Criminal

3 Capítuo 3


Notas iniciais
Olá a todos, está aqui mais um capítulo e quanto as outras fanfic estou trabalhando nelas... Espero que gostem do capítulo bjss a todos... Personagens na minha cabeça: Elsa: Blake Lively Jack: Chris Evans Merida: Amy Adams Thooty: Ginnifer Goodwin ( cabelo preto) Bunny: Joe Manganiello Hans: Ken Bek Hiccup: Diego Boneta Joshua: Jake Gyllenhaal

Jack estava sentado em sua mesa, ao lado do laptop uma pilha de arquivos, entre eles o da vida de Jane Potter, onde trabalhava, lugares que frequentava e depoimentos de alguns familiares, todos diziam a mesma coisa, uma mulher gentil, que se dedicava ao trabalho no hospital, tinha poucos amigos, não costumava sair e nenhum inimigo.

Suspirou continuando sua pesquisa sobre todos hospitais que tinha em Atlanta, era uma lista longa e cansativa e ele já conseguia imaginar os dias que perderia indo atrás de cada um.

— Frost — uma voz gritou e ele levantou a cabeça a ponto de ver Merida parando em frente a sua mesa, o rosto vermelho de raiva — O tenente Norte acabou de me chamar na sala dele, que ideia foi essa do novato ficar como meu parceiro? — ela perguntou colocando as mãos sobre a mesa em um baque e inclinando o corpo para encarar Jack nos olhos, ele respirou se encostando na cadeira.

— Você está sem um parceiro Merida, eu já tenho Hiccup — ele falou se inclinando sobre a mesa, os rostos próximos e ele sorriu de lado.

— Que se foda que você já tem o Hiccup, não vou ficar com o idiota do novato — ela falou entre dentes, a voz mais agressiva que o normal, ele apenas sorriu de lado.

— Posso fazer nada ruiva, o tenente concordou em colocar ele junto com você.

Os dois ficaram em silêncio, rostos próximos, Merida o encarava sentindo todos seus músculos tensionarem, como ele conseguia ser irritante.

— Vai se foder Frost — ela falou antes de lhe dar as costas, a risada de Jack ecoou e ela se virou para ele com os olhos repletos e raiva, teria de colocar o novato na linha e mostrar que ela quem mandava.

(...)

Elsa despertou logo depois do amanhecer e olhou pela janela vendo os raios fortes de sol, mais um dia quente, saiu do quarto e desceu as escadas com calma indo em direção a cozinha, abriu o armário pegando uma caixa de cereal, sabia que não era uma das refeições mais saudáveis, mas era uma das mais rápidas, pegou a garrafa de leite e uma tigela de porcelana, se sentou e começou a se servir em silêncio, ainda teria de passar no mercado antes de ir para casa de Toothy.

Terminou seu café e subiu as escadas, entrou no banheiro começando a tirar a camisola fina que usava, tomou um banho rápido, foi até o quarto e examinou as roupas no armário, colocou um jeans preto e uma regata branca, roupas básicas para um domingo, penteou os cabelos aplicando um pouco de mousse para formar pequenas ondulações, foi até o banheiro e começou a se maquiar, pintou os cílios e passou um batom em uma cor vinho, colocou o par de brincos que estava sobre a bancada de granito e se olhou no espelho.

Desceu as escadas pegando a bolsa e a chaves do carro, acionou o alarme de segurança e saiu.

(...)

A casa de Toothy ficava em um bairro calmo, era uma grande casa, lembrava vagamente uma mansão colonial branca em uma vizinhança de belas residencias, uma cerca de ferro protegia o jardim de gramado perfeito e canteiros onde as rosas floresciam.

Elsa estacionou a mercedes em frente a casa, enquanto subia os degraus de granito na cor negra observava cada detalhe da casa da amiga, com toda certeza aquela casa conseguia ser melhor que a sua, era isso que um casal de médicos queria que todos vissem, duas pessoas bem sucedidas com salários altos.

