a cabeça, terminando de limpar a última parte com gel.

— Eles estão bem, você está cuidando bem deles.

— Sim.

Quando ela se levantou ele capturou seus lábios cobrindo-os enquanto ela o puxava para perto.

(...)

O caminho de volta foi repleto de discussões sobre nomes, enquanto as fotos em preto e branco estavam sobre o colo de Elsa.

— Vai considerar os nomes que eu escolhi? – Jack perguntou enquanto parava o carro em frente ao prédio cinza, ele não queria que ela voltasse.

— Posso pensar – ela falou sorrindo enquanto acariciava a lateral de seu rosto, os dedos acariciando sua barba.

— Poderia ter continuado em casa.

— Eu estou bem, estava me sentindo sufocada em casa- a voz saiu calma — Vou ficar bem, não se preocupe- complementou.

— Volto para te buscar, não saia daqui, espere dentro do prédio.

A última frase saiu mais autoritária do que ele previa, Elsa apenas sorriu se aproximando e lhe dando um rápido beijo.

— Vou ficar bem,amor.

Ele ficou parado dentro do carro enquanto a observava andar tranquilamente em direção as portas de metal, e mesmo de longe ele pode ver o sorriso em seu rosto enquanto ela abria a porta, ali estava Elsa Snow, de volta ao trabalho, à rainha dos mortos, a mulher que o encantara.

(...)

Jack colocou uma pilha de papéis na mesa de Hiccup, dessa vez sua mesa estava assustadoramente arrumada. Diferente da de Jack na outra extremidade, em sua mesa parecia o lugar onde o trabalho da Unidade de Homicídios era realmente feito, pois cada centímetro quadrado estava coberto por arquivos e post-its, já a de Hiccup pela primeira vez lhe lembrava a mesa de trabalho de Elsa, nunca vira a mesa do parceiro tão arrumada.

— Aconteceu algo?

— Não sabia que a vida de casado com Astridd seria tão complicada – ele confessou quase em um sussurro.

— Problemas no paraíso?

— Apenas na organização dos afazeres, ela tem se queixado que sou relaxado demais – Descobriu algo? – Hiccup pegou a folha do topo.

— Nada de diferente do que já sabíamos.

— E como está Elsa?

— Aparentemente bem, quis voltar ao trabalho hoje – ele franziu a testa para a pilha de papéis – você acha que aquilo foi um aviso?

Hiccup não o respondeu de imediato, apenas se inclinou para a frente, o rosto estampado em frustração, talvez esconder a mensagem que havia entendido por trás daquele pequeno presente deixado a porta de Jack era melhor, conseguia mesmo acima do disfarce perceber a dor nos olhos do parceiro, assim como as marcas de noites não dormidas.

— Como foi o ultrassom hoje? – e a simples menção fez o rosto de Jack se suavizar.

— Ótimo, gravei um pequeno vídeo – ele falou enquanto retirava o celular do bolso o desbloqueando, a imagem atrás era preenchida pelo rosto de Elsa, antes de desaparecer quando ele achou as fotos.

— Hey, vocês dois – ambos levantaram o rosto enquanto Hans se aproximava seu porte sério de ombros largos, estava dentro da unidade, fora das câmeras, mas mesmo assim parecia atrair o foco de todos por onde passava, o sorriso de lado sendo direcionados a todos ao redor – Norte quer conversar conosco, uma nova detetive vai se juntar ao caso.

— Quem ? – Hiccup perguntou curioso e Hans sorriu.

— Uma muito gata.

Ambos se levantaram e seguiram o detetive até a sala de reuniões , após todos se ajeitarem Jack reparou na mulher sentada ao lado de Norte, a primeira coisa que reparou foi uma massa de cabelos escuros cacheados parecendo os de uma cigana ao redor de um rosto bronzeado.

— Bonita, né? – a pergunta de Hans soara próximo em seu ouvido.

Sim, ela era bonita, concluiu em um canto do seu cérebro. Olhos enormes e verdes que pareciam se destacar na pele bronzeada, um nariz fino e lábios cheios que estavam pintados de um tom claro e discreto.

— Agora que estão todos aqui – Norte começou, sua voz ecoando pelo pequeno local – Gostaria de apresentar a vocês a nova detetive Esmeralda Lablin, ela foi transferida de Boston.

