Criminal
7 Seven Devils
Notas iniciais
Água benta não pode te ajudar
Mil exércitos não podem me impedir de entrar
Eu não quero seu dinheiro
Eu não quero sua coroa
Eu vim para incendiar
O seu reino
Água benta não pode te ajudar
Eu vim para incendiar o seu reino
Rios e lagos não podem apagar o fogo
Eu vou aumentar as apostas, vou expulsar você a fogo
Sete demônios ao meu redor
Sete demônios na minha casa
Eles estavam lá quando acordei essa manhã
Estarei morta antes de o dia acabar
Sete demônios ao seu redor
Sete demônios na sua casa
Veja, eu estava morta quando acordei essa manhã
Estarei morta antes de o dia acabar
Antes de o dia acabar
Alaric Saltzman, um dos policiais e amigo do meu pai. Foi inevitável que meu queixo caísse com a cena que eu via bem na minha frente, minha boca ficou tão seca como se eu estivesse provando veneno e era o que eu estava. Alaric estava bem na minha frente, confraternizando com os Mikaelson. Será que eles sabiam quem ele era? Definitivamente sabiam e mantinham contato constantemente até porque ao me ver ali ele não pareceu nenhum pouco surpreso. Ele não estava aqui em mando do meu pai, estava aqui participando de algum tipo de sujeira.
É claro, eles estavam fazendo um plano de vingança por Elijah e Alaric era sua fonte de informações sobre os meus pais. Quando ele finalmente acabou com toda a sua festinha particular com os rapazes na sala a primeira pessoa que ele olhou foi para mim. Não precisou de palavra para eu entender a mensagem que ele queria passar: Não fale nada! Tudo bem não vou falar ainda com todos aqui, mas garanto que vou falar.
― Essas são as garotas, você já conhece Bon, não é? ― Mikael disse vindo em nossa direção com Alaric.
― Ah sim. ― Ele parou na nossa frente e Bon se levantou para cumprimentá-lo com um beijo no rosto.
― Essa é Elena. ― Disse Mikael.
― É um prazer. ― Disse Elena de forma educada o cumprimentando, por sorte ela não o conhecia. Porque se conhecesse eu tinha certeza de que já ia fazer um escândalo.
― O prazer é todo meu. ― Ele sorriu simpático e cheio de carisma para Elena.
― E esta é Caroline. ― Mikael e Alaric estavam parados de pé bem na minha frente e eu nem tinha me levantado do sofá ainda. Ainda estava perdida em meus pensamentos.
― Caroline? ― Bon chamou minha atenção.
― Oh, perdão. ― Me levantei de um salto. ― Não estava aqui, minha cabeça estava em outro lugar. ― Falei olhando nos olhos de Alaric, eu podia ver o fogo que queimava dentro de seus olhos. A coragem que ele tinha de não demonstrar nada e me olhar com tanta intensidade. ― É um prazer. ― As palavras saíram com desprezo de meus lábios.
Ele se aproximou mais de mim me cumprimentando com um beijo no rosto e sendo rápido o suficiente para sussurrar em minha minha orelha apenas isso: Nós precisamos conversar. Então se afastou.
― Caroline, você está bem? ― Elena perguntou me olhando com os olhos preocupadas, eu poderia esconder dos Mikaelson mas não de Elena que me conhecia desde pequena.
― É, e só uma fraqueza. Eu vou até a cozinha beber um copo de água. ― Falei passando a mão pelo rosto.
― Quer que nós vamos juntos? ― Bon perguntou, atenciosa.
― Não meninas, pode deixar. Eu só vou beber um copo de água e já volto. ― Assim que terminei de falar já sai caminhando para fora da sala.
Caminhando apressada pelos corredores da sala, em passos longos e rápidos eu fui até a cozinha e realmente bebi um copo de água, procurando uma forma de me acalmar. Eu pensei que ia ter tempo, pelo menos um pouco de tempo para impedir as coisas mas não, se eu ia fazer alguma coisa para proteger os meus pais a hora era agora.
Recomponha-se, Caroline. Olhe para si mesma e faça algo, não fique tremendo como uma criança com medo de escuro. Faça alguma coisa ou vai perder sua família.
Essas foram as palavras que disse para mim mesma antes de estar decidida a tomar uma atitude, eu ia dar um jeito. Nem que tivesse de implorar a Klaus para fazer alguma coisa. Sai da cozinha de volta aos longos e largos corredores da mansão Mikaelson quando fui surpreendida. Alguém agarrou meu braço e me puxou para uma sala na casa que parecia muito com um escrito, quando o braço me soltou foi quem eu vi quem era.
― O que você está fazendo? Seu traidor! ― Cuspi as palavras com desprezo sobre Alaric, enquanto ele me olhava com esperança.
― Caroline! Por favor... você precisa me escutar, nós não temos tempo. Apenas cale a boca! ― Ele disse sério e olhando para a porta da sala, caso viesse alguém.
― Agora você quer vir aqui conversar? Você está aqui para ajudá-los a matar meus pais, eu não sou idiota.
― Caroline! Feche a merda da sua boca e escute. ― Ele em segurou pelos ombros e me deu um tranco, como se quisesse me trazer de volta a realidade. ― Não estou aqui para ajudar a matar seus pais, estou aqui para impedir que isso aconteça.
― O que? ― Fiquei sem reação.