Tocou a campainha, a porta foi aberta por um homem alto de porte sério, cabelos negros onde alguns fios grisalhos já aparentava, o dono daquela casa conseguia ser ainda mais belo que a própria residência.

— Oi Elsa — a voz saiu grossa enquanto ele se aproximava abraçando a loira em um ato de afeto maior do que ela gostaria, ela não era muito chegada a cumprimentos calorosos — Entre.

Elsa entrou em uma casa tão elegante quanto o dono, as paredes de cores neutras e móveis luxuosos, tapetes orientais cobrindo o chão escuro de tábua corrida, esperou Bunny fechar a porta e o seguiu em direção a cozinha onde encontrou a amiga ao lado da empregada observando tudo que a jovem latina fazia.

— Amor, olha quem chegou — a voz do homem soou e a mulher virou a cabeça sorrindo, Elsa a encarou com os olhos arregalados, fazia dias que não se viam e a amiga mudara o visual.

— O que fez com seu cabelo? — ela perguntou e Thoothy riu a abraçando desajeitadamente por conta da barriga que já crescera mais um pouco.

— Resolvi mudar — ela a respondeu com um sorriso maroto nos lábios, Elsa a encarou, o cabelo curto acima da orelha havia combinado perfeitamente com o rosto delicado — Ah trouxe vinho — ela exclamou enquanto tirava a garrafa de vinho das mãos da loira.

Foram em direção a sala espaçosa e Elsa se sentou no sofá de seda branco, imaginando aquele mesmo sofá daqui a alguns anos sujo por conta da criança, a casa bem estruturada de Bunny e Toothy iria sofrer algumas mudanças pela presença do pequeno.

— Finalmente aceitou um almoço conosco — Toothy falou sorrindo para a loira.

— Estou com trabalho acumulado — ela respondeu dando de ombros e se levantando indo em direção a enorme prateleira repleta de livros parando em frente a uma fotografia onde ela e Toothy estavam vestidas com jalecos e rostos cansados mas sorridentes em frente ao hospital em que foram internas, anos atrás — Ainda tem essa foto? — ela perguntou se virando para a amiga que sorriu.

— Essa e muito outras, tenho até aquela sua dormindo no sofá da sua casa com uma garrafa de tequila na mão — a morena falou e Elsa riu, até ela havia tido dias no qual esquecia a lógica e bebia além da conta para tentar superar algum acontecimento na UTI, mas esses dias de liberdade haviam ficado para trás assim como outras coisas de sua vida.

O som de um celular ecoou e Bunny se levantou do lado da esposa indo para o outro cômodo atender, Elsa se voltou para a amiga se sentando ao seu lado.

— Como você está ? — ela perguntou sorrindo, Toothy pousou a mão sobre a barriga cinco meses.

— Ótima, ontem eu e Bunny fomos a uma consulta e adivinha — ela falou e a loira sorriu de lado — Estamos esperando um menino — ela falou e Elsa riu — Bunny perdeu a aposta — Elsa preferiu não perguntar que tipo de aposta ela havia feito com o marido, mais podia tentar adivinhar apenas por ver as bochechas de Toothy corarem.

— Convidei um amigo para almoçar conosco — Bunny falou enquanto entrava no cômodo.

— Eu o conheço? — Toothy perguntou e o marido negou com a cabeça.

— Vão se conhecer hoje — ele se aproximou beijando o topo da cabeça da mulher e Elsa sentiu uma pequena inveja da amiga, Toothy tinha aquilo que ela havia imaginado pra si a tantos anos atrás, um homem que a amava e a espera de seu primeiro filho, pronta para começar uma família, diferente dela que quando voltava para casa tinha de se contentar com uma casa vazia e fria, nada de braços fortes a rodeando ou vozes infantis a sua volta — Aceita uma taça de vinho Elsa? — a pergunta de Bunny a fez levantar a cabeça.