—Vai montar uma equipe para ela? – Merida perguntou e Jack percebeu a esperança em sua voz, todos sabiam o quanto ela detestava ser a única mulher entre os detetives.

— Vou designá-la a equipe de Frost.

Jack levantou o olhar encontrando o de Esmeralda que o encarava atentamente, trocou um rápido olhar com Hiccup que permaneceu como uma pedra ao seu lado, sem desviar o olhar de Norte.

—Senhor me desculpe mas Hiccup e eu somos parceiros a anos.

— Sei disso e não estou separando os dois, apenas vou acrescentar uma nova parceira, ela está por dentro do caso do nosso assassino, foi por isso que pedi para que ela fosse transferida para Atlanta.

— O senhor pediu a transferência dela? – Hans perguntou um tanto afoito.

Norte não o respondeu, apenas deu a reunião como encerrada, não antes de lançar um olhar significativo a Jack. Ele seguiu em direção a sua mesa, pronto para perguntar a Hiccup sobre sua opinião em relação à nova parceira deles.

(...)

Estou sentado entre as pequenas mesas do lado de fora do instituto, um lugar perfeitamente posicionado onde os raios de sol conseguem infiltrar na minha pele, de olhos fechados não vejo quem esta ao meu redor, mas posso escutar suas vozes, as mesmas vozes que escuto todos os dias, escuto uma voz doce sussurrar ao meu lado, como se fosse apenas para mim e abro os olhos tentando acostumar minha visão com a claridade.

Elsa está parada próxima de mim, segurando uma bandeja com firmeza enquanto agradece o cumprimento da idosa responsável pela faxina, que lhe dava as boas vindas por sua volta. Ela segue para a mesa mais a frente, isolada de todos como um coelho tentando se esconder de seu predador. Mas um bom predador sentiria seu cheiro ao longe, a observando pronto para o ataque. E assim como um predador eu a observo enquanto ela leva o garfo em direção a boca, seu rosto demonstra que a comida não é de seu feitio, mas mesmo assim ela continuou comendo. Aproximo-me do local onde ela está, e assim como uma verdadeira presa ela não percebe minha presença, apenas quando me sento a sua frente ela levanta o olhar, assustada, uma pequena demonstração de fraqueza antes de colocar sua mascara fria ao redor de seu rosto, uma felicidade se aflora em meu interior, essa é a mulher que está em meus sonhos, a destemida e nunca alcançada Elsa Snow, rainha dos mortos. Minha Rainha.

— Fico feliz que tenha voltado – comento com a voz divertida, tentando acalmá-la.

— Obrigada.

— Como foram esses dias em casa? Descansou?

— Foi bons – ela me respondeu antes de desviar o olhar para o prato de comida, a mesma careta de antes tomando conta de seu rosto – A comida daqui não é uma das melhores, achei que ia comer em outro lugar.

— Preferi ficar por aqui, não quero andar muito – ela leva o copo d’água em direção aos lábios dando longos goles e posso perceber a função de sua musculatura do pescoço ao impulsionar o liquido para baixo.

— Se não quer comer essa comida, posso ir comprar algo para você ou levá-la em algum lugar, mas o que não pode é você ficar sem comer nessas condições.

Eu sabia que mencionar sua situação mudaria o rumo da conversa, ela parecia outra mulher quando falava de seus filhos, pela manhã tive uma breve demonstração ao ver os sorrisos dela enquanto mostrava as fotos para Aurora e Anna.

— Não precisa se preocupar, estou bem – e pela primeira vez ela sorriu, pôde sentir meu corpo responder a esse reflexo dela, era como se um vulcão acendesse em meu interior me queimando por inteiro. Meu corpo reagiu por instinto, minhas mãos foram em direção as suas, mas antes que as encontrasse tomei conta do meu corpo as pousando ao lado da mão de Elsa, o choque do encostar de nossas peles me fez sentir uma fisgada na virilha, a excitação era tanta que podia esquecer as pessoas a minha volta.

— Volto em uma hora, vou pegar algo no restaurante próximo.

— Não precisa se preocupar. – sua voz saiu mais firme do que antes.

— Só estou sendo gentil, vou comprar algo para eu comer e já trago para você, Anna também quer – ela era uma das poucas pessoas que suportava sempre alegre e brincalhona, mas era uma boa informante quando o assunto era Elsa, sem perceber ela me contava sobre os gostos e dia a dia na presença da Doutora.