― Seus pais não sabem que eu estou aqui. Vou impedir que seus pais sejam mortos, mas para isso preciso da sua ajuda, vou arrumar as coisas para os dois lados. ― Ele fez uma pausa, esperando eu digerir tudo. ― Você vai me ajudar?
― Sim. ― Falei sem pensar em consequências ou qualquer coisa. ― Mas... mas como vamos fazer isso?
― É bem simples ― Ele deu um sorriso largo e carismático. ― vamos trazer Elijah para casa.
― O corpo de Elijah, você quer dizer. ― Falei confusa e meu estômago se virou lembrando da imagem daquele saco preto com o corpo de Elijah na dentro.
― Elijah não está morto, Caroline. Você acha mesmo que eles iriam matar Elijah quando finalmente conseguiram pegá-lo? Parece que não aprendeu nada com seus pais. Aquele corpo não era o de Elijah, ele está escondido com a polícia. Porque você acha que não mostraram o rosto do cadáver? A única coisa que seu pai mostrou a Klaus foi a braço, com a tatuagem igual a de Elijah no pulso e o anel dele?
― Oh meu Deus! Faz todo sentido agora! ― Eu estava pasma, ligando um ponto ao outro e escutando tudo o que Alaric falava. ― Nós temos que contar a eles, Alaric!
― Não ainda, antes de tudo precisamos fazer Rebekah mudar de ideia, não sou eu quem pode contar a eles que Elijah está vivo.
― Rebekah mudar de ideia? E porque não?
― Você passou cinco dias aqui e ainda não aprendeu que são as mulheres que tomam as decisões aqui? Está nas mãos de Rebekah o que fazer com seus pais. Não posso porque eles não sabem que sou polícia.
― Ou seja, você é um mártir traidor de qualquer forma. ― Dei de ombros e revirei os olhos.
― O que eu posso fazer? Eu sou leal a minha família. ― Ele sorriu novamente. Espera aí, família?
― Família? ― Arqueei minhas sobrancelhas em dúvida, essa parte eu não tinha entendido.
― Eu sou o filho legítimo de Esther e Mikael.
― Oh meu Deus, eles não sabem que você é um policial! ― Agora sim eu estava realmente surpresa.
― Alguém tem que limpar o nome da família na polícia, não é? Bem, sou eu que faço isso. Como acha que nenhum Mikaelson foi preso até hoje? De qualquer forma, faça Rebekah adiar o plano que ela tiver em mente enquanto estou trabalhando com seus pais para trazer Elijah de volta, preciso fazer com que seus pais não façam nada com ele até resolvermos as coisas aqui. ― Ele me soltou e já ia sair da sala quando voltou e disse mais uma coisa. ― Oh, não me chame de Alaric Saltzman aqui, ok? É meio que blasfêmia mudar seu sobrenome. Nos falamos novamente em breve, deixe que eu vou até você. Cumpra a sua parte. ― Foram suas últimas palavras antes dele me deixar sozinha ali.
Era muito para processar de uma vez só mas vamos lá, recapitulando... Alaric que trabalha com meus pais também é amigo dos Mikaelson, que na verdade Esther e Mikael são seus pais mas eles não sabem que ele é polícial para poder limpar a ficha da família e também não sabem que Elijah está vivo. Então ele está aqui para me ajudar mais para isso eu preciso fazer com que Rebekah não queira matar meus pais, bom e como eu vou fazer isso? Tudo bem, eu preciso de um plano e preciso pensar nele agora. Talvez ela aceite só se eu pedir?
Sai da sala pelo menos sete ou dez minutos depois de Alaric e quando voltei a sala fui encontrar as meninas novamente, os rapazes não estavam mais na sala.
― Você demorou, está melhor? ― Elena perguntou ao me ver.
― Estou, eu só... parei para respirar um pouco. Estou bem melhor! Completamente recuperada! ― Forcei um sorriso empolgado. Realmente por um lado eu estava pois ainda havia esperança de eu e Elena termos nossas vidas de volta mas também havia o meu desafio de convencer Rebekah.
― Isso é ótimo afinal acabamos de ser informadas que temos compromisso hoje a noite. ― Bon deu um sorriso largo e excitado.
― Oh, nós temos? ― Perguntei surpresa.
― Sim! Esther e Mikael querem dar um baile hoje a noite pela volta de Alaric. O que nos leva as compras. ― Bon sorriu com a novidade. ― Precisamos de vestidos, vestidos maravilhosos! Quanto mais melhor!
― Alaric não é o mesmo nome de um dos rapazes... ― Ele falou um pouco em duvida, olhando para mim. Obviamente, Alaric já havia sido mencionado lá em casa e ela pode ter escutado uma dessas vezes, mas tapei sua boca com a mão antes de continuar.
― Não! Não! Claro que não! Não conheço ninguém com esse nome. ― Fiz minha melhor cara de confusa ao tirar minha mão da sua boca.
― Mas eu jurava...
― Elena, você andou bebendo hoje? Porque você está toda piradinha, meia doidinha falando coisas sem sentido... Fumou um baseado com Damon no café da manhã? ― Falei tentando confundir a cabeça dela e mudar de assunto de alguma forma. Elena me olhou confusa, não sabendo quem era mais louca, eu ou ela. ― De qualquer forma, vamos comprar os vestidos, certo? Posso ir chamar Rebekah para nós irmos. ― Era uma oportunidade de falar com Rebekah sozinha o mais cedo possível.
― Ótimo, Care. ― Bon piscou para mim. ― Eu preciso falar com Kol, ― Ela se virou para Elena. ― ele tem um monte de baseados. Se você quiser um. ― Ela riu com Elena e as duas saíram da sala.