— Por favor

O homem foi em direção a um pequeno bar no canto da casa abrindo o vinho que ela trouxera com calma, retirou uma taça de cristal que estava perfeitamente posicionada e despejou o líquido, se aproximou da loira a estendendo.

Uma conversa tranquila seguiu enquanto os minutos iam se passando, a campainha soou e Bunny se levantou, as duas continuaram relembrando pequenas coisas do passado, os passos se aproximaram e Elsa levou o olhar a entrada do local onde a silhueta de Bunny apareceu, ao seu lado um homem loiro se movia com graça felina em direção a elas e ela franziu o cenho o reconhecendo imediatamente.

— Toothy esse é Jack Frost — Bunny falou apresentando o amigo que se adiantou impedindo que Toothy se levantasse para o cumprimentar.

— Não tem necessidade de se levantar — ele falou sorrindo de lado — Prazer Toothy — ele falou ainda a sua frente.

— Olá — ela o respondeu com um sorriso.

— Jack essa é uma amiga de Toothy — Bunny falou ao lado do amigo e Jack virou o rosto percebendo pela primeira vez a presença da loira — Elsa.

— Já nos conhecemos — Elsa falou antes que ele pudesse dizer algo — Como vai detetive? — ela perguntou com um aceno de cabeça e ele a cumprimentou do mesmo modo.

— Estou bem Doutora, faz um tempo que não nos vemos — ele falou enquanto se acomodava em uma poltrona a frente que o permitia observar o rosto feminino.

— Um mês acho, conseguiu resolver o caso? — ela perguntou antes de levar a taça em direção aos lábios, o viu mudar para uma expressão séria.

— Infelizmente não — ele sussurrou e ela continuou em silêncio , dentre esse um mês mais nenhum assassinato ocorrera o que o deixava desconfortável.

— Do que estão falando? — Toothy perguntou com uma sobrancelha levantada e Jack olhou em direção a loira que deu de ombros.

— Apenas um caso no qual a Doutora Snow fez a autópsia — ele a respondeu preferindo omitir alguns detalhes, além do mais não tinha permissão de sair comentando sobre o caso com todos que conhecia.

— Como está sua família Jack ? — Bunny perguntou e Elsa encarou o loiro, ele parecia mais relaxado do que quando se conheceram, usava uma calça social na cor preta e a camisa estava dobrada até a altura do antebraço, nenhuma gravata ou blazer.

— Estão bem, minha mãe continua a mesma chefe de antigamente — ele falou e Bunny riu, a senhora Frost era uma das melhores cozinheiras que existia, embora nunca tivesse aberto seu próprio restaurante, sempre cuidara dos filhos até todos saírem de casa — Sophie se casou a três meses — ele falou e Elsa reparou que Bunny se remexeu na poltrona desconfortável — Jamie está morando em Boston agora.

— Estão todos bem — o moreno falou e Jack concordou com a cabeça.

— Senhor posso arrumar a sala de jantar? — uma voz baixa soou e os quatro pares de olhos foram em direção a mulher que se encolheu envergonhada, Bunny concordou com a cabeça e ela se retirou.

— Elsa sabe quem me ligou ontem? — Toothy falou e a loira negou com a cabeça — Joshua.

Jack observava a conversa das duas, viu a loira parar a taça rente a boca.

— Ele me perguntou de você — Toothy continuou falando como se não percebesse a reação da loira ao seu lado — Pediu seu endereço.

— Você não dê meu endereço a ele — a resposta saiu mais agressiva do que pretendia, e Elsa viu o olhar de Jack sobre si, assim como o de Bunny e o olhar magoado de Toothy, respirou fundo tentando se acalmar, só o simples mencionar do nome de Joshua a causava desconforto.

— Não dei — respondeu Toothy parecendo estar um tanto magoada — Sabia que não iria querer, ele me disse que está em Atlanta — a morena continuou ainda encarando Elsa, ela não demonstrava nenhuma reação.

