Criminal
1 House of the Rising Sun
Notas iniciais
Há uma casa em Nova Orleans.
Eles a chamam de Casa do Sol Nascente
E tem sido a ruína de muitos pobres garotos
E, Deus, eu sei que eu sou um.
Ser filha de dois políciais super treinados não é nada fácil, especialmente porque eles tem esse ar super protetor que os pais tem em um level hard. Sabe quando seus pais estão na sala vendo o jornal e passa algo sobre jovens na internet e eles fazem questão de chamar você? Então, imagine se seus pais fizessem esse tipo de coisa o tempo todo. Imaginou? Pois bem, esses são os meus pais, Liz e Bill Forbes!
Meu pai e minha trabalham para o FBI mesmo antes de eu nascer, na verdade, foi lá que eles se conheceram, ainda na academia de polícia. Meus pais são detetives, eles estão em todo tipo de caso e são os melhores no que fazem, não querendo me gabar nem nada mas metade da cadeia de New Orleans só está cheia por causa deles. Acho que grande parte dessa super proteção que eles tem comigo se deve ao fato de eles serem políciais e verem isso no seu dia a dia. Garotas inocentes que são pegas por bandidos, contrabando de garotas, estupro, assalto... todo o tipo de merda que você pode imaginar.
Mas as coisas agora estão para mudar até porque, agora eu tenho dezoito! Literalmente ainda não porque faltam algumas horas para a meia-noite mas meus pais me prometeram que quando eu finalmente tivesse dezoito anos ele iam me dar um pouco mais de liberdade. Promessa é divida, certo? E então para comemorar o meu aniversário, eu vou pela primeira vez na vida a uma boate. Isso mesmo, pela primeira vez na vida. Eu sei, eu sei, é ridiculo mas se você também fosse filho dos meus pais me entenderia.
Quem vai comigo hoje é minha melhor amiga Elena. Nos somos amigas desde sempre, Elena é a unica pessoa que meus pais não dizem ser ''má compainha''. Acho que seja porque eles conhecem os pais dela e somos amigas de longa data.
Hoje pela primeira vez eu vou sair e me divertir como qualquer outra garota da minha idade, mas é claro, meu pai vai me levar e vai me buscar. Com hora para ir e para voltar, melhor do que nada.
― Elena já está aqui.
― Jesus mãe! ― Deixei o pote de rímel cair com um estrondo no chão. ―Não se esgueire por cima de mim como faz com seus criminosos,ainda mais quando eu estou concentrada.
Tudo que ela fez foi rir da minha cara. Mas logo depois ela perdeu o sorriso do rosto e fez uma cara de tristeza que eu pude ver pelo reflexo do espelho. Ela ia chorar, não, não, por favor mãe! Hoje não!
― Minha garotinha está tão grande! Olhe só para você, já é uma mulher. Mas para mim você sempre vai ser meu bebe. ― Ela choramingou colocando as mãos sobre meus ombros.
― Eu sei, mãe! Eu sei e também sempre serei seu bebe, mas você sabe, os bebes crescem e viram adultos...
― Estou entrando! ― Elena disse super empolgada invadindo o quarto e fazendo minha mãe chorar mais ainda. Fiz uma careta e olhei para o reflexo de Elena, sua cara não negava como ela se desculpava.
― Garotas? Estão prontas? Quanto mais cedo vocês forem mais cedo vocês voltam. ― Disse meu pai invadindo meu quarto bem atrás de Elena. ― Liz? Liz, está chorando de novo? ― Meu pai olhou para ela soluçando bem atrás de mim e escondendo o rosto com as mãos.
Meu pai nem era tão sentimental quanto minha mãe, acho que o trabalho o deixou assim. Quando algo da errado e uma pessoa morre, é sempre ele que informa a família porque se dependesse da minha mãe ela iria chorar toda vez.
― Vão! Vão logo! ― Disse minha mãe tirando as mãos do rosto e chorando do mesmo jeito. ― Vai com Deus, se cuide, juízo e não beba nada. Você me entendeu?
― Sim mãe, relaxa... ― Falei empurrando Elena para fora do quarto porque já não aguentava mais tanta melação.
― Vejo vocês mais tarde.