— Obrigada.

— Não se preocupe – sorri em sua direção enquanto me levantava, me aproximei dela estendendo uma mão em direção a seu ventre que parecia ter crescido conforme os dias que ela passou fora – Como eles estão?

— Como soube que são gêmeos?

— Anna me contou um menino e uma menina né?

Ela afirmou com a cabeça enquanto acariciava o ventre, um sorriso terno nos lábios.

— Posso? – perguntei com calma, ela me encarou, parecia me estudar antes de confirmar com a cabeça, um sorriso amigável nos lábios, me abaixei pousando as mãos em sua barriga, mesmo com a proteção da blusa podia sentir sua pele quente.

“Vocês estão protegidos ai não estão? Seguros e crescendo, protegidos apenas por uma camada de pele, gordura e músculos”

O pensamento me faz levantar a cabeça sorrindo em sua direção enquanto ela me encara, os olhos azuis brilhando, os cabelos banhados pelo sol parecem ainda mais loiros e nada mais ocupa minha mente a não ser seu sorriso direcionado apenas para mim, não mais bebês, não mais detetive, mas apenas eu e ela.

(...)

Jack estava sentado a sua mesa, a pequena luminária acessa era uma pequena chama de luz dentro da escuridão do local, já havia passado da 00:00 ele pedira para Hiccup deixar Elsa em casa e se assegurara de que ela estava bem após o amigo ir embora. Norte havia lhe pedido para ficar e discutir o caso com a nova detetive, fato que não agradou Jack, após a renuncia do pedido que Norte não aceitou lhe falando que estavam parados no mesmo local.

“ Logo a mídia vai começar a perguntar, estamos tentando encobrir mas precisamos de respostas Frost”

E após essas palavras ele se sentara em sua mesa, com Esmeralda a sua frente enquanto ambos perdidos em seus pensamentos tentavam encontrar uma saída dentro desse labirinto.

— Pensei que conhecesse o caso – ele comentou após algumas horas de silêncio.

— O estudei em Boston, tive acesso as informações.

— Por que se interessou pelo caso?

— Minha prima foi morta – sua voz abaixou e Jack se aprumou na cadeira, tentando amenizar a voz.

— Quem era?

— Kidah Gakash – sua voz saiu baixa.

— Sinto muito.

— Comecei a estudar o caso, achei que talvez eu pudesse ver algo que vocês não viram, mas não consegui, ela não fazia parte do perfil das mulheres anteriores.

— Mas mesmo assim foi morta pela mesma pessoa.

—É o que achamos.

— Do que você está falando? – Jack colocou o arquivo de lado, se inclinando em direção a esmeralda, percebeu quando ela desviou o olhar dele, mas preferiu não se importar.

— E se fosse um copiador?

— Alguém imitando o mesmo modo de morte? Acredito que não, os dados não foram parar em mídias, a forma dos assassinatos e as marcas do assassino continuam em sigilo.

— Eu sei mas e se alguém deixou escapar?

— Está acusando algum dos nossos? – ele perguntou se endireitando, não gostava do modo que aquela conversa estava indo.

— Tem de se levar tudo em conta.

— Sinto pela sua perda Esmeralda, mas não adianta tentarmos levar o caso para outro ângulo, a autopsia foi realizada no corpo de Kidah e assim como nas outras vitimas a morte foi a mesma, a forma do assassinato foi o mesmo. Uma marca registrada e inconfundível.

— A autopsia pode estar errada.

— Eu confio na pessoa que a fez – sua voz saiu ainda mais alta do que havia permitido, o silêncio que reinou entre os dois foi quebrado pelo toque de seu celular.

— Como você está? – sua voz suavizou no mesmo instante, ele percebeu o olhar de Esmeralda e se levantou afastando-se da mesa.

— Está vindo? – a voz de Elsa soou baixa e ainda grogue pelo sono recém despertado.

— Pretendo chegar em casa daqui a pouco, trancou tudo?

— Ativei o alarme, estou no quarto com as janelas trancadas.

— Desculpe não ter ido lhe buscar.

— Não se preocupe, Hiccup foi uma ótima companhia.

Ele escutou ao fundo o barulho de panelas e água.