— Me desculpe, mas quem é esse homem? — perguntou Bunny, e Jack agradeceu mentalmente ao amigo. por ter feito essa pergunta.

Ela virou a taça tomando todo o líquido em um longo gole, a sala estava em silêncio e até Toothy esperava ela responder, embora a morena já soubesse a resposta.

— Meu ex-marido — a loira respondeu com uma voz amarga e Jack a encarou espantado, esse era um lado que não conseguia imaginar na vida da fria Dra. Snow, o fato de ela já ter sido casada com alguém.

Elsa levantou indo em direção ao mini bar e tornando a encher a taça de vinho, sentia todos os olhares sobre si e isso a deixava desconfortável, ela não queria ter essa conversa, não agora.

— Não sabia que já foi casada Elsa — a voz de Bunny a fez se virar com a taça já cheia em mãos, passou a mão livre no cabelo e andou a passos calmos em direção ao sofá.

— Nos separamos a um ano — ela o respondeu enquanto observava o liquido de cor escura dentro da taça, não era capaz de levantar o olhar — Nada de mais.

— Elsa já passou um ano, não acredito que ainda tenha raiva dele — a voz de Toothy soou e Elsa levantou o olhar para ela.

— Podemos por favor não falar sobre isso — ela falou e a morena deu de ombros.

— Só acho que já se passou muito tempo — Toothy voltou o olhar para o marido — Sabe eles haviam se casado a dois anos, Joshua era médico residente — Elsa fechou os olhos gemendo baixo em frustração por Toothy começar a contar o desastre de sua vida amorosa, levantou o olhar que pararam no homem loiro a sua frente que a observava — Se separaram por que ele a traiu — a voz de Toothy soou e o silêncio reinou, Elsa sentiu o estômago revirar, todas as memórias que tentara esquecer estavam agora em sua vente.

Um riso amargo saiu de seus lábios e ela tomou o último gole que havia na taça — Todo o hospital sabia — ela concluiu encarando as revistas sobre a mesa de vidro, elas pareciam algo tão interessante agora.

Jack observou a loira, ela continuava com a postura séria, sem nenhuma emoção, embora sua voz estivesse saído magoada.

O silêncio foi preenchido pelo pigarrear de Bunny que se levantou estendendo uma mão a mulher que a aceitou — Vamos almoçar — ele falou e todos concordaram, Bunny seguiu a frente com Toothy e Jack parou a alguns passos se virando e vendo a loira pousar a taça calmamente sobre a mesinha do bar antes de se virar e o encarar, ela andou em sua direção.

— Está tudo bem Doutora?

Elsa levantou o rosto e o viu fitando-a de uma forma tão direta que ela quis se esconder. O encarou de frente, sem desviar o olhar, por quê ele estava fazendo aquela pergunta? Depois que soubera de sua fracassada vida amorosa resolvera sentir pena? Coitada da fria Dra. Snow que não consegue nem segurar um homem.

Ela se deu conta que Jack continuava a encarando, um olhar tão fixo que ela se sentiu invadida. E ao mesmo tempo estranhamente excitada, culpou o álcool por esse último sentimento.

— Por que não estaria? — ela o respondeu com uma outra pergunta antes de passar ao seu lado.

Se sentaram na imensa mesa de jantar que acomodava dezesseis pessoas, apenas quatro lugares havia sido postos e Elsa teve de se sentar ao lado de Jack, o clima pesado havia continuado no ar e ela parecia mais quieta que o normal.

— Continua como detetive de homicídios Jack? — Bunny perguntou enquanto cortava calmamente um pedaço do pato ao molho que a cozinheira havia feito.

— É minha vida e minha paixão — o loiro respondeu sorrindo, pousou a mão sobre a mesa e a sentiu encostar na mão fria e pálida de Elsa, com o canto do olho a viu levar a cadeira para o lado e puxar a mão pegando o garfo.