Hora de iniciar a missão Impedir Rebekah de Destruir o Mundo ou o meu mundo, né. Sai da sala e fui direto para o quarto de Rebekah, bati na porta e esperei até que ela viesse me atender.
― Care! ― Ela sorriu ao abrir a porta me ver ali. ― Algum problema?
― Não, não. É só que Mikael e Esther querem dar uma festa porque Alaric está de volta e Bon está nos chamando para irmos comprar vestidos. Você vem?
― Alaric já chegou? Isso é muito bom, eu gostaria de vê-lo. ― Rebekah sorriu de forma educada mas perdeu o sorriso do rosto quando entrei na sua frente não a deixando sair do quarto. ― Caroline, qual o problema?
― Nós precisamos conversar, sozinhas. ― Falei com calma e atenta a minha volta, para ter certeza de que não havia ninguém ali.
― Ok, entre... ― Ela foi para trás na porta abrindo passagem para eu entrar, assim que entrei ela fechou a porta e passou a chave. Certa ela assim não havia nenhum perigo sobre alguém ouvir.
O fato é que, eu estava aqui no quarto com Rebekah e com a chance de nós conversamos sem o perigo de ninguém ouvir ou interromper mas eu não tinha um plano. Eu só cheguei aqui e aproveitei a oportunidade mas agora eu não sabia o que fazer, só estou parada aqui como uma pata esperando um milagre cair do céu. Mas eu sabia que nenhum milagre iria me salvar agora, então talvez eu devesse apenas aproveitar e me deixar levar, eu sabia que não ia ter outra oportunidade como essa tão cedo.
― Então, Caroline... estou esperando. ― Ela me olhou com certa duvida, os braços cruzados sobre o peito.
― Para começar, eu sou péssima em enrolar e contar mentiras então eu estou aqui te pedindo da forma mais verdadeira possível para que você não mate meus pais. Eu estou implorando. ― Falei me aproximando dela, no tom mais verdadeiro possível tentando passar tudo o que eu sentia a respeito disso.
― Porque você acha que eu mataria seus pais? ― Ela riu, sem entender.
― Rebekah, vamos ser sinceras aqui. Eu posso só estar aqui a cinco dias mas eu não sou tonta, eu olho a minha volta e sei o que está acontecendo. Também sei que é seu direito tirar de mim o que eles tiraram de vocês. Mas não acha que é o suficiente o que Klaus fez? Ele não me matou e também é a melhor forma de você provar que é superior a tudo isso.
― Então, se você acha que sabe deve entender que nós só fazemos o certo pelo certo aqui. Na verdade, nós deveríamos ter matado você porém, eu decidi que não faria isso então, escolhi que mataria eles. A morte não é um castigo para o que eles fizeram, é como a liberdade. Vai ser um castigo para você que é filha deles, sentir como eu e meus irmãos sentimos ao perder Elijah. Porque a morte é tão egoísta quanto seus pais, ela não dói para você, dói para aqueles que estão a sua volta. Que vão ao seu funeral, que vão chorar por você... ― Ela fez uma pausa e me olhou profundamente. ― Eu pouparei a vida dos seus pais com uma condição. Me dê um motivo não egoísta para que eu não os mate, não diga que é porque eles são seus pais ou que é porque os ama, me dê algo que vá além de vocês.
As palavras de Rebekah me atingiram como o esperado, cada uma delas me fez ver a situação do ponto de vista de Rebekah. De ambos lados todos nós sofriamos mas é como ela disse, eles pouparam minha vida mas também tinha um novo lado da situação, o lado que Elijah estava vivo mas nenhum deles sabia e nem poderia saber por enquanto. Procurei em cada pedaço de mim, em cada pequeno floco de amor que eu sentia pelos meus pais e não via nenhum motivo que não parecesse egoísta de alguma forma. Então decidi fazer da forma mais nobre que eu poderia mesmo sabendo que isso poderia acabar com todo um plano e afetar muitas vidas.
― Porque Elijah está vivo e podemos trazê-lo para de volta para vocês. ― Falei me sentindo culpada por eles terem passado toda aquela dor em vão, ela sabia disso ao olhar para a minha expressão e para os meus olhos.
― O que? ― Ela sussurrou com a voz falha, sua voz era apenas uma linha fina de esperança e de explosão em seu peito. Os olhos azuis de Rebekah se encheram de lágrimas, era como olhar para um oceano não explorado e completamente azul. Rebekah não respirava, apenas me olhava com tanta gratidão que chegava a me emocionar e só então percebi que eu estava chorando tanto quanto ela. ― Me... meu irmão está vivo? ― Sua voz falhou ainda mais, ela estava chorando e as lágrimas escorriam sem controle por se rosto.
― Sim! ― Falei mordendo meu lábio inferior para segurar o choro mas era inevitável impedir as lágrimas de caírem, porque era lindo. Era lindo a paixão e o alívio que Rebekah tinha ao saber sobre isso, o que indicava que ela tinha tanto amor pelo irmão quanto eu por meus pais.
― Oh meu Deus, Caroline! ― Ela correu em minha direção e simplesmente me abraçou, ainda chorando de soluçar. ― Oh meu Deus, eu não sei nem o que falar... você não tem noção. Meu Deus, eu rezei tanto para isso ser um sonho ruim, para ser uma mentira! ― Rebekah e eu chorávamos juntas enquanto nos abraçávamos.