— Sua mãe passou aqui em casa e me deixou uma nova coleção de chás, estou me sentindo quase uma inglesa com essa nova coleção – ela falou e Jack sorriu, sem perceber, o celular ainda grudado no ouvido.

— Mostrou as fotos para ela?

— Sim, agora elas estão na nossa geladeira, às antigas foram substituídas – o som da chaleira soou, mostrando que a água começara a esquentar – Estamos lhe esperando, não demore.

— Tentarei não demorar.

— Te amo.

— Também, não me espere acordada, tente descansar.

A ligação foi encerrada com uma última despedida, Jack voltou para sua cadeira e percebeu o olhar de Esmeralda em si.

— Era sua mulher?

Ele confirmou com a cabeça.

— A Dra. Elsa Snow, médica legista?

— Sabe da minha vida – ele a encarou, a sobrancelha levantada de tom interrogatório.

— Norte me deixou por dentro dessa parte, sei que é antiético, mas sua mulher foi envolvida no caso.

Jack sentiu o corpo ficar tenso, a menção de Elsa como uma próxima vitima era capaz de aflorar todos os seus instintos.

— Eu estava levando isso em consideração, e se ela não for apenas mais uma numa série de presas?

— Do que você esta falando? – Jack fechou as mãos em forma de punho com força, sem perceber, as pontas dos dedos ficando brancas.

— E se ela for o prêmio final? Já parou para pensar nisso? Nenhuma das outras vitimas receberam encomendas, mas ela sim, ela recebeu fotos, presentes.

— Aquilo não foram presentes, foram fotos doentias de um psicopata.

— Fotos do que ele fez.

Jack respirou fundo tentando controlar a raiva, ele sabia que o que ela falava poderia ser verdade, ele estava pesquisando sobre isso, alguma ligação que levasse Elsa ao centro do problema, mas tirando a amizade com Thooty e sua atual situação nada fazia sentido, ele conhecia Elsa, conhecia seu jeito distante das pessoas, sabia o quão reservada ela era, até com ele às vezes.

— Elsa pode ter feito alguma coisa que o despertou, ela já te falou sobre os outros relacionamentos dela?

— Isso não gira em torno dela.

— Pode ser que gire, você não esta pensando como deveria, se ela fez alguma coisa.

— Suas especulações estão tomando outro caminho detetive Lablin.

— Estou tentando ser lógica – ela se levantou dando a volta pela mesa parando a sua frente – Você está investigando esse caso há meses e não teve nenhuma resposta.

— Se você se acha tão boa então prove, não irei aceitar suas idéias ou acusações em relação a Elsa ou seu passado, você não a conhece, é apenas uma estranha entrando em um local no qual não foi chamado – Jack se levantou, a diferença de altura era pouca, Esmeralda o encarava atentamente, os olhos verdes queimando de fúria.

Ela encarou Jack, era possível perceber a fúria em seus olhos, fúria que ela sabia também estarem sendo refletidos no seu, céus era errado estarem discutindo daquele modo, ela sabia que havia ido longe demais ao levar todo o foco a uma mulher que não estava lá para se defender, mas o lado inconsciente de seu cérebro havia agido mais rápido e causado toda aquela confusão.

— Sei que está alterado.

— Só, cala a boca – a resposta de Jack a deixou surpresa, podia perceber a tensão de seus músculos, a postura tensa enquanto ele se afastava dela, pegando a mala ao lado da mesa a abrindo com força, fazendo o zíper enferrujado se quebrar no processo.

O celular de Jack soou no local, ele o atendeu imediatamente, enquanto dava as costas a Esmeralda.

— Vou precisar de reforços para uma captura.

— Do que você está falando?

— Acabei de achar um esconderijo de distribuição de drogas, aquele que eu e Merida pedimos sua ajuda, para uma pequena parte claro – Jack pode perceber o tom de ironia na voz de Hans — , achei que gostaria de participar.

— Qual endereço?

— Columbus Avenue cindo-seis-nove. A equipe acabou de chegar. Encontramos o Cobra, Pimento Pacheco

— Estou indo.

— O que está acontecendo?

— Uma captura, você não precisa ir.

— Eu vou sim.

Jack parou, a adrenalina e a raiva de segundos atrás se misturando perigosamente, arrumou a arma no coldre dando as costas a esmeralda pronto para sair.