Elsa respirou fundo sentindo o cheiro de sabonete e menta e soube que aquele cheiro iria ficar em sua mente por um tempo.

Um celular soou ao longe e ela se levantou, andou em direção a bolsa que havia ficado no sofá e a abriu, retirou o celular.

— Dra. Snow.

— Oi Doutora, aqui é a Detetive DunBroch, precisamos da senhora para ver um corpo — a voz feminina soou e ela franziu o cenho, não conseguia ter um final de semana para si.

— Só um minuto — ela falou, remexeu na bolsa retirando um caderno e uma caneta, enquanto anotava o endereço da detetive e conversava com ela escutou passos e viu a silhueta de Frost parar a alguns metros.

— Toothy pediu para saber o que era — ele falou parecendo encabulado por ter ido se intrometer em algo que não lhe dizia respeito.

— O dever me chama — ela o respondeu enquanto guardava o celular na bolsa, passou ao seu lado indo em direção a sala de jantar, a refeição ainda pela metade já deveria estar fria, encontrou Toothy e Bunny conversando baixo — Me perdoem mais preciso ir — ela falou se aproximando e beijando o rosto da amiga que parecia indignada.

— Mais ainda nem almoçou — Toothy falou em protesto.

— Os mortos esperam por mim — ela falou piscando para a amiga e saindo, foi em direção a porta encontrando Jack, franziu o cenho quando ele abriu a porta para ela sair.

— Vou lhe acompanhar — ele a respondeu ao perceber o olhar questionador que ela lhe dava.

— Já tem detetives na cena — ela o respondeu enquanto destravava seu mercedes, abriu a porta do carro e entrou, pelo retrovisor o viu a imitar, ligou o carro, se Frost fazia tanta questão de a acompanhar teria de esperar ela pegar sua maleta em casa.

(...)

Jack esperava calmamente dentro do carro, observou a casa branca novamente, conseguia ser maior que a casa de seus pais, viu a porta se abrir e a loira andar em direção ao carro com uma maleta nas mãos, ligou o carro a seguindo.

O endereço que procurava parecia difícil de encontrar, o edifício se encontrava atrás de altos muros recobertos por um emaranhado de heras , foi capaz de encontrar graças ao carro-patrulha que estava estacionado a frente o portão, levantou o olhar para o retrovisor e viu os olhos azuis de Jack que se encontrava no carro logo atrás.

Estacionou do outro lado da rua, desligou o carro e respirou fundo, pegou a maleta que estava ao lado e abriu a porta, o sol quente a fez cerrar os olhos, atravessou a rua e viu que o policial se encontrava dentro do carro a encarava.

— Como vai doutora? — o jovem sorriu em sua direção abrindo a porta do carro, ela apenas o encarou suspirando.

— Bem, onde está a detetive DunBroch ?

— Está no segundo andar — ele a respondeu ainda sorrindo — Oi detetive, não sabia que iria cuidar desse caso — o policial falou e ela virou o rosto vendo a postura séria de Jack ao seu lado.

— Não vou — foi a única palavra que ele disse antes de começar a andar em direção a entrada do prédio, ela o seguiu em silêncio, subiram as escadas até chegarem ao segundo andar onde uma das portas estava aberta, parou na entrada abrindo a maleta e retirando um par de protetor de sapatos, estendeu um ao detetive que a agradeceu com um aceno de cabeça.

Adentrou o local e pode ver alguns policiais, todos se calaram com sua presença a encarando e ela sabia o que pensavam, lá está a rainha dos mortos pronta para recolher mais um cadáver.

— Doutora — uma voz feminina se elevou em meio ao silêncio e ela se virou vendo uma mulher ruiva andar em sua direção — Sou a detetive Merida DunBroch, me desculpe por atrapalhar seu final de semana — ela falou e Elsa concordou apertando a mão da mulher — Jack? O que você está fazendo aqui? — ela perguntou confusa encarando o loiro que estava a alguns centímetros atrás da mulher.