― Está tudo bem, ele está bem. Nada vai acontecer com ele, eu prometo! Ele vai voltar para você em breve. ― Falei tão emocionada quanto ela, desejando ouvir a mesma notícia mas que fosse com meus pais. Ainda assim eu não estava a invejando, foi algo que eu havia acabado de aprender com Rebekah.
Todos merecem ser felizes, todos sofrem do mesmo jeito, todos sentem... Rebekah deixou isso bem claro quando falou para mim. E eu estava realmente feliz por Elijah estar vivo mas não era por agora eu ter uma chance de voltar para os meus pais mas sim por saber que essa família não perdeu alguém que amam muito.
Porém, ainda havia algo mais para ser dito. Rebekah ainda não poderia contar a novidade a ninguém, nem mesmo aos seus irmãos ou as coisas realmente estariam fora de plano. Bastava descobrir se ela iria me ajudar ou se tudo iria desandar de vez.
Quando Rebekah se afastou de mim dei um sorriso para ela ao ver que ela estava sorrindo para mim, um sorriso tão verdadeiro e sem nenhum tipo de dor como na primeira vez em que a vi. Levei minha mão ao seu rosto e limpei suas lágrimas.
― Rebekah, só tem mais uma coisa que preciso dizer. ― Falei preocupada com qual reação ela iria ter ao eu pedir para ela não contar nada.
― Pode falar, qualquer coisa... não vai mudar a alegria que estou sentindo agora. ― Ela falou rindo.
― Bem, ― Comecei encolhendo meus ombros e abaixando meu rosto. ― você não pode contar isso aos seus irmãos. Não ainda, tem que prometer! Precisa jurar!
― Mas, porque? ― Ela disse confusa e sem entender, perdendo o sorriso do rosto.
― Porque é algo que ainda está em andamento e não pode sair do controle e, com cair do controle eu quero dizer envolver o resto de sua família. Por favor, é a única coisa que eu peço! Se você me ajudar mais cedo Elijah vai voltar. ― Pedi quase de joelhos para ela.
― Tudo bem, só não me diga que vai ser por tempo demais.
― Não! Não vai.
― Tudo bem! ― Ela sorriu novamente. ― Mas como você sabe disso, como pode me garantir?
― Rebekah, você vai ter que confiar em mim com todo o seu coração. Eu prometo que não vou decepcioná-la mas agora tudo que eu posso dizer é isso, e preciso da sua ajuda mais do que nunca!
― Tudo bem. ― Ela diminuiu um pouco o sorriso. ― Eu confio em você. ― Rebekah fez uma pausa antes de continuar e falar algo inesperado. ― E sobre os seus pais? Não acho que exista motivo mais nobre do que esse que você me deu. Não precisa se preocupar com eles, garantirei pessoalmente que nada de ruim aconteça a eles.
― Isso é sério? Oh, obrigado Rebekah! ― Dessa vez fui eu quem a abraçou forte, um abraço que ela retribuiu de imediato.
Depois de nossa conversa Rebekah sabia tão bem quanto eu que não deveríamos falar isso em público em hipótese alguma, especialmente na frente dos seus irmãos. Então, quando saímos do seu quarto para ir encontrar Bon já voltamos a ser as mesmas. Elena estava com ela e Hayley também, que foi a primeira que bateu os olhos em mim quando eu e Rebekah chegamos.
Nós fomos até uma boutique no centro de Londres para comprar os vestidos. Bon já era cliente de lá e disse que teria tudo o que nós precisaríamos. O lugar era muito bonito e fino, o tipo de loja em que eles servem champagne para os clientes e você compra vestidos com fios de ouro.
Bon escolheu um vestido preto e longo, com abertura nas costas e nas laterais, colado no corpo... que por sinal ficou muito bem nela. Já Hayley escolheu um vestido curto, azul marinho escuro e preto em couro, ele era sem mangas e tinha uma abertura na perna que também ficou ótimo nela. Eu acho que qualquer coisa cairia bem em Hayley, afinal, ela tinha um bronzeado natural de dar inveja a qualquer mulher sem contar o seu físico que também não ficava para trás. Rebekah também escolheu preto e longo mas um tomara que caia e com um pano bem diferente do de Bon. Elena também escolheu um tomara que caia maravilhoso que pareceu ter sido feito exatamente para ela. Ele era rosa carmim escuro com decote de coração e um laço atrás, ficou perfeito nela. Já uma tarefa difícil foi encontrar um vestido para mim, uns ficavam largos e vagos demais devido a minha falta de curva, outros me faziam parecer uma sardinha enlatada até que Rebekah me achou um vestido perfeito. Não só perfeito na beleza mas que ficou bem no meu corpo. Ele era bordado com fios de ouro e pérolas brancas, sem contar os brilhantes incontáveis que eram espelhados por ele. Era tomara que caia e de um bege bem claro que lembrava um branco velho, colado no corpo e se abria rodado no final. Nós passamos a tarde toda na loja e quando fomos embora já era fim de tarde e assim que chegamos na mansão Mikaelson os preparativos para a festa já haviam começado, haviam empregados andando para todos os lados da casa preparando tudo para hoje a noite.
Eu ainda não havia visto Klaus hoje, pelo menos não havíamos tido uma conversa e nem trocado nenhum beijo, o único momento em que estive perto dele hoje foi na sala quando Alaric chegou. Imagino que agora ele estaria ocupado então decidi que ia tomar um banho e começar a me arrumar para a festa mas enquanto eu andava pelos corredores a caminho do meu quarto encontrei Mikael.