Olhei para o meu celular e vi que já eram nove horas. Fomos direto para o carro e minha nos acompanhou até a porta, ela ficou acenando para nós até que o carro finalmente virou a esquina da minha rua. O silêncio estava tenso, acho que meu pai estava realmente nervoso com isso. Bastava olhar para ele e ver o modo como ele apertava o volante e dirigia o seu carro.
― Bom, isso é interessante. ― Elena disse do banco de trás do carro falando sozinha e fazendo cara de paisagem.
― Vocês sabem que não devem beber, né? E nem... ― Mas eu completei a frase por ele, porque já tinha a ouvido umas mil vezes só hoje. Já sabia ela até de frente para trás.
― Falar com estranhos, aceitar bebida de estranhos, ficar perto da saída, se algo acontecer saia da boate e ligue para você e mamãe. Sim pai, eu sei. Você já disse isso um monte de vezes. ― Falei cansada de ouvir a mesma coisa.
― Mas eu tenho que dizer mesmo, vocês adolescentes são cabeças duras. Entra por um ouvido e sai pelo outro... ― E assim foi o resto do caminho. Ouvindo o discurso dele que parecia não ter fim.
Meu pai parou o carro na frente da boate do outro lado da rua. Ele e minha mãe tinham pesquisados as boates com o menor indice de violencia na cidade e encontraram essa. É claro que todas tinham violencia mas essa era a do indice menor.
― Tudo bem pai, está bom aqui. Não precisa nos levar até a porta. ― Falei soltando meu cinto de segurança e me esticando no banco para dar um beijo no rosto do meu pai.
― Caroline, eu estava pensando se... ― Ele começou a falar assim que me afastei dele.
― Não! Nem pense, pai! Por favor, hoje não, pelo menos não hoje... não pode ser meu pai pelo menos uma vez e não esse detetive paranoico?
― Não posso nem esperar aqui fora? Por favor? ― Ele pediu com cara de piedade.
― Não! Não me decepcione, pai. ― Abri a porta do carro e pulei para fora.
― Até mais tarde, senhor Forbes. ― Elena se despediu do meu pai e também saiu.
Atravessamos a rua e fomos até a entrada da boate. A frente não revelava nada de como era lá dentro, era apenas uma entrada enorme e fechada, na porta havia dois enormes seguranças. Antes de entrar olhei e vi o carro de meu pai ali ainda, fiz um sinal para ele ir embora e com muita resistência ele foi. Como já tinhamos comprado as entradas antes, apenas entregamos e entramos.
As luzes festivas e neon fluorescente fizeram meus olhos doer e não me acostumei de cara, tive que piscar várias vezes até que finalmente consegui voltar a enxergar normalmente. A música fazia todo meu corpo vibrar de tão alta que estava. O lugar era agradável, era o tipo de boate que provavelmente era frequentada apenas por universitários de classe alta e turistas também.
― Vem, vamos pegar umas bebidas e dançar! ― Elena me puxou para a multidão super empolgada.
Elena tinha uma identidade falsa e assim podia pegar bebidas alcoólicas. Meu Deus, imagino o que meus pais iriam pensar se descobrissem sobre isso. Enquanto ela pegava as bebidas e pagava por elas eu esperei um pouco distante do bar, logo depois ela voltou com os dois copos.
― O que é isso? ― Perguntei olhando o copo que ela me deu. A bebida parecia apetitosa... no fundo do copo ela tinha a cor vermelho groselia e conforme ia subindo ela se tornava amarelo vivo, como suco de laranja.
― Sex on the beach! ― Elena disse com uma voz sexy. ― Pode beber, eu pedi para fazerem o seu com pouca bebida.
Elena estava certa em fazer isso, meu Deus se meus pais descobrissem que eu bebi. Acho que eles me matavam. Eu não duvido que quando chegue em casa eles forcem a soprar um bafometro. Elena não me permitiu mais perder tempo me remoendo sobre meus pais em pensando, sabia que o estava acontecendo era uma em milhão e disse para aproveitar o máximo que podíamos.