— Vim dar uma olhada — ele falou e ela revirou os olhos.

— Por aqui Doutora.

Elsa a seguiu por um corredor, ao entrar no cômodo levou a mão diretamente ao nariz, o cheiro de carne se decompondo estava forte e o calor no local ajudava no processo, respirou fundo tentando esquecer o embrulho no estômago, colocou um par de luvas e seguiu a ruiva parando ao lado do corpo onde já era possível ver partes dos músculos.

— O corpo foi encontrado pela empregada da casa, ela voltava de férias hoje — Merida falou e Elsa concordou se ajoelhando ao lado do cadáver, abriu a maleta retirando uma seringa.

Jack e Merida estavam ao lado do corpo, o som de passos os fez levantar a cabeça para a figura masculina que entrava, Hans andou em direção a eles enquanto secava o suor que escorria de sua testa.

— O quê está fazendo aqui Frost ? — a pergunta do ruivo soou e todos olharam em sua direção, até Elsa que se mantinha ocupada retirando as coisas de dentro da maleta.

— Vim apenas observar — Jack o respondeu calmamente.

— Sério cara, esse caso é nosso, ninguém te chamou aqui — o ruivo falou em um timbre irritado.

— Não disse que quero esse caso para mim, pouco me importa — Jack o respondeu já irritado, Hans agia como uma criança mimada.

O ruivo o encarou com raiva, todos na sala estavam em silêncio, até mesmo Elsa parara de fazer seu trabalho para ver a briga entre os dois com um olhar intrigado, o cheiro de testosterona exalando de cada poro de ambos.

— As duas mocinhas acabaram? — a voz irritada de Merida soou.

Elsa suspirou preparando a seringa, os três detetives voltaram o olhar a loira agachada ao lado do cadáver, Mérida soltou um gemido de horror ao constatar o que a loira estava fazendo.

— Para que isso? — Jack perguntou com uma careta.

— Potássio vítreo — Elsa justificou, e as palavras soaram quase sedutoras em sua voz aveludada — Isso nos dará uma estimativa do intervalo de post mortem.

Todos continuaram em silêncio observando Elsa perfurar o olho do cadáver com uma agulha comprida. Lentamente a doutora sugou o fluido vítreo para a seringa e o observou antes de colocar em um saco de gelo.

Jack observava o cadáver que jazia de barriga para cima, olhos saltados devido aos tecidos expandidos pelo calor dentro do crânio, sangue seco havia se formado por onde era possível se ver alguns ferimentos, o pescoço decorado com marcas roxas. O abdômen estava inchado e a barriga manchada com um verde doentio.

— Não há muito o que eu fazer aqui, pelo aspecto do corpo a morte foi a mais de 24 horas, o calor do ambiente ajudou o processo rápido de decomposição — Elsa explicava com calma e sua pose majestosa havia voltado.

Merida concordou com a cabeça, observava a mulher que todos falavam a sua frente, ela fora um dos assuntos principais entre os policiais que tinham o privilegio de assistirem uma autópsia feita pela bela mulher.

A pele muito pálida, o cabelo platinado parecia brilhar, os lábios pintados de batom, ela teve a vontade de rir olhando para a mulher extraordinariamente impecável a sua frente, até a regata branca parecia se moldar em seu corpo, enquanto ela ia trabalhar com um terninho cinza que a deixava com uma aparência masculina.

— Os vizinhos disseram que a alguns dias escutaram um barulho de coisas caindo e segundo a sindica do condomínio disse que ela tinha um namorado — Hans comentou e a ruiva concordou com a cabeça — Quando vai fazer a autópsia Doutora?

Elsa o encarou atentamente, ele possuía um sorriso nos lábios enquanto a observava e ela ainda se lembrava dos comentários de sua última visita, ele era um homem atraente não podia negar, mas infelizmente suas atitudes a lembrava de grandes jogadores de futebol que agiam por impulso se amontoando uns sobre os outros, como se força física e aparência fosse tudo.