― Caroline! Está perdida? ― Ele sorriu bem humorado para mim, suas mãos no bolso da calça do seu terno. Era incrível como ele estava sempre muito bem vestido.
― Mais ou menos. ― Confessei. ― Eu estava indo para o meu quarto tomar um banho e começar a me preparar para a festa.
― Ah, claro. Você ainda tem alguns minutos sobrando? Gostaria de me acompanhar? ― Ele ofereceu o braço para mim. ― Vou chamar os rapazes.
Eu adorava essa forma de realeza que eles tinham, o modo como eles falavam e agiam de forma muito educada. É como dizem, ingleses! Eu adorava, as vezes até me sentia em um cenário de um livro.
― Eu adoraria! ― Sorri para ele, segurando em seu braço. ― Onde os rapazes estão?
― Ah, garotos você sabe... fazendo coisas de garoto. ― Ele sorriu enquanto caminhávamos de braços dados. ― Eu e Esther gostamos de ter você aqui, Caroline. Você e Elena, são ótimas garotas, muito educadas, bonitas e vão ser sempre bem vindas em nossa casa. Não é atoa que os meninos gostam tanto de vocês.
― É muito bom saber disso. ― Eu sorri lisonjeada por seus elogios.
Antes mesmo de chegarmos ao nosso destino já era possível ouvir a euforia e a conversa vindo da sala em que caminhávamos na direção. Ela tinha duas portas que subiam quase até o teto e ficava no fim do corredor, o que significava que não era um lugar pequeno. Assim que Mikael abriu as duas portas em sincronia perfeita para nós entrarmos eu fiquei maravilhada com aquele lugar e com o show que ocorria ali.
O lugar era uma sala retangular grande o suficiente para ser do tamanho de uma quadra da NBA, o teto tinha pelo menos mais de três metros de altura e haviam grandes janelas com vidro coloridos em todas elas, dando um ar clássico ao lugar. As paredes eram feitas de mármore branco e o chão de cinza. Diante dos nossos olhos uma valsa no centro do salão, dois cavalheiros (acho que devo chamá-los assim nesta circunstâncias) praticavam esgrima. Ambos vestindo brancos travavam suas espadas um contra o outro em perfeita graça, não parecia uma luta e sim uma dança. Eles continuaram sem notar nossa presença até que um dos cavalheiros pareceu ter tropeçado em seus próprios pés enquanto desviava de um golpe contra seu peito e caiu de costas no chão, seu corpo deslizando pelo mármore.
― Parece que ganhei... ― Uma pausa enquanto o vencedor tirou a máscara. ― de novo! ― Era Klaus, com um sorriso irônico no rosto.
O cavaleiro que estava no chão também tirou a máscara, o rosto molhado e brilhando por causa do suor. Ele jogou a máscara no chão e se levantou de um salto.
― Bom, talvez devêssemos tentar algo mais no meu estilo. Sem armas. ― Ele sorriu para Klaus, enquanto tirava as luvas. ― O meu esporte.
― Nós adoraríamos assistir a este show mas não hoje. Deus me livre um de vocês aparecer com um olho roxo. Esther mata vocês por aparecerem assim e a mim por ter permitido isso. ― Mikael falou ganhando a atenção dos garotos.
A voz dele ecoou por todo o salão vazio, os dois olhavam em nossa direção.
― Um pouco de modos dos dois não seria ruim, não estão sozinhos. ― Mikael apontou com a cabeça para mim. ― De qualquer forma, estou aqui porque tem um pessoal lá embaixo esperando vocês para escolherem um terno para hoje a noite já que as mocinhas passaram o dia fazendo sabe Deus o que e não tiverem tempo de vocês mesmo comprarem seus ternos.
― Tudo bem, já vamos descer. ― Stefan respondeu.
― Ótimo. E por favor, nada de box irlandês ok? Amanhã vocês podem socar a cara um do outro a vontade, mas não hoje a noite.
― Ok, nós já vamos. ― Foi Klaus quem falou dessa vez.
― Eles sempre se comportam assim? ― Mikael sussurrou para mim.
― Garotos são garotos, nunca perdem a oportunidade de ter todos os olhares direcionados somente para eles. ― Eu sorri.
― Com toda certeza. Agora, acho que devo lhe permitir ir e não lhe atrapalhar mais. Vejo você a noite, tenho certeza que está radiante.
― Obrigado. Nos vemos a noite. ― Sorri de forma educada para ele e depois para Klaus e Stefan, então sai da sala os deixando ali.
Fui direto para o meu quarto dali e então fui tomar meu banho. Preparei um banho quente na banheira, enchendo a mesma até a borda e depositando sais minerais nela. Assim que água ardente tocou minha pele foi como um abraço de calor, eu que estava acostumada com a temperatura média dos Estados Unidos fui pega de jeito pelo frio da Inglaterra. Coberta de água até o pescoço, fechei meus olhos respirando o valor de água quente que emanava da banheira com um perfume agradável de rosas. Era uma sensação ótima e relaxante, eu poderia passar horas ali e não tinha a mínima intenção de sair tão cedo, sentir cada poro meu sendo aberto e engolindo um pouco de tranquilidade.
Sair do banho foi o mais difícil, o frio fazia toda a minha pele se arrepiar. Vesti um roupão branco e coloquei uma toalha no cabelo molhado para sair do banheiro. Assim que abri a porta do banheiro dei de cara com um convidado inesperado no meu quarto, ele estava sentado na lateral da minha cama e o me ver se levantou de imediato.