Dançamos por mais ou menos quarenta minutos seguidos sem parar, se Elena tinha toda essa energia sorte a dela porque eu já estava me arrastando. Quando finalmente a convenci a se sentar comigo apenas para eu pudesse voltar a respirar fomos até o bar e nos sentamos lá. O barman tinha cabelos loiros cinza e não parecia muito mais velho do que eu e Elena, o que eu achei estranho. Olhei para a sua camiseta uniforme da boate e estava escrito: Matt. Ele veio nos atender.
― Identidades? ― Ele pediu antes de qualquer coisa, mantendo seus olhos fixamente em mim e ignorando completamente Elena. Me senti mal e um pouco envergonhada, afinal, Elena era sempre o centro das atenções.
― Quero só uma água com gás, por favor. ― Pedi e olhei para Elena, esperando ela fazer o seu pedido.
― O mesmo que ela. ― Elena deu um sorriso simpático para ele, como se quisesse ganhar sua atenção.
Ele apenas acenou com a cabeça e deu as costas para ele. Talvez ele só estivesse cansado demais do trabalho ou sei lá, nenhum cara trata Elena assim. O rapaz voltou logo em seguida com os dois copos de água gelada e mais duas taças com um drink rosa claro.
― Nós não pedimos isso. ― Me apressei a falar para ele.
― Cortesia dos caras ali. ― Ele olhou para o lado direito do balcão, eu e Elena olhamos na mesma direção.
Haviam dois rapazes ali encostados no balcão. Um tinha os cabelos tão pretos que chegavam a parecer azulados na luz da boate e seus olhos, azuis como nenhum outro que Caroline já havia visto. Seus lábios eram uma linha fina e ele sorria levantando apenas um canto da boca o que era charmoso, então ele piscou para Elena.
O outro se comparado com o negro dos cabelos do rapaz chegava a parecer loiro, mas era um tom de castanho claro. Os olhos eram verde como as folhas das árvores na primavera. Os traços do seu rosto eram duros e não havia nenhum sinal de barba, nem um cabelinho se quer fora do lugar. Ele tinha um ar sério mas não pode deixar de sorrir para mim quando viu que eu o encarava, um sorriso timido sem mostrar os dentes. Eles eram universitários ou turistas mas provavelmente universitários.
Olhei para Elena e ela sorria de volta para o moreno. Já segurando a bebida na mão e pronta para beber.
― Elena! ― Chamei sua atenção e ela se virou para mim. ― Não beba isso.
― Porque? ― Ela perguntou me olhando como se eu estivesse louca.
― Você não sabe se tem alguma coisa ai. ― Falei encolhendo os ombros e me sentindo envergonhada por agir assim mas fazer o que, foi o modo como fui criada.
― Ai Caroline! Para com isso, você já está ficando igual os seus pais. Olhe só para aqueles dois, eles são muito bonitos para serem criminosos ou estupradores, vamos beba também. Não faça desfeita. ― Elena me entregou o meu copo.
Elena estava certa, talvez eu realmente esteja ficando paranoica igual os meus pais. Eles pareciam ser bons rapazes mesmo. Segurei o copo e Elena me fez um sinal para que eu bebesse, aproximei a taça dos meus lábios e dei um gole ao mesmo tempo que Elena. O sabor era doce, muito doce e chegou a colar os meus lábios, tive que beber água logo em seguida para tirar aquele gosto da boca.
Assim que engoli a água senti uma forte pontada na cabeça e uma tontura, pisquei meus olhos e comecei a enxergar pontos pretos. Achei que fosse apenas algo de momento ou de ficar nesse ambiente fechado, foi então que senti uma moleza e uma sonolencia. Eu sabia o que estava acontecendo, eu já tinha escutado meus pais falarem sobre isso tantas vezes e agora que acontecia comigo eu mal sabia o que fazer. Olhei para o lado e vi que Elena olhava fixamente para o nada, eu sabia que o mesmo estava acontecendo com ela... olhei para o balcão e vi os dois copos de bebida. Me apoiei com as duas mãos no balcão e usei todas as forças que tinha para me manter de pé e continuar enxergando, mas as luzes da balada só dificultavam.