— Vou passar essa autópsia para o Dr. Black, ainda tenho outras vítimas esperando — ela falou e encarou os três detetives a sua frente — Irei deixar ele a par do acontecimento, ligo para você depois que falar com ele detetive.

Merida concordou ainda confusa, a loira se abaixou pegando a maleta e acenou com a cabeça em direção aos três detetives antes de lhes dar as costas.

(...)

Ela afundou na cadeira e deixou-se ficar um instante, os olhos azuis fixados no papel de parede floral de seu escritório, totalmente diferente do local limpo e esterilizado que trabalhava, preferira fazer seu escritório possuir um pouco de vida, a estante a um canto repleta de livros de medicina, apenas dois porta retratos, um deles dos pais que haviam morrido a alguns anos e o outro seu ainda criança abraçada a um cachorro, no qual se lembrava vagamente.

Esse não era um dia para estar trabalhando, mas após o almoço na casa de Toothy preferira se dedicar ao trabalho acumulado, a pilha ao seu lado ainda precisava ser relida e assinada.

Suspirou a recolhendo, olhou para o relógio ao lado, já iria começar a escurecer, se levantou colocando os diversos papéis dentro de sua pasta, já havia conversado com Breu e ele concordara em fazer a autópsia do corpo desta tarde.

Estava um vento fraco quando Elsa saiu do prédio, e ela suspirou sentindo falta do ar condicionado de seu escritório, quando finalmente chegou ao carro começou a procurar as chaves dentro da bolsa.

Distraída não escutou o ruído de uma porta de automóvel que se fechava ali perto, apenas quando escutou passos perto de si levantou a cabeça vendo o homem que se aproximava, ele parou próximo a ela sem nada dizer, mãos nos bolsos da calça caqui, o vento bagunçava fazia alguns fios de seu perfeito penteado se mexerem em uma dança, a barba bem cuidada.

Ele olhou em direção ao carro suspirando : — Sabia que seu carro seria preto, você ama essa cor.

Ela finalmente conseguiu falar, a voz saindo monótona e lhe soou estranha.

— O quê está fazendo aqui, Joshua?

— Precisava conversar com você — ele se explicou.

— Vindo até meu local de trabalho? Esperando eu sair para me pegar desprevenida?

— Liguei para Toothy ontem e ela não quis me passar seu endereço nem seu telefone, pesquisei sobre você na internet e encontrei seu local de trabalho. Sabia que iria estar trabalhando em um domingo, você sempre foi assim.

Elsa voltou-se para o carro e apertou o botão, as travas abriram.

— Não quer saber o que vim fazer? — a pergunta a fez parar no mesmo instante.

— Preciso ir embora — ela o respondeu sem o encarar.

— Minha mãe está morando em Atlanta, vim visitá-la e ela me disse que te viu na televisão em uma cena de crime, céus eu precisava lhe ver — ele se aproximou e ela sentiu-lhe o cheiro amadeirado. Um ano e ele nada mudará, o mesmo inclinar juvenil de cabeça, a mesma postura superior, estavam em pleno agosto, o calor castigando a todos e ele parecia nem se abalar, como se o sol forte não mudasse nada seu estilo de vida.

Joshua Green parecia irradiar sua própria força gravitacional, e ela era tão suscetível quanto qualquer um e sentiu o velho impulso que a atraía em sua direção.

— Nunca mais nos falamos, você foi embora alguns meses depois como se estivesse fugindo.

Ela riu, um som amargo e desagradável em meio ao silêncio no estacionamento.

— Fui viver minha vida.

— Droga Elsa nos precipitamos, trabalhávamos muito — ele começou a se justificar e ela suspirou.

— E essa foi a desculpa que você encontrou para ter um caso — ela o respondeu voltando a abrir a porta do carro.