― Mikael está certo, você não é muito educado. Eu poderia estar nua, sabia? ― Falei cruzando os braços.
― Isso seria ótimo. ― Klaus deu um sorriso malicioso. ― Afinal, tem roupa demais ai mesmo..
― Todas as minhas roupas são demais para você.
― Exatamente, todas elas. ― Klaus começou a caminhar na minha direção lentamente, dando um passo de cada vez até estar na minha frente. Ele me puxou pelo cordão do meu roupão, colando meu corpo ao dele. ― O você vai vestir essa noite? ― Ele perguntou com curiosidade, roçando a ponta do seu nariz no meu pescoço, sentindo o cheiro fresco de banho ainda em minha pele.
― Você verá mais tarde. ― Falei me deixando sorrir com a curiosidade dele.
― Tenho certeza que vai me surpreender! ― Ele sorriu e me deu um beijo delicado sobre o maxilar. ― Afinal, passou o dia todo atrás de um vestido e não teve um mísero momento para mim.
― Bom, você preferiu a companhia de um outro homem a minha! ― Falei fingindo desapontamento.
― Está com ciúmes de Stefan? ― Klaus sorriu.
― Se ele for tomar todo o seu tempo, sim! ― Fiz uma pausa antes para me preparar pro que eu ia dizer. ― Stefan parece ser o nosso problema, ele está sempre no meio de nós dois. Antes era você que estava com ciúmes dele e agora sou eu.
― E você tem alguma solução para esse problema? ― Klaus se divertia ao me ver com ciúmes por ele não ter tempo para mim.
― Tenho. Podemos matá-lo ou você pode simplesmente passar mais tempo comigo, porque Stefan não pode fazer isso... ― Foram as nossas últimas palavras antes de eu envolver meus dois braços em torno do seu pescoço e ficar na ponta dos pés e beijá-lo.
Klaus me prendeu em seus braços quando me agarrei em sua nuca o beijando com desejo e paixão, seu peito subia e descia com sua respiração ofegante, quase tanto quanto a minha. Eu pressionava meus lábios nos dele com tanta força, violência e paixão que chegava a machucar devido a sua barba. Nós não iríamos parar ali e nem queríamos, mas como sempre por ironia do destino algo vinha nos impedir. O som de alguém batendo na porta e logo em seguida veio a voz doce e infantil de Bon.
― Caroline? Você está ai? Eu vim te ajudar com o vestido.
Klaus revirou os olhos olhando para mim e deu um suspiro cansado. Então me olhou com um olhar que dizia: De um jeito nisso. Eu apenas sorri.
― Só um minuto, Bon. ― Falei sem me afastar um centímetro dele.
― O que você vai vestir hoje? ― Ele perguntou com um sorriso no rosto.
― É uma surpresa.
― Oh... ― Ele sorriu. ― tenho certeza que você vai me surpreender. Esteja linda. ― Ele fez uma pausa. ― Ou melhor, seja você. Não tem que fazer esforço nenhum para ser a mulher dos meus olhos. ― Klaus me beijou rapidamente uma última vez antes de sair do quarto.
Bon pareceu surpresa ao vê-lo sair do meu quarto enquanto eu vestia apenas um roupão. Ela entrou logo em seguida e fechou a porta.
― Me desculpe por ser uma vela chata!
― De forma alguma, Bon. Ele já estava de saída mesmo. ― Sorri. ― Então, vamos meu vestido?
― Você vai estar maravilhosa hoje a noite, Caroline.
Já eram sete horas da noite quando Bonnie veio até meu quarto, a festa começaria as oito mas ela disse que o Mikaelson nunca são os primeiros a chegar em suas festas, na maioria das vezes, são os últimos. É o que lhes marca a presença, mesmo em sua casa. Ela disse que as pessoas estavam comentando sobre essa festa e como eles podiam fazer uma festa pela volta de um filho para a casa enquanto outro tinha acabado de partir? As pessoas ainda estavam chocadas com a morte de Elijah. E eu pensei o quão mais elas ficariam se soubessem sobre Alaric e sobre o fato de Elijah estar vivo.
O design do meu vestido era simples mas era gracioso, maravilhoso de se olhar. Impressionante a forma com que ele foi decorado, os fios de ouro, as pedras de brilhante uma a uma, a sua cor que dava um tom mais bonito a minha pele leitosa. O primeiro tomara que caia longo que não me deixava parecendo uma salsicha em papel selofone. Bon me ajudou a colocar o vestido e depois duas garotas vieram me ajudar com o cabelo e maquiagem enquanto Bon foi se arrumar. Elas me fizeram um coque delicado no alto da cabeça onde colocaram uma presilha de ouro branco e diamantes, deixei minha franja caída de lado. A maquiagem foi bem leve já que o cabelo e o vestido faziam todo o trabalho sozinhos. Foi uma chuva de elogios das duas garotas, elas disseram que todos ficariam deslumbrados com o quão bonita eu estava. Mas elas também não me deixaram olhar no espelho até que terminassem. O único acessório que eu estava usando era a pulseira que Klaus me deu de aniversário. A porta do quarto foi aberta novamente e eu achei que fosse Bon que veio ver como eu fiquei mas desta vez era Rebekah, ela já estava vestida.