A um quarteirão do endereço Jack freou bruscamente atrás de um carro de patrulha, mais cinco outros veículos estavam estacionados diagonalmente ao longo da rua. Ele desceu do carro as pressas sem nem ao menos olhar para a parceira ao seu lado, nesse segundo, apenas nesse momento conseguia tirar toda a discussão da cabeça, a adrenalina de uma tarefa finalizada preenchia sua mente como uma morfina recém administrada.

Lá dentro ouviu passos apressados e gritos de homens ecoando pela escadaria, seguiu o som até o terceiro piso e entrou no apartamento de Pimento. Ali ele se deparou com uma cena caótica. Lascas de madeira da porta cobriam o chão. Cadeiras haviam sido viradas e um arbajur estava espatifado no chão espalhando cacos pelo local.

Um homem jazia de bruços no chão. Pele morena e cabeça raspada, portando aquele não era Pimento, Jack o conhecia, havia participado de algumas reuniões do caso. Hans tinha o seu calcanhar pressionado brutalmente nas costas da cabeça do homem.

— Te fiz uma pergunta, porra – gritou Hans – Cadê o Pimento?

O homem choramingou e cometeu o erro de tentar levantar a cabeça, Hans abaixou o pé com força, apertando o queixo do suspeito contra o chão. O homem emitiu um ganido e começou a se debater.

— Larga ele – a voz alta e recoberta de fúria de Esmeralda fez Hans levantar o olhar em sua direção – Está machucando-o.

— Onde está Merida? – Jack perguntou enquanto desviava o olhar de Hans.

— Chegando, ela estava em um encontro.

Passos altos ecoando atrás de ambos os fez se virar, a silhueta de Merida entrando no local trajando um vestido negro apertado os fez desviar a atenção da cena que ocorria. Ela arrumou a arma no coldre ajeitando a jaqueta da policia, tentando esconder inutilmente o vestido.

— Uau, bela roupa – o elogio de Hans a fez o encarar, antes de desviar o olhar para o homem que encarava o chão sendo forçado por Hans.

— Larga ele- vociferou Merida.

— Ele não me responde.

— Larga o cara e ele talvez fale com você – Merida empurrou Hans para o lado.

O suspeito rolou no chão e se deitou de costas, arfante.

— Cadê o Pimento – gritou Hans.

— Não...eu não sei.

— Você está brincando comigo? – Hans gritou indo em direção ao homem antes de ser parado por Merida que o encarava com ódio no olhar.

— Não adianta ameaçá-lo.

Jack percorreu o corredor em direção ao quarto, as roupas estavam jogadas no chão, o armário aberto as gavetas arrancadas com brutalidade haviam caído, a revista do apartamento havia sido feita de forma brutal e completa.Escutou passos e se virou vendo Esmeralda se aproximar. Ela parou ao seu lado, o único som era da voz alta de Hans vindo do outro cômodo.

— Me desculpe por antes.

Jack a encarou, o perfil um pouco encoberto pelos cabelos cacheados. Agora era a hora de voltar para casa, uma parte de sua mente se fixava em Elsa preocupado, e outra tentava pensar como um verdadeiro detetive.

Caminhou até a janela do quarto, estava fechada, mas não trancada. Abriu a janela e colocou a cabeça para fora, a saída de incêndio ficava a sua frente. Um carro de policia estava estacionado no beco lá embaixo, e ela viu o policial dirigindo o facho de luz da sua lanterna em para os cantos do beco.

— Vou verificar lá em cima

— Acha que tem algo? – Esmeralda se aproximou da janela.

Ele olhou para cima, para o terraço. Embora não visse nada, não escutasse nada vindo lá de cima, os pêlos de sua nuca estavam eriçados.

Ele saiu pela janela, parando na escada de incêndio, e começou a subir tentando fazer o menor ruído possível, sentia a presença de Esmeralda a suas costas. Parou no ultimo degrau e espiou sobre o parapeito.

Sob o céu azul, sem lua, o terraço era uma floresta de sombras, ele conseguiu identificar uma grande mesa e algumas cadeiras, e algumas plantas espalhadas pelo local. Escalou o parapeito e parou, à sua esquerda alguma coisa se moveu. Ele forçou a vista tentando enxergar acima das sombras. Foi quando viu uma sombra se destacando no horizonte.

Jack levantou a arma e ordenou:

— Parado.