— Droga, pode esperar um pouco?

Suas mãos fecharam-se em torno do braço de Elsa e ela assustou-se com a raiva que aquelas mãos transmitiam ao aperto. Ela olhou para ele, um olhar frio que lhe avisava que ele havia ido longe demais. Ele a soltou no mesmo instante.

— Desculpe, meu Deus não era essa conversa que imaginei — ele falou enquanto bagunçava os cabelos negros o despenteando.

— Não há nada para conversar Joshua, tudo que tínhamos de conversar resolvemos no divórcio — ela entrou no carro e bateu a porta, o coração disparado.

Joshua bateu na janela com o nó dos dedos, ela olhou para ele percebendo que ele continuaria ali parado, e não teve escolha a não ser abaixar o vidro e continuar a conversa.

— Podemos nos falar novamente? — ele perguntou.

— Não sei, tenho trabalho — ela o respondeu, o viu virar a cabeça para trás em direção ao prédio e rir com desdém.

— Sério Elsa, não sei por que você quer um trabalho como este, médica legista de homicídios.

— Continuo a mesma Joshua, possuo um lado escuro — ela falou e ele sorriu de lado se inclinando na janela.

— Você não mudou nada — ele sussurrou com a voz doce.

Você também não, e é isso que temo . Ela pensou enquanto encarava os olhos azuis dele.

— Estou hospedado no Hilton Atlanta, ligue para mim.

Ela suspirou : — Vou pensar — o respondeu em um sussurro.

Joshua estendeu a mão e apertou suavemente seu braço sorrindo de lado. Novamente seu cheiro a invadiu trazendo as doces recordações que haviam compartilhado em pouco tempo de casados. Noites na quais dormiam com as pernas entrelaçadas nos lençóis enrugados, dos beijos longos, do cheiro do café e das risadas compartilhadas juntos. Dois anos de casamento deixavam memórias, tanto boas quanto más e agora com ele ao seu lado, seu cheiro invadindo sua narina e o toque quente de sua mão, fazia prevalecer apenas as boas lembranças.

— Vou esperar sua ligação — ele falou a soltando e se levantando.

Será assim tão fácil? Ela perguntou a si mesma enquanto deixava o estacionamento e o viu ainda parado, um sorriso, um toque e sou capaz de esquecer todo sofrimento? Virou a esquina tentando não se importar com a pulsação acelerada, aquele homem já havia entrado em sua vida, não poderia deixar isso acontecer novamente.

(...)

A noite está quente e abafada.

Ariel Mermaid não vai a lugar algum essa noite. Hoje liguei para a clínica que ela trabalha e a colega dela me disse que não estaria atendendo essa noite, liguei para o escritório do marido e tive a ótima notícia de que ele estaria viajando para Nova York.

Eu a observo, ela caminha de um lado para o outro, apenas sua silhueta era visível atrás das cortinas finas. Está conferindo as travas das portas, os ferrolhos da janela e acionando o alarme de segurança.

Mais uma vez ela passa diante da janela. Fica parada ali, emoldurada pelo retângulo da luz, de repente as cortinas se afastam e ela estica o braço para soltar a trava, levanta as janelas e fica em pé diante delas aspirando o ar fresco.

Para um caçador não existe nada mais excitante do que o cheiro de uma presa sozinha e ingênua, ela aspira o ar e eu a imito.

Meu coração bate mais depressa. Pego minha maleta, para acariciar os instrumentos. Até o metal é quente ao meu toque.

A vejo dar as costas para a noite escura e a luz é apagada, mesmo estando no segundo andar você não está a salva querida, passei tempo demais esperando para atacar.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, de verdade, sei que estão curiosos para saber quem é o assassino mais ainda vai demorar um pouco para aparecer um suspeito kkkk... Vixx Joshua apareceu rsrsrs.... Obrigada a todos não esqueçam de comentar ....