Meu Deus, ela estava tão bonita que me fez pensar em uma princesa medieval das trevas. O seu vestido preto, o acessório negro que ela usava no cabelo loiro. Junte isso com a sua beleza natural e teria uma mulher maravilhosa. Como as garotas já haviam terminado seu trabalho Rebekah deixou que elas saíssem.
― Você está maravilhosa, Caroline. Perfeita! ― Rebekah disse me olhando.
― Você também, Bekah. Muito, muito bonita! O vestido ficou perfeito em você.
― Obrigado! ― Ela sorriu de forma educada. ― Eu vim aqui para trazer um presente de Nik.
― Um presente? ― Perguntei confusa.
― Sim, posso? ― Ela disse me mostrando uma caixinha de joias, provavelmente de um colar. Klaus sendo Klaus, não sei porque me surpreende ainda. ― Você sabe, se tem uma coisa que meu irmão adora é mimar uma mulher. Eu que o diga! Não é um privilégio que ele dá para muitas, na verdade, você é a primeira mulher que não é família para ele dar algo assim. ― Eu senti o metal frio tocar a minha pele, definitivamente era um colar mas eu não poderia vê-lo. ― Olhe... ― Rebekah me ajudou a levantar e caminhou comigo até o espelho que havia ali.
Eu foquei primeiro no colar. Era de ouro e tinha como pingente uma pequena coroa com brilhantes, era lindo. Delicado e gracioso. Então eu olhei para mim, eu realmente estava bonita, muito mais bonita do que a primeira vez que provei o vestido. A maquiagem e o cabelo ajudaram. Eu estava tão bonita e não estava me importando com isso por mim, eu queria que Klaus me visse daquela forma.
― Você está linda como... ― Rebekah fez uma pausa procurando uma palavra para isso. ― uma rainha. Você é perfeita para o meu irmão, todo rei precisa de uma rainha. ― Vi o sorriso de Rebekah pelo espelho bem atrás de mim.
― Eu nem sei o que dizer. ― Foi a coisa mais estúpida que eu já disse até agora mas a única que consegui falar.
― Você vai deixar muitas pessoas sem saber o que dizer essa noite, uma delas é meu irmão. Você está maravilhosa, Caroline. Vejo você mais tarde. ― Ela piscou para mim antes de sair do quarto.
Quando Rebekah saiu do meu quarto já eram 8:30, Bon havia me dito para descer apenas depois das nove. Esperar não foi problema, até porque a hora passou bem rápido por sinal, apesar da minha ansiedade imensa. Quando era 9:10 eu decidi descer, espero que alguém já tenha descido. Sai do meu quarto e desci as enormes escadas de mármore até uma das salas, então caminhei pelos corredores até o salão de festa, de longe eu já podia ouvir a sinfonia de música clássica.
A porta do salão estava aberta e dois grandes seguranças estavam parados na porta do lado de fora, haviam pessoas ali fora e lá dentro o salão estava lotado. Era lindo, extravagante, era algo... Mikaelson. No alto do salão dançarinos se penduravam e faziam acrobacias. Cada mulher e cada homem da festa vestiam trajes elegantes, um mais elegante e mais luxuoso que o outro, era como uma disputa. Bon mais cedo havia me dito que havia todo o tipo de gente ali. Bandidos, mafiosos, políticos, todo o tipo de gente poderosa. Ainda um pouco acanhada eu caminhei pelo salão, me sentindo envergonhada por todos os olhares masculinos e femininos que estavam direcionados a mim, cada virada de pescoço era mais um tom de vermelho natural nas minhas bochechas.
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Atravessei o salão com graça observando todos aqueles olhares desconhecidos e a beleza dessa festa até que encontrei dois rostos conhecidos. Rebekah e Klaus. Klaus havia dado seu braço para Rebekah e eles desfilavam pelo salão e pararam no momento em que me viram. A expressão de Klaus era de completa... devoção. Ele simplesmente parou e me assistiu caminhar lentamente em sua direção, chamando a atenção de todos naquele salão mas ainda mais por eu ser dele.
― Então, sem palavras? ― Rebekah perguntou a seu irmão sem tirar os olhos de mim.
― Completamente mudo. ― Klaus falou e um sorriso começou a se formar em seus lábios quando parei a sua frente. Ele se aproximou de mim e me cumprimentou com um beijo calmo e demorado na bochecha, então sussurrou na minha orelha. ― Você é a mulher mais bonita daqui.
― Obrigado. ― Eu sorri completamente ao saber que ele achava isso. ― Você também não está nada mal. ― Falei brincando. Nada mal? ele estava simplesmente perfeito. Usava um terno preto feito sob medida, camisa preta e uma gravata xadrez azul escuro e preto.
― Que humilde da sua parte, eu sei que você também me acha o homem mais atraente aqui essa noite. Ser minha acompanhante já diz tudo. ― Ele sorriu brincalhão. ― Vejo que Rebekah lhe entregou meu presente.
― O que? Você achou que eu fosse pegar para mim? ― Rebekah disse bem humorada. ― Mesmo querendo eu não peguei.
― Ah irmãzinha, não seja ciumenta! Eu compraria todo o ouro do mundo por você. ― Klaus sorriu para a irmã e piscou para ela.
― Ah, com certeza. ― Rebekah gargalhou. ― Se me dão licença. ― Ela sorriu e então nos deixou a sós.
― Vamos? Quero exibir você para todos aqui essa noite. ― Klaus me ofereceu seu braço.
― Só me quer para me exibir?
― Sua companhia também não é nada mal. ― Ele tentou me imitar da mesma forma que eu falei de sua roupa, me fazendo rir.