Ele não viu o que o ele já estava segurando, mas o brilho laranja do fogo da arma sendo disparada parecia uma pequena luz naquela escuridão. A bala atingiu-o de raspão no braço esquerdo. Caiu de joelhos, uma onda sísmica de dor subindo pelas suas sinapses, uma dor tão terrível que abafou sua respiração.

— Jack, oh meu Deus, Jack – ele escutou a voz de Esmeralda ao seu lado, enquanto ela segurava seu braço o acariciando.

— Estou bem – conseguiu sussurrar depois de alguns segundos — Ele ainda está aqui.

Ele se levantou com um pouco de dificuldade, a dor que se apossava de seu braço o fazia sentir vontade de gritar. Esmeralda seguiu pela direita, Jack segurou a arma firmemente na mão direita, por sorte havia sido treinado para ser um excelente atirador com ambas as mãos.A raiva era um combustível poderoso e era com essa nova adrenalina que ele apurou os sentidos.

Um ruído fez Jack virar para a direita. Escutou passos apressados e viu uma sombra correr pelo terraço em sua direção.

— Pare- ele escutou o grito de Esmeralda.

Mesmo quando o homem parou diante de Jack, com os braços levantados para o céu a decisão foi irreversível.

Ele apertou o gatilho.

O homem se contorceu cambaleando para trás. Disparou uma segunda vez, uma terceira, cada coice da arma era uma caricia deliciosa em sua palma.

— Jack! Cessar fogo.

Os gritos de Esmeralda ultrapassaram o estampido em seu ouvido, de repente eles ouviram vozes e lanternas brilharam pelo local.

—Olha só, é o Pimento – exclamou Hans – Quem abateu ele?

— Eu — sua voz saiu baixa e distante aos seus ouvidos.

— Você não poderia ter feito isso – a fúria de Merida era tão grande que ela o empurrou para trás – Porra Jack ele era a peça chave para a investigação.

— Foi em legitima defesa – Esmeralda falou trocando um rápido olhar com Jack.

— Porra, três meses de investigação perdida, mas que merda, porra Frost.

— Merida não é pra tanto, temos outras provas – Hans falou chamando a atenção da ruiva.

— Ele estava armado, Jack reagiu em legitima defesa – Esmeralda falou tentando se aproximar de Frost – Você precisa ir para um hospital.

Todos voltaram o olhar para Jack que segurava o braço tentando amenizar a dor, a rua silenciosa era a prova de que já estavam no alto da madrugada.

— Estou bem, vou para casa.

— Fique em casa Frost, você anda distraído demais – Merida gritou.

Jack não a respondeu, apenas deu as costas a todos indo em direção ao parapeito.

O caminho fora feito em silêncio, Esmeralda o deixou em frente a casa, na qual a luz da sala estava acessa, Jack andou até a porta com passos lentos, desativou o alarme que soou baixo e entrou na sala. As luzes estavam acesas e ele sabia que Elsa havia se rendido ao sono. Subiu as escadas com calma, entrou no quarto e viu a mulher deitada na cama, a respiração calma e serena, andou em direção ao banheiro tirando a roupa, a água quente o fez suspirar, lavou o ferimento com calma, saiu do banho pegando a pequena caixa de primeiros socorros que Elsa deixava no banheiro, fez um tosco curativo e seguiu em direção a cama, ainda sem roupas se deitou aconchegando-se na mulher, ela se virou em sua direção ainda dormindo. Acariciou os fios loiros distraidamente, ele sabia que sua mente estava um caos, sabia que havia agido errado, vira as mãos do homem estendidas em sinal de rendição e mesmo assim atirara. E acima de tudo sabia que o que Esmeralda falara era verdade, Elsa era a próxima vitima.

Abraçou a mulher com força e sob as luz que saia do banheiro a viu abrir os olhos.

— Está tudo bem? – ela sussurrou se aconchegando ainda mais nele.

— Sim – ele sussurrou acariciando sua cabeça – Está tudo bem.

Jack fechou os olhos se rendendo ao cansaço, sorrindo ao imaginar a bronca que levaria no outro dia quando Elsa descobrisse o ferimento.

Notas finais
E então gostaram? Coloquei a Esmeralda, será q ela vai ter um interesse pelo nosso detetive gostoso? kkk Beijosss