― Elena, me escute com atenção... ― Falei alto e claro, enquanto ela ainda podia entender o que eu dizia. Mas ela estava pálida como uma folha de papel. Ela acenou positivamente para mim em sinal de que era para eu continuar. ― Nós fomos drogadas, com sorte nós conseguiremos chegar até a porta mas eu preciso que você se esforce, ok? Vai te que usar todas as suas forças agora. Não se deixe levar pelo sono, se concentre em algo que te faça pensar, não caia no sono! ― Olhei para o meu celular e passei o dedo sobre a tela o desbloqueando e foi apenas isso, então o deixei cair da minha mão.
Se eu me abaixar eu não ia mais conseguir levantar, foi então que olhei para Elena e vi que ela estava despencando para o lado, a segurei tentando mantê-la sentada na cadeira. Olhei para o barman afim de pedir socorro e vi que ele fazia um sinal com a mão chamando os dois rapazes que pagaram as bebidas. Eu não tinha mais tempo, tinha que correr dali e pedir ajuda para salvar Elena.
Estava me arrependendo tanto de não ter ouvido o meu pai agora, meu Deus. Como eu fui idiota. Soltei e Elena e fui dar um passo para trás para correr mas foi apenas isso, um passo e eu cai como um corpo sem vida. Se não fossem os dois braços que me seguravam eu ia cair com tudo no chão.
― Peguei você. Está tudo bem, está tudo bem. ― Ouvi a voz dizer me tranquilizando por um momento, mas foi quando vi o rosto que entrei em pânico de novo. Eu queria gritar, correr, me debater mas eu não tinha força nenhuma para isso. Tudo que eu era ali, o espectador da minha própria morte. O rapaz de cabelos claros me segurava.
― Tirem elas daqui pelos fundos. ― Disse o barman. Agora eu só podia ouvir, tudo que eu escutava era a escuridão.
Eu escutava passos e conversas distantes, portas abrindo e fechando, mais passos. E então eu pude ouvir silêncio e depois carros, me esforcei e abri os olhos por alguns segundos. Estavamos na rua em algum beco. Elena estava jogada como um saco sobre os ombros do rapaz de cabelos negros e olhos azuis, ele abriu a porta lateral de uma van e jogou o corpo desacordado de Elena la dentro e logo em seguida o meu. Tenho certeza que pela forma com que fui jogada lá teria doido muito mas eu não sentia nada agora, nada físico. Só o medo, pânico e o desespero. Cai no sono de novo.
Aos poucos fui voltando à consciência. Os sentindo voltavam a mim devagar, o primeiro o que eu me lembro foi o da audição, era como o som de uma torneira pingando em um lugar enorme e vazio, o eco era torturante. Depois eu me lembro do tato. Sentir nos meus braços e pernas uma dor esfolante, como quando você tem um machucado e ele continua sendo forçado, só então percebi que eu estava amarrada em uma cadeira pelos braços e pernas. Então o olfato, cheiro de poeira e graxa. Visão... eu abri os olhos e tudo que eu enxerguei foi a escuridão, por um momento achei que ainda estivesse dormindo mas então na minha frente a uns dez metros de distância eu vi um fio de luz aparecer com o abrir de duas enormes portas de correr, eu estava em um galpão. A luz que entrava pelas portas abertas era forte e viva, luz do dia. Meu Deus, já amanheceu? Olhei para fora e vi uma sombra parada na luz.
Primeiro era só uma sombra, então ele deu um passo confiante para dentro do galpão e eu percebi que era um homem mas foi só isso. Ele continuava caminhando confiantemente em minha direção numa linha reta, pisquei uma vez e então em assustei como ele estava parado na minha frente. Meus olhos me pregando outra peça, provavelmente era o efeito de ser drogada. Quando meus tomaram foco novamente eu pude enxergar.
Ele olhava diretamente para mim. Seus olhos eram duros e sua expressão era séria, o que lhe dava a aparência da maldade. O cabelo era loiro dourado e mais curto nas laterais do que em cima, no estilo do corte militar mas maior. A barba rala que ele tinha, olhando para ela eu tive a sensação de que era tão macia. A boca podia ser pequeno mas os lábios eram carnudos e convidativos. Os traços do seu rosto eram perfeitos, pelo menos na minha opinião e chamavam muito atenção, especialmente a sua mandíbula. Ele me analisou e sem esboçar nenhum sinal de alegria falou:
― Olá Caroline. ― O presente sotaque em sua voz rouca e sexy chamou minha atenção para a realidade.
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