Não demorou muito para eu entrar no clima de festa junto de Klaus, ele realmente me exibiu para todos os seus conhecidos, me apresentando como sua senhora. Klaus me contou a história de cada dos que conheci, de Sheiks até alguns políticos que eu já havia visto na televisão acusados de corrupção. Enquanto andávamos pelo salão e todos pareciam querer falar com Klaus ele pegou uma taça de champagne para mim mas não para ele, na verdade, ele queria uma dose de whisky e estávamos a caminho do bar enquanto todos paravam ele. Quando finalmente chegamos ao bar, Stefan estava lá. Ele também vestia um terno preto de medida, mas diferente de Klaus, por baixo usava uma camisa branca e gravata borboleta preta. Ele estava no bar com um copo de whisky na mão. Ao me ver ele me olhou dos pés a cabeça com um olhar que dizia: Nada mal, tagarela!
É claro que ia dizer isso com o olhar, afinal, ainda estávamos de mal. Quando Klaus finalmente pegou sua bebida, o jovem Henrik apareceu. Ele também vestia terno, mas usando uma gravata slim.
― Nik, papa está chamando.
― Já? ― Klaus sorriu. ― Ótimo. Eu já volto, meu anjo. ― Ele se aproximou de mim e beijou meu rosto logo em seguida, então saiu dali junto com Henrik.
Me aproximei de Stefan como quem não queria nada e então falei.
― Mesmo que estamos de mal, onde eles vão? ― Assim que perguntei ele riu e deu um longo gole no seu copo, como se precisa-se disso para falar comigo.
― Eu estava contando quantos segundos você ia se segurar até vir e perguntar. ― Ele disse bem humorado, olha só, o bom humor está de volta. Stefan pegou a taça de champagne da minha mão vazia e então pegou outro drink no bar e me entregou, era um martíni. ― Tome, você vai precisar.
― O que? ― Perguntei sem entender, então ele apontou para a enorme escada de mármore que se alargava no centro do salão e todos estavam se aproximando da mesma, enquanto todos os Mikaelson estavam de pé ali.
Haviam mais três rostos ali que eu não conhecia ainda. Um homem mais velho, eu diria de uns quarenta anos. Alto, cabelo preto e bem cortado, cara fechada e nariz fino. Ele se parecia com Klaus. Havia uma mulher também, ela era ruiva e também parecia ter uns trinta e pouco, entre eles havia uma garota mais jovem. Baixinha, cabelos negros, pele bem branca e um rosto inocente. Ela não poderia ter mais de dezesseis anos. Esses três estavam parados como num retrato de família.
― Stefan? Quem são eles? ― Perguntei e Stefan seguiu meus olhos.
― Aquele é Finn, o irmão mais velho de Klaus. A ruiva é sua esposa, Sage. E a garotinha é Davina, a filha deles. ― Ele fez uma pausa. ― Preste bem atenção, um dia você vai estar lá.
Apesar de não ter gostado muito da observação de Stefan, eu tive que continuar devido a minha curiosidade.
― Porque Bon não está ali? Ela é a noiva de Kol.
― Mas ainda não é uma Mikaelson. Ela e Kol ainda não estão casados, ou seja, ela ainda não tem o nome Mikaelson.
― Boa noite! Bem vindos, obrigado por se juntarem a nós essa noite! ― A voz grossa do líder dos Mikaelson ecoou pelo salão no silêncio mortal, até mesmo a música havia parado. Todos estavam em silêncio absoluto para ouvir o pronunciamento da família Mikaelson. ― Como todos sabem, em nossas festas é comum essa nossa reunião de família, especialmente agora que meu filho está de volta. ― Mikael olhou cheio de orgulho para Alaric. ― Antes de começar nossa festa eu gostaria de dar as boas vindas ao meu filho. Bem vindo, Alaric! ― Mikael levantou o copo num sinal de brinde ao filho e então continuou. ― E também gostaria de dar adeus, a um filho que também perdi, Elijah. Obviamente todos devem estar se perguntando, porque dar uma festa quando meu filho acabou de morrer. Mas essa não é uma simples festa, é uma festa para comemorar a vida de Elijah e não a sua morte.
― Estou sentindo que isso não vai acabar bem. ― Sussurrei para Stefan.
― Essa festa é também para anunciar a minha aposentaria. ― Ele falou e o salão virou um tumulto de cochichos e fofocas. ― Sim, sim. É isso mesmo que vocês ouviram. Eu estou velho e... eu estou passando o trono de minha família, com muito orgulho, para meu filho e sobrinho, Niklaus. ― Ele apontou para Klaus que se aproximou dele com um sorriso satisfeito. ― O nome e a honra desta família não poderia estar em mãos melhores. E eu sei, que ninguém fará vingança melhor do que você, ao matar aqueles que derramaram o sangue de nossa família. Saúde!
Enquanto todos no salão levantaram os copos em um sinal de brinde e saúde, eu apenas deixei que a minha taça escorrega-se pelos meus dedos e caísse direto no chão, se quebrando completamente. Como alguém poderia brindar saúde a morte? Eles estavam anunciando em público que matariam meus pais, mas eu havia dito a Rebekah e Alaric. Eles... eles haviam me traído? Meu primeiro instinto foi olhar para os seus rostos, pareciam tão surpresos quanto eu. Alaric olhava para Rebekah e ela olhava para Mikael e o irmão. Pareciam que as coisas haviam fugido do nosso controle.
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